quarta-feira, 30 de junho de 2010

Eu, você e a Bete



Por Figurótico*


Em tempos de Black Eyed Peas, Lady Gaga e outras coqueluches que assolam a nova geração semana a semana, trazendo ídolos criados do dia para a noite; de jovens ditos sertanejos aparecendo a dar com pau em propagandas de CDs, DVDs ao vivo – que sequer eu tenha ouvido seus nomes uma vez na vida –, com suas produções que passam do tolerável fazendo-os parecerem artistas com carreira consolidada há tempos, tive uma reflexão (como sempre faço) semana passada enquanto tocava uma música na noite. Vi que o tempo é decisivo para a permanência de certa canção no inconsciente coletivo. E que não é preciso apelar para a exposição esgotante de certo artista ou canção.

Mesmo com tanta coisa baixa sendo jogada à força em todo mundo que está disposto a isso, principalmente aqueles que têm facilidade em lidar com o ambiente noturno, de bares e afins, há uma canção que resistiu a tudo quamto é momento, onda passageira, nova sensação, revelação e tantos outros termos pobres, chamada Bete Balanço. A música que foi composta pelo Barão Vermelho por encomenda de Lael Rodrigues para filme homônimo em 1984, com Déborah Block no papel principal, rasga décadas de suspiros e sacolejos noturnos quando esta é executada. Não há quem fique imune à sua introdução, exclusivamente.

“Pá pá pá!” – prenuncia a caixa de bateria de Guto Goffi para o arrasador riff de guitarra de Roberto Frejat. Pronto, a genialidade desta música está em dois momentos de pura simplicidade: três toques na caixa de bateria (coisa até banal) e uma guitarra deslizando entre dois acordes, provocando o sentido mais desejado de todo guitarrista (e que poucos conseguiram) que é fazer com que a guitarra tenha um sentido sexual, daqueles que paralisam o olhar de qualquer mulher. Pode-se afirmar que até hoje essa criação é imbatível, no sentido criativo se olharmos para o rock brasileiro.

Elementar que já passei anos sem tocar Bete Balanço, pois já tocara muito na adolescência, e a noite com sua capacidade eterna de vulgarizar muita música, já o fez com Bete Balanço também. A diferença é que esta soube driblar todas as malícias da “expert” noite, pois a própria levada de Bete Balanço é carregada de malícia, desejo, brinde ao ponto onde quer chegar, e ela chega, ao fim de tudo.

Como também certo é que o Déjà Vu é constante quando se toca essa canção, comigo pelo menos, é uma enxurrada na cabeça. Logo no início me lembro das mil vezes que assisti a um show do Barão. Das fases áureas, das caídas, das que ressurgiram das cinzas, das repletas de loucura e das de sobriedade. No matador “Pode seguir a tua estrela”, me recordo das versões na voz do Cazuza e do Frejat, separados pelo fim do Barão, e vivo sem sucesso tentando estabelecer qual é que gosto mais. “O teu futuro é duvidoso” e vem o “bend” (elevação da corda da guitarra até a nota seguinte, a um tom acima) mais famoso do rock Brasil, produzido até pelos que nada sabem tocar, na memória as inúmeras vezes que Frejat fez isso e, na mesma medida, as inúmeras vezes eu não o fez.

“Me avise quando for a hora”. Findado o primeiro refrão, parte-se para o primeiro solo, leve. Durante, memórias de shows ao vivo com o Peninha tendo uma brecha para sua percussão, podendo nesse instante “soltar a mão”. “Não ligue pra essas caras tristes/ Fingindo que a gente não existe” e mais um riffizinho clássico até a deixa para a respiração “salaaaas (escritórios, merda! – clássico do Cazuza no Rock in Rio), para o não menos clássico “eu quero ouvir todo mundo cantando comigo”, para emendar num solfejo bluseiro de Frejat, “agora eu deixo com vocês...”, e as palmas para o alto, deixando a banda sem precisar atacar até que a platéia faça sua parte e cante alto que “o teu futuro é duvidoso” para aí sim, um ataque conjunto regido pelo (de novo) riff de Frejat.


A partir de então já está tudo ganho, e o êxtase virá pela derradeira frase “me avise quando for emboraaa!!!” de Cazuza, não sem antes interromper o início do solo com “uhlll” e Roberto Frejat seguir adiante, desafiando sua criação, tentando torná-la diferente do disco, deixando somente as frases pontuais que não devem nunca mesmo ser mudadas. Nem com tanto tempo de palco se consegue que tal fato passe despercebido. Destaco o que ele fez num Hollywood Rock, ainda cabeludo, com muito gás a dar, um dos melhores de Bete ao vivo.

Por uma única vez vi o Barão tocar Bete Balanço sem ser igual ao disco. Impossível mensurar quantas foram as vezes que essa música entrou no bis por força da plateia, sem que a banda tivesse saco para tocá-la. Neste pensamento, tentaram uma versão mais calma, sem a tradicional guitarra deslizante, e isso eu vi em Volta Redonda, no extinto e passageiro Aldeia da Lua, na turnê do Álbum (de covers). Não durou muito, e eles voltaram à versão original, clássica. Estão condenados a tocar essa música para o resto da vida, mesmo que já nem saibam quem é essa tal de Bete Balanço.

*Figurótico é músico, jornalista e morreu de rir ontem no show do Lobão, vendo as pessoas saindo no meio por ele tocar muita música nova. Lobão é criativo, tem carreira, não vive de passado.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Doação de Sangue



por Mozart Valle Neto *

Vou partilhar com nossos 43 leitores e amigos uma situação que protagonizei. Acho que vale o registro, principalmente pela importância do ato.

Como todos vocês devem lembrar-se a pouco mais de um mês meu pai foi operado na Santa Casa de Barra Mansa. Inclusive, ele já esta completamente recuperado e já voltou a suas atividades normais.

Mas no dia da cirurgia eu e Carla, minha irmã, fomos doar sangue no Hemo Núcleo. Tudo normal, ninguém passou mal, ganhamos um cafezinho e um bom papo com o pessoal do local. Serviu até para a gente se distrair da ansiedade pelo resultado da cirurgia.

O terror começou mais ou menos uma semana depois. Chego em casa. Encontro uma cartinha do laboratório. Penso:- Deve ser um agradecimento por ter doado sangue. Que nada! A carta pedia que fisesse contato com o posto de doação de sangue o mais rápido possível. O horário de atendimento já tinha acabado. Só no dia seguinte. Liguei para minha irmã para saber se ela tinha recebido alguma correspondência. Nada! Era apenas eu. Que noite! Milhões de pensamentos ruins.

No dia seguinte amanheci na porta. O médico me atendeu. Primeiro ele falou, acho que pela minha cara de desespero, que não era AIDS. Sentei meio aliviado e preocupado. Não era a terrível doença mas era alguma outra. Ele falou que eu estava com Hepatite B. Fez muitas perguntas e chegou a uma indicação que parecia que eu não tinha nada, mas que deveria repetir o exame. Concordei na hora!

Nova coleta de sangue. O pessoal me tranqüilizou que isso acontecia muito. Que pelo meu aspecto seria um falso positivo. Perguntei: Quando vai sair o resultado? Responderam: trinta dias. Quase cai para trás. Tanto tempo, e se estivesse doente mesmo?

Saí de lá direto para o médico. Contei a história e ele passou os pedidos de novos exames, mais rápidos. Nova coleta de sangue em outro laboratório. E outro prazo. Sete dias.

Uma semana horrível. Milhões de pesquisas na internet. O assunto não saia da minha cabeça. Várias pessoas com quem conversei nesses dias, sem saber de nada, falavam de parentes e amigos que tinha contraído vários tipos de Hepatite. Descobri inclusive que existe um monte de tipos dessa doença. Um terror!

Passou a semana e chegou o resultado. Tudo normal! Ufa!

Essa semana chegou o resultado do primeiro exame, também normal!

Mas gostaria de fazer um alerta! Pelo que levantei várias outras pessoas já passaram pela mesma situação que eu estive. Meu sangue doado foi descartado. Será que ele não poderia ter salvado a vida de alguém? Sempre vemos campanhas para doação de sangue. Pelo jeito seria melhor investir em testes melhores do que em publicidade.

Mas é isso! Bola para frente e até semana que vem!!

* Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com), 38 anos, trabalha com educação e marketing. Por causa desse furdunço todo descobriu que seu fígado agüenta muita cerveja ainda!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

HUBERTO ROHDEN - um Brasileiro







por Carlos Vinicius Rosenburg*



"O silêncio é a agonia do ego".
(Huberto Rohden)




Em tempos de celebridades instantâneas, BBB’s, culto ao corpo, tecnodependência, é difícil pensarmos em coisas interiores, no silêncio, ou até mesmo parar para pensar. Tudo é urgente, para ontem, não há tempo a perder. É preciso correr mais para chegarmos mais cedo ao objetivo. Mas qual é o objetivo, onde está a linha de chegada? Talvez ninguém saiba para onde está indo, todos estejam em uma louca roda-viva.

