sexta-feira, 30 de abril de 2010

A quem interessam as guerras?


* Por Sérgio Soares

Quando uma autoridade norte-americana, ou até mesmo internacional, viaja ao Iraque, quem é resposável por sua segurança?

a) O Exército americano.
b) A CIA.
c) Forças especiais internacionais.
d) Um grupo de mercenários.


Por mais absurdo que possa parecer, a resposta certa à pergunta acima é a da alínea “d”. A privatização das forças de guerra norte-americanas, operada por seu Departamento de Defesa, é produto de décadas de negociações e planejamentos, efetivados especialmente por membros do Partido Republicano e aceitos pelos democratas. Os atentados de 11 de setembro de 2001 e a guerra do Iraque impulsionaram de forma estrondosa e assustadora o incremento desta indústria de guerra, que age como sanguessuga de verbas públicas, pedindo sempre mais e mais, ao argumento de ser necessário o contínuo aperfeiçoamento no combate a terroristas e ameaças, em todo o mundo.

Para se ter uma idéia, no ano de 2006 os gastos americanos apenas com as chamadas “forças de segurança” totalizaram a quantia de 613 milhões de dólares. A partir de 2003 a proteção de funcionários graduados no Iraque ficou a cargo da Blackwater USA, empresa fundada em 1996 na Carolina do Norte e que já recebeu mais de 1 bilhão de dólares dos cofres públicos americanos por conta de seus serviços, prestados através de contratos firmados, em sua maioria, sem qualquer espécie de concorrência aberta e equilibrada. Seu primeiro serviço de segurança foi a escolta de Paul Bremmer, enviado por Bush ao Iraque no primeiro ano de ocupação. Não por acaso, o último ato de Bremmer ao deixar o Iraque em 2004 foi a edição da lastimável “Ordem 17”, que isentou de processos penais os prestadores de serviços no Iraque. Por mais absurdo que isso pareça, o governo norte-americano deu carta branca a um bando de mercenários contratados por empresas particulares, que desde então se veem envolvidos em vários episódios de massacres de civis iraquianos, agindo sob o manto da concedida imunidade, chegando ao ponto de assassinarem o guarda-costas do vice-presidente iraquiano. Não são processados no combalido Iraque e não podem ser processados nos Estados Unidos da América. Uma farra que não é bem vista nem mesmo pelos oficiais e soldados americanos, minoria que não detém voz de comando sobre os mercenários, subordinados diretamente à Casa Branca. Atualmente a Blackwater foi sucedida nesta "missão" pela empresa Triple Canopy.

Como visto, não é apenas a Blackwater que presta serviços e lucra (muito) no Iraque. “No Iraque, a indústria que vem florescendo no pós-guerra não é a do petróleo. É a da segurança”, como advertiu James Hider no artigo “Soldiers of fortune rush to cash in on unrest Baghdad”, publicado no The Times londrino em 31 de março de 2004. O mercado é tão promissor que no verão de 2007 havia centenas de empresas de segurança (mercenários) prestando serviços no Iraque (DynCorp, Triple Canopy etc), com mão-de-obra contratada em todo o planeta, em países como Filipinas, Nepal, Colômbia, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá e Peru. Mercenários chilenos, treinados sob o brutal regime do ditador Augusto Pinochet, atualmente são “agentes da paz”. São esses sujeitos que perambulam pelas ruas do Iraque, apontando armas de fogo contra civis, matando, barbarizando e estimulando, cada vez mais, o ódio, a revolta e a insurgência da população, aumentando, via de consequência, a necessidade de incremento da indústria da defesa.

Por óbvio, se temos uma indústria da guerra sedenta por novos contratos e novas áreas de atuação, invariavelmente teremos também a permanente necessidade de deflagração de novos conflitos e criação de campos de atuação cada vez maiores para as atividades de guerra, o que implica em grande risco para a manutenção da paz mundial.

Não vou prolongar o texto, mas deixo aqui uma dica de um livro que considero fundamental para a compreensão do tamanho da encrenca em que estamos entrando. Chama-se BLACKWATER – A ascensão do exército mercenário mais poderoso do mundo, escrito pelo jornalista norte-americano Jeremy Scahill e disponível no Brasil pela Companhia das Letras. Trata-se de um minucioso estudo, com precisa indicação de fontes, acerca do estrondoso crescimento do aparato militar privado norte-americano (de fortes ligações com o Partido Republicano), sua expansão global, os elos com a CIA e altas autoridades americanas e a influência das grandes empresas privadas nas decisões políticas dos Estados Unidos na área da segurança pública.

Na wikipedia há uma pequena síntese das atividades da Blackwater, atualmente denominada Xe: http://pt.wikipedia.org/wiki/Blackwater_Worldwide

No youtube há vários vídeos, sendo alguns relacionados aos abomináveis episódios de 16 de setembro de 2007, na Praça Nisour, Bagdá, Iraque, quando um comboio da Blackwater promoveu verdadeiro massacre de civis inocentes, no episódio que ficou conhecido internacionalmente como o “domingo sangrento de Bagdá”. Eis uma espécie de resumo das atividades:



Escrevi esta coluna ao som de Masters of War (Bob Dylan), Holy Wars (Megadeth), War (Bob Marley), War Pigs (Black Sabbath), Dogs of War (Pink Floyd), Warboys (Paul Rodgers), Rosa de Hiroshima (Secos e Molhados) e Machine Gun (Jimi Hendrix).

Que fiquem todos em paz e tenham um ótimo fim de semana.

* Sérgio Soares continua acreditando que a diversidade de opiniões, o respeito às divergências e a urbanidade são fundamentais para um bom convívio em sociedade.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Flamengo e o Carioca (e o Clube dos 3, a união)

Por Figurótico*


Das coisas que escrevo em meu computador: músicas, textos, matérias, colunas, há também algo sobre meu sentimento não pelo futebol, mas pelo Flamengo. E nunca postei nenhum texto referente ao tema, pois me canso da discussão antes que ela comece. Como também não sou afeito a implicar com meus amigos adversários quando estes perdem campeonatos para o Flamengo. Comemoro, vou às ruas, vou aos bares, grito, coloco CD pra tocar alto, compro pôsteres (preciso de um novo armário para tantos), enfim. Mas não perco tempo mandando mensagens para amigos, ligando para pessoas após as vitórias, olhando notícias de qualquer time que seja sem ser o meu. Minha paixão é minha, e por não querer ser zoado, reservo-me ao direito de não zoar. (Tem uns que pedem para ser, claro, pois partiram na frente da brincadeira).

Portanto, quando soube que a final da Taça Rio seria entre Flamengo e Botafogo (de fato a nova rivalidade estadual), comecei a rabiscar sobre o que eu estava sentindo sobre tal campeonato. A partir do parágrafo abaixo, segue o texto, e darei sequência ao mesmo para que seja atualizado.

