quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Conexões fatais
Vou dividir com vocês uma atividade que pratico tanto dormindo quanto acordado: sonhos. Atormentam-me praticamente todos os dias. São reais, manipuláveis às vezes, e me acompanham durante o restante do dia. Há casos em que uma pessoa que nele habitou, se a encontro na rua parece que estive com ela e só falta-lhe dizer, “como foi bom ontem, hein!?”. Trabalho tanto enquanto ele acontece que acordo cansado, exausto. Desde o dia em que vi que conseguia mudar o rumo da história de algum, e quando isso não acontece, de tamanha a força que empenhei, acordo abruptamente. Já fiz letra de música, poeminha erótico, tudo sonhando dormindo e acordando acabado.
Nesta noite sonhei com o aniversário de Barra Mansa. Todos sabem que o dia-a-dia influi diretamente na atividade onírica, colocando todos os detalhes do dia e da vida atual neles. De forma estranha e real, tudo se encaixou, reparem.
Chegava ao bairro do Ano Bom, avistei um dia de feriado bonito e um bar cheio. Naquele momento me encontrava com R$ 100,00 no bolso, e estava aliviado. Pois era um dinheiro que me deviam (entre outros tantos) e que acabara de receber. Decidi gastá-lo num almoço acompanhado de chope no Bar Amarelinho. Ao entrar avistei minha ex-namorada. Achei uma bela coincidência e um momento oportuno para batermos um papo, longo papo. Fiquei tão excitado que me esqueci de como estava me vestindo. Ela sempre odiou que andasse de chinelo, eu estava descalço. Sempre gostou de me ver de calças, arrumadinho, eu estava de sunga! Eu não parava de me xingar baixinho, “babaca, otário, imbecil!”. Cumprimentei-a e fui ao banheiro. Reparei no chão para ver se dava para pisar descalço, havia alguns pedaços secos e neles me posicionei. Avistei um conhecido ao lado e permaneci concentrado.
De repente o banheiro se move, como se descesse a rua verticalmente fazendo a curva da esquina da padaria e estávamos em movimento, dentro do banheiro e dentro de um carro que nos tirava dali. – Que porra é essa? – berrei. O conhecido tratou de me explicar. Há uma semana ocorreu um show do Kiss na mesma rua, e devido à produção da banda, eles haviam deslocado o banheiro para que este se tornasse móvel. Mas logo no banheiro em que eu estava? Desesperei-me, pois estava me afastando da ex, como na vida. Pedi que parassem aquela maluquice. O motorista advertiu que só seria possível do outro lado da ponte, pois o trânsito fervia. Desembarquei daquela viagem do outro lado do Paraíba e corri em direção contrária ao destino para que tempo hábil me sobrasse. Choveu, e agora eu não estava só descalço, mas imundo. Corri, corri, e antes que cruzasse a ponte dos arcos o sonho acabou.
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Aproveito a semana de 3 de outubro para colar abaixo, um texto que escrevi para o jornal Folha do Interior, de 2005, sobre um pedaço do centro de Barra Mansa. Vale ressaltar que foi escrito num momento completamente distinto do de hoje. Na ocasião, eu vivia mais no Rio do que aqui, estava com alma flutuante, e ficava saudoso com o pouco tempo que ficava fora de Barra Mansa. Para amar Barra Mansa intensamente, é preciso morar fora um tanto para sentir saudade. Porque daqui, de dentro, do âmago, ela nos irrita mais do que afaga. E certamente eu não escreveria nesse tom abaixo. Como disse Cazuza, “jornal de ontem com notícias de anteontem”.
"'Da Mário Ramos ao Floresta' (2005)
Há muito não dedico espaço aqui, como prometido na coluna inaugural, aos 5% que não falaria de música. Hoje, depois de uma caminhada noturna por Barra Mansa, é o dia. Quando novos, saíamos para qualquer lugar sem depender de carro ou outro tipo de condução. De carona, rachando um táxi, íamos. Hoje nem tanto, o espírito aventureiro ainda persiste (é claro!), mas com, no mínimo, um automóvel próprio.
Dia desses recusei uma carona para voltar de uma noite aqui – estava sem carro – resolvi ir a pé. Com pouca gente nas ruas de madrugada, é mais fácil prestar atenção nas lembranças que BM deixou em você – de dia, convenhamos, olhamos mais as transeuntes que o patrimônio, nem tão histórico assim, da cidade. E comecei saindo de uma viela próxima à SOBEU (este é o nome). Lembrei-me do Barracão, Postinho, local onde metade da minha geração aprendeu a lidar com a noite. Havia também o Don Gino, mais alternativo, na Madre Filomena, onde “somos todos Marcos”. É bom lembrar que nesta época o reduto boêmio não havia chegado ao Ano Bom. Descendo um pouco mais, o Cine Riviera, lógico, ponto de encontro da molecada oitentista. Ali esperei na enorme fila para ver “Rambo”; fui esmagado, tendo de assistir “Rock Estrela” entre a fila das cadeiras, no pavimento inferior! E o fliperama que vinha logo abaixo? No fim da Mário Ramos existia o Cine Palácio, hoje Casas Bahia, onde vi “O Retorno de Jedi”, “Os Trapalhões”. O Pio XII continua ali; mas, adiante não vi a “Sapataria Wilson”, a Padaria “Copa do Mundo” (com três taças apenas), virávamos ali e caíamos na “Bida Louca” e se subisse um pouco mais, “Vira-Vira” (este ainda vive); a “Casa Aurora”, grande Casa Aurora com seu painel vermelho e azul, cadê? E por ande anda “Maria Bacia”? Acho que já morreu. Por fim vi o Floresta, que não é mais Floresta e nem o Barão Vermelho lança disco ali como em 83 e, como vocês sabem, não vi.
A frase acima foi dita por Marco, o Poeta, quando um músico dedicou uma música ao Marco, e este se levantou agradecendo, até o músico retificar: ‘Não, você não. O outro’.”
* Figurótico é músico, 34 anos, nasceu em Barra Mansa mas viveu até os quatro anos de idade em Volta Redonda. Nunca foi sócio do Municipal, só dos Funcionários.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Estação BP
Barra do Piraí, pérola do vale, é uma cidade com muitos pontos em comum com Barra Mansa. Aqui também tem linha do trem com estação abandonada, ponte sobre o rio Paraíba do Sul, muitos trabalhadores de Volta Redonda (logo tem sessão da tarde também, rs) e claro muitos botecos.
Espero que nossos 1473 leitores não pensem mal de mim, pois vou listar os bares e restaurantes que freqüento (eu sei que não tem mais trema, mas eu gosto tanto dele) e fazer um pequeno resumo de cada um. Para não ser injusto com nenhum dono de bar vou seguir o fluxo do Paraíba começando pela minha casa.
Bem pertinho de casa tem o restaurante da Batata. È um dos mais freqüentados da cidade. Ou seja, começo de mês desista! Tem fila na porta. Sua especialidade é um escondidinho de batata com vários recheios. Eu gosto mais dos pastéis de camarão (bom, bonito e barato). Original e Bohemia sempre gelada.
Logo após a ponte ferro temos o Riva’s Bar (ou Cais) é o melhor tira-gosto da cidade. Podemos encontrar chouriço, abobrinha recheada, peito de boi com batatas, um dos melhores torresmos da região (um dos, porque o melhor é em Piraí, mas isso fica para outra coluna). Tem uma mesa de sinuca muito boa e tem Brahma Extra de 600 ml. Única coisa ruim é que o dono é torcedor do Vasco.
Na pracinha do bairro São João tem o bar do Naldo, sempre muito cheio, mas é a cerveja mais gelada da cidade. Para acompanhar tem um caldinho super esperto. O charme da casa é a Débora a garçonete mais simpática da cidade. Perto dali tem o trailer da Dalvinha, conhecido fim de noite ou começo de dia. Ela abre no dia e na hora que está com vontade.
Um pouco mais a frente tem o Quebra Chifre onde costuma ter a segunda sem lei, um quilometro a frente tem o Bar da Suellen (filha do Quebra Chifre). Ninguém dá nada pelo lugar, quando se entra parece que é um botequinho de bairro, mas basta passar para a varanda na parte de trás com uma linda vista do rio Paraíba, sinuca, totó (ou pebolim se tiver algum paulista lendo), churrasqueira. E só levar a carne que ela não cobra o uso apenas compra-se as bebidas.
No Belvedere temos de um lado o Chalet Grill o restaurante é o mais badalado da cidade tem a melhor pizza e todos os pratos são muito bem servidos. Um prato para dois comem quatro pessoas fácil, fácil. Lá também tem Brahma Extra, Original e Bohemia. Do outro lado da pista tem um boteco que não sei o nome. Estive lá neste domingo bebendo com o pessoal que nada no Sesi comigo. Brahma honesta é um bolinho de carne muito gostoso. Tinha chouriço também, mas o dono não recomendou. Estava muito ressecado segundo ele. Nesta hora virei seu fã. Vou voltar lá para descobri novidades.
Do outro lado do rio temos o Bar do Peixe na Vila Helena. Peixe frito para todos os gostos e cerveja geladinha. Perto tem outros bares, mas não costumo freqüentar. Ou estão lotados ou completamente vazios.
No Centro da cidade tem o Largo da Feira que é o ponto de encontro da moçada. Cheio de trailers. À noite saem os carros e entram mesas de bar. Ali vou a três lugares. O primeiro, na cabeceira da ponte metálica, não tem tira-gosto, mas é o único lugar que vende chopp da Brahma por ali. O que às vezes salva é uma banca de queijo logo ao lado. Eu costumo compra o queijo e o senhor fatia, coloca um azeitinho e orégano. Ahhh, ali também tem Original e Brahma Extra, mas o preço é salgado. O penúltimo é do Motoclube, muito cheio sempre é o maior agito da cidade. O Ronaldo é o dono. Ele é um cara muito legal, mas estou sentido falta da simpática Beth que comandava as garrafas por lá. O último é o Sabor da Uva que tem um caldinho bem gostoso, baratinho e rápido. O dono é o Tchaca. Ele mora no mesmo bairro que eu.