E tempos como esses acabam obscurecendo figuras fundamentais, como o homem que dá título a esta coluna: Huberto Rohden.


Conheci a obra de Rohden por acaso. Fazia uma viagem para São Paulo há alguns anos, com minha esposa, quando vimos alguns livros em uma parada para tomar café. Ela pegou um livro que falava sobre o Sermão da Montanha (talvez, a mais importante pregação de Cristo). Não dei muita bola, até desdenhei um pouco daquilo. Mas ao chegarmos ao nosso destino, resolvi folhear a obra. Não larguei até a última folha.


Nunca havia visto uma abordagem como aquela sobre a figura de Jesus Cristo. Não era uma abordagem de idolatria, cegueira, mas uma abordagem da inteligência do Nazareno, da mensagem transformadora contida naquelas palavras. Não havia ali nada exaltando autoridades eclesiásticas, ameaças, atitudes repressoras, mas apenas uma mensagem que visa à transformação do homem a partir do seu interior. Pregava, exatamente, que a mensagem do Cristo fosse lida como nos primórdios, sem os vícios teológicos adquiridos na Idade Média. A transformação do homem por si mesmo, o autoconhecimento. A única transformação possível.

Rohden nasceu em Santa Catarina em 1893. Graduado em ciências, filosofia e teologia (Universidades de Innsbruck (Áustria), Valkenburg (Holanda) e Nápoles (Itália)), começou sua busca espiritual como padre jesuíta, mas abandonou a batina para vôos espirituais mais profundos, onde acabou passando longos períodos no Oriente Médio e na Índia. Tudo isso resultou na formulação da filosofia univérsica, por meio da qual defendia a harmonia cósmica e a cosmocracia: autogoverno pelas leis éticas universais, conexão do ser humano com a consciência coletiva do universo e florescimento da essência divina do indivíduo, reconhecendo que deve assumir as conseqüências dos atos e buscar a reforma íntima, sem atribuir à autoridade eclesiástica o poder de eliminar os débitos morais do fiel. Seus estudos buscaram aproximar os fundamentos religiosos do Ocidente e do Oriente, em clara atitude ecumênica. Foi tradutor do Novo Testamento, do Bhagavad Gita e do Tao Te Ching.

Lecionou muitos anos no exterior, tendo contato acadêmico, em uma das universidades americanas em que dava aula, com Albert Einstein. Desse encontro escreveu um livro sobre a espiritualidade do ateu Einstein, que descreveu como homem espiritual, anos-luz à frente de pessoas extremamente religiosas (mas não espirituais).


Quanto à obra escrita, a produção de Rohden impressiona: são mais de 100 obras, condensadas em 65 livros, a maioria lançada pela Editora Martin Claret, a preços populares (de R$ 10,00 a R$ 15,00, em média), e que são encontradas em qualquer livraria. São obras como o já citado Sermão da Montanha (em que disseca todos os versículos da mais inspirada passagem do Cristo), sobre o apóstolo Paulo (homem que renunciou a tudo para viver uma vida crística), Einstein, Ghandi, Bhagavad Gita, filosofia, educação (para construção de um novo homem, mais centrado, solidário, menos individualista, menos angustiado) e muitas outras obras, sempre com a preocupação de transformação, da busca pela iluminação.

Ao falecer, em São Paulo, em 1981, deixou erguida a Casa Alvorada, lugar de retiro espiritual e divulgador da obra literária de Rohden. Infelizmente, apesar de tudo isso, é praticamente desconhecido em nosso país. Que seja, então, (re)descoberto.





Memória Rohden - http://memoriarohden.spaces.live.com/




Até a próxima segunda.




*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos e considera o livro "O Sermão da Montanha" a coisa mais impactante que já leu.

domingo, 27 de junho de 2010

O gênio da Lâmpada

Não adianta,estava escrito.Essa semana eu teria que sair do banco de novo.Depois de uma quase colisão desastrosa com o blogueiro Cesar ontem,ficou pra hoje o meu texto.Substituir o Valério não é tarefa fácil,mas vou tentar.


O gênio da Lâmpada
*por Renata Klotz


Precisamos de que para ser felizes?

Você precisa de que hoje? Quais são as suas necessidades verdadeiras?Lembre-se,as suas necessidades não são as minhas, nem as do Joãozinho das Couves.

Se encontrasse o gênio da lâmpada o que você pediria nesse exato momento?
Não minta,finja que não tem ninguém te lendo.Te vendo.

Você queria mais dinheiro.Pra que? Me diga a verdade.Você acha que mais dinheiro te traria o que te falta mesmo?

Você queria mais conforto? Sua casa não é a que você sonhou,é bem verdade.Você ainda não tem aquela televisão quarenta e tantas polegadas que viu na...TV!Inegável,você realmente tem necessidade dessa tv...

Você queria mais sexo?Tá bom,sexo é ótimo mesmo.Orgasmos nunca passarão da conta.Mas se você está tão a fim porque não faz?...questão séria essa.

Você queria outra mulher ou outro homem? Ou aquele em que está de olho a tempos.Esse sim ,é o seu número,eu sei.Tá bem,isso pode ser válido.Tudo que não temos parece mais valioso,ou então temos alguém possível e não o que sonhamos.Pode ser que tenha feito a escolha errada,é verdade.Ou em algum momento,deixou de ser a certa.Essa eu deixo passar.Fica na pilha do “talvez eu precise”.

Você queria outro trabalho,outra profissão?Isso você pode ter,não com facilidade ,mas pode.Corre atrás,você consegue.Dá pra recomeçar hoje.

Você queria não ter perdido o cabelo.Era muito apegado a ele,eu sei como é.Isso é mesmo uma pena,ninguém pode negar.Mas é melhor pensar bem,seriam só três desejos,você não vai querer desperdiçar.E afinal você tem se virado bem do jeito que está.

Você queria o seu corpinho dos dezoito...Mas lembra,você nem gostava muito dele e nem sabia usar.Pula essa.Em último caso você pode dar uns retoques na mesa de algum cirurgião.Pode ficar melhor que o original de fábrica,vai saber...

Você queria ter aquele gás,aquele frescor da juventude que tudo pode pois nada teme,nada sabe.Essa é dose,entra certamente na lista dos “disso eu preciso mesmo”.

Você queria ter mais tempo?O que faria com ele? Olhando pra trás você diria que usou bem o tempo quando dispunha dele sem restrições? Eu digo que eu não,não sei você.

Você acorda,começa suas obrigações diárias,come,para cinco minutos pra fumar um cigarro,faz uma ligação,volta ao trabalho,conversa com um estranho na padaria,toma um cafezinho,volta ao trabalho de novo,mais um dia duro,você pensa, enquanto está fazendo o caminho de volta pro seu segundo trabalho.Pai,mãe ou filho,seja qual for o seu papel,tem o seu ponto a bater quando chega no seu lar doce lar.As vezes mais doce,as vezes nem tanto.Normal.

Você consegue pensar no meio de tanta atividade no que precisa mesmo? Eu quase não consigo,mas tenho uma vaga ideia em alguns momentos.

Mas concluo que o gênio não poderia nos ajudar nem por um segundo.Miserável e frágil condição humana.Estamos mesmo por nossa conta...

Pelo menos de uma coisa você pode estar certo:Estamos todos na mesma canoa furada...
Cada um por si e Deus por aqueles que acreditarem nele.
“Andar com fé eu vou,que a fé não costuma faiar...” Essa vale pra mim.


E pra você, vale o que?
Quais seriam os seus pedidos? Não vale o Hexa,nem a megasena hein....!





*Renata Klotz é a Rê, e bem que gostaria de ter uns pedidos atendidos pelo gênio, só de onda.

sábado, 26 de junho de 2010

MATA-MATA






*por César Augusto Zadorosny

Sinceramente, ainda estou me recuperando das fortes emoções do dérbi (?!?) luso-brasileiro de ontem. A impressão que dava era de que o mata-mata já tinha começado; de um lado Michel Bastos e Felipe Melo matando a torcida de raiva e, do outro, uma retranca lusitana de morte, com o craque Cristiano Ronaldo sozinho na frente. Bem, sozinho não. Melhor dizendo ficaram isolados na frente ele e seu ego inseparável.

