segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ô lôco, meu!




por Carlos Vinicius Rosenburg*

Em meados dos anos 80, nosso conterrâneo e publicitário Elias Raffide, o popular Peça O'Hara, fez uma letra emblemática, falando sobre uma invasão dos paulistas ao Rio. A música pertencia ao repertório do grupo Boca Atentada, que trazia nos vocais um cara conhecido como Júlio, também conhecido como Júlio Kunta (lembram do Kunta Kintê, do seriado Raízes?) e que mais tarde se tornaria celebridade regional com a dupla Julinho Marassi & Gutemberg - não sei se a música é só do Peça ou se é parceria. Na mesma época, como é sabido, o Ultraje a Rigor faz o clássico "Nós Vamos Invadir Sua Praia". As duas músicas são premonitórias. Mais do que invadir a Guanabara, os caras invadiram o Brasil. E isso pode ser constatado no vocabulário falado em nosso país, na grande imprensa e internet.

O Rio foi capital do Império e da República. Também era centro financeiro. Além disso, sempre foi locação de inúmeras novelas da Globo. Cidade cosmopolita, destino de turistas estrangeiros, o carioca sempre teve pretensão de ser cidadão do mundo - o nome dos grandes jornais não deixa mentir - "Jornal do Brasil", "O Globo". Assim, expressões tipicamente cariocas eram entoadas pelos quatro cantos do Brasil. Mas isso mudou. Há muito tempo, o poder econômico (e político) foi (foram) transferido(s) para São Paulo.

Antes de qualquer coisa, devo dizer que tenho muitos parentes em Sampa, três irmãs da minha mãe moram lá há mais de trinta anos. Minha avó também morou, passei vários períodos de férias naquelas plagas. E sempre era divertido ouvir alguns termos tipicamente paulistas. Meu pai adorava sacanear os caras, fazia perguntas só para ouvi-los dizer "farol" (sinal de trânsito), "pebolim" (totó), "guia" (meio-fio), "carta" (carteira de motorista), "holerite" (contra-cheque) e por aí vai. Esse era o paulistês oficial. Mas era só dos paulistas. Porém, de uns tempos pra cá, a coisa veio se alastrando.

Dia desses, passando pela vitrine de uma livraria, bati os olhos em um livro que falava da história dos campeonatos brasileiros. Não lembro muito bem do nome do autor, mas uma coisa me chamou a atenção: o título. Ele não falava em Campeonato Brasileiro, mas em "Brasileirão". Pensei: é coisa de paulista. Não deu outra. Isso não preocuparia se não víssemos chamadas da televisão anunciando o... "Brasileirão"! E tome "Brasileirão", "Timão", "Verdão", "Paulistão", "Azulão", "Ramalhão", "Minhocão" etc.

Mas pode ser muito pior. Paulista não azara, paulista "xaveca". Ahn? Isso mesmo, eles dizem "rolou um xaveco". E não saem para a noite (ou night, quando se está na Zona Sul do Rio). Saem para a "balada". E o que é muito legal não é maneiro, mas "maior legal", ou "maior bom", "tá ligado" (ops...)? Sem falar no dialeto da "periferia". Caramba, não era subúrbio? Era no Rio, mas em Sampa é "periferia". E aí, tome "truta", "mano", "mina", "maloqueiro", "firmão", "nóia" e outros bichos.

Para fechar, há ainda o telemarketing com seus "Senhorrrrr", "não estou einteindeindo", "seteinta", "oiteinta", "eu vou estar analisando", "ããããã" etc. Eu desligo na hora.

Ah, e a cereja do bolo. Sempre nos referimos às pessoas de meia idade pra cima como coroas. "Aquele coroa ali", "fala com o coroa", pronto, uma palavra resumia os cabelos grisalhos, o tempo passado, a experiência. Aí aparecem os caras da ponta feia da Dutra e falam "tiozão"! Ou "tiozinho", quando o coroa é um pouco mais velho. Meu Deus...

O Peça, citado lá em cima, estava certo. Os caras invadiram o Brasil, quer dizer, o Rio, chamando todo mundo de tio. E aí, aquilo que magistralmente chamaram de "a maior cidade de interior do mundo" acaba espalhando seus modos para todos os lugares. E tome paparazzi, Chiquinho Scarpa, Ana Maria Braga, Otávio Mesquita, Faustão, João Dória Jr., Alphaville, Daslu etc.

Eu sei, é o poder econômico, o dinheiro está lá, as grandes empresas têm sede lá, não há muito o que fazer. E pelo que vemos da corrida presidencial, as coisas vão continuar como estão. Dilma é mineira mas é do PT, paulista até a medula. Serra é paulista e do PSDB, paulista como o PT.

Orra, meu! E que os meus parentes de Sampa não leiam essa coluna...

Até a próxima segunda.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é pai de uma menina linda e tem saudades do tempo em que o carnaval de São Paulo e o baile do Ilha Porchat Clube eram motivo de riso.

domingo, 30 de maio de 2010

Abateram o Leão e as minhas lembranças















Por Valério Cortez

Enquanto nos psicodélicos anos 70, Zé Rodrix bradava a plenos pulmões “Eu quero uma casa no campo”, Canga, o Demétrius Cassiano, já tinha conseguido a sua.
Ao lado da quadra, próximo aos vestiários, ele e sua família tinham realmente uma casa no campo. No campo do Barra Mansa Futebol Clube.
Mas esta é apenas uma pequena parte de uma grande história.

Até 1985, se você seguisse pela Duque de Caxias, atravessa-se a linha do trem, passa-se pelo Mercado e o Parque e na confluência com a Cristovão Leal dobra-se a esquerda, continuasse caminhando, passa-se pelo cruzamento com a Pedro Vaz e andasse mais uns 100 metros, você daria de cara com um muro branco e um portão de ferro pintado de azul.

Era o Estádio Capitão Esperidião Geraidine, a casa do outrora temido Leão do Sul, a casa do Barra Mansa Futebol Clube.

Não mais que um gramado sofrível, duas traves de tubos de ferro pintados de branco e uma arquibancada de madeira cheia de buracos.

Um campo de futebol e dois bares, o do seu Cupim e o do Lauro, o Lauro borracha.

Alguns vestiários, uma quadra, uma arquibancadinha de cimento, um pequeno terreno vazio e uma casa, a casa do Canga, da dona Eunice, do Canguinha, do Cláudio, das Canguinhas e do Dedão.

Pouca coisa e pouca gente para tanta história.

Fundado em 1908, o Barra Mansa Futebol Clube é considerado pelos historiadores, com o primeiro clube de futebol do Brasil a se profissionalizar, o que ocorreu em 1911.

Entre muita poeira, trava de chuteira e porrada, o Barra Mansa foi campeão fluminense por duas vezes, em 55 e 56, o que significa dizer, que foi campeão estadual por duas vezes, já que nesta época, nossa capital era Niterói e o Rio de Janeiro que era capital do estado da Guanabara, tinha seu próprio campeonato.

Entre muitos outros feitos.

Mas apesar de tantas glorias, a saudade que bate, não é de nenhum time, de nenhum titulo conquistado, é do estádio, é do campo do Barra Mansa, com seus caminhos calçados de paralelepípedos, seus alambrados velhos e enferrujados, seus muros caiados de branco e do inconfundível som da bola estufando as redes.

A saudade que bate mais forte, é a de ver as meninas do Sabec fazerem Educação Física na quadra, de gritar empolgado nas arquibancadas dos confrontos dramáticos entre o Castelinho e o Cisne Branco.

