Por Valério Cortez*
Se tudo der certo, quando pelo menos um de meus inúmeros leitores, estiver se deleitando com este texto, eu estarei em estado de graça com a beleza, o sossego e todas as maravilhas de Visconde de Mauá.
Quarto distrito de Resende, a localidade de Visconde de Mauá, é o nome dado ao conjunto formado pelas vilas de Mauá, Maringá e maromba e os vales que circundam a região, como o Vale das Cruzes, Alcantilado, Pavão e Grama.
Encravada no meio da serra da Mantiqueira, em uma área de proteção ambiental, esta localizada na divisa entre os estados do Rio e de Minas Gerais.
A ocupação da região teve sua origem em um processo de colonização mal sucedido, no inicio do século, centenas de suíços, alemães, austríacos, poloneses, húngaros e russos foram trazidos da Europa para povoarem a região e produzirem alimentos, mas dificuldades para escoar a produção levaram o projeto ao fracasso.
Durante os anos seguintes, a região permaneceu praticamente congelada no tempo, até que nos anos 70, os hippies descobriram a região e ali se instalaram, criando comunidades alternativas e atraindo artesãos e artistas para a Shangri-lá brasileira.
E assim estava aberto o caminho para que nos anos 80, a região viesse a se tornar um dos destinos mais procurados, por aqueles que optam por um turismo mais alternativo.
Se por um lado, a Mauá dos hippies nos anos 70, não tinha, por exemplo, o numero absurdo de carros que, hoje poluem a serra nos finais de semana, também não tinha o conforto, hoje oferecido por pousadas e restaurantes.
Hoje, um sem numero de Associações e ONGs, batalha pela manutenção e melhoria das condições ambientais da região.
Mas o que realmente importa, é que a feliz combinação da natureza exuberante da serra, com a arquitetura e a culinária européia, e a herança de liberdade, cuidado e respeito pela natureza, deixada pelos velhos hippies, gerou esta maravilha que é visconde de Mauá.
Que venham todos.
*Subindo pra maromba ( hit de Macial & Silvinho Raia )
Espero que todos tenham um bom domingo, pois eu acho que o meu já ta garantido.
Dicas gastronômicas da serra, na semana que vem.
Poeminha marginal dos anos 7o
“Para curar um amor platônico,
só uma trepada homérica”
*Valério Cortez, tem 53 anos, casado, engenheiro e ativista do Movimento em Defesa dos Estranhos e Esquisitos.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
A FILA (NÃO) ANDA
Caros amigos,
a coluna hoje era do Valério, que viajou (subiu para Maromba). Por isso, o ilustre colunista deixou um e-mail para mim, com o arquivo. Fui para uma lan house fazer a postagem (estou sem internet no meu prédio), mas o arquivo não abriu (segundo a funcionária, o texto estava criptografado).
Como já tinha texto pronto, vou colocá-lo. Amanhã o Valério posta a coluna dele. Segue o texto.
A FILA (NÃO) ANDA
*por Carlos Vinicius Rosenburg
Uma das coisas que mais me incomodam é enfrentar fila. Pode ser na padaria, no restaurante, no estacionamento, no shopping, em qualquer lugar, fila é algo que me desanima. E a pior de todas, sem dúvida alguma (tirando, obviamente, coisas mais sérias, como uma fila de transplante, adoção e a dos hospitais...), é a fila do banco. Todos os meses me cerco de cuidados para não deixar que nenhuma conta atrase, para que não tenha que me dirigir a alguma agência bancária, que não seja a minha, e encarar a dita cuja. Aproveito o fato de existir, no meu local de trabalho, um caixa eletrônico, e aí pago todas elas no mesmo dia, sem fila, tranqüilo.
Mas isso nem sempre é possível, pois enganos acontecem, e uma conta acaba atrasando, ou então aparece um determinado pagamento que só pode ser feito naquele banco.
Bom... aconteceu. Precisava fazer um pagamento de um título que só poderia ser efetuado no Banco do Brasil. Sem outro jeito, fui para o local.
Antes, porém, como estava no horário de almoço e o tamanho da juba pedia, aproveitei para cortar o cabelo. Paguei pelo corte R$ 15,00 (quinze reais) e fui para a agência bancária mais tranqüilo, sem o peso das longas madeixas.
Chegando na agência, fui para o segundo piso, onde são pagas as contas. A fila não era imensa, mas demorou bastante. Como não levei livro ou jornal, fiquei reparando nas pessoas em volta, e pelo menos isso trouxe algum divertimento.
Primeiro, há uma espécie de curral para a fila, mas a divisão é feita apenas com um desenho no chão, ao contrário de outros bancos, que colocam cordões. Nem é preciso dizer que aqueles desenhos não adiantam absolutamente nada, pois quem chega na fila segue a direção das costas da pessoa que estava no último lugar. Assim, a fila toma as direções mais bizarras possíveis!
Segundo, era hora de almoço. Naquele período, acontece um tradicional rodízio dos caixas (não sei como funciona isso, nem o tempo de almoço para cada um), e aí começam aqueles comentários na fila: “Pô, o cara entra às 11h e já sai meio-dia...” – diz um. “Brincadeira isso, agora só têm dois caixas pra atender todo mundo!” – responde o office-boy ao lado. Começa aquele burburinho, reclamações aqui e acolá, alguém fala que tal caixa é muito lento e por aí vai. Aos poucos, a coisa vai se acalmando, e outros assuntos entram em pauta, como os boys combinando uma ida ao baile funk, gente metendo o pau no Sarney, outros falando da gripe suína, vários com o celular, e essas conversas no aparelho móvel não ficam apenas no íntimo de quem está conversando. Não, parece que as pessoas fazem questão de falar alto e, então, sem querer estamos participando da conversa, quase sendo consultados para diversos assuntos, desde a cor do carro novo (a pessoa faz questão de falar bem alto) ou se a Patrícia ou a Joana podem ir sozinhas na festa do Diego. E por aí vai.
Bom, quando me dou conta, só há dois caras na minha frente. Dois moleques com tocadores de mp3 no ouvido e pastas nas mãos... Hummm, isso não está com cara boa, pensei. Não deu outra. Cada moleque ocupou um caixa, com milhões de documentos, e eu fiquei quase vinte minutos só ali na espera (com pedacinhos de cabelo me espetando no colarinho da camisa...).
Porém, finalmente, chegou a minha vez. Conta tranqüila, só um boleto, R$ 50,00, só pagar e ir embora. Coloco a mão no bolso e... lembram daqueles R$ 15,00 lá do barbeiro? Eu havia tirado do caixa eletrônico, de manhã cedo, R$ 60,00 para pagar essa conta, e ficaria com dez no bolso. Pois é, gastei R$ 15,00, esqueci do boleto... Soltei um palavrão em silêncio. O caixa viu aquilo e chegou até a sorrir. Acho que, com pena, deixou que eu voltasse e não enfrentasse fila. Como era de se esperar, quando voltei, alguém lá do fim da fila gritou pra mim:
- Tá cortando fila aê!!!
É, a fila anda. E esse cara aí tem razão, cortar fila é horroroso. Mas não era o meu caso, por favor.
Até a próxima segunda.
Dica de cinema: A Vida dos Outros, produção alemã que retrata o nível de paranóia de uma sociedade que vive sob a sombra de um polícia política, no caso a Stasi, na antiga Alemanha Oriental. Filme fundamental, ainda mais levando-se em conta a proximidade do dia 09/11/09 (vinte anos da queda do Muro de Berlim).
Dica de música: procurem baixar qualquer coisa do falecido guitarrista Paul Kossoff, que integrou o grupo Free (banda liderada pelo vocalista Paul Rodgers - que mais tarde fundaria o Bad Company, e hoje acompanha o que restou do Queen). Kossoff, que morreu jovem, atormentado pelas drogas e pelo álcool, fez um curto trabalho solo, porém memorável, angustiado e belo. O guitarrista conseguiu transportar toda essa angústia para as seis cordas do instrumento, você às vezes chega a pensar que o cara gravou durante uma crise de abstinência – um feeling absurdo. Grande parte do material é instrumental. Para começar a procura na web, o tema Time Away é uma boa pedida (no Youtube tem um vídeo com um trecho dessa música – apenas fotos do guitarrista e o áudio – http://www.youtube.com/watch?v=o-2WK7y3sas). Paul Kossoff, praticamente esquecido pelo tempo, merece uma coluna dedicada somente a ele.
*Carlos Vinicius Rosenburg é casado e detesta filas e as pessoas que cortam filas, e pela primeira vez escreve a coluna com 37 anos (completados nesta data - 30/08). Escreve também no blog “Confraria Jurídica” (http://confrariajuridica.blogspot.com).
NOTA: peço desculpas aos amigos pela ausência nos comentários desde quarta-feira, mas estou sem sinal de internet no meu prédio até hoje.
a coluna hoje era do Valério, que viajou (subiu para Maromba). Por isso, o ilustre colunista deixou um e-mail para mim, com o arquivo. Fui para uma lan house fazer a postagem (estou sem internet no meu prédio), mas o arquivo não abriu (segundo a funcionária, o texto estava criptografado).
Como já tinha texto pronto, vou colocá-lo. Amanhã o Valério posta a coluna dele. Segue o texto.
A FILA (NÃO) ANDA
*por Carlos Vinicius Rosenburg
Uma das coisas que mais me incomodam é enfrentar fila. Pode ser na padaria, no restaurante, no estacionamento, no shopping, em qualquer lugar, fila é algo que me desanima. E a pior de todas, sem dúvida alguma (tirando, obviamente, coisas mais sérias, como uma fila de transplante, adoção e a dos hospitais...), é a fila do banco. Todos os meses me cerco de cuidados para não deixar que nenhuma conta atrase, para que não tenha que me dirigir a alguma agência bancária, que não seja a minha, e encarar a dita cuja. Aproveito o fato de existir, no meu local de trabalho, um caixa eletrônico, e aí pago todas elas no mesmo dia, sem fila, tranqüilo.
Mas isso nem sempre é possível, pois enganos acontecem, e uma conta acaba atrasando, ou então aparece um determinado pagamento que só pode ser feito naquele banco.
Bom... aconteceu. Precisava fazer um pagamento de um título que só poderia ser efetuado no Banco do Brasil. Sem outro jeito, fui para o local.
Antes, porém, como estava no horário de almoço e o tamanho da juba pedia, aproveitei para cortar o cabelo. Paguei pelo corte R$ 15,00 (quinze reais) e fui para a agência bancária mais tranqüilo, sem o peso das longas madeixas.
Chegando na agência, fui para o segundo piso, onde são pagas as contas. A fila não era imensa, mas demorou bastante. Como não levei livro ou jornal, fiquei reparando nas pessoas em volta, e pelo menos isso trouxe algum divertimento.
Primeiro, há uma espécie de curral para a fila, mas a divisão é feita apenas com um desenho no chão, ao contrário de outros bancos, que colocam cordões. Nem é preciso dizer que aqueles desenhos não adiantam absolutamente nada, pois quem chega na fila segue a direção das costas da pessoa que estava no último lugar. Assim, a fila toma as direções mais bizarras possíveis!
Segundo, era hora de almoço. Naquele período, acontece um tradicional rodízio dos caixas (não sei como funciona isso, nem o tempo de almoço para cada um), e aí começam aqueles comentários na fila: “Pô, o cara entra às 11h e já sai meio-dia...” – diz um. “Brincadeira isso, agora só têm dois caixas pra atender todo mundo!” – responde o office-boy ao lado. Começa aquele burburinho, reclamações aqui e acolá, alguém fala que tal caixa é muito lento e por aí vai. Aos poucos, a coisa vai se acalmando, e outros assuntos entram em pauta, como os boys combinando uma ida ao baile funk, gente metendo o pau no Sarney, outros falando da gripe suína, vários com o celular, e essas conversas no aparelho móvel não ficam apenas no íntimo de quem está conversando. Não, parece que as pessoas fazem questão de falar alto e, então, sem querer estamos participando da conversa, quase sendo consultados para diversos assuntos, desde a cor do carro novo (a pessoa faz questão de falar bem alto) ou se a Patrícia ou a Joana podem ir sozinhas na festa do Diego. E por aí vai.
Bom, quando me dou conta, só há dois caras na minha frente. Dois moleques com tocadores de mp3 no ouvido e pastas nas mãos... Hummm, isso não está com cara boa, pensei. Não deu outra. Cada moleque ocupou um caixa, com milhões de documentos, e eu fiquei quase vinte minutos só ali na espera (com pedacinhos de cabelo me espetando no colarinho da camisa...).
Porém, finalmente, chegou a minha vez. Conta tranqüila, só um boleto, R$ 50,00, só pagar e ir embora. Coloco a mão no bolso e... lembram daqueles R$ 15,00 lá do barbeiro? Eu havia tirado do caixa eletrônico, de manhã cedo, R$ 60,00 para pagar essa conta, e ficaria com dez no bolso. Pois é, gastei R$ 15,00, esqueci do boleto... Soltei um palavrão em silêncio. O caixa viu aquilo e chegou até a sorrir. Acho que, com pena, deixou que eu voltasse e não enfrentasse fila. Como era de se esperar, quando voltei, alguém lá do fim da fila gritou pra mim:
- Tá cortando fila aê!!!
É, a fila anda. E esse cara aí tem razão, cortar fila é horroroso. Mas não era o meu caso, por favor.
Até a próxima segunda.
Dica de cinema: A Vida dos Outros, produção alemã que retrata o nível de paranóia de uma sociedade que vive sob a sombra de um polícia política, no caso a Stasi, na antiga Alemanha Oriental. Filme fundamental, ainda mais levando-se em conta a proximidade do dia 09/11/09 (vinte anos da queda do Muro de Berlim).
Dica de música: procurem baixar qualquer coisa do falecido guitarrista Paul Kossoff, que integrou o grupo Free (banda liderada pelo vocalista Paul Rodgers - que mais tarde fundaria o Bad Company, e hoje acompanha o que restou do Queen). Kossoff, que morreu jovem, atormentado pelas drogas e pelo álcool, fez um curto trabalho solo, porém memorável, angustiado e belo. O guitarrista conseguiu transportar toda essa angústia para as seis cordas do instrumento, você às vezes chega a pensar que o cara gravou durante uma crise de abstinência – um feeling absurdo. Grande parte do material é instrumental. Para começar a procura na web, o tema Time Away é uma boa pedida (no Youtube tem um vídeo com um trecho dessa música – apenas fotos do guitarrista e o áudio – http://www.youtube.com/watch?v=o-2WK7y3sas). Paul Kossoff, praticamente esquecido pelo tempo, merece uma coluna dedicada somente a ele.
*Carlos Vinicius Rosenburg é casado e detesta filas e as pessoas que cortam filas, e pela primeira vez escreve a coluna com 37 anos (completados nesta data - 30/08). Escreve também no blog “Confraria Jurídica” (http://confrariajuridica.blogspot.com).
NOTA: peço desculpas aos amigos pela ausência nos comentários desde quarta-feira, mas estou sem sinal de internet no meu prédio até hoje.
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5ª coluna - fila de banco
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
NYC - A cidade Fala
Por Luciano Romanieli*
Comunicação visual é uma coisa, agora vc receber conselho é outra. Gravei esse vídeo ontém na estação 42 Grand Central, o lugar é imenso, praticamente todos os trens do metro passam por ali, além dela ser interliga a estação de Trem Grand Central, aquela que vemos direto nos filmes.
* Luciano Romanieli não teve como postar um material maior essa semana, mas está preparando seu texto para a próximo sábado.
Do vinil ao MP3 – Memórias musicais
Caro seleto – e bota seleto - grupo de leitores, seguidores, amigos e blogueiros. Hoje, nesta humilde coluna, teremos um texto enviado por nosso grande amigo Serginho, figura que, embora tenha deixado nossa terrinha há algum tempo em razão de seu ministério, mantém-se fiel às velhas amizades e, volta e meia, nos brinda com sua agradável presença, além de uma bagagem musical singular.
Serginho, para quem não sabe, é ex-aluno do Verbo Divino, da Sobeu e, o mais importante, é ex-integrante da banda Sucessores da Mídia. Fundada em meados dos anos 90, o Sucessores, com seu repertório variado (Cazuza, Lobão, Legião etc.), assolou diversos night clubs da periferia barramansense, com destaque para o Azteca Clube na Vila Nova. Seu maior feito foi um inesquecível show na Feira do Amor – já na “Beira Rio” -, que, infelizmente, praticamente marcou o fim das apresentações públicas da banda.
Valeu Sergio!
César Zadorosny tirou folga hoje, mas volta com tudo na semana que vem.
Do vinil ao MP3 – Memórias musicais
*Sérgio Soares da Silveira
Nestes tempos de downloads, MP3, WMA e coisas do gênero, vez em quando me vem à memória os bons tempos do vinil. Recordo-me das idas às lojas, em especial à conhecida “Casa da Música”, no início da Avenida Domingos Mariano. Verdadeiro parque de diversões, assim como o “Ponto Musical”, “Papelaria Avenida” e outras. Posso ser chamado de saudosista. Que o seja. Hoje em dia não há nada parecido com aquele sentimento que se tinha ao pegar o disco, analisar sua capa, retirar o vinil, colocá-lo no toca-discos e levar a agulha, cuidadosamente, a fazer seu serviço. Não era algo automático, mas verdadeiro ritual musical.
Lembro-me da primeira vez que me deparei com o Led Zeppelin. Foi na citada Casa da Música. Duas fitas cassete(!), que ficavam expostas em um quadro de vidro no interior da loja: Physical Graffitti e Presence, as quais escutei repetidamente por alguns meses. Tea for One até hoje é uma das minhas músicas favoritas...
E o Deep Purple! A primeira vez que o ouvi, no interior da mesma loja, mostrado por um vendedor (isso mesmo, algumas lojas se preocupavam em ter vendedores que entendessem de música!) A música: Lazy. Aquela guitarra fluente, limpa, sinuosa e insinuante do Blackmore. O teclado do Lord fazendo a cama... Nunca mais deixei de ouvir o Purple. E as capas? Obras de arte. É até difícil apontar as melhores. Registro a primeira que me vem à mente: a espetacular pintura dos Rolling Stones na capa de It`s Only Rock `n` Roll, disco de despedida do Mick Taylor nos Stones.
E aí, existe download que supere tudo isso?
Dica literária: RIMBAUD E JIM MORRISON, de Wallace Fowlie. O autor traça um paralelo importante e revelador entre as letras de Jim Morrison, eternizadas pela banda americana The Doors, e a poesia de Rimbaud. Falando em Doors, finalizo com a urgência característica de Morrison, em um de meus hinos favoritos, Roadhouse Blues: “I woke up this morning and I got myself a beer. The future`s uncertain and the end is always near.”
*Sérgio Soares da Silveira possui 36 anos, é barramansense, casado, acredita que toca guitarra muito bem e que um dia ainda vai superar Hendrix em Voodoo Child! Escreve no blog Confraria Jurídica.
Serginho, para quem não sabe, é ex-aluno do Verbo Divino, da Sobeu e, o mais importante, é ex-integrante da banda Sucessores da Mídia. Fundada em meados dos anos 90, o Sucessores, com seu repertório variado (Cazuza, Lobão, Legião etc.), assolou diversos night clubs da periferia barramansense, com destaque para o Azteca Clube na Vila Nova. Seu maior feito foi um inesquecível show na Feira do Amor – já na “Beira Rio” -, que, infelizmente, praticamente marcou o fim das apresentações públicas da banda.
Valeu Sergio!
César Zadorosny tirou folga hoje, mas volta com tudo na semana que vem.
Do vinil ao MP3 – Memórias musicais
*Sérgio Soares da Silveira
Nestes tempos de downloads, MP3, WMA e coisas do gênero, vez em quando me vem à memória os bons tempos do vinil. Recordo-me das idas às lojas, em especial à conhecida “Casa da Música”, no início da Avenida Domingos Mariano. Verdadeiro parque de diversões, assim como o “Ponto Musical”, “Papelaria Avenida” e outras. Posso ser chamado de saudosista. Que o seja. Hoje em dia não há nada parecido com aquele sentimento que se tinha ao pegar o disco, analisar sua capa, retirar o vinil, colocá-lo no toca-discos e levar a agulha, cuidadosamente, a fazer seu serviço. Não era algo automático, mas verdadeiro ritual musical.
Lembro-me da primeira vez que me deparei com o Led Zeppelin. Foi na citada Casa da Música. Duas fitas cassete(!), que ficavam expostas em um quadro de vidro no interior da loja: Physical Graffitti e Presence, as quais escutei repetidamente por alguns meses. Tea for One até hoje é uma das minhas músicas favoritas...
E o Deep Purple! A primeira vez que o ouvi, no interior da mesma loja, mostrado por um vendedor (isso mesmo, algumas lojas se preocupavam em ter vendedores que entendessem de música!) A música: Lazy. Aquela guitarra fluente, limpa, sinuosa e insinuante do Blackmore. O teclado do Lord fazendo a cama... Nunca mais deixei de ouvir o Purple. E as capas? Obras de arte. É até difícil apontar as melhores. Registro a primeira que me vem à mente: a espetacular pintura dos Rolling Stones na capa de It`s Only Rock `n` Roll, disco de despedida do Mick Taylor nos Stones.
E aí, existe download que supere tudo isso?
Dica literária: RIMBAUD E JIM MORRISON, de Wallace Fowlie. O autor traça um paralelo importante e revelador entre as letras de Jim Morrison, eternizadas pela banda americana The Doors, e a poesia de Rimbaud. Falando em Doors, finalizo com a urgência característica de Morrison, em um de meus hinos favoritos, Roadhouse Blues: “I woke up this morning and I got myself a beer. The future`s uncertain and the end is always near.”
*Sérgio Soares da Silveira possui 36 anos, é barramansense, casado, acredita que toca guitarra muito bem e que um dia ainda vai superar Hendrix em Voodoo Child! Escreve no blog Confraria Jurídica.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Anestesia Ideológica
por Alex Peres *
As vezes me pego lembrando de umas décadas atrás, aliás, quase duas inteiras, em que eu ficava fascinado com as histórias dos movimentos políticos “revolucionários” do período da ditadura. Quando lia alguma história, ou ouvia alguém contar, ficava com os olhos brilhando e a cada dia que passava parecia que a ideologia dentro de mim aumentava, e isso me alimentava, mas nada acontecia. Vibrava com o Movimento estudantil, com a UNE, achava o máximo tudo aquilo. Mas o máximo que eu vi foi o movimento caras pintadas.
