segunda-feira, 30 de novembro de 2009

MENSALÃO CANDANGO


por Carlos Vinicius Rosenburg*

Caros amigos, desculpem a demora, estou de plantão, sem tempo, os dias continuam tórridos, ar ligado constantemente, mais consumo de energia, risco de apagão etc. Não bastasse toda essa calma(?), nosso país continua nos brindando com seguidos escândalos. Um desvio aqui, outro acolá, um PM que assalta um cidadão, bêbados envolvidos em acidentes de trânsito, balas perdidas e outras coisas mais.

Mas o que prendeu as atenções de todos, tirando o futebol (só falo nesse assunto semana que vem – o post já está guardado), foi o escândalo envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM – ou PFL, PDS, Arena, tanto faz...). Aquele mesmo que, anos atrás, acusado de violar o painel de votações do Senado Federal, fez um discurso emocionado, falou na família, chorou, pediu perdão e renunciou. Logo depois foi eleito deputado distrital, sendo em seguida alçado ao posto de governador pelo voto popular.

O distinto político foi investigado pela Polícia Federal com base nas revelações feitas por um ex-assessor seu, que pretende salvar-se com a delação premiada, segundo nos passa o noticiário.

Aí, com aquele toque de surrealismo que só os políticos brasileiros têm, Sua Excelência, depois de ser filmado, com vídeo e áudio que não deixam qualquer dúvida sobre suas quintas intenções, afirma que o dinheiro que recebeu no gabinete do assessor (na época em que ainda era deputado distrital) era para compra de... panettones para a população carente! Como esses caras têm coragem de dizer isso? Por que eles fazem isso? Agora, no lugar do “pão e circo”, teremos o “panettone e circo”. É um avanço...

Olha, há três livros, em minha modesta opinião, que são fundamentais para se entender a sociedade brasileira: “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Hollanda, que trata do mito do homem cordial brasileiro; “Os Donos do Poder”, de Raymundo Faoro, que analisa a formação de nossa sociedade patrimonialista; e “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, que estuda a formação do povo brasileiro. Os três são imprescindíveis e tratam do assunto de forma brilhante. Com base neles dou meu pitaco na declaração do citado político.

Nossa sociedade foi criada com sentimento de que a coisa pública (res publicae, daí república), no lugar de ser coisa de todos, é coisa de ninguém. Por isso vemos orelhões danificados, vidros de prédios públicos quebrados, furtos de plantas de jardins e praças etc. Nosso povo tem a impressão de que aquilo, sendo público, não é de ninguém, quando o correto seria o sentimento de que é de todos.

E aqui chego ao ponto central da questão: isso está tão arraigado em nossa sociedade que a sensação da coisa de ninguém não se esgota quando o próprio cidadão comete lesões ao patrimônio público. Não, isso vai além. Vai até o ponto de achar, mesmo que inconscientemente, que os recursos públicos desviados são, também, coisa de ninguém. Daí a passividade, o conformismo, a letargia, que chegam a níveis patológicos, inaceitáveis em qualquer outro lugar do mundo.

Por causa disso, sem qualquer cerimônia, sem modos, sem lavar as mãos, o Sr. José Roberto Arruda dá declaração tão estapafúrdia e não é retirado do cargo por uma multidão enfurecida. Aliás, não é só ele não. Pelo mesmo motivo o Sr. Lula vem e afirma que nada sabia sobre o “mensalão”. Tem ainda FHC (chamou os aposentados de vagabundos, fez privatizações escandalosas - foi pego em ligação telefônica afirmando que poderiam usar seu nome em negociações), Ricúpero (que disse que o povo era, sim enganado), o Mensalão Tucano (Azeredo/MG), Sarney, Renan Calheiros e muitos outros.
Surreal, mas nós seguimos acreditando e carregando a certeza de que jamais seremos República.

Eles sabem o povo que têm nas mãos.

Até a próxima segunda e desculpem pelos (muitos) erros, pois não fiz revisão.

NOTA DE ATUALIZAÇÃO: Será que o Sen. Pedro Simon leu o Estação BM? É que o jornal O GLOBO publicou reportagem (http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/11/30/pedro-simon-caso-arruda-o-mensalao-do-dem-914984620.asp) em que o senador gaúcho chama o caso relatado na coluna de hoje de "versão candanga do mensalão", e isso foi publicado no referido jornal às 15h19min, e nossa coluna saiu às 15h03min... Brincadeiras à parte, parece que o escândalo está tomando vulto. E não poderia ser de outra maneira. Só esperamos que não acabe em panettone...

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é casado e detesta panettones, principalmente aqueles feitos em Brasília/DF. Escreve também no blog Confraria Jurídica (ficou uma semana fora, mas nessa estará lá todos os dias - http://www.confrariajuridica.blogspot.com/)

domingo, 29 de novembro de 2009

O MUNDO DA CERVEJA


Prezados leitores,


o decano do blog, colunista dos domingos, Sr. Luiz Valério Cortez, mais uma vez não poderá assinar sua coluna. Está impossibilitado clinicamente, tudo decorrência das orgias etílicas em que se meteu na semana passada, ao participar de um cruzeiro. Mas isso será melhor explicado por ele na semana que vem (esperamos!).


Enquanto isso, temos o prazer de apresentar um texto muito agradável e didático, que pode mesmo ser considerado uma homenagem ao Valério, já que trata de um tema muito apreciado pelo legendário blogueiro: a cerveja.


Sirvem-se, leitores, do texto do querido amigo José Eduardo Pereira, médico, 31 anos, casado com a também médica Cristine (filha do Dr. Cunha, do antigo Banerj), mais um forasteiro adotado por Barra Mansa.
Assim como o vinho, a cerveja também possui seu mundo, suas particularidades, e o texto do Eduardo serve (e bem) como introdução nesse fascinante terreno.


Apreciem, com moderação.


O MUNDO DA CERVEJA


por José Eduardo Pereira*



Tipos de Cervejas


As Cervejas podem ser classificadas de acordo com os seguintes critérios :


1. Tipo de fermentação :


1.1. Cerveja de Alta Fermentação : obtida pela ação de levedura cervejeira (saccharomyces cerevisiae) que emerge à superfície do líquido na fermentação tumultuosa (Ale).

1.2. Cerveja de Baixa Fermentação : obtida pela ação de levedura cervejeira (saccharomyces uvarun) que se deposita no fundo da cuba durante ou após a fermentaçào tumultuosa (Lager).


2. Teor de extrato primitivo :


2.1. Cerveja Fraca : quando fabricada a partir de mosto com teor de extrato primitivo igual ou maior que 7,0% e menor que 11% em peso.

2.2. Cerveja Normal ou Comum : quando produzida a partir de mosto com teor de etrato primitivo igual ou maior que 11% e menor que 12,5% em peso.
2.3. Cerveja Extra : quando fabricada a partir de mosto com teor de extrato primitivo igual ou maior que 12,5% e menor que 14% em peso. 2.4. Cerveja Forte : quando produzida a partir de mosto com teor de extrato primitivo maior que 14% em peso.


3. Cor :


3.1. Cerveja Clara : quando possuir cor correspondente a menos de 15 unidades EBC (European Brewery Convention).

3.2. Cerveja Escura : quando possuir cor correspondente a 15 ou mais unidades EBC.


4. Teor Alcoólico :


4.1. Cerveja sem álcool : quando seu conteúdo de álcool for menor ou igual a 0,5% em peso. 4.2. Cerveja de baixo teor alcoólico : quando seu conteúdo for maior que 0,5% e menor que 2,0% em peso.

4.3. Cerveja de médio teor alcoólico : quando seu conteúdo for igual ou maior que 2,0% e mnor que 4,5% em peso.

4.4. Cerveja de alto teor alcoólico : quando seu conteúdo for igual ou maior que 4,5% e menor que 7,0% em peso.



Como fazer cerveja - O Processo de fabricação



Produzir cerveja requer três processos básicos: mostura, fervura e fermentação. Os dois primeiros geralmente ocorrem no mesmo dia. Já a fermentação dura de uma a algumas semanas. A seguir, uma descrição resumida de cada processo.



MOSTURA


Este processo, que dura de 2 a 5 horas, extrai os açúcares fermentáveis e outros componentes importantes do malte. Primeiro o malte é moído, depois misturado à água quente, permanecendo a uma temperatura de aproximadamente 65ºC. Depois disso, a água rica em açúcares (agora chamada de MOSTO) é retirada e o que restou do malte moído é lavado com água quente para extrair o máximo possível dos açúcares que restaram.


FERVURA


O mosto é fervido na caldeira de fervura, normalmente de 1 a 2 horas. Durante a fervura, o lúpulo é adicionado em momentos variados, com a finalidade de conferir amargor, paladar e aroma que o cervejeiro deseja. No final da fervura, o mosto é separado do lúpulo e resfriado, sendo preparado para a fermentação.


FERMENTAÇÃO


O fermento é adicionado ao mosto para iniciar a fermentação e transformá-la em cerveja. As fermentações “Ale” (de alta fermentação) duram de 5 a 10 dias a temperaturas de 16 a 21ºC. As fermentações “Lager” (de baixa fermentação) geralmente são mais longas, com uma fermentação inicial de 10 a 13ºC, seguida de um período de maturação a 1ºC. No final da fermentação, a cerveja é carbonatada e envasada.


É claro quer há inúmeros processos de fazer cerveja, como com fermentação natural, carbonatação natural, adição de outros "temperos" além do lúpulo, etc. Todavia, o roteiro resumido acima dá uma boa idéia inicial da “espinha dorsal” da produção do nobre líquido.


Temperatura ideal para degustar sua cerveja


A temperatura de uma cerveja, sem dúvida nenhuma, influencia a experiência de degustação, já que ela pode alterar o bom funcionamento dos receptores gustativos da língua. Temperaturas baixas permitem que cervejas fracas como as Pale Lagers sejam apreciadas por seu frescor, enquanto temperaturas mais quentes permitem que os sabores e aromas mais complexos de uma Ale sejam percebidos.

Existe, portanto, uma regra errada de que a melhor cerveja é sempre a mais gelada. Se estivermos falando sempre das Pilsen, as mais populares no Brasil, estaremos quase certos, mas não absolutamente, já que há um limite de resfriamento. E se você quer realmente começar a conhecer outros tipos de cervejas, deverá atentar para este assunto de temperaturas.


A escala apresentada abaixo é uma variação dela, adaptada ao clima e gosto do brasileiro:


Muito gelada (de 0 a 4°C): Pale Lagers, cervejas sem álcool e qualquer cerveja que tenha o objetivo de refrescar e não muito a de ser degustada, provavelmente pela qualidade duvidosa

Bem gelada (de 5 a 7°C): cervejas de trigo claras, Lambics de fruta e Gueuzes.



Gelada (de 8 a 12°C): para Lagers Escuras, Pale Ale, Amber Ale, cervejas de trigo escuras, Porter, Helles, Vienna, Tripel e Bock tradicionoal.


Temperatura de adega (de 13 a 15°C): para as Ale quadrupel, Strong Ales Escuras, as Stout e a maioria das cervejas especiais Belgas, incluindo as Trapistas. As Bocks mais fortes como a Eisbock e a Doppelbock.