Em 1984, depois de uma longa batalha judicial, o Barra Mansa Futebol Clube, perdeu para a Santa Casa de Misericórdia, grande parte da área de seu estádio.

Do velho estádio, restaram apenas a quadra, os vestiários e o pequeno terreno.

Luiz Amaral, prefeito à época, cumprindo um acordo entre as partes, determinou a abertura da rua e a desapropriação de uma área na Colônia Santo Antonio, para que o clube construísse seu novo estádio.

O novo estádio foi construído, e por não terem conseguido levar para lá os fantasmas e os vira latas pulguentos que habitavam o antigo estádio da Cristovão Leal, ele nunca consegui sequer lembrar a verdadeira casa do Leão do Sul.

Ao final desta estória, muito pouco restou, a cidade ganhou uma nova rua, que, infelizmente leva nada a lugar nenhum; A Santa Casa ampliou suas instalações, mas parece que mesmo com isso, a saúde no município não melhorou, e agora, chega a noticia de que o centro da cidade vai ganhar uma nova escola.

Que maravilha. Escolas sim. Escolas sempre, quanto mais escolas melhor. Mas tinham que construir essa, logo ali, em cima das minhas lembranças?

Um bom domingo a todos


Presente de domingo aos queridos amigos

O maior clássico da história do futebol de Barra Mansa.

CASTELINHO X CISNE BRANCO





























10 caixas de cervejas geladas, ao leitor que identificar o pequeno mascote presente na foto do time do Cisne Branco.

Cartas para a redação.























sexta-feira, 28 de maio de 2010

São Jorge dos Ilhéos



Matriz de São Sebastião. Belíssima!

* São jorge dos Ilhéos

**Por Flavia Alvaro Porto

Dos muitos assuntos que tenho vontade de postar aqui no blog, certamente falar sobre a cidade de Ilhéus é um deles.

Conhecida como a “Capital do Cacau”, Ilhéus é, por si só, o paraíso em forma de cidade, onde encontra-se o maior e mais bonito litoral (opinião minha e de muitos baianos que conheci) de todas as outras cidades litorâneas da Bahia.

Na verdade, Ilhéus já não é mais a Capital do Cacau há uns anos, pois, de acordo com um taxista muito simpático que conheci por lá, o Sr. Severino (Severo para os amigos), a vassoura-de-bruxa, uma praga destruidora, “varreu” as plantações de Cacau e, desde então, tudo mudou. Hoje Ilhéus ainda vive da agricultura, mas com o crescimento do turismo e da indústria, o povo teve uma considerável melhora na sua condição de vida.

Ilhéus surgiu por causa de uma doação de um terreno feita no ano de 1534, em Évora (Portugal) por Dom João III à um senhor chamado Jorge de Figueiredo e este, não querendo vir pra cá, enviou um representante que fundou a cidade com nome de (*) São Jorge de Ilhéos (grafia antiga), homenageando o doador e às ilhas encontradas ao redor. Somente no ano de 1881 que Ilhéus foi elevada à cidade.

Falar de Ilhéus e não citar Jorge Amado é considerado heresia.

Nascido em Itabuna, cidade vizinha à Ilhéus, Jorge Amado é o grande e mundialmente conhecido escritor, que criou maravilhas como Gabriela, Cravo e Canela, Capitães da Areia, Mar Morto, Navegação de Cabotagem, O gato Malhado e a andorinha Sinhá (um sensacional livro infanto-juvenil), entre outros tão famosos quanto estes.



Casa de Jorge Amado, em Ilhéus

Jorge Amado morou muitos anos em Ilhéus e sua casa, desde antes de sua morte em 2001, se transformou num ponto muito visitado por turistas. É um local agradabilíssimo, onde encontramos diversos objetos pessoais de Jorge, inclusive sua máquina de escrever, a qual ele usou até antes de falecer e também conhecemos sua história a fundo. E ainda, após a visitação, como não poderia deixar de ser, encontramos com uma baiana muito linda, a famosa Dona Zezé, que vem a ser cunhada do Sr. Severo, o taxista lá do começo da história, que nos presenteia com uma bênção mais que especial. Afinal, como Jorge era simpatizante do candomblé e filho de Xangô, nada mais perfeito do que essa finalização .

Agora, mundo pequeno esse. Conhecer duas pessoas da mesma família em um dia só e numa cidade à léguas de sua casa, é realmente incrível!



O litoral de Ilhéus é um espetáculo à parte! De um lado, o mar azul-esverdeado, do outro, Mata Atlântica. Combinação perfeita!

Chegando à Ilhéus, no porto.

A praia dos Milionários (indicada pelo Sr. Severo) é exuberante! Tem esse nome por causa das mansões dos Barões do Café que antigamente existiam no seu entorno. Areia clara, fininha, águas morninhas e um sol delicioso! Até a velocidade do vento é perfeita!

Situada à 7 km do centro de Ilhéus, no litoral Sul, beira uma rodovia onde encontramos bons hotéis.

Em Ilhéus também come-se bem, diferentemente de Maceió, onde as barracas à beira da praia são sujas, com atendimento demorado e peixe frito em óleo velho. Já em Ilhéus na praia dos Milionários, a cabana (como são chamadas as barracas da praia), com o sugestivo nome de Gabriela, é ótima! Mais uma vez o Sr. Severo acertou. Atendimento de primeira e o peixe fresquíssimo, com um tempero caseiro que nos faz “lamber os dedos” e querer mais. Aliás, em Ilhéus come-se muito bem em qualquer lugar.



Fim de tarde na Praia dos Milionários, Ilhéus.

Fica aqui a minha dica de viagem: se quiser conhecer um local de rara beleza, clima e astral maravilhosos, onde tem pessoas fofas e que não tenha perdido a inocência de cidade pequena mesmo recebendo, quase que diariamente, visitantes do mundo todo, vá à Ilhéus!

Dá vontade de nunca mais voltar!

** Flavia Alvaro Porto é a Flavinha (flport@ig.com.br).

Sou apaixonada pelo mar, pelo sol, por mergulho, por Ilhéus e um dia ainda fujo pra lá!

quinta-feira, 27 de maio de 2010


OS CORVOS

Por Jorge Couto

Durante décadas Carlos Lacerda pontificou como uma das figuras políticas mais importantes do país. Homem de vasta cultura e inteligência privilegiada era temido por seus adversários. Orador talentoso fez uso como poucos da tribuna parlamentar e dos meios de comunicação. Era conhecido como “Corvo”, ave de rapina, que tem bico curvo, asas grandes e garras, alimentando-se da carne dos animais que caça. Durante anos Lacerda e seu partido, a UDN, tentaram chegar ao poder central da república pelo voto popular. Como eram sistematicamente derrotados, iam bater nas portas dos quartéis procurando obter pela força aquilo que as urnas negavam. Tanto tentaram que finalmente, em 1964, com apoio dos EUA e da mídia tupiniquim, conseguiram derrubar um governo legitimamente eleito pelo voto popular, e o Brasil mergulhou numa ditadura feroz e violenta. Lacerda acabou sendo vítima de seu próprio veneno e faleceu em 1977 afastado do poder e com seus direitos políticos cassados pelo regime que ajudara implantar.