Ali perto tem o Coiote é mais patricinhas e mauricinhos. Só tem chopp Itaipava, que detesto. Já a cozinha é boa. Tem uma picanha na chapa ótima. Num outro canto do centro tem o Maior Moda – uma mistura muito legal de boutique e bar – É o ponto de encontro dos casais e quarentões.
No Santo Cristo tem o Jorginho, só estive lá uma vez, mas tem música e sempre fica cheio. Já indo na direção a Piraí fica o bar da Dolores, ela tem uma piscina e nos domingos de sol que eu não estou a fim de nadar no clube vou para lá. Qualquer porção custa sete contos e a cerveja é bem em conta.
Não podia de deixar de falar na Padaria Vitória. Esta é a melhor padaria que já conheci. Para se ter uma idéia quando meus ex-sogros vinham de Sampa eles costumavam levar pão de lá para casa. Além disso, tem excelentes frios e importados.
Espero que tenha gostado desta pequena viagem gastronômica e etílica por Barra do Piraí. E aproveito para convidar para um sábado destes a gente se encontrar por aqui!
* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 37 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing e adora viajar!!!!
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Boca Maldita
E como toda cidade que se preze, Barra Mansa tem sua boca maldita, que é aquele lugar em que se discutem os assuntos locais, as novidades da política, os últimos acontecimentos, as notícias, fofocas, negócios são fechados, enfim, é o centro nervoso da cidade. E qual seria a boca maldita de Barra Mansa?
Bem, quando existia a lanchonete Três de Outubro, ainda havia dúvidas. Pela localização central e por trazer o aniversário da cidade no nome, era um dos pontos centrais dos acontecimentos do município. Porém, com o (lamentável) fechamento do estabelecimento, outro local, que sempre rivalizou com a Três de Outubro, passou a reinar absoluto: refiro-me ao Café Favorito (atual Café Capital – não consigo me acostumar – no texto o nome será Favorito). Encravado na região central da cidade, ao lado do Banco Real, em frente à Praça da Igreja Matriz e ao Banco Itaú, vizinho do Ed. Pio XII (com inúmeras salas comerciais), a casa fica perto de tudo.
E o que esse lugar tem de tão especial?
Bem, para começar, o café, óbvio. Longe da modernidade do espresso (é assim mesmo, com s no lugar do x – origem italiana) preparado por baristas que, com ar blasé, torcem o nariz para um coador de pano, longe de toda essa “especialização/afetação”, temos um cafezinho tradicional, feito com pó moído na hora, bem forte, como deve ser um bom cafezinho. As opções são... puro ou com leite (pingado/média), bem distantes das inúmeras combinações que vemos nas modernas cafeterias. Para acompanhá-lo há também pouquíssimas opções: um (também) tradicional bolo, daqueles comuns, pão de queijo, um ou outro sanduíche no pão francês (acho que fazem misto quente por lá – nunca comi e nunca vi ninguém comer) e o imbatível queijo. É isso mesmo, só o queijo minas, um pedaço graúdo e fresco para ser comido com garfo e faca. Não há companhia melhor para o café.
Quanto às bebidas frias, também não há muito a escolher, além de um suco de laranja e de alguns refrigerantes. Porém, outro grande trunfo é a água mineral em garrafa de vidro. Olha, talvez seja um dos últimos lugares em que você pode beber uma legítima água mineral, em garrafa de vidro – pode ser sem gás ou gasosa, muito diferente dessas águas em garrafas de PVC gaseificadas artificialmente. E melhor: se você não quiser beber uma garrafa inteira, você pode pedir um copo. Mas não é um copo de plástico com aquele indefectível lacre de alumínio. Não! É um copo duplo, de vidro. A menina abre uma garrafa, coloca a quantidade certa do copo e te serve, tampando a garrafa e esperando outro cliente para servir o que restou. Você tem a impressão de estar bebendo água direto da fonte (deveria haver uma lei obrigando que engarrafadoras de água mineral usassem garrafas de vidro).
Bem, e já que falamos das atendentes, não poderia deixar de citar o já folclórico mau humor das meninas. É inacreditável. Faça chuva, sol, pode estar frio ou quente, que o mau humor é o mesmo. Mas é a marca do local. Se um dia eu for no Favorito e encontrar as atendentes bem humoradas, juro que não volto mais lá. É uma tradição. Sem falar no caixa, que além de sua função normal de receber o pagamento dos clientes, serve também para as pessoas da área trocarem dinheiro, comprarem um cigarro varejo, um chiclete etc.
E assim, seja passando para tomar um café (puro ou pingado), fazer um lanche rápido ou fumar um cigarro, seja parando na porta para ficar sabendo das novidades que são contadas na rampa do Pio XII, na escada que desce para a loja de móveis Belle Époque, na porta do Banco Real, na Praça da Matriz (que fica em frente), na infalível reunião de PMs na porta da loja Emoção, enfim, é nesse ponto que você sentirá o que acontece na cidade. Ali, certamente, está o melhor lugar para uma pessoa de fora começar a conhecer Barra Mansa (para aprofundar, só mesmo indo no Parque da Preguiça e tomando uma cerveja no Serrate/Jorginho/Tomaz – mas aí já é outra história...).
Ah, e está em curso uma reforma para ampliação e colocação de mesas no café. Esperamos que mantenham a tradição. Barra Mansa, tão maltratada, merece.
Feliz Aniversário, Barra Mansa. Até a próxima segunda.
NOTA: no dia do aniversário de Barra Mansa (03 de outubro), a Câmara Municipal de Barra Mansa realizará evento com vários shows, inclusive com nosso colunista das quartas, Figurótico. Quem puder ir, prestigie. Será na parte da tarde, nas imediações da Câmara Municipal.
*Carlos Vinicius Rosenburg (cvrosenburg@gmail.com) tem 37 anos, é casado e só consegue chamar o Café Favorito de... Café Favorito, apesar de saber que a “bandeira” do estabelecimento mudou para Café Capital já há algum tempo. Ah, e acha o cafezinho bem feito, símbolo da cultura brasileira, muito melhor que o expresso (ou espresso). Escreve também no blog Confraria Jurídica (www.confrariajuridica.blogspot.com).
domingo, 27 de setembro de 2009
Sonhos de um domingo de primavera
O escritor Paulo Leminski tem uma teoria extremamente interessante, segundo a qual, somente os poetas são capazes de compreender a poesia, ou seja, todos aqueles tem a sensibilidade nata para compreender e sentir um poema, seriam poetas, mesmo que nunca tenham produzido nenhum verso ou estrofe na vida.
Como exercício dominical, porque no domingo tudo pode, poderíamos expandir a teoria do Leminski para outras atividades artísticas, como a musica por exemplo.
Portanto, apartir de hoje, todos nos que colecionamos todos os discos, conhecemos todas as musicas, todos os instrumentistas, todas as estórias de todas as bandas, mas somos incapazes de juntar sequer duas notas musicais, seremos todos músicos.
Ainda que, tenhamos voz de taquara rachada e desafinemos até no “Atirei o pau no gato”, seremos todos cronner’s, vocalistas.
Ainda que, não saibamos ao certo quantas cordas tem uma guitarra ou um baixo, seremos todos exímios guitarristas, baixistas.
Ainda que, o único instrumento que tenhamos soprado na vida, seja um apito, seremos todos flautistas, saxofonistas.
Ainda que, tenhamos o ritmo e o suingue de um escriturário alemão, seremos todos bateristas, ritmistas.
Portanto, músicos frustrados de todo o mundo, uni-vos, hoje é o nosso dia, hoje seremos pessoas especiais, às vezes incompreendidos, às vezes geniais, teremos presença de palco, faremos solos fantásticos, e generosamente homenagearemos nossos fãs.
Hoje todos nos seremos Jimi Hendrix, Cartola, Bob Dylan, Caetano Veloso, Sid Barret, Herbert Viana, Keith Ricahrds, Lobão, Janis Joplin, Rita Lee, Kurt Cobain, Chico Buarque, Rogers Waters, Arrigo Barnabé, Alan White, Marisa Monte, Mick Jagger, Tom Jobim, David Gilmour, Cássia Eller, Paul MacCartney, Cazuza, Joey Ramone, Alceu Valença, Frank Sinatra, Elis Regina, Bob Marley, Raul seixas, Gilberto Gil, Pepeu Gomes, Chico Science etc. etc. E quem sabe, até nos mesmos.
bom domingo a todos.
Obs.: Eu esta pensando em escrever sobre cervejas, vejam no que deu.
Da interminável serie Poeminhas marginais dos anos 70.
Este meu jeito de meio- campo
cerebral meio distante
é para esconder
a vontade de ser
goleador
poeta
centro-avante
abraços & beijos
sábado, 26 de setembro de 2009
Bastardos Inglórios
Por Luciano Romanieli* É muito difícil a gente se classificar, mas uma coisa que eu sei que sou é cinéfilo, amo o cinema como forma de arte e diversão, sou interessado pela sua evolução e suas realizações.
Os apaixonados pela sétima arte ficam ansiosos quando tem algum filme do seu diretor ou ator preferido para entrar em cartaz, acredito que esse seja o sentimento de boa parte da rapaziada a respeito do novo filme do Tarantino.
A imprensa Judaica foi unânime ao reprovar o filme, definindo a produção como "um pornô de vingança judiaca". A trama é de um grupo de judeus americanos que são escolhidos para matar os nazistas que ocupavam a França durante a II Guerra Mundial. Tarantino não perde o seu estilo, ninguém sabe fazer esse mix de violência e humor como ele, algumas cenas são repugnantes, daquelas de virar a cara para não ver. O que me chamou atenção foi a fotografia do filme e o close nos olhares dos atores. O filme é imperdível.
Começou essa semana o Festival de cinema do Rio, essa era uma das épocas preferidas quando eu morava na cidade. Aproveitem essa oportunidade para matar a saudade do Rio. Uma dica para o festival é não assistir os filmes que com certeza entraram em cartaz, que é o caso do filme do Tarantino, procurem selecionar filmes que dificilmente vocês terão acesso novamente. Tenho alguns amigos que chegam assistir mais 30 filmes durante o festival. Aproveitem. http://www.festivaldorio.com.br/site2009/
Em NYC a música está em toda parte, os músicos fazem parte do cotidiano da cidade, sempre que estiver com a câmera gravarei para apresentar para vocês.