A maior esperança de gols de ambos os lados, na minha opinião, era sair uma jogada de efeito (ou defeito) dos pés do capitão Lúcio. Como ele foi um dos poucos que jogou bem, a partida permaneceu no zero a zero. Não dá nem para culpar a pobre da Jabulani que, se pudesse falar, teria pedido para ser substituída por um paralelepípedo.

Na minha lenta recuperação, acabei por assistir nesta tarde ao jogo da seleção de Gana contra a seleção dos “Hipócritas Imperialistas”. Comigo, também assistiram à partida Bill e Mick. O primeiro estava lá fazendo um lobby para que a Copa de 2018 vá para os Estados Unidos; já o segundo, bem ... o segundo devia estar fazendo um lobby junto ao primeiro para tentar limpar a barra da British Petroleum junto ao governo americano. É a única explicação plausível para Sir Jagger estar em Rustemburgo assistindo a uma pelada entre ganeses e estadunidenses, em vez de estar se preparando para a batalha de amanhã entre ingleses e alemães em Bloemfontein, às 11h (horário de Barra Mansa). Isso sim é imperdível. É possível que os estoques de cerveja dos africanos sofram uma baixa sensível amanhã. Vamos esperar e ver!

Mudando de pelada, para mim o gol mais bonito da Copa ainda está para acontecer. Mas, enquanto ele não vem, eu fico com o terceiro gol dos samurais azuis sobre a seleção da Dinamarca. No lance, o camisa dezoito Keisuke Honda protagonizou um dos dribles mais bonitos da Copa, com um corte de letra que deixou o zagueiro dinamarquês roxo de vergonha. Em seguida, mesmo com o gol a sua frente, Honda demonstra espírito coletivo raro de se ver hoje em dia, servindo o companheiro Okazaki que só teve o trabalho de colocar Jabulani para o fundo da rede. Golaço (!), claro, pelo conjunto da obra.

Vergonha mesmo fizeram França e Itália. A primeira já havia entrado na Copa pela porta dos fundos com uma campanha bisonha nas eliminatórias, com direito a gol de mão na última partida que tirou a vaga da seleção irlandesa que, possivelmente, teria uma performance menos ridícula na competição. Já a Azurra foi ejetada da competição com uma derrota humilhante para a Eslováquia, país que pode ser considerado a Barra do Piraí da Europa Central. Patético, ainda mais considerando que se trata de uma seleção tetracampeã mundial.



Enquete para finalizar rapidinho.
Para você qual foi o gol mais bisonho da Copa até agora? Eu fico com o gol do Cristiano Ronaldo contra a Coréia do Norte. Tem um momento na jogada que ele fica olhando para cima procurando a bola que, por sorte, sobre na frente dele. Coisa feia, eu hein!?

P.S.: Soltaram fogos aqui no bairro (?!!!) logo depois da vitória de Gana sobre a seleção “Hipócrita Imperialista”. A pergunta que não cala: Será que temos representantes ganeses no Barrão?

Abração e até a próxima.

*César Augusto Zadorosny tem 36 anos, com formação em Direito e Administração e está pensando em pedir uma vaga na seleção italiana. Perna-de-pau por perna-de-pau, pelo menos eu sei fazer um talharim bacana.

sexta-feira, 25 de junho de 2010


Jabulaninha? É o fim!

* por Flavia Alvaro Porto

Defendida por uns, criticada por outros, a recém-nascida bola da copa, Jabulani, já tem uma longa história de vida. Por vezes até divertida.
A bola recebeu esse nome pois significa "celebrar", “trazendo alegria para todos” no idioma IsiZulu do povo Zulu, uma das onze línguas oficiais da República da África do Sul e possui um design com inspiração também sul-africana. Foram utilizadas onze cores diferentes, representando os onze jogadores de cada time, as onze línguas oficiais da África do Sul e as onze tribos sul-africanas. Pesa cerca de 440 gramas, sendo considerada uma das mais leves do gênero e ainda conta com 0% de absorção de água.
Impecável, ooopppsss, impermeável!
Mas, nem tudo são flores!
A Jabulani foi descrita como “horrível, horrorosa, muito ruim”, como “bola que você compra no supermercado”, “parece uma bola de praia”, “sobrenatural”. Outros porém a defenderam com unhas e dentes e um bom patrocínio, dizendo que sempre “tem pessoas que nunca estão satisfeitos com nada” e que a bola é “suave, veloz, confortável e leve”. Cada um pensa o que quer sobre essa bola!
Enfim, sei que o assunto Jabulani já está ultrapassado, mas sobrenatural mesmo e que me chamou a atenção para o fato é o caso de uma família que foi ao cartório querendo batizar sua também filha recém-nascida de Jabulani, dizendo que ela já é chamada por todos de “Jabulaninha”, pois é toda gordinha, “como uma bola”!
Brasileirinha ou Jabulanense???
Confesso que já chequei a pensar que nós deveríamos crescer primeiro pra depois escolhermos nosso próprio nome, pois, como esses pais, há aqueles que batizam seus filhos com os classicos Wandergledsson, Francisleneide, e por aí vai! Nem conto a quantidade de nome esquisito que já vi nos meus onze anos lecionando!
Mãe, muitíssimo obrigada pelo seu bom senso ao me batizar!
E para completar, no jogo final da Copa do Mundo a bola oficial será a Jo'Bulani, que terá outra coloração, branca e dourada. O nome é um trocadilho de Joannesburgo, a cidade que será realizada a final do Mundial, com Jabulani.
Ah, se a moda pega: Jabulani, Jo'Bulani, Jaburanga, Joburante, Jaburete, Jabulante, ihhhh, são muitas as combinações, ainda mais quando o cérebro Tupiniquim entra em ação!
Invente o seu!
A tecnologia a favor da evolução das bolas oficiais:


Uruguai, 1930. Brasil, 1950



México, 1970. Itália, 1990.


Coréia do Sul e Japão,2002. Alemanha, 2006.


Agora é só esperar pra saber qual nação irá celebrar junto com a Jabulani.

*Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)
Não entendo nadinha de futebol mas torço pro Fluminense e desejo de coração que o Brasil ganhe a copa mesmo achando que isso não irá acontecer.

"Todos nós somos escritores. Só que alguns escrevem, outros não."
José Saramago
p.s. "Não tenho pretensões acadêmicas, por isso brinco de escrever." (Flavinha)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

E O MUNDO FICOU MAIS BURRO E MAIS CEGO


Por Jorge Couto

Eu tinha intenção de nesta semana postar um texto sobre o escritor brasileiro Graciliano Ramos, mas a morte de José Saramago adia o plano, que ainda pretendo realizar em outra oportunidade. Claro que o adiamento de um texto meu em nada altera a memória de Graciliano, assim como algumas palavras sobre Saramago nada acrescentarão à memória deste.Não tenho a pretensão de fazer qualquer tipo de análise ou interpretação dos escritos do português. Seria ridícula uma pretensão como esta - não tenho cacife para tanto; é muita areia para meu caminhãozinho-.Cabeças muito melhores já o fizeram no passado e tornarão a fazê-lo no futuro. Quero apenas falar de alguém que aprendi a admirar e cuja morte me entristeceu.

Começo por algo curioso.Nas ocasiões em que procurei livros de Saramago em livrarias, via de regra, os encontrei nas estantes reservadas para literatura brasileira e não na de autores estrangeiros como seria de se esperar. Não sei se isto acontece em todas as livrarias do Brasil, mas constatei tal fato em livrarias de nossa região, do Rio de Janeiro, São Paulo, etc. Com a licença de nossos irmãos lusitanos, mas, como acontece com Fernando Pessoa, acabamos por considerar Saramago um pouco brasileiro também. Creio que Saramago ficaria feliz com isto.

Não li tudo que José Saramago escreveu, mas li o suficiente para constatar quão talentoso foi ele. Sem dúvida merecedor do Nobel de Literatura. Sua obra de ficção é extensa e rica.Merece ser lida e relida, como o próprio Saramago aconselhava que se fizesse, não só os seus livros está claro, mas todas as grandes obras da literatura mundial.

Uma pequena parte de sua obra, mas extremamente significante, foi a publicada nos Cadernos de Lanzarote. Estes não são ficcionais, mas sim uma espécie de diário onde Saramago comenta os pequenos e grandes acontecimentos de sua vida e do mundo. Dizem muito do homem José Saramago, seu modo de ser, suas opiniões e interpretações sobre o dia-a-dia de nosso mundo. A leitura Dos Cadernos mostra um traço fundamental, uma marca registrada de Saramago: a sua profunda indignação com o mundo em que vivemos. Saramago dizia ser perfeitamente possível explicar as razões pelas quais o mundo é como é, mas impossível justificar esta situação. Este é o ponto. O mundo é obra da humanidade. Foi construído desta maneira por nossa escolha. Portanto, a escolha poderia ter sido outra. É, pois, possível mudar o mundo.