O campeonato carioca de 2010 parece ser um daqueles que marcarão época. De mudança. Talvez por ser um número redondo, que simboliza uma nova década. Mas não. O campeonato vive a Era do Flamengo. Depois de cinco conquistas do Maior do Mundo em quatro anos, o Hexacampeonato veio para não só desfazer um jejum de 17 anos, mas para abrilhantar as conquistas anteriores de três cariocas e uma Copa do Brasil. Se o rubro-negro vinha ouvindo dos secadores plantonistas (não de 24 horas, mas de 365 dias) que o “carioquinha não vale nada, que a Copa do Brasil é a segundona da Libertadores”, a conquista do Brasileirão 2009 veio sacramentar que estamos realmente diante de uma geração de vitoriosos jogadores que há muito não se via na Gávea.

E o que acontece com esse Carioca 2010, que não dá público, não empolga, não nada? Duas repostas saltam à vista. A primeira mais objetiva versará sobre o preço dos ingressos. Ir ao Maracanã ficou mais caro. A segunda, que me parece mais contundente, versa sobre o próprio Flamengo. Havíamos esquecido o que um título brasileiro seria capaz de provocar. A ressaca já passou, óbvio, mas o resquício não. O resquício de que os jogadores talvez tenham sentido em campo, com alguns se arrastando, como se a conquista do Brasileiro já fosse o suficiente para os colocarmos no céu. Viram que foram campeões fazendo festa e decidiram esse ano fazer mais festa ainda, pois sabem que nos tiraram da garganta um grito ao qual nos era familiar, até demais: o de campeão brasileiro. Gozaram das regalias que lhes foram dadas (os jogadores) e meteram o pé na jaca. E como o Flamengo vinha atropelando neste campeonato regional, após a conquista do nacional, aquele perdeu a graça, um pouco dela que seja. Para mim, perdeu muito. Visto que teríamos uma Libertadores pela frente, e não mais uma Copa do Brasil.

Para ratificar, é só compararmos os públicos das semifinais da Taça Rio do ano passado e do ano vigente. Em 2009, a semifinal entre Vasco x Botafogo levou ao estádio 69.500 torcedores, enquanto no Fla x Flu tiveram 68.313 presentes. Em 2010, na mesma semifinal, Fluminense x Botafogo levaram 16.029 ao jogo e Flamengo x Vasco 24.299 torcedores. Sentiram a diferença? Em minha cabeça, o que sinto é que o Brasileirão de 2009 tendo o Flamengo como campeão esfriou o Carioca de 2010. Como rubro-negro, demos mais um salto perante os demais e esse campeonato, especificamente o deste ano, brochou. Pode ser que no ano que vem se nenhum carioca levar o Brasileiro, ele volte a ter um público mais motivado.

E o Botafogo levou o carioca antecipadamente, jogou a final como há muito não jogara. E com toda a seriedade do mundo, agradeço ao Botafogo. Eu não estava com saco para mais dois jogos de carioca enquanto espremíamos as contas para nos classificarmos para a próxima fase da Liberta.

Dito isso, o que vejo hoje em dia no campeonato carioca, é que houve e há uma união conjunta de torcedores anti-flamenguistas (isso não é novidade há mais de 40 anos) agora oficial. Enquanto nós fizemos dois tri-vices em uma década, o campeonatinho carioca não valia nada, e quando algum outro do Rio o ganha, ele vale tudo; quando um time é eliminado de uma semifinal, por exemplo, isso é normal, se for o Flamengo, a zoeira é infernal. Pelos depoimentos nas ruas é possível constatar a cumplicidade reinante entre os outros três do estado.

Fim da partida, Botafogo campeão e um vascaíno se dirige a um botafoguense e diz: “Olha, parabéns pelo título, muitos parabéns mesmo, vocês fizeram foi JUSTIÇA!”. O que se lê nesse depoimento? O Vasco, único campeão da Libertadores no Rio ao lado do Flamengo, e que tem muitos brasileiros conquistados a mais que Flu e Bota, parece que depois de ser rebaixado, se aliou à dupla vovô. E agora, como nenhum dos citados disputa Libertadores – o Botafogo está numa pré-temporada, pois a Copa do Brasil se foi – suas forças se concentram na alegria de secar o Flamengo. Essa é a ocupação há muito tempo. Já calcularam quanto tempo de suas vidas é gasto a saber tudo sobre o Flamengo, para que possam ter algum prazer em (em vez de torcer para seus times) torcer contra? Quantos argumentos são bolados na intenção de derrubar as conquistas rubro-negras? Exemplo claro: dizem que o Brasileirão 2009 foi o da ‘entregação’!? Devido as últimos dois jogos contra Corinthians e Grêmio. Ora, não era esse o modelo ideal de campeonato justo? O de pontos corridos? Contraditório não? E quanto mais o Flamengo ganha, mais tentam derrubá-lo com notícias que pouco importam, e que os inteligentes sabem há muito tempo. Dois exemplos: a Taça de Bolinhas e a nova pesquisa da Datafolha.

Para o primeiro exemplo: alguém se lembra da imagem do jogo do módulo amarelo entre Sport x Guarani? Quem fez o gol? Quanto foi o jogo? Quantas vezes a TV mostrou tal “final”? O que todos sabem é que Andrade enfiou a bola para Bebeto empurrar por debaixo de Taffarel. O SPFC, tendo assinado o documento a favor do Clube dos 13, a favor do Flamengo, receber essa taça é digno? Se corretos fossem, diriam: “Nós somos sim, o primeiro Hexa! O Flamengo, o primeiro Penta!”. Ponto.

No segundo exemplo: como pode uma torcida campeã brasileira de 2009, em pesquisa realizada há quatro meses atrás (pelo mesmo Datafolha) diminuir??? E da do Corinthians aumentar significativamente? Façam-me rir. Isso, nós rubro-negro calejados, não nos atinge há muito. Estamos acostumados. E como sabem, quando todos se juntam contra e aí que o Mengo se sobressai.

Não dizem que existe a FlaGlobo? Então por que haviam dois microfones em pedestal na cara dos corintianos ontem no Maracanã?

Portanto, continuem perdendo seus tempos e cuidando da vida do Flamengo, pois assim ele se tornou o que é, e será assim que ele será ainda mais o que vocês nunca desejaram que ele fosse.

Saudações!

*Figurótico é músico, jornalista e não postou ontem por ter ido ao Maraca ver o Mengo ganhar. Obrigado, Bujão!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Blues cozinha Etílico


















por Mozart Valle Neto*

Aconteceu e eu estava lá! Seguramente foi um dos melhores shows que presenciei nos últimos anos. Foi o coroamento de um feriado maravilhoso. O Blues Etílicos foi viceral. Tocou desde clássicos do gênero como: Crossroads (quem lembra do ótimo filme Encruzilhada http://www.youtube.com/watch?v=Hza7wD7tqeI&feature=related) e até músicas autorais como Frank Zappa vai prá Martinica ou Vou pega ma beibe. Todas estas músicas do excelente álbum Água Mineral.