Você deve notar que as cervejas mais claras e suaves normalmente são servidas mais geladas, enquanto as mais escuras e mais fortes devem ser servidas a temperaturas maiores. Obviamente isso não é uma regra, bem como as escalas apresentadas acima, porém são uma boa orientação, que pode ser seguida ou não, dependendo do gosto de quem bebe, do local de consumo e da proposta do momento.


DICA: Se estiver em dúvida sobre a temperatura ideal da cerveja, seja por não saber o estilo ou não lembrar a tabela acima, guie-se pelo percentual de álcool. Em muitos casos a temperatura ideal estará em até 3°C acima do percentual alcoólico. Desconsidere a dica para as pale lagers que bebemos muito geladas.


Copos de Cerveja - tipos e estilos para cada cerveja


Parece frescura e você pode até não acreditar, mas o tipo do copo influi consideravelmente nos prazeres degustativos que você pode obter de uma cerveja. E por dois motivos:

a) Apresentação


Na Bélgica, cada cerveja tem o seu copo próprio. E olhe que estamos falando de um país do tamanho do nosso estado do Ceará e que possui mais de 450 cervejas diferentes. Isso porque um dos grandes prazeres degustativos é o VISUAL. Nada mais inspirador do que a imagem de um cálice com uma cerveja trapista ou um "weizen" transbordando de hefeweiss alemã.
Além disso, cada formato de copo tem uma função em relação à espuma, uns feitos com uma preocupação maior para mantê-la a uma certa altura, outros nem tanto.

b) Aroma

Uma das principais características da cerveja, são levados em consideração na hora de desenhar o copo que sejam mais adequados, segundo o fabricante, para desprender o bouquet e aroma da cerveja, para você poder apreciar o que cada uma tem de melhor.

É claro que nada substitui o prazer de tomar cerveja com os amigos, no boteco, com um prosaico copo "americano . Mas consideramos que, na hora de degustar, você tenha à mão algum copo ao menos parecido com o que é recomendado pelo fabricante da cerveja.
Isto posto, vamos aos tipos mais comuns de copos:


PILSNER


Nós, brasileiros, o chamamos popularmente de "tulipa". Ideal para as cervejas dos tipos pilsen. Possibilita a formação de um bom creme e direciona o aroma do lúpulo para o nariz. Mas não confunda com o copo de Lager, que também são muito usados para chope aqui no Brasil: o Pilsner tem a boca mais larga, enquanto o de Lager tem a boca levemente fechada.

LAGER (chope)


Facilmente encontrados no Brasil, são os tradicionais copos de chope, o qual erroneamente chamamos de tulipa. A diferenca é que a tulipa tem a boca mais aberta, um pé mais fino e geralmente mais alto.


CALDERETA


Comumente visto servindo chope em algumas choperias, o caldereta é versátil e pode ser utilizado para English e American Ales e também para algumas lagers escuras e IPAs. Por comportar um volume um pouco acima de 300ml, é uma alternativa mais adequada do que outros copos genéricos, portanto uma boa opção para se ter em casa quando não se pode ter os diversos estilos recomendados. Também leva o nome de Shaker.

PINT


Também chamado de Becker, é aquele que você entorna nos pubs ingleses e irlandeses. Ideal para as cervejas do tipo Bitter e Stouts. Foi idealizado por ter um desenho simples, barato e que comporta grandes quantidades de cerveja. Os que apresentam o anel mais saliente no topo, como o da foto ao lado, são do tipo Imperial Pint, também chamado de Nonic, os demais são do tipo English Pint.


WEIZEN

Como o próprio nome já diz, é ideal para cervejas do tipo Weiss, as de trigo. Permite que se admire o corpo e a cor da cerveja, bem como a expansão do creme. E como são altos, possibilitam que todo o conteúdo de garrafas de 500ml sejam colocados no copo, incluindo o fundo com as leveduras, e ainda sobre espaço para a espuma, como manda a tradição do estilo.

TULIPA


Ideal para cervejas que possuem bastante creme, como a Duvel e outras Strong Ales belgas. O desenho é baixo e elegante, permitindo também observar a evolução do creme. Não confundir com o que chamamos aqui no Brasil de Tulipa, que na verdade é um copo Pilsner. A Tulipa parece mais com uma taça de conhaque, porém com a boca do copo virada para fora.

CÁLICE

Na Bélgica é chamado de Goblet, e lembra a flor do mesmo nome. Ideais para as grandes trapistas belgas. São muito bonitos, às vezes ostentando dourado na borda. São desenhados para manter íntegro o creme, bem como proporcionar maior percepção do aroma. Também podem ser usados com os estilos Dubbel, Tripel e Quadrupel. Váriações de formato são encontradas com os nomes de Bolleke (copos da Leffe e Westmalle) e Trapist (copo da LaTrappe).

FLAUTA

Em forma de flauta, são mais usados para beber espumantes e champagnes, mas são ideais para cervejas do tipo Faro, Lambic, Gueuze ou as champegnoises, como a belga Deus e a brasileira Lust. O fato de serem esguios possibilita que o creme demore mais para se dissipar, mantendo as qualidades da cerveja no copo.

CANECA


Muito usada para servir chope ou cervejas vendidas na pressão. Podem ter vários tamanhos e formatos, mas normalmente são robustos, de vidro grosso, e algumas têm até apoio para o polegar na alça, para ajudar com o peso do copo+cerveja. Também podem ser de cerâmica e metal, mas para degustações, prefira as de vidro mesmo, maior garantia de não influenciar no sabor da cerveja.

MASS


É o típico canecão alemão de 1 litro, ideal para grandes e festeiros bebedores, daqueles que adoram brindar a cada minuto. Também conhecido, na Alemanha, como "mug" ou "stein", deve seu sucesso à quantidade de cerveja que podem conter.

YARD


Parece um tubo de laboratório, sem pé, o que demanda um suporte de madeira caso quem estiver usando-o não queira ficar segurando-o o tempo todo. Ficou famoso por ser usado e recomendado pela Pauwel Kwak

TAÇA


Não estão ligadas a nenhum estilo em específico, mas são cada dia mais usados com cerveja, seja pela elegância que confere, seja pela ergonomia que oferecem. Taças de vinho também vêm sendo utilizadas em degustações, principalmente aquelas altas e largas e as do tipo ISO, aquelas menores para degustação. também chamadas de Pokal ou Footed Glass.

TUMBLER


Copo utilizado para as cervejas do tipo witbier, com o a Hoegaarden. Como estas cervejas não formam muito creme, o copo não precisa ter a boca fechada. Robustos e pesados, também facilitam a vida dos bares por serem mais difíceis de serem quebrados, por isso não é incomum serem usados para servir coquetéis, refrigerante e chá gelado.

CILÍNDRICO


Copos cilíndricos normalmente são usados para cervejas Kölsh e Altbier. Porém, podem ser recomendadas pelos fabricantes em outros estilos, com por exemplo algumas fruit-beers. Permitem uma boa formação de espuma, porém não ajudam muito no desenvolvimento do aroma. Podem aparecer com outros nomes, como Stange, Stick (vareta) ou Collins.

CONHAQUE


Copos como os usados para conhaque são indicados para Barley Wines, Eisbock e Imperial Stouts, ou seja, cervejas fortes. São ótimos para capturar os aromas, permitindo agitar a cerveja em movimentos rotativos leves, sem muito risco de que a cerveja transborde o limite do copo. Também ajudam na manutenção de espuma, permitindo grandes goles sem que muito dela acabe entrando em contato com o rosto de quem bebe. Também chamados de Snifter.

OUTRAS DICAS IMPORTANTES


Se alguém lhe oferecer, para fazer "firula", um copo gelado, recuse. O contato da cerveja com a temperatura do copo produz condensação que irá diluir a bebida a ponto de alterar-lhe o sabor e a temperatura correta na qual deveria ser servida.

Lave seus copos sempre à mão, e assegure-se de estar bem enxaguado. Os saponáceos que eventualmente sobram no copo "matam" a cerveja e o seu creme. Seque-os, de preferência, naturalmente, sem contato com tecidos.


Jamais retire os copos recém-lavados da máquina lava-louças e sirva logo em seguida. O copo deverá sempre estar na temperatura ambiente para receber a cerveja.

RECOMENDAÇÃO DA SEMANA

Para começar, sugiro que comece por experimentar uma lager pilsener tcheca ou alemã, qualquer que seja sua escolha, será uma boa forma de comparar as autênticas pilsener’s com as cervejas que até então tomávamos achando que eram pilsener’s. Você perceberá um amargor mais intenso e uma cerveja mais encorpada do que as “pilsener’s” brasileiras.

Ex: Pilsener Urquell e Czechvar (a verdadeira budweiser, produzida na república tcheca, que por acordo comercial é comercializada no continente americano pelo nome que apresentei),ambas tchecas . Ou tente a Konig Pilsener ou a Spaten pils, alemãs que provavelmente serão mais fáceis de encontrar..


Obs: Vamos todos perturbar o Cid lá no Frilat pra ver se eles começam a trazer essas gracinhas para que nós possamos comprá-las aqui em Barra Mansa.


*José Eduardo Pereira tem 31 anos, é casado, médico anestesiologista, adora cerveja mas não bebe em serviço.

sábado, 28 de novembro de 2009

Enquanto o Blogueiro não vem...


ENQUETE:

Vamos falar do disputado e polêmico Campeonato Brasileiro de Pontos Corridos.
Estamos chegando ao fim de mais um Brasileirão. E esse está bem incomum, pois temos uma final eletrizante, com praticamente 4 times capazes de levantar a taça.
Surgiram boatos sobre a manipulação de resultados com a aparição da Mala Branca.

Mala branca é o nome dado ao incentivo em
dinheiro fornecido a uma equipe desportiva para vencer uma partida contra uma segunda equipe, de modo que o resultado da partida beneficie uma terceira equipe (geralmente a responsável pelo pagamento).

Então diga:

a) Você acha que com a volta do emocionante mata-mata, seria o fim dessa ridícula polêmica de Malas Brancas?

b) Você acha que o São Paulo já mandou Malas Brancas para o Goiás e Sport?

c) Você acha válido negociar com um time que não tem nada a perder no campeonato para obter benefício próprio?

d) Você acha que o Flamengo deveria oferecer Mala Branca para o Corinthians e Grêmio?

Bom, as questões estão na mesa, agora gostaríamos de saber sua opinião.

Domingo o bicho vai pegar e vai dar pra saber se isso acontece ou não.

Um abraço.

Administração do Estação BM, o blog mais acessado da região.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

COZINHEIRO DE MÃO CHEIA

Por César Augusto Zadorosny*

Não por acaso podemos observar hoje em dia a grande proliferação de um assunto que está cada vez mais em moda: culinária. O ser humano, ao longo de sua caminhada por este já pequeno planeta, vem aprimorando tudo que toca, sejam suas construções arquitetônicas, os meios de transporte, música, comunicação e, porque não, sua alimentação.

Há informação sobre o tema vindo de todos os lados e para todos os gostos, desde revistas especializadas, sites de receitas, programas de TV apresentados por espertos no assunto e também por quem nada – ou quase nada – entende do riscado, mas consegue fazer uma pose bacana para a câmera, e é isso que acaba importando para emissora.