Mas Saramago fez também de seu trabalho de escritor uma ferramenta para a mudança do mundo. Seus textos convidam, estimulam, exigem mesmo que o leitor reflita. Em suas obras depara-se sempre com o ser mutilado. Em seu discurso por ocasião do recebimento do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Saramago fala que o homem na verdade tem três metros de altura, mas encontra-se mutilado na sua grandeza, impossibilitado de viver e desenvolver plenamente suas potencialidades nesse mundo injusto, hostil, impessoal, agressivo e indiferente que criamos.

Ele escreveu, falou, discutiu, se comprometeu. Colecionou inimigos poderosos: Vaticano, parte da grande mídia mundial, políticos influentes, sistema capitalista internacional, entre outros. Nem mesmo a esquerda, de quem sempre foi militante ativo, escapou de suas severas críticas ao se manter muda, sem apresentar alternativas para a crise mundial que nos últimos anos varreu o planeta.

Saramago faleceu idoso aos 87 anos de idade, mesmo assim sente-se como uma morte prematura, pois de pessoas como ele espera-se sempre que fiquem um pouco mais por aqui.

Fernando Meireles, diretor do filme “Ensaio Sobre a Cegueira” baseado no livro homônimo do escritor lusitano, ao comentar a morte de José Saramago disse: -“ A lucidez naquele grau é um privilégio de poucos, não consigo escapar do clichê mas definitivamente o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje.”

A frase de Fernando Meireles é verdadeira, traduz bem a tristeza e um certo sentimento de orfandade que fica com a partida de Saramago, mas prefiro pensar e dizer como o jornalista Flávio Aguiar:

Ave, Saramago. Que não descanses em paz, mas que continues, na tua e na nossa memória, a luta pela boa literatura, a liberdade e um mundo com menos injustiças que este nosso”.

PS:

1) Intuo que se tivessem se conhecido, Saramago e Graciliano Ramos teriam sido bons amigos.

2) Vale a pena dar uma conferida: http://www.youtube.com/watch?v=EyOcrtCwekM

terça-feira, 22 de junho de 2010

Comerciais antigos do Fusca



Pérola da internet!

Na semana passada, tive que ir para Brasília e não consegui escrever nada a tempo. Está semana a correria aumentou. Para diversão de todos achei estes comerciais antigos do fusca. Muito legais. O último é ótimo. abraços e até semana que vem, com um texto, se Deus quiser e ele quer, como diria nosso amado mestre Adelino.

Mozart Valle Neto, o cara mais sem tempo dos últimos tempos!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Fleuma européia, Jabulani, vuvuzelas e Band Mania: o pior e o melhor(?) da Copa








por Carlos Vinicius Rosenburg*




É muito difícil. Morte do Nobel Saramago, um ano da morte de Michael Jackson, óleo vazando no México (até quando?), chamas nos morros do Rio, mas não tem jeito, o único assunto que prende as pessoas é a Copa. São vários temas, cada um daria um post, muita coisa para falar, então vai aí uma pequena resenha do torneio daquele que é, dos assuntos desimportantes, o mais importante: o futebol. Comentem, se puderem.


JABULANI: começando com a bola. Para quem já bateu uma bola, colocou meião, chuteira, enfim, para quem foi peladeiro, não é difícil perceber que essa bola é horrorosa. Péssima mesmo. Feita para ter o mínimo de resistência ao ar, parece uma perereca - aquelas bolinhas de borracha que pulavam sem controle. Podem reparar, se o jogador deixa a bola quicar, pode esquecer, ela vai sair para a lateral ou a linha de fundo. Resumindo, é muita tecnologia para um resultado horroroso.


FUTEBOL: bem, a Copa é de futebol, né? Mas o nível das peladas está me deixando com saudades de assistir Voltaço X Madureira. Itália X Nova Zelândia (aliás, qualquer jogo da Itália) foi um dos piores jogos de todos os tempos. E não custa lembrar que há amadores no time da Nova Zelândia (há um bancário jogando...).



FLEUMA EUROPÉIA: olha, uma das coisas que mais me incomodam é ver times africanos sendo treinados por europeus. Não que os africanos sejam ases do futebol, longe disso - muitos me lembram alguns zagueiros que já vi jogar por aqui, péssimos. Mas o que me irrita é ver a alegria e descontração dos africanos contrastando com a cara fechada, um certo ar blasé, uma espécie de fleuma européia, uma pretensa superioridade, um ar de quem está fazendo favor de estar ali.


VUVUZELAS: precisa falar? Me lembra muito aquela moda européia da década de 80, de usarem buzinas de sprays ensurdecedoras. Pelo menos as vuvuzelas são ecológicas... Brincadeiras à parte, tomara que isso não vire moda por aqui.


DUNGA: vai chegar lá, com todo o seu mau humor.


MARADONA: o personagem da Copa.


BRASIL: o time mais equilibrado. A melhor defesa.


ARGENTINA: o melhor ataque.


BAND MANIA: olha, todos os dias, às 21h, passa um programa comandado pelo Milton Neves e que tem, como integrantes, os ex-jogadores Vampeta, Denílson e Émerson - só falta o Neto. O programa é tão ruim, mas tão ruim, mas tão ruim!, que é imperdível. Periga virar cult. Na Band, é claro - que outro lugar colocaria o Neto como comentarista principal, lá na África?


SELEÇÕES EUROPÉIAS: olha a fleuma aí de novo. A cara do treinador da França, ao tomar uma sova do México, disse tudo. Parecia que estava num café parisiense, que aquilo não era com ele.


SELEÇÕES SUL-AMERICANAS: o destaque da Copa. Seria legal ver semifinais recheadas de brazucas e hermanos. E esticando para a América do Norte, temos o México e os EUA (os EUA, no futebol, são uma espécie de time pequeno).


C.Q.C. NA COPA: na comemoração de 100 edições do programa do Marcelo Tas (Band, às segundas), mandaram um dos repórteres para a Buenos Aires, para assistir em um bar o jogo Argentina X Nigéria. Detalhe: o cara se fantasiou de argentino e levou um controle remoto universal (que serve para qualquer televisão). A cada ataque perigoso da seleção argentina, ele desligava a televisão do bar. A reação dos hermanos é impagável. Muito engraçado. Clique aqui para ver - www.youtube.com/watch?v=ErPdUN8Le2s - não consigo lembrar de ter rido tanto ao ver um programa humorístico. Imperdível.


R.I.P. SARAMAGO: tem alguma coisa a ver com a Copa? Não, mas não há como não citá-lo. E parece que Portugal resolveu homenageá-lo, ao derrotar a Coréia do Norte por 7 X 0. Como ele mesmo disse (sobre a vida e a morte), "uma hora estamos aqui e, de repente, não estamos mais". Descanse em paz.


Até a próxima segunda.


*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos e assiste o Band Mania todos os dias, apesar de achar o programa pavoroso.

domingo, 20 de junho de 2010

Das Cavernas à Internet


Por Valério Cortez

Relaxe, o bicho pode não ser tão feio quanto parece, aliás, pode até não ser bicho.

Quando um ancestral nosso, na tentativa de registrar o seu perigoso cotidiano na pré historia, pintou na parede de sua caverna a imagem do enorme bizonte que tentara trucidá-lo algumas horas antes, estava sem saber, dando o primeiro passo para que o homem desenvolvesse sua linguagem escrita.

As pinturas rupestres são consideradas, como a mais remota manifestação artística do homem e também como marco inicial do desenvolvimento de nossa linguagem escrita.

Séculos depois, um grupo de arqueólogos, identificou como sendo um mamute, o animal pintado por aquele nosso ancestral.

Alguns anos depois, outro grupo de arqueólogos, identificou como sendo um tigre dentes- de- sabre, o animal pintado por aquele nosso mesmo ancestral.

Muitos anos depois, outro grupo de arqueólogos, afirmou que, sem dúvida alguma, a pintura daquele nosso pobre ancestral, não representava animal algum, e sim, a posição das estrelas na constelação de Órion.

Portanto, como podemos ver, até mesmo antes de existir, a linguagem escrita já nos trazia problemas de interpretação.

Escrever é muito diferente de falar.

Quando o papo rola solto na mesa de um bar, como estão presentes, quem fala e quem escuta, qualquer dúvida percebida em um discurso pode ser facilmente esclarecida, e cada raciocínio, melhor explicado.
Além do que, os gestos, as expressões faciais e até mesmo o tom da nossa voz, contribuem para dar um melhor entendimento a aquilo que falamos.