Achei um vídeo deles em um festival em Rio das Ostras bem interessante: http://www.youtube.com/watch?v=EuEHNroVfeE&feature=player_embedded

A banda toda é muito boa. Começa com o Greg Wilson, com uma pronuncia impecável canta todas as músicas em inglês e faz a guitarra base. As músicas em português são levadas por Flávio Guimarães que também toca, muito bem diga-se de passagem, as gaitas. A bateria é tocada por Pedro Strasser um verdadeiro chef no comando da cozinha, faz seu papel e enaltece os outros ingredientes. O baixista Claúdio Bedran dá um show a parte, ele dedilhava pelo braço do instrumento como se tocasse um piano. O outro guitarrista, Otávio Rocha, é a alma da banda. Neste show ele tocava algo parecido com um banjo, mas com seis cordas. O braço era menor que o da guitarra normal e os trastes eram mais juntos. Mas sem importar o nome do instrumento o cara arrebentou!

O outro lado do fim de semana

Com esse feriado grande pude voltar à cozinha e relembrei duas boas receitas que ficaram ótimas: Aí vai!

Caldo de Abobora com Camarão

Coloque, mais ou menos, 1 kg de abobora madura com água e sal em uma panela para cozinhar. [pulo do gato: (se comprou camarão com casca) separe as cascas, caldas e cabeças, lave bem e coloque com um pouco de sal para cozinhar e obtenha um delicioso caldinho de camarão, coe em um pano] [pulo do gato esperto: (para camarão limpo e sem casca) coloque um cubo de caldo de camarão –vende no mercado, acredite-. Pique Gengibre a gosto e coloque em uma frigideira um pouco de azeite e coloque o gengibre depois os camarões já limpos. De uma fritada de leve e reserve. Com a abobora cozida bata no liquidificador com a água da fervura e acrescente arroz cozido (pulo do gato Felix) para encorpar. Retorne a panela com o caldo de abobora e coloque o camarão com gengibre. Misture bem, para decorar pode colocar um pouco de cebolinha picada por cima.

Macarrão com carne e cebola

Moleza!!!
Coloque o macarrão de sua preferência para cozinhar. Em outra panela coloque margarina e adicione tiras de filet mignon. Deixe fritar. Coloque por cima da carne cebola cortada em tiras (duas cebolas médias para cada bife utilizado). Deixe a cebola murchar. Acrescente uns 70ml de molho shoyo (não ponha sal). Misture com o macarrão e mande brasa.

Post scriptum: Não combina com queijo em cima!!!!
Até semana que vem!

*Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com), 38 anos, namorando, trabalha com educação e marketing. Neste feriado ficou de papo para o ar só teve compromisso com a música e sua cozinha e no domingo terminou uns quilos mais gordo fazendo um churrasco no sítio.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Deus, um delírio?




por Carlos Vinicius Rosenburg*



"O universo tem uma intenção."
Albert Einstein


Ainda me recuperando do feriado prolongado, ocorrido por obra e graça do "Santo Guerreiro" e de nossos políticos oportunistas-populistas - que lugar do mundo pode se dar ao luxo de ter dois feriados na mesma semana com intervalo de apenas um dia, sabendo-se que os brasileiros sempre emendamos tais datas? - andem pelo mundo e jamais verão país como esse - vejo que perdi uma semana agitada. Discussões religiosas, futebolísticas, musicais e de cinema deram a tônica do período no blog. Como prometi ao prezado Jorge Couto (será que o Jorge é homenagem ao referido santo? Hummm...), falarei sobre o ponto que me incomoda no pensamento de Dawkins.

Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar claro que considero iniciativas como a de Dawkins fundamentais. É preciso abrir os olhos da humanidade para a razão, trazer a razão para o ser humano. A religião, em muitos casos, serve como estopim para conflitos, guerras e dominação. Isso é fato e a história não deixa mentir. Mantém, ainda, um número incontável de pessoas espalhadas pelo mundo no mais completo obscurantismo. Isso é um lado, mas há outro (aliás, sempre existe um outro lado).

Há uma afirmação que me incomoda muito, pela carga de verdade absoluta que carrega: é a de que as religiões são maléficas ao ser humano e ponto final, não há nada além disso. Nos comentários ao texto do Jorge, falei sobre a velha história do que vira notícia. Todos aqui sabem que apertos de mão, salvamentos, caridade, altruísmo, alteridade, enfim, o bem, quase nunca vira notícia. Já um assassinato, um roubo, grosserias, ou seja, o mal, são notícias o tempo todo e em todos os tempos. Todas as guerras religiosas estão documentadas, nos livros de história e no inconsciente coletivo. O fanatismo, a inconsequência, a pedofilia, tudo isso foi/é retratado diariamente. Porém, como foi dito, há um outro lado: e as milhares (ou milhões) de vidas salvas do mundo das drogas? E as milhares de vidas salvas do absurdo da fome? Muitos poderão dizer que a religião vive disso. Ora, dizer isso é não conhecer nem mesmo superficialmente o trabalho de milhares de voluntários abnegados, que não recebem um tostão para fazer o bem, que perdem noites de sono (e mesmo a vida) para consolar doentes terminais em hospitais (quando nem mesmo a família está ao lado do moribundo), que adotam crianças, que acolhem mendigos. Isso demonstra que o argumento que afirma serem as religiões produtoras de brigas e discórdias é, se não simplista, pelo menos incompleto. Mas não é exatamente disso que quero falar. Esse mundo retratado é o mundo das religiões, um mundo estritamente humano, feitos por seres humanos, com todos os seus defeitos, erros, mistérios. O ponto que merece ser retratado está muito distante das religiões.

O que parece faltar na militância ateísta de Dawkins é o entendimento da espiritualidade, coisa que está, repita-se, muito distante das religiões. Os homens (e mulheres) espirituais são metarreligiosos. Muitos sequer usam divindades como meio para chegar a essa iluminação, a esse total abandono do ego e das questões mundanas. Cristo usou uma divindade (através de oração e meditação), Buda buscou o isolamento e a meditação, Francisco de Assis usou Cristo, muitos físicos e matemáticos usaram os números, vários se valeram da natureza. Pessoas que passaram muito longe de todas as discussões que estamos tendo aqui. Pessoas que encontraram. O que encontraram? O nome não importa. Há forças nos regendo, disso não tenho dúvidas. Não forças com sentimentos humanos, preocupações humanas, como vemos no Velho Testamento, mas muito superiores a isso. Pode ser que um dia a ciência descubra o que gera isso, o que não desmentirá, em absoluto, que há algo de bom e de ruim em nosso caminho. Alguns dão o nome de Deus, outros de Natureza, há os que falam em espíritos bons e maus, evoluídos e não-evoluídos, caos, força do pensamento (positivo e negativo), bem e mal, razão e irracionalidade etc. Bem, o nome não importa.

Será que existe Deus? E se existe, que Deus é esse? O Deus do Velho Testamento e do Alcorão? Ou o Deus do amor do Novo Testamento? Ou não há um ser supremo, como no budismo? Ou é a velha luta descrita no Bhagavad Gita (e o sublime diálogo entre Krishna e Arjuna)? Ou é algo inalcançável, uma outra espécie de ser, de um gigantismo incomensurável e sem forma, o desconhecido absoluto? Ou não existe, e somos produtos do acaso, que foi gerado por outro acaso e assim sempre foi, e tudo é explicado pelo mais puro racionalismo (diga-se de passagem que mesmo o marxismo possui ares de religião, pois não há como negar as semelhanças entre o mesmo e uma seita religiosa - Marx é Deus, Che é Cristo, Lênin, Fidel e Trotski são santos, a bíblia é "O Capital", o paraíso (comunismo) um dia chegará, o diabo é o capital, o Partido é a Igreja e os fiéis são fanáticos)?