A moda pegou e, hoje, muita gente transformou-se em algo do tipo “especialista genérico” em comida. Explico. O sujeito baixa algumas receitas de um site da web, assiste a meia dúzia de programas de culinária na televisão paga, compra revistinhas na banca de jornal, acrescenta a isso tudo – como diz um amigo – um pouco de manjericão, orégano, azeite e queijo ralado e, eureca(!), temos um chef fresquinho, recém saído da fornalha. Sabe alguma coisa de quase nada e um nadinha de tudo.

De maneira alguma quero fazer disso uma crítica descontente aos adeptos, até porque tem aqueles que levam a coisa mais a sério, empenha-se, freqüenta cursos, etc. Ao contrário, acredito sim que todo o esforço é válido para trazer à mesa alguns quitutes novos, especialmente, quando conseguimos reunir nossos familiares e amigos queridos. É sempre uma ocasião especial que demonstra esforço, apreço e gentileza de quem se propõe a nos brindar com uma receita que aprendeu ou aprimorou, compartilhando a novidade saborosa.

Como (ainda) lúcido barramansense que sou, tenho de reconhecer que nossa cidade dificilmente entrará para o mapa como referência gastronômica e devo confessar que meu modesto paladar de raízes mineiras desconhece as maravilhas da alta culinária francesa. Mas, não se enganem, posso sobreviver a tamanha injustiça sem carregar uma só pitada de tristeza e desdém na alma. Afinal, acredito sinceramente a boa cozinha não é privilégio de uns poucos sortudos abastados.

Não vou enganá-los, de vez em quando, só de vez em quando, também assisto a um programinha de culinária aqui e acesso um site de gastronomia ali, só de curiosidade, entendem? Numa dessas ocasiões ouvi de uma chefe de cozinha brasileira que dificilmente é possível fazer boa comida gastando pouco, já que bons ingredientes são caros, e citou o caso dos legumes e verduras orgânicos.

Bem, não conheço o cardápio do restaurante dela e talvez nos grandes centros urbanos seja assim mesmo. Só que em Barra Mansa a coisa é bem mais tranquila. Uma, porque não há legumes e verduras orgânicos sendo vendidos em nossos mercados. E outra, mesmo que houvesse, o estabelecimento já teria falido porque ninguém aqui é trouxa de pagar cinco vezes mais numa cabeça de alface que é plantada a balde no quintal da casa da vovó, cujo crescimento é estimulado, basicamente, pelo sorriso da boa velhinha a cada manhã.

Reconheço que minhas experiências no campo da prática culinária são bem restritas. Tão restritas que a esmagadora maioria ainda está no plano da teoria, lugar em que provavelmente permanecerá por um bom tempo, a não ser que a patroa dê uma mãozinha de vez em quando, pois ela sim entende da matéria. Mas, como não desanimo, sigo em frente buscando algo inspirador e saboroso para animar a caminhada.

Uma boa dica é uma pizza de minha lavra, que contou com pequena – embora essencial – ajuda de Cris. Acreditem, foi fruto árdua pesquisa, que, inclusive, me obrigou a cruzar a fronteira de minha prosaica realidade para o quase infinito ciberespaço, na busca incessante pela excelência do prato. Tarefa árdua que me absorveu longos minutos, amigos.

É o seguinte: tomates sem polpa, pimentão e cebola, tudo picado como se fosse fazer um molho vinagrete. Você acrescenta um pouco de alho picado fininho (ou triturado no processador se preferir), aliche e lingüiça calabresa fatiada. Misture tudo. A quantidade dos ingredientes fica a gosto, mas deve ser suficiente para cobrir a extensão da pizza, sem exagero.

A massa é a parte em que a patroa entra. Dica: se a patroa não souber – ou não quiser – fazer, procure um lugar onde venda pronto ou consulte um site de receitas. Vire-se pô.

Bem, continuando, espalhe um pouco – bem pouco – de molho de tomate sobre a massa, acrescente o preparado acima, queijo muçarela ralado e orégano. Pronto! Estou pensando em batizá-la de Estação BM, que acham?

Outra boa pedida é a Sardinha na Cerveja a la Valério. É simples: 1 Kg de sardinha, tempero a gosto, fubá, óleo para fritar e uma caixa e meia de cerveja gelada 600ml (latinha só para iniciantes). Tempere a sardinha, passe no fubá e frite. A cerveja vocês já sabem. Rendimento: 2 pessoas no máximo.

Abraço a todos e até breve.


*César Augusto Zadorosny tem 35 anos, é pai de Júlia e esposo de Cris. Sabe quase nada de culinária, mas acredita que a cozinha é um dos lugares mais divertidos da casa, pelo menos até a hora de limpar tudo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Perfil Energético que da Asas


por Alex Peres*


Com cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, mais de 7 mil quilômetros de litoral e condições climáticas extremamente favoráveis, o Brasil possui um dos maiores e melhores potenciais energéticos do mundo. Se, por um lado, as reservas de combustíveis fósseis são relativamente reduzidas, por outro, os potenciais hidráulicos, da irradiação solar, da biomassa e da força dos ventos são suficientemente abundantes para garantir a auto-suficiência energética do país. Contudo, apenas duas fontes energéticas – hidráulica e petróleo – têm sido aproveitadas. Cerca de 90% do suprimento de energia elétrica do país provém de geração hidráulica, e o petróleo representa mais de 30% da matriz energética nacional. Apesar da importância dessas fontes, a situação atual do setor elétrico brasileiro – crescimento da demanda, escassez de oferta e restrições financeiras à expansão do sistema – nos mostra que o suprimento futuro de energia elétrica exigirá maior aproveitamento de fontes alternativas.

Eu como técnico da área, tenho total responsabilidade no desenvolvimento de novas tecnologias que minimizem esse problema. Há algumas colunas, fiz um convite sobre a apresentação de uma luminária a LEDs, para iluminação pública alimentada por energia solar desenvolvida 100% pela nossa equipe, e por incrível que pareça ela funciona, e é hoje, acredito eu, uma boa alternativa para ajudar no desafogamento de parte do problema energético do país, sobretudo pela viabilidade financeira.

O apagão enérgico entre 2001 e 2002 no Brasil, durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso teve um custo de 45 bilhões de reais para a sociedade, segundo o Tribunal de Contas da União, e de lá até aqui muito foi feito para resgatar a geração de energia. O que acontece é que o cobertor é pequeno, e para tampar a cabeça, os pés ficam descobertos. Falta investimento no setor de distribuição. Não basta você gerar, necessita-se transportar bem essa energia, e conseqüentemente distribuí-la com eficiência, sem perdas consideráveis.

O sistema de distribuição nacional, principalmente das grandes cidades, está obsoleto. Isso causa perda de energia, desacelera o crescimento, pois não se cresce sem energia, e aumenta significativamente o custo na manutenção.
O nosso amigo e colunista, Bujão, citou em sua última coluna o calor súbto que estamos vivendo. Isso não é novidade, pois foi tema de redações nos colégios primários da nossa época, como uma previsão de que tudo isso iria acontecer, pois então, esse fato já é um agravante na demanda de energia. Todos querem usar ar-condicionado, e de fato necessitam dele, pois o calor está infernal, bem incomum aos velhos tempos, e por sua vez os cabos de alimentação já não suportam mais.

Em fim, agora o apagão é por falta de estrutura de rede elétrica e não por geração.
Essa briga é igual cachorro correndo atrás do rabo, e a revolução não vai parar enquanto não evoluir o sistema alternativo.

Extra: É certo que o Maracanã vai entrar em obras em breve, mais é impressionante como a iluminação do estádio está ruim. Pelo menos para o jodo do Mengão com o grêmio, poderiam fazer um paliativo. O Flamengo empatou com o Goiás por causa da má iluminação, pronto!!!!

Um abraço a todos e até a próxima quinta, se Deus quiser.

*Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) – tá com calor, e até as cervejas estão difíceis de gelar. Lá pela terceira ou quarta garrafa, de tanto abrir o freezer, já esquentou tudo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ainda na labutinha, sem condição de dizer... nadinha

Por Figurótico*

A pobre rima aí de cima é o que sai agora. Já dito semana passada, estou sem condições de escrever sobre nada, o que a cabeça anda labutando com textos, referências, anexos, blá-blá-blá só dizem respeito a mim mesmo.

Por isso, vamos a mais uma série revival. Recorrerei a mim mesmo de quando escrevia para o Folha do Interior. À época, escrevi sobre as discussões no mundo da música em palestras e cursos no Rio.
Os textos são de 2007.

Grande abraço

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A cena (em discusão)
2007


Estou me perguntando aqui o que está sendo e o que será de nossa região – no presente e no futuro. O passado, ah... foi bom, obrigado! O que esperam os novos músicos, as novas bandas? Em voga ultimamente em tudo quanto é canto musical, se discute o futuro da música, do CD, dos downloads. Na busca por ouvir gente que tem voz para tal, no ano passado freqüentei cursos, palestras na capital. Resultado? Aí vai:

No primeiro que fiz, na PUC-Rio, alguns dos professores eram Arthur Dapieve (O Globo), João Augusto (presidente da Deckdisc) e Luis Oscar Niemeyer (presidente da Planmusic e ex-presidente da BMG). O nome do curso “Música: empreendedorismo e inovação”, onde se discutia quais as formas de se lidar com o mercado fonográfico hoje em dia, como gerenciar uma carreira musical e como produzir eventos relacionados com o tema. Os mestres podiam falar com propriedade, um foi responsável por trazer Rolling Stones, U2, Paul McCartney, fazer o Hollywood Rock; outro já produziu artistas que chegaram ao milhão de cópias e um dos idealizadores do curso sabe tudo e mais um pouco no que se refere à discos, artistas pop, jazz e rock. Foram três meses felizes mergulhado no tema que me enche os olhos. Mas ouvir do dirigente de gravadora que nem ele mesmo sabe o que será da indústria fonográfica, que quem tiver a solução ficará rico, foi difícil. Os garotos de minha geração cresceram querendo ter uma gravadora para sua banda, isso era o sonho, mas isso (já) era o sonho... Artista que não usa internet hoje não tem chances de chegar a lugar algum. E como ganhar dinheiro com a música baixada? Quanto vale seu MP3 disponível? E, MP3 tem qualidade para ser cobrado? Na semana seguinte, seguiremos eternamente com o assunto. Até breve!

A cena... ainda em discussão (e algumas frases)
2007

Dando continuidade à discussão da semana passada – discussão não, só eu estou falando aqui, mandem seus e-mails – a descrença é geral no formato CD/Disco, isso dito por dono de gravadora até (João Augusto/Deckdisc), nos cursos que freqüentei no Rio. Sobre a pirataria, ele proferiu uma frase interessante: “O governo, só ele, acha que a pirataria é um bem social”. Do lado da classe, Humberto Barros (músico/produtor), atacou os senhores da indústria: “Quanto cabe no seu Ipod? E no teu cérebro? O que está em alta hoje em dia é a tecnologia que se vende música, e não a própria música”.