Porém, quando tentamos transferir este mesmo papo da mesa de bar, para a linguagem escrita, um texto, por exemplo, a equação não se repete, quem escreve e quem lê, estão agora fisicamente separados, e já não é mais possível fazer esclarecimentos, explicar raciocínios e muito menos contar com “caras e bocas” para ajudar no entendimento do texto.

Após a escrita o texto nos foge.

A esta altura do campeonato, nós, escribas eventuais, já podemos e devemos considerar que, para se escrever um bom texto, é necessário além de uma idéia na cabeça e um teclado nas mãos, uma pequena dose de talento e uma grande dose de sorte, para que no fim, todos entendam exatamente aquilo que pretendíamos dizer.

Deu pra entender?

Assim sendo, é perfeitamente possível que o Maranhão, ou melhor, o Paulo Maranhão, aquele da semana passada, possa não ser exatamente o brucutu a que suas duras palavras nos induziram a acreditar.

Portanto, Sr.Paulo Maranhão, se estiver nos lendo hoje, entenda este texto como um possível pedido de desculpas.


Um bom domingo a todos. Não entendeu?
Domingo porra, depois do sábado, antes da segunda, entendeu agora?


Obs.:Como ilustração do post de hoje, um fragrante do nosso querido amigo Mozart, o sumido, dando os últimos retoques em seu texto da próxima semana.

Papo sério: O mundo fica um pouco pior com o falecimento de José Saramago.

sexta-feira, 18 de junho de 2010



A origem dos palavrões

*por Flavia Alvaro Porto

Semana passada meu sistema límbico estava em total funcionamento devido aos fantasmas que andaram assombrando o Estação BM. Porém, depois da ação do mais novo Ghost Buster do pedaço, eles desapareceram e continuarão assim durante um bom tempo, até que se tornem civilizados.
Após escrever o texto “Palavras, palavrinhas e palavrões” resolvi pesquisar a origem de todas aquelas palavrinhas deliciosas que liberamos tão naturalmente quando não estamos em total sintonia com o Universo.
Os palavrões são muito antigos e eles já eram usados pelos Portugueses desde a época em que eles invadiram o Brasil, portanto, fique bem calminho, resguarde o seu sistema límbico, que a culpa não é só nossa!
Palavrão também é cultura!

Puta que o pariu
Há algumas décadas, a expressão vá para a puta que o pariu era usada em seu sentido literal: dizia-se que era para a pessoa voltar para o corpo da mãe, que seria uma prostituta. Hoje ela tem um sentido “menos agressivo” que, na maioria das vezes, não passa de um não enche o saco! Ou quando você leva um tropeção e solta o PQP. Esse processo de suavização das palavras é comum durante o amadurecimento de um idioma.

Caralho
É o nome dos mais altos mastros das caravelas. Os portugueses chamavam esses mastros de “caralho”. Por serem mastros grandes, alguns portugas começaram a fazer comparações do tipo “o meu é tão grande quanto um caralho”, e desse jeito, a palavra acabou por perder seu sentido original. Hoje em dia, acabou se tornando um palavrão usada como sinônimo de pênis, como interjeição de espanto ou intensificação de alguma expressão! Variações como caraca e caramba também servem, mas não produzem o mesmo efeito.

Vai tomar no cu
O tabu da homossexualidade gerou essa expressão, que significa, literalmente, mandar alguém se submeter ao sexo anal. A sílaba cu vem do termo latino culus, usado para se referir ao ânus ou ao traseiro. Ou seja, tomar algo no seu traseiro!

Vá se fuder
É algo que se refere à singela expressão: vá se ferrar. É impossível determinar quando a frase completa desse xingamento super popular começou a ser usada, mas o verbo futere, em latim, quer dizer isso mesmo que você está pensando: fuder ou ter relações sexuais! Em português e em vários outros idioma esta palavra está associada a inúmeras ofensas. Em inglês, dezenas de expressões levam o termo fuck, como fuck off, que pode, entre outros significados mais pesados, ser entendida como: coçar o saco ou fazer merda.

Essas explicações não tem autoria. Estão espalhadas pela internet, assim como os palavrões na vida da gente.


* Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)
Aviso aos navegantes:
sexta que vem volta o texto com o jeito “mulherzinha” de ser.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

SHOSTAKOVITCH


Por Jorge Couto

Inicialmente gostaria de esclarecer que nada entendo de música. Apenas gosto muito de música, que considero a maior das manifestações artísticas do ser humano. Não sei ao certo quem disse, mas assino embaixo: “existem dois tipos de música: a boa e a ruim”.

Dito isto, quero falar de um compositor que, para azar meu, só recentemente passei a admirar, Dimitri Shostakovitch.

Shostakovitch um dos maiores artistas do século vinte, nasceu em 1906 em São Petersburgo e faleceu em 1975 em Moscou, mundialmente reconhecido. Sua vida foi um eterno caminhar no fio da navalha. De um lado a necessidade de ser fiel a si mesmo e a sua arte; de outro, a necessidade de, literalmente, sobreviver no opressivo regime stalinista.

Nos primeiros anos de sua vida artística teve ampla liberdade para experimentar e ousar em suas composições. A recém nascida URSS, fruto da revolução bolchevista de 1917, estimulava a criação e respirava-se um ar de liberdade onde a discussão e a quebra de regras era a norma. Aos 19 anos Shostakovich já era famoso com seus concertos para piano que refletiam a atmosfera de otimismo artístico reinante no país naquela época. Porém, com a degeneração da revolução e a ascensão de Stalin – “o coveiro da revolução” - e da burocracia partidária, o ambiente se tornou cada vez mais opressivo. De admirado compositor, um dos símbolos da jovem república soviética, Shostakovich passou a ter sua obra vigiada e frequentemente censurada. Em 1932 sua ópera Lady Macbeth do distrito de Metsensk foi proibida, acusada de “decadentismo burguês”. Ironicamente, a partir desta ópera, Shostakovich passou a fazer parte da elite artística da URSS; um pequeno grupo de artistas que Stalin, como o Big Brother de George Orwell, não perdia de vista. Após a censura de sua Quarta Sinfonia (1935), Shostakovich foi reabilitado com a sua Quinta Sinfonia (1937), sua obra mais conhecida e executada, que tinha um subtítulo que cheirava a rendição: “Resposta de um artista a uma crítica justa”. Shostakovich a compôs como um triunfo. Mas triunfo de quem? Triunfo do compositor sobre a tirania ou o inverso? Sem dúvida foi o triunfo do artista.Esta sinfonia é a “Heróica” de Shostakovich, que transferiu para a música a atmosfera de opressão reinante naquela época. Ele manteve sua integridade pessoal e artística.

Com o início da Segunda Guerra Mundial a censura foi abrandada. Shostakovich compôs peças de estímulo à resistência frente às tropas de Hitler, como é o caso da Sétima Sinfonia “Leningrado”, homenagem a sua amada cidade natal, que durante quase três anos resistiu e venceu o cerco genocida das tropas nazistas.

Em 1948, na Conferência dos Compositores da URSS, Shostakovich e outros compositores, foi acusado de ser “formalista” e foi proibida a execução de qualquer de suas músicas. Naturalmente que tal ordem teve origem em uma decisão do Comitê Central do PC da URSS. Imaginem, burocratas imbecis e carreiristas, chefiados por um tirano cada dia mais paranóico, censurarem a obra de um gênio! Mas já em 1949 Shostakovich foi novamente reabilitado e a censura sobre suas obras tida como... “erro burocrático”.

Em 1953 morre Stalin e Shostakovich compõem sua Décima Sinfonia, um retrato musical do tirano, considerada por muitos o seu ápice como sinfonista.

Com o degelo pós-morte de Stalin a acusação de “formalista” foi definitivamente retirada e, em 1961, Shostakovich filia-se ao PC da URSS. Sobre sua filiação ao partido ele teria dito a sua esposa Irina: - “Se você me ama, não me pergunte nada”.

Sua trajetória pessoal e política ainda hoje é motivo de controvérsia. Particularmente creio que Shostakovich teve um comportamento que permitiu sua sobrevivência física num mundo de terror. O escritor Mikhail Zoshtchenko o descreveu assim: “Você tem a impressão de que ele é frágil, retraído, uma criança infinitamente pura e direta. Mas se fosse só isso, nunca teríamos a grande arte (que com ele, certamente temos). Ele é duro, ácido, extremamente inteligente, forte talvez, despótico e nem sempre bem humorado. Essa é a combinação a partir da qual ele deve ser visto. Dessa forma pode-se, num certo grau, compreender a sua arte. Nele, há grandes contradições. Nele, uma qualidade obscurece a outra. É conflito no mais alto grau. Quase uma catástrofe”.

