quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Contagem Regressiva...



*por Alex Peres

É hoje galera!!!!

Finalmente, chegamos ao fim de mais um ano! Daqui há algumas horas estaremos iniciando mais um ciclo, o recomeço, a oportunidade de continuação para alguns, de início de luta para outros, do começo de uma esperança para muitos.
Hoje é dia de festa!
Aos solteiros e solteiras, muito beijo na boca, birita, zueira e festa.
Aos casados, vamos tentar não ter inveja dos solteiros e vamos curtir, fazendo uma grande festa com a pessoa que amamos, com os filhos e familiares, e fazer desse dia um dia feliz, comemorando, agradecendo ou dizendo graças a Deus que esse ano acabou, e melhor, estou vivo e ainda estou aqui na terra, tendo a oportunidade de poder fazer melhor no próximo ano.
Vamos entrar com o pé direito, pensamento positivo, paz no coração e muita alegria, porque é ano novo, e como somos milhões e milhões que utilizam esse calendário, vamos deixar rolar e se esbaldar de esperança.
Esperança de que não haja novas guerras, e que amenizem e finalizem as atuais, esperança de que minimize a fome no mundo, esperança que diminua a ganância do homem, de que haja mais tolerância, que a educação chegue a todos, que haja mais humanidade, humildade, honestidade, disciplina, gratidão e generosidade entre os homens.
A vida é o bem mais valioso do ser humano, então faça dela uma glória, uma celebração e alegria. O tempo passa rápido e não temos o direito de desperdiçá-lo.

Em seguida, disse aos discípulos: "É por isso que vos digo: Não vos preocupeis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir; pois a vida é mais que o alimento, e o corpo mais que o vestuário.
Reparai as aves: não semeiam nem colhem, não tem despensa nem celeiro, e Deus alimenta-as. Quanto mais não valeis vós do que a aves! E quem de vós, pelo facto de se inquietar, pode acrescentar um côvado à extensão da sua vida? Se nem as mínimas coisas podeis fazer, porque vos preocupais com as restantes?
Reparai nos lírios, como crescem! Não trabalham nem fiam; pois Eu digo-vos: Nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles."

Lucas 12; 22-27

A vida é mais simples que podemos imaginar, só depende do ponto de vista.

Um feliz Ano Novo a todos e tenham um excelente dia de festa!!!!!!!

*Alex Peres – é Alexander Peres da Silva, e agradece a Deus por tudo de bom que lhe deu nesse ano que se finda, e pretende iniciar o novo ano com o pé direito, na jaca...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Nem entender, nem desistir




* Renata Klotz






Eu estou de férias! Aliás, descobri que estamos de férias, pois a Renata achou melhor colocar um texto do Artur da Távola ao invés de produzir um próprio. Eu particularmente não sou muito fã do nosso senador. Mas este texto tem muito haver com o momento do ano que estamos passando. Bom, a Renata não precisa de apresentação, por isso lá vai!!!




Vocês já tiveram essa sensação,tenho certeza.Ouviram uma música e pensaram: como esse sujeito traduz o que sinto tão bem que pareço ser eu mesmo o compositor. Ou quando você aprende numa aula de filosofia uma teoria que parece que já sabia, já intuía. O mesmo acontece com alguns textos alheios, nada a acrescentar, porém tudo a refletir. Pois esse texto é um deles.Texto do grande, e infelizmente já habitante do outro lado , Artur da Távola.


Nem entender, nem desistir

Vendo tanta procura mesclada de certezas; tanta dor disfarçada de alegria e tanta ilusão tomada como verdade, diariamente na vida, no mundo, vendo tudo isso defronto-me com uma antiga proposta do Zen-Budismo, tão antiga quanto profunda e inevitável. Ela diz, apenas, o seguinte: nem entender, nem desistir.

Essa parece ser a forma assumida pelo suplício da existência; mas, ao mesmo tempo, a melhor expressão de sua fascinante aventura. Querer entender não adianta: mas é mister empreender. E não adianta até porque, quanto mais entendimento, mais limiar de novas procuras, buscas e ignorâncias, logo de novos impasses, cansaços e desilusões. Mas desistir de conhecer, recolher-se ao batido repertório das idéias, opiniões e impressões que já se tem, cristalizadas, é permanecer nas trevas. Ou nas geleiras, congelada.

Talvez quem esteja certa, efetivamente, é a antiga legenda gnóstica da serpente “ouruboro”. Ela seria uma infinita serpente universal que passa através de todas as coisas, ligando-as secretamente. Essa serpente representa, simbolicamente, a ligação invisível que há entre todas as coisas, entre o Uno e o Todo. Ouruboro é representada comendo o próprio rabo, alimentando-se dela mesma, matando-se enquanto se vivifica, numa simbolização da autofecundação. Ela seria a representação adequada para a lei do “eterno retorno”, expressão cunhada por Nietzsche para representar esse caráter cíclico da natureza e das coisas. O grande conhecimento do Todo passaria pelo Uno e vice-versa; tudo e cada coisa teria uma enorme serpente invisível e autofecundante a ligar; tudo seria uma grande relação íntima de infinitos acasos e variedades.

De ser assim, como entender? Como entender o que está além dessa relação? Como entender o que está antes dela? Como entender o que lhe deu causa? E se à mente humana vedado foi entender, a faculdade de entendimento, num paradoxo, também foi dada aos homens, plantas e animais. Daí a inelutabilidade da condição humana: a de não desistir. Porque só a não desistência pode levar o homem a, num súbito clarão, obter a revelação. Revelação, portanto, seria a forma de entrar em relação com a essência, com a coisa em si, com o “númeno” e não com o fenômeno. Em suma:nem entender, nem desistir.


Putz...Só nos resta isso mesmo. Não desistir, mesmo não entendendo as razões que nos levam ao ponto onde estamos. Eu chamo isso de FÉ. E com ela eu conto todos os dias da minha vida.

Renata Klotz (renataklotz@hotmail.com) tem 32 anos, está enamorada, é também fílósofa de botequim. Deseja de verdade que o mundo seja um lugar melhor e que todos tenham um 2010 maravilhoso.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A MAIOR DE TODAS AS SEGUNDAS-FEIRAS








por Carlos Vinicius Rosenburg*


Nessa época do ano fica quase impossível fugir de certos temas. E isso não ocorre apenas conosco, colunistas bissextos de um humilde blog que reúne amigos de longa data. Isso é recorrente também nos renomados colunistas dos grandes veículos de comunicação. Passado o Natal, entramos naquela semana em os canais de televisão fazem retrospectivas, os jornais mostram as grandes reportagens do ano, vemos os preparativos para a (chatíssima) Corrida de São Silvestre, engarrafamentos (e mortos) nas estradas, enfim, tudo gira em torno dessa data cabalística, da mudança de mais um ano no calendário gregoriano.

É uma data repleta de simbolismos, significados, desejos de prosperidade, começo de dietas, planos de mudança de vida, gás novo, enfim, tudo aquilo que vamos empurrando o ano todo para a próxima segunda-feira, chega ao ápice na festa de réveillon. Ali, naquela contagem regressiva, ao chegar o novo dia, o novo tempo, o futuro, temos um domingo (mesmo que não seja domingo) a anunciar a maior segunda-feira de todas, que é o primeiro dia útil do ano, não importa o dia em que caia: tem cara e gosto de segunda elevada à enésima potência.

E o que esperar desse dia?
Olha, alguém me disse que 2010 será um ano maravilhoso, e acho que realmente será. Será? Não tenho certeza, apenas desejo isso e outros aqui no blog já falaram de maneira mais rebuscada sobre o tema. Só espero que seja um grande ano para todos.

Mas o que pretendo mesmo nesse pequeno texto de encerramento é (olhando para o futuro) agradecer por tudo o que aconteceu em 2009. Se não foi o ano dos sonhos, foi o ano possível. Agradecer por nossa saúde, de nossos filhos, por nossos empregos, oportunidade de estudo, alimentação, sorrisos, lágrimas, estresse, ócio, diversão, preocupação, sobrevivência, amor. Agradecer por essa misteriosa dádiva, tão preciosa, chamada vida. Agradecer pelo hexacampeonato rubro-negro, pela subida de nossos rivais vascaínos e pela permanência de nossos dois outros rivais locais, afinal, não se pode jogar dezoito pontos pela janela em um campeonato tão difícil...

Gostaria também de agradecer pela oportunidade de montarmos esse pequeno espaço, rodeado de novos e velhos amigos. Um espaço que, apesar de virtual, gerou apaixonadas discussões, trouxe à tona assuntos polêmicos, aproximou muitas pessoas, gerando até namoros. Um lugar em que mostramos nossas humildes visões de mundo, em que damos a cara para bater, mesmo que não haja sequer leitores dispostos a dar esse tapa. Um lugar formado não só por quem escreve semanalmente, mas também por colunistas eventuais, como as doces Flavinha e Renata, o temível Jorge Couto, o polêmico Alex “Irmão do Valério” Friederick, o acadêmico Beto “Crazy” Carvalho, o homem das cervejas José “Duda” Eduardo, a poeta Nívea, o carioca Roberto Campos, e também os nossos 37 seguidores, que aqui estão mais pela amizade do que pela qualidade (pelo menos dos meus) textos (em nome de todos, rendo uma homenagem ao maior participante blog, o grande rubro-negro Luiz Correia, nosso mais atuante comentarista; faço menção honrosa também aos tricolores Renato e Éder). Saudemos também nosso mais novo colunista fixo, Sérgio Soares, e o nosso antigo correspondente em NYC, o querido Bovino, que largou a coluna mas permanece como conselheiro nato e vitalício deste botequim.

Vida longa ao Estação BM, vida longa a todos nós, e que aproveitemos 2010 com mais sabedoria, humildade, caridade, paciência e, como já disse o profeta Valério, gentileza.

Que chegue logo essa grande segunda-feira que, coincidência ou não, cairá numa... segunda-feira. Nos vemos em 2010.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é casado, tem uma filha e viverá 2010 como se fosse o antepenúltimo ano, o que não deixa de ser verdade, pois o mundo, como todos sabem, acabará em 2012. Escreve também no blog Confraria Jurídica.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Profeta Gentileza



Por Valério Cortez

José Datrino nasceu em 11 de Abril de 1917, em Cafelândia, interior de São Paulo, foi o segundo filho de uma prole de onze, de Paulo Datrino e Maria Pim.

Até os vinte anos, viveu lá, trabalhando a terra, vendendo lenha e amassando burros bravos.

Garoto estranho, desde os doze anos dizia que ouvia vozes e afirmava que: “Iria ter uma família, ter filhos, construir bens, mas que, um dia, teria que deixar tudo”

Seus pais suspeitavam que ele fosse acometido de loucura, tentaram médicos e curadores espirituais, tudo em vão.