Minha época foi muito pobre politicamente, mas acho que a gente só dá valor quando fica pior. Hoje, sinceramente, não acho que os movimentos estudantis da década de 60 e 70 foram tão expressivos assim, mas fazendo uma análise comparativa do que foi a década de 80 e 90, aquilo tudo era demais.
Hoje vejo que em todo esses tempo, havia muito mais ideologia política do que agora, e o pior é que enxergo isso em tudo e em todos.
Meus heróis morreram de febre tifóide, como disse meu amigo Mozart.
Tudo se comercializou, ficou pior do que o próprio capitalismo selvagem. A política da falta de escrúpulos, da falta de ética, do “eu” central, é insuportável.
A democracia está sendo drenada como uma ferida infectada cheia de pus.
O brasileiro parece que perdeu a única força de mobilização de que tinha. Depois da chegada do PT ao governo, a esquerda ativa, aquela que incitava as massas a defender pontos de vista, a exigir posicionamentos e a brigar pelos direitos dos cidadãos, está anestesiada, e parece que deixou o povo sem condução. O PT, que se reveste hoje na carapaça imperial do governo Lula e se esbarra em uma série de peleguisses, drenou as possibilidades das reivindicações e de levante de voz. O brasileiro murchou e está hoje voltado para o “eu”, sem poder de mobilização e sem expressão reivindicativa.
Os fatos, as notícias e os acontecimentos são observados, vividos e esquecidos rapidamente. Parece que todo mundo fica sempre esperando alguém que "brigue" por eles. A imprensa passou a ser o único canal que exprime alguns sentimentos de revolta diante da insatisfação popular, mesmo assim só mostra o que lhe convém. Mas, dura pouco. As pessoas falam e, em seguida, esquecem e deixam pra lá. Cada um se volta para o seu "eu" e tenta sobreviver neste universo indefinido do que vai acontecer. A oposição ao governo, sem bandeiras e sem estímulo, não é capaz de reagir. Muito menos servir de força energética para encorajar a população a mostrar que é, sim, uma sociedade organizada e que vê, sim, as malandragens mais organizadas ainda e que exige, sim, respeito dos representantes do povo na direção das leis, cassações, liberações, impostos, roubos, enganações e tantas outras ações que interferem todo dia na vida do cidadão.
Nós precisamos exigir nossos direitos, sobretudo de cidadãos honestos, dignos, pais de família, estudantes, trabalhadores, etc... Poxa, nós temos tantos deveres!
Minha época foi muito pobre politicamente, mas acho que a gente só dá valor quando fica pior. Hoje, sinceramente, não acho que os movimentos estudantis da década de 60 e 70 foram tão expressivos assim, mas fazendo uma análise comparativa do que foi a década de 80 e 90, aquilo tudo era demais.
Hoje vejo que em todo esses tempo, havia muito mais ideologia política do que agora, e o pior é que enxergo isso em tudo e em todos.
Meus heróis morreram de febre tifóide, como disse meu amigo Mozart.
Tudo se comercializou, ficou pior do que o próprio capitalismo selvagem. A política da falta de escrúpulos, da falta de ética, do “eu” central, é insuportável.
A democracia está sendo drenada como uma ferida infectada cheia de pus.
O brasileiro parece que perdeu a única força de mobilização de que tinha. Depois da chegada do PT ao governo, a esquerda ativa, aquela que incitava as massas a defender pontos de vista, a exigir posicionamentos e a brigar pelos direitos dos cidadãos, está anestesiada, e parece que deixou o povo sem condução. O PT, que se reveste hoje na carapaça imperial do governo Lula e se esbarra em uma série de peleguisses, drenou as possibilidades das reivindicações e de levante de voz. O brasileiro murchou e está hoje voltado para o “eu”, sem poder de mobilização e sem expressão reivindicativa.
Os fatos, as notícias e os acontecimentos são observados, vividos e esquecidos rapidamente. Parece que todo mundo fica sempre esperando alguém que "brigue" por eles. A imprensa passou a ser o único canal que exprime alguns sentimentos de revolta diante da insatisfação popular, mesmo assim só mostra o que lhe convém. Mas, dura pouco. As pessoas falam e, em seguida, esquecem e deixam pra lá. Cada um se volta para o seu "eu" e tenta sobreviver neste universo indefinido do que vai acontecer. A oposição ao governo, sem bandeiras e sem estímulo, não é capaz de reagir. Muito menos servir de força energética para encorajar a população a mostrar que é, sim, uma sociedade organizada e que vê, sim, as malandragens mais organizadas ainda e que exige, sim, respeito dos representantes do povo na direção das leis, cassações, liberações, impostos, roubos, enganações e tantas outras ações que interferem todo dia na vida do cidadão.
Nós precisamos exigir nossos direitos, sobretudo de cidadãos honestos, dignos, pais de família, estudantes, trabalhadores, etc... Poxa, nós temos tantos deveres!
E os meus filhos, o que é que vão pensar de mim?
Mas é que não temos tempo de fazer nada!
Onde estão as lideranças? Onde estão os lideres, bons políticos, não os que fazem os cofres encher, mas aqueles que lutam pela ética. Onde estão os movimentos estudantis? Onde estão os partidos políticos que lutaram pela democracia?
A violência que a gente está vivendo é a própria repressão, aquela, daquela época.
Uma das coisas que eu aprendi bem em física foi a lei da ação e reação.
O agir depende do reagir. E, no Brasil de hoje não há reação.
Mas é que não temos tempo de fazer nada!
Onde estão as lideranças? Onde estão os lideres, bons políticos, não os que fazem os cofres encher, mas aqueles que lutam pela ética. Onde estão os movimentos estudantis? Onde estão os partidos políticos que lutaram pela democracia?
A violência que a gente está vivendo é a própria repressão, aquela, daquela época.
Uma das coisas que eu aprendi bem em física foi a lei da ação e reação.
O agir depende do reagir. E, no Brasil de hoje não há reação.
Bom, já ta tarde e eu tenho que dormir. Desculpem-me o desabafo, mas acho que daria pra escrever um livro se eu pudesse falar tudo que queria.
Uma dica de Vinho: Não sou bom nisso, mas adoro um vinho. Ta rolando por aí uma promoção do Casillero Del Diablo Carmenere Reserva 2008, esse vinho está na base de R$35,00, mas, pelo menos aqui em Resende, está saindo por R$18,00. É da Concha y Toro.
O vinho é bom, de uvas Carménère, tinto escuro, de aroma intenso, frutado, sabor encorpado pra quem gosta, e fica melhor ainda numa taça de cristal.
Bebi uma garrafa sozinho no período do almoço do domingo.
E depois aquela bodada tradicional como um anjo.
Um abraço a todos, e até a próxima quinta.
Uma dica de Vinho: Não sou bom nisso, mas adoro um vinho. Ta rolando por aí uma promoção do Casillero Del Diablo Carmenere Reserva 2008, esse vinho está na base de R$35,00, mas, pelo menos aqui em Resende, está saindo por R$18,00. É da Concha y Toro.
O vinho é bom, de uvas Carménère, tinto escuro, de aroma intenso, frutado, sabor encorpado pra quem gosta, e fica melhor ainda numa taça de cristal.
Bebi uma garrafa sozinho no período do almoço do domingo.
E depois aquela bodada tradicional como um anjo.
Um abraço a todos, e até a próxima quinta.
* Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) tem 37 anos, casado, tem um casal de filhos lindos, trabalha com engenharia e cursa os últimos 3 meses de Engenharia Elétrica/Eletrônica, Analista de Sistemas, empresário, Músico e gosta de falar “m” nas horas vagas.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Muita estrela, pra pouca constelação
Por Figurótico*
Resolvi mudar o tom nessa coluna e não falar do meu umbigo, da minha vida, do que tem me amargurado no âmbito profissional e pessoal. Não tem tido como de outro jeito ser, não consigo maquiar os problemas, eles me afetam mesmo, ainda mais para escrever e compor. E com o dinheiro nem se fala. Perco sempre para ele – e pela fala dele idem! Compactuo com Miele, que disse “não sei o porquê... Mas tenho a impressão de que o dinheiro me DETESTA!”.
Azar o meu, fui escolher uma profissão em que nunca me deu o prazer de umas “férias remuneradas”, “décimo terceiro salário”, de um “auxílio-doença”, etc. Não tocou, não recebeu! Sem caô. Pois então, quero falar dos vinte anos da morte do papai do rock brasileiro, do último anarquista, do carimbador maluco, do guerreiro solitário, do aprendiz de feiticeiro, do contestador Raul Seixas. No dia 21 de agosto de 1989 ele partiu para sua viagem metafísica, como dizia, e deixou um legado de rock, filosofia, loucura, angústia, crítica. (Por outro lado foi melhor ele ter ido do que vivenciar esse nosso momento musical, ele teria se matado!). No início da década de 80, onde apareceram as melhores bandas de rock do Brasil, ele já achava aquilo um lixo. Disse à época ao JB, que a única coisa que prestava no BRock era um tal de Camisa de Vênus. O que levou à loucura os baianos que estavam morando na Barata Ribeiro e dividiam o sanduba e a maçã para não morrerem de fome. Fui um p. gás na carreira do Camisa, segundo o próprio Marcelo Nova, o Marceleza.
Relação que iria ficar marcada pelo derradeiro e último ato do Raulzito, que a convite de Marcelo topou participar do disco “A Panela do Diabo”. Uma seqüência de shows que viriam a ser chamados de freakshows pela crítica, devido ao estado lastimável de Raul e sua pancreatite velha de guerra. Digo velha pois desde o fim dos anos 70 ele já havia perdido a maior parte do pâncreas, e nem por isso deixou de beber. Pelo contrário, enfiou o pé até o fim. (Ouço o Bujão dizer agora, “que rock’n rol...”). Em sua última aparição, no Domingão do Faustão – que estreava na Globo naquele mesmo ano – ele surgiu completamente gordo, sem coordenação para tocar e cantar, para se mexer até. Tenho isso gravado em casa, os dois cantando “Carpinteiro do Universo”. Doeu vê-lo naquele estado, era realmente o fim da linha para o cavanhaque e óculos escuros mais marcantes do rock’n roll.
Nos quinze anos de sua morte, tive o prazer de entrevistar uma de suas últimas mulheres, a que ficou responsável por cuidar do acervo e da memória do Raulzito, Kika Seixas, para a faculdade. Mulher boa gente até a alma, rock’n roll pra caramba e que está na ativa. Nos últimos anos tem trabalho com Arnaldo Brandão, do Hanói. Raul a conheceu numa de suas múltiplas gravadoras por quais passou, era a relações públicas e com ele ficou. Passo abaixo um pouco do papo que com ela tive.
Uma das perguntas que fiz a Kika, era justamente referente ao convívio conturbado com os presidentes e diretores da indústria fonográfica. Raul vivia mudando de gravadora e chegou a ouvir de um destes seres que estaria “vacinado contra Raul”. Para um cara com a cabeça de Raul Seixas não devia ser nada fácil lidar com as atribulações, arrogância, falta de sensibilidade e de educação dos chefões da indústria. O que fez Kika dizer que para Raul suportar e ter de passar por tudo isso, “só com muita cachaaaaça mesmo!”
O livro “Uma Antologia” de Sylvio Passos e Toninho Buda, revela que Raul queria ser escritor, e Kika acha que através de suas músicas, seus pensamentos, Raulzito conseguiu de alguma forma sê-lo. Na verdade ele dizia ser muitas outras coisas, inclusive ator, “e que era tão bom, tão bom ator, que se fingia de cantor e nego entrava nessa, bicho...”.
O papo com Kika foi longo e prazeroso, e na última pergunta, indaguei a ela se, por ter vivido anos com Raul, achava que o carimbador dissera tudo o que tinha a dizer, ou se ficou algo a ser dito. “Raul achava que o microfone era a arma mais poderosa da modernidade! E se ele teria algo por dizer... Não, não havia mais nada a ser dito.”
Música-título: http://letras.terra.com.br/raul-seixas/221832/
*Figurótico é músico, 34 anos e se arrepende de não ter seguido a carreira de goleiro, pois estaria agora se aposentando.
Resolvi mudar o tom nessa coluna e não falar do meu umbigo, da minha vida, do que tem me amargurado no âmbito profissional e pessoal. Não tem tido como de outro jeito ser, não consigo maquiar os problemas, eles me afetam mesmo, ainda mais para escrever e compor. E com o dinheiro nem se fala. Perco sempre para ele – e pela fala dele idem! Compactuo com Miele, que disse “não sei o porquê... Mas tenho a impressão de que o dinheiro me DETESTA!”.
Azar o meu, fui escolher uma profissão em que nunca me deu o prazer de umas “férias remuneradas”, “décimo terceiro salário”, de um “auxílio-doença”, etc. Não tocou, não recebeu! Sem caô. Pois então, quero falar dos vinte anos da morte do papai do rock brasileiro, do último anarquista, do carimbador maluco, do guerreiro solitário, do aprendiz de feiticeiro, do contestador Raul Seixas. No dia 21 de agosto de 1989 ele partiu para sua viagem metafísica, como dizia, e deixou um legado de rock, filosofia, loucura, angústia, crítica. (Por outro lado foi melhor ele ter ido do que vivenciar esse nosso momento musical, ele teria se matado!). No início da década de 80, onde apareceram as melhores bandas de rock do Brasil, ele já achava aquilo um lixo. Disse à época ao JB, que a única coisa que prestava no BRock era um tal de Camisa de Vênus. O que levou à loucura os baianos que estavam morando na Barata Ribeiro e dividiam o sanduba e a maçã para não morrerem de fome. Fui um p. gás na carreira do Camisa, segundo o próprio Marcelo Nova, o Marceleza.
Relação que iria ficar marcada pelo derradeiro e último ato do Raulzito, que a convite de Marcelo topou participar do disco “A Panela do Diabo”. Uma seqüência de shows que viriam a ser chamados de freakshows pela crítica, devido ao estado lastimável de Raul e sua pancreatite velha de guerra. Digo velha pois desde o fim dos anos 70 ele já havia perdido a maior parte do pâncreas, e nem por isso deixou de beber. Pelo contrário, enfiou o pé até o fim. (Ouço o Bujão dizer agora, “que rock’n rol...”). Em sua última aparição, no Domingão do Faustão – que estreava na Globo naquele mesmo ano – ele surgiu completamente gordo, sem coordenação para tocar e cantar, para se mexer até. Tenho isso gravado em casa, os dois cantando “Carpinteiro do Universo”. Doeu vê-lo naquele estado, era realmente o fim da linha para o cavanhaque e óculos escuros mais marcantes do rock’n roll.
Nos quinze anos de sua morte, tive o prazer de entrevistar uma de suas últimas mulheres, a que ficou responsável por cuidar do acervo e da memória do Raulzito, Kika Seixas, para a faculdade. Mulher boa gente até a alma, rock’n roll pra caramba e que está na ativa. Nos últimos anos tem trabalho com Arnaldo Brandão, do Hanói. Raul a conheceu numa de suas múltiplas gravadoras por quais passou, era a relações públicas e com ele ficou. Passo abaixo um pouco do papo que com ela tive.
Uma das perguntas que fiz a Kika, era justamente referente ao convívio conturbado com os presidentes e diretores da indústria fonográfica. Raul vivia mudando de gravadora e chegou a ouvir de um destes seres que estaria “vacinado contra Raul”. Para um cara com a cabeça de Raul Seixas não devia ser nada fácil lidar com as atribulações, arrogância, falta de sensibilidade e de educação dos chefões da indústria. O que fez Kika dizer que para Raul suportar e ter de passar por tudo isso, “só com muita cachaaaaça mesmo!”
O livro “Uma Antologia” de Sylvio Passos e Toninho Buda, revela que Raul queria ser escritor, e Kika acha que através de suas músicas, seus pensamentos, Raulzito conseguiu de alguma forma sê-lo. Na verdade ele dizia ser muitas outras coisas, inclusive ator, “e que era tão bom, tão bom ator, que se fingia de cantor e nego entrava nessa, bicho...”.
O papo com Kika foi longo e prazeroso, e na última pergunta, indaguei a ela se, por ter vivido anos com Raul, achava que o carimbador dissera tudo o que tinha a dizer, ou se ficou algo a ser dito. “Raul achava que o microfone era a arma mais poderosa da modernidade! E se ele teria algo por dizer... Não, não havia mais nada a ser dito.”
Música-título: http://letras.terra.com.br/raul-seixas/221832/
*Figurótico é músico, 34 anos e se arrepende de não ter seguido a carreira de goleiro, pois estaria agora se aposentando.
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4ª coluna - Raul Seixas
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Tomará que meus heróis moram de febre tifóide.
por Mozart Valle Neto*
A revolta do período da juventude é tradicional. Todos nós passamos por momentos de negação de alguma tradição ou na procura de uma nova visão onde acabamos rompendo laços. Na minha vida não foi diferente. Vim de uma família tradicional, enfronhada na política, cresci vendo políticos circulando pela casa de meus avós (paternos e maternos). Até para comprovar minha teoria meus pais odeiam o assunto e eu virei um apaixonado. Tanto que vira e mexe, todo fim de eleição prometo para mim mesmo que na próxima estou fora, mas...
Cresci neste meio e quando tinha lá pelos meus 16 anos – 1987 – comecei o interesse pela proposta da esquerda brasileira. Na época o PT começava a crescer. Nunca fui militante nem tão pouco filiado, como muitos pensavam. Mas eu tinha no meu interior uma vontade de levar aquele sonho adiante. E por este motivo briguei com uma pessoa muito importante para mim meu avô Mozart, coloquei em risco minha vida estudantil, por conseguinte meu futuro. Enfim coloquei a mão na cumbuca por Lula, Mercadante, Suplicy & cia.
O tempo passou e se encarregou de mudar minhas convicções e opiniões. A única coisa que ficou foi o sonho de uma sociedade melhor. Passei a trabalhar nos bastidores da política e buscava uma alternativa.
Mas o que hoje me arrepia é que os meus heróis da juventude parecem que esqueceram do sonho. Estão fazendo tudo para se manter no poder. O caso Sarney mostra exatamente isto. Antes o importante era a proposta. Hoje o importante é o poder. Tudo é possível para se manter no poder. Vale tudo, daqui a pouco vai poder roubar do governo desde que seja para financiar a manutenção do poder.
Não sei se este sentimento é exclusivo meu, e espero que não, pois não é possível que mais ninguém não se sinta enganado. Uma vez ouvi de um Marketeiro – com um histórico de eleger muito políticos de centro e de direita – que uma coisa é ganhar eleição outra coisa completamente diferente é governar. Isso também é repugnante, mas é perfeitamente aceitável na proposta destas correntes ideológicas. Mas na proposta da esquerda, representada pelo PT, isso séria impossível.
Só que estamos vendo isto todos os dias nos jornais. Estamos sendo vítimas de um estelionato eleitoral. Se comprarmos um aspirador de pó e ele não funcionar podemos pedir o dinheiro de volta ou um outro aspirador. Mas com o voto...
Como não tenho como pedir minha confiança de volta só me resta torcer para que todos eles tenham o final que merecem. Afinal, acho que só posso confiar na justiça divina.
Febre Tifóide
Doença contagiosa característica de países subdesenvolvidos. A doença é exclusiva do ser humano. É sempre transmitida via orofecal, ou seja, pela contaminação, por fezes, de alimentos ou objetos levados à boca.
Dica gastronômica
Queijo tipo Serra da Estrela de leite de vaca, tem de leite de cabra e de ovelha também, do Sitio Solidão de Miguel Pereira. Aliás, ali todos os produtos são de primeira. Ao lado da loja de Miguel tem um restaurante que funciona nos finais de semana, mas não experimentei ainda. Para quem mora no Rio pode encontrar os produtos no Supermercado Zona Sul ou confira o site http://www.sitiosolidao.com.br . Em tempo o Solidão ganhou o premio de melhor queijo minas tipo frescal do Brasil. Além do prêmio o queijo foi aprovado na nossa última orgia gastronômica com direito a Moelada, Caldo de Mocotó e um maravilhoso Arroz de Carreteiro.
Queijo tipo Serra da Estrela de leite de vaca, tem de leite de cabra e de ovelha também, do Sitio Solidão de Miguel Pereira. Aliás, ali todos os produtos são de primeira. Ao lado da loja de Miguel tem um restaurante que funciona nos finais de semana, mas não experimentei ainda. Para quem mora no Rio pode encontrar os produtos no Supermercado Zona Sul ou confira o site http://www.sitiosolidao.com.br . Em tempo o Solidão ganhou o premio de melhor queijo minas tipo frescal do Brasil. Além do prêmio o queijo foi aprovado na nossa última orgia gastronômica com direito a Moelada, Caldo de Mocotó e um maravilhoso Arroz de Carreteiro.
* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 37 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, no Estação BM está descobrindo que está p... da vida com os políticos brasileiros.
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4ª coluna
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
VIAJAR É PRECISO
por Carlos Vinicius Rosenburg*
Na última sexta-feira, enquanto trabalhava, tive que pegar a Via Dutra para fazer uma ligação entre os bairros de Barra Mansa (quem mora em cidades cortadas por grandes rodovias sabe o que é isso), quando fiquei atrás de um carro que carregava duas crianças no banco de trás, um menino e uma menina. Os dois naquela bagunça imensa, dando tchau pra todo mundo que passava, ficaram acenando para mim um tempão, e eu acenando para eles (impossível não lembrar da filha na hora), até que tive que deixar a estrada.
Comecei a pensar: que felicidade na cara dos dois guris! Que coisa boa, é a melhor época da vida, sem preocupações, grilos, estresse. Aliás, há apenas uma preocupação: a de se divertir.