Como disse inicialmente, nada entendo de música do ponto de vista técnico. No entanto, a música de Shostakovich me emociona. Ela pode ser lírica, grotesca, triunfal, excessiva, comedida, sombria, triste, angustiada, alegre, soturna, mas é sobretudo uma grande música, obra de um mestre, eterna. Na sua música Shostakovich disse aquilo que não podia ser falado, escrito ou encenado.

PS: aos interessados uma boa amostra da música de Shostakovich pode ser vista e ouvida no quarto movimento de sua Quinta Sinfonia, executada pela Sinfônica de Nova York, sob a regência de Leonard Bernstein em:

http://www.youtube.com/watch?v=ogJFXqYEYd8&feature=PlayList&p=89FE731714AA66A9&playnext_from=PL&playnext=1&index=46

quarta-feira, 16 de junho de 2010

"Entrecopas"

Por Figurótico*

Todo mundo tem defeito. E um dos meus é não escrever de ressaca.
A Copa começou e a festa idem...
No embalo, lanço um texto meu de 2006, quando se iniciava a Copa do Quadrado mágico do Parreira, há quatro anos, e eu, previa a que não iríamos longe naquela.

Boa noite

Voa, Ronaldinho
(2006, publicado no jornal Folha do Interior)

Começou a chamada Copa das Copas, a do Big Brother, a das câmeras exclusivas, a da globalização, a dos astros, marketeiros, enfim, um excesso. A maior de todos os tempos. Pura bobagem, toda próxima Copa será assim. Teremos mais tecnologia, mais conforto nos estádios, mais dinheiro. E teve gente propondo que se fizesse de dois em dois anos! O que é isso? Parece programa do Sílvio, “Tudo por dinheiro”. Tem de ser de quatro em quatro, senão perde a graça. Parecido com o que uns aproveitadores quiseram propor um carnaval carioca no meio do ano. Não dá.

E a toda Copa fica aquela musiquinha na cabeça, que nos empurram goela abaixo. Às vezes são legais como a dos “90 milhões em ação”, um clássico. Agora Parreira quer dar o tom à seleção também na trilha. Escolheu “Epitáfio” dos Titãs, adaptada para motivar jogadores. Mas... será? Jogador gosta de pagode, professor. O que digam Ronaldinho e Robinho que têm lugar garantido como cavaquinhista de qualquer grupo, tocam muito. Tanto que em 2002 eles cantaram “Deixa a vida me levar”, do Zeca, indicada por Felipão. É certo que a Globo quis que o hino fosse “A festa” da Ivete. Isso sim, é goela abaixo e só fortalece o bolso dos autores com o direito autoral. Toda vez que aparecia imagem da seleção em 2002, Fausto Silva atacava de Ivete. O programa deste rapaz é, aliás, bem a cara do cenário brasileiro. Vide que nos dois últimos programas – isto porque calhou de eu passar perto da TV, imagine se assistisse todos os domingos? Acho que me matava – foram Chiclete e, claro, Leonardo, comemorando sua aparição de número 50. Cinqüenta vezes este cara no domingão? Não é para qualquer um, não! Voltando ao direito autoral, Gilberto Gil quer entrar na dança também. (Re)Compôs o “Balé da Copa”. É, aquela de 98 que caiu por terra com a seleção. Onde se lia “Quando meu olhar beijar Paris”, colocou Berlim. Peraí, Ministro! É o mesmo que pegarmos a (boa) música de 82, cantada pelo Júnior Capacete: “Voa canarinho, voa!” e trocarmos por Ronaldinho. É legal, mas não deu, mesmo com aquele timaço. Alô!!!

*Figurótico é músico, jornalista e está assistindo à todos os jogos da Copa. E dando boas risadas...

terça-feira, 15 de junho de 2010

FOGUEIRA DAS VAIDADES

*Encontrei o Vinicius depois do jogo e ele que me pediu para substituir o Mozart hoje,pois este não teve como postar sua coluna.Saio do banco então, mais uma vez.Espero que gostem.Abraços a todos.
Renata







Fogueira das vaidades
*por Renata Klotz


Somos todos vaidosos de algo.Beleza,inteligência,aptidões,grana...Na verdade escolhemos muito do que a nossa vida é pela vaidade.Ou a admiração que causaremos por essa ou aquela escolha.Ou o status que isso acarretará ou que tal façanha agregará a nossa fama.Alguns escolhem ter fama de bom moço,outros já gostam do estilo bad boy.
Sabe o que mais o ser humano deseja?
Admiração,elogios,reconhecimento.Sem isso não fazemos quase nada.Verdade incontestável.

E atenção claro.Não ousem nos ignorar.Podem até nos odiar,preferimos.Mas jamais ignorar a nossa existência.Eu gosto muito do psicanalista Roberto Shinyashiki que diz:atenção negativa é melhor que nenhuma atenção.Pode ser.Eu não compartilho muito dessa idéia não.Mas há casos em que isso se comprova.

Porque queremos ser bons? Visto que Deus não é unanimidade,então deve ser pra ser reconhecido,pra que nos admirem e nos parabenizem,como quando éramos pequenos e mamãe nos dizia:-Muito bem,você é o garoto mais lindo do mundo,o filho que toda mãe quer ter! e lá íamos nós todo contentes fazer mais um cachorrinho de massinha que parecia mais ...digamos...uma massinha embolada.Mas nossa auto-estima estava assim fortalecida.Inabalada.Viva as mães.

O problema é que o mundo não é feito de elogios de mãe.O mundo é cão.E não um cão simpático como o Zeca,por exemplo.Acaba por parecer que a auto-estima alheia nos esbofeteia.E a nossa,acaba deixando a desejar toda vez que não somos plenamente aprovados,ou até mesmo apenas criticados.”Quem fulano pensa que é pra...”?

Criamos até gírias pra isso: fulana está sisi (se sentindo),ou siclano tá se querendo,ou se acha...Alguns sofrem de auto-estima elevada,outros de baixa.Dizem que a baixa cria mais problemas.Verdade.Nunca ninguém morreu porque se dava excessivo valor,ou quase nunca,.já de autocomiseração vem tremendos bodes.Recalques costumam criar inferno e por vezes até começar guerras.A melhor defesa é o ataque.

Confundimos segurança com arrogância. E criticamos quem tem confiança nos seus valores. Mas também não deixamos passar em branco quem não se dá o devido valor.
Somos críticos vorazes dos defeitos alheios.Mas...surpresa! Dos nossos não temos a mais vaga idéia e ai de quem nos aponte. Heresia perde. E a fogueira começa a criptar.


Vaidades, vaidades...Apenas isso.


O que torna insuportável a vaidade alheia é que ela fere a nossa...


O tempo pode dobrar seus joelhos.
Eric Clapton




*Renata Klotz nunca foi muito vaidosa. Mas tem plena consciência dos seus valores .E dos dos outros tem boa noção.O que por assim dizer, lhe deixa um pouco orgulhosa, pois sabe que isso não é pra muitos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

NENHUMA PÁTRIA ME PARIU – OU ARGENTINA, A SELEÇÃO MAIS ROCK’N’ROLL DO PLANETA





por Carlos Vinicius Rosenburg*


Como todos sabem, a Copa começou. Chegou o mês tão esperado, após semanas de ansiedade, álbum de figurinhas, decoração de ruas, overdose de reportagens e comerciais na TV, cadernos especiais nos jornais, enfim, há algum tempo não se fala em outra coisa. Como o Brasil ainda não fez sua estréia, a expectativa gira em torno do jogo da próxima terça. Todo mundo perguntando sobre o local em que o jogo será assistido, a festa depois da partida, essas coisas tão conhecidas de nós brasileiros.
Mas eu me fiz uma pergunta que, aposto, 99,9% dos brasileiros não fizeram: para quem eu vou torcer na Copa? O quê!!?? Como??!! É isso mesmo que vocês leram, eu estou sem o menor saco para torcer pela Seleção que aí está.


Antes de qualquer coisa, adianto que sempre gostei do Dunga como jogador. Voluntarioso, raçudo, bom passe (ao contrário do que muitos apregoam), líder nato, bom chute de fora da área. Ficou estigmatizado pela malfadada “Era Dunga” de Lazaroni. Deu a volta por cima em 1994. O resto é história. Mas quis o destino que Dunga fosse escolhido como treinador da seleção, sem nunca ter treinado qualquer time. Tudo bem, é uma escolha da CBF.


E aí, com a escolha, vieram os métodos de Dunga. E tais métodos, vamos ser justos, estão dando certo. Dunga conquistou a Copa das Confederações e classificou o Brasil para a Copa sem sustos. Sua
convocação mantém coerência com o que fez até agora. Mas eu não me empolguei.