Bom final de semana.
Abraço para todos.
*Luciano Romanieli, teve uma semana tranquila e espera que o mesmo aconteça no final dela.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
LENDA VIVA
Olá de novo, seleto e dileto grupo de amigos e leitores. Sei que a torcida por minha recuperação foi grande e agradeço as inúmeras manifestações de apreço, as quais, devo confessar, resumiram-se nas ligações de minha genitora e também da genitora dela. Minha sogra também ligou, embora não tenha conseguido conter o ar decepcionado pelo fato d’eu ainda não ter enviuvado sua filha.
Brincadeira. Eu e minha sogra nos damos tão bem que, se soubesse que seria assim, teria casado aos dezoito anos.
Uma das vantagens de ter passado este último fim de semana acamado foi não encontrar forças para realizar outra atividade senão assistir filmes, desde os piores clichês já produzidos por Hollywood, até obras de arte realmente empolgantes e sublimes. Dentre estas eu destaco Gran Torino, último filme do lendário ator e diretor Clint Eastwood cuja extensa obra – acredito – a maioria já teve algum tipo de contato.
Considerado um dos mais importantes cineastas da atualidade, aos 78 anos de idade e 54 de carreira, Eastwood possui currículo só comparável ao de outros três gigantes: Coppola, Scorsese e Kubrick, contando a seu favor a versatilidade de também poder atuar nos filmes que dirige.
Para quem se recorda de Clint na pele do justiceiro Harry Callahan (Dirty Harry), certamente encontrará alguma semelhança com seu personagem Walt Kowalski em Grand Torino, especialmente pelo seu humor peculiar e língua ferina em algumas cenas. Mas pára por aí (desculpem, não consigo tirar o acento, é incontrolável). Em Grand Torino o enredo gira em torno da personalidade amargurada e caricata de um veterano da Guerra da Coreia, que mantém uma bandeira americana na entrada de casa e detesta seus vizinhos, a grande maioria de etnia asiática que apoiou os EUA na Guerra do Vietnã, e fugiu para o ocidente depois da derrota no conflito.
O filme se passa no subúrbio de Detroit, outrora capital da indústria automobilística dos EUA e do mundo, que hoje atravessa por grave crise em razão da concorrência mundial, sobretudo, vinda da Ásia, com seus veículos mais ajustados aos bolsos atualmente esfolados dos norte-americanos pós-crash 2008.
Sem cair em clichês baratos, a película trata de forma sutil questões relevantes como xenofobia, valores familiares, igreja, desemprego e violência de gangues, simbolizando uma realidade que está à porta dos americanos na forma da grande armadilha da globalização, com a decadência por força do empobrecimento econômico da classe média e a necessidade desta de conviver com imigrantes que, noutros tempos, sequer sonhavam em se aproximar da vizinhança, a não ser na condição de serviçais.
A lenda viva Clint Eastwood já atuou em 59 filmes (isso mesmo, 59!), e está impecável não só como ator, mas como diretor de Grand Torino, ficando aqui a minha recomendação. Se preferir algo mais clássico, assista Perseguidor Implacável (1971), primeira aparição de Dirty Harry e que rendeu mais quatro longas. Só os carrões e os cortes de cabelo já valem o ingresso.
*César Augusto Zadorosny tem 35 anos, é pai de Júlia e esposo de Cris. Possui formação profissional em Administração e Direito e já assistiu a toda série Dirty Harry.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Enquete
Então, para manter o compromisso de, pelo menos, um post diário, vamos a mais uma enquete.
Você concorda com a PEC (proposta de emenda constitucional) 336/09, que aprovou a criação de mais 7000 cargos de vereador no país? Mais: você acha necessária a existência de três esferas de Poder Legislativo no país (federal, estadual e municipal)? Ainda: você é a favor da extinção do Senado Federal? Ou uma câmara mais madura, menos sujeita às pressões do Executivo, é necessária para haver um contraponto a uma eventual ditadura das maiorias formada na outra câmara do Parlamento (Câmara dos Deputados - mais propensa a tal tipo de coisa, pela presença do famoso "baixo clero")?
Resposta nos comentários.
Administração do blog.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Notícias de Brasília
Depois de muito tempo agendei uma visita de quatro dias à Brasília. Há muito estava sendento por conhecer a capital – do Rock! Já dissera Philipe Seabra Plebeu, que a cabeça do rock Brasil se encontrava em Braília e o coração em São Paulo. Essa frase foi dita em pleno Circo Voador. Egocentrismos à parte, verdade é que o que me levou à BSB foram as músicas gravadas eternamente na mente. Da Plebe, Paralamas e, claro, Legião.
Não poderia deixar de conhecer o Parque da Cidade, “a Mônica de moto e o Eduardo de Camelo”, as “asas e eixos do Brasil”. Ou da plataforma da rodoviária não conseguir ver a torre da TV. Os “centros comerciais, muitos porteiros e pessoas normais”. Também os “carros pretos no colégio, em tráfego linear, servidores públicos ali polindo chapas oficiais”. E por um dia não conesgui ver os Paralamas tocando na Capital. Mas toda viagem distante começa num aeroporto. E somente um dia antes do embarque me lembrei do meu medo, não de voar, mas de altura.
Havia andado duas vezes antes apenas, há dez anos, e não me lembro se tive medo mesmo. Antes de adentrar a aeronave como homem que sou, mandei duas latas pra dentro para dar uma leve entorpecida anestesiante. Não adiantou. Tive a comprovação de que o que me apavora e ver a Terra de lado, pela janela, ao decolar, numa piscada de um segundo (eu estava no corredor). Só me lembrava de outros que aboliram o avião de suas vidas, como Roger do Ultraje, ou os porres que Tim Maia tomava para entrar num. Mantive os olhos fechados por dez minutos, até atingirmos voo cruzeiro e, ao ver o tapete de nuvens abaixo de nós relaxei. A comissária disse que havia cerveja, Sol ou Xingu. “Uma Sol por favor”. “Olha senhor, não está muito gelada, quer um gelinho?”. “Sim, um gelinho, um carinho, qualquer inho que vier de você me confortará...”. Mandei duas e segui me tranquilizando. O pouso foi uma maravilha e agora sim pensava em Brasília.
O nosso anfitrião-nota dez-candango-forasteiro por três vezes em Brasília nos aguardava no desembarque. E já foi nos dando todas as informções de onde acabávamos de pisar. No Eixão Monumental a primeira chapação na vista. O Plano Piloto e a leve descida até a vista do Congresso nos faz esquecer completamente que ali está 90% da sujeira nacional. Nem me lembrei de políticos neste momento. Depois é inevitável... Principalmente por onde Collor desceu impichado.
Pude ver como uma cidade planejada pode se perdurar por tanto tempo organizada. A falta de engarrafamentos homéricos, flanelinhas, mendigos nos sinais, e pessoas nas ruas nos fazem diferir imediantamente de outros centros urbanos, como Rio e SP. Não se tem a paranóia que nos acompanha 24 horas quando estamos em uma dessas duas cidades: “onde deixar o carro?, quanto vão me cobrar?, é seguro parar aqui?, fechem os vidros nos sinais”. Nesse pouco tempo de Brasília, essas perguntas não nos atormentou. É diferente. É menos estressante. É deslumbrante. E é rock’n roll!
Nas três noites que passamos os bares apresentaram a seguinte programação: na quarta U2 cover; quinta Pearl Jam cover e Red Hot cover; e na sexta Barão e Cazuza cover. Convenhamos que o excesso de cover enche, mas é mais aprasível do que “Sei lá o que Folia”. Só pra registrar, no sábado em que fomos embora começava o Porão do Rock. Com mais de 40 atrações. Incluindo Cachorro Grande, Paralamas, Plebe Rude, e Legião, com Toni Platão na voz. Momento histórico, de graça, e com o visual da esplanada dos Ministérios ao fundo. É diferente. Tem público de rock ali pra tudo quanto é gosto.
Uma coluna é pouco pra eu falar de Brasília. Já estou alugando meus amigos a respeito, fiquei com vontade de morar lá. Uma semana antes de chegarmos a Plebe gravou um DVD ao vivo, com o Lago Paranoá ao fundo. Olhem o que digo:
http://www.youtube.com/watch?v=4e8kaPfpkIY
Brasíiiliiaaaaaaa!!!. Fiquem com a letra da Plebe.
Brasília
Plebe Rude
Capital da esperança (Brasília tem luz, Brasília tem carros)
Asas e eixos do Brasil (Brasília tem mortes, tem até baratas)
Longe do mar, da poluição (Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas)
mas um fim que ninguém previu (Árvores nos eixos a polícia montada)
(Brasília), Brasília
Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais (Muitos porteiros e pessoas normais)
As luzes iluminam os carros só passam
A morte traz vida e as baratas se arrastam (Utopia na mente de alguns...)
prédios se habitam as máquinas param
As árvores enfeitam e a polícia controla (Utopia na mente de alguns...)
Oh.. O concreto já rachou! Brasília....
Brasília tem luz, Brasília tem carros (Carros pretos nos colégios)
Brasília tem mortes, tem até baratas (em tráfego linear)
Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas (Servidores Públicos ali)
Árvores nos eixos a polícia montada (polindo chapas oficiais)
Brasília, (Brasília)
Brasília tem centros comerciais Muitos porteiros e pessoas normais (Muitos porteiros e pessoas normais)
Os comércios só vendem
E os porteiros só olham
E essas pessoas elas não fazem nada
Mas essas pessoas elas não fazem nada
Nada! (Brasília...) Nada! (Brasília...)
Nada! (Brasília...) Nada! (Brasília...)
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O título é uma referência a uma canção de um dos melhores compositores barramansenses, Geraldinho.