Mas havia um pouco mais do que isso. Estava ali o prazer de viajar. Sim, botar o pé na estrada, sair, respirar outros ares, ver gente diferente, conhecer outra cultura, novas aventuras gastronômicas, (no caso das crianças) viajar com os pais, com os amigos, pular carnaval, enfim, viajar.
Palavra que serviu de mote para escritores, desde a Odisséia de Ulisses (ou Odisseu), poema atribuído a Homero, uma seqüência da Ilíada, que relata o retorno do herói grego após a queda de Tróia, até o road book On The Road, de Jack Kerouac, bíblia da geração beatnik que narra as infindáveis idas e vindas (coast to coast nos EUA) do personagem Dean Moriart (na verdade, um alterego de Kerouac), passando pelo estupendo Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (um dos maiores livros de todos os tempos) e pelo poema Navegar é Preciso, do maior de todos os poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa (a paráfrase do título da coluna foi proposital – as grandes navegações portuguesas foram, na verdade, grandes viagens - só lembrando que a frase em si não é original do poema - há quem atribua ao romano Romero).
Mas foi no cinema que as viagens apareceram em todo o seu esplendor. Foi o surgimento dos famosos road movies, cujo maior emblema é o mítico Easy Rider (no Brasil, Sem Destino), com Peter Fonda e Denis Hopper encarnando os sonhos da geração flower power. Além desse, podemos citar Diários de Motocicleta, Árido Movie, Bye-Bye Brasil, o doce Thelma & Louise e tantos outros, até chegarmos à obra-prima Na Natureza Selvagem, dirigida de maneira sublime por Sean Penn, com trilha sonora de Eddie Vedder, do Pearl Jam.
Essa ligação com a arte serve para nos mostrar que as viagens, como citado lá em cima, nos movem, nos fazendo mais felizes, criativos, alegres. Não importa a distância, não importa o lugar, tampouco o meio de transporte ou a estrada (e em nosso país isso tudo é mais complicado – estradas ruins, ausência de trens, perigo de acidentes etc.), pode ser ainda uma viagem sem sair do lugar, a viagem do pensamento. Ou ainda, mais importante do que o lugar para onde estamos indo, talvez, seja o caminho, seja apreciar a paisagem, encostar o carro, tirar uma foto, respirar aquele ar da serra ou parar em um mirante vendo o mar lá embaixo. Todos nós temos, entre os melhores momentos de nossas vidas, alguma viagem. No final das contas, as viagens nos fazem sentir mais vivos.
Não por acaso, ao retornarmos de uma dessas odisséias, sentimos aquela sensação meio deprê, um vazio, aquela vontade de não voltar.
Paradoxalmente, quando chegamos em casa, é comum que nos venha à cabeça o seguinte pensamento: “viajar é bom, mas não há nada igual à minha casa”. Deve estar aí, provavelmente, mais uma função das viagens: dar valor ao que temos em casa.
É, acho que viajei um pouco...
Até a próxima segunda.
NOTA: coluna escrita ao som das músicas Alto Astral, d’A Cor do Som, Lumiar, de Beto Guedes, Infinita Highway, dos Engenheiros e Highway Star, do Deep Purple, autênticas road songs. Recomendo a audição de todas na estrada (cuidado com o acelerador ao ouvir o Deep Purple...).
Dica de cinema: de todos os filmes acima citados, o mais desconhecido é Na Natureza Selvagem, de Sean Penn. E talvez seja o mais belo. Ou, desculpem o lugar-comum, uma viagem.
Dica de livro: é chover o molhado, já foram mais do que recomendados em todos os lugares possíveis, mas é impossível não citar On The Road, de Jack Kerouac, um livro escrito sob a influência do jazz (e que parece ter música nas palavras, impressionante) e em linguagem claustrofóbica (nosso anti-herói, Dean Moriarty não para um segundo – talvez pelo estado de Kerouac ao escrever o livro, aditivado por doses cavalares de benzedrina), e Viagens de Gulliver, clássico da literatura universal que narra as aventuras de Lemuel Gulliver por mundos fantásticos como Liliput, Brobdingnag e Ilha de Laputa. Muito mais do que um relato de aventuras destinado a jovens, é o livro uma sensacional crítica à natureza humana.
* Carlos Vinicius Rosenburg (cvrosenburg@gmail.com) tem 36 anos, é casado e sonha em viajar do Alasca à Patagônia de moto. Escreve também no blog Confraria Jurídica (http://confrariajuridica.blogspot.com).
Na última sexta-feira, enquanto trabalhava, tive que pegar a Via Dutra para fazer uma ligação entre os bairros de Barra Mansa (quem mora em cidades cortadas por grandes rodovias sabe o que é isso), quando fiquei atrás de um carro que carregava duas crianças no banco de trás, um menino e uma menina. Os dois naquela bagunça imensa, dando tchau pra todo mundo que passava, ficaram acenando para mim um tempão, e eu acenando para eles (impossível não lembrar da filha na hora), até que tive que deixar a estrada.
Comecei a pensar: que felicidade na cara dos dois guris! Que coisa boa, é a melhor época da vida, sem preocupações, grilos, estresse. Aliás, há apenas uma preocupação: a de se divertir.
Mas havia um pouco mais do que isso. Estava ali o prazer de viajar. Sim, botar o pé na estrada, sair, respirar outros ares, ver gente diferente, conhecer outra cultura, novas aventuras gastronômicas, (no caso das crianças) viajar com os pais, com os amigos, pular carnaval, enfim, viajar.
Palavra que serviu de mote para escritores, desde a Odisséia de Ulisses (ou Odisseu), poema atribuído a Homero, uma seqüência da Ilíada, que relata o retorno do herói grego após a queda de Tróia, até o road book On The Road, de Jack Kerouac, bíblia da geração beatnik que narra as infindáveis idas e vindas (coast to coast nos EUA) do personagem Dean Moriart (na verdade, um alterego de Kerouac), passando pelo estupendo Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (um dos maiores livros de todos os tempos) e pelo poema Navegar é Preciso, do maior de todos os poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa (a paráfrase do título da coluna foi proposital – as grandes navegações portuguesas foram, na verdade, grandes viagens - só lembrando que a frase em si não é original do poema - há quem atribua ao romano Romero).
Mas foi no cinema que as viagens apareceram em todo o seu esplendor. Foi o surgimento dos famosos road movies, cujo maior emblema é o mítico Easy Rider (no Brasil, Sem Destino), com Peter Fonda e Denis Hopper encarnando os sonhos da geração flower power. Além desse, podemos citar Diários de Motocicleta, Árido Movie, Bye-Bye Brasil, o doce Thelma & Louise e tantos outros, até chegarmos à obra-prima Na Natureza Selvagem, dirigida de maneira sublime por Sean Penn, com trilha sonora de Eddie Vedder, do Pearl Jam.
Essa ligação com a arte serve para nos mostrar que as viagens, como citado lá em cima, nos movem, nos fazendo mais felizes, criativos, alegres. Não importa a distância, não importa o lugar, tampouco o meio de transporte ou a estrada (e em nosso país isso tudo é mais complicado – estradas ruins, ausência de trens, perigo de acidentes etc.), pode ser ainda uma viagem sem sair do lugar, a viagem do pensamento. Ou ainda, mais importante do que o lugar para onde estamos indo, talvez, seja o caminho, seja apreciar a paisagem, encostar o carro, tirar uma foto, respirar aquele ar da serra ou parar em um mirante vendo o mar lá embaixo. Todos nós temos, entre os melhores momentos de nossas vidas, alguma viagem. No final das contas, as viagens nos fazem sentir mais vivos.
Não por acaso, ao retornarmos de uma dessas odisséias, sentimos aquela sensação meio deprê, um vazio, aquela vontade de não voltar.
Paradoxalmente, quando chegamos em casa, é comum que nos venha à cabeça o seguinte pensamento: “viajar é bom, mas não há nada igual à minha casa”. Deve estar aí, provavelmente, mais uma função das viagens: dar valor ao que temos em casa.
É, acho que viajei um pouco...
Até a próxima segunda.
NOTA: coluna escrita ao som das músicas Alto Astral, d’A Cor do Som, Lumiar, de Beto Guedes, Infinita Highway, dos Engenheiros e Highway Star, do Deep Purple, autênticas road songs. Recomendo a audição de todas na estrada (cuidado com o acelerador ao ouvir o Deep Purple...).
Dica de cinema: de todos os filmes acima citados, o mais desconhecido é Na Natureza Selvagem, de Sean Penn. E talvez seja o mais belo. Ou, desculpem o lugar-comum, uma viagem.
Dica de livro: é chover o molhado, já foram mais do que recomendados em todos os lugares possíveis, mas é impossível não citar On The Road, de Jack Kerouac, um livro escrito sob a influência do jazz (e que parece ter música nas palavras, impressionante) e em linguagem claustrofóbica (nosso anti-herói, Dean Moriarty não para um segundo – talvez pelo estado de Kerouac ao escrever o livro, aditivado por doses cavalares de benzedrina), e Viagens de Gulliver, clássico da literatura universal que narra as aventuras de Lemuel Gulliver por mundos fantásticos como Liliput, Brobdingnag e Ilha de Laputa. Muito mais do que um relato de aventuras destinado a jovens, é o livro uma sensacional crítica à natureza humana.
* Carlos Vinicius Rosenburg (cvrosenburg@gmail.com) tem 36 anos, é casado e sonha em viajar do Alasca à Patagônia de moto. Escreve também no blog Confraria Jurídica (http://confrariajuridica.blogspot.com).
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4ª coluna - viagem - road movie
domingo, 23 de agosto de 2009
O louco dos pinheirais
Por Valério Cortez
Senhoras e senhores, devido ao estado lastimável em que se encontra este escriba, cansado pelos excessos por ele cometidos na manhã/tarde/noite de ontem, resolve por bem, fugir das armadilhas do texto próprio e resfrescar-se na reprodução de um grande poeta.
Então vamos lá:
Paulo Leminski, nasceu em Curitiba, Paraná, em 24 de Agosto de 1944, foi escritor, poeta, tradutor e professor, até vir a falecer em 7 de julho de 1989, produziu relevante obra literária, sendo grande parte dela ligada a música brasileira.
Foi parceiro musical, letrista, entre outros de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Arnaldo Antunes,Itamar Assumpção, Wally Salomão, Carlos Qareca, Morais Moreira e a Cor do Som.
Escritor profícuo, escreveu 17 livros de poesia, 6 livros de prosa, 11 biografias e fez 9 traduções, entre elas James Joyce, Samuel Beckett e John Lennon.
Paulo Leminski, com seus poemas aparentemente ingênuos, é considerado um escritor de vanguarda, teve fortes ligações com a contracultura e é considerado muito próximo dos poetas da “geração mimeografo”
Este é um pequeno resumo da obra deste grande artista, que a meu ver, ainda não devidamente reconhecida . Espero que vocês gostem.
Apagar-me
Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais que o charme.
Bem no Fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Incenso Fosse Música
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Acordei bemol
acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
Amor Bastante
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
Poema
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando juntos
LÁPIDE 1
epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito
são suas obras completas.
LÁPIDE 2
epitáfio para a alma
aqui jaz um artista
mestre em disfarces
viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
Piquenique
o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique
MANCHETE
Chutes de poeta
Não levam perigo a meta.
DESTINO
Não discuto com o destino
O que pintar eu assino.
Observações:
Esqueci o queijo coalho com mel
Depois do boquete ideológico, só um bacanal gastronômico
Boa semana prá todo mundo
Senhoras e senhores, devido ao estado lastimável em que se encontra este escriba, cansado pelos excessos por ele cometidos na manhã/tarde/noite de ontem, resolve por bem, fugir das armadilhas do texto próprio e resfrescar-se na reprodução de um grande poeta.
Então vamos lá:
Paulo Leminski, nasceu em Curitiba, Paraná, em 24 de Agosto de 1944, foi escritor, poeta, tradutor e professor, até vir a falecer em 7 de julho de 1989, produziu relevante obra literária, sendo grande parte dela ligada a música brasileira.
Foi parceiro musical, letrista, entre outros de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Arnaldo Antunes,Itamar Assumpção, Wally Salomão, Carlos Qareca, Morais Moreira e a Cor do Som.
Escritor profícuo, escreveu 17 livros de poesia, 6 livros de prosa, 11 biografias e fez 9 traduções, entre elas James Joyce, Samuel Beckett e John Lennon.
Paulo Leminski, com seus poemas aparentemente ingênuos, é considerado um escritor de vanguarda, teve fortes ligações com a contracultura e é considerado muito próximo dos poetas da “geração mimeografo”
Este é um pequeno resumo da obra deste grande artista, que a meu ver, ainda não devidamente reconhecida . Espero que vocês gostem.
Apagar-me
Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais que o charme.
Bem no Fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Incenso Fosse Música
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Acordei bemol
acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
Amor Bastante
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
Poema
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando juntos
LÁPIDE 1
epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito
são suas obras completas.
LÁPIDE 2
epitáfio para a alma
aqui jaz um artista
mestre em disfarces
viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
Piquenique
o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique
MANCHETE
Chutes de poeta
Não levam perigo a meta.
DESTINO
Não discuto com o destino
O que pintar eu assino.
Observações:
Esqueci o queijo coalho com mel
Depois do boquete ideológico, só um bacanal gastronômico
Boa semana prá todo mundo
sábado, 22 de agosto de 2009
Qual será o destino da música?
Por Luciano Romanieli*
Assisti um filme muito bacana, Palavra (En)cantada, que foca a origem das canções e qual será o seu destino. As canções começaram com os trovadores que musicaram as poesias, muito bacana essa parte, mas o destino da música é que me chamou muita atenção. Com o crescimento do cenário eletrônico a tendência é que as futuras músicas sejam cada vez mais sintetizadas, com isso reduzindo o espaço dos músicos.
Já percebemos uma mudança radical na distribuição das músicas com o surgimento da Internet, acompanhamos o derretimento da industria fonográfica, fiquei decepcionado em não poder visitar novamente a loja da Virgin na Times Square, que fechou em Maio desse ano e deu lugar para loja de roupas populares.
Ainda não encontrei aqui uma loja no padrão da Modern Sound, aproveitem, adoro aquele espaço, mas acredito que não tenha muito futuro. As músicas aqui são vendidas em download card, o Napster é o mais popular, o custo é de U$ 1.00 por música, os cartões são de U$ 5.00 até U$ 60.00, é muito chato entrar em uma loja de música e ver um monte de cartões pendurados. Aproveitem para fazer os seus downloads no e-mule e seus irmãos, esse semana não consegui baixar sons do Red Hot e nem do Green Day, alguns conteúdos já estão restritos.
Outro setor que tem crescido muito são as rádios pela internet, que agora vendem a sua programação em forma de aplicativos para os smartfones, com isso as rádios faturam na distribuição das músicas. Já viram que o lance da música e fazer dinheiro, só mudou de mãos, saindo das gravadoras e indo para os sites. Tem uma rádio que escuto o tempo todo que estou no micro, http://www.pandora.com/, você escolhe um artista e o site cria um programação dentro do estilo do grupo que você escolheu, muito bom. Espero que funcione com os IPs Brasileiros, estou falando isso porque tentei acessar o site da rádio do portal terra e não era permitido para IPs Americanos, sinceramente não sabia desse tipo de restrição. Tive a sorte de encontrar aqui uma rádio rock, ela sonoriza meus passeios pela cidade, New York's Rock Classic - 104.3.
Tirei essa foto do rádio de um cartaz que eu vi no metro.
Essas chaminés não lembram a capa do Animals do Pink Floyd, essa foto é da ciclovia da ponte que liga Queens a Manhattan.
O calor aumentou essa semana, insuportável, impossível ficar dentro da estação de metro, os ratos estão frenéticos e circulam por toda parte. Só senti calor assim em Cuiabá.
* Luciano Romanieli foi criado no larguinho da Jansen de Melo, estudou no Verbo Divino, é filho do João Leiteiro e da Dona Lourdes e todos em Barra Mansa o conhecem como Boi. Atualmente vive em NYC e trabalha com Tecnologia da Informação.
Já percebemos uma mudança radical na distribuição das músicas com o surgimento da Internet, acompanhamos o derretimento da industria fonográfica, fiquei decepcionado em não poder visitar novamente a loja da Virgin na Times Square, que fechou em Maio desse ano e deu lugar para loja de roupas populares.
Ainda não encontrei aqui uma loja no padrão da Modern Sound, aproveitem, adoro aquele espaço, mas acredito que não tenha muito futuro. As músicas aqui são vendidas em download card, o Napster é o mais popular, o custo é de U$ 1.00 por música, os cartões são de U$ 5.00 até U$ 60.00, é muito chato entrar em uma loja de música e ver um monte de cartões pendurados. Aproveitem para fazer os seus downloads no e-mule e seus irmãos, esse semana não consegui baixar sons do Red Hot e nem do Green Day, alguns conteúdos já estão restritos.
Outro setor que tem crescido muito são as rádios pela internet, que agora vendem a sua programação em forma de aplicativos para os smartfones, com isso as rádios faturam na distribuição das músicas. Já viram que o lance da música e fazer dinheiro, só mudou de mãos, saindo das gravadoras e indo para os sites. Tem uma rádio que escuto o tempo todo que estou no micro, http://www.pandora.com/, você escolhe um artista e o site cria um programação dentro do estilo do grupo que você escolheu, muito bom. Espero que funcione com os IPs Brasileiros, estou falando isso porque tentei acessar o site da rádio do portal terra e não era permitido para IPs Americanos, sinceramente não sabia desse tipo de restrição. Tive a sorte de encontrar aqui uma rádio rock, ela sonoriza meus passeios pela cidade, New York's Rock Classic - 104.3.
Tirei essa foto do rádio de um cartaz que eu vi no metro.
Essas chaminés não lembram a capa do Animals do Pink Floyd, essa foto é da ciclovia da ponte que liga Queens a Manhattan.
O calor aumentou essa semana, insuportável, impossível ficar dentro da estação de metro, os ratos estão frenéticos e circulam por toda parte. Só senti calor assim em Cuiabá.
* Luciano Romanieli foi criado no larguinho da Jansen de Melo, estudou no Verbo Divino, é filho do João Leiteiro e da Dona Lourdes e todos em Barra Mansa o conhecem como Boi. Atualmente vive em NYC e trabalha com Tecnologia da Informação.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
A SUCESSORA
*por César Zadorosny
Antes mesmo do início do ano eleitoral já vemos a briga pela sucessão de Lula tomar grande espaço nos meios de comunicação.
O fato que esquentou o tema na última semana foi entrada praticamente certa de Marina Silva na corrida presidencial. A senadora deixou o PT, após o envio de uma polida carta à direção do partido, na qual, sem deixar transparecer qualquer mágoa, expôs os motivos de sua decisão. Em resumo, a senadora acriana justificou sua saída dizendo que o partido não ofereceu "condições políticas" para avanços na questão ambiental.
E não ofereceu mesmo. Durante os cinco anos em que ficou a frente da pasta ambiental no governo Lula, Marina Silva ganhou destaque internacional por sua luta em defesa da Amazônia, fato que resultou, inclusive, em redução do avanço do desmatamento na região, lamentavelmente retomado a todo fôlego no último ano, após a entrada de seu histriônico sucessor.
Marina Silva tem uma biografia exemplar e dificilmente terá algum “dedo sujo” apontado em sua direção com acusações de picaretagens e tunga do erário público, o que pode, de certa forma, polarizar a disputa eleitoral: de um lado a máquina estatal com todo o seu poderio financeiro e logístico, o descompromisso ético, o discurso falacioso, as metáforas bisonhas e as alianças oportunistas; de outro, a ausência de recursos para enfrentar uma campanha mais ampla, a legenda partidária pequena que acarreta em curto espaço de tempo de TV, a postura ética e coerente com discurso, a ampliação do debate ambiental na cena eleitoral e a possibilidade de uma efetiva renovação do cenário político.
Infelizmente, amigos, já sabemos no que isso tudo vai dar.
Temo ainda pelo pior. O fiasco de Roseana Sarney não se repetirá com Dilma, já que, ao que parece, os sentimentos de repulsa ao engodo, à falta de ética e ideologia estão seriamente entorpecidos ou mesmo quase desapareceram de nossa sociedade, que insiste em reconduzir a bandalheira ao poder.
Desculpem o tom de desabafo. Vamos amenizar o assunto.
Dicionário (alguns verbetes interessantes)
Ideologia – Bitola estreita para orientar o pensamento. Não existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso a nada. Pensa, a todo risco. A ideologia leva à idolatria, à feitura e adoração de mitos. E, finalmente, ao boquete ideológico.
Lapidar: Verbo antigamente usado para atirar pedras em mulheres adúlteras. Hoje, desmoralizado no ocidente como punição, serve como prêmio e alto elogio: "Teu artigo, escritor, é lapidar". Também usado nos cemitérios (nas lápides) para elogios fúnebres. Não há canalhas nos cemitérios.
(by Millôr)
Abração e até a próxima.
*César Zadorosny é barramansense da gema. Torce e sofre (cada vez mais) pelo seu querido Tricolor Carioca.
Antes mesmo do início do ano eleitoral já vemos a briga pela sucessão de Lula tomar grande espaço nos meios de comunicação.
O fato que esquentou o tema na última semana foi entrada praticamente certa de Marina Silva na corrida presidencial. A senadora deixou o PT, após o envio de uma polida carta à direção do partido, na qual, sem deixar transparecer qualquer mágoa, expôs os motivos de sua decisão. Em resumo, a senadora acriana justificou sua saída dizendo que o partido não ofereceu "condições políticas" para avanços na questão ambiental.
E não ofereceu mesmo. Durante os cinco anos em que ficou a frente da pasta ambiental no governo Lula, Marina Silva ganhou destaque internacional por sua luta em defesa da Amazônia, fato que resultou, inclusive, em redução do avanço do desmatamento na região, lamentavelmente retomado a todo fôlego no último ano, após a entrada de seu histriônico sucessor.