Sei lá, deve ser a idade, não é culpa do Dunga não. Nem é da não convocação do Ganso ou do Neymar, ou mesmo do Adriano – eu não estou nem aí pra eles. Aliás, eu não nem aí para a Seleção há um bom tempo. A última vez que torci com vontade, salvo engano, foi em 1994. Ainda havia brasileiros na Seleção – hoje só há estrangeiros – jogadores que atuam no exterior. Na boa, Seleção para mim sempre foi aquela coisa de zoar o torcedor rival, dizer que o meu jogador foi melhor, o dele nem foi convocado. Que graça tem agora eu torcer para um cara do Milan ou do Real Madrid? Ou de algum obscuro clube da Grécia ou do Uzbequistão? Se o Michel Bastos sentar do meu lado no botequim e falarem que ele é pagodeiro eu vou acreditar. E digo o mesmo do Josué ou do Elano. E mais: é uma Seleção da CBF, entidade de direito privado, como o Ricardo Teixeira, que fatura os tubos com essa empresa, faz questão de dizer.

Mas não é só isso. Talvez a coisa que mais me incomode seja a atitude dos jogadores de hoje. Sou do tempo em que gols eram comemorados com socos no ar (Zico e Pelé), braços erguidos em desabafo (Falcão), punho cerrado (Reinaldo), corrida em direção à linha de fundo com o dedo indicador levantado (Romário) ou a desabalada corrida segurando a camisa dos jogadores argentinos (Kempes e Maradona). E o que vemos hoje? Recadinhos para a câmera, escritos patéticos nas camisas sob o uniforme, marmanjos chupando o dedo, como gosta de fazer Robinho. Caramba!, gol é para ser comemorado com a torcida, é o momento máximo de um esporte coletivo e das multidões, não é momento para manifestações individualistas. A isso some-se o patético espetáculo de Cafu, quando ao erguer a taça do penta, em 2002, não contente em sujar a camisa canarinho com uma horrorosa “homenagem” ao bairro de onde veio (ele era capitão da seleção brasileira!), ainda gritou que aquela conquista era para a mulher dele. Parei.


Se eles, que estão na linha de frente, consideram a Seleção como entidade de direito privado, se nos gols saem chupando dedo e mandando recado para a câmera, se na comemoração fazem daquilo uma festinha privada, não sou eu que vou achar que aquilo ali é meu país. O meu país está aqui e eu luto para que seja um lugar melhor para se viver. Mas no futebol não, eu não tenho essa obrigação.

E por que falei tudo isso? Bom, eu gastei todo esse tempo para dizer que, na Copa de 2010, eu vou torcer para a Argentina! Isso mesmo, para os hermanos. Estou saturado desse falso bom-mocismo, do falso moralismo, de tanta babaquice, caretice, dessa eterna falta do que falar (salve Lobo!) que impera na Seleção Brasileira. Torcerei para que a Argentina e Maradona ganhem a Copa, para que esse falso bom-mocismo saia de moda, para que esse ufanismo fabricado saia daqui e vá parar em Buenos Aires, porque as pessoas são brasileiras até que o juiz apite o final da Copa. Depois se esquecem e cortam a fila do compatriota no supermercado ou banco da esquina, ou matam uns aos outros por causa de uma fechada no trânsito. Quero que a Argentina ganhe porque eles têm um treinador que já é o grande personagem da Copa, que liberou sexo e vinho na concentração. Torcerei para uma das poucas seleções que têm torcida – sim, torcida de Seleção, coisa que não temos – aos hermanos juntam-se os ingleses e os sul-coreanos. Torcerei para a única seleção que me faz lembrar do Flamengo.


Apesar de toda essa torcida, creio que a Argentina não vencerá. Maradona não é treinador de verdade e eles têm uma defesa fraca. O mais provável é que dê Brasil, com essa história de grupo unido, todos jogando pela família Dunga, focados no objetivo, no comprometimento, essa coisa de livros do Lair Ribeiro e de motivação empresarial.

Eu estarei do outro lado, longe desse discurso de gerente de RH e da ladainha ufanista-galvanista-globista. Querendo ver a vitória de um time em que o treinador fuma charutos e o vinho é liberado entre os jogadores. Um treinador que mais parece um torcedor em campo, um treinador rock’n’roll, uma Seleção rock’n’roll.


Argentina va a salir campeon!


*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é brasileiro de nenhum lugar – é de lugar nenhum – mas na Copa é Argentina desde criancinha. Como ninguém é de ferro, vai comemorar todas as vitórias do Brasil.

domingo, 13 de junho de 2010

Bom dia amigos

Confesso que não pretendia postar nada hoje, to completamente sem tesão, e, conforme tão bem nos alertou o Cezinha, isso no dia dos namorados não é nada bom, mas fiquem tranqüilos, pois a falta da dita cuja hoje, tem outras explicações e circunstâncias.

Há mais ou menos 11 meses atrás, numa 4° feira, recebi uma ligação do Vinicius falando de seu novo projeto, criar um blog, o Vinicius esta sempre com alguma idéia nova na cabeça, o que é muito legal.

Ele me explicava que a idéia era reunir sete pessoas, que se comprometessem, cada uma, a postar um texto por semana no tal blog. Eu que nem sabia direito o que era blog, gostei. Legal, boa idéia, topei.

Alguns dias depois, após o Vinicius descolar um nome legal, uma foto esperta e de sofrer com as questões técnicas da montagem, já era possível digitando www.estaçãobm.blogspot.com, ver a cara da criança. E a criança era bonitinha.

Blog pronto, começou a brincadeira, sete pessoas diferentes, com sete opiniões, crenças, ideologia e filosofia de vida, muitas das vezes diferentes, escreviam seus textos e comentavam o dos outros participantes. Muito legal.

O Vinicius inventou, eu acho que para todos nós, uma forma de continuar a conversa tantas vezes interrompida pela falta de tempo, no papo furado das esquinas e bares, no comprimento apressado no sinal de transito. Maravilha.

Com o passar do tempo, alguns amigos se foram, outros chegaram, mas o papo continuava a rolar, claro que, como nas melhores famílias, muitas das vezes, a porrada comia solta, mas entre mortos e feridos, quase todos se salvaram.

Mas infelizmente, de uns tempos para cá, quando acesso o “Estação” o que encontro é uma quantidade imensa de “Maranhões” e de “gostava tanto de você”, a emitir comentários muito das vezes ofensivos, sobre temas dos quais, na maioria das vezes, eu não tenho o menor interesse.

Eu não sei quem é o Maranhão, mas sei quem é o Vinicius, um cara legal, um cidadão consciente das questões do seu tempo, do seu país e do mundo, amigo dedicado e cidadão honesto e de caráter. E o Maranhão? O Maranhão não é nem um nome. O Maranhão é só um sujeito grosso e repleto de certezas, que não se acanha em invadir a casa dos outros, feito um brucutu, em sua sanha de impor a todos sua forma de pensar e de ver o mundo.

Sempre detestei pessoas de muitas certezas.


O que sempre me interessou no Estação, foram os textos e as conversas leves e singelas, muitos das vezes confessionais, como o do Cezinha de ontem, como o da Flavinha de um dias desses e a de tantos em tantos outros dias. Singelos e amistosos.

No fundo no fundo, não sei se devido à idade ou a cerveja em excesso, ou ainda, aos danos causados em meu cerebro, pelas radiações que vazam pelos buracos da camada de ozônio , o fato é que, hoje, estou muito mais interessado no que pensam amigos como o Cezinha e a Flavinha, do que em todo o conteúdo de O Capital e da Bíblia juntos, de suas primeiras as ultimas páginas.

E, antes que os Maranhões da vida queiram me apedrejar, reafirmo que isto é apenas minha opinião, certa ou errada é só a minha opinião e não tento nem pretendo tentar, empurrá-la pela goela de ninguém.

Mas tudo bem, talvez seja assim mesmo que as coisas devam funcionar, pois conforme o diz o dito popular, “Criamos nossos filhos para o mundo e não para nós mesmos”.


Um bom domingo a todos e em especial ao Serginho, ao Mozart, ao Chico Bento, a Renata, ao Luiz Correia, ao Renatão, ao Alex Peres, ao Alex Frederick, ao Figurótico, ao Willon, a Andréia, ao Jorge Couto, a Flavinha, ao Cezinha e ao Vinicius, meus parceiros de blog, meus amigos e principalmente meus cúmplices neste grande barato que é viver.

Mês que vem a criança faz um ano de vida.