Mas Lacerda deixou discípulos e seguidores que, se não demonstram os mesmos predicados de inteligência e cultura de seu mestre, rivalizam com ele na arte de buscar rapina onde houver, senão, inventam. Os Corvos atuais compartilham entre si várias características: são serviçais das grandes empresas de comunicação; brancos na sua maioria, eles odeiam tudo que remotamente lembre povo e pobre; abominam a América Latina e se encantam com a Europa e os EUA; adoram denuncias moralistas; acreditam piamente que estão sempre certos, mesmo que a realidade mostre o contrário; a maioria é portadora de vistosos diplomas universitários que colocam a serviço dos poderosos; defendem intransigentemente a liberdade de imprensa, eufemismo para monopólio da imprensa; não conseguem disfarçar suas simpatias por golpes de força quando estes lhes são convenientes.

Todos os dias se vêem nos meios de comunicação “respeitáveis”, estes novos Corvos vomitarem o fel de sua frustração com o sucesso de líderes latino americanos, líderes de origem nordestina, indígena, mulata, enquanto seus ídolos (FHC, Sanches de Losada, Carlos Andrés Perez) foram e são repudiados em seus países.

Entretanto, que ninguém se iluda, embora precocemente envelhecidos pelo rancor e frustração, esta gente tem força e poucos escrúpulos ao defender a perpetuação dos interesses e privilégios daqueles de quem são fiéis serviçais.

Veja-se, por exemplo, a resposta dos barões da mídia brasileira a primeira “Conferência Nacional de Comunicação” (Confecom), realizada em dezembro, com o tema geral “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”, que contou com a presença de 1.648 delegados de todo país (40% representando os movimentos sociais, 40% os empresários e 20% o governo e o Congresso Nacional), fruto da participação de cerca de 12 mil pessoas em reuniões e discussões preparatórias nas principais cidades e nas capitais. Em 13 de agosto os respeitáveis barões da mídia tupiniquim se retiraram das reuniões alegando que a Confecom tendia a “restringir a liberdade de expressão”.

A mídia respeitável patrocinou, então, o “1º Fórum sobre Democracia e Liberdade de Expressão”, realizado pelo nauseabundo Instituto Millenium em São Paulo. Deste fórum participaram os proprietários das empresas que boicotaram o Confecom, além de jornalistas e serviçais em geral. Frise-se, porém, que os patrões mantiveram uma postura discreta e comedida. O trabalho “pesado” ficou a cargo dos seus serviçais, que atacaram toda e qualquer tentativa de se jogar luz no comportamento dos meios de comunicação. Os patrões parece que seguiram os ensinamentos Nelson Rockfeller (1908-1979), relatado em suas memórias. Quando resolveu disputar as eleições para governador de Nova York, em 1958, falou de seus planos à mãe, Abby Aldrich Rockefeller. Na lata, ela lhe perguntou: “Meu filho, isso não é coisa para nossos empregados?”

As diversas intervenções dos serviçais foram verdadeiras pérolas democráticas, como se pode comprovar nas palavras do Sr. Roberto Romano: “O aspecto ditatorial do Plano Nacional dos Direitos Humanos passaria em branco, não fosse o descontentamento manifestado pelos militares”. Vejam a quem o ilustre professor de ética invoca para a defesa da democracia! Outra pérola democrática, desta vez obra do trêfego Arnaldo Jabor: “A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo?” . Agora eu pergunto: como fazer isto sem a quebra da democracia?

Os efeitos e consequências de tais palavras, atitudes e fatos eu deixo a cargo do julgamento de cada eventual leitor.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Galera ,hoje eu e o Figura vamos dividir o espaço.Eu mereço depois do rolo que foi para enviar o texto dele...rsrs



Você anda cansado?
* Por Renata Klotz


Tem dias que tudo me cansa. Ando cansada do jogo.
De viver e ter que aprender a jogar.Do Roberto regravado tocando no rádio.Da mesma reclamação da vizinha sobre as folhas que caem no seu quintal.

Da lenga lenga das novelas,do noticiário sangrento,das fofocas das bancas e dos salões de beleza.
Ando cansada da beleza imposta e da feiúra recorrente.Da beleza que não tem miolo,do iogurte que não tem açúcar,do pão integral,da coca zero,da preocupação com o colesterol.Das trocentas maneiras de fazer “seu parceiro enlouquecer na cama”,já me enchi.

Da feiúra que a realidade traz tantas vezes,estou farta.Mas também me cansam os mesmos porres,os dilemas existenciais,as relações superficiais e as profundas ainda mais.Dos amores que cobram e cobram, e pouco dão,estou cansada também.
Esse funk estúpido que não me sai da cabeça,essa conta que não sei como fiz (e porquê?) e muito menos como vou pagar.

Dos papos furados com semiconhecidos,de dizer isso vai passar mesmo sabendo que por vezes não vai.Dessa mania de ser boazinha que trago desde pequena,esse hábito de ouvir quem se diz melhor que todos os outros ao menos no discurso.De falar pra quem não escuta nada do que o outro diz...Tudo isso cansa,exaure.

Da indelicadeza nas relações,das generalizações,dos estereótipos,das brincadeiras sem graça alguma,das omissões da verdade,da crueldade inerente ao ser humano,ando cansada...De fingir que isso tudo é normal...

Trago nas costas o peso das obrigações e dos erros cometidos,do “se”.Tempo verbal terrível esse.Como seria se...Pensar cansa...Talvez enlouqueça,conto daqui a dez anos...

O tempo corre contra mim e ele está em muito melhor forma do que eu.Me esforço,me esforço e adivinha: quem corre atrás,chega às vezes atrás...

Me sinto sem forças pra prosseguir,menos ainda tenho energia pra parar.
Preciso seguir ,tocar o barco,mesmo tendo dúvidas se está indo na direção correta.

Trago no olhar a melancolia de ter perdido a inocência, a vã ilusão de que tudo depende exclusivamente de mim. Há resultados que jamais passarão pelas minhas habilidades ou inabilidades. Me canso de tentar controlar o que não tem controle algum.

E me perco em devaneios e crises existenciais que me cansam,mas não somente a mim..Por que nasci assim tão complicada...Ou me tornei,mas digo que se soubesse quanta energia isso demandaria,talvez seguisse em outra direção.Agora é tarde.

Como é difícil conciliar o meu cansaço com a vida escancarada à minha frente.

Sigo desse jeito,vivendo um clichê tão barato num mundo tão caro... e contrariando o bom senso,sou feliz assim mesmo,ou talvez por isso tudo.Sei lá...

Um dia eu entendo esse emaranhado de sentimentos e cenas cotidianas que parecem estar sendo vividas às vezes por outra pessoa,não eu.E se não...Tudo bem também,terei estórias para contar.

Mas que cansa...isso cansa.


Renata Klotz tem 187 anos e está muito cansada hoje,mas tem certeza que amanhã estará melhor.Esclarece que acha que faz parte e que não pretende desistir JAMAIS.

O fim do Caneco?

Por Figurótico*

O Canecão fechou e reabriu. Cheguei a ficar de luto, tamanho o sentimento que aquele lugar representa em minha pessoa. O primeiro show que assisti na vida foi lá, em 87, com 12 anos. Saí de Barra Mansa com meu irmão para ver o Ultraje a Rigor lançar "Sexo". E sem explicação, eu me lancei à música e ao rock'n roll a partir de então. Fiquei triste com o fim da casa. Mas sete dias após seu fechamento, um oficial de justiça compareceu e abriu a casa no dia 17 de maio.

A casa por sua vez garantiu a programação até julho. Após isso, só a justiça dirá... A briga vem desde 1971, entre a UFRJ (proprietária da área) e os donos da, então, cervejaria inaugurada em 1967.

Aproveito e posto um vídeo de um show histórico do Echo & The Bunnymen de 87, considerado pelos mesmos com um dos seus melhores, na biografia da banda. O vídeo é da extinta TV Manchete, o áudio é daqueles que passam para a impressão que se pega o som do palco somente. Mas dá pra ver na última estrofe a galera cantando junto...