*Figurótico é músico, tem 34 anos, está como dores na coluna mas que desapareceram instantaneamente em Brasília, só retornando em Barra Mansa. E acha que todo mundo que lá for tem de conhecer todos os pontos turísticos. Catedral, Santuário Dom Bosco, Memorial JK (seu túmulo está lá com a inscrição O FUNDADOR), além de sua biblioteca pessoal com mais de 3.000 volumes. Incluido os gigantes livros com a obra de Shakespare.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A ESCOLA ENSINA, A FAMÍLIA EDUCA!
Oi, pessoal, hoje a responsabilidade é minha e como professora não poderia deixar de escrever sobre um tema que vem, cada vez mais, sendo colocado em pauta:
A ESCOLA ENSINA, A FAMÍLIA EDUCA!
*por Flavia Alvaro Porto
Leciono em escola pública há onze anos e, diariamente, vejo explícitas demonstrações de falta de educação dos estudantes. Nossa rotina é recheada de palavrões, ofensas, falta de valores, total falta de limite e por aí vai. Digo nossa pois ouço reclamação de todos os lados, inclusive de professores de escolas particulares. Falta de educação não é sinônimo de falta de dinheiro pois conheço famílias paupérrimas que educam seus filhos exemplarmente.
As crianças são jogadas na escola e os pais, pelo menos uma boa parte, acha que somos nós os responsáveis pela educação a que lhes compete. Pensam que devemos ensinar-lhes respeito ao próximo, tolerância, dar-lhes limite e repassar valores, porém não é bem por aí. Acho que devemos complementar a educação, que deve ser dada em casa. Não podemos educar os filhos dos outros.
A desestrutura familiar também é a grande responsável por essa inversão de papéis. Famílias numerosas: 3, até mesmo 4 crianças de pais diferentes ou produção de filhos forçosamente independentes, ratificam esse desequilíbrio emocional e psicológico refletido na escola. Muitas das vezes a mãe também precisa sair para trabalhar, gerir o sustento de sua casa e acaba deixando seus filhos com babás ou outros familiares, que também não são os encarregados pela educação dessa criança. Quisera fossem com o devido comprometimento e consequente responsabilidade. Essas mesmas famílias estão apenas criando seus filhos não deixando passar fome nem frio, dando banho e um teto para dormir, esquecendo de educá-los.
Em contrapartida conheço vários filhos de pais separados, com mães que trabalham fora, cujas crianças são extremamente educadas. Essas famílias são estruturadas emocionalmente.
E isso faz a diferença.
A função do professor é a de garantir seu desenvolvimento intelectual através do processo ensino-aprendizagem e não a de educar. Acabei de escutar uma frase nesse exato momento no Fantástico: educar é um ato de amor. Onde estará então o amor dessas famílias aos seus filhos, já que não estão os educando e sim, transferindo responsabilidades?
Estamos cumprindo um papel que não é o nosso, até porque o mínimo tentamos fazer para que consigamos ministrar as aulas, senão nem isso.
Para que vocês tenham uma breve ideia:
1) Aluno vem para a escola e passa a aula toda sem copiar suas atividades ou desenvolver suas tarefas e ainda diz à você que não faz porque não quer. (Sabemos que não tem como pegar na mão da criança e obrigá-lo a fazer.)
2) Aluno levanta de sua cadeira, atravessa a sala de aula e bate no colega à toa, sem motivo algum, pelo simples fato de ser violento. (Mesmo com motivo, violência é inadmissível!)
3) Xingamentos e ofensas mútuas em alto e bom som, dentro da sala de aula, na presença de professores, diretores, quem quer que seja.
4) Estudantes cospem pela janela do ônibus nos colegas que descem antes deles.
5) Aluno dizendo ao professor: “quem é que você tá pensando que você é?”
E em Volta Redonda a situação está muito mais grave, chegando à violência física.
Atitudes como essas são dignas de punição. A única coisa que podemos fazer é chamar os responsáveis, que já chegam à escola acusando o professor de perseguição e com um discurso pronto: “não sei mais o que fazer com esse menino!” Mãe não sabe, eu que tenho que saber???
“Eduquemos as crianças para não precisarmos punir os adultos.”
(não achei o autor dessa sábia frase)
*Flavia Alvaro Porto é a Flavinha, tem 36 anos, é solteira, professora, bióloga, trilheira, tricolor de coração, ama pescar e mergulhar, adora música e, no geral, é extremamente bem humorada. Acredita que um dia os professores serão valorizados e espera estar viva para ver isso!
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
"'Cê' tá pensando que eu sou loki?"
por Carlos Vinicius Rosenburg*
E nessa que passou eu fiquei amadurecendo o assunto, pensando na estrutura do texto, como a finalizaria, esse tipo de coisa (não vou dizer qual é o assunto, pois ele servirá de carta na manga para o dia em que estiver sem tema para escrever, hehehe). Pois bem, quase uma semana, o tema consolidado, quando no sábado, quando estava jantando, liguei a televisão e, sem querer, parei no Canal Brasil. Fui atropelado. Saí do sofá duas horas depois, atônito, sem palavras, catatônico, emocionado. Acabara de ver o documentário “Loki – Arnaldo Baptista”, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle (produção do próprio Canal Brasil). Conta a história do (ex) Mutante Arnaldo Baptista.
Uma frase: tem que ser visto; é obrigatório. Seja por quem é fã dos Mutantes e/ou do próprio Arnaldo, obviamente, seja pelo fã de rock, seja por quem gosta de música (o que ainda é óbvio), ou até mesmo para quem não se liga em música. Não importa. É uma história, antes de tudo, de uma vida, de alguém realmente genial, atormentado, incompreendido, louco, um artista, pegando o que essa palavra em seu sentido substancial, a arte como inovação, transgressão, visceralidade, rompimento de barreiras, enfim... arte.
E o filme fala disso tudo. Do talento do principal compositor dos Mutantes, grupo que surgiu com o movimento tropicalista, mas que mostraria ser muito mais do que mero coadjuvante de Gil, Caetano, Duprat e outros. De sua paixão avassaladora por Rita Lee, com quem foi casado. Do trauma da separação, das drogas que levaram à (ou potencializaram) loucura iminente (já retratada na premonitória e inacreditavelmente bela “Balada do Louco”), dos fantásticos discos solo (destaque para o fenomenal e autoral “Loki” – o verso “’Cê’ ta pensando que eu sou loki, bicho?” é quase uma confissão de loucura), do segundo casamento (com uma menina parecida com Rita, mas muito mais bonita), que deu um filho ao compositor. Da nova separação, que trouxe talvez mais um trauma pela separação do filho. E do acidente em uma clínica psiquiátrica em Juiz de Fora/MG, na passagem de ano de 1981 para 1982, quando Arnaldo se joga do terceiro andar do prédio, pois não suportava mais uma internação.
E tudo isso tem um desfecho de ouro com o retorno dos Mutantes, junto com o irmão Sérgio (fantástico guitarrista) e o baterista Dinho (Rita Lee e Liminha não quiseram participar do projeto). Para o lugar de Rita foi chamada a cantora Zélia Duncan.
A estréia desse revival foi em Londres. E aí vamos tendo idéia da força que a música dos Mutantes (e de Arnaldo, principal compositor) tem no mundo do rock, pelo menos para os mais antenados. Gente comparando-os aos Beatles, pessoas emocionadas, os caras sendo parados nas ruas de Londres. Sem falar nos fãs músicos, como Kurt Cobain (o vocalista do Nirvana aparece no filme declarando sua admiração por Arnaldo) e Sean Lennon (filho do homem), que traz Arnaldo para um show seu no Brasil, em que fazem um dueto em Panis et Circenses.
E aí, com Sean Lennon, temos uma das partes mais emblemáticas do filme: Sean diz que os Mutantes e Arnaldo estão entre suas maiores influências. E daí? Bem, e daí que todos que conhecem os Mutantes (e Arnaldo) sabem que os Beatles são a grande influência da banda. Coincidências...
E são mostradas imagens do show em Londres, do nervosismo de Zélia Duncan antes de entrar no palco (o depoimento de Zélia também é emocionante), da catarse coletiva, da emoção dos músicos e da platéia. Antológico. Sem falar nos depoimentos do irmão Sérgio Dias Baptista, de Tom Zé, de Liminha, de Lobão e outros.
Para finalizar, temos imagens do show que o grupo fez em um aniversário da cidade de São Paulo, em 2007. A música é “Balada do Louco”, que àquela altura, já no final do filme, adquire uma beleza ainda maior do que a que naturalmente tem. Não há como não se emocionar.
Bom, não quero mais falar do filme. A película é muito mais do que escrevi acima. É preciso ver, rever, se emocionar e comentar com a(o) mulher (marido), namorada(o), amigos, filhos. Uma obra-prima.
*Carlos Vinicius Rosenburg (cvrosenburg@gmail.com) tem 37 anos, é casado e desde que viu o documentário “Loki – Arnaldo Baptista”, anda meio desligado. Escreve também no blog Confraria Jurídica (www.confrariajuridica.blogspot.com).
domingo, 20 de setembro de 2009
Apresentação
Dando continuidade ao saudável e democrático habito de apresentar novos colaboradores, trago hoje Alex Frederick, que tem como maior predicado, o fato se ser meu irmão.
Alex, meio esquerda do lendário time do Castelinho nos anos 80, atualmente é reserva do time de veteranos do Itaguá futebol Clube, em Ubatuba.
Casado, pai, ex bancário, ex fumante, flamenguista e corretor de seguros.
Espero que vocês gostem dele tanto quanto eu gosto.
Ah, eu já ia me esquecendo, leiam também o texto.
Abraços dominicais
Bom Dia Presidente
Por Alex Frederick
De acordo com os últimos números divulgados esta semana, sobre a economia brasileira, o crescimento de 1,9 do PIB (Produto Interno bruto) no último trimestre, recoloca o Brasil na rota de crescimento. Este resultado é comemorado pela equipe econômica do governo, que apostou no consumo interno, como forma de tirar o país da crise que assombrou o mundo em meados de setembro do ano passado.
Lula, que vinha sofrendo sistematicamente desde sua posse, críticas de que no plano econômico, seu governo nada mais fez do que continuar com a política adotada por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, finalmente como que, numa prova de fogo e de maioridade, rasga as amarras que o prendiam ao governo anterior, e acerta em cheio ao apostar no fortalecimento do consumo interno, via renúncia fiscal, como forma de debelar os efeitos devastadores da crise em solo brasileiro.