Marina Silva tem uma biografia exemplar e dificilmente terá algum “dedo sujo” apontado em sua direção com acusações de picaretagens e tunga do erário público, o que pode, de certa forma, polarizar a disputa eleitoral: de um lado a máquina estatal com todo o seu poderio financeiro e logístico, o descompromisso ético, o discurso falacioso, as metáforas bisonhas e as alianças oportunistas; de outro, a ausência de recursos para enfrentar uma campanha mais ampla, a legenda partidária pequena que acarreta em curto espaço de tempo de TV, a postura ética e coerente com discurso, a ampliação do debate ambiental na cena eleitoral e a possibilidade de uma efetiva renovação do cenário político.
Infelizmente, amigos, já sabemos no que isso tudo vai dar.
Temo ainda pelo pior. O fiasco de Roseana Sarney não se repetirá com Dilma, já que, ao que parece, os sentimentos de repulsa ao engodo, à falta de ética e ideologia estão seriamente entorpecidos ou mesmo quase desapareceram de nossa sociedade, que insiste em reconduzir a bandalheira ao poder.
Desculpem o tom de desabafo. Vamos amenizar o assunto.
Dicionário (alguns verbetes interessantes)
Ideologia – Bitola estreita para orientar o pensamento. Não existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso a nada. Pensa, a todo risco. A ideologia leva à idolatria, à feitura e adoração de mitos. E, finalmente, ao boquete ideológico.
Lapidar: Verbo antigamente usado para atirar pedras em mulheres adúlteras. Hoje, desmoralizado no ocidente como punição, serve como prêmio e alto elogio: "Teu artigo, escritor, é lapidar". Também usado nos cemitérios (nas lápides) para elogios fúnebres. Não há canalhas nos cemitérios.
(by Millôr)
Abração e até a próxima.
*César Zadorosny é barramansense da gema. Torce e sofre (cada vez mais) pelo seu querido Tricolor Carioca.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Dois Rios
Por Figurótico*
A cidade que marcou em mim o ponto máximo da escala de adrenalina na cabeça anda (ainda) em baixa – comigo mesmo... Ou ela sempre esteve em baixa, ou o que está em baixa no momento seja meu estado de espírito? Sem dúvidas a última opção é a mais coerente. Dado a situação que me leva a esta cidade nos últimos anos, aliada ao momento que a profissão que escolhi atravessa.
Falo do Rio, obviamente. Vibrei todos os instantes que lá morei, de 2002 à 2007/08. Agradecia todo Santo dia por estar naquela cidade que, quando criança, me assustava com seu tamanho (mas basta que se more lá pra perceber que ela é até pequena), quando a avistava nas voltas de Cabo Frio na passagem da Ponte Rio-Niterói e a enxergava iluminada pela noite e pelas luzes da cidade. Até hoje é a vista mais bonita da cidade maravilha pra mim. E ao longo de três anos protelei algo que deveria ter sido sepultado quando concluí o curso de jornalismo em 2006: fiquei devendo a entrega da monografia. Devo até hoje! Eu e mais dois companheiros daquela mesma época.
Por incrível que pareça, nosso desempenho durante o curso foi exemplar. Notas abaixo de oito nem eram comemoradas; CR (coeficiente de rendimento) de todos os períodos acima de oito. Mas na hora de entregar o projeto final fomos também a mesma coisa, e comentei aos berros quando os encontrei no dia de ontem na faculdade: “Nós somos três fracassados!!!”. Os motivos que me levaram a adiar essa entrega foram vários: pretexto para ficar mais tempo morando no Rio, ocupações com a divulgação do CD da banda, preguiça e preguiça, nesta ordem.
O ônus foi caro... Todas as vezes em que piso naquela cidade me remeto a essa cobrança, a esse fantasma. E o Rio se escurece para mim, tudo perde a graça. Ontem foi o dia de regularizar o fantasma para que eu tenha o direito de vivê-lo novamente até o fim deste ano. E o destino caprichou no último ato: a única alternativa que tive foi pegar como orientadora uma pela qual eu já passei por três vezes! Nas últimas ela mesma havia pedido para que eu mudasse para outro, que atendi prontamente. Foi a única vez na vida em que perdi a palavra para alguém, disse que entregaria e não o fiz. Lamentável... Tanto para ela quanto para mim, não houve opção. Tivemos de nos encararmos novamente. Não desejava que ela tivesse esse desgosto mais uma vez, pois a culpa foi toda minha.
Mas esse retorno não estaria completo se eu não pegasse os panfletos que meninas entregam na porta da faculdade, ainda mais nas primeiras semanas de aula. Eu ia recusar, mas teria de ter também esse desgosto para ficar completo o dia. Eram simplesmente os mesmos que recebi em 2002, e que me decepcionaram e deram a entender que o Rio há muito tempo deixou o rock de lado. Duvidam? Reparem:
“Terê Fantasy – Pista Principal: MR. Catra, DJ Paulo Varella, DJ Carol Shutter, DJ Nelsinho. Pista Bahia: Tomate, a sensação da Bahia! (ai, mamãe...). Pista Hip Hop: DJ Saddam, DJ Leozinho, DJ Juan. Pista Eletrônica: ATRAÇÃO INTERNACIONAL (uallll, como diz Marco Poeta) Ultravoice – PsyTrance, Danny Dee (House e electro house), DJ Leo Dagas (progressive), DJ Rafael Abiramia (tech e tech house). E no último espaço “Camarote Anos 80” (ih, será que vai rolar banda?): DJ Cidinho, DJ Tartaruga e DJ Kabull”.
Todas essas informações num único panfleto, naqueles papéis mais caros, e que entregues a mim viram desperdício de propaganda. Da mesma mão que me veio este, vieram mais cinco de outras festas. Cinco!!! “Forró no Odisséia é FORROOTS”; “Forró da palhoça – todas as sextas, o melhor forró do Rio”; “Quarta Democrática – Os Cabras ‘Na presão’”; “Natiruts na Fundição Progresso” (parece o Blues Boy no Circo, toda semana tinha...); e a agenda do Circo Voador, que começa com “Eu Amo Baile Funk”...
Esse é um bom retrato do Rio, e que vem se estendendo por muito tempo e por todas as cidades desse estado. Falo do estado porque pros lados de São Paulo é um pouco diferente, na capital então nem se fala. Pra nós, que escolhermos não só viver de música, mas de rock o bicho anda pegando. Os cachês estão reduzidos, quase que pela metade; há casas/bares cobrando até água de músico!?; é nítido o preconceito com que o rock anda ganhando. Um exemplo básico foi uma experiência no Rio.
Um amigo de Volta Redonda nos levou para tocar na casa mais badalada do Rio atualmente, Lapa 40°. Por cinco vezes fizemos shows lá e estávamos com a agenda marcada para outras três datas. Curtíamos bastante, apesar do cachê modestinho, era mais a visibilidade que contava. (Pausa: foi o ÚNICO lugar do Rio em que ganhamos cachê, além do antigo Negro Gato. Em todos os outros em que tocamos, não se ganhava nada, além de ter de se pagar em alguns. Coloco aí uns vinte shows que fizemos na capital carioca em que mais gastamos dinheiro. Cansamos disso e desde então não tocamos mais por lá). No exemplo citado acima, nosso amigo nos comunicou que o repertório ainda estava muito rock’n roll e que a casa não comportava esse tipo de som. Fora voto vencido – 7 X 1 – e nossas datas foram canceladas. Atenção para o detalhe: tocávamos com violão!
Tempos depois nosso baterista foi convidado a acompanhar uns artistas na mesma casa. O repertório? Idêntico ao nosso, a diferença era que eram artistas mais “MPB”, que não ostentam uma postura de rock. Essa coluna já foi longe, esse assunto não acaba aqui. Darei prosseguimento na próxima, pois como disse meu amigo Pinto, nós caímos para a segunda divisão da música aqui na região. Na mosca, Pinto!!!
*Figurótico é músico, 34 anos e não responde mais à pergunta: “e a monografia???”
A cidade que marcou em mim o ponto máximo da escala de adrenalina na cabeça anda (ainda) em baixa – comigo mesmo... Ou ela sempre esteve em baixa, ou o que está em baixa no momento seja meu estado de espírito? Sem dúvidas a última opção é a mais coerente. Dado a situação que me leva a esta cidade nos últimos anos, aliada ao momento que a profissão que escolhi atravessa.
Falo do Rio, obviamente. Vibrei todos os instantes que lá morei, de 2002 à 2007/08. Agradecia todo Santo dia por estar naquela cidade que, quando criança, me assustava com seu tamanho (mas basta que se more lá pra perceber que ela é até pequena), quando a avistava nas voltas de Cabo Frio na passagem da Ponte Rio-Niterói e a enxergava iluminada pela noite e pelas luzes da cidade. Até hoje é a vista mais bonita da cidade maravilha pra mim. E ao longo de três anos protelei algo que deveria ter sido sepultado quando concluí o curso de jornalismo em 2006: fiquei devendo a entrega da monografia. Devo até hoje! Eu e mais dois companheiros daquela mesma época.
Por incrível que pareça, nosso desempenho durante o curso foi exemplar. Notas abaixo de oito nem eram comemoradas; CR (coeficiente de rendimento) de todos os períodos acima de oito. Mas na hora de entregar o projeto final fomos também a mesma coisa, e comentei aos berros quando os encontrei no dia de ontem na faculdade: “Nós somos três fracassados!!!”. Os motivos que me levaram a adiar essa entrega foram vários: pretexto para ficar mais tempo morando no Rio, ocupações com a divulgação do CD da banda, preguiça e preguiça, nesta ordem.
O ônus foi caro... Todas as vezes em que piso naquela cidade me remeto a essa cobrança, a esse fantasma. E o Rio se escurece para mim, tudo perde a graça. Ontem foi o dia de regularizar o fantasma para que eu tenha o direito de vivê-lo novamente até o fim deste ano. E o destino caprichou no último ato: a única alternativa que tive foi pegar como orientadora uma pela qual eu já passei por três vezes! Nas últimas ela mesma havia pedido para que eu mudasse para outro, que atendi prontamente. Foi a única vez na vida em que perdi a palavra para alguém, disse que entregaria e não o fiz. Lamentável... Tanto para ela quanto para mim, não houve opção. Tivemos de nos encararmos novamente. Não desejava que ela tivesse esse desgosto mais uma vez, pois a culpa foi toda minha.
Mas esse retorno não estaria completo se eu não pegasse os panfletos que meninas entregam na porta da faculdade, ainda mais nas primeiras semanas de aula. Eu ia recusar, mas teria de ter também esse desgosto para ficar completo o dia. Eram simplesmente os mesmos que recebi em 2002, e que me decepcionaram e deram a entender que o Rio há muito tempo deixou o rock de lado. Duvidam? Reparem:
“Terê Fantasy – Pista Principal: MR. Catra, DJ Paulo Varella, DJ Carol Shutter, DJ Nelsinho. Pista Bahia: Tomate, a sensação da Bahia! (ai, mamãe...). Pista Hip Hop: DJ Saddam, DJ Leozinho, DJ Juan. Pista Eletrônica: ATRAÇÃO INTERNACIONAL (uallll, como diz Marco Poeta) Ultravoice – PsyTrance, Danny Dee (House e electro house), DJ Leo Dagas (progressive), DJ Rafael Abiramia (tech e tech house). E no último espaço “Camarote Anos 80” (ih, será que vai rolar banda?): DJ Cidinho, DJ Tartaruga e DJ Kabull”.
Todas essas informações num único panfleto, naqueles papéis mais caros, e que entregues a mim viram desperdício de propaganda. Da mesma mão que me veio este, vieram mais cinco de outras festas. Cinco!!! “Forró no Odisséia é FORROOTS”; “Forró da palhoça – todas as sextas, o melhor forró do Rio”; “Quarta Democrática – Os Cabras ‘Na presão’”; “Natiruts na Fundição Progresso” (parece o Blues Boy no Circo, toda semana tinha...); e a agenda do Circo Voador, que começa com “Eu Amo Baile Funk”...
Esse é um bom retrato do Rio, e que vem se estendendo por muito tempo e por todas as cidades desse estado. Falo do estado porque pros lados de São Paulo é um pouco diferente, na capital então nem se fala. Pra nós, que escolhermos não só viver de música, mas de rock o bicho anda pegando. Os cachês estão reduzidos, quase que pela metade; há casas/bares cobrando até água de músico!?; é nítido o preconceito com que o rock anda ganhando. Um exemplo básico foi uma experiência no Rio.
Um amigo de Volta Redonda nos levou para tocar na casa mais badalada do Rio atualmente, Lapa 40°. Por cinco vezes fizemos shows lá e estávamos com a agenda marcada para outras três datas. Curtíamos bastante, apesar do cachê modestinho, era mais a visibilidade que contava. (Pausa: foi o ÚNICO lugar do Rio em que ganhamos cachê, além do antigo Negro Gato. Em todos os outros em que tocamos, não se ganhava nada, além de ter de se pagar em alguns. Coloco aí uns vinte shows que fizemos na capital carioca em que mais gastamos dinheiro. Cansamos disso e desde então não tocamos mais por lá). No exemplo citado acima, nosso amigo nos comunicou que o repertório ainda estava muito rock’n roll e que a casa não comportava esse tipo de som. Fora voto vencido – 7 X 1 – e nossas datas foram canceladas. Atenção para o detalhe: tocávamos com violão!
Tempos depois nosso baterista foi convidado a acompanhar uns artistas na mesma casa. O repertório? Idêntico ao nosso, a diferença era que eram artistas mais “MPB”, que não ostentam uma postura de rock. Essa coluna já foi longe, esse assunto não acaba aqui. Darei prosseguimento na próxima, pois como disse meu amigo Pinto, nós caímos para a segunda divisão da música aqui na região. Na mosca, Pinto!!!
*Figurótico é músico, 34 anos e não responde mais à pergunta: “e a monografia???”
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Corre, corre...
* por Alex Peres
Estava hoje eu, em mais um dia cheio de compromissos que aumentam a cada instante, e na ocasião andava pela rua à caminho de mais uma reunião, recebendo ligações pelo celular de assuntos variados, quando veio a idéia de falar sobre a falta de tempo de cada dia.
Escolhi esse assunto também porquê me vi sem tempo de escrever essa coluna, que embora seja uma coisa tão agradável, se torna muito das vezes secundária diante das inúmeras obrigações que temos.
Dizem que há apenas dois dias do ano nos quais nada se pode fazer: ontem e amanhã. E há quem duvide que esses dois dias sejam mesmo inacessíveis, visto que muito pode-se fazer com as memórias e com os projetos. De todo modo, o tempo é um desafio.
O tempo transformou-se curiosamente na falta de tempo. E o pior de tudo, é o remorso de não ter tempo para fazer as coisas que realmente gosta, com as pessoas que ama. Aquela dorzinha no peito que incomoda a beça. (se persistir procure um cardiologista).
Acredito que o tempo que se dá para cada coisa é relativo à prioridade que aquilo tem pra você. Pode ser complicado, mas esses dia me esbarrei nessa encruzilhada. O meu filho Arthur me chamou para jogar bola e era no meio do dia. Pensei inicialmente: - é impossível, pois tenho que fazer um orçamento, mandar um relatório, captar mais um cliente etc... Porém algo me fez parar e refletir sobre isso.
Puxa vida, pode ser a última oportunidade de estar com meu filho, e esse momento vai trazer tanta alegria pra ele quanto pra mim. Já que hoje em dia é mais difícil viver do que morrer.
Então eu parei simplesmente 50 minutos do meu dia “útil” e brinquei com ele. A sensação foi tão boa que a partir daí fui aumentando a freqüência dessas paradinhas e hoje consigo dar prioridade as coisas que realmente me fazem feliz. E o melhor é que profissionalmente fui mais valorizado. Vi que ao valorizar meu tempo ele ficou mais valioso pra todo mundo.
Aconteceu Hoje: Isso poderia ter passado despercebido, mas como o tema é a correria do dia a dia me chamou a atenção.
Parei o carro no sinal e um artista de rua começou a fazer sua apresentação. Normalmente esses números são comuns, mas esse malabarista me chamou a atenção pela sua performance, que me fez levantar de lado e coçar o bolso atrás de algumas moedas, até que encontrei uma de um real e outras de 25 e 10 centavos jogadas no bolso. Preparei-me para entregá-las ao malabarista quando de repente abre o sinal. Numa fração de milésimos de segundo o motorista de trás já veio buzinando, e o trânsito foi andando, naquela loucura. Fico imaginando que se fosse um concurso desses de televisão que o cara tem que bater no pino primeiro para responder a pergunta, esse cara seria campeão.
E infelizmente o artista ficou sem seu trocado...
Acabou meu tempo.
Até semana que vem,
Um grande abraço a todos.
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”
Charles Chaplin
Estava hoje eu, em mais um dia cheio de compromissos que aumentam a cada instante, e na ocasião andava pela rua à caminho de mais uma reunião, recebendo ligações pelo celular de assuntos variados, quando veio a idéia de falar sobre a falta de tempo de cada dia.
Escolhi esse assunto também porquê me vi sem tempo de escrever essa coluna, que embora seja uma coisa tão agradável, se torna muito das vezes secundária diante das inúmeras obrigações que temos.
Dizem que há apenas dois dias do ano nos quais nada se pode fazer: ontem e amanhã. E há quem duvide que esses dois dias sejam mesmo inacessíveis, visto que muito pode-se fazer com as memórias e com os projetos. De todo modo, o tempo é um desafio.
O tempo transformou-se curiosamente na falta de tempo. E o pior de tudo, é o remorso de não ter tempo para fazer as coisas que realmente gosta, com as pessoas que ama. Aquela dorzinha no peito que incomoda a beça. (se persistir procure um cardiologista).
Acredito que o tempo que se dá para cada coisa é relativo à prioridade que aquilo tem pra você. Pode ser complicado, mas esses dia me esbarrei nessa encruzilhada. O meu filho Arthur me chamou para jogar bola e era no meio do dia. Pensei inicialmente: - é impossível, pois tenho que fazer um orçamento, mandar um relatório, captar mais um cliente etc... Porém algo me fez parar e refletir sobre isso.
Puxa vida, pode ser a última oportunidade de estar com meu filho, e esse momento vai trazer tanta alegria pra ele quanto pra mim. Já que hoje em dia é mais difícil viver do que morrer.
Então eu parei simplesmente 50 minutos do meu dia “útil” e brinquei com ele. A sensação foi tão boa que a partir daí fui aumentando a freqüência dessas paradinhas e hoje consigo dar prioridade as coisas que realmente me fazem feliz. E o melhor é que profissionalmente fui mais valorizado. Vi que ao valorizar meu tempo ele ficou mais valioso pra todo mundo.
Aconteceu Hoje: Isso poderia ter passado despercebido, mas como o tema é a correria do dia a dia me chamou a atenção.
Parei o carro no sinal e um artista de rua começou a fazer sua apresentação. Normalmente esses números são comuns, mas esse malabarista me chamou a atenção pela sua performance, que me fez levantar de lado e coçar o bolso atrás de algumas moedas, até que encontrei uma de um real e outras de 25 e 10 centavos jogadas no bolso. Preparei-me para entregá-las ao malabarista quando de repente abre o sinal. Numa fração de milésimos de segundo o motorista de trás já veio buzinando, e o trânsito foi andando, naquela loucura. Fico imaginando que se fosse um concurso desses de televisão que o cara tem que bater no pino primeiro para responder a pergunta, esse cara seria campeão.
E infelizmente o artista ficou sem seu trocado...
Acabou meu tempo.
Até semana que vem,
Um grande abraço a todos.
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”
Charles Chaplin
* Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) tem 37 anos, casado, tem um casal de filhos lindos, trabalha com engenharia e cursa os últimos 3 meses de Engenharia Elétrica/Eletrônica, Analista de Sistemas, empresário, Músico e gosta de falar “m” nas horas vagas.
Eu que pensei que já tinha visto tudo na vida!
por Mozart Valle Neto*
Boa noite a todos, eu precisava adiantar o post porque vou viajar muito cedo amanhã para ministrar um treinamento e não teria tempo. Só que descobri que dá para agendar a publicação é uma boa ferramenta para a gente utilizar e não atrasar mais as publicações. Depois mando um mail para todos para ensinar.
Realmente a televisão brasileira, que é tão premiada no exterior, guarda algumas pérolas que dariam inveja nos produtores daqueles programas japoneses grotescos que passam na TV a cabo. Como estou morando sozinho e viajando demais eu cancelei a SKY. Quando estou de bobeira acabo vendo muitos DVD. Mas tem dia que você que ver alguma coisa sem compromisso e neste sábado passado fiquei zapeando na aberta. Estava passando um joguinho mixuruca da segundinha, aí cai na Rede TV e dei de cara com o Supla com o cabelo todo espetado. Tinha um maluco com ele tocando uma viola e os dois cantando dentro de uma van. Aquela cena era surreal.
Mudei de canal e numa nova volta, cai de novo lá. Só que dessa vez foi mais surreal ainda. Sentado na platéia estava o Supla pai. Recuso-me a chamá-lo pelo cargo. Ele estava igual um babaca batendo palmas. Daqui a pouco eles anunciaram que o pai ia cantar com eles também. São eles mesmo. O outro mané é um outro Suplicy menos famoso. Eles estão fazendo um programa no estilo Pânico. Agora não desgrudo da tela. . Afinal ver um senador da república, que em muitos momentos da minha juventude foi meu herói, cantando com os filhos é uma cena de inspirar um texto no nosso blog.
Acaba o comercial e entra toda família levando um Frank Sinatra na voz do pai. Fico na dúvida, não sei se ele é pior cantando ou legislando. Mas o mais bizarro está por vir. Assustando até o Supla o senador Suplicy, agora preciso citar o cargo e o nome, começa a recitar um rap de algum desses Mcs que ninguém conhece. A cara que os irmãos fazem é bizarra. Até eles não esperavam isso. Só que o programa é ao vivo. Não tem o que fazer. Agora estou terminando o texto e o Suplicy está detonando o pobre do Bob Dylan – Blowin' in the Wind -. Tá achando que acabou! Tem pior, mais uma estrofe e ele se perde porque está olhando para os peitos de uma gostosa quase nua. Até o Supla tira uma com o pai. – Ai, pai sua namorada não vai gostar disso!!!