Em 1937, sem avisar ninguém, deixa a pequena Cafelândia, sua família e seus burros e vem para São Paulo e logo depois para o Rio de Janeiro.

Alguns anos depois, no Rio de Janeiro, casa-se com Emi Câmara, com quem tem cinco filhos, “três femininos e dois masculinos”.

Ganhou dinheiro, tornou-se um pequeno empresário, dono de uma transportadora de cargas.
Agora José Datrino tinha uma família, filhos e bens, “três caminhões, três terrenos e uma casa”

No dia 17 de Dezembro de 1971, estreou em Niterói, Rio de Janeiro, o maior e mais completo circo da America Latina, o Gran Circus Norte-Americano.

No dia 19 de dezembro do mesmo ano, durante um espetáculo, por ação criminosa, o circo pega fogo e dizima mais de 500 pessoas, a grande maioria de crianças, naquela que seria considerada uma das maiores tragédias circenses do mundo.

Alguns dias depois da tragédia, José Datrino ao acordar, disse aos filhos que vinha ouvindo “vozes astrais”, que o avisavam que era chegada a hora em que ele deveria se desligar de sua família e de todos os seus bens materiais.

José pegou um de seus caminhões, rumou para Niterói, e ao chegar ao local do incêndio, iniciou o plantio de um jardim sobre as cinzas do circo destruído, tornou-se um consolador voluntario, confortando os familiares das vitimas da tragédia. Ali morou por quatro anos. Doou seus bens a sua família e adotou o nome de JOZZE AGRADECIDO.

Logo depois, JOZZE AGRADECIDO passa a ser conhecido por GENTILEZA e adota como vestimenta única, uma túnica branca bordada em vermelho e um estandarte repleto de apliques.

GENTILEZA transita freneticamente por todos os cantos da cidade, e por seu discurso e figura singular é por diversas vezes detido e encaminhado para manicômios, como débil mental, como louco.
GENTILEZA em seus escritos cria uma nova grafia para as palavras, grafia esta repleta de simbolismo religioso, como AMORRR- “Amor maternal se escreve com um R, Amor universal se escreve com Três Rs, um R do Pai, um R do Filho e um R do Espírito Santo”.

Os anos 80, já o encontram como o PROFETA GENTILEZA, uma figura popular e iniciando sua perpetuação na paisagem urbana da cidade.

Nos pilares do Viaduto do Gasômetro, próximo a Rodoviária Novo Rio, na entrada da cidade, ele pinta em 56 de suas colunas, suas tabuas de ensinamento, onde apresenta a gentileza como o principal principio ético e divino do mundo.

Nos anos 90, durante a realização da conferencia ECO 92, podia ser visto nos locais por onde passavam as delegações presentes, conclamando os representantes das nações, a viverem sob a égide da gentileza.

No inicio de 1996, aos 79 anos, com a saúde fragilizada e dificuldade de locomoção, retorna para Mirandópolis, cidade próxima a sua Cafelândia, aonde em 29 de Maio, veio a falecer. Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério Saudade, Mirandópolis, São Paulo, Brasil, Planeta Terra.


Com certeza a simples pratica de pequenos atos de gentileza, não seria por si só, capaz de mudar o mundo. Mas, aliada ao resgate de valores esquecidos como solidariedade e amor ao próximo, seria capaz de melhorar, em muito, a vida de todos nos.

Eu prometo que vou tentar.

Feliz ano novo a todos.


Por favor, não entendam isto como uma ameaça, mas ano quem vem estarei de volta.

Abraços & beijos a todos & todas

sábado, 26 de dezembro de 2009

O QUE REALMENTE IMPORTA



* por César Zadorosny








Caros amigos o assunto esta semana, como não poderia deixar de ser, é o Natal. Sei que ao invés de ficar no lugar comum eu poderia inovar falando sobre temas alternativos como, por exemplo, a agressão sofrida pelo Papa Bento 16, pouco antes da celebração da Missa do Galo, e dizer que a intolerância e o extremismo devem ser combatidos com educação e esperança; poderia também destacar o fato de que o prestigiado jornal Le Monde outorgou a Lula o recém criado prêmio de “Homem do Ano”, tecendo-lhe elogios tantos que nos fazem pensar que o senso de humor francês já foi, um dia, mais refinado; eu poderia também falar sobre o caso do menino Sean Goldman (nada a ver com o caso do menino Carlinhos), que tomou conta dos noticiários brasileiros e norte-americanos e, acreditem, foi assunto tratado por Secretários e Presidentes de Estado, obviamente porque não tinham nada melhor para fazer; tudo isto daria para preencher esta e mais umas duas colunas, mas, realmente, não vejo nada de novo ou alternativo nisso. Como já disseram alhures, “é sempre mais do mesmo”, enquanto que o Natal, sim, é a melhor alternativa.



Confesso que meu ceticismo me torna uma pessoa pouco indicada para falar de tradições religiosas, mas, nem por isso, o Natal deixa de ser uma data especial em minha vida e na dos meus. Recordo-me, por exemplo, que em minha infância os Natais sempre foram comemorados na casa de minha avó, onde todos se reuniam para a ceia e a troca de presentes. Como só poderia abrir meus presentes após a meia-noite, passava o dia rodeando a árvore, tentando puxar o papel de um e outro embrulho para descobrir antecipadamente o que iria ganhar. O tempo passou e, tanto Noel quanto o Coelhinho da Páscoa se foram, levando consigo, de quebra, o Velho do Saco e o Saci Pererê.


A boa notícia é que aqui em casa Júlia, do alto dos seus bem vividos oito anos de idade, ainda crê na existência daquele senhor gordinho, de barba alva, bochechas rosadas e vestido com as cores do América do Rio (uniforme de inverno). Não diria que ela nutre uma fé cega, sem arroubos de incredulidade, já que sempre surgem dúvidas acerca do sistema de entregas desenvolvido pelo velhote alvirrubro (tema inclusive de debate recente neste espaço), mas ainda é possível tapeá-la com alguma explicação esdrúxula, sempre permeada de da boa e velha magia especial que explica tudo ao final.



Como fazemos todos os anos, fui levar Júlia para ver o Bom Velhinho ao vivo e em cores no Centro da cidade. Mesmo sendo um final de tarde, ainda estava bem quente e o sujeito que encarnava Noel já dava sinais de cansaço sob o tecido de poliéster molhado de suor e a barba espessa de algodão, fato que, todavia, não demoveu Júlia do intento de se aproximar, conversar brevemente e fazer seu pedido. É a magia do Natal.



Sempre procuro ficar por perto para ouvir o diálogo e ter uma ideia do que ela quer de presente e, por isso, consigo ouvir as perguntas: Qual o seu nome, mocinha? Você foi uma menina boazinha e estudiosa este ano? A resposta, sempre positiva, não é dada sem um olhar meigo, carregado com um pouco dúvida, direcionado a minha pessoa, como quem pede autorização e desculpas ao mesmo tempo. _ Esse olhar (eu já disse uma vez), ainda vai custar uma Ferrari a alguém. Corre tudo como manda o figurino, ela acorda de manhã e encontra o presente que pediu na sala, fica feliz da vida e, no final das contas, o que vale é o que ela acredita: Papai Noel existe!


O Natal também é o momento de aproveitar a maré de bons fluidos e fazer uma reflexão da vida, o que há de bom e ruim, exercitar a tolerância e a compaixão, aprender com erros e acertos, com as vitórias e as derrotas, e, como disse Kipling, saber tratar da mesma forma esses dois impostores. Ou seja, é momento para tentarmos nos tornar um pouco melhores do que somos e cada vez mais, pois é isso que realmente importa, acreditando você ou não no espírito natalino. Veio-me à memória, quando escrevo essas breves linhas, o poema “If” de Rudyard Kipling, criador de “Mogli o menino da selva”, e que tem uma mensagem bastante positiva e apropriada. Segue abaixo a transcrição.

SE

Se és capaz de manter tua calma, quando, todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando, e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares, ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires, de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires, tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas, em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas, e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada, tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, resignado, tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo, a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo, resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo, e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
- Rudyard Kipling -

Bem, estou indo agora para a festa de final de ano do blog na casa do incomparável Valério, evento etílico-gastronômico que promete estremecer as estruturas da cidade e que certamente será alvo de uma coluna neste espaço, num futuro próximo.
Feliz Natal e Ano Novo!

*César Augusto Zadorosny tem 36 anos, possui formação profissional em Administração e Direito, é pai de Júlia e esposo de Cris e está muito contente com isso, apesar de não ter sido eleito o “Homem do Ano” pelo Le Monde, não ter participado do “Escândalo do Panetone” em Brasília e também não ter sido convidado para integrar o elenco de “A Fazenda”, na TV Record.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

NATAL



* Por Sérgio Soares da Silveira


Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor”. Hamilton Wright Mabie

Amigos, por força do destino tive a responsabilidade de elaborar a coluna de hoje, aqui na Estação. Hoje, dia do aniversário de Jesus. Não faria qualquer sentido que o assunto abordado na coluna não se referisse a tal fato, de extrema importância para a humanidade.

Ante a maré natalina que nos invade todo mês de dezembro, creio ser necessário que avaliemos qual é o verdadeiro significado do Natal. Cada pessoa tem seus momentos de reflexão, seus defeitos e virtudes. Para mim, Natal é a data em que podemos recapitular os atos praticados durante o ano que finda, cotejando-os com atos similares perdidos em um passado mais remoto. Verificar até que ponto conseguimos trocar o discurso pela prática. Em síntese, avaliar se melhoramos como ser humano. Também é a data da reunião familiar, da felicidade das crianças...
Acima de qualquer exploração de marketing da data, creio que seja importante ressaltar a importância do Natal, seja pela data em si (nascimento de Jesus), pelas confraternizações familiares ou pelo fato de agregar vibrações positivas e benfazejas para nosso planeta.

Para finalizar, tomo a liberdade de transcrever parte de um texto que recebi da Fundação Espírita André Luiz (Amigos da Boa Nova), de São Paulo, que nos chama a atenção para o verdadeiro significado do Natal. É para reflexão. Espero que gostem:

Natal não é o que se come ou o que se bebe. Natal não é liquidação no comércio. Não é promoção. Nem mesmo é neve e frio.

Natal é sintonizar com um estado de espírito muito melhor, esquecer rusgas, apagar ressentimentos do muito que engolimos o ano todo.

É acreditar que eu, você, a humanidade toda temos sim a capacidade para transformar tanta injustiça em união produtiva.