E um textinho meu publicado em 2006 no Jornal Folha do Interior, na semana que antecedia o fim da turnê dos Los Hermanos na casa.
Abraços
O "Bloco da família" vai passar (2006)
Depois de um 2005 proveitoso em shows pelo Brasil, o novo ano não fica atrás e, numa mesma semana, nos dá Rolling Stones e U2. Após a confirmação dos preços para as duas apresentações da banda irlandesa em São Paulo, é hora de correr e separar a grana, pois os ingressos estão se esgotando em horas em outras cidades e, como não haverá show no Rio, somente dois pontos de venda foram colocados para os cariocas irem até São Paulo.
Preocupado em se conseguirei comprar ou não, passei pela frente do Canecão e vi um aglomerado em pleno sol de meio-dia da bilheteria do palco mais charmoso do Rio, para só depois me lembrar de que estamos na semana de show dos Los Hermanos do novo disco, “4”. O disco mais uma vez surpreende e mostra uma harmonia cada vez mais requintada – e mais distante do rock, o que me incomoda. Mas o disco é bom.
Quatro canções me deixaram com vontade de assistir ao show: “Horizonte distante”, “Condicional” (as únicas com um resquício de rock), “O vento” e “É de lágrima”, esta última ficaria melhor sem letra alguma, pois a guitarra triste que inicia a música – e que fecha o disco – tem vida própria. É de fácil percepção a influência trazida por Amarante depois de anos convivendo com o samba na Orquestra Imperial, que lotava o extinto BallRoom.
Na última vez que tocaram por lá, em dezembro de 2004, estive e conferi a paixão do carioca pela banda. Os ingressos se esgotaram dois dias antes do primeiro show, na sexta. Foi uma invasão de allstars ao redor do Rio Sul, não havia cambista e nem como conversar com alguém, pois o público não pára um minuto de cantar todas as músicas do quarteto. Desta vez haverá abertura de show nos três dias: Nervoso e os Calmantes, Hurtmold e Cidadão Instigado.

*Figurótico ainda viu no palco sagrado Paralamas, Ira!, Barão, Living Colour, Capital...


Vejam o vídeo nesse link:http://estacaobm.blogspot.com/2010/05/o-fim-do-caneco.htm

terça-feira, 25 de maio de 2010

Figurinhas




















por Mozart Valle Neto *

Há mais ou menos uns quinze dias meu sobrinho chegou em sua casa com um álbum de figurinhas da Copa do Mundo da África do Sul. Foi distribuído gratuitamente no colégio que ele estuda. No dia seguinte ele veio me mostrar e pedir para comprar os pacotes de figurinhas. Aproveitei para dar uma olhada. Quando cheguei a nossa seleção e dei de cara com uma escalação bem próxima da que se esperava que se anuncia-se nos dias seguintes. Mas o Dunga surpreendeu a todos, e também o pessoal que montou o álbum. Mas este não é o assunto desta coluna.

Quero falar de colecionar figurinhas. Minhas primeiras lembranças de coleção são de uns livretos sem vergonha que se vendia em pequenas biroscas, cada página completa ganhava um prêmio. As figurinhas eram super difíceis, lembro apenas da minha prima completando uma é ganhando uma panela de pressão. Ela doida por uma boneca. Minha tia que ficou feliz.
Já morando em Barra Mansa lembro-me de um da Disney sobre profissões. Era muito legal, tinha um pequeno resumo da profissão e a imagem de um personagem exercendo-a. Fecho os olhos e vejo o Peninha a frente de uma máquina de escrever, tio Patinhas contando uma pilha de notas e do Prof. Ludovico a frente de um quadro negro. Este minha mãe adorava que a gente colecionasse.

Dos de copa do mundo lembro-me de um pequeno que as figurinhas vinham no chiclete Ping Pong e na copa de 82. Nesta os jogadores do Brasil era difíceis de conseguir. Mas acho que a mais rara era o cromo do Dino Zof, goleiro da Itália. Ohhhh, álbum predestinado.

Nesta versão atual, cheia de gafes – vide página da seleção, o livro não chama atenção, mas sim o movimento que esta acontecendo. Nossa seleção pode estar desacreditada, mas a coleção superou todas as expectativas, inclusive de seus fabricantes. As figurinhas chegam na banca e acabam muito rapidamente. Já foram roubadas várias partidas de cromos. No centro do Rio podemos comprar qualquer figurinha por um real, basta dizer o número. Na internet tem figurinha sendo vendida por vinte reais. Tem leilão inclusive. Aqui em Barra do Piraí todo sábado pela manhã tem troca de figurinhas. Nesta semana eu contei mais de cem adultos e umas sessenta crianças na praça trocando repetidas.

Pessoas de todas as idades, classes sociais diferentes, muitas meninas. Todo mundo aderiu à coleção. Estou impressionado!

*Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com), tem 38 anos não está colecionando o álbum da copa, muito menos acredita na seleção do Dunga, apenas compra as figurinhas para seus sobrinhos e gosta mesmo de trocar figurinhas aqui no Estação BM.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

E a nossa bomba atômica?



por Carlos Vinicius Rosenburg*

As discussões das últimas semanas sobre o acordo Brasil-Irã-Turquia fizeram voltar as minhas preocupações com algo que acho crucial na consolidação do Brasil como personagem principal no cenário mundial: a bomba atômica.

Antes de mais nada, faço questão de afirmar, sou pacifista. Não só para discutir temas ligados à humanidade como um todo, mas pacifista em minhas ações diárias. Detesto brigas, discussões, gritos, enfim, acredito no diálogo e no entendimento para resolver conflitos. Apesar disso, ou melhor, também por causa disso, sou a favor da bomba atômica. E sou a favor exatamente por ser uma pessoa pacífica. Contraditório, paradoxal? Não, e darei os motivos.

O Brasil é um país continental, dono de riquezas incomensuráveis - água, minério, petróleo, material biológico, milhares de quilômetros de litoral, um imenso território. Como qualquer casa, terra, propriedade, é preciso defendê-la. Todos nós trancamos (e defendemos) nossas casas com fechaduras e grades em suas portas e janelas, o que é natural - temos um histórico grande de crimes contra o patrimônio e a vida. A mesma coisa vemos no comércio: alarmes, arame farpado, cercas elétricas. Nos bancos, mais segurança ainda, com alarmes potentes, seguranças armados, cofres indevassáveis. E o motivo é sempre o mesmo, a defesa do patrimônio.

Pois bem, nós brasileiros temos uma imensa casa que guarda riquezas muito mais valiosas do que as guardadas por um banco. E quais são as trancas, grades e cofres que usamos? Temos Forças Armadas sucateadas, de diminuto efetivo, com armamento em pouca quantidade e obsoleto. Será que essa é a maneira certa de guardarmos nossas riquezas? Pegando como exemplo as instituições financeiras, qual seria o motivo pelo qual as pessoas necessitadas não saem pegando dinheiro dos caixas dos bancos? Não há dúvida, a segurança das agências intimida.

E os outros países, o que fazem? Bem, todos os países que têm posição de destaque no cenário internacional possuem a bomba atômica. Todos. Estados Unidos, China, Rússia, França, Índia, Israel etc. Os que não têm (e são grandes atores) ou não podem tê-la (Japão e Alemanha), ou não precisam (Canadá - proteção dos EUA). E nós, como ficamos?