No dia seguinte comentei o fato com um novo velho amigo e ele comentou que o Suplicy gosta de cantar e algumas vezes já o fez no próprio plenário do Senado Federal. Lá parece que foi um ato de indignação pois rolava um barraco. Mas no programa de TV dos filhos acho que tem outra conotação. Não sei se fiquei quadrado, retardado ou conservador. Mas acho que um senador de verdade não poderia fazer um papel ridículo desses! Cada vez mais acho que quem estava certo era Charles de Gaulle - "Le Brésil n’est pas um pays sérieux" (O Brasil não é um país sério).
Jabá duplo
Para que perdeu o lançamento da exposição de fotos do Drácula ela vai estar no shopping em Volta Redonda. Vale dar uma passada quando for por lá.
* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 37 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, no Estação BM está descobrindo que ainda esta vivo porque ainda tem capacidade de se indignar.
Boa noite a todos, eu precisava adiantar o post porque vou viajar muito cedo amanhã para ministrar um treinamento e não teria tempo. Só que descobri que dá para agendar a publicação é uma boa ferramenta para a gente utilizar e não atrasar mais as publicações. Depois mando um mail para todos para ensinar.
Realmente a televisão brasileira, que é tão premiada no exterior, guarda algumas pérolas que dariam inveja nos produtores daqueles programas japoneses grotescos que passam na TV a cabo. Como estou morando sozinho e viajando demais eu cancelei a SKY. Quando estou de bobeira acabo vendo muitos DVD. Mas tem dia que você que ver alguma coisa sem compromisso e neste sábado passado fiquei zapeando na aberta. Estava passando um joguinho mixuruca da segundinha, aí cai na Rede TV e dei de cara com o Supla com o cabelo todo espetado. Tinha um maluco com ele tocando uma viola e os dois cantando dentro de uma van. Aquela cena era surreal.
Mudei de canal e numa nova volta, cai de novo lá. Só que dessa vez foi mais surreal ainda. Sentado na platéia estava o Supla pai. Recuso-me a chamá-lo pelo cargo. Ele estava igual um babaca batendo palmas. Daqui a pouco eles anunciaram que o pai ia cantar com eles também. São eles mesmo. O outro mané é um outro Suplicy menos famoso. Eles estão fazendo um programa no estilo Pânico. Agora não desgrudo da tela. . Afinal ver um senador da república, que em muitos momentos da minha juventude foi meu herói, cantando com os filhos é uma cena de inspirar um texto no nosso blog.
Acaba o comercial e entra toda família levando um Frank Sinatra na voz do pai. Fico na dúvida, não sei se ele é pior cantando ou legislando. Mas o mais bizarro está por vir. Assustando até o Supla o senador Suplicy, agora preciso citar o cargo e o nome, começa a recitar um rap de algum desses Mcs que ninguém conhece. A cara que os irmãos fazem é bizarra. Até eles não esperavam isso. Só que o programa é ao vivo. Não tem o que fazer. Agora estou terminando o texto e o Suplicy está detonando o pobre do Bob Dylan – Blowin' in the Wind -. Tá achando que acabou! Tem pior, mais uma estrofe e ele se perde porque está olhando para os peitos de uma gostosa quase nua. Até o Supla tira uma com o pai. – Ai, pai sua namorada não vai gostar disso!!!
No dia seguinte comentei o fato com um novo velho amigo e ele comentou que o Suplicy gosta de cantar e algumas vezes já o fez no próprio plenário do Senado Federal. Lá parece que foi um ato de indignação pois rolava um barraco. Mas no programa de TV dos filhos acho que tem outra conotação. Não sei se fiquei quadrado, retardado ou conservador. Mas acho que um senador de verdade não poderia fazer um papel ridículo desses! Cada vez mais acho que quem estava certo era Charles de Gaulle - "Le Brésil n’est pas um pays sérieux" (O Brasil não é um país sério).
Jabá duplo
Para que perdeu o lançamento da exposição de fotos do Drácula ela vai estar no shopping em Volta Redonda. Vale dar uma passada quando for por lá.
* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 37 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, no Estação BM está descobrindo que ainda esta vivo porque ainda tem capacidade de se indignar.
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3ª coluna
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Carta ao pai
Fiz esse texto para colocar semana passada, em homenagem ao dia dos pais. Não tive coragem de colocar. Mas minha mulher leu e me convenceu a postar. Segue o texto.
CARTA AO PAI*
por Carlos Vinicius Rosenburg**
Pai,
pela décima-terceira vez passei esse domingo de agosto longe de você. Bebi aquela Brahma pensando em você, aquela Brahma que você me ensinou a gostar, sempre com moderação.
Em todos esses anos a saudade só fez aumentar. Sei, nos acostumamos com a distância, com essa saudade louca, essa angústia que fica adormecida, escondida, controlada, sob a sanidade que mantemos para tocarmos a vida.
E vamos vivendo, a vida segue, novas coisas vão acontecendo, conquistas surgem, decepções, cicatrizes, momentos felizes, pessoas. Tudo isso nos empurra para a vida, para essa roda que teima em girar.
Por vezes aquela saudade louca citada lá em cima, que mantemos controlada, vem à tona, nos pegando desprevenidos, e surge um choro incontrolável, um choro silencioso, que escondemos dos outros, de nós mesmos, um nó na garganta, aparecem as lembranças de tudo o que fizemos, de tudo que passamos juntos, de todos os abraços, sorrisos, brigas, reconciliações, momentos comuns, corriqueiros (talvez esses sejam os que mais fazem falta).
E surge também o lamento por tudo que não fizemos, o último adeus que não demos. A lembrança daquela último instante, daquele dia em que me levaste até a rodoviária em um domingo, para que eu pegasse o ônibus para o Rio. Como saber que aquele adeus comum seria o último adeus, que não haveria mais adeus (na verdade é sempre o último, nós é que preferimos ser enganados e achamos que temos a imortalidade – a morte pode estar aí amanhã)? Não há como saber.
Mas não estou aqui para lamentar. Mesmo porque, em todos esses anos, nunca fiquei lamentando. Sofri (e ainda sofro pela saudade), mas aceito as coisas da vida, uma dádiva que funciona exatamente dessa maneira. Só estou aqui para agradecer por todos os momentos que passamos juntos, por todos os ensinamentos que me fizeram chegar até aqui, pelas sugestões de leitura, pelos incentivos, pelas palavras de amor, por me apresentar os Beatles e o Pink Floyd (passando por Creedence, Hendrix, Janis, Chico, João Nogueira, Martinho da Vila, João do Vale, Roberto Ribeiro, João Bosco, os bons sambas-enredo, Vinicius e Toquinho e grandes trilhas sonoras), pelos grandes filmes e a paixão pelo cinema, desde o curta “A Velha a Fiar” até coisas como Eisenstein e seu “Encouraçado Potemkin”, passando por todos os diretores da década de 70 – Scorsese, Kubrick e Coppola – meu trio de ouro, do amor pelo Flamengo, que é um caso à parte, com nossas idas ao Maraca, nosso entendimento apenas no olhar, nosso choro misturado ao sorriso depois de um gol, feito ou perdido, ou de um passe, certo ou errado.
Agradeço também pelos sacrifícios, pelos nãos (como dou valor a isso hoje...), pelos defeitos (todos temos, e aprendemos muito com eles), enfim, por ser pai.
Valeu, Zé Carlos!
* o título da coluna foi retirado, obviamente, do livro do escritor tcheco Franz Kafka, mas ao contrário do fantástico autor, o redator da coluna não teve relação conflituosa ou sensação opressora em relação ao pai.
** Carlos Vinicius Rosenburg (cvrosenburg@gmail.com) tem 36 anos, é casado e, ao contrário do que diz a música do Ira!, não é mais o filho, pois sua filha já nasceu, e demorou muito tempo para que o colunista entendesse que nada sabe. Também escreve no blog Confraria Jurídica (http://confrariajuridica.blogspot.com).
CARTA AO PAI*
por Carlos Vinicius Rosenburg**
Pai,
pela décima-terceira vez passei esse domingo de agosto longe de você. Bebi aquela Brahma pensando em você, aquela Brahma que você me ensinou a gostar, sempre com moderação.
Em todos esses anos a saudade só fez aumentar. Sei, nos acostumamos com a distância, com essa saudade louca, essa angústia que fica adormecida, escondida, controlada, sob a sanidade que mantemos para tocarmos a vida.
E vamos vivendo, a vida segue, novas coisas vão acontecendo, conquistas surgem, decepções, cicatrizes, momentos felizes, pessoas. Tudo isso nos empurra para a vida, para essa roda que teima em girar.
Por vezes aquela saudade louca citada lá em cima, que mantemos controlada, vem à tona, nos pegando desprevenidos, e surge um choro incontrolável, um choro silencioso, que escondemos dos outros, de nós mesmos, um nó na garganta, aparecem as lembranças de tudo o que fizemos, de tudo que passamos juntos, de todos os abraços, sorrisos, brigas, reconciliações, momentos comuns, corriqueiros (talvez esses sejam os que mais fazem falta).
E surge também o lamento por tudo que não fizemos, o último adeus que não demos. A lembrança daquela último instante, daquele dia em que me levaste até a rodoviária em um domingo, para que eu pegasse o ônibus para o Rio. Como saber que aquele adeus comum seria o último adeus, que não haveria mais adeus (na verdade é sempre o último, nós é que preferimos ser enganados e achamos que temos a imortalidade – a morte pode estar aí amanhã)? Não há como saber.
Mas não estou aqui para lamentar. Mesmo porque, em todos esses anos, nunca fiquei lamentando. Sofri (e ainda sofro pela saudade), mas aceito as coisas da vida, uma dádiva que funciona exatamente dessa maneira. Só estou aqui para agradecer por todos os momentos que passamos juntos, por todos os ensinamentos que me fizeram chegar até aqui, pelas sugestões de leitura, pelos incentivos, pelas palavras de amor, por me apresentar os Beatles e o Pink Floyd (passando por Creedence, Hendrix, Janis, Chico, João Nogueira, Martinho da Vila, João do Vale, Roberto Ribeiro, João Bosco, os bons sambas-enredo, Vinicius e Toquinho e grandes trilhas sonoras), pelos grandes filmes e a paixão pelo cinema, desde o curta “A Velha a Fiar” até coisas como Eisenstein e seu “Encouraçado Potemkin”, passando por todos os diretores da década de 70 – Scorsese, Kubrick e Coppola – meu trio de ouro, do amor pelo Flamengo, que é um caso à parte, com nossas idas ao Maraca, nosso entendimento apenas no olhar, nosso choro misturado ao sorriso depois de um gol, feito ou perdido, ou de um passe, certo ou errado.
Agradeço também pelos sacrifícios, pelos nãos (como dou valor a isso hoje...), pelos defeitos (todos temos, e aprendemos muito com eles), enfim, por ser pai.
Valeu, Zé Carlos!
* o título da coluna foi retirado, obviamente, do livro do escritor tcheco Franz Kafka, mas ao contrário do fantástico autor, o redator da coluna não teve relação conflituosa ou sensação opressora em relação ao pai.
** Carlos Vinicius Rosenburg (cvrosenburg@gmail.com) tem 36 anos, é casado e, ao contrário do que diz a música do Ira!, não é mais o filho, pois sua filha já nasceu, e demorou muito tempo para que o colunista entendesse que nada sabe. Também escreve no blog Confraria Jurídica (http://confrariajuridica.blogspot.com).
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3ª coluna
domingo, 16 de agosto de 2009
Sexo, Orégano e Rock n' Roll
Por Valério Cortez
Numa fazenda próxima da cidade rural de Bethel, no estado de Nova York, há exatos 40 anos, aconteceu o mítico Festival de Woodstock, onde se apresentaram grandes e pequenas estrelas do cenário Rock and Roll e Folk da época, entre os quais Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jefferson Airplaine, the Who, Rolling Stones e Joe Cocker.
O festival foi a consagração do movimento hippie, a mais expressiva manifestação da contra cultura dos anos 60.
Como o festival ocorreu logo após o fim da guerra do Vietnam, tornou-se a grande celebração do ideário hippie de paz e amor e da música (rock and roll) enquanto fenômeno de massa.
Ecos mais fortes de Woodstock, foram sentidos no Brasil em 1975, enquanto em todo mundo o “Flower Power” agonizava, organizava-se na fazenda Santa Virginia, em Iacanga, interior de São Paulo, o nosso primeiro grande evento de Rock and Roll, o Festival de Águas Claras.
Durante três dias, revezaram-se no palco do Woodstock tupiniquim, a nata do Rock and Roll brasileiro da época, entre eles Mutantes, Som Nosso de Cada Dia, Terreno Baldio, Walter Franco, Moto Perpetuo, Jorge Mautner, Rock da Mortalha e O terço.
O Festival de Águas Claras, sobreviveu ainda em edições nos anos de 81,83 e 84, sempre prestigiado por hippies tardios.
Considerações;
Enquanto rolavam os acordes em Woodstock, num sitio em Friburgo/RJ, o Quiabo’s, formava-se a primeira comunidade hippie do Brasil, aonde 68 pessoas vindas de diversos cantos do pais, se instalaram com o propósito de vivenciar um sistema baseado na natureza e no trabalho artesanal.
Em 1970, o diretor de curtas metragens, Carlos Bini, iniciou juntamente com os membros da comunidade, as filmagens de É ISSO AÍ, BICHO, o primeiro e único filme hippie feito no Brasil.
A trilha sonora foi feita pela Banda Spectrum, e registrada no disco “Geração Bendita”, que por não ter tido uma distribuição adequada, passou em branco na época, tendo sido redescoberto e relançado em 2001, pelo selo alemão Psychedelic Music, e hoje é considerado pela critica especializada, um dos melhores discos de Rock psicodélico já feitos no Brasil.
Considerações finais:
Tenho e esta a disposição de quem queira, o filme É ISSO AÍ, BICHO e os discos de todas as bandas que tocaram em 1975 em Águas Claras.
Dica gastronômica da semana:
Moelada ( by Cezinha & Cris)
beijos & abraços & boa semana
Numa fazenda próxima da cidade rural de Bethel, no estado de Nova York, há exatos 40 anos, aconteceu o mítico Festival de Woodstock, onde se apresentaram grandes e pequenas estrelas do cenário Rock and Roll e Folk da época, entre os quais Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jefferson Airplaine, the Who, Rolling Stones e Joe Cocker.
O festival foi a consagração do movimento hippie, a mais expressiva manifestação da contra cultura dos anos 60.
Como o festival ocorreu logo após o fim da guerra do Vietnam, tornou-se a grande celebração do ideário hippie de paz e amor e da música (rock and roll) enquanto fenômeno de massa.
Ecos mais fortes de Woodstock, foram sentidos no Brasil em 1975, enquanto em todo mundo o “Flower Power” agonizava, organizava-se na fazenda Santa Virginia, em Iacanga, interior de São Paulo, o nosso primeiro grande evento de Rock and Roll, o Festival de Águas Claras.
Durante três dias, revezaram-se no palco do Woodstock tupiniquim, a nata do Rock and Roll brasileiro da época, entre eles Mutantes, Som Nosso de Cada Dia, Terreno Baldio, Walter Franco, Moto Perpetuo, Jorge Mautner, Rock da Mortalha e O terço.
O Festival de Águas Claras, sobreviveu ainda em edições nos anos de 81,83 e 84, sempre prestigiado por hippies tardios.
Considerações;
Enquanto rolavam os acordes em Woodstock, num sitio em Friburgo/RJ, o Quiabo’s, formava-se a primeira comunidade hippie do Brasil, aonde 68 pessoas vindas de diversos cantos do pais, se instalaram com o propósito de vivenciar um sistema baseado na natureza e no trabalho artesanal.
Em 1970, o diretor de curtas metragens, Carlos Bini, iniciou juntamente com os membros da comunidade, as filmagens de É ISSO AÍ, BICHO, o primeiro e único filme hippie feito no Brasil.
A trilha sonora foi feita pela Banda Spectrum, e registrada no disco “Geração Bendita”, que por não ter tido uma distribuição adequada, passou em branco na época, tendo sido redescoberto e relançado em 2001, pelo selo alemão Psychedelic Music, e hoje é considerado pela critica especializada, um dos melhores discos de Rock psicodélico já feitos no Brasil.
Considerações finais:
Tenho e esta a disposição de quem queira, o filme É ISSO AÍ, BICHO e os discos de todas as bandas que tocaram em 1975 em Águas Claras.
Dica gastronômica da semana:
Moelada ( by Cezinha & Cris)
beijos & abraços & boa semana
sábado, 15 de agosto de 2009
Judeus de NYC & Stomp
Por Luciano Romanieli.*
Um fato histórico interessante, que eu já tinha conhecimento, mas fiz algumas pesquisas para publicar aqui no blog.
Parte dos Judeus que ajudaram a consolidar a construção da cidade de Nova York vieram de Recife/PE.
Eles foram atraídos iniciamente para o Brasil pela liberdade religiosa que os Holandeses começaram a instalar nas terras tomadas de Portugal.
Construíram em Recife a primeira sinagoga das Américas, 1636 durante o domínio holandês (1630-1654) do nordeste brasileiro colonial. Com a retomada de Portugal criou uma hostilidade para os Judeus. Alguns retornaram para a Holanda, outros permaneceram no Nordeste, mas a maior parte seguiu para a Colonia Inglesa na América do Norte Nova Amsterdã que era um vilarejo com 1.500 habitantes e hoje é a cidade de Nova York. Aproveitando o gancho, segue a sugestão de um épico do Scorsese, Gangues de NYC.
Mudando radicamente de assunto.
Acontece no Brasil um festival de percussão chamado Perc Pan, já assisti alguns shows desse festival, mas tinha uma atração que não tinha conseguindo vê. Stomp. Esse foi o passeio do final de semana passado, o show é incrível, uma musicalidade sensacional, os caras fazem a maior sonzeira usando sucatas, tampas de latas de lixo, vassouras, sacos de papel, caixa de fósforo (esse som já conhecemos bastante no nosso samba) e mais um monte de coisa. Me fez lembrar do Tom Zé. Os integrantes são versáteis, tocam, dançam e ainda fazem piada. Um dos pontos fortes do espetáculo é a comédia, eu não sabia disso. Tinha uma coroa do meu, sei lá, parecia que era Russa, ela ria tanto com um riso tão estranho que eu não sei se ria dela ou do Show. Um dos bailarinos é Brasileiro Marivaldo dos Santos - Bahiano, percebesse rápido quem ele no palco pelo nosso gingado, e que eu tenho tanto (quem me conhecesse sabe, todo duro, só meche a cabeça). Percebi um forte influência do samba na sonoridade do grupo. Puxando a sardinha para o nosso lado. Difícil de existir batida percussiva mais maneira que a nossa.
O Brasil faz parte das turnês do grupo, tá aí um show que vale a pena ser visto. http://www.stomponline.com/
O teatro Orpheum (local do show) fica no East Village em Manhattan, o tempo aqui está muito quente, não fica atrás do verão Carioca. Tem muita gente nas ruas e os bares e restaurantes estão lotados. O Village é repleto de pubs, bares, restaurantes e casas de show. É a aréa do Blues e Rock. Já tenho o meu point, um buteco na Bleecker onde rola um sonzeira e tem cerveja de todo canto. Já provei algumas.
Fiquei muito feliz com os comentários e a forma que o blog está seguindo. Tenho muito orgulho de participar dele. É muito bom escrever um texto sabendo que seus amigos irão ler, criticar, comentar, sacanear, enfim agregar com as suas opiniões. Por isso, cederei todo último sábado do mês o meu espaço para um amigo que estiver a fim de publicar um texto e experimentar essa sensação. Já está valendo para o dia 29/08. Mande o texto para o meu e-mail.
Tem um amigo que não comentou no blog, mas enviou um e-mail.
Fala Bovino, vou fazer 38 anos e estou lendo colunas suas(by New York) e do Alecão.
Sinceramente tenho a impressão que o fim está próximo! O mundo vai acabar.
Só falta o Belló escrever uma coluna (by Suíça) sobre filosofia "só de calcanhar"!
Vitão.
* Luciano Romanieli foi criado no larguinho da Jansen de Melo, estudou no Verbo Divino, é filho do João Leiteiro e da Dona Lourdes e todos em Barra Mansa o conhecem como Boi. Atualmente vive em NYC e trabalha com Tecnologia da Informação.
Um fato histórico interessante, que eu já tinha conhecimento, mas fiz algumas pesquisas para publicar aqui no blog.
Parte dos Judeus que ajudaram a consolidar a construção da cidade de Nova York vieram de Recife/PE.
Eles foram atraídos iniciamente para o Brasil pela liberdade religiosa que os Holandeses começaram a instalar nas terras tomadas de Portugal.
Construíram em Recife a primeira sinagoga das Américas, 1636 durante o domínio holandês (1630-1654) do nordeste brasileiro colonial. Com a retomada de Portugal criou uma hostilidade para os Judeus. Alguns retornaram para a Holanda, outros permaneceram no Nordeste, mas a maior parte seguiu para a Colonia Inglesa na América do Norte Nova Amsterdã que era um vilarejo com 1.500 habitantes e hoje é a cidade de Nova York. Aproveitando o gancho, segue a sugestão de um épico do Scorsese, Gangues de NYC.
Mudando radicamente de assunto.
Acontece no Brasil um festival de percussão chamado Perc Pan, já assisti alguns shows desse festival, mas tinha uma atração que não tinha conseguindo vê. Stomp. Esse foi o passeio do final de semana passado, o show é incrível, uma musicalidade sensacional, os caras fazem a maior sonzeira usando sucatas, tampas de latas de lixo, vassouras, sacos de papel, caixa de fósforo (esse som já conhecemos bastante no nosso samba) e mais um monte de coisa. Me fez lembrar do Tom Zé. Os integrantes são versáteis, tocam, dançam e ainda fazem piada. Um dos pontos fortes do espetáculo é a comédia, eu não sabia disso. Tinha uma coroa do meu, sei lá, parecia que era Russa, ela ria tanto com um riso tão estranho que eu não sei se ria dela ou do Show. Um dos bailarinos é Brasileiro Marivaldo dos Santos - Bahiano, percebesse rápido quem ele no palco pelo nosso gingado, e que eu tenho tanto (quem me conhecesse sabe, todo duro, só meche a cabeça). Percebi um forte influência do samba na sonoridade do grupo. Puxando a sardinha para o nosso lado. Difícil de existir batida percussiva mais maneira que a nossa.