É rever o que somos. Pensar no que precisamos aprender. Planejar como por em prática e se preparar para exercitar um novo comportamento, uma nova ótica de vida. Natal é gravar em nossa alma uma mudança de rumo expressiva, programada e executada por um espírito de altíssimo nível, que assumiu este planeta desde seu projeto, até os dias de hoje e daqui para frente.

Natal, enfim, é buscar a cada dia se aproximar mais e mais da espiritualidade maior, praticando a mais profunda e significativa orientação daquele que é o aniversariante: Amai ao seu próximo como a ti mesmo.

Feliz Natal, amigo.
Hoje, no dia 25 e sempre!

PS.: Faça o Natal acontecer todos os dias, ponha para trabalhar ferramentas do ser humano que estão caindo em desuso: alavanque o mundo com o amor.

Feliz Natal a todos e até o ano que vem.
* Sérgio Soares da Silveira é casado, pai, possui 36 anos e como já foi dito neste espaço, também acredita que se tivéssemos um Natal a cada mês o mundo seria melhor. Escreve no blog Confraria Jurídica.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Lápis e Papel na mão!!!!



por Alex Peres*

Hoje estou tendo o privilégio de postar essa coluna na véspera do Natal, então vou tentar exprimir o que acredito sobre essa data tão comemorada.
Pra mim o natal, além da importância da data do nascimento de Jesus, de toda a mística envolvida, de toda aproveitamento oportunista que a indústria capitalista utiliza nessa data, de toda abundante farra gastronômica e etílica tornando mais distante ainda a presença do irmão socialmente diferenciado, o mais importante é o momento de reflexão.
O nosso calendário dá a oportunidade de realizarmos um ciclo, portanto nos permite que paremos nesses momentos para fazer essa contabilidade espiritual. Eu faço assim. Tento me isolar por alguns minutos, que já é um pouco difícil, mas eu tento, pego uma folha de papel e faço algumas perguntas para mim mesmo: O que eu fiz de bom durante o ano? O que eu fiz de ruim às pessoas ou alguma coisa ruim que eu gostaria que não acontecesse no próximo ano? O que eu conquistei, e o que quero conquistar? Com quem quero estar, e quem quero que fique longe de mim? O que quero comprar, quantos quilos quero emagrecer, parar de fumar, curar de uma doença, em fim, relacionando tudo que fiz e o que quero fazer, sistematicamente escrito em uma folha de papel. Acreditem, funciona! Acho que vc sugestiona seu cérebro a acreditar que isso é possível, e nos próximos anos a gente vai vendo se o saldo foi negativo ou positivo.
Considero a nossa vida um projeto. Por ser tão curta não há tempo para muitos erros, mas com certeza eles vão acontecer, e se não estivermos bem planejados, com as rédeas nas mãos, corremos o risco de embalar numa descida que não queremos. Não gosto de pensar que a vida seja um barco a deriva, como a frase “Deixa a vida me levar”, pois assim acho que ficamos mais vulneráveis. Então se vc tem um planejamento fica bem mais fácil decidir o que quer dela e tirar mais proveito.
Cuidem bem do tempo, utilize ele com sabedoria, não o jogue fora, pois é preferível não fazer nada a fazer merda. Cuidem muito bem das pessoas que vc quer estar junto, digam palavras boas e plantem boas sementes que há certeza de uma excelente colheita.

Bom galera, eu espero que todos passem um bom natal e que tenham a oportunidade de estar com quem ama e refletir sobre o verdadeiro sentido desta data.

Um feliz Natal!!!!

PS.: Gostaria de agradecer a todos que participaram da magnífica surpresa do dia 18 de dezembro, quero dizer que foi o melhor dia do ano para mim. Estar junto, comemorando, com sua família e seus melhores amigos é um privilégio invejável. Obrigado mesmo, eu não merecia tanto!
Um agradecimento todo especial a minha esposa que não poupou esforços para que isso acontecesse.

Obrigado!!!

Alex Peres – alexperes@superonda.com.br – ta na área em 2010.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Fechem as cortinas, o espetáculo acabou

Por Figurótico*

Rapaziada, como disse na semana passada (e não vi nenhum texto de colaborador) estou precisando dar um tempo geral. Depois de muito pensar concluí que o que mais me aflige é esse pouco dinheiro que a música vem dando, principalmente ao rock’n roll. É tocar, tocar, tocar, e o dinheiro não dá pra nada. Por isso ando assim. Neste momento, não sou a pessoa mais aconselhada a fazer um texto de fim de ano. Ainda mais com as pessoas comprando desesperadamente tudo nas ruas em dias de Natal. O Natal não é isso! Natal é reflexão, (re) nascimento como bem disse o Buja! Que, aliás, sempre tive o prazer de receber seus e-mails em fins de ano.

Nesse momento o que consigo escrever (e estou escrevendo) é uma carta enorme à minha ex-namorada que pela primeira vez desde que nos conhecemos naquele longínquo Cana café, passará o Natal fora de Barra Mansa. E o fato de não a ver neste dia está me torturando. Alguns dirão: Mas se é ex, por que isso? A história é longa por demais pra eu escrever aqui, ninguém é capaz de entender.

Portanto, para fecharmos o ano (colaboradores, a hora é Hexa! Sumana que vem não postarei, só retornando em janeiro) com o pique em cima, segue um texto que fiz depois de um show do Ultraje a Rigor em 2006 no Circo Voador. E esta puta banda se apresentará no Cine 9 de Abril no dia 5 de janeiro de 2010. Por favor, não me percam este momento! O Ultraje... (um de meus primeiros apelidos na época em que estudava guitarra)

Feliz Natal e Ano Novo pra essa galera!

Fechem as cortinas, o espetáculo acabou (agosto de 2006)

Se eu entrasse no Circo Voador como um estranho no ninho e me dissessem que a banda que tocaria acabara de lançar seu primeiro disco, não seria difícil acreditar – a não ser pela barriguinha pouco saliente do guitarrista solo e os bem vividos anos do guitarrista e vocal. Mas essa foi a sensação. Vigor, disposição e sucesso para dar e vender. Cheguei cedo à Lapa parta respirar aquele ar de sábado com cheiro de rock no Rio (é, às vezes precisamos andar 120 km para sentir esse cheiro), e torci para que a casa ficasse cheia. Ficou. E Roger, antes mesmo de dar o primeiro acorde, já disparou: “Só vieram vocês?”, com aquele humor típico.

O Ultraje a rigor começou com a música do Acústico MTV – mas sem violões, tudo bem elétrico, como Serginho, que parecia tomar um choque a cada solo – “Zoraide” abriu as portas do espetáculo. Sim, estávamos num circo e o povo queria espetáculo, que durou duas horas e meia, sem que ninguém arredasse pé do Voador. Passearam por todos os discos, até pelos menos conhecidos. Do primeiro só não tocaram “Se você sabia” (se bem que pediram e Roger tentou, mas a banda não sabia e não saiu da introdução, o que fez com Roger dissesse: se vocês soubessem!!!). Roger mostrou as influências do Ultraje tocando “Slow Down” dos Beatles, “Barbara Ann” dos Beach Boys e a galera gostou. Até os mais jovens que se espremiam da beira do palco e faziam as rodinhas punk. Serginho exagerou nos solos (pra bem, não pra mal) e teve de pedir para que os assistentes alongassem seu braço durante uma música. Na volta do bis ficou a sós com Roger e solou durante uns cinco minutos para deixar a galera cantar “Marylou”. Não faltou música alguma, “Volta Comigo”, “Maximillian Sheldon”, “O chiclete”, etc.

No site do Ultraje, Roger aconselha as bandas a não correrem atrás de gravadora, que tentem aparecer por si mesmas, para daí serem procurados por uma. E o Ultraje é assim, ficou esquecido das grandes e arrepia até hoje as pessoas com sua atemporalidade. Pessoas como eu, que dezenove anos depois volta do Rio com a alma lavada depois de ter visto a banda com a mesma disposição de 87. Se acham que o Ultraje é uma banda da “antiga” (que não é, tem disco inédito de 2002, com já disse) seria muito bom que existissem mais assim, mesmo depois de 20 anos de rock.

*Figurótico é músico e jornalista. E só é músico por causa dessa banda acima.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

V.I.P.



por Mozart Valle Neto*

Segundo a Wikipédia V.I.P vem da expressão inglesa Very Important Person tradução literal para "pessoa muito importante"), é uma sigla que designa pessoas importantes, influentes, ou altos funcionários com privilégios especiais. Expressão cunhada em 1933. Conhecida praticamente em todo o mundo é usada também para designar lugares de alto luxo, de acesso exclusivo (Área VIP) ou mercadorias destinadas a pessoas VIP. É freqüentemente usada em apresentações para designar lugares, quem pode ou não entrar nos camarins, etc. Um exemplo são os Lugares VIP.

Hoje, dia 21 de dezembro, foi um dia daqueles. Primeiro dia útil de férias, passei o dia pulando de oficina em oficina resolvendo todos aqueles pequenos problemas no carro, daqueles que sempre deixamos para depois. E só para confirmar o que já sabia levei um rombo na carteira. Mas isso não interessa muito.

Vou escrever hoje como é ser VIP. Mas não é como vocês estão pensando. Não sou grande freqüentador de aeroportos, restaurantes chiques ou resorts. Sou VIP nos lugares mais inusitados que se possa imaginar: Primeiramente, como não podia deixar de ser, sou pessoa muito bem quista na maioria dos bares de Barra do Piraí, lugarzinho imundo como diria o Cesinha. Sou também em todos os congêneres do ramo citado acima, vulgo: biroscas, botecos, botequins, trailers, boates e etc. Levantando o nível entram também os restaurantes, e claro que nos que vendem cerveja. Como exceção só mesmo a Pensão do Careca (Tempero Caseiro) porque ele é meu amigo, rs.

Até então eu achava que só nesses locais etílicos eu tinha alguma influência ou facilidade. Até esta noite. Fui designado pela força tarefa natalina daqui de casa para buscar os últimos presentes aproveitando que as crianças estão em Angra. Por volta das 19 horas rumei para a loja de brinquedos. Quando chego na porta quase desisto! Um mar de mãe, pais e crianças quase se degladiando pela atenção dos vendedores. Acho que entrei na loja com uma cara tão esquisita que a vendedora veio em minha direção e convidou-me a segui-lá. Fui meio atônito atrás dela. Ela me levou para o fundo da loja. Apontou uma poltrona e convidou-me a sentar. Não estava entendendo nada. Ela me perguntou qual brinquedo eu desejava. Falei e ela trouxe até onde eu estava. Ofereceu café e água. E eu boquiaberto. Resolvida a compra ela trouxe a máquina do cartão. Eu fiquei sentadinho. Para terminar ofereceu se queria que um dos garotos levasse o pacote até o carro. Não resisti é perguntei: Porque isto tudo comigo? O movimento continuava intenso. A atendente simplesmente respondeu: O senhor é um cliente assíduo. Este ano resolvemos premiar nossos clientes que compram o ano todo. Foi assim que descobri que não sou VIP apenas nos bares, rs.