Tais questões, por ora, são impossíveis de responder. Mas isso, e aqui está o ponto, é o que menos importa, e os iluminados e iniciados sempre souberam, nunca se preocuparam com isso. Só se importaram em fazer o bem. E esse é o fim. O resto, como já disse acima, tenha o nome que tiver, é apenas caminho, são setas, instrumentos. Enquanto ficamos parados nelas, procurando debates apaixonados, fazendo quase nada, os poucos que conseguiram entender seguiram pelo caminho, acharam o fim.

Continuemos a busca. Até a próxima segunda.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é pai de uma filha linda, analista judiciário do TJRJ e dedica esta coluna a Huberto Rohden, brasileiro extraordinário, formulador da filosofia univérsica, distante das religiões mas extremamente espiritualizado e muito pouco reconhecido em seu próprio país. A visão apresentada acima foi sedimentada com os ensinamentos de Rohden (http://pt.wikipedia.org/wiki/Huberto_Rohden) .

domingo, 25 de abril de 2010

Escolhas


Por Valério Cortez


Sabe, gente
É tanta coisa pra gente saber
O que falar, como andar, onde ir
O que dizer, o que calar, a quem querer ...


(Eu preciso aprender a só ser)



Assim cantava Gilberto Gil em plenos anos 70.

E a vida sempre foi assim mesmo, um desfilar interminável de escolhas, onde cabem das decisões mais simples, como escolher um disco para comprar, as mais complexas, como crer ou não em Deus.

Mas como no Domingo, até Deus que é Deus, descansou, o dia é próprio para tratar de assuntos leves, de fácil digestão. Salada de alface e frango grelhado.

Mas me diz aí, como você escolhe seus discos? Seus papos? Suas musicas preferidas? Seus livros? Suas peças de teatro? Seus shows?

Eu para tanto, desenvolvi técnicas requintadas, faro apurado e muita paciência.
Quer um exemplo de minha técnica?

Um livro, uma biografia com o titulo “Confesso que vivi”, e que, ainda por cima é sobre a vida de Pablo Picasso, pode ser ruim? Pode?

Títulos como “O equilibrista pede desculpas e cai” (Fausto Wolff), “O anjo pornográfico” (Ruy Castro) e “Sangue de Coca Cola” (Roberto Drummond), tem como capear maus livros? O que você acha?

Como não ter qualidades uma banda chamada “cidadão instigado”? E “isca de policia”? E “Vulgue Tostoi”? E “Ronei Jorge e os ladrões de bicicletas”? E “Querosene Jacaré”?

Como não querer ouvir uma música chamada “No sub-reino dos metazoários”(Marconi notaro)? E “É proibido proibir(Caetano Veloso)?” E “Cuidado com pessoas como eu”(cris Braun)? E “Meu refrigerador não funciona”(Mutantes)?

Grupos de teatro que tenham nomes como “Asdrúbal trouxe o trombone”, “Monty Python”, “Banduendes por acaso estrelados” e “Intrépida trupe” podem não ser interessantes? Dificilmente.

Como não querer assistir a um filme intitulado “Matou a família e foi ao cinema”? E “Apocalypse Now”? E “Abril despedaçado”? E “Laranja mecânica”? Simplesmente impossível.

Simples não?

E ainda tem a tese de que, os bons discos e os bons livros, quase nunca estão nas primeiras prateleiras, e os bons shows e as boas peças, quase nunca nos maiores teatros.


Tenham todos um bom domingo.

Todos mesmo, os de muita fé, os de pouca fé e os de fé alguma.


Obs.: Vou assistir hoje a um filme chamado “Nossa vida não cabe num Opala”. No elenco, entre outros, Paulo César Pereio, Marília Pêra e Derci Gonçalves. Trilha sonora de blues. Tem que ser bom, não é não?





sábado, 24 de abril de 2010

Anticristo





*por César Augusto Zadorosny

A única obra do dinamarquês Lars Von Trier que havia tido contato até então foi Dogville, filme lançado em 2003 e cuja originalidade da narrativa, do cenário (ausente) e, acima de tudo, por seu enredo crítico, angustiante e kafkiano, fizeram com que se tornasse referência obrigatória para quem busca no cinema não só entretenimento, mas também algo mais profundo, provocante e dramático. Registre-se a excelente performance dos atores de Dogville, em especial, Nicole Kidman, que tem uma atuação contida, mas perfeitamente adequada a sua personagem (Grace), além de estar belíssima como nunca a vira em nenhum outro papel.

Esta semana, contudo, assisti ao polêmico Anticristo, no original Antichrist, filme lançado em 2009 que faturou em Cannes o prêmio de melhor atriz para Charlotte Gainsbourg e roubou a cena até mesmo do grande vencedor A Fita Branca.

Não esperem em Anticristo cenas de possessões demoníacas, com atores girando a cabeça pelo eixo do próprio pescoço e vomitando uma gosma verde em cima de um padre atônito, empunhando uma cruz em uma das mãos e a Bíblia na outra. Acho mesmo que o rótulo “terror” não define bem a película que transcende em muito a categoria, mas também não a trataria como um suspense, drama ou mesmo um “pornô psicológico” como querem alguns críticos mais agressivos. Em minha modesta opinião, a categoria mais ajustada seria a de “apavorantemente perturbador”, mas esta ainda não foi inventada, creio.

Seu enredo é, aparentemente, bem simples: casal perde o único filho em acidente em sua residência e, para tentar recuperar a mulher (Charlotte Gainsbourg) entregue ao trauma e ao sentimento de culpa, o homem (Willen Dafoe) a leva a cabana que possuem na floresta, lugar que chamam de Éden. Ele é psicanalista e tenta tratar a esposa com seus métodos, isolando-a e fazendo-a enfrentar seus medos, na tentativa de resgatá-la do abismo de dor e culpa em que se encontra pela morte negligente da criança.

Tirem os pimpolhos da sala, pois há cenas pesadas de mutilação e sexo explícito que, inclusive, desencadearam a fúria dos críticos contra Von Trier na estreia do filme em Cannes o ano passado. Isso, contudo, não deve afugentar aqueles que procuram no cinema algo mais do que a tradicional “pipoca com refri” a que estamos habituados.










O motivo é porque a obra conta com um conteúdo denso que é o luto e o remorso que avançam alma humana adentro, colocando a culpa num patamar inatingível - segundo o autor - para qualquer tipo de terapia ou psicanálise e chegando mesmo a ironizar a tentativa do marido de entender em vão o que se passa na mente torturada da esposa. A isso são somadas imagens de rara beleza e ao mesmo tempo assustadoras, de estética realmente sublime e sem apelar para clichês bobos ou para o sobrenatural. Ao contrário, no filme o “Mal” é a própria natureza, só que vista de um ângulo sombrio pelos protagonistas e o demônio não está visível do “lado de fora” usando rabo pontiagudo e chifres.