Na verdade, lula esta sendo bastante coerente em sua postura como homem público. Ao transferir os recursos dos impostos diretamente para o consumidor, (isenção de IPI) ele mantém o consumo aquecido, movimentando os setores chaves da economia, e ao mesmo tempo redistribui renda, resgatando assim, uma dívida antiga para com o povo brasileiro.
O mesmo pode se dizer, pelo menos em tese, sobre a transferência de recursos para a população de baixa renda, via Bolsa Família, Fome Zero etc... Garantindo, mesmo sob pesadas críticas da oposição, renda para as pessoas mais pobres e conseqüentemente o consumo delas, garantindo assim o giro da economia.
Apesar das críticas de ser o mandatário de um estado intervencionista e estatizante, o governo lula acerta a mão ao intervir quase que de forma cirúrgica nos mecanismos vitais da economia brasileira, recolocando-a nos trilhos do crescimento, e pondo em cheque a tese do estado mínimo, tão defendida pelos liberais.
A pouco mais de um ano para as eleições, lula sai mais uma vez fortalecido para fazer seu sucessor no planalto. Apesar das críticas ao seu governo e ao seu partido, o fato é que o país ao que parece,retorna ao crescimento, e junto com as também emergentes Índia, China e Rússia, reivindicam para si um papel mais importante no cenário econômico mundial, não deixando mais que apenas os homens de Waal Street decidam sobre os rumos da economia do planeta.
sábado, 19 de setembro de 2009
World Trade Center

O WTC tinha 110 andares e era visto de onde você estivesse em Manhattan, quando o primeiro 767 chocou-se em uma das torres, as pessoas mais próximas escutaram o barulho, mas boa parte da ilha achou que fosse um incêndio, pouco minutos depois a TV começou a transmitir ao vivo divulgando que se tratava de um acidente, os bombeiros foram acionados imediatamente e um batalhão partiu para socorrer as vitimas, por isso o número de bombeiros mortos é grande, 343. Somente depois do segundo avião colidir, que tomaram medidas de controle, pararam os metrôs, uma parte da ilha ficou sem energia, e os telefones congestinados, agora a TV divulgava que era um atentado terrorista. Imagina você em uma ilha sem poder sair, se comunicar e sozinho, boa parte das pessoas aqui são solitárias. Sirenes de carros, o céu cinza e pessoas desorientadas por toda parte. Pensavam que era uma guerra e aguardavam um novo ataque.
Estava passeando com uma amiga e sem imaginar me encontrei em frente a cerca que isola a área onde era o WTC, o lugar é muito triste, não sou sensitivo, mas nunca senti aquilo antes, veio na minha cabeça toda lembrança do que aconteceu, depois desse dia sempre que falo sobre esse assunto eu fico chateado. As pessoas que moram aqui evitam ao máximo ir nesse local, esse sentimento e percebido por todos. Mesmo depois de 8 anos a aréa parece um grande terreno baldio, acredito que não saibam o que fazer, ficou um grande buraco.
Umas das principais razões do terrorismo e chamar atenção, infelizmente nós damos mais importância para notícias ruins do que para as boas e a imprensa sabe exporar isso muito bem. Quando um jovem Palestino explode em uma Boate em Israel é parar chamar atenção para alguma causa Palestina, o fanatismo está na ação tomada por ele. Se esse mesmo jovem ficar distribuindo flores em Jerusalém ninguém vai dar importância.
Infelizmente podemos ver o atentado como uma das maiores jogadas de marketing pessoal da história, Osama Bin laden, é uma das figuras mais POP, mesmo que para isso tenha custado a vida de 2749 pessoas.
Bolsa Ditadura se transformou em indústria
Referido texto nos mostra como realmente fazemos questão de mostrar que não somos um país sério. As indenizações às vítimas de ditaduras e violência do Estado, mecanismos mais do que justos, utilizados em vários países na defesa dos direitos humanos, verdadeiras conquistas da humanidade, são completamente desmoralizadas em nossa terra, se transformando em meio de vida e forma de apropriação dos recursos do Estado, prática corriqueira em Pindorama desde tempos imemoriais (a confusão público-privado - aqui, considera-se o público como coisa de ninguém, e não como coisa de todos, que seria o normal).
Bem, vamos ao texto.
Bolsa Ditadura se transformou em indústria
por Elio Gaspari
[Artigo publicado, originalmente, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, em 28/6/09]
Se alguém quisesse produzir um veneno capaz de desmoralizar a esquerda sexagenária brasileira dificilmente chegaria a algo parecido com o Bolsa Ditadura.
Aquilo que em 2002 foi uma iniciativa destinada a reparar danos impostos durante 21 anos a cidadãos brasileiros transformou-se numa catedral de voracidade, privilégios e malandragens. O Bolsa Ditadura já custou R$ 2,5 bilhões à contabilidade da Viúva. Estima-se que essa conta chegue a R$ 4 bilhões no ano que vem. Em 1952, o governo alemão pagou o equivalente a R$ 11 bilhões (US$ 5,8 bilhões) ao Estado de Israel pelos crimes cometidos contra os judeus durante o nazismo.
O Bolsa Ditadura gerou uma indústria voraz de atravessadores e advogados que embolsam até 30% do que conseguem para seus clientes. No braço financeiro do pensionato há bancos comprando créditos de anistiados. O repórter Felipe Recondo revelou que Elmo Sampaio, dono da Elmo Consultoria, morderá 10% da indenização que será paga a camponeses sexagenários, arruinados, presos e torturados pela tropa do Exército durante a repressão à Guerrilha do Araguaia. Como diria Lula, são 44 "pessoas comuns" que receberão pensões de R$ 930 mensais e compensações de até R$ 142 mil. Essa turma do andar de baixo conseguiu o benefício muitos anos depois da concessão de indenizações e pensões aos militantes do PC do B envolvidos com a guerrilha.
O doutor Elmo remunera-se intermediando candidatos e advogados. Seu plantel de requerentes passa de 200. Ele integrou a Comissão da Anistia e dela obteve uma pensão de R$ 8.000 mensais, mais uma indenização superior a R$ 1 milhão, por conta de um emprego perdido na Petrobras. No primeiro grupo de milionários das reparações esteve outro petroleiro, que em 2004 chefiava o gabinete do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh na Câmara. O Bolsa Ditadura já habilitou mais de 160 milionários.
É possível que o ataque ao erário brasileiro venha a custar mais caro que todos os programas de reparações de todos os povos europeus vitimados pelo comunismo em ditaduras que duraram quase meio século. Na Alemanha, por exemplo, um projeto de 2007 dava algo como R$ 700 mensais a quem passou mais de seis meses na cadeia e tinha renda baixa (repetindo, renda baixa). Na República Tcheca, o benefício dos ex-presos não pode passar de R$ 350 mensais.
No Chile, o governo pagou indenizações de 3 milhões de pesos (R$ 11 mil) e concedeu pensões equivalentes a R$ 500 mensais. Durante 13 anos, entre 1994 e 2007, esse programa custou US$ 1,4 bilhão. No Brasil, em oito anos, o Bolsa Ditadura custará o dobro. O regime de Pinochet matou 2.279 pessoas e violou os direitos humanos de 35 mil. Somando-se os brasileiros cassados, demitidos do serviço público, indiciados ou denunciados à Justiça chega-se a um total de 20 mil pessoas. Já foram concedidas 12 mil Bolsas Ditadura e há uma fila de 7.000 requerentes.
Os camponeses do Araguaia esperaram 35 anos pela compensação. Como Lula não é "uma pessoa comum", ficou preso 31 dias em 1979 e começou a receber sua Bolsa Ditadura oito anos depois. Desde 2003, o companheiro tem salário (R$ 11.239,24), casa, comida, avião e roupa lavada à custa da Viúva. Mesmo assim embolsa mensalmente cerca de R$ 5.000 da Bolsa Ditadura. (Se tivesse deixado o dinheiro no banco, rendendo a Bolsa Copom, seu saldo estaria em torno de R$ 1 milhão.).
O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Um terrorista que participou da operação ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627. Um militante do PC do B, que sobreviveu à guerrilha e jamais foi preso, conseguiu uma pensão de R$ 2.532. Um jovem camponês que passou três meses encarcerado, teve o pai assassinado pelo Exército e deixou a região com pouco mais que a roupa do corpo, receberá uma pensão de R$ 930.
Nesses, e em muitos outros casos, Millôr Fernandes tem razão: "Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?"
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
O Banheiro
Amigos, esta semana infelizmente estive acometido de grave enfermidade que me impôs, como exercício intelectual dominante, a preocupação quase que ininterrupta com o que se passava em minhas entranhas. Como o pudor adquirido ao longo de minha (des)educação formal e informal, e o respeito aos freqüentadores deste blog me aconselham a não tratar aqui de assunto tão pouco interessante, estou postando hoje um texto muito bacana do Millôr Fernandes que - se ainda não conhecem - merece ser conferido. Lembrei do texto em razão de um comentário feito, salvo engano, na coluna do Valério que tratava da leitura de jornal, e lembrou do hábito que alguns tem de ler no banheiro. Já o texto abaixo traça um panorama mais abrangente e sensível – eu diria até mesmo singular - sobre esse cômodo da casa de freqüência obrigatória, mas nem sempre tratado com a devida importância. Divirtam-se.