Nada como o natal para mudar a vida das pessoas!!!!

Post Scriptum: este ano foi sensacional. Eu percebi que a oportunidade de escrever para a posteridade me tornou uma pessoa melhor.

* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 38 anos, é solteiro e trabalha na área de educação e marketing. Está muito empenhado em 2010 de além de ser VIP nos lugares se tornar também VIP no coração das pessoas.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Dias passando em questão de segundos – Natal de novo



por Carlos Vinicius Rosenburg*

Dia desses, naquela tradicional correria diária, saí de casa para pegar o elevador e me deparei com uma guirlanda pendurada na porta do vizinho. Fiquei meio surpreso, cheguei a pensar que era dezembro e eu nem reparara, mas não, ainda era novembro. Achei o sujeito um pouco apressado demais... Mas não, ele estava certo. O tempo passa tão rápido que, daqui a pouco, quando acabar o carnaval, já vão começar a colocar bolas vermelhas enfeitando árvores...

Será que só eu tenho essa sensação? Pode ser coisa da idade...

Lembro dos Natais na infância, quando passava férias na casa da minha avó materna, em São Paulo. Quando acabavam as aulas eu me mandava (ou me mandavam...) pra lá, e tinha sempre aquele anúncio na TV do Sílvio Santos, na voz do Lombardi (!), dizendo que estavam faltando tantos dias para o Natal. E esses dez, nove, oito dias demoravam muito, eu não estou maluco!

Hoje não. Quando vejo a montagem da casa do Papai Noel no Centro de Barra Mansa, começo a ficar ansioso. Um ano já se foi e eu não vi nada. E logo virão os anúncios da Oi, Vivo, Claro, Casas Bahia, Ponto Frio, sorteio de carros no comércio, lojas abertas até tarde da noite, funcionários caçando clientes nas ruas, calçadas abarrotadas, trânsito impraticável, todos atrás de presentes, mais presentes, da versão atual daquilo que mofa em algum armário na nossa casa e sequer usamos. Os dias passarão freneticamente. Dias passando em questão de segundos. Sem esquecer de que é preciso comprar, comprar, comprar. E de repente nos vemos no meio disso tudo, absorvidos, andando na mesma direção (que ninguém sabe onde dará...).

E assim, nessa correria insana, vamos nos esquecendo do antigo personagem principal da festa, o Nazareno, que foi perdendo terreno para o senhor de bochechas e roupas vermelhas. Vamos perdendo a noção de que o Natal representa (re)nascimento, vida nova, amor. Sendo cristão, amor ao próximo, palavras tão fáceis de escrever e quase impossíveis de praticar. E seguimos fazendo tudo igual, todos os anos, como bois caminhando para o matadouro (eu entre eles), perdendo a oportunidade de absorver esse espírito renovador e carregá-lo por todo o ano, pela vida toda.

Por que não tentar fazer diferente? Falta de fé? Quem sabe, talvez. Pode ser que haja uma desconfiança, um medo de um dia acordar e ver que, tanto quanto o velhinho dos trenós, a história do Nazareno também não passa de uma fábula. Espero que esse medo seja apenas meu. E que ele passe. Preciso recuperar minha fé e fazer diferente. Mas isso é tema para uma próxima coluna.

Feliz Natal pra todos, e que no próximo ano os dias tenham, de verdade, 24 horas.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é casado, tem uma filha e ainda não montou sua árvore de Natal (o que espera fazer antes do dia 24 desse ano, se possível...). Escreve também no blog Confraria Jurídica (http://www.confrariajuridica.blogspot.com/).

NOTA: nosso querido blog alcançou a marca de 10.000 acessos desde que entrou no ar, em agosto/2009. Não é nada, não é nada... não é nada.


PAPAI NOEL, VELHO BATUTA: dando continuidade ao clima natalino do blog, iniciado por Valério Cortez e Jorge Couto, como homenagem ao bom velhinho (não, não é o Valério...) sugiro o clipe da banda Garotos Podres - "Papai Noel Velho Batuta" - http://www.youtube.com/watch?v=UqTT_O1PIvM

domingo, 20 de dezembro de 2009

Eduardo, Mônica, o Blog e Papai Noel


Por Valério Cortez

Festa estranha, com gente esquisita “eu não to legal”, não agüento mais birita. E foi assim, ao som da Legião Urbana vindo da casa ao lado, que resolvi inventariar nossa semana aqui no blog, a música foi perfeita.

Nossa semana foi mesmo “estranha e esquisita”, teve Meteorangos Incompreendidos, Safras Musicais, Receitas Culinárias, Músicos Desanimados, Engenheiro Debutando, Lester Bangs Marginal e até, Ulisses para iniciantes.

A semana foi tão “estranha e esquisita” que nem o Mário apareceu.

É impressão minha, ou esse blog anda meio brocha? Meio careta? Será que nós vamos virar bolor?

Verdadeira ou não minha impressão, e antes que seja necessário uma atitude mais radical, como um Viagra ou algum alucinógeno, resolvi por bem, injetar um pouco de provocação neste nosso minifúndio, e, só pra ver se aumenta a libido da rapaziada, estou trazendo de volta, Jorge Couto o abominável.

Preparem as pedras, dêem preferência as mais pesadas e pontiagudas, pois deixo agora com vocês, Dr. Jorge Couto ou, o “Médico e o Monstro”, ou melhor ainda, o “Monstro e o Monstro”.

“E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão!"

Um bom domingo e um feliz natal aos que postam, aos que comentam, aos que lêem e aos que nem sabem que agente existe.

Valério Cortez


Papai Noel existe? (Uma abordagem científica)

Por Jorge Couto

1) – Existem aproximadamente dois bilhões de crianças (pessoas com menos de 18 anos) no mundo. Porém, como Papai Noel não visita criança das religiões muçulmana, Hindu, Judaica e Budista, isso reduz o trabalho na noite de Natal para 15 % do total, ou 378 milhões de pessoas (de acordo com o Bureau de Referência de população). A uma taxa média (censo) de 3,5 crianças por lar, tem-se um total de 108 milhões de lares, considerando que haja pelo menos uma criança boazinha em cada lar.

2) – Papai Noel tem cerca de 31 horas de Natal para trabalhar, graças à diferença de fuso-horário e à rotação da Terra, considerando que ele viaje de leste para oeste (o que parece lógico). Isso resultaria em 967,7 visitas por segundo, e significa que, para cada casa cristã com uma criança boazinha, Papai Noel tem cerca de 1/1000 segundo para estacionar o trenó, saltar, pular na chaminé, encher as meias, distribuir os presentes restantes sob a árvore, comer algum lanche que tenha sido deixado para ele, subir de volta pela chaminé, entrar no trenó e ir até a próxima casa. Considerando que cada uma das 108 milhões de paradas esteja distribuída uniformemente pelo mundo (o que, naturalmente, sabemos ser falso, mas será aceito para fins de cálculo),estamos falando agora de aproximadamente 1,25km por casa – uma viagem total de 121,5 milhões de km, sem contar idas ao banheiro e descansos. Isso significa que o trenó do Papai Noel move-se a uma velocidade de 1.046 km/s – 3.000 vezes a velocidade do som. Para fins de comparação, o veículo mais veloz já construído pelo homem, a sonda espacial Ulisses, move-se a acanhados 44,1 km/s, e uma rena normal pode correr a 24 km/h (no máximo).

3) – A carga útil do trenó representa um outro elemento interessante. Considerando que cada criança não receba nada mais que um Lego médio (907g), o trenó levaria mais de 500 mil toneladas, sem contar o peso do “bom velhinho”. Em terra, uma rena normal não puxa mais que 136 kg. Mesmo admitindo que renas “voadoras” pudessem puxar dez vezes o normal, o serviço não poderia ser feito com oito ou nove delas – Papai Noel precisaria de 360.000 renas. Isso aumentaria a carga, sem contar o peso do trenó, mais 54 mil toneladas, ou aproximadamente sete vezes o peso do Queen Elizabeth (o navio, não a monarca).

4) – 500 mil toneladas viajando a 1.046km/s cria uma enorme resistência do ar isso aqueceria as renas da mesma maneira que uma nave espacial ao reentrar na atmosfera da Terra. O primeiro par de renas absorveria (14,3x10 elevado a 19) joules de energia por segundo. Em resumo, elas explodiriam em chamas quase que instantaneamente, explodindo as renas atrás delas e criando estrondos sônicos ensurdecedores em seu rastro. Todo o conjunto de renas seria vaporizado em 4,26 milésimos de segundo, ou quase quando Papai Noel atingisse a quinta casa em sua viagem. Porém, nada disso importa, pois o Papai Noel, com a aceleração resultante de uma parada brusca a partir de 1.046 km/s em 0,001 segundo, estaria sujeito a uma força de 17.000 G’s.
Um Papai Noel de 113 kg (que parece ridiculamente magro) seria imobilizado no fundo do trenó por 1.957.258 kgf o que esmagaria instantaneamente os seus ossos e órgãos, reduzindo-o a uma bolha trêmula de meleca pegajosa cor-de-rosa.

5) – Conclusão: Se Papai Noel existiu, ele já está morto.


Jorge Couto tem 53 anos, casado, pai, médico, botafoguense, jazzófilo e provocador, não necessariamente nesta ordem.

sábado, 19 de dezembro de 2009

MISSÃO CUMPRIDA

* Por César Augusto Zadorosny
Sem querer correr o risco de importuná-los neste espaço antidemocrático com detalhes desinteressantes de minha vida profissional, mas o fato é que esta foi uma das piores semanas do ano em matéria de trabalho, fato certamente devido ao recesso forense que hoje se inicia.

Aconteceu de tudo um pouco, desde palestras obrigatórias que fazem o expectador se sentir um completo imbecil – pelo menos no meu caso e de outros dois colegas também vítimas da armadilha –, até quedas de energia durante a chuva, daquelas que fazem o sujeito perder boa parte do trabalho ainda não salvo. Tétrico.

Mas tudo isso já é passado e, embora esteja extenuado da labuta intensa e necessitando muito repor a energia, estou bastante contente por poder finalmente me dedicar aos folguedos natalinos.