Os argumentos contrários à bomba são conhecidos. Primeiro, que a Constituição só permite o uso da energia nuclear para fins pacíficos. Segundo, há o argumento pacifista, pois o Brasil é nação pacífica, que prega o diálogo na resolução de conflitos. Terceiro, o argumento humanista, o uso da bomba atômica caracteriza crime contra a humanidade, seus efeitos são devastadores.

Quanto à questão jurídica, é possível a mudança da Constituição, mais precisamente do art. 21, XXIII, a. Até mesmo sem modificar daria para forçar um pouco a barra e afirmar que a bomba destina-se, exatamente, a fins pacíficos - mas reconheço, é forçar demais a barra. Esse argumento, portanto, pode ser contornado com uma simples emenda constitucional.

Os dois outros argumentos são mais fortes, mas não existem a uma simples indagação. O Brasil, sabemos todos, possui Forças Armadas. Nossas Forças possuem armamento, aviões e navios de guerra. E para que servem? Não servem também, a princípio, para matar, lançar mísseis, bombas (não-atômicas), fazer incursões? Seguindo a linha de pacifistas e humanistas, não haveria motivo para mantermos Forças Armadas. Então, por que são aceitas? Por um motivo bem simples: elas são usadas para a defesa, o Brasil não deixa de ser um país pacífico por causa delas, muito pelo contrário. Isso já está no inconsciente coletivo. E com a bomba atômica, é bom que fique claro - e aqui está o ponto principal dos meus singelos argumentos - não será diferente. A bomba atômica é instrumento de defesa, apenas isso. Paradoxos dos paradoxos, é instrumento de pacificação entre nações. Ninguém faz guerra com potências nucleares, isso é histórico. E ninguém solta bombas atômicas - mesmo os EUA, com toda a sua indústria da guerra e belicismo exacerbado, só o fizeram na II Guerra. Os argumentos contrários à bomba partem sempre da premissa da arma sendo lançada contra os outros. Mas a premissa não é verdadeira, pois ninguém faz uso de tais armas. A bomba atômica, desculpem a repetição, é mero instrumento de defesa. As armas convencionais já mataram muito mais gente do que as armas atômicas.

Assim, estou convencido de que já passou da hora de deixarmos nossa ingenuidade e romantismo de lado e pensarmos seriamente na questão. Tabus devem ser enfrentados e os preconceitos deixados de lado. O Brasil precisa da bomba atômica, não se iludam. Um dia o mundo vai querer nossa água, minérios e a matéria-prima biológica que temos (Amazônia). E eles não pedem licença para entrar. A menos que possamos falar grosso.

E vocês, o que acham?

Até a próxima segunda.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é pai de uma filha linda, detesta brigas mas defende a construção da bomba atômica pelo Brasil. Ficou muito impressionado quando viu o filme "O Dia Seguinte", que aborda uma guerra nuclear entre EUA e a antiga URSS. Recomenda a película aos amigos do blog.

sábado, 22 de maio de 2010

Deus está morto





*por César Augusto Zadorosny

De pronto já esclareço que não vou reiniciar qualquer discussão sobre a existência ou não de divindades, embora respeite a relevância do tema. O rumo da conversa é aqui outro: música, ou melhor, rock!

A semana se iniciou com a triste notícia do falecimento de Ronald James Padavona, ou simplesmente Dio, como ficou mais conhecido o lendário vocalista do Rainbow e do Black Sabbath. A má notícia veio logo pelo domingo de manhã, enviada pelo amigo Sérgio em mensagem no celular: “Morreu R J Dio”.

Curiosamente foi o próprio Serginho quem me apresentou Dio ao gravar numa K7 (Basf cromo), dentre vários clássicos, a música Rainbow in the Dark, com performance na guitarra do virtuose Vivian Campbell, hoje já erradicado na turma no Def Leppard. Só tenho a agradecer ao amigo, pois aquele K7, junto com os muitos outros gravados à época, só fizeram crescer em mim a grande paixão que nutro pelo rock pesado e que já perdura mais de duas décadas.

Ronnie Dio morreu aos 67 anos lutando contra um câncer no estômago. A notícia de sua morte chocou o mundo do rock – menos a Rita Lee é claro –, e isso é fácil de entender. Como já citei, Dio fez parte de duas das maiores bandas de todos os tempos, o Rainbow e o Black Sabbath, sendo que, em 1983, iniciou sua carreira solo dando continuidade ao seu trabalho com composições agressivas, pesadas e ao mesmo tempo melodiosas. Sem a sua influência, o mundo do rock seria certamente menos rico, menos heavy.

Tive a oportunidade de conferir pessoalmente uma performance de Dio em 2006 no Rio Janeiro e posso seguramente dizer que se trata de uma experiência única, marcante, um verdadeiro banquete para aqueles que, como eu, apreciam rock pesado. Naquela oportunidade, para variar, chegamos ao show em cima da hora, pois, além de sair direto de Barra Mansa para a Barra da Tijuca já um pouco atrasados, atropelamos um cachorro na pista e ainda tivemos de parar abastecer o carro, que ficou sequelado com parte do pára-choque dianteiro quebrado. Pensei comigo: Má sorte. Se fosse uma apresentação de pagode isto não aconteceria.

Mas a má sorte acabou ali. Chegamos bem na horinha e acreditando estar de espírito preparado para o iria acontecer, pois já vínhamos em aquecimento durante a curta viagem de carro. Não podíamos estar mais enganados. A atmosfera era tranqüila e o público mais modesto do que se poderia imaginar, mas quando começaram os primeiros acordes de Killing The Dragon, nos demos conta do que estava por vir: um verdadeiro e espetacular show de heavy metal, daqueles que separa os homens dos meninos, coisa de gente grande, com direito ao deus do metal bem ali na nossa frente, personificado na pele do nanico Ronnie James Dio, cuja potência das cordas vocais causava um verdadeiro estrondo no anfiteatro.

Seguiram-se duas horas inteiras de clássicos do rock, executados com competência japonesa por uma banda de pugilo e entoados a plenos pulmões por aquele senhor, então com sessenta e um anos (ou perto disso), que outrora inspirou sujeitos como Richie Blackmore, Tony Iommi e Vivian Campbell a escreverem riffs de guitarra que se tornaram verdadeiros hinos para os amantes do heavy metal. Saímos dali eu, Vinícius e Aloísio de baterias carregadas. Uma pena que isto não se repetirá mais.

Dio morreu às 7:45 da manhã (horário de Houston) de 16 de maio de 2010, de acordo com as fontes oficiais.

Para aqueles que não conhecem sua obra sugiro conferir “Stargazer”, do Rainbow, do álbum Rising, “Children of the Sea”, do Black Sabbath, do álbum Heaven and Hell e “Rainbow in the Dark”, da carreira solo, do álbum Holy Diver. Procurem no YouTube que é fácil.

Fica aqui nosso registro e homenagem ao pequeno grande Ronnie James Dio. Parafraseando Nietzsche: “Dio está morto, mas o seu legado permanece insepulto." LONG LIVE ROCK’N'ROLL!!


P.S.: Meus parabéns ao Serginho pelo dia de ontem. Keep on rock’n!
Abração e até a próxima.

*César Augusto Zadorosny tem 36 anos, com formação em Direito e Administração e ,a partir de hoje, declara luto oficial de 13 dias no Estação BM, em razão da morte do inigualável Dio. Bandeiras a meio pau, por favor.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

LIBRAS - A Linguagem do Coração



Caros amigos,


todos os nossos sete ou oito leitores já devem conhecer a Flavinha (aliás, ela é uma das sete ou oito pessoas que lêem o Estação). Portanto, vou pular as apresentações e ir direto ao texto. Mais uma vez, é um grande prazer para a galera do blog ter esse toque feminino em nosso botequim virtual (a Renata inaugurou a semana feminina). Esperamos que seja uma colaboração permanente (alô Flavinha, a bola está com você!).