Confesso que passei a semana incomodado com o que vi e por isso surgiu este texto. Se seguirem a dica, não sei se gostarão ou detestarão o filme e pode ser até que a aconteça os dois. No meu caso, já estou buscando me inteirar de outros filmes de Lars von Trier, pois gostei muito do que vi nas duas obras aqui citadas.

Abração e até a próxima.

César Augusto Zadorosny tem 36 anos, formação em Direito e Administração, e ficou com La Pulguita atrás da orelha após assistir ao filme Anticristo e aos jogos de futebol da semana.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

“Clapton is God” (pichação na estação de metrô de Islington, Londres, 1965)





* Por Sérgio Soares



“Eric Clapton nasceu em 1945 e foi criado por seus avós. Ele nunca conheceu seu pai e, até os nove anos, acreditava que sua mãe verdadeira era sua irmã. Na adolescência, seu refúgio era o violão, e não demorou para se tornar um herói cult no circuito de clubes britânicos. Com a formação do grupo Cream, em 1966, se transformou em um superstar conhecido no mundo inteiro.

Mas o estilo de vida rock star teve seu lado negro. Em mais de 40 anos de carreira, sobreviveu duas vezes ao envolvimento quase fatal com drogas e álcool, às mortes de amigos próximos como Jimi Hendrix e George Harrison, à morte de seu filho de quatro anos e à dissolução de inúmeras relações com uma sucessão de lindas mulheres.

Estas são as memórias de um sobrevivente, alguém que alcançou o ponto mais alto do sucesso, que teve tudo, mas de quem os demônios nunca largaram. Aos 62 anos, Clapton está curado do alcoolismo, vive uma relação estável já há algum tempo e tem três filhas pequenas. Agora está pronto para contar a história como ela é, sem esconder nada. Sua objetividade e honestidade fazem deste livro uma das memórias mais arrebatadoras de todos os tempos.”


O texto acima transcrito é parte da apresentação do livro ERIC CLAPTON – a autobiografia, lançado em 2007. Como amante de música, em especial blues e rock, costumo devorar textos e mais textos relacionados ao assunto. Nunca havia me deparado com uma biografia tão honesta. Clapton, o artista consagrado, aclamado mundialmente como um dos melhores guitarristas do mundo, um bluesman branco, rock star, abre o jogo e revela com riqueza de detalhes (muitas vezes dolorosos) passagens importantes de sua trajetória musical e pessoal. Nada é escondido: O envolvimento com drogas e álcool; a insegurança e a dificuldade em se relacionar com o sucesso; sua relação com Pattie Boyd, esposa de seu melhor amigo, George Harrison, e que viria a se tornar sua mulher, homenageada na bela balada “Wonderful Tonight”; a trágica morte de seu filho Conor, em plena infância; a mal resolvida relação com Alice Ormsby-Gore etc.

A título de ilustração, seguem pequenos trechos que demonstram o nível de relacionamento entre Clapton e o ex-Beatle, que se manteve mesmo após Eric ter “roubado” a mulher de George:

“Também cobicei Pattie porque ela pertencia a um homem poderoso que parecia ter tudo que eu queria – carros bárbaros, uma carreira incrível e uma mulher linda.”

“Eu ainda via George, que jamais perdeu o hábito de aparecer para mostrar novas canções que houvesse escrito. (..) Por algum tempo tivemos um relacionamento meio áspero, e ele com freqüência fazia pequenos comentários sarcásticos referindo-se à partida de Pattie. Ele não empurrava nada para debaixo do tapete. Às vezes riamos, e às vezes ficava desconfortável, mas era o único jeito de irmos adiante. Certa noite estávamos sentados na sala grande de Hurtwood quando ele disse: “Bem, suponho que seja melhor eu me divorciar dela”, ao que retruquei: “Bem, se você se divorciar dela, isso significa que terei que casar com ela!”. Ao longo dos anos, nosso relacionamento transformou-se em uma espécie de fraternidade cautelosa, sendo ele o irmão mais velho, claro. Não havia dúvida de que nos amávamos, mas, quando nos juntávamos, o clima podia ficar deveras competitivo e áspero, e muito raramente eu tinha a última palavra.”

A sinceridade (e coragem) dá o tom da narrativa, como se percebe neste trecho, referente ao período seguinte à morte de Conor:

“Não posso negar que houve um momento em que perdi a fé, e o que salvou minha vida foi o amor e compreensão incondicionais que recebi de meus amigos e meus companheiros do programa de 12 passos. Ia a um encontro, e as pessoas apenas reuniam-se em silêncio ao redor, faziam-me companhia, compravam café e me deixavam falar sobre o que havia acontecido. Pediram que eu presidisse alguns encontros, e, em uma dessas sessões, quando estava tratando do terceiro passo, que é sobre entregar sua vontade aos cuidados de Deus, recontei a história de que, durante minha última estadia em Hazelden, havia caído de joelhos e pedido socorro para me manter sóbrio. Contei ao grupo que a compulsão havia sido removida naquele momento e que, no que me dizia respeito, era uma evidência física de que minhas preces haviam sido atendidas.”

Muitas questões musicais são escancaradas, como no trecho em que o slowhand revela que apenas muitos anos depois percebeu que sua bela canção "Let it Grow" havia sido "chupada totalmente de Stairway to Heaven, o famoso hino do Led Zeppelin, uma justiça cruel, visto que eu sempre havia sido um crítico muito severo deles".

Há mais, muito mais, com revelações da infância à vida adulta, do início musical com os Yardbirds à fase atual, passando por John Mayall, Cream, Blind Faith e Derek & The Dominos.

Ao final da leitura resta a clara impressão de que Clapton resolveu abrir o coração, expor suas dores e quedas, mas também seus momentos de glória, em especial na seara musical, como uma forma de alerta, uma ode à vida, vida que hoje é preservada no centro de reabilitação “Crossroads”, mantido em Antígua, Caribe.


Eric Clapton - a Autobiografia revela mais que um astro da música, revela um ser humano como todos nós, cheio de virtudes e defeitos, mas com uma enorme vontade de melhorar e acertar.




* Sérgio Soares, 36 anos, considera a música “River of Tears” no CD/DVD One More Car, One More Rider, uma das mais brilhantes performances de banda, ao vivo, de todos os tempos.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Café... Filho!

Por Figurótico*

Feriado, e como trabalhei na véspera tocando - chegando em casa lá pelas tantas - me encontro sem condições de escrever qualquer texto produtivo.
Portanto, irei deixar três links a vocês.
No primeiro deles, uma das últimas aparições de Raul Seixas na tela (a última foi no Faustão, com o mesmo Marcelo Nova, o Marceleza). Vale a parte onde ele conta sobre Nova York. Está no livro dele, e esta passagem e é verídica, já que teve gente contestando tal acontecido com o Beatle citado.

No último, Raulzito sendo atropelado por uma onda.