Minha primeira providência foi retomar a desafiante tarefa de ler Ulisses, obra do irlandês James Joyce, e que tem como uma de suas maiores características o fato de ser mais cultuada do que realmente lida, o que provavelmente se dá pelo incômodo detalhe de que, mesmo após ultrapassadas mais cem páginas de leitura, pouco ou quase nada se entendeu.

É de fato uma obra elitista, mas muito mais por culpa do leitor do que do autor, este sim responsável por uma inovação na literatura de sua época (1922), talvez ainda não superada.

Aqui vai uma palhinha: “Guardas-reais replicam, soando clarins de boas-vindas. Sob um arco-de-triunfo Bloom aparece nudicápite, num manto de bélbute carmesi debruado de arminho, trazendo a maça do santo Estevão, o orbe e um cetro com a pomba, a curtana. Está sentado num cavalo lactibranco com longa cauda pendente carmesim, ricamente encarapaçado, com uma testeira áurea. Excitação frenética. As damas de seus balcões atiram rosipétalas. A atmosfera está perfumada de essências. Os homens vivam. Os meninos de Bloom correm em meio aos estantes com ramos de pilriteiros e agaves.”

Não se preocupem em recorrer ao mini-dicionário porque não vai adiantar. Enquanto digitava o trecho acima, o corretor de texto do Office enlouqueceu e desandou a sublinhar tudo de vermelho. O “pai dos burros” tem de ter pelo menos 200 mil verbetes (e sub-verbetes) para dar conta do recado todo.

Em seu livro, Joyce transforma um dia cotidiano na vida de uma pessoa comum (Bloom) numa verdadeira epopéia (ou melhor Odisséia), cheia de incursões pelo subterrâneo da alma humana e com uma narrativa incomum e revolucionária, o que fez com que alguns críticos da época dissessem que aquele era ''um romance para acabar com todos os romances”. Só para ter uma idéia, no dia 16 de junho na Irlanda é comemorado o feriado de Bloomsday, em homenagem ao livro “Ulisses”, com vários eventos oficiais e não oficiais. Diversão garantida se eu finalmente conseguir terminá-lo.

A finalmente semana acabou, e bem, já que pudemos comemorar em grande estilo a formatura e o aniversário (antecipado) do colunista Alex Peres em uma divertida – e regada – festa surpresa, preparada com muito carinho e esmero pela esposa Flávia. Os detalhes vou deixar para o próprio contar na próxima semana.

Parabéns Alex por mais essa Vitória.

Abraço a todos e até breve.

*César Augusto Zadorosny tem 36 anos, possui formação profissional em Administração e Direito, está curtindo o recesso forense e ansioso pelas férias que se avizinham.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

LESTER BANGS - O autêntico



* Por Sérgio Soares

"Os Rolling Stones durando 20, 30 anos – que idéia estúpida seria. Ninguém dura tanto tempo". (Lester Bangs, Creem Magazine, dezembro de 1973).


A frase acima, vociferada há 36 anos por aquele que é considerado o maior crítico de rock que já pisou neste planeta, hoje soa irônica.

Pois bem, para quem não o conhece, Lester Conway Bangs nasceu em 1949, nos Estados Unidos da América e se tornou conhecido como ácido e preciso crítico musical. Com estilo influenciado por Jack Kerouac e Burroughs, redigiu artigos para várias revistas especializadas, como Rolling Stone, Creem, New Musical Express e Village Voice. Morreu cedo, aos 33 anos, vítima de uma mal explicada overdose de medicamentos (Darvon, um tranqüilizante). Mas vamos ao que interessa.

Lester Bangs era autêntico até a medula. De uma sinceridade impressionante, lutava pela verdadeira música, pelo verdadeiro músico, sem firulas. “Um rockstar é apenas uma pessoa”, costumava dizer. Beatnik, crítico maldito, gênio do jornalismo gonzo, chegou a se aventurar como vocalista da “Lester Bangs and The Delinquents”.

Por não tecer resenhas simpáticas aos VIPs da época e não adotar o estilo politicamente correto, Lester foi demitido da Rolling Stone, encontrando nova casa em Detroit, berço da Creem, onde pôde escrever sem amarras, impondo a utilização dos termos “punk rock” e “heavy metal”. Escrevia não apenas sobre rock, alçando outros vôos, como quando comentou o último disco do sensacional saxofonista jazzístico John Coltrane.

Para sentirem o tom do sujeito, vai um trechinho do que disse dos últimos tempos de Elvis Presley, após sua morte, época em que a grande maioria costuma louvar o artista recém falecido como sendo o maior que já pisou na Terra (lembro que recentemente, após a morte de Michael Jackson, Régis Tadeu escreveu um artigo muito lúcido, publicado no portal Yahoo, afirmando, em síntese, que admirávamos alguém que, artisticamente falando, já havia morrido há tempos. O cara foi quase apedrejado...). Percebam também que Lester já atacava aquilo que acabaria virando a praxe do mercado fonográfico: o lançamento de inúmeras coletâneas com uma ou duas músicas extras, para os otários, como ele costumava dizer, comprarem:

“Claro que todos nós gostamos muito mais de Elvis do que do Pentágono, mas veja que afirmação mais mesquinha. No final, o escárnio de Elvis por seus fãs, como manifestado nos “novos” álbuns – cheios de material já lançado – e uma nova canção para garantir que todos nós, os otários, os comprássemos, espelhava-se no escárnio que todos nós, secretamente ou não tão secretamente, sentíamos por um homem que chegou mais perto que Carlos Castañeda do mundo dos deuses, até que a convocação do exército o domou e desmascarou como o lacaio ignorante que ele sempre foi desde o início. E desde então, otários que somos, ficamos esperando por quase duas décadas que ele virasse bicho novamente.”

Grande Lester. De saco cheio da cena roqueira da metade dos anos 70, buscando se livrar do álcool e do speed, chegou a freqüentar os alcoólicos anônimos, onde encontrou Lou Reed (vocalista do Velvet Underground), um de seus músicos favoritos. Nessa época declarou: “Chega dessa bobagem de amar a morte, a pessoa tem o dever de tirar o melhor da vida”. Decência e integridade são palavras que passaram a habitar seus textos. Por tal postura, o chamaram de moralista. Ah! E então percebemos Lester se aproximando, ao menos para os detratores, de seu “padrinho” Kerouac em fim de vida, quando este realmente adotou posturas reacionárias.

Chegam os anos 80, era da MTV. E encontramos Lester desolado, como se percebe em trecho de entrevista concedida ao News Blimp, em 1980: “Pra ser sincero, estou tão alienado e enojado a ponto de me perguntar se quero mesmo fazer algo nos próximos anos. Veja bem, a questão é: tudo está ficando como a revista People. Todo o rádio, toda a imprensa, tudo está ficando assim, até o ramo editorial. Ontem, falando com meu empresário, perguntei a ele: Você acha que, continuando assim, a única coisa vendável vai ser a biografia-putaria de uma celebridade?”

Resta claro que Lester não conseguia se encaixar na cena musical então existente. Nesta época, durante um incêndio em sua casa, de onde saiu de cuecas, resolveu voltar para resgatar o que considerava um tesouro: o disco Metal Box, do Public Image Limited. (PIL), banda de John Lydon, mais conhecido como Johnny Rotten, o Joãozinho Podre dos ingleses Sex Pistols.

Bangs deixou a vida terrena em 1982, vítima da já citada overdose de tranqüilizantes.

Uma rápida, mas precisa visão de quem foi Lester Bangs pode ser conferida no belo filme “Almost Famous” (Quase Famosos), de Cameron Crowe, onde Lester é magistralmente interpretado por Phillip Seymour Hoffmann. O filme, imperdível para os amantes do rock, se passa em meados dos anos 70. Quem viu vai se lembrar da frase proferida por Lester ao jovem Willliam Miller: “Pena que você perdeu a época do rock.”

Para quem se interessar, está disponível no Brasil um pequeno livro contendo artigos escritos por Lester Bangs. Chama-se “Reações Psicóticas”, da editora Conrad.

Lester Conway Bangs - R.I.P.


* Sérgio Soares possui 36 anos, é casado e tem uma queda pelo underground, embora mínima se comparada a de nosso grande colunista Valério Cortez. Escreve também no blog Confraria Jurídica.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Missão Solene

*por Alex Peres

Olá internauta amigo,

Mais uma vez estamos nos encontrando e hoje vou falar brevemente sobre os momentos solenes mais comuns em nossas vidas.
Pelo nosso percurso de vida passamos algumas celebrações, algumas institucionais outras religiosas, umas boas outras ruins, umas por opção própria, outras obrigatórias, mas sempre passamos por elas.
A maioria das solenidades é marcante pela chatice, que a formalidade as imprime.
Logo nos primeiros meses de vida, principalmente optantes pala religião católica, passam pelo batismo, que é uma das primeiras solenidades do cidadão, depois vem a primeira comunhão, alguns fazem o crisma, até que chega o grande momento, a forca. Quero dizer, o casamento, que normalmente acontece com as pessoas, por opção ou não. Alguns escolhem não se casar, outros somente se juntar, porém, legalmente, é necessária alguma formalidade para se unir as escovas de dente.
Outras solenidades, não religiosas, também passam por parte da população, algumas premiações, homenagens, mas uma das mais marcantes é a formatura do curso superior. Conquista tão almejada pelos brasileiros e que é uma oportunidade para poucos.
Atualmente, considera-se a educação um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através da produção de conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Embora o Brasil tenha avançado neste campo nas últimas décadas, ainda há muito para ser feito. A escola (Ensino Fundamental e Médio) ou a universidade tornaram-se locais de grande importância para a ascensão social e muitas famílias tem investido muito neste setor.
Embora haja um crescimento, ainda falta muito para se chegar a um patamar no mínimo bom na educação brasileira, sobretudo no nível universitário.

Portanto, a formatura de nível superior torna-se um momento de crucial importância para qualquer cidadão, é como uma sensação de alivio e dever cumprido, e considero de todas as outras citadas, a melhor solenidade a se passar.

Alguns se casam mais de uma vez, e passam por todo o processo novamente, pois deixam de amar e passam a amar novamente, um recomeço. Não pretendo repetir esse feito, mas sou de fato um privilegiado, pois estou passando pela segunda vez pela melhor das solenidades, a formatura.

Um abraço a todos e até a próxima quinta.

Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) é Analista de Sistemas e agora também Engenheiro Eletricista.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ô balancê, balancê...

*Por Figurótico

Se todos já chegamos? Não sei. Eu sim. Cheguei ao fim do ano, encerro 2009 aqui no blog e vejo vocês em janeiro. Olho para trás e vejo muitas coisas. O que diferencia 2009 dos anos de 2006, 2007 e 2008 foi este seu dezembro. Como disse na semana passada, me tornei jornalista e Hexacampeão em dois dias. Foi o peso de três anos que carreguei no lombo desde 2006, o ano em que terminei meu curso de jornalismo (com louvor, C.R. Geral – coeficiente de rendimento – de 8 vírgula tal), mas não sua monografia obrigatória. E que também acabou sendo com louvor.