Aproveitem.


Administração do blog.



LIBRAS – A Linguagem do Coração

*Por Flavia Alvaro Porto

Muita gente não sabe mas as pessoas que não falam perderam a capacidade da audição e não da fala. Não são mudos. São surdos. A mudez é uma outra deficiência, sem conexão com a surdez.

Antigamente ser surdo era estar condenado a mudez. Portanto, é inadequado o uso do termo “surdo-mudo”.

No Brasil, a estimativa é de que haja 15 milhões de pessoas com algum tipo de perda auditiva e no censo de 2000, 1% da população declarou ser incapaz de ouvir.

A situação é bem séria e poderia ser amenizada com um simples teste, chamado vulgarmente de “Teste da Orelhinha”, que deve ser realizado até 48 horas após no nascimento. O teste é indolor, rápido e feito no próprio berço ainda na maternidade, porém, somente em algumas cidades há projeto de lei regulamentando a obrigatoriedade do teste. Com isso, o diagnóstico é feito muito tarde e o desenvolvimento da criança até esse período já foi seriamente comprometido.

Mas como entendê-los?

Com o coração. E um pouquinho de paciência.

LIBRAS é a Linguagem Brasileira de Sinais. Chegou ao Brasil como uma variante da língua de sinais francesa e, mesmo semelhante, não é universal. Há regionalismos, muda de estado para estado, até mesmo de cidade para cidade, por isso é, comprovadamente, mais uma entre muitas linguagens usadas no mundo. Porém, mesmo sendo uma língua oficial para cada país, os surdos conseguem se comunicar muito mais facilmente que os falantes de línguas orais, que precisam de um conhecimento e um tempo maior para haver um entendimento. Isso se deve a capacidade que o surdo tem de aproveitar muito mais da sua comunicação e expressão oral, utilizando também a datilologia (como se fosse a palavra soletrada por aquele alfabeto de sinais que todos já vimos e tentamos fazer um dia).

A escrita de LIBRAS também é bem diferente do que estamos acostumados. Os verbos são utilizados no infinitivo. Escritas convencionalmente em maiúsculo. As frases são compostas de maneira que, aos olhos de um ouvinte, estariam incorretas ou teriam sido escritas por um estrangeiro que aprendera o português há pouco.

Exemplo: EU CONVIDAR VOCÊ VIR MEU CASA, DIA?

Ou então: EU VIAJAR RECIFE,BOM! BONITO LÁ!

Mas, pra quem pensa que não, LIBRAS é muito mais do que uma combinação de sinais.

É expressão corporal pura!

Um olhar, um toque, uma simples virada de corpo que quer dizer muito!

Resolvi estudar LIBRAS por dois motivos: ativar o cérebro com algo bem diferente de tanto ouvir falar que “uma mente preguiçosa é oficina do Alemão. E o nome do Alemão é Alzheimer.”

E também por achar muito interessante essa forma de comunicação.

Mas a maior e mais grata de todas as surpresas foi chegar lá e saber que meu professor não é ouvinte.

Desafio sensacional!

Fiquei extremamente encantada com a novidade!

Mas e aí? Comunicar-se como?

Não me pergunte, mas no primeiro dia de aula consegui entendê-lo perfeitamente, sem saber quase que nenhum sinal direito. Fora que, mesmo tímido, meu professor era extremamente divertido. Ele nos fazia rir muito, contava piadas. Sensacional!

Após iniciar o estudo vemos que muitos dos sinais que utilizamos em LIBRAS são usados diariamente por nós e nem percebemos, tamanha normalidade que os fazemos.

Foi então que descobri que LIBRAS é a linguagem do coração.

Tem que estar com sua alma entregue ao aprendizado.

Movimento constante!

Expressão corporal intensa!

Coração livre de pré-conceitos!

Você sabia que:

  1. Para cada dez crianças que nascem uma é surda?
  2. Até há bem pouco tempo a surdez era considerada um sinal de azar e até de loucura?
  3. Na Idade Média os surdos eram considerados serventes do demônio?
  4. As mulheres surdas eram chamadas de bruxas e queimadas vivas?
  5. No Japão as mulheres surdas não podiam casar e nem receber heranças?
  6. Em muitos países europeus quando a polícia buscava criminosos, sempre começava suas investigações com os surdos?
  7. Havia escolas onde amarravam as mãos dos surdos para obrigá-los a não usar a linguagem das mãos?
  8. Podemos perder a audição antes de envelhecer graças a poluição sonora?
  9. A lei nº 10.436 dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais?
  10. Aos 26 anos, Beethoven, o grande pianista alemão, teve os primeiros sinais de surdez. Aos 46 estava praticamente surdo?

Infelizmente esse ano não teve o segundo módulo. Curso gratuito tem dessas coisas.

Valeu o conhecimento. Mas, na verdade, acho mesmo que o que valeu foi o aprendizado da alma.

Fonte extra: www.dicionariodelibras.com.br - http://www.feneis.com.br

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(...)

  1. Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração! Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente! Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!

Clarice Lispector

* Flavia Alvaro Porto é a Flavinha (flport@ig.com.br).

Atualmente solteira (procurando, procurando...) 37 anos, professora, bióloga, trilheira, tricolor de coração, bem humorada, carinhosa, amo pescar, mergulhar, viajar e uma boa música, sou totalmente do bem, não tenho tpm e acho mesmo que propaganda é a alma do negócio!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

OS SENHORES DO MUNDO

Por Jorge Couto

A diplomacia brasileira, desafiando o ceticismo dos países poderosos, conseguiu costurar um acordo sobre o programa nuclear no Irã na segunda-feira passada. E o que é este acordo? Os termos do acordo são os mesmos que EUA, Rússia e França ofereceram ao Irã há cerca de oito meses atrás. A diplomacia brasileira apostando no diálogo e não no confronto, acabou por vencer as resistências iranianas em assinar o acordo. Já era de se esperar que líderes das grandes potencias tudo fizessem para desacreditar e levar o acordo ao fracasso. E realmente eles, mais uma vez, foram rápidos no gatilho. No dia seguinte, terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU, reunido em caráter de urgência, resolveu que era chegada a hora de endurecer ainda mais as medidas punitivas ao Irã, ignorando que o acordo construído pelo Brasil, se não garante a solução definitiva do problema nuclear iraniano, indiscutivelmente cria novos paradigmas para a discussão do problema. Dito de outro modo: há espaço para o diálogo e, por conseqüência, a paz.

Na verdade, a intervenção brasileira nesta questão criou vários incômodos aos líderes das grandes potencias:

Primeiro a arrogância imperial destes países foi ferida com a intervenção de um líder popular, de esquerda e vindo do terceiro mundo.

Em segundo lugar estes senhores apostam que as medidas punitivas ao Irã acabarão por fazer surgir neste país um governo dócil aos interesses das potencias imperialistas. Caso as sanções não funcionem, uma boa guerra na região seria ótima para aquecer as combalidas economias dos EUA e Europa. Os espólios seriam altamente compensadores, afinal o Irã é dono de uma das maiores reservas petrolíferas do mundo, isto sem falar no controle direto do estreito de Ormuz por onde passa grande parte do óleo produzido nos países árabes. Desculpas para se iniciar um conflito armado sempre se acha. Basta lembrar das armas de destruição em massa que os EUA alardeavam existir (na verdade, inexistentes) no Iraque e que serviram de justificativa para invasão deste país.