Bom feriado.

http://www.youtube.com/watch?v=sNQuN6xgBNo&

http://www.youtube.com/watch?v=barDwym4Z-U&

http://www.youtube.com/watch?v=6cZBEOp-IO0&

*Figurótico é rubro-negro e pra semana que vem trará um texto sobre, já que o papo esquentou.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Café, Cachaça e Chorinho.













por Mozart Valle Neto*

A sétima edição do festival: musico, etílico e gastronômico foi iniciada neste final de semana. O evento tem o objetivo divulgar a Região Turística do Vale do Café formada pelos municípios de Paty do Alferes, Paulo de Frontin, Mendes, Miguel Pereira, Vassouras, Barra do Piraí, Volta Redonda, Barra Mansa, Valença, Três Rios, Paraíba do Sul, Areal, Levy Gasparian e Rio das Flores. Algumas cidades optam por pockets shows musicais diversos, outras investem um pouco mais em shows com mais apelo para o público. Barra do Piraí sempre optou pela tática intimista. Neste ano capricharam tanto que acho que a cidade vai passar para o outro lado.

Começamos bem, se você correr ainda dá tempo de chegar, hoje – terça feira, dia 20 – temos o show do excelente saxofonista Leo Gandelman na Praça de Ipiabas. Não tem erro, é pegar o caminho para Conservatória e seguir, fica bem antes de Conserva City uns 10 quilômetros depois do Belvedere de Barra do Piraí. O show começa às 22h e é de graça.


Na quarta feira, dia 21, em Vassouras vai rolar um bate papo com a Cachacíerie e presidente da Confraria do Copo Furado. A moça vai falar sobre a marvada! Vai ser às 19 horas.

Na quinta é dia de descansar, afinal os quarenta já estão batendo na porta... Mas se você é daquele ou daquelas guerreiros(as) tem degustação de cachaça em Vassouras.

Na sexta tem um imperdível show do Blues Etílicos em Ipiabas, mesmo local do Leo Gandelman. É de graça também, Não sei porque mas este show não esta aparecendo na programação oficial do evento, mas está confirmado. Aqui pela cidade tem cartazes e confirmei na agenda da banda na net. Está marcado para começar às 20 hs. Atenção! Não importa o tempo que esteja fazendo traga um casaco. Ipiabas é muito frio!

No sabadão temos em Ipiabas Tributo a B. B. King com o Victor Biglione às 22 horas para fechar a semana com chave de ouro.


O festival tem outras atrações nas demais cidades do Vale, está é a minha programação pessoal.

Serviço de utilidade pública:

Ipiabas

Zapa Bar - Local para ver o show de longe e tomar uma gelada acompanhada de pastelzinhos de angu.

Tratorria Del Alto – Para almoçar ou jantar, comidinha honesta e preços razoáveis, um pouco distante do show. Se agüentar o frio pergunte se tem sorvete feito pela Nilta, uma das proprietárias. O outro proprietário é o Júlio, ex comissário da Varig, a gentileza em pessoa e tem milhões de histórias para contar. PEÇA PARA ELE CONTAR A HISTÓRIA DO LULA NO AVIÃO. Não vou adiantar nada, vá lá é escute da boca dele.

Uma boa alternativa também é um restaurante de massas que fica perto do posto de gasolina, infelizmente não me recordo o nome. As massas são feitas por eles mesmos e no domingo tem um rodízio excelente. Vale conferir.

Vassouras

Bar Brasil – ponto bom para cerveja e tira gosto.

Varandas – Em frente ao palco, excelente comida, preços médios, chopp e long necks no balde de gelo. Tem vinhos e boa tábua de frios. Fica na Brodway.

Bar Luiz – assim que chegar tem que ir lá comer um bolinho de aipim com carne seca e tomar uma Cerpinha diretamente do Pará. Fica em frente ao Banco do Brasil.

*Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com), 38 anos, namorado da Áurea, trabalha com educação e marketing e aprendeu a beber café com 33 anos, aprendeu a beber cachaça com 13 e ainda não aprendeu a gostar de chorinho.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Migalhas para os medíocres




por Carlos Vinicius Rosenburg*


O homem, com o tempo, vai ficando mais paciente - claro que estou falando das pessoas que aprendem, buscam - há imbecis de 80 anos. Exibe mais ponderação, sabedoria, conhece a vida. Não acha que o trânsito é uma guerra, prefere ouvir, é mais seletivo, conhece atalhos. E isso acontece em todos os setores da vida. Explico.

Em outros tempos, uma derrota em um campeonato carioca acabaria com uma semana, um mês, namoros, casamentos, até mesmo vidas. Aquele grande final de semana na companhia dos amigos (aqueles de sempre, imprescindíveis) ficaria obscurecido pela perda de um campeonato para um minúsculo rival local.

Mas aí, vejam vocês, entra aquilo que citei no primeiro parágrafo. O homem evolui, vê que títulos menores não importam mais (mesmo que você já tenha conquistado o mesmo 31 vezes e seja o maior vencedor do seu Estado). O homem de horizontes e vivido quer mais, quer o melhor, quer novas conquistas. Deixa as migalhas para seus medíocres conterrâneos, que se contentam com isso. Quando não conseguem nem isso, ficam desdenhando dos feitos do homem bem sucedido, colocando defeitos, lembrando do passado, dizendo que houve mutreta, roubo, que o sucesso foi obra do acaso, que fulano foi comprado, que a Globo (e a Nasa, o FBI, a CIA, a KGB, o Bill Gates etc.) ajudou(aram), que há outros interesses. Aí, quando recebem uma dessas migalhas, não falam de roubo, de ajuda, de complô da Globo (não era verdade que se o Flamengo ganhasse a Taça Rio seria por causa da Globo?). E o grande homem, o que faz?

Bem, o grande homem aceita a derrota, mesmo que saiba que houve pênaltis inventados e um péssimo árbitro. Apanha de pé. Porque o grande homem olha para a frente, pensa apenas na vitória, sabe que ela virá em breve. O seu compromisso é com o triunfo, com a glória, o seu destino é vencer, vencer, vencer.

E também, sejamos sinceros, porque quarta já tem Libertadores, e é isso que nos preocupa. O resto deixamos para nossos rivais menores, mal-vestidos e complexados.

Saudações Rubro-Negras.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos e só consegue pensar na Libertadores.

domingo, 18 de abril de 2010

IN NOMONE DEI

Comunicado

Conforme já foi dito pelo nosso colega, César Augusto Zadorosny, nós da administração deste blog, estaremos em regime de total reclusão durante todo este final de semana.
Zelosos que somos para com nossos inúmeros leitores, estamos deixando todos na boa companhia de um dos nossos mais polêmicos colaboradores, Jorge Couto.

Tenham todos um bom Domingo, se isto for capaz após a leitura deste texto.

Valério Cortez




IN NOMINE DEI

Por Jorge Couto

Há poucos dias terminei de ler o livro Deus, um delírio de Richard Dawkins. Biólogo inglês, Dawkins tem um cartão de apresentação bastante impressionante. Foi professor nas prestigiadas Universidades de Berkeley e Oxford, sendo hoje considerado um dos mais influentes intelectuais britânicos. Embora cientista, ele escreve com facilidade, de maneira clara e bem humorada, extremamente agradável para o público leigo. Feroz defensor da biologia evolucionária é um intransigente porta-voz de Charles Darwin. Nos últimos anos lançou vários livros de divulgação científica, todos excelentes. Tem dado frequentes trombadas com as religiões, algo inevitável para um bom evolucionista sem papas na língua e pouco disposto a fazer concessões. Se seus livros sobre biologia evolucionária já causavam urticária nos religiosos, com Deus, um delírio a guerra agora é total. Neste livro Dawkins investe contra a crença religiosa de modo amplo, geral e irrestrito. Mesmo lançando mão de argumentos e dados científicos, não se trata de um texto de divulgação científica, mas de um livro confessadamente anti-religioso. Com argumentação brilhante, destroça as superstições religiosas, não deixando pedra sobre pedra.