Com isso deu uma cutucada nos demais que discutiam à mesa, pois o assunto era exatamente o futuro do mercado da música. Lá estavam jornalistas (Dapieve); produtor cultutral (Bruno Levinson/Humaitá pra peixe); gerente do IMusica, que distribui mídia digital (Paulo Lima). Isso no âmbito do formato que se consome música. Mas e no de shows?

O panorama está assustador. Se há um tempo atrás havia onde se tocar rock em nossa região, aos pouquinhos os espaços estão se reduzindo. Não só aqui, li na semana passada uma reportagem que dizia ser essa a pior crise do rock nos últimos 20 anos! Charels Gavin, dos Titãs, disse que atualmente só tocam em feiras agropecuárias e festas de empresas. Espaço tem, mas os produtores de evento embarcam na onda que assola o país, seja ela o axé, o funk, o hip-hop, o eletrônico. Tudo, menos rock. E olha que numa dessas mesas redondas, ouvi o organizador (carioca!) do evento realizado no Sebrae dizer: “Minha banda tem cinco anos, e nós só ganhamos cachê numa única vez, em Volta Redonda”. Isso mesmo, foi no Freakshow, que era realizado embaixo do memorial Getúlio Vargas, na Vila. Pra quem não sabe, no Rio de Janeiro para se apresentar um trabalho autoral de bandas de rock, não se ganha cachê, se paga em certos casos. Seja numa venda de convites ou na inscrição que é pedida pela organização. Uma inversão completa de valores. No caso do rapaz que levantou o nome de VR na pauta, hoje em dia não se pode dizer muita coisa. As casas estão deixando de lado o rock’n roll, poucas têm peito para comprar a briga.

Alguém disse alguma coisa? Ah, sim, EMO acho que pode, tá na moda... Argh#$%

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*Figurótico é músico, 34 anos, e acha que a melhor música para se dançar loucamente é "Choveu No Meu Chip", do Eletrodomésticos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Rock in Valença


por Mozart Valle Neto*


No último feriadão do ano fiz uma feliz descoberta. Estava em Valença com alguns amigos em um churrasco e depois partimos para o Pesqueiro do Vitinho. Já havia estado lá durante o dia. Para mim era um pesque e pague como outros. Só que para minha surpresa, a noite seria muito diferente do que eu pensava. Logo ao chegar dou de cara com os instrumentos da banda: Um baixo, uma guitarra e uma bateria eletrônica montada sobre uma estrutura. Essa batera me impressionou pois achei que não fica devendo em nada a bateria tradicional.

Sentamos numa mesa e logo veio o convite de Bianca, esposa do baixista da banda, para minha amiga Lúcia e seus amigos (eu estava entre eles) irmos para uma mesa no gargarejo do show. Instintivamente não pensamos duas vezes e ocupamos os lugares.

A banda iniciou contando que eles só tinham ensaiado uma única vez, a banda nem tinha uma semana de vida. Confesso que fiquei meio preocupado. Afinal estava super próximo ao palco. Eles iniciaram com alguns clássicos do BRock – Cazuza, Titãs e etc. A pegada deles era bem crua e visceral. Básico, mas eficiente.

Aos poucos começou a melhorar e atacaram de Celso Blues Boy. Tocaram algumas em inglês, o vocalista tem uma ótima pronuncia, mas pouca presença de palco. Na verdade ele é muito melhor guitarrista que vocalista. Eles começaram a ousar quando tocaram um velho sucesso de Zé Ramalho num ritmo de rock and roll possante. Logo após surgiu uma gaita e começou uma jam session de Blues muito legal. Depois vieram Clapton, Pink Floyd e muito mais.

Fomos nesta festa até as três da matina. Pelo que descobri toda sexta rola uma noite rock and roll. Vale a pena conferir! Que tal agitarmos uma van ou coisa assim para curtir esta onda.

Na esperança de fazer um post super antenado andei futucando na net e apesar de não ter usado nada deles no texto, achei um blog bastante interessante que vale uma visita: http://rockandroll.blog.br/

Outra coisa, eu bem que tentei fazer uma paradinha multimídia mas as fotos ficaram muito escuras e o som que gravei da banda ficou com muito barulho no fundo. Acho que só indo lá para conferir pessoalmente. Até a próxima terça-feira.

* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem quase 38 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, não é tão letrado em rock and roll como alguns blogueiros de plantão, mas sabe reconhecer uma paradinha maneira!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

CALOR SENEGALESCO




por Carlos Vinicius Rosenburg*

Ontem fui ao Maraca. Fiquem tranqüilos, torcedores dos times mal-vestidos, não vou falar de futebol. Todos sabem (ou não...) dos resultados da rodada de ontem, como foram os jogos, enfim, há inúmeros veículos de informação que darão dados mais precisos sobre o que aconteceu ontem nos estádios.

Vou falar aqui sobre uma particularidade, algo que me fez e me faz sofrer muito: o calor.

Quando o inverno começa a dar os primeiros sinais de que está acabando, quando o edredon vai se tornando desnecessário, começo a ficar tenso. Sei que começarão os dias ensolarados, aqueles em que você já sai do banho suado, coloca a camisa e ela cola no corpo, chega no carro e tem que ligar o ar, assim que o carro começa a ficar gelado, é preciso estacionar em algum lugar e só tem vaga no sol, você volta e o carro está um forno, o ar demora mais ainda para gelar, o sinal fecha, o calor aumenta, o asfalto amolece, o concreto fica quente, não há para onde ir, socorro!

E qual a relação desse calor todo com o jogo de ontem? Bem, é que, em meus 30 anos de Maracanã, nunca vi calor igual ao de ontem. A comparação com uma sauna não é metafórica. Na Dutra, fora do estádio, lá dentro, em qualquer lugar o desejo era um só: líquido. Não havia gelo que bastasse, as cervejas estavam quentes (do lado de fora, lá dentro não tem mais...), o sol castigava.

E aí, meu desespero aumentou quando me lembrei de um pequeno detalhe: ainda estamos na primavera, o verão só chegará em dezembro. Será que o calor ainda aumentará? Depois do que vi no Rio ontem, tenho plena convicção de que há espaço para muita piora, Barra Mansa ainda pode ser considerado um lugar fresco perto da capital do nosso Estado.

Não sei se é o aquecimento global (tem gente que diz que a Terra, na verdade, está esfriando), se é o aumento da quantidade de asfalto e concreto nas cidades (que também aumentaram muito), se tem gente demais no mundo, mas o fato é que a chapa está quente, como diz a galera do subúrbio do Rio, tem um sol para cada um ali fora e o maçarico está ligado no máximo. E está só no início.
O verão ainda nem começou, e talvez Fernandinha Abreu tenha que atualizar a música, trocando o 40° pelo 50°.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, sou oficial de justiça, trabalho na rua e o ar-condicionado do meu carro estragou. Alguém conhece um lugar legal para arrumar?

Dá licença que eu vou beber uma água bem gelada. Até a próxima segunda.

*Carlos Vinicius Rosenburg (cvrosenburg@gmail.com) tem 37 anos, é casado, tem duas lindas mulheres em casa (mulher e filha) e desistiu de trabalhar no Rio, após seis anos na Cidade Maravilhosa, por causa do calor. Escreve também no blog Confraria Jurídica (www.confrariajuridica.blogspot.com).

Jabá: o blog recebeu um e-mail dos organizadores do II Festival de Cinema Agulhas Negras, que ocorrerá entre os dias 24 e 29 de novembro, em Resende, Itatiaia, Porto Real e Penedo. Como sempre procuramos debater cultura nesse espaço e a sétima arte é tema corrente por aqui, damos total apoio à iniciativa - segue o link (há filmes muito interessantes na programação - vale conferir):

Home page do festival - www.festivaldecinemaagulhasnegras.com

P.S.: eu ainda acredito...

domingo, 22 de novembro de 2009

Aqui se faz, aqui se paga! (A justiça criminal do Império)

Prezados leitores,

o decano do blog, colunista dos domingos, Sr. Luiz Valério Cortez, não poderá assinar suas letras hoje. Defensor da arte transgressora, dos artistas malditos, do underground cultural, nosso querido amigo está fazendo um programa, digamos, não muito parecido com esse ramo da arte por ele apreciado. Ele está em um... cruzeiro marítimo! Com toda aquela decoração Miami-Las Vegas, shows para turista etc. Mas isso será melhor explicado por ele... hehehe.

Assim, boa oportunidade para termos à nossa disposição, mais uma vez, um texto do querido amigo Sérgio Soares, o Serginho, figurinha carimbada aqui no Estação.


Feitas as apresentações, vamos ao texto, que é o que interessa.


Aqui se faz, aqui se paga! (A justiça criminal do Império)


*por Sérgio Soares da Silveira

Estimados amigos, dada a peculiaridade de linguagem e relevante carga histórica, trago à Estação BM a transcrição de documento autêntico, consistente em sentença proferida em autos judiciais, no já longínquo ano de 1833, em Sergipe.

Nesta época vigorava entre nós o Código Criminal Imperial, texto legal que teve grande influência até mesmo na Europa, onde doutrinadores chegaram a estudar a língua portuguesa para melhor o conhecerem. Tal texto possui caráter claramente retributivo, com sistema de penas fixas, decorrentes do pensamento francês da Revolução.

Por curiosidade, registro que a legislação previa aplicação da pena de morte. Ocorre que após sua imposição a um inocente (Mota Coqueiro), D. Pedro II resolveu por bem comutar todas as sentenças posteriores que determinavam sua aplicação. Creio que a leitura da sentença se mostra interessante não só para os que militam na área do Direito. Grande abraço a todos.

Segue o documento:

SENTENÇA JUDICIAL

O ADJUNTO DE PROMOTOR PÚBLICO, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant`Ana quando a mulher do Chico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de tocaia em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se della, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus da-rá. Elle não conseguiu matrimônio porque ella gritou e veio em assucare della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leis que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.


CONSIDERO;

Que o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para coxambrar com ella e fazer chumbregâncias, coisa que só o marido della competia coxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;

Que o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quis também fazer coxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas;

Que Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança delle, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO o cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Chico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa. Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

MANOEL FERNANDES DO SANTOS
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha
(Sergipe), 15 de outubro de 1833.

*Sérgio Soares da Silveira possui 36 anos, é barramansense, casado, Promotor de Justiça e escreve no blog Confraria Jurídica.

sábado, 21 de novembro de 2009

Enquanto o blogueiro não vem... o Pitta se foi...

Nosso bravo correspondente em NYC ainda não mandou notícias, e-mail, sinal de fumaça ou qualquer outro meio de comunicação. Será que ainda continua em alguma comunidade hippie em Woodstock?

Bovino, se tiver oportunidade de ler essas linhas, dê um sinal de vida.

Bem, enquanto isso, somos tomados de assalto pelas últimas notícias. E a que ocupa os principais jornais/portais/blogs/etc. é a da morte do ex-prefeito de São Paulo e afilhado político de Paulo Salim Maluf, o economista Celso Pitta. Condolências à família (e às Fazendas Municipal, Estadual e Federal).

Vocês, poucos leitores do blog, acham que Pitta, a essa hora, está:

a) no inferno;
b) no céu, pois sofreu muito antes de morrer;
c) na Pitta que o pariu;
d) no paraíso... fiscal.
e) em alguma conta secreta de Paulo Maluf.