Coincidência ou não, 2006 foi marcante pelo lançamento do CD da banda – e que acabou gerando frutos, shows no Rio (de graça, diga-se), visibilidade na rede, fãs de outros estados, mas parou por aí. Nossas pretensões eram demasiadamente maiores que os feitos obtidos. Paciência. Digo este ano de 2006, porque a partir dali, paralelo a essa cobrança interior de ter de terminar a monografia, as coisas foram ficando normais demais para a banda no que a gente planejava. Desgastei-me com o processo de produção do disco. Idas e vindas infinitas ao Rio para regularizar a burocracia que envolve a produção oficial de um CD (comecei a deixar a “mono” de lado nessa época, devido ao esforço que fazia para ter a banda reconhecida no Rio).

O fato é que de lá para cá, nosso cachê caiu, o número de shows idem. 2007 teve a famosa apresentação na calçada do Maracanã no dia do The Police (também em dezembro, na mesma época, dia 7. Se comparado à hoje, entre o 6 do Hexa e o 8 da defesa da monografia) fato que nos levou a sair na matéria sobre o show na Folha de São Paulo. Realmente o nosso ápice. A coisa parecia que engrenaria de vez em 2008. Não comprovado, pois em abril de 2008 perdemos a nossa maior receita (Cana Café), e o certo é que isso evidenciava o que estava por vir: a queda do rock por aqui. Não conseguimos nos reafirmar em local fixo algum. O que teve de esperança – e ficará marcado – foi a Festa Inferno desse 2009. Foram nove edições mensais de puro rock, mas que pelo próprio público “alternativo” da festa, que reclamava sem parar na comunidade do evento, resolvemos acabar com a mesma.

Assim, passo-lhes o retrato do que digo em números, desde o início da banda:

Em 2001: fizemos 101 shows com a banda e 5 acústicos. Total de 107.
Em 2002: 138 com a banda e 6 acústicos. Total de 144.
Em 2003: 125 com a banda e 29 acústicos (esses não contam muito, pois eu fazia só, no Nó de Corda, na Barra durante a semana, quando morava no Rio). Total 154.
Em 2004: 130 com a banda e 12 acústicos (também no Nó de Corda). Total de 142.
Em 2005: 98 com banda. (Vale um parêntese, nestes anos explodíamos o Cana Café, nos dava um bom dinheiro, e pelo bem da longevidade da banda, paramos de tocar em outros lugares de Volta Redonda).
Em 2006: 47 com banda (só no Cana café) e mais 19 fora, também com a banda completa. (Outro parêntese: foi quando inauguramos nosso site e, como nossa agenda antes era na caneta, perdi os shows que fizemos de janeiro à julho).
Em 2007: 86 com banda, nenhum acústico! Sendo 51 no Cana Café e 35 fora.

Pausa: a parir de 2008 começaram os acústicos, mas não como os anos anteriores que eram parte do acaso e da diversão. Os de agora em diante, retratavam a necessidade de voltar a tocar em boteco, pois a escassez de shows com a banda apareceram logo no seu início, reparem nos números:

Em 2008: 74 com banda e 41 acústicos. Total de 115.
Em 2009: 53 com banda e... 68 acústicos até hoje!!!

Portanto, quando vocês vêem em nossa agenda “show acústico” é boteco mesmo. Às vezes eu só, tocando violão, noutras com o Pança no baixo. Pois tem cachê que é tão caído que é melhor fazer sozinho. Com isso, dizer que a banda Figurótico está tocando paca é pura mentira. O volume de shows em números parece grande, mas se eu disser o volume de dinheiro, de 2007 pra cá, vocês caem no chão.

Para completar, finalizamos mais um ano de promessas não cumpridas. Desde 2008 que prometemos nosso segundo CD com o apoio da Prefeitura de Volta Redonda, 2009 acabou e a promessa foi pelo ralo. Como também já disse, o antigo prefeito Gothardo prometeu, chamou a imprensa, comunicou os projetos aprovados (em abril de 2008) e não fez nada. Deixou o abacaxi para o Neto, que prometeu que cumpriria com a promessa do outro e agora quiçá em 2010.

Espero que com esse ciclo da monografia eu comece outro, em outra área, pois música me encheu o saco. Peço desculpa à rapeize do blog, mas está é minha última antes do fim do ano. Deixo esse espaço para algum colaborador até eu retornar em janeiro. Vou atrás de dinheiro para poder passar um réveillon merecido e farto.

Grande abraço e saudações aos Rubro-negros!

*Figurótico é jornalista, tem 34 anos, Rubro-negro, gosta de mulher, de chope e de uísque, e toca uma guitarra pra ganhar a vida.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Melhor lugar da casa



* por Mozart Valle Neto

Para mim é a cozinha. Lugar de todos os encontros. Momentos felizes e momentos gostosos. Momentos de integração!

Tem coisa mais gostosa que receber seus amigos na sua casa. Levá-los, todos, para a cozinha e fazer um prato que gostem. Na cozinha do Sítio da Floresta (da minha irmã) nos divertimos nos finais de semana fazendo pratos diferentes e gostosos. Lá temos os equipamentos do meu antigo restaurante. Vou colocar algumas receitas para todos poderem experimentar.

Pão de Aipim (ou Batata, ou Abóbora ou Inhame)

Ingredientes

½ kg de aipim, ou abóbora, ou inhame
+ou- 1 kg de farinha de trigo
3 ovos
2 copos de leite ou água do cozimento
1 colher de sopa de sal
2 colheres de sopa de açúcar
½ xícara de óleo
50gr de fermento biológico


Modo de preparar

Cozinhe o aipim, escorra ainda quente passe pelo espremedor de batatas, bata bem os ingredientes, menos a farinha, depois misture todos e deixe descansar a massa por 30 minutos, mexa-a e divida nas assadeiras, asse quando crescer novamente, quando estiver no ponto de assar, derreta um pouco de manteiga e pincele os pães.

Se quiser aproveitar a casca do Aipim faça a receita abaixo.

Palmito de Mandioca (aipim)

Para pastéis, empadas, bolos salgados, sopas e molhos de macarronada, arroz de forno, maionese ou como pastinha para passar no pão.

Retirar a película marrom que envolve o aipim, separar a casca branca, lavar e picar a parte branca. Colocar numa panela para aferventar com pouca água (o suficiente para cobrir) por 2 vezes, Trocando a água, na 3ª água, deixar cozinhar com um pouquinho de sal, por 20 minutos. Escorrer a água e está pronto para ser incluído em qualquer receita.

Essa a gente servia temperada com azeite, azeitona e cebola no Alhos e Bugalhos de Conservatória como entrada. Quem foi lá comeu é gostou!

Para fechar uma receita de maionese caseira muito legal!

Molho de Maionese

Ingredientes:

2 ovos
2 colheres (sopa)de água bem gelada
2 colheres (sopa) de vinagre branco ou limão
1 colher(café) de açúcar
1 colher (chá) de sal
1 dente de alho
Óleo Lisa

Modo de preparar

Colocar no liquidificador todos os ingredientes menos o óleo bater aproximadamente 1 minuto, em seguida o óleo aos poucos até ficar na consistência desejada.
Post Scriptum
Seguindo a indicação de nossos amigos Cesinha e Bujão comi no famoso Costelinha. Eu e dona Sheila adoramos. E a saladinha foi a única coisa que sobrou.



* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 38 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, cozinheiro amador e filho da dona Sheila melhor cozinheira do mundo e grande inventora de alguns dos pratos citados acima.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

SAFRA DE 72




por Carlos Vinicius Rosenburg*

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, instituição da qual faço parte, promove cursos de capacitação para seus servidores, e tais cursos, que têm periodicidade mensal, são colocados como condição para promoções na carreira dos funcionários. Para tanto, deve ser cumprido o mínimo de horas estabelecido, que atualmente é de 30 horas. Fiz um curso em outubro, de Defesa do Consumidor. Entretanto, tal curso tinha apenas 20 horas. Faltavam dez...

Liguei para o núcleo regional e perguntei se em dezembro ainda haveria algum curso, pois, caso contrário, perderia as vinte horas e iria para o fim da lista de promoções. A funcionária do NUR (núcleo regional), em Volta Redonda, muito solícita, disse que haveria duas vídeo-conferências, uma no dia 10/12, com duração de 2 horas, e outras três no dia 14/10, com três horas cada uma, o que daria onze horas, tempo suficiente para eu completar minhas trinta horas e ainda ficar com uma de sobra.

Bem, já esperava algum curso abordando temas jurídicos e/ou a burocracia do aparelho estatal, mas qual não foi minha surpresa quando a referida funcionária disse que o curso do dia 10/12 seria sobre... vinhos! Isso mesmo, uma palestra de duas horas sobre vinhos. Junto com o amigo e blogueiro César Zadorosny, que também não tinha as trinta horas, fui para o local em que seria transmitida a vídeo-conferência. Foram duas horas muito agradáveis, com informações sobre safras, harmonização de pratos, temperatura ideal, aromas, paladar, enfim, inúmeras dicas sobre temas ligados ao mundo dos vinhos, que merece não uma, mas várias colunas (só não me perguntem qual a intenção do Tribunal em disponibilizar um curso desses...).

Fiquei com o tema na cabeça, o que me levou a pensar em safras, mas não de vinhos, e sim de músicas, mais particularmente de discos, álbuns, essas coisas que, em tempos de MP3 e iPods, não existem mais.

E aí comecei a pesquisar e vi que não houve safra de discos tão maravilhosa quanto a de 1972, coincidência ou não, o ano em que nasci... Brincadeiras à parte, é realmente um período espetacular no terreno musical.

Vamos aos fatos.

Naquele longínquo ano (o tempo é implacável...) o Deep Purple lançou Machine Head, Clapton fez Derek and the Dominos (com a banda homônima – o disco que traz Layla), os Stones com Exile on Main Street, David Bowie trazia o seu Ziggy Stardust, Neil Young vinha com Harvest, Stevie Wonder com Talking Book, Yes com Fragile, Black Sabbath com Vol. 4, EL&P com Trilogy, e muitos outros, sem falar no fato de que a obra-prima floydiana The Dark Side Of The Moon foi toda gravada em 1972 (seria lançada em 73).