De minha parte, modestamente, concordo inteiramente com o autor. Sou um sujeito que tenho uma insuperável ojeriza a qualquer tipo de crença religiosa. Acredito mesmo que as religiões – TODAS AS RELIGIÕES – são perniciosas para a humanidade e em nada contribuíram, ou contribuem, para termos um mundo melhor. Tomemos como exemplo a Bíblia, o livro máximo da cristandade. Trata-se de um verdadeiro tratado de perversidades, com todos os tipos de violências (incestos, infanticídios, massacres genocidas, etc.). O Deus apresentado no Velho Testamento é alguém orgulhoso, vaidoso, rancoroso, dado a ataques de cólera homicida. No Novo Testamento a coisa torna-se mais branda com a presença - historicamente difícil de aceitar - de Jesus. Impossível não simpatizar com o Cristo do Sermão da Montanha. Todavia, é bom não esquecer, que em momento algum Cristo nega o Deus homicida do Velho Testamento e, em diversas oportunidades, oferece péssimos conselhos e exemplos de como tratar a família e as mulheres (Maria, em especial). Em resumo, a Bíblia não pode ser adotada como uma orientação ética ou moral e não deve ser deixada ao alcance de inocentes.

Não quero com isto sugerir que não existam cristãos verdadeiramente bons e caridosos. Certamente eles existem, e não são poucos. Afirmo, porém, que sua bondade, suas virtudes morais e éticas não tem origem nos ensinamentos bíblicos ou de qualquer outra religião.
Nós, os humanos, apesar de fisicamente frágeis, somos agressivos, inteligentes e numerosos, o que é uma mistura perigosa e explosiva. A história da humanidade tem sido um interminável desfile de atrocidades. No entanto somos capazes de compaixão e solidariedade. Quem não se comove com a imagem de um homem desesperado no recente desabamento ocorrido em Niterói; com uma criança órfã após o terremoto do Haiti; ou com uma mãe chorando diante dos escombros do World Trade Center? Tal sentimento de compaixão não é, contudo, fruto de nenhum sentimento religioso. Trata-se da capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de um sentimento de solidariedade humana com o sofrimento de nosso semelhante.

Claro que não creio que viveríamos num paraíso sem violência caso as religiões fossem superadas. Motivos para matarmo-nos uns aos outros sempre haveríamos de inventar. A indiferença e o egoísmo ainda seriam características muito fortes desta espécie chamada humana. Contudo, na ausência das religiões, teríamos maiores chances de exercitarmos nossa solidariedade e compaixão, porque as religiões ao longo da história não têm feito outra coisa senão dificultar o progresso humano, ensinar a intolerância e legitimar crimes pavorosos. Quem duvidar que se lembre de Galileu, Giordano Bruno, das Cruzadas, das fogueiras da Santa Inquisição, dos pogroms, do fanatismo religioso, dos massacres e extinção de culturas inteiras em nome da evangelização, dos homens-bomba, etc, etc, etc.


Jorge Couto tem 53 anos, é médico e barramansense e atualmente anda flanando por Monte Verde, Minas Gerais.

sábado, 17 de abril de 2010

PAUSA PARA REFLEXÃO

*por César Augusto Zadorosny

Caros amigos, em razão dos últimos acontecimentos desta semana (soltura do ex-governador Arruda, início da remoção do pátio de manobras de Barra Mansa e. o mais importante, Miguel finalmente deu um trato na Luciana), nós, da administração do EstaçãoBM, decidimos nos reunir em caráter de urgência para discutir os rumos que deveremos tomar em nossa ainda curta jornada virtual, diante desse novo contexto histórico que se apresenta.

Como o encontro será realizado no isolamento da bucólica Vargem
Grande, que fica cerca de 20 quilômetros de Resende, e eu já estou atrasado pra burro, já que fiquei de cuidar de parte de pauta etílico-gastronômica, deixo vocês com estas poucas linhas e a promessa de, semana que vem, trazer para todos os detalhes e resultados de nossos calorosos debates.

Abração a todos.

César Augusto Zadorosny tem 36 anos, formação em Direito e Administração, e gostaria muito que, no domingo, os dois times perdessem a final. Como não dá, que vença o pior.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

E o Botafogo está quase lá (de novo)



* Por Sérgio Soares



Devo admitir que antes do início do campeonato carioca apontava o Botafogo como o time mais fraco dentre os quatro grandes da capital fluminense. Realmente não acreditava em seu desempenho, posto que o time atual, a meu sentir, é mais limitado tecnicamente que os dos últimos anos.

Pois bem, inicia o campeonato e tudo parece seguir o óbvio, com o Botafogo sendo sonoramente espancado, impiedosamente, pelo emergente Vasco da Gama: 6 x 0, com show de Dodô e cia. Poucos ousariam apontar esse episódio como catalisador de uma virada no campeonato, uma mudança de postura. Acostumados que estávamos a um Botafogo chorão e eivado de manias de perseguições, eis que surge a figura de Joel Natalino Santana, com seu jeito bonachão. Uma ajeitada daqui, outra dali, o time fechadinho atrás, saindo para os contra-ataques, explorando a velocidade de Herrera e do talismã Caio, bolas levantadas na área para o gigante uruguaio Sebastián “Loco” Abreu e, bingo! O glorioso desbancou o tecnicamente superior Flamengo nas semi-finais e foi medir forças com seu algoz Vasco da Gama na final da Taça Guanabara. O resultado conhecemos: vitória do Botafogo ante um incrédulo, apático e entregue time cruz-maltino.

E então pensamos: Ok, tudo bem, foi sorte do Joel. Jogar nos contra-ataques, com pouca posse de bola, cedendo campo para os adversários. Tática já conhecida, manjada pelos adversários, facilmente anulada.

Começa a Taça Rio. E eis que o Botafogo vai avançando, chega às semi-finais contra um embalado Fluminense e... Bingo novamente! Botafogo 3 x 2 Fluminense! Não houve Dario Conca ou Fred que dessem jeito na incompetência tricolor, que bem ao estilo de seu técnico Cuca dominou a partida no primeiro tempo e pouco jogou no segundo (como já havia ocorrido no grande Fla x Flu da Taça Guanabara), dando ao Botafogo a chance de partir pra cima e virar o placar. Resultado: Botafogo na final da Taça Rio, a uma vitória da conquista do tão aguardado título estadual, que lhe escapou das mãos nos últimos três anos para uma mesma equipe, o Flamengo.

E cá estamos, vésperas da decisão da Taça Rio: Flamengo X Botafogo.