Respostas nos comentários.


Administração do blog.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

HISTÓRIA – Parte II

Por César Augusto Zadorosny*

Seguindo nosso compromisso de sempre buscar informações e curiosidades da vida barramansense e, principalmente, de sua história, hoje postarei mais algumas pérolas extraídas do livro Três Caminhos, de autoria de Alan Carlos Rocha, conhecido historiador, escritor e poeta de nossa cidade.


TEM MUITA GENTE

Segundo o grande filósofo grego Platão, toda cidade para ter qualidade de vida suporta uma população de até 40.000,00 habitantes. Para sua reflexão, eis a população de Barra Mansa por períodos:

1824 - 1.800 habitantes (360 casas)
1829 - 2.000 habitantes (440 casas)
1880 - 28.702 habitantes (13.880 escravos)
1897 - 28.300 habitantes
1920 - 22.404 habitantes
1935 - 25.327 habitantes
1950 - 34.916 habitantes
1960 - 63.000 habitantes
1970 - 102.000 habitantes
1986 - 154.000 habitantes
1991 - 161.000 habitantes
1995 - 180.000 habitantes
2004 - 168.000 habitantes


NASCE O LEÃO

No dia 17 de outubro de 1909, foi eleita a primeira diretoria do BMFC: Presidente - Carolino Lengruber; Vice-presidente – Dr. Álvaro Bittencourt Belford; Tesoureiro – Joaquim Frederico Gavião; Procurador – Gilberto Costa; e Secretário – Antônio Pimenta Junior. A posse se deu em 24/10/1909, e, com a renúncia do Tesoureiro, foi eleito nesse dia a Capitão Mário Pinto dos Reis. Estava pronta a instituição que cobriria de glórias a cidade de Barra Mansa.

FORCA E ENFORCADO

A pena de morte no Brasil funcionou desde o Brasil Colônia até o fim do Império. Em Barra Mansa, a forca ficava localizada nos bambus, onde hoje está a Cia. Nestlé. Foi acionada somente uma vez, por volta de 1840. O condenado foi um escravo e o carrasco que executou a sentença chamava-se Fortunato José. Exerceu sua hedionda função em muitas outras cidades. Ele mesmo fora condenado à morte em 1832, em Ouro Preto, MG, trocando sua condenação pela condição de executar os sentenciados.


BARRA MANSA MINEIRA?

Em 1930, surgiu um movimento em Minas Gerais denominado de “Minas – Atlântica”. Cogitava-se, com base no cochilo da Constituinte de 1891, a incorporação por Minas Gerais, do planalto de Goiás com a transferência de parte do Estado do Rio e o desmembramento das cidades de Resende, Barra Mansa, Rio Claro, Paraty e Angra. Assim, Barra Mansa seria uma cidade mineira, uai!

Renovo nossos agradecimentos ao Alan Carlos Rocha e espero que tenham gostado.

Abraço a todos e até breve.

*César Augusto Zadorosny tem 35 anos, é pai de Júlia e esposo de Cris, e, assim como Platão e o povo Maia, acredita que as cidades deveriam ter no máximo 40 mil habitantes, além de um prefeito e cinco vereadores.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Triste Fim de Manuel Brito

por Alex Peres*


Começo no Vitória
Aos 18 anos, jogava peladas em Baiacu, cidade onde cresceu, quando um olheiro do Vitória o levou para testes no time de Salvador. Chegou a ter oportunidades no time titular com Joel Santana, então técnico do rubro-negro, em 2002, mas foi emprestado em 2003 duas vezes para ganhar experiência, para CRB e Fluminense de Feira. Ficou apenas alguns meses nos dois clubes, mas o suficiente para se destacar. Na Copa do Brasil de 2003, marcou o gol do empate do clube de Feira de Santana com o time homônimo do Rio de Janeiro, Fluminense, por 1 a 1.
Na sua volta ao rubro-negro de Salvador, em 2004, conseguiu se destacar num time que tinha os pentacampeões mundiais pela Seleção Brasileira Vampeta e Edílson, e foi artilheiro do Campeonato Baiano de 2004, junto com Gilmar, também do Vitória.
O elenco do Leão era apontado como um dos mais bem preparados para a disputa dos dois campeonatos nacionais do ano. Na Copa do Brasil de 2004, ele fez 5 gols e ajudou o time baiano a chegar às semifinais da competição, sendo eliminado pelo Flamengo.
Porém, no Brasileirão daquele ano, o time não conseguiu manter a regularidade e, com problemas financeiros devido ao alto investimento feito para a temporada, uma crise se instalou e, apesar dos 18 gols, artilheiro do rubro-negro na temporada, o clube foi rebaixado à Série B. O atacante, aos prantos e muito vaiado, não conseguiu explicar o que aconteceu dentro do clube ao longo do campeonato
Com a fama de goleador mantida, foi vendido ao Al-Ittihad, mas encontrou resistência do técnico, que não era simpatizante de jogadores brasileiros.

Ídolo no Flamengo
Em 2005, volta ao Brasil para jogar em outro rubro-negro, o Flamengo, numa época em que a equipe carioca estava carente de um jogador que fizesse gols. Logo o jovem atacante torna-se a maior esperança do elenco.
Em uma pré-estreia precipitada, ele, fora de forma, encontrou problemas para jogar. Mesmo marcando alguns gols, foi durante algum tempo perseguido pela torcida. Apenas no final do Campeonato Brasileiro de 2005, o jogador faz as pazes com ela, que com o passar do tempo reconheceu a humildade e força de vontade do atacante, que treinava com muito empenho. Ao fazer o gol da vitória sobre o Paraná, acabou com as chances de rebaixamento do Flamengo naquele Brasileirão e ainda quebrou um pequeno tabu nos confrontos do rubro-negro com o time paranaense.
Em 2006, começa bem o ano. Mesmo no banco de reservas durante o início da temporada, o jogador volta a jogar muito bem nas partidas e a fazer gols importantes. Foi uma peça fundamental na conquista da Copa do Brasil 2006 pelo clube da Gávea.
Durante o Campeonato Brasileiro de 2006, marca muitos gols e vira ídolo de vez no Flamengo. Mesmo com as várias homenagens da torcida do Flamengo, e com o reconhecimento da mídia, o jogador mantêm sua postura humilde e dedicada.
A partir daí, a torcida passa a entoar um canto especial em sua homenagem.
No início de 2007, o FC Bayern Munique da Alemanha sonda o jogador. Entretanto, nenhuma proposta foi feita. O objetivo do atacante passa a ser a disputa da Copa Libertadores da América. Mas a equipe rubro-negra foi eliminada pelo desconhecido time uruguaio do Defensor, após a derrota por 3 a 0 no Estádio Centenário e vitória por 2 a 0 no Maracanã.
Numa partida de semifinal da Taça Guanabara 2007 contra o Vasco, entra em campo, fica dois segundos com a bola, faz o gol que garante a passagem do Flamengo às finais e rompe os ligamentos do joelho no lance do gol, lhe rendendo um período de inatividade que poderia chegar a seis meses. Mas o jogador se recuperou antes do esperado, e já estava em atividade.
Após marcar o segundo gol rubro-negro na partida contra o Figueirense em 2007, vencida pelo Flamengo por 4x1 chegou a marca de 20 gols em Campeonatos Brasileiros, sendo o 10° maior artilheiro do clube na história da competição. Logo depois, marcou outro gol subindo mais uma posição na artilharia.
No dia 18 de Setembro, foi julgado por agressão e punido com 120 dias, no entanto, após 6 rodadas, o Flamengo entrou com um recurso e, ás 18:00 horas do dia 18/11/07, a pena foi reduzida para 5 jogos, então, já que já tinha cumprido 6 jogos, no mesmo dia o atacante foi escalado para o jogo contra o rival Vasco. Acabou entrando no segundo tempo e, em sua primeira jogada, lançou uma bola na trave, levando o Maracanã ao delírio, e o Flamengo venceu por 2 a 1.
Em 12 de março de 2008, o Flamengo anuncia a renovação, por dois anos, do seu contrato; nos dois jogos finais do Campeonato Carioca de 2008, fez três gols e deu o título ao rubro-negro da Gávea.
Em 2009, incrivelmente chegou à pré-temporada em forma, ao contrário dos anos anteriores. O baiano vinha se destacando em treinos, com gols e belos passes. Porém, logo em sua estreia, no Campeonato Carioca, perdeu muitos gols, incluindo dois pênaltis. Passou a ser vaiado e não mais conseguiu se firmar como titular, perdendo posição para outros jogadores.

Palmeiras
No dia 25 de maio, foi emprestado ao Palmeiras até o fim da temporada. Foi inscrito no Campeonato Brasileiro com a camisa 28, mas disputou a Copa Libertadores com a camisa 24.
No dia 26 de julho, marcou 3 gols na vitória do Palmeiras sobre o Corinthians por 3x0 em Presidente Prudente, consolidando-se cada vez mais na artilharia, jogando bem e ganhando a confiança de toda a torcida.
No dia 18 de novembro, se desentendeu e socou o companheiro de time Maurício pouco depois do término do primeiro tempo da partida entre Grêmio e Palmeiras. Como a agressão foi dentro de campo e o árbitro viu, a regra diz claramente que os jogadores envolvidos na briga devem ser expulsos, mesmo que sejam do mesmo time. E foi o que aconteceu. Esse fato provocou sua imediata demissão do time do Palmeiras.

E tá arriscado ele sair no poster do campeão brasileiro 2009.

Manuel de Brito Filho é mais conhecido como Obina.

Referência:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Obina, em 19 de novembro de 2009.


Alex Peres (alexperex@superonda.com.br) – é Rubro Negro cheio de saúde pra gritar, é campeão!!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Excluído pelo moderador

Por Figurótico*

Há momentos em que não há nada para se dizer. Melhor ficar quieto. Como tenho um compromisso a zelar aqui no Estação, e nenhum convidado mandou algo (segundo consulta ao pontualíssimo Mozart) relatarei o que tenho pensado, refletido, ultimamente, divagado, preocupado sobre nosso país, nosso desenvolvimento econômico; os 20 anos da queda do muro; a visita relâmpago da Madonna ao Brasil; o empurra-empurra de Dilma e Lobo Mau sobre o apagão... Com tudo isso acontecendo, o que passa pela minha cabeça, e que me preocupa, é o Processo de Fechamento do Trabalho.

Sim, a única coisa que existe na mente agora é o que tenho que fazer, revisar e relembrar. Como por exemplo: 1 – convidar professores para banca e confirmar data e horário; 2 – preparar elementos pré-textuais com atenção especial para: a) resumo de mais ou menos 15 linhas, com 03 à 05 palavras-chave, b) sumário, checar título e numero das páginas, c) folha de grau (nomes e titulação correta dos professores), epígrafe, agradecimentos, capas (revisar, ver apostila); 3 – revisar notas de rodapé, checar número de página, data de acesso, idem, ibdem, op. cit.; 4 – preparar bibliografia; 5 – preparar anexos e referenciá-los no Cap. 3; 6 – revisão ortográfica; 7 – preparar três cópias para banca, mais três versões digitais; lembrar que a introdução são de 3 à 5 páginas apresentando o processo de pesquisa desde a escolha do tema, passando pelos Projetos II até apresentar a estrutura da monografia. E que a conclusão são também de 3 à 5 páginas representando assim o “fechamento” da argumentação, se os objetivos foram atingidos, se os problemas foram respondidos e se as hipóteses foram confirmadas. Além, é claro, de citar brechas argumentativas indicando assim os caminhos futuros da pesquisa.