Mas não foi só lá fora não. Por aqui também a colheita foi promissora. Tivemos os Novos Baianos com Acabou Chorare, Jorge Ben (ainda não era Benjor) com A Tábua de Esmeralda, Gil com o Expresso 2222, Mutantes com Seus Cometas no País do Baurets, Milton e Lô com o Clube da Esquina e Caetano com o fantástico e londrino Transa.

É provável que sejam encontradas safras musicais tão boas quanto, mas será difícil encontrar algo superior.

Como nos melhores Romanée-Conti, os álbuns citados envelheceram, mas a música ganhou corpo e complexidade, e a cada audição/degustação descobrimos novas possibilidades.

A safra de 72 está servida. Até a próxima segunda.

NOTA: coluna escrita ao som de “Heart of the Sunrise”, música protoprogmetal do Yes (álbum Fragile, de 1972) e “Ricky Don’t Lose That Number”, do Steely Dan, que não é de 72 mas é boa pra c... – para ouvi-las clique em http://www.youtube.com/watch?v=xSsJqWyTc3s (Yes) e http://www.youtube.com/watch?v=5Cde6XVDXzs (Steely Dan).


*Carlos Vinicius Rosenburg (cvrosenburg@gmail.com) tem 37 anos, é casado, tem uma filha e também é da safra de 72. Escreve também no blog Confraria Jurídica (www.confrariajuridica.blogspot.com).

domingo, 13 de dezembro de 2009

UNDERGROUND ATÉ O OSSO

Por Valério cortez

E já é domingo de novo, desconfio que depois do blog, e conseqüentemente, do compromisso do texto semanal, os dias tem passado ainda mais rapidamente.

Mas tudo bem, ta na chuva ...

Alias, numa semana de muita chuva, muito calor e de uma pequena ressaca futebolística, quem bombou mesmo aqui neste nosso democrático condomínio virtual, foi a 7° arte, o cinema.

Pois vejamos, o Serginho estreou oficialmente (muito bem), com o Apocalypse Now, o Cezinha atacou de Cadilac Record, fazendo a ponte entre musica e cinema. E eu empolgado pela febre das grandes telas, gostaria de também dar meu pitaco movie.

Acho conveniente, principalmente para que ninguém seja pego de surpresa, reafirmar minha predileção, pela cultura marginal, pelo underground, pelas manifestações culturais que incomandam e fazem pensar.

Isto posto, apresento a voces, Meteorango Kid – O Herói Intergalático, filme do diretor André Luiz de Oliveira, rodado em 1969 em Salvador na Bahia.

Se utilizando de atores do teatro marginal da Boca do inferno, região da cidade, e tendo na trilha sonora um ‘Novos Baianos” ainda embrionário, o filme narra o caótico dia a dia de Lula, um jovem universitário da classe média baiana, que divide seu tempo entre sacanear os ativistas políticos da cidade, tentar ser ator, fumar maconha e sonhar em matar seus pais vestido de Batman. É mole?

No inicio do filme, ainda nas primeiras imagens, enquanto rola o som de uma guitarra visceral, assistimos Jesus Cristo (Lula) descendo de um coqueiro e retornando a cruz para ser martirizado, enquanto ao fundo aparece seguinte letreiro:

‘“Este filme é dedicado aos meus cabelos”

O diretor André Luiz, em linha direta com criadores como Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, realizou um filme lisérgico, libertário e tropicalista.

É o anti filme. É a loucura mostrada a 24 quadros por segundo.


Espero que assistam e que gostem.

Tenham um bom domingo.


Valério Cortez, tem 53 anos, casado, pai, engenheiro e admirador confesso do Underground e da Marginália cultural, e nos dias frios gosta de comer bolinhos de chuva com cafécomleite.

sábado, 12 de dezembro de 2009

REALMENTE BLUES


Por César Augusto Zadorosny*

No universo cinematográfico foram feitos muitos bons filmes biográficos e documentários sobre a vida de grandes músicos e bandas que marcaram a história devido ao grande talento, mudanças e até mesmo à revolução que provocaram na cultura dos países onde surgiram, espalhando-se em seguida mundo afora.

Posso citar rapidamente aqui alguns exemplos como The Wall, de Alan Parker, Doors, de Oliver Stone, Bird (Charles “Bird” Parker), de Clint Eastwood, Ray, de Taylor Hackford, Lóki (Arnaldo Batista), de Paulo Henrique Fontenelle, dentre muitos outros já lançados e que se tornaram obrigatórios para quem curte o tema como eu.

Em 2008 foi lançado o filme Cadillac Records que, diferentemente dos que citei acima, retrata a história de uma gravadora norte-americana, a Chess Records, pequeno selo de Chicago que durante as décadas de 50 e 60, produziu os álbuns de blues que até hoje estão entre os mais importantes da história da música.

Só para ter uma ideia, o arsenal da gravadora contava com ninguém menos que Muddy Waters, Willie Dixon, Chuck Berry e Etta James, verdadeiras lendas do rhythm & blues, quando o rock’n’roll ainda começava a dar seus primeiros passos, pelo menos até a chegada de Elvis.

No filme, há especial enfoque na vida de Leonard Chess, fundador da Chess Records e responsável pelo lançamento dessas lendas musicais americanas e, por conseguinte, pela popularização do blues. Chess era amante de cadillacs e presenteava seus melhores artistas com um carrão desses novinho em folha, daí a alusão feita no título do filme à famosa marca.

Curiosamente, mesmo contando com um elenco de excelentes atores como Adrien Brody (Leonard Chess), Jeffrey Wright (Muddy Waters), Mos Def (Chuck Berry), além de Beyoncé Knowles – exuberante na interpretação da cantora Etta James –, Cadillac Records fracassou nas bilheterias norte-americanas. Talvez a única explicação resida no fato de a plateia atual estar mais ávida por películas que tratem de assuntos edificantes e sérios como, por exemplo, o Juízo Final (2012) que, ao que tudo indica, parece ser inevitável e virá na pele de uma “burrice global”, assolando a humanidade sem chance de retorno.
Aqui no Brasil sequer houve tentativa de exibição no grande - e pequeno - circuito, não se sabe ao certo por que razão ou por culpa de quem. Se acaso alguém assistiu em alguma sala alternativa, que não seja a sala de estar própria ou a de outrem, por favor, me desminta.

A direção é de Daniel Martin, que foi assistente de Spike Lee e, além das ótimas atuações, há a fantástica trilha sonora que faz com o filme seja uma opção ótima para os amantes da boa música. Espero que gostem da dica.

Um grande abraço e até a próxima.

*César Augusto Zadorosny, tem 36 anos, é barramansense, pai de Júlia, esposo de Cris, curte ouvir blues, rock, heavy ... e só.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Apocalypse Now

* Por Sérgio Soares

Prezados amigos, inauguro hoje, com satisfação, uma coluna semanal fixa neste democrático espaço, agradecendo a administração do blog pela confiança. Procurarei abordar assuntos diversos, notadamente ligados à música e artes em geral. Vamos ao texto de hoje:

O ano era 1979. Os Estados Unidos se viam às voltas com o fantasma da Guerra do Vietnã, que chegara ao fim poucos anos antes. Ocupava o posto de Presidente o democrata James Earl Carter Jr., ou simplesmente Jimmy Carter.

Eis que surge um filme, com o sugestivo título de Apocalypse Now, estrelado por Marlon Brando, Robert Duvall e Martin Sheen, entre outros. Escancaram-se uma vez mais as feridas, ainda abertas, da guerra.

Filmado nas Filipinas, baseado no livro Heart of Darkness de Joseph Conrad e indicado a 08 oscars, venceu nas categorias melhor som e melhor cinematografia. Também se sagrou vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1979.

“This is the end, beautiful friend
This is the end, my only friend...”

E assim começa o filme de Francis Ford Coppola. De cara somos bombardeados com napalm, ao som hipnótico dos Doors. Impressionante a perfeita junção entre as imagens de Coppola e a poesia de Jim Morrison:



Não poderia haver início mais apropriado. Mas há mais, muito mais.

A viagem do capitão do Exército americano Benjamin Willard (Martin Sheen) pelo rio Nung, subindo pelo interior das matas do Vietnã rumo ao Camboja com a missão secreta de eliminar um colega de farda, o coronel Walter Kurtz (Marlon Brando), é permeada de contratempos e demonstra a perturbação infligida aos combatentes em guerra.

Há cenas impressionantes. Exemplos:

A cena do surf em meio ao bombardeio de uma base vietcongue à beira-mar!

A festa promovida pelo Exército americano para seus soldados, consistente em uma apresentação de coelhinhas da Playboy, que chegam na base de helicóptero e dançam ao som de Susie Q, da magnífica banda Creedence Clearwater Revival!

O descontrole dos soldados que abrem fogo contra um barco repleto de trabalhadores, demonstrando o alto nível de adrenalina e tensão que permeia o “passeio” pelo rio Nung.

Ou ainda o ataque de helicópteros ao som da Cavalgada das Valquírias, de ninguém menos que Richard Wagner:



E quando achamos que já vimos de tudo, surge a figura do procurado coronel Kurtz, um sujeito de passado brilhante no Exército americano, mas visivelmente perturbado e alucinado pelos horrores da guerra, que o transformaram em um ser repugnante.

Apolcalypse Now conseguiu expor, de modo muito original e criativo, o lado obscuro da guerra do Vietnã, sem apelar para violência gratuita. Pelo contrário, a abordagem foi feita com preponderância do lado psicológico, demonstrando o despreparo dos jovens soldados frente à crua realidade do conflito.

Para quem não conhece o filme, vale uma conferida!

* Sérgio Soares possui 36 anos, é casado, rubro-negro, barramansense radicado em Minas Gerais e eterno amante de rock `n` roll. Escreve também no blog Confraria Jurídica.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ah (2)



É isso meu povo!!!
Como o nosso amigo figurótico, também saí da sufocante vida acadêmica, pelo menos por enquanto. Vai dar tempo de dar uma respirada nesse restinho de ano, como se faltasse muito.
Finalizei todos os meus compromissos estudantis concluindo com louvor o curso de Engenharia Elétrica Eletrônica, e agora vou poder, de fato, assinar meus projetos que ha muito eram gentilmente assinados pelo nosso responsável técnico.
Realmente foi uma vitória, não só minha, mas de todos que colaboraram para isso, sobretudo a minha família, minha esposa e meus filhos que aguentaram as trocas da bola no final de semana por livros, das viagens por trabalhos de faculdade, dos filmes por cálculos matemáticos, etc. Mas agora acabou essa etapa, e vamos que vamos!

Por falar em vitória, faço uma pergunta. Qual será a fórmula do sucesso?

