sexta-feira, 9 de julho de 2010


Para você, gente!
*por Flavia Alvaro Porto

Gosto de gente. Que me perdoe o Zeca, mas gosto muito mais de gente do que de cachorro.
Mesmo existindo gente que faz muita cachorrada, ainda sim prefiro gente.
Gosto de gente que diz, de gente que sente, de gente que ouve, de gente que aparece do nada, de gente que vem com tudo.
E essa gente que vem com tudo é gente que remexe, bagunça, alegra, desperta, move, embeleza, colore. Gente colorida é o melhor tipo de gente.
É gente que faz! Faz bonito, faz carinho, faz felicidade, faz amor, faz viver.
É gente que traz! É gente que traz a gente de volta a vida da gente, que nem sempre tinha ido embora, que nem sempre deixou de ser gente, mas que de repente passou a olhar outra gente com olhos de gente. Gente assim é gente. É gente diferente.
Aquele tipo de gente que a gente se encanta e que a gente nunca quer que vá embora da vida da gente. Gente assim é pra sempre.
Gente no singular, não, é gente no plural!
Gente que transforma, modifica, emociona, constrói, presenteia, acredita, cresce, brilha.
Isso! É gente que brilha! Gente que ofusca, que clareia, que amanhece, que nasce e que renasce.
É gente que faz a gente nascer de novo. Gente liberta, gente entregue, gente que cria, gente que inventa, gente fina, gente pura, gente viva, gente que goza, gente que vibra, gente plena, gente física, gente espiritual.
Essa gente espiritual é gente. Gente que chega, gente que fica, gente que nos faz gente, gente que mesmo ausente é gente sempre presente.
É o destino da gente. E viva esse tipo de gente que entra na vida da gente!
Gente única! Única gente na vida da gente.
Gente feliz, gente sorridente, gente que sonha, gente que acrescenta, gente que chora porque quem chora é gente.
Quem dera que o mundo fosse recheado de gente como a gente, de gente como você, gente.
Ainda assim gosto de gente. Amo gente. Vivo gente. Respiro gente. Penso na gente. Suspiro gente.
Sinto-me gente. Sou essa gente que toda a gente deveria ser.
Ainda bem, gente, que a gente existe!

* Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)

Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!
Mário Quintana
Hoje completam 10 anos, mãe! Que saudade...

16 comentários:

Anônimo disse...

Enquanto isso, do seio da mulher amada, jorra comitantemente, leite e vinho do Porto.

Luiz Augusto T.

Renata disse...

Flavinha

Muito muito muito legal seu texto!!!!

"A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...

TUDO BEM!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.

Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos."

Chico Xavier



bjokas

Renata disse...

Ah...


"As únicas pessoas para mim são as loucas. Loucas para viver, loucas para serem salvas, loucas para falar; que desejam tudo ao mesmo tempo agora e ardem, ardem, como fogos de artifícios que explodem em mil centelhas entre as estrelas".

Jack Keroauc

Flavinha disse...

Luiz Augusto, faz sentido.
Abraço, Flavinha.

Flavinha disse...

Querida Renatinha, seus complementos foram perfeitos!
Esse do Chico Xavier eu já conhecia mas é lindo e verdadeiro!
O que vc colocou logo abaixo eu amei e já até copiei.
Obrigada, viu?
Flavinha

Valério Cortez disse...

Querida Flavinha

Gente não é salame,
assim como o Zeca não é salsicha.

Gostei muito do texto, muito mais do que de algumas “gentes” que conheço. Mais você esta certa, é preciso gostar de gente.

O Zeca, que gosta muito do Caetano, me pediu que te enviasse essa letra dele, do Caetano, não do Zeca.