O Brasil faz parte das turnês do grupo, tá aí um show que vale a pena ser visto. http://www.stomponline.com/
O teatro Orpheum (local do show) fica no East Village em Manhattan, o tempo aqui está muito quente, não fica atrás do verão Carioca. Tem muita gente nas ruas e os bares e restaurantes estão lotados. O Village é repleto de pubs, bares, restaurantes e casas de show. É a aréa do Blues e Rock. Já tenho o meu point, um buteco na Bleecker onde rola um sonzeira e tem cerveja de todo canto. Já provei algumas.
Fiquei muito feliz com os comentários e a forma que o blog está seguindo. Tenho muito orgulho de participar dele. É muito bom escrever um texto sabendo que seus amigos irão ler, criticar, comentar, sacanear, enfim agregar com as suas opiniões. Por isso, cederei todo último sábado do mês o meu espaço para um amigo que estiver a fim de publicar um texto e experimentar essa sensação. Já está valendo para o dia 29/08. Mande o texto para o meu e-mail.
Tem um amigo que não comentou no blog, mas enviou um e-mail.
Fala Bovino, vou fazer 38 anos e estou lendo colunas suas(by New York) e do Alecão.
Sinceramente tenho a impressão que o fim está próximo! O mundo vai acabar.
Só falta o Belló escrever uma coluna (by Suíça) sobre filosofia "só de calcanhar"!
Vitão.
* Luciano Romanieli foi criado no larguinho da Jansen de Melo, estudou no Verbo Divino, é filho do João Leiteiro e da Dona Lourdes e todos em Barra Mansa o conhecem como Boi. Atualmente vive em NYC e trabalha com Tecnologia da Informação.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Promessa é dívida
por César Augusto Zadorosny.*
Como prometido, hoje o assunto é Barra Mansa. Mais precisamente um pequeno exemplar de nosso portentoso comércio, o tradicional Salão Maracanã.
Não é novidade para ninguém que uma das características de nossa querida e amada Barra Mansa é possuir um comércio forte e diversificado, embora na sua maior parte concentrado ao longo da Avenida Joaquim Leite e adjacências.
Esse centro nervoso, econômico, cultural e etílico possui um pouco de tudo: butiques sofisticadas, papelarias, joalherias, fast-food, relojoeiros, sapateiros, ambulantes, camelôs, bancos, loja de artigos religiosos (com eufemismo por favor), botequins etc. Entretanto, poucos deles podem dizer que estão em atividade há 51 anos como o Salão Maracanã. Isso mesmo, são 51 anos!
O salão foi inaugurado em 1958 e ficava em frente ao Sabec, onde hoje há um estacionamento. Já o nome foi tirado – óbvio – do “Maraca” e apropriadamente escolhido porque o salão era o maior da cidade na época.
Há cerca de vinte anos, em razão de dificuldades na renovação do contrato de aluguel, o salão teve de se mudar e passou a funcionar a poucos metros dali, na rua lateral da Sabec, agora em loja própria. O espaço físico mais modesto não fez com que se perdesse o estilo tradicional e nem o nome, ao contrário do que ocorre com outros estabelecimentos congêneres que, atingidos pelo ímpeto da modernidade – e sei lá mais que outro ímpeto – passam a se autodenominar coiffeur (acho que é assim que se escreve).
O proprietário, Seu Domingos, esteve à frente do negócio durante todos esses anos. Pessoa extremamente agradável e bem-humorada, é bem possível que desconhecesse técnicas modernas de alisamento capilar como escova progressiva, ou mesmo como seria um corte no estilo “emo”. Por outro lado, se você desejava um “corte masculino” (sic), aparar as costeletas e o cavanhaque e, ainda, ficar a par das notícias da cidade e do mundo, com a opinião abalizada de quem tinha experiência e aprendeu com ela, isso era com ele e seus colegas de tesoura.
Seu Domingos faria agora em agosto 81 anos não fosse seu falecimento no último 23/07/09. Cuidou de sua esposa, criou e formou seus três filhos com o suor de seu trabalho. Malgrado nunca ter sido agraciado pelo poder público com nenhum título, medalha ou troféu distribuídos em escala industrial nas câmaras, assembleias e palácios governistas que existem Brasil afora, até porque acho que isso nunca lhe fez falta, fica aqui nosso registro e homenagem a um cidadão que também contribuiu para tornar nossa Barra Mansa uma cidade melhor.
Para quem não sabe, ele era pai do Marrequinho.
Lamentável: Assim como todo mundo, semana passada eu também presenciei o instrutivo “debate” entre Tasso e Renan. Alguém aí sabe dizer o que é um “cangaceiro de terceira”?
Dica de som: Bonfire – Fireworks. Hard Rock dos anos 80, o álbum traz clássicos como American nights, Ready 4 Reaction e Sweet obsession (regravada pelo Joe Lynn Turner). Valeu Sergio.
Abração, até breve.
P.S.: Desculpem a demora. Problemas técnicos como sempre.
*César Augusto Zadorosny é barramansense da gema e gosta de tomar uma gelada com os amigos de vez em quando na adega do Borracha.
Como prometido, hoje o assunto é Barra Mansa. Mais precisamente um pequeno exemplar de nosso portentoso comércio, o tradicional Salão Maracanã.
Não é novidade para ninguém que uma das características de nossa querida e amada Barra Mansa é possuir um comércio forte e diversificado, embora na sua maior parte concentrado ao longo da Avenida Joaquim Leite e adjacências.
Esse centro nervoso, econômico, cultural e etílico possui um pouco de tudo: butiques sofisticadas, papelarias, joalherias, fast-food, relojoeiros, sapateiros, ambulantes, camelôs, bancos, loja de artigos religiosos (com eufemismo por favor), botequins etc. Entretanto, poucos deles podem dizer que estão em atividade há 51 anos como o Salão Maracanã. Isso mesmo, são 51 anos!
O salão foi inaugurado em 1958 e ficava em frente ao Sabec, onde hoje há um estacionamento. Já o nome foi tirado – óbvio – do “Maraca” e apropriadamente escolhido porque o salão era o maior da cidade na época.
Há cerca de vinte anos, em razão de dificuldades na renovação do contrato de aluguel, o salão teve de se mudar e passou a funcionar a poucos metros dali, na rua lateral da Sabec, agora em loja própria. O espaço físico mais modesto não fez com que se perdesse o estilo tradicional e nem o nome, ao contrário do que ocorre com outros estabelecimentos congêneres que, atingidos pelo ímpeto da modernidade – e sei lá mais que outro ímpeto – passam a se autodenominar coiffeur (acho que é assim que se escreve).
O proprietário, Seu Domingos, esteve à frente do negócio durante todos esses anos. Pessoa extremamente agradável e bem-humorada, é bem possível que desconhecesse técnicas modernas de alisamento capilar como escova progressiva, ou mesmo como seria um corte no estilo “emo”. Por outro lado, se você desejava um “corte masculino” (sic), aparar as costeletas e o cavanhaque e, ainda, ficar a par das notícias da cidade e do mundo, com a opinião abalizada de quem tinha experiência e aprendeu com ela, isso era com ele e seus colegas de tesoura.
Seu Domingos faria agora em agosto 81 anos não fosse seu falecimento no último 23/07/09. Cuidou de sua esposa, criou e formou seus três filhos com o suor de seu trabalho. Malgrado nunca ter sido agraciado pelo poder público com nenhum título, medalha ou troféu distribuídos em escala industrial nas câmaras, assembleias e palácios governistas que existem Brasil afora, até porque acho que isso nunca lhe fez falta, fica aqui nosso registro e homenagem a um cidadão que também contribuiu para tornar nossa Barra Mansa uma cidade melhor.
Para quem não sabe, ele era pai do Marrequinho.
Lamentável: Assim como todo mundo, semana passada eu também presenciei o instrutivo “debate” entre Tasso e Renan. Alguém aí sabe dizer o que é um “cangaceiro de terceira”?
Dica de som: Bonfire – Fireworks. Hard Rock dos anos 80, o álbum traz clássicos como American nights, Ready 4 Reaction e Sweet obsession (regravada pelo Joe Lynn Turner). Valeu Sergio.
Abração, até breve.
P.S.: Desculpem a demora. Problemas técnicos como sempre.
*César Augusto Zadorosny é barramansense da gema e gosta de tomar uma gelada com os amigos de vez em quando na adega do Borracha.
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2ª coluna
Enquanto o blogueiro não vem...
Prezados três ou quatro leitores do blog,
nosso colunista César Zadorosny está enfrentando problemas técnicos para efetuar a postagem.
Enquanto ele resolve tais problemas (já, já a coluna dele estará no ar) nós colocamos esse post para comentários livres.
Críticas, elogios, sugestões, não só ao blog, mas em relação a qualquer assunto.
Sugestão da administração do blog: aproveitem o espaço para detonarem o presidente do Senado Federal. Quem? Aquele mesmo, Sir Ney, o único homem no mundo a possuir um personal Estado, que ele carinhosamente chama de Myranhão (copyright: José Simão, na Folha).
Abraços e obrigado pela audiência.
nosso colunista César Zadorosny está enfrentando problemas técnicos para efetuar a postagem.
Enquanto ele resolve tais problemas (já, já a coluna dele estará no ar) nós colocamos esse post para comentários livres.
Críticas, elogios, sugestões, não só ao blog, mas em relação a qualquer assunto.
Sugestão da administração do blog: aproveitem o espaço para detonarem o presidente do Senado Federal. Quem? Aquele mesmo, Sir Ney, o único homem no mundo a possuir um personal Estado, que ele carinhosamente chama de Myranhão (copyright: José Simão, na Folha).
Abraços e obrigado pela audiência.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
General Polidoro, 69
*por Alex Peres
Coincidências ocorrem na vida de todo mundo. Algumas são triviais, como receber um flush no pôquer, mas outras realmente chamam nossa atenção, como pensar em um amigo que não vemos há anos e recebermos um telefonema dele um pouco depois. O que esses eventos têm em comum é nosso desejo intenso em explicá-los, uma crença de que há uma razão especial para as coisas acontecerem da maneira que elas acontecem.
Acreditava que a maioria eram ocorrências inevitáveis sem nenhum significado especial.
Porém, me lembro de um livro que li há muitos anos, um Best Seller do esoterismo, A Profecia Celestina, de James Redfield, uma aventura sobre a busca de um antigo manuscrito que fora encontrado nas florestas peruanas, contendo nove visões que a humanidade precisava conhecer. Esse livro foi aplicado em mim na época por uma figura tradicional de Barra Mansa, o nosso amigo Pedrinho Bagana, gente boa, que me chamou a atenção sobre a sincronicidade.
Desde essa época tenho tratado certas coincidências com mais carinho.
Tudo isso é para contar um acontecimento, no mínimo curioso, que aconteceu comigo no fim de semana passado.
A história começa mais ou menos assim:
Precisava de um equipamento pra a empresa, e por se tratar de um equipamento relativamente caro fizemos uma pesquisa mais profunda de fornecedores. Encontramos alguns de São Paulo e apenas um do Rio. O preço no Rio estava acessível então optamos por lá. Marcamos de ir na sexta-feira passada, isso foi na terça-feira.
1ª coincidência: Na quarta feira, liga para a empresa uma vendedora desse mesmo produto, fazendo uma apresentação da sua empresa. Achei estranho, pois poderia ser um desvio de informação de concorrentes e ela aproveitado disso, mesmo assim peguei o endereço e telefone dela.
Fomos ao Rio, eu e minha esposa, e chegamos ao 1º fornecedor. Por ser na Barra tivemos que pegar a linha amarela e o engarrafamento era quilométrico, atrasamos algumas horas. Chegando lá o vendedor que entrara em contato conosco não pode nos atender e veio outro cara. Não gostamos do atendimento dele e abortamos a compra naquele local.
Decidimos então procurar a outra fornecedora. No sábado fomos até a sua loja, que era na Real Grandeza em Botafogo. Chegando lá fomos recepcionados muito bem e o produto dela era exatamente o que precisávamos, e ela disse que tinha ligado para a nossa empresa, pois tinha visto uma lista de potenciais clientes em nossa região.
Papo vai, papo vem, ela me perguntou:
- Vocês demoraram muito para encontrar o endereço?
- Não, eu já morei em Botafogo. Disse eu.
- Ah é, eu também moro aqui – disse ela, em um olhar sorridente. - e gosto muito, pois meu prédio fica próximo de Copacabana e da Lagoa.
- Eu morava na Rua General Polidoro, número 69. Disse eu.
Agora com os olhos bem abertos, fixos e com o ar surpreendente, ela disse:
- Eu moro nesse prédio.
Olhei para o rosto da minha esposa, e ela com o olhar de surpresa misturada com a desconfiança sempre existente na cabeça das mulheres, disse:
- Nossa que coincidência!!!
- E moro no apartamento 123456. - Disse a moça.
Coincidências ocorrem na vida de todo mundo. Algumas são triviais, como receber um flush no pôquer, mas outras realmente chamam nossa atenção, como pensar em um amigo que não vemos há anos e recebermos um telefonema dele um pouco depois. O que esses eventos têm em comum é nosso desejo intenso em explicá-los, uma crença de que há uma razão especial para as coisas acontecerem da maneira que elas acontecem.
Acreditava que a maioria eram ocorrências inevitáveis sem nenhum significado especial.
Porém, me lembro de um livro que li há muitos anos, um Best Seller do esoterismo, A Profecia Celestina, de James Redfield, uma aventura sobre a busca de um antigo manuscrito que fora encontrado nas florestas peruanas, contendo nove visões que a humanidade precisava conhecer. Esse livro foi aplicado em mim na época por uma figura tradicional de Barra Mansa, o nosso amigo Pedrinho Bagana, gente boa, que me chamou a atenção sobre a sincronicidade.
Desde essa época tenho tratado certas coincidências com mais carinho.
Tudo isso é para contar um acontecimento, no mínimo curioso, que aconteceu comigo no fim de semana passado.
A história começa mais ou menos assim:
Precisava de um equipamento pra a empresa, e por se tratar de um equipamento relativamente caro fizemos uma pesquisa mais profunda de fornecedores. Encontramos alguns de São Paulo e apenas um do Rio. O preço no Rio estava acessível então optamos por lá. Marcamos de ir na sexta-feira passada, isso foi na terça-feira.
1ª coincidência: Na quarta feira, liga para a empresa uma vendedora desse mesmo produto, fazendo uma apresentação da sua empresa. Achei estranho, pois poderia ser um desvio de informação de concorrentes e ela aproveitado disso, mesmo assim peguei o endereço e telefone dela.
Fomos ao Rio, eu e minha esposa, e chegamos ao 1º fornecedor. Por ser na Barra tivemos que pegar a linha amarela e o engarrafamento era quilométrico, atrasamos algumas horas. Chegando lá o vendedor que entrara em contato conosco não pode nos atender e veio outro cara. Não gostamos do atendimento dele e abortamos a compra naquele local.
Decidimos então procurar a outra fornecedora. No sábado fomos até a sua loja, que era na Real Grandeza em Botafogo. Chegando lá fomos recepcionados muito bem e o produto dela era exatamente o que precisávamos, e ela disse que tinha ligado para a nossa empresa, pois tinha visto uma lista de potenciais clientes em nossa região.
Papo vai, papo vem, ela me perguntou:
- Vocês demoraram muito para encontrar o endereço?
- Não, eu já morei em Botafogo. Disse eu.
- Ah é, eu também moro aqui – disse ela, em um olhar sorridente. - e gosto muito, pois meu prédio fica próximo de Copacabana e da Lagoa.
- Eu morava na Rua General Polidoro, número 69. Disse eu.
Agora com os olhos bem abertos, fixos e com o ar surpreendente, ela disse:
- Eu moro nesse prédio.
Olhei para o rosto da minha esposa, e ela com o olhar de surpresa misturada com a desconfiança sempre existente na cabeça das mulheres, disse:
- Nossa que coincidência!!!
- E moro no apartamento 123456. - Disse a moça.
Não é que era exatamente o apartamento onde eu tinha morado.
Não quis nem prolongar mais o assunto e nem perguntar a ela a data e local de nascimento, pois podia correr o risco de encontrar minha irmã gêmea que foi roubada na maternidade, rs!
Brincadeiras a parte, em um universo de milhões de moradias eu esbarrar nessa, é de fato muito interessante.
São coisas que acontecem com a gente que vale a pena compartilhar.
Acontecimento inusitado: Me lembro sobre eu, Bujão e Boi em Cusco no Perú, completamente desesperados, catando migalha para comprar uma passagem de avião. E quem surge na mesma calçada da rua em que passávamos? Outra grande figuraça de Barra Mansa, o Brother, que nos salvou nos emprestando alguns soles (Sol é a moeda peruana)... Essa eu deixo para outra coluna.
Um abraço a todos e até quinta que vem se Deus quiser.
* Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) tem 37 anos, casado, tem um casal de filhos lindos, trabalha com engenharia e cursa os últimos 3 meses de Engenharia Elétrica/Eletrônica, Analista de Sistemas, empresário, Músico e gosta de falar “m” nas horas vagas.
* Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) tem 37 anos, casado, tem um casal de filhos lindos, trabalha com engenharia e cursa os últimos 3 meses de Engenharia Elétrica/Eletrônica, Analista de Sistemas, empresário, Músico e gosta de falar “m” nas horas vagas.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Anjos da companhia
(Colunista convidada)
Nivea Moraes Marques*
“E os anjos da alegria, de asas abertas,
acompanham Descartes.”
Cecília Meireles
Os anjos de asas abertas acompanham meus passos. Nunca descuidam de mim. Nunca esquecem seus apontamentos sobre as falhas que em desleixo permito transparecer. Nunca permitem que um buraco seja um sem fim cair.
Na noite dos meus sonhos, suas asas pousam ao meu redor e a solidão que não me encontra me pede para despedir de mim o anjo protetor, o anjo guardião.
Sozinha nesses campos sem memória, sem lei, sem idioma, observo meus amigos e não dou tréguas a essas vidas que tão intimamente se uniram a minha. Às vezes finjo que não percebo o seu desenvolver, a sua vida nova, o seu jeito de gente grande. Mas é inevitável ver suas carinhas nos filhinhos que brotam como flores novas num jardim inaugural.
Presa nessa teia de informações e novidades quase choro a ausência de suas vozes juvenis, hoje são mais graves, são mais espertos, são mais prontos para o combate da vida. Se formaram, tem família para tanger...
Penso que não os conheço mais. E me olho também no espelho e vejo grandes coisas, vejo traços distantes e uma biografia de relevo acidentado.
Mas a noite se esvai e os dias me trazem os anjos de volta e sua inevitável companhia. Rezo com as contas pequenas e grandes do meu terço e prefiro não perceber que estou em sua presença, pois preciso estar só (preciso espiar Deus).
Nesses períodos de semi-solidão acordo para velhos sentimentos e estou rodeada de sorrisos, meus amigos são os mesmos, com um pouco mais de envergadura, mas são os mesmos meninos que sonhavam, que meditavam o cotidiano das coisas e que ainda não se envergonham de dizer que amam muito e que sonham com muito mais.
*Nivea Moraes Marques (nívea@barramansa.rj.gov.br) tem 33 anos, é divorciada, advogada e poeta e como nasceu soprano, não pode se desgrudar de um certo lirismo piegas.
Nivea Moraes Marques*
“E os anjos da alegria, de asas abertas,
acompanham Descartes.”
Cecília Meireles
Os anjos de asas abertas acompanham meus passos. Nunca descuidam de mim. Nunca esquecem seus apontamentos sobre as falhas que em desleixo permito transparecer. Nunca permitem que um buraco seja um sem fim cair.
Na noite dos meus sonhos, suas asas pousam ao meu redor e a solidão que não me encontra me pede para despedir de mim o anjo protetor, o anjo guardião.
Sozinha nesses campos sem memória, sem lei, sem idioma, observo meus amigos e não dou tréguas a essas vidas que tão intimamente se uniram a minha. Às vezes finjo que não percebo o seu desenvolver, a sua vida nova, o seu jeito de gente grande. Mas é inevitável ver suas carinhas nos filhinhos que brotam como flores novas num jardim inaugural.
Presa nessa teia de informações e novidades quase choro a ausência de suas vozes juvenis, hoje são mais graves, são mais espertos, são mais prontos para o combate da vida. Se formaram, tem família para tanger...
Penso que não os conheço mais. E me olho também no espelho e vejo grandes coisas, vejo traços distantes e uma biografia de relevo acidentado.
Mas a noite se esvai e os dias me trazem os anjos de volta e sua inevitável companhia. Rezo com as contas pequenas e grandes do meu terço e prefiro não perceber que estou em sua presença, pois preciso estar só (preciso espiar Deus).
Nesses períodos de semi-solidão acordo para velhos sentimentos e estou rodeada de sorrisos, meus amigos são os mesmos, com um pouco mais de envergadura, mas são os mesmos meninos que sonhavam, que meditavam o cotidiano das coisas e que ainda não se envergonham de dizer que amam muito e que sonham com muito mais.
*Nivea Moraes Marques (nívea@barramansa.rj.gov.br) tem 33 anos, é divorciada, advogada e poeta e como nasceu soprano, não pode se desgrudar de um certo lirismo piegas.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Jabá
por Mozart Valle Neto*
Antes de falar do tema vou aproveitar para convidar a todos nossos 1374 leitores para uma boca livre. Eu como marketeiro de plantão não podia de deixar de fazer o primeiro jabá. A parada é a seguinte: O Fotógrafo André Sodré lança amanhã 12 de agosto à exposição de fotografias “Dreenst” no bar e danceteria Dekalê, em Volta Redonda, às 20 horas. Para quem não estiver ligando o nome à pessoa eu explico: Esse é o Drácula.