Time por time, não há dúvidas. O Flamengo é melhor, superior, com um elenco mais qualificado e com mais opções de variações técnicas e táticas (embora pouco exploradas pelo técnico Andrade, diga-se a verdade). Mas aí nos lembramos de que o futebol não é uma ciência exata. Poucos acreditavam no Botafogo antes do início do campeonato e ele chegou. Uma mísera vitória, pelo placar mínimo no próximo confronto e o alvinegro levantará duas taças, Taça Rio e campeonato estadual de 2010.

Se o Flamengo entrar em campo disposto a jogar futebol, com velocidade, aplicação tática e garra de campeão, a probabilidade de sair vencedor no confronto é muito grande, jogando grande carga de pressão no elenco botafoguense para os jogos finais, que serão de arrepiar. Do contrário, se o rubro-negro jogar o futebol sonolento, apático e desinteressado que vem apresentando nas últimas partidas, periga conhecermos um novo campeão estadual já neste fim de semana, pois ninguém duvida que o Botafogo atual não é o mesmo dos últimos anos, de nenhum controle emocional e vulnerável ao extremo.



Em quem você apostaria suas fichas?




Que vença o melhor!

Ps.: Próximo ao final da partida contra o Vasco da Gama, a torcida rubro-negra recebeu um grande presente, um inesperado reforço de última hora para a decisão da Taça Rio: o lateral esquerdo Juan foi expulso e não poderá enfrentar o Botafogo.


* Sérgio Soares é rubro-negro.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A interatividade (maldita) e o tempo (perdido)

Por Figurótico*

Há muito se diz que não temos tampo para nada, que a vida anda corrida, que estamos numa “correria danada” (essa é a mais clássica), e ao mesmo tempo temos visto que grande parte da população está é com tempo demais, ocioso, para ser gasto sem proveito. Percepção ratificada pela interatividade moderna, a que inclui os computadores e a internet.

O que antes nos veículos impressos e na mídia televisa (ou radiofônica) era feito pelas seções de cartas e/ou telefonemas, hoje ela se dá em sua esmagadora maioria pelo uso do computador. E o conceito de interagir ganhou proporções irritantes. Não irei discutir aqui o lado positivo da interatividade que há, com certeza. Um exemplo rápido de bom uso pode ser dado pelo projeto relatado pelo Deputado Federal Indio da Costa, chamado Ficha Limpa (PLP 518/09), que prevê oito anos de inelegibilidade para políticos que tenham sido condenados por crimes graves. Apesar do grande apoio popular e milhões de assinaturas – graças à internet e ao twitter do Deputado (@depindiodacosta) –, o texto voltou para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), antes de seguir para o Senado. Ficando assim fora do tempo hábil para que já valha para as eleições do ano corrente. Era de se esperar, não? E pensar que 150 milhões de brasileiros foram capazes de votar no último dia do BBB. Será que não é possível aprovar, pressionar, para que entre em vigor tal iniciativa providencial?

Voltando ao lado negro da interatividade, encontramos relação direta ao fenômeno atual de páginas de relacionamento, onde pessoas sem aptidão querem se tronar celebridades instantâneas. Já vinha me sentindo incomodado com aquelas perguntinhas no decorrer das partidas de futebol da transmissão da Globo. Não duvido de que o que mais se quer ali é ter o nome exposto, para com isso dizer para os amigos, “viu, apareci na Globo!?”. E com a nova chance dada aos internautas isso se tornará uma praga: agora não só a pergunta e o nome, mas a pergunta em vídeo!

Pronto, não bastasse a tensão que carregamos especialmente em momentos decisivos do campeonato, teremos de agüentar fulanos, “Luiz, você acha que o Flamengo joga melhor sem o Adriano?”. É um corte tremendo na transmissão. Lembrando que é insistentemente pedido pelo canal, “mande o seu vídeo, é você no esporte! Participe!”. E o povo atende prontamente, “vamos participar!”. Acho que é forçar a audiência demais e perder tempo idem. Tempo que o internauta tem de gravar o vídeo, carregá-lo no computador, enviá-lo ao site. No site, uma enxurrada de vídeos, selecionar os melhores (?) (na de domingo a mulher ainda cantou uma musiquinha do time...), e mandá-los ao ar. Tudo envolvendo tempo. Para quem os seleciona, está trabalhando, mas para quem está querendo aparecer, oh, vontade, hein?!

Saindo do futebol, temos o internauta interferindo nos telejornais, mandando pautas, sugerindo. Até que ele não apareça e que seja pertinente o assunto sugerido, é de boa intenção, mas a partir do momento que seu nome virá à tela teremos de desconfiar. Na área da música nem se fala. A vontade de aparecer das bandas foi vista rapidamente pelos detentores de sites e marcas e com isso acharam uma forma de aumentar a audiência de qualquer veículo, ligando sua imagem à alguma marca patrocinadora, criou-se um novo formato de troca. Os festivais de música antes selecionavam bandas através de fitas K-7. Ouvia-se, escolhiam-se as melhores e ponto.

Hoje, os festivais se ligam a uma empresa patrocinadora e com isso obrigam os pretendentes a disponibilizarem suas músicas num portal que na maioria das vezes já existe, e que contém, claro, a marca patrocinadora. Ex: A empresa Oi criou o site “Oinovosom”. A inscrição e possível aprovação não se dão apenas garimpando quais bandas mereçam entrar. É preciso que a banda mostre que tem público, fazendo com que sua página seja comentada por um número estupendo de internautas. Já não basta que o público veja, tem de comentar. Resumindo: audiência forçada. E por onde anda o tempo mesmo? Sim. Tempo de os artistas pedirem (isso é terrível, o sucesso não pode ser medido por pedidos de amigos, tinha de ser natural) em suas páginas de relacionamento, “votem em minha banda”. Eu já tive de usar desse artifício para a banda participar de muitos festivais, e odeio essa forma de divulgação. Tempo dos amigos de acessarem tal página, se cadastrarem (a maioria exige) e fazer comentários a favor. Tempo gasto, tampo gasto para no fim não dar em nada. Pois quem acaba levando são garotos novos que ainda não trabalham e pedem para os amigos (que também não trabalham) passarem o dia “dando aquela força”.

No âmbito promocional de produtos, valendo, casas, viagens, isso se tornou febre. Pois obrigam o consumidor a comprar seus produtos, enviar os códigos pelo site, SMS, e “perder” tempo esperando ser recompensado. E quando não o são, ficam tristes, dizem que não perderão mais tempo com isso. Até a próxima coqueluche (expressão antiga essa) do momento te aguçar os olhos e sentidos fazendo você crer que tem tempo sim, que você reclama da falta de por puro vício.

A credibilidade do veículo, variedade na programação, informação, cultura para todo tipo de público, parecem ter perdido feio na briga pela audiência. Pois agora para prender/ganhar o telespectador, o ouvinte, o leitor, usa-se o próprio público, o chama para dentro da programação, garantem sua fidelidade e ainda o tornam ator na ação comunicacional. O receptor sempre foi parte da engrenagem da comunicação, mas agora ele interfere de modo direto, se mostrando e moldando a programação.

*Figurótico é músico, jornalista, e é iludido também. Pois está concorrendo em dois canais à viagens para a Copa do Mundo.