O Banheiro
Não é o lar o último recesso do homem civilizado, sua última fuga, o derradeiro recanto em que pode esconder suas mágoas e dores. Não é o lar o castelo do homem. O castelo do homem é seu banheiro. Num mundo atribulado, numa época convulsa, numa sociedade desgovernada, numa família dissolvida ou dissoluta só o banheiro é um recanto livre, só essa dependência da casa e do mundo dá ao homem um hausto de tranqüilidade. É ali que ele sonha suas derradeiras filosofias e seus moribundos cálculos de paz e sossego. Outrora, em outras eras do mundo, havia jardins livres, particulares e públicos, onde o homem podia se entregar à sua meditação e à sua prece. Desapareceram os jardins particulares, pois o homem passou a viver montado em lajes, tendo como ilusão de floresta duas ou três plantas enlatadas que não são bastante grandes para ocultar seu corpo da fúria destrutiva da proximidade forçada de outros homens. Não encontrando mais as imensidões das praças romanas que lhe davam um sentido de solidão, não tendo mais os desertos, hoje saneados, irrigados e povoados, faltando-lhe as grutas dos companheiros de Chico de Assis, onde era possível refletir e ponderar, concluir e amadurecer, o homem foi recuando, desesperou e só obteve um instante de calma no dia em que de novo descobriu seu santuário dentro de sua própria casa — o banheiro. Se não lhe batem à porta outros homens (pois um lar por definição é composto de mulher, marido, filho, filha e um outro parente, próximo ou remoto, todos com suas necessidades físicas e morais) ele, ali e só ali, por alguns instantes, se oculta, se introspecciona, se reflete, se calcula e julga.
Está só consigo mesmo, tudo é segredo, ninguém o interroga, pressiona, compele, tenta, sugere, assalta, Aqui é que o chefe da casa, à altura dos quarenta anos, olha os cabelos grisalhos, os claros da fronte, e reflete, sem testemunhas nem cúmplices, sobre os objetivos negativos da existência que o estão conduzindo — embora altamente bem sucedido na vida prática — a essa lenta degradação física. Examina com calma sua fisionomia, põe-se de perfil, verifica o grau de sua obesidade, reflete sobre vãs glórias passadas e decide encerrar definitivamente suas pretensões sentimentais, ânsia cada vez maior e mais constante num mundo encharcado de instabilidade. É nesse mesmo banheiro que o filho de vinte anos examina a vaidade de seus músculos, vê que deve trabalhar um pouco mais seus peitorais, ensaia seu sorriso de canto de boca, fica com um olhar sério e profundo que pretende usar mais tarde naquela senhora mais velha do que ele mas ainda cheia de encantos e promessas. É aqui que a filha de 17 anos vem ler a carta secreta que recebeu do primo, cujos sentimentos são insuspeitados pelo resto da família. Já leu a carta antes, em vários lugares, mas aqui tem o tempo e a solidão necessários para degustá-la e suspirá-la. É aqui também que ela vem verificar certo detalhe físico que foi comentado na rua, quando passava por um grupo de operários de obras, comentário que na hora ela ouviu com um misto de horror e desprezo. É aqui que a dona de casa, a mãe de família, um tanto consumida pelos anos, vem chorar silenciosamente, no dia em que descobre ou suspeita de uma infidelidade, erro ou intenção insensata da parte do marido, filho, filha, irmãos. Aqui ninguém a surpreenderá, pode amargurar-se até aos soluços e sair, depois de alguns momentos, pronta e tranqüila, com a alma lavada e o rosto idem, para enfrentar sorridente os outros misteriosos e distantes seres que vivem no mesmo lar.
Não há, em suma, quem não tenha jamais feito uma careta equívoca no espelho do banheiro nem existe ninguém que nunca tenha tido um pensamento genial ao sentir sobre seu corpo o primeiro jato de água fria. Aqui temos a paz para a autocrítica, a nudez necessária para o frustrado sentimento de que nossos corpos não foram feitos para a ambição de nossas almas, aqui entramos sujos e saímos limpos, aqui nos melhoramos o pouco que nos é dado melhorar, saímos mais frescos, mais puros, mais bem dispostos. O banheiro é o que resta de indevassável para a alma e o corpo do homem e queira Deus que Le Corbusier ou Niemeyer não pensem em fazê-lo também de vidro, numa adaptação total ao espírito de uma humanidade cada vez mais gregária, sem o necessário e apaixonante sentimento de solidão ocasional. Aqui, neste palco em que somos os únicos atores e espectadores, neste templo que serve ao mesmo tempo ao deus do narcisismo e ao da humildade, é que a civilização hodierna encontrará sua máxima expressão, seu último espelho — que é o propriamente dito. Xantipa, que diabo, me joga essa toalha!
(by Millôr Fernandes)
Valeu amigos, até breve.
*César Augusto Zadorosny tem 35 anos, é pai de Júlia e esposo de Cris. Possui formação profissional em Administração e Direito, e é freqüentador assíduo do banheiro, desde que nasceu.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O Charmoso Mercado de Iguarias
Por Alex Peres*
Aproveitando o tema da enquete, hoje vou falar de um local de Barra Mansa que é pra lá de charmoso.
Toda cidade, administrativamente, tem que ter suas receitas para cumprir com suas despesas, todos sabem disso. Hoje as cidades que possuem seu potencial na indústria ou no petróleo são as que estão estão em ascensão. Porém essa ascensão é temporária, pois em relação a desenvolvimento o que vale realmente é a qualidade humana.
Barra Mansa não possui potencial acentuado na indústria, mas seu comércio, embora decadente, é forte, e se o geverno municipal investir fortemente em educação pode melhorar ainda mais a qualidade humana.
Nossa cidade possui um celeiro musical reconhecido por muita gente da redondeza. Digo isso porque moro fora há quase dez anos, e sei o que dizem do Barrão. Sem contar com a fama de ter as mulheres mais bonitas da região.
Barra Mansa possui uma série de locais que podem e devem ser explorados, consequentemente valorizando sua história.
Um lugar, que pra mim tem um toque muito especial, é o saudoso Mercado de Barra Mansa.
Palco de muitas passagens da minha vida, pois morei durante anos no edifício vizinho de uma de suas portas de entrada, na Rua Professor Pedro Vaz, beirando a linha de trem, é um dos lugares que possuem um grande potencial.
Já viajei em vários projetos para esse lugar.
Um deles é da reforma deste espaço, com uma estrutura colonial, simulando uma Barra Mansa antiga, com armazéns vendendo iguarias e especiarias provenientes da região, mantendo sua tradição, como o antigo armazém do Jocar, a peixaria mais tradicional de BM, a barbearia do Sr Pineschi, a cachaça do Sr. Paulino, o açougue do João (açougueiro), a casa de macumba que vende bombinhas, busca-pés e mascaras para o carnaval.
O projeto inclui bares temáticos e restaurantes com comidas típicas, com shows informais de músicos e poetas regionais de todos os estilos. Uma cachaçaria, uma adega, uma cervejaria, restaurante de massas, comidas típicas, etc. Tudo com fachada simulando a história da cidade. Toda a rua pavimentada com paralelos, meio fio, calçada para dar um charme e iluminação com postes curtos contemporâneos, e iluminação indireta.
Isso tudo funcionando dia e noite com toda a segurança necessária.
Tem também uma briga jurídica de inventário que rola nessa propriedade, se eu não me engano.
O Ideal seria que a iniciativa fosse pública, porém sabemos que é difícil.
Ah, botaria como prefeito do “Novo Mercado”, o Hélio, que desde que me conheço por gente trabalha ou dentro dele ou em suas imediações.
Olha que potencial a ser explorado!!!
O valor dessa cidade está nesses pequenos pontos que o barramensense gosta e que podem render frutos para a economia da cidade, sobretudo sob o aspecto turístico.
Gostaria muito de um dia ver isso acontecer, e não a construção de um edifício, ou de um estacionamento no local, coisa típica da decadência moderna.
Desculpem-me pelo texto rápido, pois dei uma paradinha para escrever a coluna e quase não deu tempo para reler. Estou em época de provas e o bicho está pegando, e logicamente a lei de Murphy funciona nessas horas.
Um abraço em todos e até a próxima quinta.
ENQUETE

Para manter o compromisso assumido na criação do blog, de manter um texto atualizado a cada dia da semana, faremos uma enquete. Simples, mas tão simples, que fica até difícil responder.
Gostaríamos de saber o que você, leitor, acha que Barra Mansa tem de melhor ou de pior (mas, se você está/é em/de outra cidade, diga o nome da mesma e fale o que ela tem de pior e de melhor. Pode falar também de nosso Estado (RJ - ou outro qualquer) e do país. A pergunta é simples (repetimos: se você é de outra cidade, substitua o nome Barra Mansa pela outra cidade). A pergunta é:
O QUE BARRA MANSA TEM DE MELHOR? E PIOR? Respostas nos comentários.
Administração do blog.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Final de Semana!
A princípio parecia que ia ser um sacal, mas...
Bom no sábado acordei cedo e fui para Vassouras para mais uma etapa do Empreendedor Rural, acabada a aula eu parti para o Rio onde iria fazer o teste Anpad (tipo vestibular para ingressar no mestrado de Administração de Empresas). A prova foi na FGV e para ficar fácil eu reservei um lugar no Hostel da Farani www.brothershostel.com.br . Para quem não sabe este é o nome do antigo Albergue da Juventude. (Pausa para todos os coroas dizerem: pô, o Mozart tá meio velho para fazer estas paradas!) Cheguei por lá umas 8 da noite. Quando entrei já vi uma coisa que me agradou muito! Sobre uma mesa do bar deles tinha uma garrafa de Serra Malte (melhor cerveja do Brasil, na minha opinião).
Desci para comer algo e fiquei pelo bar mesmo, pois tinha a prova no dia seguinte. Mas uma Serra Malte eu não ia deixar passar. Foi quando pedi que um dos donos me falou que aquela era para consumo próprio, mas ele ia me ceder uma. Oh cerveja boa! Depois eu comecei a reparar nas coisas. O lugar é muito transado, os donos conhecem o mundo todo e são muito receptivos. Papo vai, papo vem começo a conversar com o braço direito dos caras, digo isso pois ele é um misto de recepcionista, barman, concieerge e o que pintar para fazer. O bar estava meio vazio e fiquei sabendo que estava em uma festa fechada, só ai comecei a reparar nas pessoas. Era um aniversário de 60 anos. Dei umas risadas e fui dormir.
ÉTICA, POLITICA OU FURO JORNALISTICO ???
Este é um teste para sua auto-avaliação.
Responda a pergunta final com sinceridade e então poderá auto-avaliar sua moral. Trata-se de uma situação imaginária.
Você deve decidir sobre uma atitude a ser tomada baseada em duas alternativas possíveis.