Grande amigo, já ministramos aulas na faculdade, fizemos cursos juntos, ele já fez fotos e dirigiu dois filmes institucionais para onde eu trabalhava. Mas apesar de todo este relacionamento comercial. A história que mais me lembro dele se passou no Soneto, alguém lembra? Estávamos todos lá tocando violão, bebendo cerveja e comendo azeitona com amendoim. Ai entra o Drácula, com um sobretudo preto – foi a primeira vez que o vi – cumprimenta alguns da mesa e saca uma gaita e começa a acompanhar o som. Muito legal. Eu estava vidrado, ele representava tudo que eu queria ser naquela época. Um cara mais velho, com estilo, músico. Aí quando acabou uma música ele falou para o Alex. Toca um rockzinho, tipo íe-íe-íe que agora eu vou cantar. Ele começou:
One, two, three, four, five!
Six, seven, eight, nine!
One, two, three, four, five!
Six, seven, eight, nine!
Aí, todo mundo pensou que a letra ia começar, mas:
One, two, three, four, five!
Six, seven, eight, nine!
One, two, three, four, five!
Six, seven, eight, nine!
De novo e novamente. Ai o pessoal pegou é ficamos cantando aquele refrão por uns 10 minutos. Contagiamos o bar. Todos cantavam e batiam palmas juntos. Uma das mais legais lembranças que eu tenho da minha juventude.
Sucesso
Como medir o sucesso de uma pessoa? Essa é uma pergunta que me faço muitas vezes.
Como sabemos de verdade se somos uma pessoa bem sucedida. Será que pela conta bancária? Será pela quantidade de bens que possui? Será que pela posição que ocupa?
Na minha opinião o sucesso está muito mais ligado à realização pessoal do qualquer outra coisa. Se conseguirmos fazer aquilo que gostamos, estamos mais perto do nosso sucesso.
Uma vez, eu estava meio perdido, sem opções de vida e uma amiga do Rio me levou no seu guru. Confesso que estava com um pé atrás, mas a amizade era longa e sabia que ela não ia me colocar em furada. Chegando lá o guru falou um monte de coisas, acertou muito sobre minha personalidade e foi bastante específico. O que gerou uma grande credibilidade da minha parte.
Six, seven, eight, nine!
One, two, three, four, five!
Six, seven, eight, nine!
Aí, todo mundo pensou que a letra ia começar, mas:
One, two, three, four, five!
Six, seven, eight, nine!
One, two, three, four, five!
Six, seven, eight, nine!
De novo e novamente. Ai o pessoal pegou é ficamos cantando aquele refrão por uns 10 minutos. Contagiamos o bar. Todos cantavam e batiam palmas juntos. Uma das mais legais lembranças que eu tenho da minha juventude.
Sucesso
Como medir o sucesso de uma pessoa? Essa é uma pergunta que me faço muitas vezes.
Como sabemos de verdade se somos uma pessoa bem sucedida. Será que pela conta bancária? Será pela quantidade de bens que possui? Será que pela posição que ocupa?
Na minha opinião o sucesso está muito mais ligado à realização pessoal do qualquer outra coisa. Se conseguirmos fazer aquilo que gostamos, estamos mais perto do nosso sucesso.
Uma vez, eu estava meio perdido, sem opções de vida e uma amiga do Rio me levou no seu guru. Confesso que estava com um pé atrás, mas a amizade era longa e sabia que ela não ia me colocar em furada. Chegando lá o guru falou um monte de coisas, acertou muito sobre minha personalidade e foi bastante específico. O que gerou uma grande credibilidade da minha parte.
Ele falou que eu podia fazer qualquer coisa que no começo daria certo, mas com o tempo eu iria perder o interesse é ia começar a me auto sabotar. E falou que isto só deixaria de acontecer quando eu resgatasse o meu carma. Fiquei meio assim, mas perguntei: qual o meu carma? Ele falou que eu tinha que ser responsável pelo crescimento pessoal das pessoas e que deveria ser menos egoísta. Fiquei pensado! Eu egoísta. Essa palavra me feriu e deixei isto tudo para lá. Eu não podia me considerar com este sentimento tão ruim.
O tempo passou é descobri que ele estava certo. Eu não era egoísta com minhas coisas. Eu era egoísta com o meu conhecimento. Queria aprender e guardar tudo para poder usar quando precisar. Quando eu comecei a dar aula tudo mudou. Comecei a sentir um prazer enorme de ensinar. E a cada dia eu passo a ser uma pessoa melhor e envolvido com o crescimento pessoal de cada um que conheço.
Todas as minhas atividades hoje estão voltadas para isso. Dando aulas, ministrando cursos ou até mesmo escrevendo aqui no Estação BM. Estou focado em passar minhas experiências. Estou cada dia mais feliz!
* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 37 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, mas no Estação BM é o cara que faz as perguntas e está em busca das respostas.
O tempo passou é descobri que ele estava certo. Eu não era egoísta com minhas coisas. Eu era egoísta com o meu conhecimento. Queria aprender e guardar tudo para poder usar quando precisar. Quando eu comecei a dar aula tudo mudou. Comecei a sentir um prazer enorme de ensinar. E a cada dia eu passo a ser uma pessoa melhor e envolvido com o crescimento pessoal de cada um que conheço.
Todas as minhas atividades hoje estão voltadas para isso. Dando aulas, ministrando cursos ou até mesmo escrevendo aqui no Estação BM. Estou focado em passar minhas experiências. Estou cada dia mais feliz!
* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 37 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, mas no Estação BM é o cara que faz as perguntas e está em busca das respostas.
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2ª coluna
AS COISAS SEMPRE MELHORAM?
por Carlos Vinicius Rosenburg*
Numa dessas segundas, como hoje, passei numa banca de jornais, antes do trabalho, para dar aquela tradicional olhada nas boas novas (ou nem tanto), nessa espécie de clipping informal diário que os jornaleiros nos proporcionam, quando ouvi um senhor e uma senhora comentando uma notícia (acho que era um caso de um pai matando um filho). Eles diziam, do alto de seus setenta e muitos, que aquilo era um sinal do fim dos tempos, que as coisas estavam piorando. Apesar de ter ouvido, não me intrometi na conversa.
Mas aqui no blog vou colocar a minha esquiva colher nesse escaldante caldo. É realmente o fim do mundo ou, ao contrário, as coisas estão melhorando?
Para início de conversa, não dá para fugir daquele velho clichê do copo com água pela metade. Para o otimista, está mais ou menos cheio; para o pessimista, mais ou menos vazio.
Pois bem, me veio uma lembrança de um dos almoços que costumavam acontecer na casa da minha avó, em uma chácara em Arrozal, distrito de Piraí/RJ, aos domingos.
Conversávamos todos quando, lá pelas tantas, o meu avô disse que a vida havia melhorado. Eu, com toda arrogância dos meus dezoito ou dezenove anos, militante esquerdista, comecei a soltar frases feitas, afirmando que quem dizia isso era manipulado pelos grandes meios de comunicação, que não possuía senso crítico, que era uma visão conformista e todo aquele discurso panfletário. Aí, minha avó, que não era muito de falar, disse que não concordava comigo, e afirmou que as coisas melhoraram sim. Disse que não existia água encanada, luz, o sarampo matava etc. (todos esses confortos que eu, com meu discurso panfletário, adorava e adoro). Fiquei quieto, apesar de achar que estava certo, dentro daquela empáfia (pós)adolescente.
Mas, vejam vocês, o tempo passa, a vida ensina, e eis que hoje só posso concordar com a minha avó. Minha petulância não me deixava enxergar que a experiência, por vezes, é a maior professora. Muitos dirão: mas e as desigualdades, a violência, o desemprego? Não, meus caros, não estou vendendo aqui a existência de um Eldorado, de um mundo perfeito. Mas há razões para minha mudança de posição.
Há muitos anos, nos primórdios, morávamos nas cavernas e trazíamos as mulheres pelos cabelos. Depois, passamos a construir nossas próprias moradias, em lugar fixo. Vieram as cidades, surgiram facilidades, as estradas disseminaram o conhecimento das diferentes sociedades. Havia escravos, alguns jogos consistiam em jogar homens aos leões, as penas eram verdadeiros suplícios (esquartejamento, amputação de membros etc.). Veio a Revolução Industrial e com ela as jornadas de trabalho de quase vinte horas diárias, inclusive para crianças. Não havia anestesia, antibióticos, penicilina, a gripe matava homens como se fossem ratos (olha a gripe aí novamente...) e as comunicações eram feitas por mensageiros, depois pelo telégrafo. As viagens duravam dias, semanas, meses. Não podemos negar que há muita coisa diferente hoje, seja em que área for (saúde, alimentos, condições de trabalho, moradia, comunicações, transportes etc.). Não nos esqueçamos de que problemas temos, desde tempos imemoriais, e a manchete lida pelos idosos citados no início do texto comprova isso, basta lembrarmos de Caim e Abel.
Tudo bem, eu sei, várias objeções podem ser feitas a isso, como, por exemplo, o que tudo isso custou ao planeta, ou os problemas de estresse, a distância entre as pessoas, o egoísmo, a concentração de renda, a extrema pobreza de alguns povos, outras doenças, alimentos geneticamente modificados etc.
Apesar disso tudo, ainda continuo achando que as coisas melhoram. Se a melhora não é maior, isso se dá certamente pelo fato de ainda sermos humanos, bichos cheios de defeitos.
Como perguntou o título, melhoram sempre? Tudo? Não. Nem sempre, nem tudo. Mas, no geral, melhoram sim, disso não tenho a menor dúvida, mesmo sabendo que muitos me acusarão de ser, no mínimo, reacionário, conservador e careta. Fazer o quê?
E você, o que acha?
*Carlos Vinicius Rosenburg tem 36 anos, é casado, analista judiciário do TJRJ (pós-graduado em Direito Constitucional) e acha que as coisas estão melhorando, inclusive o seu Flamengo, que ontem sapecou aquele timeco de São Paulo (uma espécie de Flamengo Cover). Escreve também no blog Confraria Jurídica (http://confrariajuridica.blogspot.com).
Numa dessas segundas, como hoje, passei numa banca de jornais, antes do trabalho, para dar aquela tradicional olhada nas boas novas (ou nem tanto), nessa espécie de clipping informal diário que os jornaleiros nos proporcionam, quando ouvi um senhor e uma senhora comentando uma notícia (acho que era um caso de um pai matando um filho). Eles diziam, do alto de seus setenta e muitos, que aquilo era um sinal do fim dos tempos, que as coisas estavam piorando. Apesar de ter ouvido, não me intrometi na conversa.
Mas aqui no blog vou colocar a minha esquiva colher nesse escaldante caldo. É realmente o fim do mundo ou, ao contrário, as coisas estão melhorando?
Para início de conversa, não dá para fugir daquele velho clichê do copo com água pela metade. Para o otimista, está mais ou menos cheio; para o pessimista, mais ou menos vazio.
Pois bem, me veio uma lembrança de um dos almoços que costumavam acontecer na casa da minha avó, em uma chácara em Arrozal, distrito de Piraí/RJ, aos domingos.
Conversávamos todos quando, lá pelas tantas, o meu avô disse que a vida havia melhorado. Eu, com toda arrogância dos meus dezoito ou dezenove anos, militante esquerdista, comecei a soltar frases feitas, afirmando que quem dizia isso era manipulado pelos grandes meios de comunicação, que não possuía senso crítico, que era uma visão conformista e todo aquele discurso panfletário. Aí, minha avó, que não era muito de falar, disse que não concordava comigo, e afirmou que as coisas melhoraram sim. Disse que não existia água encanada, luz, o sarampo matava etc. (todos esses confortos que eu, com meu discurso panfletário, adorava e adoro). Fiquei quieto, apesar de achar que estava certo, dentro daquela empáfia (pós)adolescente.
Mas, vejam vocês, o tempo passa, a vida ensina, e eis que hoje só posso concordar com a minha avó. Minha petulância não me deixava enxergar que a experiência, por vezes, é a maior professora. Muitos dirão: mas e as desigualdades, a violência, o desemprego? Não, meus caros, não estou vendendo aqui a existência de um Eldorado, de um mundo perfeito. Mas há razões para minha mudança de posição.
Há muitos anos, nos primórdios, morávamos nas cavernas e trazíamos as mulheres pelos cabelos. Depois, passamos a construir nossas próprias moradias, em lugar fixo. Vieram as cidades, surgiram facilidades, as estradas disseminaram o conhecimento das diferentes sociedades. Havia escravos, alguns jogos consistiam em jogar homens aos leões, as penas eram verdadeiros suplícios (esquartejamento, amputação de membros etc.). Veio a Revolução Industrial e com ela as jornadas de trabalho de quase vinte horas diárias, inclusive para crianças. Não havia anestesia, antibióticos, penicilina, a gripe matava homens como se fossem ratos (olha a gripe aí novamente...) e as comunicações eram feitas por mensageiros, depois pelo telégrafo. As viagens duravam dias, semanas, meses. Não podemos negar que há muita coisa diferente hoje, seja em que área for (saúde, alimentos, condições de trabalho, moradia, comunicações, transportes etc.). Não nos esqueçamos de que problemas temos, desde tempos imemoriais, e a manchete lida pelos idosos citados no início do texto comprova isso, basta lembrarmos de Caim e Abel.
Tudo bem, eu sei, várias objeções podem ser feitas a isso, como, por exemplo, o que tudo isso custou ao planeta, ou os problemas de estresse, a distância entre as pessoas, o egoísmo, a concentração de renda, a extrema pobreza de alguns povos, outras doenças, alimentos geneticamente modificados etc.
Apesar disso tudo, ainda continuo achando que as coisas melhoram. Se a melhora não é maior, isso se dá certamente pelo fato de ainda sermos humanos, bichos cheios de defeitos.
Como perguntou o título, melhoram sempre? Tudo? Não. Nem sempre, nem tudo. Mas, no geral, melhoram sim, disso não tenho a menor dúvida, mesmo sabendo que muitos me acusarão de ser, no mínimo, reacionário, conservador e careta. Fazer o quê?
E você, o que acha?
*Carlos Vinicius Rosenburg tem 36 anos, é casado, analista judiciário do TJRJ (pós-graduado em Direito Constitucional) e acha que as coisas estão melhorando, inclusive o seu Flamengo, que ontem sapecou aquele timeco de São Paulo (uma espécie de Flamengo Cover). Escreve também no blog Confraria Jurídica (http://confrariajuridica.blogspot.com).
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2ª coluna
domingo, 9 de agosto de 2009
Quem morre no sábado, enterra no domingo?
Por Valério Cortez *
Sei lá, mas sei que era assim que a molecada, nos meus tempos de criança, sacaneava aqueles que tinham tido o azar de serem batizados de Domingos.
Mas não se preocupem, não estou com estas lembranças, iniciando uma faxina no armário do tempo, já tão repleto de esqueletos e fantasmas, estou querendo apenas falar do dia de domingo, que é a parte que me cabe neste latifúndio.
A palavra domingo é originaria do latim “dies Dominicius” que significa “dia do Senhor”. Em frances é di manche, em italiano é domenica, em alemão é sonntag e em inglês sunday.
Mas o grande barato de toda a simbologia que envolve o domingo, é que segundo a bíblia em “Genesis 1,3”, foi neste dia que Deus iniciou a criação do mundo. Deus disse “Faça-se a luz”! e a luz se fez.
Portanto, segundo a fundamentação bíblica e etimológica, o domingo é considerado o primeiro dia da semana.
Porém, para complicar um pouco, por questões de normatização e ordenação de trabalho e lazer (ISO), considera-se o domingo o último dia da semana.
Mas sendo o primeiro ou o ultimo dia da semana, bíblico ou normatizado, o domingo é para todos nós, o dia da família, enquanto o sábado parece ser o dia dos homens (cerveja, amigos, futebol), o domingo é o dia da esposa, dos filhos, da sogra, dos cunhados e até do cachorro.
Domingo é o dia da família e da total falta de pressa.
Porém, há exatos 36 anos atrás, a TV Globo inventou o programa “Fantástico”, que com sua indefectível musiquinha de encerramento, mesmo nestes tempos de Sky, nos invade pelos ouvidos e poros, vinda sei lá de onde, dando por encerrado o domingo e antecipando em nossos corações e mentes as agruras da 2° feira.
*Domingos é aquele que nasce no domingo.
Pergunta que não quer se calar (n°1)
Se eu te convidar para tomar uma gelada na Lanchonete Paraná, onde iremos tomar esta cerveja?
Vale 10 geladas pagas no local.
Dica gastronômica da semana
Queijo coalho com mel
*Luiz Valério Cortez da Costa, 53 anos, casado, engenheiro, funcionário público e ativista do Movimento em Defesa dos Estranhos & Esquisitos.
Sei lá, mas sei que era assim que a molecada, nos meus tempos de criança, sacaneava aqueles que tinham tido o azar de serem batizados de Domingos.
Mas não se preocupem, não estou com estas lembranças, iniciando uma faxina no armário do tempo, já tão repleto de esqueletos e fantasmas, estou querendo apenas falar do dia de domingo, que é a parte que me cabe neste latifúndio.
A palavra domingo é originaria do latim “dies Dominicius” que significa “dia do Senhor”. Em frances é di manche, em italiano é domenica, em alemão é sonntag e em inglês sunday.
Mas o grande barato de toda a simbologia que envolve o domingo, é que segundo a bíblia em “Genesis 1,3”, foi neste dia que Deus iniciou a criação do mundo. Deus disse “Faça-se a luz”! e a luz se fez.
Portanto, segundo a fundamentação bíblica e etimológica, o domingo é considerado o primeiro dia da semana.
Porém, para complicar um pouco, por questões de normatização e ordenação de trabalho e lazer (ISO), considera-se o domingo o último dia da semana.
Mas sendo o primeiro ou o ultimo dia da semana, bíblico ou normatizado, o domingo é para todos nós, o dia da família, enquanto o sábado parece ser o dia dos homens (cerveja, amigos, futebol), o domingo é o dia da esposa, dos filhos, da sogra, dos cunhados e até do cachorro.
Domingo é o dia da família e da total falta de pressa.
Porém, há exatos 36 anos atrás, a TV Globo inventou o programa “Fantástico”, que com sua indefectível musiquinha de encerramento, mesmo nestes tempos de Sky, nos invade pelos ouvidos e poros, vinda sei lá de onde, dando por encerrado o domingo e antecipando em nossos corações e mentes as agruras da 2° feira.
*Domingos é aquele que nasce no domingo.
Pergunta que não quer se calar (n°1)
Se eu te convidar para tomar uma gelada na Lanchonete Paraná, onde iremos tomar esta cerveja?
Vale 10 geladas pagas no local.
Dica gastronômica da semana
Queijo coalho com mel
*Luiz Valério Cortez da Costa, 53 anos, casado, engenheiro, funcionário público e ativista do Movimento em Defesa dos Estranhos & Esquisitos.
sábado, 8 de agosto de 2009
Rock & Roll Hall of Fame - NYC
Por Luciano Romanieli *
Recém-chegado à Nova York e sem nenhum amigo por perto para tomar uma gelada e jogar papo fora, ao mesmo tempo cheio de idéias para trocar a respeito dessa cidade fantástica; eis que surge o convite para participar do Blog EstacaoBM, era que eu precisava, tudo que vejo faço um link direto com os meus amigos. Esse será um canal perfeito de comunicação.
Assim que cheguei vi um cartaz com aquela foto clássica do John Lennon com a camiseta “I love New York” lembrei na hora do Buja, até porque no ap dele do Flamengo tinha esse quadro. O cartaz é a respeito de uma exposição do Lennon criada pela Yoko Ono.
Pretendia visitar hoje o MoMA (The Museum of Modern Art) para escrever o meu primeiro texto, ontém peguei em uma caixa de jornal um guia cultural http://www.thelmagazine.com/ para saber o endereço do museu, na busca descobri que existe um museu do Rock ( Rock and Roll Hall of Fame – http://rockhall.com/) e que a exposição do Lennon estava lá. Mudei o meu destino.
O museu do Rock fica no coração do SoHo, que é uma das vizinhanças mais ecléticas de Manhattan, em uma rua parece que você está na China, foi engraçado ver o M do Mc Donalds com 3 letras chinesas embaixo, duas quadras acima fica a Little Italy com várias cantinas, as ruas estavam fechadas e as mesas nas calçadas com aquele falatório tipico do Italianos.
Chegando ao museu descolei um desconto com a minha tradicional carteirinha de estudante. Essa é quente é do College que estou cursando. Assim que você chega no museu tem uma sala de espera para formar um grupo, nas paredes tem várias placas com assinaturas dos principais nomes do rock, organizadas por ano, quando a música toca ascendem as placas com os nomes dos componentes das bandas e suas assinaturas, no meu tempo de espera rolou Sex Pistols, Van-Halen e Creedence Clearwater. Com o grupo formado, fomos para uma sala de projeção (lembrei do Verbo) o filme apresenta a trajetória do Rock , na parede da frente mostrava o artista e as paredes laterais os cartazes dos shows, o filme apresenta John Lee, Muddy Waters, Folk Blues – Gospel Concert, Jerre Lee Lewis, Chuck Berry, Elvis Presley, Ray Charles, Aretha Franklim, James Brow, Ike and Tina Tuner (magrinha sem aquelas coxas grossas), Otis Redding, The Beatles, The Rolling Stones, The Who, The Doors, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Neil Young and Crazy Horse, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, The Secret Policeman’s Ball, Prince, Queen, The Police, Patti Smith, The Clash e termina com o U2. Senti falta do Black Sabbath, Aerosmith e AC/DC. Espero que essa lista sirva de sugestão para downloads de MP3, é o que eu estou fazendo agora.
Terminada a projeção recebi um fone para orientar a visita ao acervo, tem muita coisa, desde aquele macacão branco tradicional do Elvis Presley, a Fender do Jimi Hendrix e o suporte para gaita do Bob Dylan. A guitarra que eu achei mais lindas é do Joe Satriani, uma Ibanez JS Serie Model 1000, linda parece feita de mercúrio.