Abraços

Gente (Caetano Veloso)

Gente olha pro céu
Gente quer saber o um
Gente é o lugar
De se perguntar o um
Das estrelas se perguntarem se tantas são
Cada, estrela se espanta à própria explosão
Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar
De se respeitar o bom
Está certo dizer que estrelas
Estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu
Pra amar
Marina, Bethânia, Dolores,
Renata, Leilinha,
Suzana, Dedé
Gente viva, brilhando estrelas
Na noite
Gente quer comer
Gente que ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
Não, meu nego, não traia nunca
Essa força não
Essa força que mora em seu

Coração
Gente lavando roupa
Amassando pão
Gente pobre arrancando a vida
Com a mão
No coração da mata gente quer
Prosseguir
Quer durar, quer crescer,
Gente quer luzir
Rodrigo, Roberto, Caetano,
Moreno, Francisco,
Gilberto, João
Gente é pra brilhar,
Não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu
De anil
Gente, não entendo gente nada
Nos viu
Gente espelho de estrelas,
Reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas,
Só mesmo o amor
Maurício, Lucila, Gildásio,
Ivonete, Agripino,
Gracinha, Zezé
Gente espelho da vida,
Doce mistério

Renata disse...

Flavinha:


De nada querida.

É isso aí.Gente é o que faz a vida da gente ter graça...

Gente como você,como o Valério,como o Alex,como o Boi,como o Serginho,como o Vinicius,como o Cesar,como o Jorge Couto.

Gente que acerta e erra,mas não desiste e continua querendo ser cada dia mais gente.

Gente que dá a cara a tapa escrevendo pra outras gentes e dividindo o que sente,o que vive e o que aprende.Gente somos todos aqui do blog.

Gente que cai do céu ,ou que simplesmente cai.Mas levanta. =)


um beijo pra toda gente,em especial nossos amigos,que são testemunhas das nossas lutas de sempre.Que no fim,são o que fazem da gente tão GENTE.




Ps: desculpa ter usado o seu texto como base,mas ele me emocionou de verdade.

Renata disse...

Ah...e o Zeca também é gente.Repara bem que você vai concordar!rs

Sérgio Soares disse...

Muito bom Flavinha.
Valério, tenho certeza que o Zeca também curte o Raulzito:

GENTE

Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber

É que gente
Gente nasceu pra querer
Gente tá sempre querendo
Chegar lá no alto
Pra no fim descobrir
Já cansado que tudo é tão chato
Mas o engano é bem fácil de se entender

É que gente
Gente nasceu pra querer
Em casa, na rua, na praia, na escola ou no bar... ah!
Gente fingindo, escondendo seu medo de amar...oh!
Gente é tão louca

E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão

E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer, ok, gente, gente
Em casa, na rua, na praia, na escola ou no bar... ah!
Gente fingindo, escondendo seu medo de amar...oh!
Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer
É que gente
Gente nasceu pra querer...

Flavinha disse...

Valério, eu adoro gente, não foi a toa que escrevi este (a) "poema", "texto", "crônica" ? Alguém classifica pra mim? rsrs.
Conheço essa letra, avise pro Zeca que Caetano é um dos meus preferidos também!
Obrigada!
Flavinha.

Flavinha disse...

Renatinha, vc pode tudo, amiga!
Pode usar o texto, copiar, modificar, fique a vontade, viu??
Confesso que nem eu imaginei que iria sair isso aí quando eu comecei a escrever: também gostei desse filho meu.
Obrigada mais uma vez e concordo com tudo o que escreveu sobre nós, gente.
Beijocas!

p.s. o Zeca é gente sim...codinome beija-flor.

Flavinha disse...

Obrigada, Serginho!
Sensacional essa letra também!
Beijocas!

gostava tanto de você... disse...

Tudo bem Flávia, mas o que tem de gente mais ou menos por aí, não é brincadeira não.

Flavinha disse...

Oi, gostava...sem dúvidas!
Disso o mundo tá lotado!
Mas eu ainda acredito no ser humano, senão de que valeria viver?
Inté!

Carlos Vinicius disse...

Flavinha,

vc é muito gente! E escrevendo muito bem, não canso de dizer isso.

Grande abraço.

Flavinha disse...

Vinicius, sinto-me muito honrada pelo seu comentário!
Obrigada mesmo!
Outro abraço.