Em terceiro, no entendimento das cabeças imperiais destes senhores, o mundo unipolar surgido com o término da guerra fria deve ser substituído por um outro multipolar, porém, restrito aos ricos países do G-8 e não por um mundo com vários centros de decisões, mais justo e democrático.

O açodamento dos EUA e seus subservientes aliados europeus em rejeitar de imediato o acordo mediado pelo Brasil, acordo que nada mais é do que a proposta feita pela própria Casa Branca há poucos meses atrás, deixa claro que a não proliferação de armas nucleares nunca foi o real objetivo de Washington. A real intenção é submeter o Irã ou qualquer outro país que contrarie os interesses imperiais norte-americanos. Em resumo: a rendição e submissão devem ser totais e incondicionais.

Desnecessário dizer que a mídia tupiniquim fará coro em uníssono com os interesses de seus senhores, não poupando críticas e procurando ridicularizar a iniciativa brasileira de buscar o diálogo e a paz.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Coragem e Medo

Ratificando nossa qualidade democrática imperante aqui no Blog, reservo meu espaço de hoje a nossa leitora assídua e colaboradora freqüente, Renata Klotz.
Peço desculpas por não ter postado semana passada pois estou envolvido num projeto do SESC Barra Mansa que tomou parte do tempo disponível.
Semana que vem retorno normalmente.
Abraços,
Figurótico

Coragem e medo

Por Renata Klotz*

Quero falar sobre uma coisa delicada pra todos nós.

Que limita e desconcerta. Que não admitimos com total propriedade, mas que nos cerca e nos define.


O medo.


Medo de morrer, medo de barata, de ficar broxa pros homens, de envelhecer pras mulheres.

Medo do novo,medo de mudanças,medo de acreditar,medo de falhar.Medo até de ter medo e de confessá-lo.


Mas o fato é que todos nós temos medos e são muitos .O medo do sim e do não. Medo, medo, medo; ou “meda” como diria Didi.


Analisada que sou (aquela que já fez análise por um tempo razoável) na minha ultima sessão ouvi isso do meu terapeuta: _Renata: medo todos temos, só não podemos deixar que isso nos impeça de viver.


É como disse Mark Twain: Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo.


Eu acredito que por medo deixamos de tentar ser felizes, de tentar fazer algo diferente, de ousar sermos melhores como pessoas, de fazer alguma diferença pra quem nos cerca e até pro contexto social no qual estamos inseridos. O medo leva à acomodação e esta nos leva a morte de nossos sonhos e desejos reais, de nossos ideais.


A sociedade nos diz: Façamos como todo mundo faz,não nos arrisquemos sendo diferentes porque ser diferente dá trabalho,cria confusão e adivinha o que mais? MEDO.


Dá medo,dá medo pagar pra ver,sair de uma situação razoável na vida pra outra que pode ser maravilhosa ou um fracasso total.Acomodemo-nos então.


Paguemos nossas contas em dia,compremos bugingangas modernas que não precisamos pra nada,troquemos de carro todo ano,sejamos bons vizinhos, respeitáveis cidadãos,pacatos cidadãos”...

Felizes não.

Seguros,acomodados e sem medo.Com o velho já estamos acostumados,fiquemos com ele então.


Desculpem-me a má palavra (como diria meu saudoso avozinho), mas acho que devemos buscar a mudança, a verdade, a coragem pra enfrentar o novo, mesmo que com ele venha a dor ou a decepção.


Enquanto ainda tentarmos, nos saberemos vivos e isso é o que vale.

Enfrentar os medos a cada dia e ver que muitos deles são apenas fruto da nossa imaginação, muito do que tememos de fato nunca vai acontecer e se acontecer; teremos ferramentas pra superar e aprender com a experiência.


Que a coragem de vencer nossos medos seja a nossa maior conquista...


*Renata Klotz tem 33 anos e tem vários medos, mas busca vencê-los todos os dias de sua vida.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Acabou o ano!


Mozart Valle Neto*

Nem metade passou

Mas já acabou

Acabou-se o que era doce

Ou amargo

Demorou para começar

Férias.

Carnaval

Março chegou

Demorou tanto começar

Que até a chuva atrasou

A enchente das goiabas

Foi em Abril.

Ih, esqueci

Semana Santa

Feriadão

Viva São Jorge

Quando começa a embalar

Vem escalação

O anão mudo fala

Era melhor ter ficado calado

Copa do mundo

Gol

Stress

Comemoração ou tristeza

Quando acabar vem eleição

Lula torce pelo escrete

Aliás, estou pensando

Dunga deve ser Serra

Dilma torce

Serra torce contra

Marina fala para ninguém

Ciro se omite

Seleção comandada

Zangado

Ih, anão errado

Enquanto isso...

Outro anão

Em Brasília

Oh, país!

Oh, Brasil

*Mozart Valle Neto (Mozart.valle@hotmail.com), 38 anos, trabalha com educação e marketing e nas horas vagas também é poeta pós-moderno. Te cuida Valério!!!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Perdido em Barra Mansa



























por Carlos Vinicius Rosenburg
*


É inevitável. De tempos em tempos, de tanto ver a foto da estação ao acessar o blog, fico com vontade de falar de nossa cidade. Como ando por todos os seus cantos - os amigos sabem, sou oficial de justiça (ou, como quer o TJRJ, analista judiciário - especialidade execução de mandados) -, bem, por andar por nossas ruas procurando pessoas (e também as ruas), notei o seguinte: Barra Mansa não tem placas identific ando as ruas. Tirando o Centro e os bairros mais antigos, é quase impossível guiar-se pelas ruas barramansenses.


Não tem erro: você chega em um bairro, entra em alguma rua e... cadê o nome? Não tem. Aí, você tem que achar alguém na rua para te dizer o nome do lugar em que reside. Fácil, não? Bom, algumas vezes as pessoas não sabem o nome da própria rua, pedem para esperar e vão pegar a conta de luz (ou água) para darem a informação.


Mas os problemas não param por aí. Barra Mansa é cheia de loteamentos, bairros novos, e os políticos são pródigos em homenagens para nomes de ruas. Explico. Um loteamento geralmente começa com ruas nomeadas por letras ou números. A famosa rua A (geralmente, a maior), ou B, C, Um, Dois, enfim, várias letras ou números. Aí vem o vereador e homenageia fulano, o nome da rua muda. Algum tempo depois, quando nem os próprios moradores se acostumaram com o novo nome, surge outra homenagem, e temos um novo nome. Isso é verdade, podem acreditar, e vou dar um exemplo. No bairro São Carlos (que é parte do Nove de Abril - muito dizem que ali também é Nove de Abril - divisa com Volta Redonda) havia a tradicional rua E (que vai p ara o bairro Paraíso). Pois bem, mudaram o nome para rua Shirley de Freitas. Menos de um ano depois, a rua ganhou(?) o nome de Milton Fidêncio de Paula. É a manifestação musical popular do afrodescendente portador de necessidades especiais (modo politicamente correto ligado - no politicamente incorreto, é o samba do crioulo doido). O mesmo ocorre no bairro Santa Clara, onde a Rua 10 é chamada atualmente de Av. B. Vocês não imaginam o problema criado por tais condutas. Não fosse o pessoal do Centro de Distribuição dos Correios (Nestor, Laércio, Jerry e a equipe de carteiros)...