Portanto, caros amigos, eu quero que o Brasil se exploda nessas últimas semanas. A cabeça frita.

Ah, só tem uma coisa que passa por esses pensamentos todos: Meeeeeeeengoooooooo!

Aí sim, depois disso o Brasil vai explodir!

*Figurótico é.. tchau.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Rerum novarum cupides


por Mozart Valle Neto*

Rerum novarum cupides está é a definição do pai da administração contemporânea, Peter Druncker, para o empreendedor. Segundo ele é estar ansioso por coisas novas, o qual sempre está buscando a mudança, reage a ela e a explora como sendo uma oportunidade. Cria valores novos e diferentes, e satisfações novas e diferentes, convertendo um material em um recurso ou combinando recursos existentes em uma nova e mais produtiva configuração, mesmo que para isso seja preciso recorrer à violação de regras elementares e bem conhecidas.

O termo como vemos hoje é uma tradução livre do termo “entrepreneurship”. Abrange uma vasta área: Pelo Estado, isso mesmo que você esta lendo, através da adoção de políticas públicas; o intra-empreendedorismo aquele onde o empregado tem atitudes de empreendedor; empreendedorismo de social o que reúne as comunidades em projetos sociais; o auto-emprego, o trabalhador autônomo, é o maior quantitativo no Brasil;

O empreendedor hoje não é somente aquele que abre uma empresa, qualquer que seja, mas também a pessoa que compra uma empresa e coloca nelas suas inovações e implementações ou então qualquer pessoa que agregue valor a um produto e consequentemente aumente sua produtividade; Quem assume riscos administrativos de qualquer espécie como a sua forma de vender, administrar, fabricar, distribuir, comprar os produtos e fazer propaganda em seus produtos e serviços, agregando novos valores.

Uma pessoa empreendedora é capaz de identificar negócios e oportunidades. Tem capacidade e visão do ambiente de mercado, sendo altamente persuasivo com pessoas, colocando suas idéias e propondo o crescimento financeiro de seu produto. A pessoa precisa estar pronta para assumir os riscos do negócio e aprender com os erros cometidos, pois eles são presenciais na vida do empreendedor, porém cabe ao mesmo fazer dos erros, acertos futuros.

Ele busca ser profundo conhecedor de seu produto/serviço, facilitando assim a explanação e crescimento de suas idéias. A pessoa tem que ser capaz de usar todas essas habilidades em favor de seu aperfeiçoamento empresarial.

Ser dono do próprio nariz é o sonho da maioria dos brasileiros. Mas nem tudo são flores. De fato ser patrão implica estar exposto a mudanças repentinas e drásticas e que muitas vezes, requer da pessoa “jogo de cintura”, bom senso, e “tino comercial”, pois em se tratando de adversidades, o mercado exige do empreendedor pelo menos que eles tenham esses adjetivos, caso contrário seu negócio e seus produtos poderão sofrer danos financeiros irreparáveis.

A dedicação ao trabalho aumenta muito, enquanto um empregado normal na sua rotina “bate ponto” e trabalha 08 horas diárias, o empreendedor, muitas vezes trabalha mais, sem um salário fixo garantido no final do mês, e sem férias integrais, sem feriados. É claro que como ele é dono do seu próprio negócio, com um bom gerenciamento empresarial, bom conhecimento de mercado e de seu produto, o tempo pode ser gerenciado em favor da própria pessoa, podendo assim ter mais tempo livre para viagens e família.
A pessoa deve estar disposta a assumir responsabilidades perante o mercado financeiro e a comunidade a qual ela vai comercializar seus produtos ou serviços. As pressões da sociedade por produtos de alta qualidade, úteis e de certa forma acessíveis, tornam o processo não amistoso ao empreendedor, gerando uma grande exigência de mercado. Além do mais o governo e sua tropa de “guerrilha fiscal e financeira”, também tendem a ajudar na carga de pressão no empreendedor.

Finalizando é importante dizer que não existe uma direção correta a seguir, mas o empreendedor pode buscar a melhor direção partindo da oportunidade, com muita análise de negócio, tendo ousadia, assumindo riscos controlados e tendo uma boa competência. O primeiro passo é tira a bunda da cadeira. Portanto levanta aí e vai fazer alguma coisa produtiva!

* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem quase 38 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, esta semana sofreu com o apagão e não conseguiu produzir nada inédito para o blog, mas como é um empreendedor nato recorreu a seu banco de dados e adequou um texto de trabalho para o Estação BM.



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Hendrix, Zeppelin, Iron Maiden e a viola caipira: Matuto Moderno


Há cerca de duas semanas (ou algo assim), fui convidado para mais um compromisso etílico-gastronômico na casa de nosso amigo e também zelador desse botequim aqui, o colunista Valério Cortez. Não pude ir no horário combinado, ficando a reunião resumida ao já citado Valério e a outro passageiro aqui da nave, o blogueiro César Zadorosny (diz a lenda que dita reunião foi regada com nada mais, nada menos que 40 cervejas...). Acabei chegando lá bem mais tarde, já de noite, o César já havia ido embora e achei que nada mais aconteceria (nossas esposas tinham algumas coisas a combinar). Valério estava "naquele" estado, batendo um pratão de macarrão, mas ao ver minha chegada, se dirigiu até a geladeira e sacou uma cerveja estupidamente gelada. Não acreditei.


Ato contínuo, colocou alguns DVD's com imagens raras do rock nacional dos anos 70. Nomes como "A Bolha", "Casa das Máquinas", "O Terço", "A Cor do Som", "Novos Baianos", "Mutantes", "Alceu Valença" (na protopunk "Vou Danado pra Catende"), "Patrulha do Espaço" e "Peso", entre outros nomes. Dali passou para imagens dos grandes nomes da cena alternativa da "Lira Paulistana", como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Seguiu para outro DVD que trazia grupos nacionais que fazem música psicodélica, como os atuais "Mopho" e "Supercorda", passando por "Júpiter Apple" e alguns outros (dos quais não me recordo).


Aqui cabe a abertura de um parágrafo. O trabalho que nosso amigo Valério faz pelo resgate da memória de imagens e sons da música nacional alternativa (ele mesmo se diz defensor do "Movimento dos Estranhos & Esquisitos") é digno de nota, não ficando nada a dever a gente como Charles Gavin (batera dos Titãs). Inúmeros CDs e DVDs abordando a obra de nomes como os já citados Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Zé Ramalho e Lula Côrtes, Alceu, Walter Franco, Tom Zé, Joelho de Porco e vários outros.


Fechado o parágrafo, voltemos, pois, à coluna. Lá pelas tantas, nosso amigo pegou outro DVD e mostrou um som do Matuto Moderno. Trata-se de uma banda de formação tradicional, não fosse pelo singelo fato de que, no lugar da guitarra, temos... viola caipira! Isso mesmo, uma típica viola caipira plugada em uma pedaleira (com direito a wah-wah), passando pelo amplificador. Um som completamente diferente de tudo. E aí os caras começam a tocar "Voodoo Child - Slight Return", de Jimi Hendrix. Meu Deus, eu custei a acreditar no que estava ouvindo.


Cheguei em casa com aquilo na cabeça e comecei a pesquisar no Youtube outras músicas da banda. Sem querer, fui parar no trabalho solo do violeiro da banda, Ricardo Vignini. Em um show em companhia de outro violeiro (apenas os dois no palco), são executados inúmeros clássicos do rock, somente com a viola caipira. E aí, você é surpreendido ao ouvir, além da já citada "Voodoo Child (Slight Return)", de Jimi Hendrix, coisas como "Kashmir" (Led Zeppelin) e "Aces High" (Iron Maiden), Os gringos ficariam orgulhosos, com certeza. Abração e boa audição. Até a próxima segunda.


Vou tentar postar os vídeos durante o dia. Enquanto isso (ou se os mesmos não abrirem), cliquem nos links a seguir:

Voodoo Child (Slight Return) (Hendrix) - MATUTO MODERNO: http://www.youtube.com/watch?v=d_JdeqFpZLg

Kashmir (Led Zeppelin) - RICARDO VIGNINI & ZÉ HELDER: http://www.youtube.com/watch?v=4-j0likbPQQ&feature=related

Aces High (Iron Maiden) - RICARDO VIGNINI & ZÉ HELDER: http://www.youtube.com/watch?v=XgtuZJ6XGpc&feature=related

Não deixem de assistir os vídeos. É coisa muito fina. Notas para as releituras nos comentários.


*Carlos Vinicius Rosenburg (cvrosenburg@gmail.com) tem 37 anos, é casado e, sempre que pode, verifica as novidades das pesquisas "valerianas". O Youtube faz o resto do serviço. Escreve também no blog Confraria Jurídica (www.confrariajuridica.blogspot.com).

domingo, 15 de novembro de 2009

O Mistério e o Mistério da Mula Manca




Por Valério Cortez

Não é por nada não, mas toda vez que paro meu carro no sinal da Duque de Caxias, na travessia da linha, fico esticando meu olho curioso prá dentro da Casa da Mula Manca.

Em tempos de shopping center’s (é assim mesmo?), nada mais curioso do que uma loja com 82 anos de idade e um nome esquisito prá cacete.

Mas cá entre nós, a Casa da Mula Manca, não é só uma loja antiga com nome estranho, é também, e principalmente, a coisa mais exótica estacionada em uma das ruas de nossa cidade.

Pois vejamos, o que dizer de uma loja onde é possível encontrar desde mascaras de mergulho a ferro de passar a carvão? De castanholas fabricadas em Madri a espadas de samurais? De caiaques a celas de montaria? De pé de pato a óleo de banana? De rolha a anzol pra pescar tubarão? É ou não é o paraíso da diversidade em duas portas de aço?

Mas como já dizia o saudoso Raul Seixas em sua delirante Gita, tudo tem seu inicio, meio e fim, e o inicio desta estória e mais ou menos assim: Reza a lenda, que por volta de 1927, ou seja, há 82 anos, um vendedor ambulante muito bem sucedido em seu oficio, resolveu por bem, abrir uma pequena loja na cidade e deu a ela o nome de Mula Manca, em homenagem a um animal que possuía e que ficará aleijado e manco depois de anos transportando suas mercadorias de mascate. Pariu-se aí a Casa da Mula Manca.

Mas tudo ali é estranho e inusitado, Vicente Fernandes, proprietário do negócio nos últimos 55 anos, diz que a loja foi conhecida durante muitos anos por um slogan criado por ele e que diz assim: “Casa da mula Manca, a que mais caro vende e a que pior atende”.

Às vezes fico pensando, se os nossos hoje indispensáveis profissionais de marketing (fala Geraldinho) já existissem naquele longínquo 1927, com certeza teriam decretado antecipadamente a falência de um negócio com este nome e slogan. Pobres marqueteiros.