Na última sala do museu fica a exposição do Lennon, também com muitas coisas pessoais e vídeos muito loucos dele com a Yoko, na sala tem um telefone branco que somente a Yoko liga para ele, você pode está assistindo a exposição e falar com ela. A sala é toda branca, passa muita paz. Foi a respeito disso “Paz e amor” que eu escrevi no painel de mensagem deixando também a URL do blog estacaoBM.
* Luciano Romanieli foi criado no larguinho da Jansen de Melo, estudou no Verbo Divino, é filho do João Leiteiro e da Dona Lourdes e todos em Barra Mansa o conhecem como Boi. Atualmente vive em NYC e trabalha com Tecnologia da Informação.
Recém-chegado à Nova York e sem nenhum amigo por perto para tomar uma gelada e jogar papo fora, ao mesmo tempo cheio de idéias para trocar a respeito dessa cidade fantástica; eis que surge o convite para participar do Blog EstacaoBM, era que eu precisava, tudo que vejo faço um link direto com os meus amigos. Esse será um canal perfeito de comunicação.
Assim que cheguei vi um cartaz com aquela foto clássica do John Lennon com a camiseta “I love New York” lembrei na hora do Buja, até porque no ap dele do Flamengo tinha esse quadro. O cartaz é a respeito de uma exposição do Lennon criada pela Yoko Ono.
Pretendia visitar hoje o MoMA (The Museum of Modern Art) para escrever o meu primeiro texto, ontém peguei em uma caixa de jornal um guia cultural http://www.thelmagazine.com/ para saber o endereço do museu, na busca descobri que existe um museu do Rock ( Rock and Roll Hall of Fame – http://rockhall.com/) e que a exposição do Lennon estava lá. Mudei o meu destino.
O museu do Rock fica no coração do SoHo, que é uma das vizinhanças mais ecléticas de Manhattan, em uma rua parece que você está na China, foi engraçado ver o M do Mc Donalds com 3 letras chinesas embaixo, duas quadras acima fica a Little Italy com várias cantinas, as ruas estavam fechadas e as mesas nas calçadas com aquele falatório tipico do Italianos.
Chegando ao museu descolei um desconto com a minha tradicional carteirinha de estudante. Essa é quente é do College que estou cursando. Assim que você chega no museu tem uma sala de espera para formar um grupo, nas paredes tem várias placas com assinaturas dos principais nomes do rock, organizadas por ano, quando a música toca ascendem as placas com os nomes dos componentes das bandas e suas assinaturas, no meu tempo de espera rolou Sex Pistols, Van-Halen e Creedence Clearwater. Com o grupo formado, fomos para uma sala de projeção (lembrei do Verbo) o filme apresenta a trajetória do Rock , na parede da frente mostrava o artista e as paredes laterais os cartazes dos shows, o filme apresenta John Lee, Muddy Waters, Folk Blues – Gospel Concert, Jerre Lee Lewis, Chuck Berry, Elvis Presley, Ray Charles, Aretha Franklim, James Brow, Ike and Tina Tuner (magrinha sem aquelas coxas grossas), Otis Redding, The Beatles, The Rolling Stones, The Who, The Doors, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Neil Young and Crazy Horse, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, The Secret Policeman’s Ball, Prince, Queen, The Police, Patti Smith, The Clash e termina com o U2. Senti falta do Black Sabbath, Aerosmith e AC/DC. Espero que essa lista sirva de sugestão para downloads de MP3, é o que eu estou fazendo agora.
Terminada a projeção recebi um fone para orientar a visita ao acervo, tem muita coisa, desde aquele macacão branco tradicional do Elvis Presley, a Fender do Jimi Hendrix e o suporte para gaita do Bob Dylan. A guitarra que eu achei mais lindas é do Joe Satriani, uma Ibanez JS Serie Model 1000, linda parece feita de mercúrio.
Na última sala do museu fica a exposição do Lennon, também com muitas coisas pessoais e vídeos muito loucos dele com a Yoko, na sala tem um telefone branco que somente a Yoko liga para ele, você pode está assistindo a exposição e falar com ela. A sala é toda branca, passa muita paz. Foi a respeito disso “Paz e amor” que eu escrevi no painel de mensagem deixando também a URL do blog estacaoBM.
* Luciano Romanieli foi criado no larguinho da Jansen de Melo, estudou no Verbo Divino, é filho do João Leiteiro e da Dona Lourdes e todos em Barra Mansa o conhecem como Boi. Atualmente vive em NYC e trabalha com Tecnologia da Informação.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
ALVÍSSARAS
Por César Augusto Zadorosny*
Caros amigos, hoje é minha primeira participação no Estação BM e quero desde cumprimentar o Vinícius (Buja) deixando registrado sua excelente iniciativa de arquitetar esse ponto de encontro virtual que, acredito, renderá boas discussões e, acima de tudo, ótimas risadas.
Minha pouca prática em escrever fora do ambiente de trabalho torna difícil a busca de um tema de estreia. Penso que obrigatoriamente deveria desenvolver algo ligado à Barra Mansa, homenageando, assim, nossa bela e bucólica cidade que batiza o blog, mas deixarei isso para outra oportunidade.
Hoje estou aqui olhando o bloco de rascunho e a caneta esferográfica – ainda luto contra a tecnologia – e os dizeres que ela traz “Lembrança de São Lourenço – Sul de Minas” tornam irresistível dividir com vocês a experiência bacana que tive no último final de semana.
Bom, vamos lá. Eu e minha senhora fomos convidados para apadrinhar um casal de amigos que decidiu contrair núpcias na cidade natal da noiva, a agradável São Lourenço.
O casório correu como manda o figurino, reinando a conhecida hospitalidade mineira; só para ter uma ideia, além do tradicional churrasco de almoço, teve até jogo de truco e pinhão assado na brasa.
Esse também fica para a próxima. O que eu quero contar é sobre alguns pontos da viagem que me chamaram a atenção e que vale à pena dividir.
Por favor, esqueçam os detalhes técnicos como quilometragem, condições climáticas, pedágios etc., o que interessa mesmo são os detalhes não técnicos que passo a contar.
Já fora da Dutra e um pouco antes do início da subida da serra você já nota que está chegando em Minas, pois começa a notar uma mudança nos letreiros das placas. Em vez de “Tudo por 1,99”, “Fulano Veículos” e “Beltrano veículos”, você passa a ver “Casa do pão de queijo”, por exemplo.
E essa é primeira parada. A especialidade é ... pão de queijo – óbvio – e café preto, ambos fumegantes, tudo de primeira e você já fica bem desperto para encarar as seqüências de curvas fechadas e apreciar a bela paisagem. A dica é bem simples, vá devagar e ficará babando no visual.
A próxima parada é Itamonte que fica cerca 40Km antes de São Lourenço e é acesso para a parte alta do Parque Nacional de Itatiaia. Amigos, é parada obrigatória. Ainda na rodovia, mas já dentro da cidade, você encontra antes do posto de gasolina, à esquerda, uma lanchonete grande e de paredes azuis desbotadas, com uma placa na parede do lado de fora que despretensiosamente alerta: “Temos pastel”.
Há várias opões de sabores: carne e queijo! Naquele dia em questão, o sujeito do balcão abriu a massa ali na frente de todos, usando um moderno equipamento consistente em dois rolos e uma manivela conectados por peças igualmente fabricadas por avançada engenharia. Recheou a massa, partiu e mergulhou os pasteis em óleo quente; algumas cambalhotas no óleo e está pronto! Vão por mim, vocês não acharão nada igual por aqui.
A propósito, para quem não sabe, Itamonte é a terra do Guaraná Mantiqueira e nessa lanchonete, como na cidade toda, tem o imbatível caçulinha, além da tradicional garrafa marrom de 600ml. Obrigatório.
Quanto à São Lourenço, há ótimas opões de rango, sobretudo, para quem quiser apreciar uma saudável leitoa pururuca. Minha sugestão é a porção de lingüiça com provolone que é servida nos bares que ficam no largo (calçadão) em frente à entrada do Parque das Águas. Com cerveja (ou vinho) e a companhia de amigos, não há melhor opção.
Tem gente que vai dizer que é programa para a terceira idade e, de fato, tem hora que você acreditará que está numa excursão organizada pela Vila Vicentina; mas, nessas horas, me recordo do que disse um amigo há quinze anos numa pelada de fim de semana, depois de um lançamento em profundidade que ele nem ameaçou correr: Você tá pensando que ainda sou um garoto??? Acabou a pelada.
P.S.: Fico devendo a dica da empadinha que é servida em Pouso Alto, pois o Abreu e Julinho Cambraia não conseguiram me explicar com exatidão onde ficava o local. Vale dar um desconto devido ao adiantado da hora no Borracha.
Abração e até breve.
* César Augusto Zadorosny tem 35 anos, é pai de Júlia e esposo de Cris. Possui formação profissional em Administração e Direito. Torce e sofre pelo seu querido Tricolor carioca.
Caros amigos, hoje é minha primeira participação no Estação BM e quero desde cumprimentar o Vinícius (Buja) deixando registrado sua excelente iniciativa de arquitetar esse ponto de encontro virtual que, acredito, renderá boas discussões e, acima de tudo, ótimas risadas.
Minha pouca prática em escrever fora do ambiente de trabalho torna difícil a busca de um tema de estreia. Penso que obrigatoriamente deveria desenvolver algo ligado à Barra Mansa, homenageando, assim, nossa bela e bucólica cidade que batiza o blog, mas deixarei isso para outra oportunidade.
Hoje estou aqui olhando o bloco de rascunho e a caneta esferográfica – ainda luto contra a tecnologia – e os dizeres que ela traz “Lembrança de São Lourenço – Sul de Minas” tornam irresistível dividir com vocês a experiência bacana que tive no último final de semana.
Bom, vamos lá. Eu e minha senhora fomos convidados para apadrinhar um casal de amigos que decidiu contrair núpcias na cidade natal da noiva, a agradável São Lourenço.
O casório correu como manda o figurino, reinando a conhecida hospitalidade mineira; só para ter uma ideia, além do tradicional churrasco de almoço, teve até jogo de truco e pinhão assado na brasa.
Esse também fica para a próxima. O que eu quero contar é sobre alguns pontos da viagem que me chamaram a atenção e que vale à pena dividir.
Por favor, esqueçam os detalhes técnicos como quilometragem, condições climáticas, pedágios etc., o que interessa mesmo são os detalhes não técnicos que passo a contar.
Já fora da Dutra e um pouco antes do início da subida da serra você já nota que está chegando em Minas, pois começa a notar uma mudança nos letreiros das placas. Em vez de “Tudo por 1,99”, “Fulano Veículos” e “Beltrano veículos”, você passa a ver “Casa do pão de queijo”, por exemplo.
E essa é primeira parada. A especialidade é ... pão de queijo – óbvio – e café preto, ambos fumegantes, tudo de primeira e você já fica bem desperto para encarar as seqüências de curvas fechadas e apreciar a bela paisagem. A dica é bem simples, vá devagar e ficará babando no visual.
A próxima parada é Itamonte que fica cerca 40Km antes de São Lourenço e é acesso para a parte alta do Parque Nacional de Itatiaia. Amigos, é parada obrigatória. Ainda na rodovia, mas já dentro da cidade, você encontra antes do posto de gasolina, à esquerda, uma lanchonete grande e de paredes azuis desbotadas, com uma placa na parede do lado de fora que despretensiosamente alerta: “Temos pastel”.
Há várias opões de sabores: carne e queijo! Naquele dia em questão, o sujeito do balcão abriu a massa ali na frente de todos, usando um moderno equipamento consistente em dois rolos e uma manivela conectados por peças igualmente fabricadas por avançada engenharia. Recheou a massa, partiu e mergulhou os pasteis em óleo quente; algumas cambalhotas no óleo e está pronto! Vão por mim, vocês não acharão nada igual por aqui.
A propósito, para quem não sabe, Itamonte é a terra do Guaraná Mantiqueira e nessa lanchonete, como na cidade toda, tem o imbatível caçulinha, além da tradicional garrafa marrom de 600ml. Obrigatório.
Quanto à São Lourenço, há ótimas opões de rango, sobretudo, para quem quiser apreciar uma saudável leitoa pururuca. Minha sugestão é a porção de lingüiça com provolone que é servida nos bares que ficam no largo (calçadão) em frente à entrada do Parque das Águas. Com cerveja (ou vinho) e a companhia de amigos, não há melhor opção.
Tem gente que vai dizer que é programa para a terceira idade e, de fato, tem hora que você acreditará que está numa excursão organizada pela Vila Vicentina; mas, nessas horas, me recordo do que disse um amigo há quinze anos numa pelada de fim de semana, depois de um lançamento em profundidade que ele nem ameaçou correr: Você tá pensando que ainda sou um garoto??? Acabou a pelada.
P.S.: Fico devendo a dica da empadinha que é servida em Pouso Alto, pois o Abreu e Julinho Cambraia não conseguiram me explicar com exatidão onde ficava o local. Vale dar um desconto devido ao adiantado da hora no Borracha.
Abração e até breve.
* César Augusto Zadorosny tem 35 anos, é pai de Júlia e esposo de Cris. Possui formação profissional em Administração e Direito. Torce e sofre pelo seu querido Tricolor carioca.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Olho no Espelho
Olho no Espelho
por Alex Peres*
Até que em fim chegou minha vez!!!
Beleza rapaziada!!!
Show de bola participar desse blog, mas confesso que estou achando um pouco estranho e gostoso tudo isso, porém vivo cedendo à tecnologia.
Uma coisa é você comprar um computador de última geração, um celular que tira fotos em alta definição ou até mesmo uma TV de LED, outra coisa é você passar a se comunicar com seus amigos de infância através de um blog. Acho que eu é que estou ficando antigo, é claro!!!
Falando em antigo, acho que o espelho, esse vilão diário, o fiscal do tempo sempre denuncia algo diferente em nosso corpo: um fio de cabelo branco, aquela ruga escondida no canto do olho, o peitinho que não suporta mais a gravidade, a barriga escondida por uma blusa larga e vários outros sinais de que estamos perdendo a juventude.
Ser jovem é tudo em nossa cultura. É uma imposição ou talvez uma obrigação. Como se a juventude durasse para sempre como no filme “Highlander”. Essa obsessão pela juventude eterna enriquecendo médicos mercenários com clínicas cada vez mais sofisticadas, movendo milhões em cirurgias plásticas que não vão levar a nada, é de entristecer. Pô mermão, não somos imortais! Amadurecer faz parte da vida! Antes de pensar que se perde a juventude, deve-se pensar que se ganha a maturidade e a experiência. Não posso dizer que ganhamos a “velhice”, pois a palavra carrega conotações ruins, apesar de quando se fala em velho pra mim inspira algo interessante, mas isso é exceção.
Mas ainda acho que o espelho não mostra realmente que a gente está envelhecendo, o que mostra nosso envelhecimento é a imagem e semelhança nos amigos. Ver um amigão seu ficando careca, outros com cabelos brancos, barrigudos (todos), outros que já se casaram e separaram mais de uma vez, outros com uma penca de filhos, outros se convertendo a pastores de igreja evangélica, virando solteirões, caretas etc... E as ex-garotas (atuais coroas), apesar de terem algumas que ainda dão um caldo. “Cala-ti boca”, (vai dar merda!).
Cara, isso é que é envelhecer, e eu me sinto parte de tudo isso e tenho orgulho de dizer que tenho amigos de infância. E mais, estou envelhecendo e sem perdê-los.
Com já disse ao meu amigo Figurótico, torno a dizer: “Ainda podemos conhecer pelo menos o mundo”, e se o tempo precioso for bem aproveitado, com coisas boas de fato e com pessoas que amamos, a coisa fica mais suave e o sabor do tempo vem com mais prazer. Pelo menos eu acho!!!
Bom chega de lero-lero. É meu primeiro post (aliás, essas palavrinhas em inglês me irritam), então vou falar coluna, no Estação BM e como é um blog de amigos e amigos tem assuntos em comum acredito que será bem agradável e com a diversidades de temas espero que ele seja bem acessado e tenha muitos anos de vida.
Radio de Pilha: Vou me reservar no direito de não comentar essa derrota para o Goiás porque estou muito puto no momento e meu coração ainda está batendo forte, mas minha grande preocupação é com o futebol do Rio. Até a Arco-iris carioca está me preocupando, pois se o Fluminense cair pra segundona, o Botafogo como candidato super potencial e é claro que o Vasco não vai subir, vai ser somente um representantes do Rio. É o caos no futebol carioca e menos 18 pontos pro mengão.
Isso é tema pra uma coluna inteira.
Bom, acho que é isso! Nada intelectual, pois não sou, até por que engenheiro não sabe escrever, mas acho que é um pouco da simplicidade que eu vou querer compartilhar com a galera.
Comentem, critiquem, colaborem, façam o que achar melhor, mas claro, sem xingar a mãe.
Lembranças Hilárias: Aliás, me lembro de um amigo nosso, cantor de uma das duplas mais conhecidas da década de 90 de Barra Mansa depois do Julinho Marassi e Gutemberg é lógico, em um som no Gaia, onde de repente sai uma porradaria danada, e o cara que estava arrumando rolo com ele veio e o chamou de viado, corno, safado, filho da puta, cuspiu na cara e o caralho, e por fim ele o mandou tomar no cú. O cantor ficou uma fera e disse: “tomar no cú não”, e caiu na porrada... Essa foi show de bola!!! (desculpem os palavrões) Cadê o moderador!!!
Um abraço a todos e até quinta que vem se Deus quiser.
* Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) tem 37 anos, casado, tem um casal de filhos lindos, trabalha com engenharia e cursa os últimos 3 meses de Engenharia Elétrica/Eletrônica, Analista de Sistemas, empresário, Músico e gosta de falar “m” nas horas vagas.
por Alex Peres*
Até que em fim chegou minha vez!!!
Beleza rapaziada!!!
Show de bola participar desse blog, mas confesso que estou achando um pouco estranho e gostoso tudo isso, porém vivo cedendo à tecnologia.
Uma coisa é você comprar um computador de última geração, um celular que tira fotos em alta definição ou até mesmo uma TV de LED, outra coisa é você passar a se comunicar com seus amigos de infância através de um blog. Acho que eu é que estou ficando antigo, é claro!!!
Falando em antigo, acho que o espelho, esse vilão diário, o fiscal do tempo sempre denuncia algo diferente em nosso corpo: um fio de cabelo branco, aquela ruga escondida no canto do olho, o peitinho que não suporta mais a gravidade, a barriga escondida por uma blusa larga e vários outros sinais de que estamos perdendo a juventude.
Ser jovem é tudo em nossa cultura. É uma imposição ou talvez uma obrigação. Como se a juventude durasse para sempre como no filme “Highlander”. Essa obsessão pela juventude eterna enriquecendo médicos mercenários com clínicas cada vez mais sofisticadas, movendo milhões em cirurgias plásticas que não vão levar a nada, é de entristecer. Pô mermão, não somos imortais! Amadurecer faz parte da vida! Antes de pensar que se perde a juventude, deve-se pensar que se ganha a maturidade e a experiência. Não posso dizer que ganhamos a “velhice”, pois a palavra carrega conotações ruins, apesar de quando se fala em velho pra mim inspira algo interessante, mas isso é exceção.
Mas ainda acho que o espelho não mostra realmente que a gente está envelhecendo, o que mostra nosso envelhecimento é a imagem e semelhança nos amigos. Ver um amigão seu ficando careca, outros com cabelos brancos, barrigudos (todos), outros que já se casaram e separaram mais de uma vez, outros com uma penca de filhos, outros se convertendo a pastores de igreja evangélica, virando solteirões, caretas etc... E as ex-garotas (atuais coroas), apesar de terem algumas que ainda dão um caldo. “Cala-ti boca”, (vai dar merda!).
Cara, isso é que é envelhecer, e eu me sinto parte de tudo isso e tenho orgulho de dizer que tenho amigos de infância. E mais, estou envelhecendo e sem perdê-los.
Com já disse ao meu amigo Figurótico, torno a dizer: “Ainda podemos conhecer pelo menos o mundo”, e se o tempo precioso for bem aproveitado, com coisas boas de fato e com pessoas que amamos, a coisa fica mais suave e o sabor do tempo vem com mais prazer. Pelo menos eu acho!!!
Bom chega de lero-lero. É meu primeiro post (aliás, essas palavrinhas em inglês me irritam), então vou falar coluna, no Estação BM e como é um blog de amigos e amigos tem assuntos em comum acredito que será bem agradável e com a diversidades de temas espero que ele seja bem acessado e tenha muitos anos de vida.
Radio de Pilha: Vou me reservar no direito de não comentar essa derrota para o Goiás porque estou muito puto no momento e meu coração ainda está batendo forte, mas minha grande preocupação é com o futebol do Rio. Até a Arco-iris carioca está me preocupando, pois se o Fluminense cair pra segundona, o Botafogo como candidato super potencial e é claro que o Vasco não vai subir, vai ser somente um representantes do Rio. É o caos no futebol carioca e menos 18 pontos pro mengão.
Isso é tema pra uma coluna inteira.
Bom, acho que é isso! Nada intelectual, pois não sou, até por que engenheiro não sabe escrever, mas acho que é um pouco da simplicidade que eu vou querer compartilhar com a galera.
Comentem, critiquem, colaborem, façam o que achar melhor, mas claro, sem xingar a mãe.
Lembranças Hilárias: Aliás, me lembro de um amigo nosso, cantor de uma das duplas mais conhecidas da década de 90 de Barra Mansa depois do Julinho Marassi e Gutemberg é lógico, em um som no Gaia, onde de repente sai uma porradaria danada, e o cara que estava arrumando rolo com ele veio e o chamou de viado, corno, safado, filho da puta, cuspiu na cara e o caralho, e por fim ele o mandou tomar no cú. O cantor ficou uma fera e disse: “tomar no cú não”, e caiu na porrada... Essa foi show de bola!!! (desculpem os palavrões) Cadê o moderador!!!
Um abraço a todos e até quinta que vem se Deus quiser.
* Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) tem 37 anos, casado, tem um casal de filhos lindos, trabalha com engenharia e cursa os últimos 3 meses de Engenharia Elétrica/Eletrônica, Analista de Sistemas, empresário, Músico e gosta de falar “m” nas horas vagas.
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