Caso:
Você está em São Paulo, em meio aos terríveis momentos de enchentes que normalmente ocorrem na cidade. Você é um repórter fotográfico que trabalha para a CNN e está desesperado em meio ao caos (pessoas pedindo socorro, carros sendo arrastados pela correnteza) e tirando as
fotos das mais impactantes possíveis.
A água cobre a principal via de trânsito e envolve pessoas e veículos. De repente, em meio ao caos, você vê naquele "Land Rover" o Lula, a Dilma, o José Dirceu e o Delúbio, e o José Sarney.
Eles lutam, desesperadamente, para não serem arrastados pela correnteza, que segue direta para um enorme buraco que a tudo engole, entre lama, lixos, pedras, exatamente tudo é engolido por aquele buraco que mais parece ser a abertura de uma passagem para o próprio Inferno ! E eles estão sendo arrastados inexoravelmente...sem qualquer chance de escapar àquela boca medonha e feroz que a tudo e a todos engole, rápida e vorazmente...
Você tem a oportunidade única de resgatá-los. Mas tem também a oportunidade única de tirar uma fotografia jornalística, seguramente ganhadora do Prêmio Pulitzer, que te faria famoso no mundo inteiro, ao mostrar o flagrante inédito DA MORTE de tão famosos políticos.
Não dá para titubear e nem fazer as duas coisas: salvar e fotografar. Você tem que escolher !!!! Só depende de você !
Pergunta:
Baseado em seus princípios éticos e morais, na fraternidade e solidariedade humanas, que devem ser o forte das pessoas generosas, crentes e de bom coração segundo as Leis do seu Deus, responda sinceramente:
VOCÊ FARIA A FOTO EM PRETO E BRANCO OU COLORIDA?
* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 37 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, este final de semana, como todos os outros, caiu na gandaia!!!!
domingo, 13 de setembro de 2009
Colocando na roda
Na condição de escriba titular dos domingos, gostaria de apresentar, ou melhor, botar na roda, um grande amigo e figura rara de nossa cidade, Jorge Faria Couto.
Jorge Couto é casado, médico, jazzófilo e botafoguense, não necessariamente nesta ordem.
Espero que gostem do texto e sobre tudo do Jorge.
Grandes abraços e um bom domingo para todos.
Valério Cortez
Curiosidades de uma terra distante
Por Jorge Couto
Assisti o DVD “Horowitz em Moscou” (para quem não conhece, Horowitz, cujo nome completo era Vladimir Samoylovych Horowitz, considerado um dos mais brilhantes pianistas do século XX, nasceu em Kiev, Ucrânia, em 1903, e faleceu em Nova York em 1989). Além do virtuosismo do artista uma coisa é muito curiosa: o público.
Antes do recital do artista, o filme mostra nos dias que antecedem o espetáculo, a intensa expectativa que toma conta da cidade. Bem, até aí nada de extraordinário já que se trata da volta de um artista mundialmente consagrado à sua terra natal (na ocasião a Ucrânia, Rússia e outros países formavam a, hoje, extinta URSS). Mas ver um artista “erudito” ser tratado como um pop star, cercado por policiais que procuram conter uma pequena multidão que insiste em se aproximar do seu carro, é algo, pelo menos para mim, inusitado. Pois é isto que se vê. Homens e mulheres de todas as idades, até mesmo crianças, sorrindo, acenando e aplaudindo a simples passagem do automóvel com o pianista. E o que dizer do aspecto das pessoas nas filas para a compra de ingressos? Homens com roupas comuns, alguns com aspecto de recém saídos do trabalho em fábricas, mulheres jovens, senhoras com lenços sobre a cabeça, apetrecho feminino comum naquela parte do mundo.
A apresentação do pianista é magnífica. Mesmo já bem velhinho, Horowitz está em plena forma e dá um show. Nas primeiras filas da platéia estão alguns senhores e senhoras com aspecto próspero. Desconfio que sejam membros da burocracia do antigo PC da URSS. Hoje, esta mesma gente deve continuar frequentando espetáculos, com aspecto ainda mais próspero. São os novos milionários da Rússia. Com sua influência e poder, amealharam um bom dinheiro na privatização das antigas empresas estatais soviéticas, tornando-se, mesmo, seus proprietários em alguns casos. Bem, mas este tipo de gente todos nós já conhecemos. Curioso mesmo é a platéia. Lá está novamente a gente de aspecto simples; alguns com antigos gravadores registrando aquela música; outros de olhos fechados, extasiados com o que ouvem. É impressionante, mas, pensando melhor, previsível. Em uma terra onde um poeta como Maiakovski lia seus poemas em estádios de futebol lotados, não é de se estranhar que um artista como Horowitz cause tanta sensação.
Povo curioso o russo! Produziu ao longo dos anos grandes escritores, bailarinos, artistas plásticos, compositores, músicos, dramaturgos; enfim, um impressionante número de talentos que só poderia surgir de um povo de imensa sensibilidade. No entanto, este mesmo povo é capaz de lutar de maneira feroz. Os exemplos são muitos. O mais recente e eloquente é o da resistência e vitória final sobre o exército alemão na Segunda Guerra Mundial. Foram cerca de vinte milhões de soviéticos mortos durante o conflito. Mas isto já é outra historia.
sábado, 12 de setembro de 2009
Brazilian Day

Por Luciano Romanieli *
"Saudade! saudade!
Hoje eu posso dizer o que é dor de verdade."
A festa foi muito mais bacana do que eu imaginava, no ano passado mais de 1.5 milhões de pessoas ocuparam a área reservada de 25 quarteirões em Manhattan. Hoje é uma das maiores festas de rua de Nova York e o maior evento Brasileiro fora do Brasil.
Minha definição da festa é como se pegassem as barracas da feíra de São Cristovão, colocassem na Avenida Paulista e chamassem os DJs da Lapa. Tocava-se de tudo: samba, música Baiana, forró, O Rappa e etc. Comida a vontade e aquele cheiro de gordura quente. O Clima era de copa do mundo, todo mundo com camisa do Brasil e um
sorrisão na cara, a vitória contra a Argentina no dia anterior caiu muito bem.Festejar é uma das nossas especialidades ainda mais quando tem música boa. Enquanto rolava os sertanejos aproveitei para passear pelas músicas das barracas e rir da gente, somos muito engraçados e sem vergonha de sermos felizes. Lembrei do Mozart, chorei muito, um mix de angústia pela saudade e alegria de está curtindo aquele momento. Os óculos de sol ajudaram, ninguém percebia, aí que eu chorava mesmo.

Começando o show do D2 fui emburacando no meio da muvuca, emburaquei tanto que fui parar na área VIP, no gargarejo, na beira do palco. Muito bom assistir a Marrom, Arlindo Cruz e D2 na quinta avenida, ver essa cidade parar pra gente e fazermos uma festa tão bonita. Bebida alcoólica na rolava, mas tinha muita gente com cara de alucinado com um copo de café na mão, somos creativos. Minha máquina acabou a bateria, fiquei sem fotos, busquei essas imagens na internet.
Quero manifestar a minha indignação pelo assunto postado pelo Vinícius essa semana, fiquei muito incomodado e isso está martelando toda hora na minha cabeça. Temos que tomar alguma ação. O que fazer? Não podemos sobrescrever esse assunto. Vamos pensar em alguma coisa. Cesinha, parabéns pela sua coragem no comentário.
*Luciano Romanieli, barramansense, que escolheu o Rio de Janeiro como a sua cidade.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
BAIXA GASTRONOMIA – Parte I
Nestes tempos modernos, o ato de passar fome – por mais estranho que pareça para uma espécie que integra o reino animal – tem sido algo espontâneo e procurado por muitos de nós pelos mais variados motivos. Por outro lado, existem lugares que estão na contramão das dietas milagrosas e saudáveis que se alastram pelas revistas especializadas – ou não – vendidas no jornaleiro da esquina próxima. São lugares cuja comida tem como ingrediente principal o sabor e o excesso despudorado de calorias que tornam a experiência ainda mais sublime. Um desses lugares é o restaurante Costelinha.
Trata-se de um pequeno achado gastronômico, situado à margem da Via Dutra, próximo ao acesso do bairro Vila Independência, no sentido Rio de Janeiro, escondido por uma grande mangueira na entrada que, além da proteção do sol do meio-dia, ajuda a guardar o sigilo de um estabelecimento que faria enrubescer muitos chefs três estrelas do cultuado e empolado Guia Michellin.
O diferencial já é logo percebido na chegada quando, ao sair da pista paralela à Rod. Presidente Dutra, entra-se no estacionamento de terra batida, onde é possível guardar o carro debaixo de uma mangueira frondosa e sem a incômoda presença de flanelinhas perguntando: “Quer que dá uma olhada aí tio?”
Pô, tio, que tio mermão? Quando isso acontece, dá vontade de ir logo respondendo o mesmo que o Doca Street, lá na Sobeu: “Por um acaso eu "peguei" (com eufemismo) a irmã da tua mãe?”
Voltando ao tema, quero esclarecer que o estabelecimento passou por uma recente reforma – acho que pintaram alguma coisa lá – e agora adota um estilo, digamos, bem franciscano. É fácil perceber o clima aconchegante, já que no local há, no máximo, oito mesas. São duas maiores, daquelas que dá para a família toda comer junto, tipo almoço de domingo, com bancos que são um detalhe à parte, pois não têm encosto. Isso mesmo, são aqueles bancos compridos, sem encosto, onde dá para sentar pelo menos uns cinco de cada lado, coisa que não se vê por aí.
Finalmente o almoço. O cardápio ... não tem. Você pede para vir a comida e só diz quantas refeições vai querer. É o que basta. Sem dificuldades na escolha, sem qualquer margem para frescura.
A entrada, acreditem, consiste em uma bela salada de verduras e legumes que parece ser muito boa, pois vem caprichada. Eu particularmente nunca comi e não conheço ninguém que tenha comido, mas deve ser muito boa mesmo, pois tem uma aparência ótima. Muito boa mesmo, vale a pena experimentar ... eu acho.
Logo em seguida, enquanto você ainda está pensando sobre o que eu disse no parágrafo anterior, chegam as ambrosias!