Porém, isso seria minorado se tivéssemos placas identificando as artérias municipais. De preferência, com outras informações (os antigos nomes entre parênteses). Aliás, informações em placas são raras em nossa cidade. Basta imaginar alguém de fora chegando em Barra Mansa pela primeira vez. Sai da Dutra, quer chegar ao fórum, por exemplo - se não parar para pedir informação, o viajante não vai conseguir enco ntrar o lugar, pois só há indicação do edifício quando você chega nas proximidades do mesmo (e isso vale para tudo - prefeitura, câmara, caminho para bairros etc.).


Temos aqui, mais uma vez, a responsabilidade da Administração Municipal. Será que é muito dispendioso para o Município fazer tal identificação? Isso também é qualidade de vida, um bairro sinalizado, facilidade de locomoção e de localização, pois em muitos casos as correspondências não chegam, intimações não são feitas, encomendas não são entregues. Uma solução possível seria uma parceria com comerciantes, que teriam o nome de seus estabelecimentos nas placas (isso já foi feito em vários lugares). Do mesmo modo, placas nos cruzamentos, com indicações de bairros e localidades. Basta, como já afirmado aqui várias vezes, vontade de fazer o que tem que ser feito. Mas nossos homens públicos parecem não pensar assim. Placas indicativas e com nomes de ruas não fazem parar a Av. Joaquim Leite e não trazem o governador e seu helicóptero. São coisas muito simples. Eles preferem falar em passagens subterrâneas.



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Com a lamentável saída do amigo Sérgio Soares (esperamos que seja provisória), está aberta a temporada de caça ao texto no Estação. Quem estiver interessado, envie seu texto para o e-mail do blog (estacaobm@gmail.com). O texto deve ter, no máximo, duas folhas do Word (fonte 12) e o tema é livre (exceto agressões pessoais e prop aganda partidária).

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E o ouro negro continua fazendo das suas. Além de poluir o mundo, fazer guerras, matar gente e nos deixar (a humanidade) à beira do abismo, agora inunda o Golfo do México. Aliás, alguém acredita nos números do governo Obama e da British Petroleum?


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Até a próxima segunda.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é pai de uma filha linda e, apesar de conhecer todas as ruas de Barra Mansa, está perdido e procura o caminho.

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EM TEMPO: só fiquei sabendo da notícia ontem à noite (17/5), quando já havia postado. Um dos maiores vocalistas da história do rock, o cara que inventou o símbolo do metal (a mão fazendo os chifres), que depois virou símbolo do rock (hoje a mão é empunhada em qualquer show dos Fresnos da vida), faleceu na manhã desta segunda. Ronnie James Dio, ou simplesmente Dio, morreu aos 67 anos. Não dá para escapar do clichê: foi-se o homem, ficou a música. Mas, infelizmente, não é mais possível esperar o próximo show.



R.I.P Ronnie James Dio 1942 - 2010



sábado, 15 de maio de 2010

o balípodo e a caixinha de surpresas


Por Valério Cortez

Um quase grito entra pela fresta da porta junto com o primeiro vento frio do inverno,

– menino, para de chutar essa bola e vai colocar um agasalho, se não você vai acabar pegando um resfriado-

enquanto que, de um canto da sala, aquecido entre pêlos e pulgas, zeca sorri silencioso.

De tudo fica um pouco, das lembranças às cicatrizes nos joelhos. de tudo fica um pouco.

Sempre fui um cara obediente. obedeci meus pais, meus professores, meus chefes, minhas mulheres e principalmente, o meu técnico de futebol.

“Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência.” no futebol e na vida, dizia ele.

Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência. Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência. Um mantra para se repetir ad nauseam.

E assim, passei quase toda minha vida, me deslocando, fugindo da marcação e pedindo a bola, mas a verdade é que poucas vezes ela chegou a mim.

Hoje eu sei que na maioria das vezes, ela foi parar em pés mais habilidosos que os meus.

Não que eu não fosse habilidoso. pois era. E que como todos os outros, também não soubesse jogar para a torcida. pois sabia.

Muitas das vezes fiz firulas, dei voleios e pedaladas, mas confesso que os aplausos foram poucos.

E assim, fui um capitão sem braçadeira, e um artilheiro de muito poucos gols, minhas bolas quase sempre passaram rentes, muito rentes.

E a vida seguiu assim, eu na defesa e o mundo no ataque e sem nada que merecesse ser manchete na 2° feira.

Mas treino é treino, jogo é jogo,e a vida é a vida
ainda que mezzo alegria, mezzo tristeza.

E a inda hoje, às vezes me pego fazendo deslocamentos, ensaiando piques atrás de uma bola que eu sei que não vai chegar.
Mais como o balipódo é uma caixinha de surpresa, quem sabe?

O engraçado nisso tudo, é que passamos a vida inteira esperando os grandes jogos, os clássicos de casa cheia, sem perceber que o grande embate, que o grande jogo “contra” de nossas carreiras, é aquele que disputamos diariamente e sozinhos, em um campinho de terra batida, que só nós sabemos onde fica.

O futebol não é uma questão de vida ou de morte.
é muito mais importante que isso...
Bill Shankly


Um bom domingo a todos.
Não se esqueçam de assistir aos gols da rodada, e bola pro mato que o jogo é de campeonato.




Poesia de Minas


Há alguns meses, por intermédio do amigo Sergio Soares, fui gentilmente presenteado com o livro de poesias A Dama da Foice (2005), de autoria de Rodrigo Iennaco, obra declaradamente inspirada nos versos do poeta paraibano Augusto dos Anjos.
Em agradecimento ao autor, estou postando hoje um dos poemas de sua obra neste espaço, para divulgação junto ao nosso seleto grupo frequentadores.


O raciocínio que mata o homem


O sentimento é invenção do pensamento


O cérebro
que é ser pensante
vive em conflito
com o corpo errante
convence o homem
que existe espírito
e o transforma
no mais triste escravo

E como o homem
não domina mais a mente
segue vagando tristemente
com dor-de-cabeça
de tanto pensar

E quanto o homem
no seu pensamento
descobre os planos do cerebelo
pula da ponte
ao acordar

Mas o Dom Cérebro
que é irmão da morte
pode o sonho desvendar
então ordena na noite escura
a vingança que o matará
- Coração, pode parar!

Rodrigo Iennaco


Abração e até a próxima.

*César Augusto Zadorosny tem 36 anos, com formação em Direito e Administração.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

De saída

* Por Sérgio Soares

Seguindo uma linha de coerência que busco adotar em minhas atividades, pessoais e profissionais, despeço-me hoje da qualidade de colunista fixo e co-administrador do Estação BM.

Estamos em ano eleitoral, época especial onde as paixões estão sempre afloradas, sendo natural e relevante que questões envolvendo política e políticos se tornem cada vez mais freqüentes (e quentes) neste espaço virtual.

Registro, para que fique bem claro, que não sou contra este tipo de situação, apenas não me sinto confortável para dela participar, por exercer funções eleitorais que exigem absoluta isenção e fiscalização permanente. Assim agindo, preservo não apenas a minha pessoa, mas o Ministério Público, instituição da qual faço parte e que tanto prezo.

Agradeço, em especial, aos amigos do blog pela abertura deste espaço onde busquei escrever sem maiores pretensões, apenas por prazer, me aproximando novamente de minha cidade natal, expondo minhas opiniões a respeito de variados temas, como cinema, música, literatura, futebol, valores morais, justiça social, desenvolvimento sustentável e probidade administrativa.

Deixo um grande abraço a todos.

* Sérgio Soares, 36 anos, casado, barramansense radicado em Minas Gerais.