E por falar em marketing, um dia desses, parado novamente no sinal da Duque de Caxias, ao esticar meu olho para a loja, observei uma novidade na sua fachada, um pequeno quadro negro onde se lia, escrito a giz, o seguinte texto: “Hoje estamos vendendo para pessoas de Bananal, Barra do Piraí Matias Barbosa e Niterói”. Estranho, muito estranho.

Outro dia, novamente parado no bendito sinal, vejo novamente o quadro negro que desta vez dizia: “Hoje estamos vendendo para pessoas de Quatis, Maceió, Londres e Juiz de Fora”. Estranho, cada vez mais estranho.

E assim, em vários outros dias, em várias outras paradas no sinal, lá estava o quadro negro a repetir o texto e a variar as cidades.

Um dia desses ainda perco a paciência, entro lá e pergunto: que porra é essa?


Um bom domingo a todos


Eu simplesmente não resisto a tentação de dar só mais três detalhes, deste assombro estacionado em frente à estação ferroviária de Barra Mansa:

- A loja tem 55 mil itens em seu catálogo, ou seja, você pode comprar lá, 55 mil coisas diferentes.

- Suas portas de aço quando abaixadas, revelam dois desenhos altamente psicodélicos.

- A loja tem um site, http://www.casadamulamanca.com.br/, e nele, o texto de apresentação mais louco que já li em toda minha vida, vale a olhada.


Um bom domingo a todos e uma 2° feira certamente exuberante com a vitória do Mengão.



*Valério Cortez, tem 53 anos, casado, pai, engenheiro e no carnaval gostaria de sair no Bloco do boi, no Bloco das piranhas e no bloco do Eu Sozinho.

sábado, 14 de novembro de 2009

MACARRÃO DOS GIGANTES

Prezados leitores,

nosso blogueiro titular dos sábados e correspondente em NYC, o querido Bovino, ainda não postou o seu texto (bem, lendo a última coluna, podemos suspeitar que ele tenha se perdido em alguma comunidade alternativa em Woodstock...hehehe).

Enquanto isso, publicamos um texto recebido pelo blog, de autoria do nosso querido amigo Beto Carvalho, museólogo, que na adolescência era conhecido apenas por Beto e/ou Beto Maluco, morador do Buraco Quente (para os leitores mais novos, a entrada de baixo da UBM), que após longo exílio voluntário no Rio de Janeiro, mais precisamente no campus da UniRio, se transformou em um conceituado estudioso da obra machadiana.

Bom, chega de apresentações, vamos ao texto.

Administração do blog.


MACARRÃO DOS GIGANTES

por Beto P. Carvalho*


Estou ensaiando a peça “Os Gigantes da Montanha”. Autor bom é autor morto. O texto é de Pirandelo.


Sexta, dia 15 de novembro. Após o ensaio, teve macarrão do “Gigantes” lá em casa. O elenco todo estava nesta festa. Comeram, beberam, beberam e beberam. Cantaram e tocaram: pau de chuva, tamborim, pandeiro, triângulo e violão até amanhecer o dia. No céu, a aurora era cor de rosa clara e com leves tons de nuvens cinzas clarinhas.


O Dudu namorou a Gabi. Mas a Paulinha e a Marcelle deram em cima dele o tempo todo. A Marcelle também quis ficar com o Maurício. Por que as pessoas querem as coisas erradas? O Dudu e o Maurício são comprometidos. Durante o processo (festa), chegou a Any, uma judia superdescolada.


Eu vi a Tacna ir fechando os olhos devagarinho até dormir. O Bruno que também é de teatro e tem 19 anos como o Dudu e o Rafinha e a Any. Que também são de teatro (atores), ficaram no Macarrão do Gigantes até 7 horas da manhã. Foi uma festa como eu queria. Todo mundo felizão.
No final, a Tacna e o Maurício acabaram dormindo na sala. E fui pro quarto dormir totalmente feliz e saciado...


...aí Carolzinha e eu estávamos na grama do Jardim das Cores de CLA, em cima de uma toalha vermelha de piquenique...Com as barrigas para cima e olhos abertos...trocávamos sorrisos e carinhos. Observávamos as nuvens que diante de nossos olhos formavam animaizinhos, baldinhos de praia, pá de areia, anjos e seres mitológicos e puramentes tirados de nossas infâncias.


Ah! Como o toque das mãos e dos lábios de Carolzinha são quentinhos, como os primeiros raios de sol. É um calor que vai se propagando e aumentando aos poucos deliciosamente...
E o sorriso... Aquele sorrisão de bem com todos e tudo, aberto pro mundo, do tamanho de um universo.


Suas risadas e as pequenas palavras sussurradas no meu ouvido... Me levavam para o Reino do Faz de Conta.


... Faz de conta que eu sou o Pedrinho e Carolzinha é a Narizinho...e estamos com o Príncipe Azul no Reino das Águas Claras...ou no laboratório do Visconde de Sabugosa...com seus frascos de vidros e seus tubos de ensaio cheios de líquidos coloridos e fumacentos.


...de repente, quando acordamos, estávamos sozinhos no meio do Jardim, e uma ventania forte e uivante desfolhava as mangueiras e derrubavam as casinhas dos nossos amigos. Os miquinhos do Jardim... As folhas secas marrons do outono voavam em redemoinhos em nosso entorno...
Nossos cabelos eram fustigados e revirados pela ventania, as primeiras grossas e fortes gotas de chuvas caíam no chão e molhavam também as nossas faces. Carolzinha passeava com a língua ao redor dos lábios sorvendo o líquido que vinha do céu...e com os braços estendidos e abertos gritava...gritava... e gritava.


- Chuva! Chuva! Sim, muita chuva. Queremos chuva. Para que nossa paixão seja germinada e abençoada pelos seres elementais. Vamos fincar os pés e criaremos raízes e depois daremos frutos que amadurecerão para serem degustados deliciosamente pelo miquinhos, elfos e salamandras e sacis... enfim vamos virar seres do Jardim das Cores do CLA. E agora viveremos no universo do faz de conta. Faz de conta. Faz de conta que eu sou um violoncelo dentro de uma capa vermelha. E faz de conta que a Carolzinha é a mão que me toca todos os dias...


*Beto P. Carvalho é cientista social e militante das artes práticas. Especialista em bolinha de gude e soltar pião. Ainda jovem tomou peiote com um bruxo mexicano no deserto do Novo México. Apaixonado por experiência transcendental experimentou o Santo Daime no ritual no meio da selva Amazônia com seu padrinho de farda. Frequentou durante 4 anos a seita União dos vegetais. Gosta de bater papo com os amigos tomando café em sebos e livrarias.

Como se amam as borboletas!
Possa eu renascer depois da morte
Na planura, borboleta!

Estes Hai-Kais de Issa demonstram o seu atual estado de especialista

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

ARTE versus CRIME

*por César Augusto Zadorosny

Outro dia assisti fui surpreendido pela notícia da prisão, na Suíça, do famoso diretor polonês Roman Polanski. O motivo: no ano de 1977, em Los Angeles, na residência do amigo Jack Nicholson, Polanski, então com 44 anos, drogou e violou Samantha Gailey, que na época contava com 13 anos. O caso foi parar nos tribunais, onde as partes fizeram um acordo (bargain) e foi retirada a acusação de violação, permanecendo, contudo, o crime de manter relações sexuais com uma menor. Polanski aceitou a barganha, confessou o crime e, depois, picou a mula dos Estados Unidos para nunca mais voltar - pelo menos era o que ele pensava.

Mais de trinta anos depois, agora com 77 anos, Polanski foi preso na Suíça, país que possui tratado de extradição com os Estados Unidos. A justiça americana agora aguarda ansiosamente o momento de por as mãos no fujão.

Desconheço os pormenores do processo e, portanto, não tenho como tecer qualquer comentário sobre as circunstâncias que levaram o diretor polonês a agir da forma que agiu, ainda mais quando se está tratando de crimes dessa natureza, em que a atitude da vítima, seu grau de maturidade sexual e emocional tem acentuada influência sobre a ação do criminoso e pode mesmo mudar o resultado de uma decisão judicial.

O que me impressionou mesmo foi o rebuliço causado por políticos de toda a Europa e por figurões da milionária Hollywood protestando pela soltura de Polanski, com argumentos dos mais variados. Há, por exemplo, quem diga que Polanski já cumpriu a sua pena, ao permanecer “exilado” na Europa durante 30 anos. Outros argumentam sobre a tragédia pessoal de Polanski, com a morte de sua família nas mãos dos nazistas e sua condição de sobrevivente ao Holocausto, lembrando ainda a morte brutal de sua esposa pela “família” Manson. A grande maioria sustenta que a própria vítima já perdoou a Polanski e, portanto, não faria sentido mantê-lo em cárcere tanto tempo depois do crime.

Alguns pontos devem ser tocados aqui. Em primeiro lugar, exilado na Europa? Se fosse em Barra do Piraí tudo bem, pode dar a conta por paga e com direito a troco. Agora, acredito que ficar exilado na Europa não seja um suplício assim tão insuportável.

Segundo, pergunta-se: será que haveria tamanha condescendência com o criminoso se ele não fosse o artista que é? Se fosse um pobre mortal ou mesmo alguém de pouca – ou nenhuma – popularidade como George W. Bush, será que não estariam lançando o famoso bordão popular “a justiça tarda, mas não falha”?

E por fim, não posso deixar de mencionar é o fato de que, se fosse no Brasil, de acordo com o Código Penal atual, não seria mais possível punir o homem, já que prazo o máximo de prescrição previsto em lei é de 20 anos, guardadas as exceções constitucionais que não se aplicam à hipótese de estupro. Mesmo com a recente alteração da lei, com elevação da pena máxima para quinze anos de prisão, ainda assim, diferente da Califórnia, não seria possível exercer qualquer tipo de punição. Aqui o sujeito tem que pelejar muito para ir parar no xilindró.

Um forte abraço e até breve.

P.S.: Desculpem a falha na semana passada. Tentei de todas as formas postar o texto de onde estava, mas não consegui.

*César Augusto Zadorosny, em breve chegará aos trinta e seis anos, tem formação em Direito e Administração e está tentando descobrir qual a tintura de cabelo que o colunista Luiz Valério Cortez usa, mas ele insiste em dizer que é tudo natural.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Faltou Luz Mas Era Dia



Por Alex Peres *

Dando continuidade à coluna do nosso grande amigo Figurótico...

Ontem um acontecimento nos chamou a atenção, o fabuloso e marcante apagão.
Pensei que fosse uma batida no poste da rua, mas quando olhei pela janela vi que a coisa era maior. Achei que fosse somente à cidade, mas logo alguns amigos eletricistas me informaram por telefone que o monstro era maior do que pensava.
O sistema de transmissão dos mais robustos do mundo, que é o que parte de Itaipu, falhou.
O caso de Itaipu é especial porque o fato de a hidrelétrica ser muito grande e distante dos centros consumidores a transmissão é feita por vários caminhos que correm juntos. São várias linhas que partem de Itaipu que percorrem o mesmo caminho. Por isso, é uma rede reforçada com capacidade para enfrentar chuvas e ventos muito intensos.
O que estão dizendo por aí é que fenômenos climáticos causaram o problema. Eu não acredito!
Isso prova a vulnerabilidade do sistema de alimentação energética do país.