Embora existam variações de acordo com o dia, na última sexta-feira o menu principal consistia em lingüiça mineira com mandioca (amarelinha) fritas, rabada com polenta, frango de panela e, finalizando ... costelinha de porco frita. Digo principal porque ainda há uma travessa de arroz branco e outra de feijão gordo, aliás, obeso.
Caro e seleto grupo de leitores, eu poderia ficar algumas páginas aqui discorrendo sobre questões relativas ao sabor, textura, apresentação, tempo de cozimento, combinação de temperos, enfim, sobre toda a alquimia da cozinha contemporânea. Mas eu não entendo nada disso e, por essa razão, jamais cometeria tal deselegância com pessoas que me são tão queridas. O que eu posso dizer é que todo o serviço ocorre direto na mesa, sem aquelas odiosas filas de restaurante à quilo, com comida exposta de forma impessoal e até mesmo estranha, já que as vezes você consegue encontrar uma lasanha ao lado de uma feijoada ou peixada(!?), só para exemplificar. No Costelinha a coisa é levada sempre para o lado pessoal e tudo está perfeitamente combinado, como vocês devem ter notado.
Alguns poderão até não gostar – esse é um direito que assiste a todos – mas, sempre que vou lá, saio com a impressão de que o Costelinha é um lugar de comida saborosa, honesta, feita e servida com bastante carinho e bom humor, o que fez com fosse minha primeira referência de (baixa) gastronomia em nossa cidade.
Já ia esquecendo, a salada voltou ilesa, mas parecia estar muito boa.
Um grande abraço e até a próxima.
*César Augusto Zadorosny, tem 35 anos, é barramansense, e só não vai mais ao Costelinha porque a balança não deixa.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Coronelismo Tecnológico
Também já escutei que seria a maior invenção da humanidade até agora no que se refere a tecnologia da informação.
Verdadeira evolução: Na Alemanha já se fala em parar de produzir chips e supercondutores!
E nós ainda brigamos por siderúrgicas e montadoras....
Temos que dar um salto gigantesco em educação, para tentar não ficar muito atrás.
O bonde do século XXI está passando
Um abraço a todos e até a próxima quinta.
Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) é pai, empresário, estudante, músico, gandaieiro, e coisa e tal...
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Barra Mansa vista por um forasteiro
nosso colunista das quartas-feiras, Figurótico, não pode publicar a coluna hoje. Na próxima semana estará aqui, esperamos.
Então, apareceu a oportunidade de colocar um texto de um cara recém-chegado à Barra Mansa, Wilson, que veio para trabalhar no Fórum e e nos mostra sua visão da cidade. E uma visão bem particular, diga-se de passagem. Mostra um carinho que muitos barramansenses não possuem com sua terra.
Bem, chega de apresentações e vamos ao texto, que é o que interessa.
CIDADE FEIA É O C******!!!!!!!!
por Wilson V. Soares Júnior*

Pensei em fazer algo organizado, cadenciado, que conduzisse o leitor, graciosamente, por entre Barra Mansa e as suas nuances, traçando os cinco horizontes desta tela e finalmente explodisse em êxtase, como num riff do bom e velho guitarman, Leslie West (Mountain – se não ouviu ouça)... Mas acabei por seguir um comentário do “recém-amigo”, barramansense, Cesinha: Vou fazer mesmo é brainstorm!!!
Confesso que já me incluí no grupo de pessoas que vou criticar (construtivamente, é claro!).
Conheci Barra Mansa de maneira forçada. Não planejei uma viagem a Barra Mansa; não conhecia ninguém em Barra Mansa. Barra Mansa pra mim era uma cidade de passagem. Passava por aqui pra ir e pra voltar de Angra... Em dado momento, mudei-me pra Piraí, depois pra Volta Redonda, depois pra Angra... E sempre que passava aqui percebia os comentários de outros desavisados passageiros: “Nossa, mas que cidade feia!?!” . E isso era tão uníssono que, mesmo sempre tentando manter isenção e olhar com olhos críticos, acabei rendendo-me ao coro.
Até que um dia, tentado por uma proposta de permuta no trabalho, vim parar aqui, desta feita para RESIDIR em Barra Mansa. Então tudo mudou...
A primeira coisa que chamou minha atenção foi o jeito singelo com que, ao pisar numa faixa de pedestres, os veículos que se aproximavam pararam prontamente. Fiquei assustado! “Como é que pode? Não, tem alguma coisa errada... Tem ladrão atrás de mim!”. Não havia. “Os carros travaram, né possível!!!”. Quando é que eu poderia sequer imaginar que haveria uma cidade do tamanho de Barra Mansa em que se conserva o charme da gentileza (embora muita gente ainda reclame do trânsito aqui, que para os meus padrões de Rio de Janeiro, é fantástico)!!! Pô, os carros param pra gente passar! Pisou na faixa, parou...
Outra coisa interessante: O famoso Jardim da Preguiça... Só pra constar, sou daqueles namorados que curtem programas tipo dar milho pra pombo, sabe? Daí, imagina levar tua namorada num dia de domingo, um solzinho manhoso, curando pileque, de preguiça, sentado na praça, com sorvete na mão e torcendo pra danada da preguiça estar afim de dar uma cagada...Hein? Maravilha!
Falando em pileque, o que já percebi que também não falta aqui e é característica imprescindível de cidade charmosa são os botecos, principalmente aqueles que têm os tiozinhos contando as histórias (e que histórias!) da vida; eles nem se dão conta de que estão, aos poucos, escrevendo manuais de instruções para a vida – sortudos aqueles que os ouvem com o coração... E como ficam satisfeitos em dividir conosco estes momentos... Sabedoria em gotas (e ainda por vezes, bem etílicas!).
Mas Barra Mansa não é só essa nostalgia e pacatez... Barra Mansa também tem seu burburinho, gente indo e vindo, comprando e vendendo e se aglomerando e empurrando e pagando contas e esperando em filas: (aí, Rosenburg!) de gente, de veículos, de corações, de sonhos...
Pra quem é de fora, como eu, parece que todo mundo se conhece e é inevitável perceber como tem gente cuidando da vida da gente, né?
É uma cidade agitada, mas que às vezes dorme. Dorme quando volto de madrugada curtindo embriaguez, o vento frio no rosto e os pensamentos saltitando nas circunvoluções das águas do Paraíba – adoro atravessar a Ponte do Ano Bom de madrugada, com aquelas luzes azuis, psicodélicas o suficiente pra me deixar zen.
É uma cidade agitada, que às vezes dorme... e dorme por muito tempo, deixando que seus governantes ignorem o potencial que ela tem, que sua hospitalidade tem, que seu território tem. Dorme até ser desrespeitada... E o pátio de manobras continua lugar comum das discussões... E dorme. Dorme.
Acorda!!!!!!!!!!
Acorda no senso crítico dos amigos que estou fazendo aqui e que, como eu, tentam lutar contra o pensamento pré-fabricado, a filosofia de prateleira, o discurso já mastigado e digerido por sofistas de plantão! Acorda, porque a voz está presa na garganta e apesar de entorpecidos por drogas socialmente “aceitas” como o funk (não o funk de 1970), forró, pagode, enfim modismos, ainda dá pra se ouvir os gritos do Rock’n Roll. Parodiando o Figurótico: roqueiros, estamos em extinção, mas dinossauro é dinossauro! É maior, mais barulhento e mais perverso...rs
Barra Mansa. Sou mineiro. E tu, Barra Mansa, é a lembrança mais concreta do melhor que tenho em casa... Por isso, agora, és a minha casa...
Pra fechar, peço que dedique este momento à apreciação das fotos anexas...
E pra não deixar de ser ácido: Barra Mansa não é feia!!!! Feios são aqueles que, ainda que com bons olhos, enxergam mas não verdadeiramente veem Barra Mansa.
P.S.: As repetições do nome Barra Mansa foram intencionais. Perdões pelo português.
*Wilson V. Soares Júnior é vagabundo profissional.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
O Dunga tinha razão?
Como a maioria de nossos 1378 leitores sabe eu nunca fui bom de futebol. Sou torcedor do nosso querido Flamengo, mas não sei a escalação de cor e salteado. Como bom brasileiro eu torço pelo nosso scrat (é assim que escreve?) canarinho. Não sou muito simpático pela atuação do nosso técnico atual. Ainda mais agora que ele não para de se gabar que ele estava certo e o Brasil inteiro estava errado. No ambiente da educação temos uma máxima: quando um aluno tem problemas a causa provável é o próprio aluno, já quando o problema envolve mais da metade dos alunos a causa do problema é o professor.
É claro que competência na obtenção de resultados é uma coisa que não podemos questionar. Um bom exemplo disso é que Paulo Coelho é o escritor com mais livros vendidos no mundo. Ele ultrapassou a marca de nosso saudoso Jorge Amado (Isso mesmo somos um país de escritores, isso mostra que ainda podemos ter esperança). Isso não quer dizer que o parceiro de nosso querido Raulzito é o melhor escritor do mundo. Quer dizer apenas que ele é um escritor que vende muitos livros.
Por isso eu acho que o Dunga não é o melhor técnico que passou por nossa seleção. Ele apenas está conseguindo vencer. E ele se conclama como o Cara! Mas, na minha visão pelo menos, classificar uma seleção com os melhores jogadores do mundo é mera obrigação. Ganhar de uma argentina esfacelada, coordenada pelo maior embusteiro do futebol dos últimos tempos chega a ser ridículo.
Eu tenho saudade mesmo da seleção que foi a Espanha de 82, maravilhosa com jogadores primorosos e um técnico que realmente não me lembro. Diferente da era Dunga. Aquela seleção que levou a copa, mas jogava feio e ficava totalmente dependente das habilidades individuais de Bebeto e Romário. Quero uma seleção que de show e não uma que vença e ponto.
E continuo achando que o Dunga não está certo ou errado, acho apenas que ele está fazendo a sua obrigação. Mas confesso que ver o Maradona roendo as unhas valeu a pena!
* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 37 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, gosta de futebol, mas joga mal para caramba e prefere ficar na sua piscina.