Realmente não sei! Mas acredito, ao contrários da maioria dos livros de auto ajuda, que sucesso é você ter a oportunidade e condição de negar um trabalho, e mesmo assim não passar dificuldades financeiras pois a sua cota de trabalho já foi realizada e você necessita da dedicação a você e a quem te ama. Trabalhar, trabalhar e trabalhar não pode ser sinônimo de sucesso. Tudo deve ser regrado e equilibrado para que se obtenha vitória.

Batalhar para ser o que sonhou a vida inteira, não importando com a idade, as dificuldades ou as pedras no caminho, e conseguir, também é sucesso.

É você saber e ter certeza que pode tudo o que quiser. E saber muito bem o que pode querer.

Um exemplo que podemos citar sem pestanejar é o nosso glorioso Andrade. Um dos maiores ídolos do Flamengo, sempre se dedicou ao futebol e com amor ao flamengo trabalhava como assessor de futebol. Passou por vários técnicos, e em uma dessas oportunidades da vida conseguiu desbancar a teoria Muriciana e Luxemburguiana que no futebol como em qualquer outra profissão não há necessidade de ser administrado com arrogância e prepotência.
O cara é simples, amigo, sério e determinado, sobretudo com amor a camisa, que certamente foi o diferencial para o sucesso.

Obrigado a todos, e até a próxima quinta.


*Alex Peres (alexperes@superonda.com.br) é Engenheiro agora.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ah

Salve, rapaziada!!!
Cheguei do Rio após minha apresentação da monografia, foi tenso, foi longa, foi boa, foi parabenizada, foi difícil, foi grau 9.0. Foi como o Flamengo. Depois de um tempo na fila, terminei bem, como o Flamengo.

Não consigo escrever mais nada do que isso. Meus óculos já não servem para nada, de tanto que eu li nessas últimas semanas. Nem as matérias do Mais Querido estou conseguindo (os jornais e pôsteres obrigatóriso estão comprados para um leitura suave assim que puder).

Semana que vem continuo este texto. Estou aliviado, confuso, abobado ainda, não retornei ao normal. Voltei do Rio (enfim²) JORNALISTA E HEXACAMPEÃO!
Minha cabeça nunca ficou tão cansada. Não tenho disposição para conversar, quero sossego!

Obrigado pela compreensão.

Abraços e saudações!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

99% de transpiração, 1% de inspiração!



por Mozart Valle Neto*


Todo mundo já deve ter ouvido falar desta frase. Ela é considerada uma verdade absoluta. É sinônimo para justificar nosso trabalho diário. Nossa labuta extenuante precisa de uma justificativa.

Em minha opinião está frase é uma justificativa para a mediocridade da sociedade. Cada dia mais eu vejo pessoas que perderam a vontade de ser a melhor. E se contentam apenas com o esforço. Não que eu seja contra o esforço, muito pelo contrário sou a favor da combinação com a criatividade. Ser apenas esforçado, mediano não basta! Precisamos dar valor para nossa porção criativa. Não podemos ter medo de inovar!

Este ano tivemos um exemplo sensacional do que estou falando. O futebol carioca renasceu das cinzas. Inovando! Sim! Vou aproveitar para reiterar que aqui é um território democrático, apesar da maioria absoluta dos habitantes deste blog ser torcedor do Flamengo.

Bom, vamos por partes como diria nosso amigo Jack! Inicialmente vamos lembrar das como acabou o campeonato brasileiro de 2008. Os cariocas tomaram um baile dos paulistas. Tivemos o rebaixamento do Vasco da Gama e as posições vergonhosas dos outros times.

Mas este ano a coisa mudou de figura. Primeiro foi o Vasco que conseguiu retornar a primeira divisão. Eles inovaram e não tiveram medo de encarar um campeonato com times menores e sem nada a perder.

Já o Fluminense teve coragem é encarou um desafio enorme. Não teve medo do já perdeu e lutou até escapar do rebaixamento. É ainda de quebra quase levou a Copa Sul Americana. Só perdeu para a altitude! Aí talvez um pouco mais de transpiração tivesse ajudado.

Até o América, segundo time de qualquer carioca, ressurgiu e teve até o Baixinho jogando na final. Foi uma grande festa. O único que ficou na mesmice foi o Botafogo. Escapou por pouco, muito pouco.

Mas o melhor de todos claro foi o nosso querido Flamengo. Levantamos uma taça muito importante. O título foi a consagração da criatividade. Primeiro com a escolha do nosso querido Andrade para técnico. Logo que foi anunciado muito “torcedores” queriam um profissional mais tarimbado. Já pensou se pegássemos um desses disciplinadores. Valeu também a liberdade dada para os jogadores, está certo que alguns exageram, mas possibilitou jogarem com o coração e não apenas como funcionários do clube.

Eu acho que centro de treinamento, acompanhamento direto e outros mimos ajudam, mas tem que fazer a diferença. E este ano foi à superação dos Cariocas. Ahhh e preparem-se que 2010 estamos atrás do Hepta campeonato Brasileiro, O Bi da Libertadores e o Bi do Mundial de Clubes. E sem esquecer que esse ano a Seleção Canarinho pode se igualar ao Flamengo, rs.

Grande abraço e até a semana que vem!

Post Scriptum – Como torcedor do Flamengo fico muito feliz com a volta do Vasco e a permanência do Flu e do Foguinho, afinal são 18 pontos garantidos no Brasileirão 2010.

* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem 38 anos, é separado e trabalha na área de educação e marketing, torcedor do Flamengo e entende muito pouco de futebol, mas adora bisbilhota e meter o nariz onde não é chamado.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

ESTAVA ESCRITO HÁ MAIS DE 6 MIL ANOS...




por Carlos Vinicius Rosenburg*

“Vamos fazer desse samba, oração
E do clamor dessa massa, procissão.
Vamos buscar no sonho, na filosofia
Na ciência e na magia
Explicação pra essa religião.
Flamengo
Não há palavras com que eu possa definir
O que é ser Flamengo.
A gente só pode sentir.”
(Maravilhoso Flamengo – Luiz Ayrão)

Ontem, acabou um longo pesadelo. Um pesadelo que durou 17 anos, que parecia eterno. Foram tempos de péssimas administrações, presidentes marqueteiros (KL), parcerias duvidosas (ISL), presidentes impichados (ESS), vexames dentro de casa (Santo André e AMEX), dificuldades financeiras, dívidas impagáveis, verbas retidas pelo patrocinador, problemas com o fornecedor de material esportivo, campanha de desmoralização feita pela imprensa paulista e muitos outros problemas. Quem sobreviveria a tudo isso? Só mesmo algo incomensurável, sobrenatural, uma força da natureza, uma nação: o Clube de Regatas do Flamengo.

E ontem o Flamengo escreveu mais uma página dessa história onde nada é fácil, tudo é sofrido, quase impossível. Talvez, por isso, seja mais gostoso. Como disse o sambista, a gente só pode sentir. Vitória difícil, feita por um nordestino típico, o verdadeiro Ronaldo. Angelim. Título com a cara do Flamengo

Assim como na última conquista, tivemos um ídolo veterano (Pet, 37 anos) e um treinador caseiro, muito contestado pela imprensa (Andrade), sem falar na necessidade, nas rodadas decisivas, da vitória de um rival carioca sobre um concorrente direto ao título. Impossível? Não para nós, pois estava escrito há mais de 6 mil anos, como diria o tricolor mais rubro-negro de todos os tempos, Nélson Rodrigues.

O Flamengo é HEXACAMPEÃO, para desespero de nossos pobres rivais, que adoram teorias conspiratórias, dizem que não ganhamos em 87 (em um campeonato também disputado por eles – haja coerência!), que os juízes nos ajudam, que a Globo faz armação, que o STJD é nosso amigo, que a NASA está do nosso lado, a CIA influencia resultados a nosso favor, a Microsoft altera a tabela etc. Para desespero desses malucos aí, nós ganhamos novamente, colocando A MAIOR TORCIDA DO PAÍS em festa.

Desespero também da imprensa esportiva paulista que, vendo nosso sufoco nos primeiros anos de campeonato por pontos corridos (a fórmula de disputa mais chata que já inventaram, ainda mais para times que vivem no limite, como é o caso do Flamengo), começou a bradar, com ares de especialistas em administração, que os (chatíssimos) pontos corridos eram mais justos, premiavam a regularidade, a estrutura, a organização etc.

E agora, vão dizer o quê? Pois o Flamengo não é a antítese disso tudo? Não é um primor de desorganização, irregularidade, falta de estrutura? O sambista mais uma vez acertou. Não temos explicação. Subvertemos as melhores teorias da administração. A imprensa paulista nunca entenderá. É isso que faz com que arranquem os cabelos, se desesperem, busquem explicar o inexplicável, comecem a questionar (quem diria!) a (horrorosa) fórmula dos pontos corridos.

Por último, não poderia deixar de citar nossos simpáticos e mal vestidos rivais locais. Parabéns, Fluminense e Botafogo, por terem escapado da degola (o Fluminense em arrancada histórica). Parabéns ao Vasco, pela conquista da segunda divisão e consequente retorno à divisão de elite.

Nós seguimos aqui, comemorando nosso hexacampeonato. E aí está a diferença. Cada um luta por objetivos condizentes com sua grandeza. Vocês lutam contra a degola e por títulos de divisões subalternas do futebol brasileiro. Passam a vida procurando teorias conspiratórias para diminuir nossas conquistas. A (triste) existência de vocês se resume a isso.

Nós seguimos olhando para o futuro, querendo o HEPTA, a Libertadores e o Mundo. Nós somos FLAMENGO.

Nos comentários, o grito de Hexa é livre, e o choro da freguesia também.

Saudações Rubro-Negras.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é casado, pai de uma menina linda e é rubro-negro há mais de 6 mil anos. Passou todos os perrengues possíveis, mas conseguiu entrar no Maraca e ver ao vivo (e vencer) sua quarta final de Brasileiro. Escreve também no blog Confraria Jurídica (http://www.confrariajuridica.blogspot.com/).
DICAS DE LEITURA NA INTERNET: leitura imperdível e fonte inesgotável de sofisticada cultura nesses dias pós-Hexa são os seguintes sites e blogs:
Urublog, comandado pelo melhor blogueiro do país, Arthur Muhlenberg - www.globoesporte.globo.com/arthurmuhlenberg
Flamengonet - o melhor espaço de discussão de assuntos flamengos na web - http://www.flamengonet.blogspot.com/
Flamengorj - o melhor site de notícias do Flamengo da internet - http://www.flamengorj.com.br/
Flamengo - o site oficial do Clube de Regatas do Flamengo, que está sensacional - http://www.flamengo.com.br/


P.S.: segue um link com reportagem das comemorações em... Cuiabá/MT! - http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=313783 - isso é o Flamengo.