Aí o Brasil mostrando suas fraquezas! Cadê o sistema alternativo?

Por um acaso, como tese do curso de engenharia elétrica, estou desenvolvendo um sistema de iluminação totalmente independente da energia convencional. Ele é alimentado por energia solar captada através de células fotovoltaicas que alimentam um banco de baterias, que através de um controlador de cargas fornece energia para alimentar uma luminária a LED, que fornece, eficientemente, luminância suficiente para se comparar com a iluminação convencional. O sistema seria viável não fosse a grande fartura de hidrelétricas no Brasil, tornando a energia um excelente negócio. É claro, quando se tem fartura é mais difícil evoluir tecnologicamente, contudo a energia deveria ser mais barata, mas não é. Estou desenvolvendo um sistema alternativo e não competitivo.

Fiquei viajando ontem quando o silencio da falta de energia assolou quase todo o Brasil. Tentei aproveitar cada minuto, pois não reparamos o barulho permanente da freqüência causada pela eletricidade e pelos motores alimentados por ela, e quando isso acaba é como se fosse um suspiro para o seu corpo. Então, ontem, por aproximadamente 4 horas, pudemos sentir essa tranqüila sensação, mesmo que inconscientemente. Olhei na janela e me senti em uma fazenda, quase que isolado do mundo. Sentei na varanda com minha esposa e meus filhos e ficamos conversando e rindo de nós mesmos, e reparamos que falamos muito alto o tempo todo.
É claro que muita gente sofreu com isso, principalmente nos grandes centros urbanos de maior violência, como o Rio de Janeiro, onde houveram saques, arrastões e assaltos. Mas isso não tem nada a ver com o blecaute. Esse é o blecaute humano.

Muitos se preocupam com o apagão energético, mas deveriam se preocupar muito mais com o apagão da humildade, da humanidade, o apagão da honestidade, da generosidade, o apagão da alma.

Obrigado a todos, e na próxima quinta tem novidade. Até mais!!!!

Convite: Nessa sexta feira, dia 13/11/2009, estarei defendendo meu projeto final, cujo tema é: “Sistema de Iluminação Externa a LED, Alimentado por Transformação de Energia Solar em Eletricidade”.
O protótipo já se encontra funcionando no Capus da Faculdade AEDB de Resende.
Autores do projeto: Alexander Peres da Silva, Caio Fleming e Thiago Augusto Franklin.

*Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) – é casado e tem dois filhos maneiríssimos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão em tudo

Por Figurótico*

Todos foram pegos ontem de surpresa pelo apagão, blecaute. Uns em casa outros na rua. Há tempos que não sei o que é isso. Eu, na rua, no Cine 9 de Abril assistindo ao show (pela terceira vez, acho) do Guilherme Arantes. A falta de luz deu-se no início de “Planeta Água”. O local equipado com geradores permitiu que o som não parasse. Mas a iluminação sim, esta parou por completo. Luzes e telões no breu, nem as de emergências acenderam. Retornaram após uns sete minutos.

O que para outro artista poderia ser capaz de alterar seu humor – visto que naquele instante ninguém imaginava que dez estados brasileiros estavam no escuro – pensando talvez, “que falta de organização, acabar a luz em pleno show...”. Mas não, Guilherme continuou a canção, fato que fez toda a platéia aplaudi-lo ainda mais durante a mesma, colocando seus celulares e câmeras ao alto acesos, emocionando de fato o artista. Foi sem dúvida o momento ápice do show. Além de todas aquelas (ótimas) músicas que por terem feito parte de uma época de nossas vidas (no meu caso infância e juventude) têm um sabor especial, aquela que pega pela memória. E é uma rajada de belas canções: “Brincar de Viver”, “O Melhor vai Começar”, “Pedacinhos”, “Um Dia, Um Adeus”, e a sempre saideira “Lindo balão Azul”. Some-se a isso a tendência nostálgica que carrego sobre mim especialmente, mesmo tentando muitas vezes me desfazer disso. Ouvindo a todas essas músicas, me pergunto se ainda há de haver canções como tais, da nova geração de compositores capazes de emocionar tanto como essas antigas?

É muito comum ouvir Milton Nascimento, Nelson Motta, surgirem com a nova musa, da nova música, da nova geração popular brasileira. É certo que eu ainda não ouvi todas essas “promessas” com dedicada atenção, meu universo particular é outro. Mas eu duvido muito, sou cético quanto a isso.

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Tocando nesse aspecto dos shows das terças no 9 de Abril, o da “Cultura Para Todos”, que vai até dezembro (e o prefeito já prometeu se estender à janeiro e fevereiro), vale registrar para quem ainda não sabe, que na última terça do ano, dia 29 de dezembro, terá Ultraje a Rigor. E não será acústico como todos os artistas que vêm estão fazendo, será a banda no palco, elétrico. Foi a exceção!

É uma iniciativa salutar para a população, visto que os ingressos são trocados por um litro de leite em caixinha? Sim, sem dúvida, e vieram muitos shows interessantes e de alto nível. Porém, há promessas da prefeitura, mais precisamente do último prefeito, Gothardo que ainda não saíram do papel. Este antigo prefeito, convocou a imprensa em 28/08/2008 para divulgar os 30 projetos aprovados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que destinaria 500 mil reais aos projetos. Peças de teatro, livros, shows, e CDs. Nós tivemos o nosso aprovado. Nesta reunião em 2008 – bem antes das eleições diga-se – se prometeu que os projetos levariam mais ou menos uns três meses a serem concretizados. Nada. Veio a eleição, o prefeito Neto foi eleito e o Gothardo deixou que ele mesmo que realizasse esses projetos, passando a bola (abacaxi) literalmente.

Neto ao assumir convocou a classe artística e prometeu que cumpriria com o que o antigo prefeito prometera. Depois de alguns contatos, prazos estendidos, promessas de “agora vai!”, ainda não veio... Bandas que decidiram não esperar a verba já lançaram seus CDs: Madame Zero (www.madamezero.com.br), Amplexos (www.amplexos.com) e D’Hanks (www.dhanks.com.br).

Como já custeamos nosso primeiro CD na íntegra, não temos e nem somos loucos de gastar tudo de novo para o segundo, não é barato. Sendo assim, nosso segundo CD? Só quando essa grana sair... Comos todos sabemos, um CD, uma obra, tem um prazo de validade, foi escrita num determinado contexto que, quando realmente sair, pode não ser mais tão relevante, essa é a questão que incomoda.

Abaixo transcrevo o post no site da banda em 28/08/2008.

“Rapaziada, querem novidade? Temos!
A Secretaria de Cultura de Volta Redonda aprovou nosso projeto pela Lei de Incentivo à Cultura e vai custear nosso próximo CD! Ufa!!!
Assim que a verba sair daremos continuidade às gravações, interrompidas desde o ano passado.
E sendo assim, continuamos a agradecer à Volta Redonda, sempre.
OBRIGADO!!!”

Esperamos que seja breve para podermos mais uma vez agradecer à Prefeitura. Que (fora essa questão dos projetos) sempre foi uma parceira inconteste da banda! Adotou-nos como filhos, e temos muitos momentos e amigos lá.

*Figurótico é músico, 34 anos, e estará na primeira fila do Ultraje.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

JUSTA HOMENAGEM!

por Mozart Cesar Valle Neto*

Neste fim de semana fui comemorar com meu afilhado Pedro seu nono aniversário. O curioso foi que o presenteado fui eu. Minha cumadre deu-me duas fotos do meu avô Mozart, que seu marido havia batido em uma visita a fazenda. Fiquei muito feliz e decidi prestar uma singela homenagem ao vovô Mozart. Mais que merecida!

Para começar bem temos quer retroceder a infância do vovô. Ele nos contava que seu pai, reunia os filhos em volta da mesa e dizia que deviam manter este costume. De conversar, de trocar idéias, de dialogar. Além disso, bisô Zeca profetizava que este costume devia ser mantido mesmo depois que chegasse uma tal caixa mágica que iria prender a atenção de todos e ia emudecer as casas trazendo coisas do mundo todo. Era por volta de 1925.

Nascido no dividido distrito de Manoel Duarte no lado Fluminense e Porto das Flores no lado Mineiro. Na certidão vovô era Fluminense de Rio das Flores. Entretanto hoje questiono se ele não seria mineiro. Principalmente quando lembro de seu jeito de ser.

Avançando um pouco tomamos sua chegada a Passa Três, município de Rio Claro. Onde com a cara e a coragem comprou uma padaria sem um tostão no bolso. Foi negociando e entrou no ramo da agricultura. De início comprava propriedades maiores, as dividia transformando-as em menores e fazendo melhorias e as vendia para mais proprietários.

Com o passar do tempo foi ganhando credibilidade e se tornou vereador por dois mandatos e depois prefeito. Lembro-me das histórias: a prefeitura tinha apenas quatro funcionários na época (três trabalhadores braçais e uma secretária) e apenas um jipe para transportar a “equipe”. Foi um tempo que ele tinha saudades. Mas não foi mordido pela mosca azul. Ele contava que após deixar a prefeitura por várias vezes fora convidado para concorrer mais uma vez. Mas sua resposta era sempre a mesma: A melhor hora para se ir embora é quando todos querem que você fique. Lembro do orgulho que ele mostrava para os netos um panfleto pedindo para ele voltar para a prefeitura. Só me lembro que cada parágrafo começava com uma letra do nome dele. Só fico imaginando que mensagem o parágrafo começado por Z passaria.

Como a política esta no sangue, que passou para este reles escriba, foi se dedicar ao sindicalismo, foi presidente do sindicato rural de Rio Claro por mais de vinte anos. Hoje a sede do sindicato tem o seu nome. Além é claro da principal rua de Rio Claro.

Mas sua principal ocupação era fazer o bem! Lembro-me de como era praticamente impossível acompanha-lo pelas ruas da cidade. Praticamente dava um passo e parava com alguém precisando de um favor ou uma ajuda. Sua lista de afilhados (casamento e batismo) passava dos trezentos nomes. No meu casamento ele não pode ir por motivo de doença, mas eram meus avós meus padrinhos.

Vovô era praticamente um juiz prático. As pessoas com problemas, brigas e desavenças o procuravam para decidir sobre a quizila entre elas. E o que ele decidia estava certo. Ninguém contestava.

Na família era um líder. Era respeitadíssimo. Mesmo nos dias mais quentes todo mundo procurava uma camisa para sentar a mesa do almoço. As refeições de domingo eram uma celebração. Ele era o primeiro a se servir. E somente depois os outros podiam começar. Mas não era uma ditadura, era um poder conquistado. Eu me sentia muito bem comandado por ele. E para fechar vinha minha avó que era a última a se servir. Ela só começava a comer depois de todo mundo servido. Ahhh, Saudades!

Sou muito orgulhoso de carregar seu nome e defender os ideais que ele tanto amava! Ele se foi como gostava, quando todos queriam que ficasse!

* Mozart Cesar Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 37 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing. Ontem comemorou em pensamento com seu avô os vinte anos da queda do muro de Berlim!