Valério Cortez


sábado, 12 de junho de 2010

O Valentine’s Day e a vuvuzela






*por César Augusto Zadorosny

Sábado, doze de junho, os hermanos em campo logo pela manhã e, mais tarde, jogam as seleções dos hipócritas imperialistas, o que te remete ao desejo quase incontrolável de fazer um churrasco e chamar os amigos. Só tem um problema: churrasco de Dia dos Namorados não faz muito bem ao relacionamento. Aliás, se você fizer um churrasco e chamar os amigos no Dia dos Namorados eu diria – utilizando uma expressão comum na minha área profissional – que seu relacionamento está “fadado ao insucesso”, e talvez o malogro ocorra antes mesmo do fim da Copa, pode esperar.

Conselho meu, guarde a maldita vuvuzela para outra dia, pois nem todas as penas do frangaço que o goleiro da Inglaterra – hipócrita e imperialista – tomou hoje valerão a dor de cabeça que esta malfadada decisão irá lhe dar pelo resto do torneio mundial e talvez até final do brasileiro. Vai por mim, Dia dos Namorados e aniversário elas não perdoam. É fato.

Boa pedida é sair para jantar. Você abandona a segurança e o aconchego do lar e se lança, através da friaca cortante deste início de junho, na busca de um restaurante lotado, com atendimento ruim, na esperança de que pelo menos a comida esteja fresca e quente. Não vou dizer o nome do estabelecimento, mas certa vez, nesta mesma data comemorativa, só que há alguns anos, cometi o desatino de levar a patroa para jantar, sendo premiado com uma das piores refeições da minha já não tão curta caminhada.

Chegamos cedo ao restaurante e mesmo assim só conseguimos uma mesa com uma localização péssima, próximo a um corredor de acesso à cozinha. Depois de um bom tempo de espera conseguimos fazer o pedido. Pedi um canelone de bacalhau e, após cerca hora e meia de mais espera, quando já pensava em começar a me humilhar para o garção (poupe a corrida ao dicionário porque eu já fiz isso), chega a porção da massa italiana, com o molho branco borbulhando por fora, só que ... congelada por dentro! Pelo menos ele acertou o prato. O sujeito da mesa ao lado tinha pedido um Filé à Parmegiana e recebeu um Cordon Bleu. Pior que isso, só se estivesse tocando um Pepino di Capri. Aí ia ficar sinistro, literalmente.

Nem tudo são mazelas e há locais que, mesmo na data de hoje, conseguem manter o bom padrão de atendimento verificado no restante do ano. Se alguém souber de algum, por favor, me avise.
Agora, uma boa alternativa é ficar em casa, seguro, quente e feliz, e homenagear a carametade com um belo jantar. Mas o que fazer? Para começar, podemos excluir do cardápio o churrasco e também qualquer coisa que lembre aquela comida “peso-pesado” de botequim que estamos acostumados a comer quando saímos com os amigos. Hoje vale caprichar um pouco e deixar a moelinha e o bife de fígado acebolado de lado. Pense bem, é só uma vez no ano! Já a Copa do Mundo dura quarenta dias e o campeonato brasileiro vai até dezembro. Vale o esforço, não vale?!

Para ajudar, segue aqui a dica de uma receita que vou (tentar) executar esta noite: Risoto de Presunto de Parma com Cogumelos e Tomate Seco.

Ingredientes:

300g de arroz arbóreo
1/2 cebola
2 colheres de (sopa) de azeite
200ml de caldo de galinha
200ml vinho branco seco
1 folha de louro
200g de presunto de Parma fatiado
150 g de cogumelos frescos
100g de manteiga sem sal
100g de queijo parmesão (ralado)
sal a gosto
8 tomates secos cortados em tiras
200ml de água

Modo de preparo:

Cubra uma panela com azeite e refogue a cebola no azeite durante um período de 2 a 3 minutos. Ponha o arroz arbóreo na mesma panela e refogue levemente durante o mesmo período. Acrescente o vinho branco e o louro e cozinhe devagar por 2 minutos. Coloque o caldo de galinha e deixe ferver devagar por 3 minutos. Deixe o arroz descansar com a panela tampada por 15 minutos e reserve. Em outra panela, refogue o presunto de parma no azeite com champignons, sem dourar. Ponha o arroz na panela com os champignons e o presunto de parma. Acrescente 100ml de água à panela e misture. Veja o ponto do arroz e acrescente água e misture até que não esteja mais duro. Misture ao risoto o queijo e a manteiga e misture bem. Acrescente o tomate seco e sirva.

A grande sacada do arroz arbóreo é não parar de mexer enquanto estiver refogando, para que ele solte bem o amido e fique cremoso. Mesmo que o arroz já esteja bem cremoso ao final, é imprescindível misturar a manteiga (mantecare). Se não fizer isso, você não está comendo risoto.
Por fim, é importante não esquecer do vinho para acompanhar, mas bebam com moderação para o risoto não virar uma lama gosmenta intragável.

Abração e até a próxima.

*César Augusto Zadorosny tem 36 anos, com formação em Direito e Administração e, se tudo der certo, está prestes a realizar uma obra-prima da culinária italiana. Se der errado, sempre há o disque-pizza.

sexta-feira, 11 de junho de 2010


“Palavras, palavrinhas e palavrões!”

*por Flavia Alvaro Porto

Nada mais gostoso do que soltar um grande “puta que o pariu” quando a gente dá uma topada com o dedinho do pé, o quinto pododáctilo...uauuu... na quina daquela mesinha de centro da sala e que estava na hora errada e o lugar errado, claro! A culpa é da mesinha de centro.
Nada mais gostoso do que soltar um grande “foda-se” para aquele chato que escreve no comentário do seu texto no blog do Estação BM assim: “__ Chama o síndico, esse blog tá muito “mulherzinha”! Toda sexta será assim mesmo.
Nada mais gostoso do que soltar uma pequena frase do tipo “ei, juiz, vai tomar no cú!”, quando o indivíduo citado em questão faz uma marcação errada num jogo e que prejudica o meu tricolor de coração.
O chamado palavrão é mais do que um sentimento de revolta, é mais do que uma “boca suja”, é muito mais do que uma palavra de baixo calão. Falar palavrão é uma ciência que, ultimamente, vem sendo estudada e que os pesquisadores estão descobrindo quem, como, onde, quando, porque ele vem.
Simplesmente não dá pra gente dizer que aquele referido juiz de futebol é um “grandíssimo filho de uma senhora que trabalha em uma casa de tolerância”. Quem consegue conter a ira vinda dos seus mais primitivos sentimentos após uma “rata do candango”? Nem eu!
Afinal de contas, por que dizemos esses e mais todos aqueles outro palavrões que conhecemos?
Tudo isso vem do nosso cérebro!
Questão de lógica? Não, do sistema límbico!
Caralho, nem eu imaginava!
Nosso pensamento sofisticado e coerente vem da massa cinzenta que, comparando com uma casa esse seria a sala de estar e o sistema límbico então seria uma área tipo o sótão, onde estão, também, sentimentos obscuros, até inexplorados e que, muitas vezes, nem sós sabemos que os temos. Na verdade o sistema límbico é responsável por avaliar psiquicamente a situação que estamos vivenciando, é dele que vem as nossas diversas reações emocionais, é lá que está o nosso lado animal! Por isso, às vezes somos viscerais, no sentido de primitivos e soltamos um grande, sonoro e delicioso palavrão! Porra, como faz bem pra alma!
Esse sentimento de realização ao soltar o palavrão também é de responsabilidade do sistema límbico, que é um sistema bem sincero, por sinal, por isso os palavrões são naturalmente falados. Podemos perceber que, muitas vezes, não encontramos outra palavra na Linguagem Portuguesa que expresse tão bem nosso sentimento do que um palavrão. E ele vem direto do sistema límbico para o mundo.
Porém, não podemos esquecer que falar palavrões demais pode não ser tão normal quanto parece. Danos no cérebro, mais exatamente em áreas que correspondem ao funcionamento da linguagem, podem causar esse distúrbio, que se chama coprolalia. Cacete de nome complicado!
Portanto, se a sua boca anda soltando palavrões em demasia, melhor tentar parar urgente. Caso não consiga, corra até o neurologista mais próximo de sua casa e descubra o que anda acontecendo com você.
Conclusão: mesmo sendo palavras corriqueiras, a educação deve estar em primeiro lugar. Devemos evitá-los ao máximo, pois o hábito faz com que passemos a pronunciar essas palavras em qualquer lugar, servindo de mau exemplo aos outros.
Comece aprendendo como você pode ser educado no seu trabalho:

No lugar de: NEM FODENDO!
Usar: Não tenho certeza se vai ser possível.
No lugar de: TÔ CAGANDO E ANDANDO.
Usar: Claro que isso não me preocupa.
No lugar de: MAS QUE PORRA EU TENHO A VER COM ESTA MERDA?
Usar: Eu não estava envolvido nesse projeto.
No lugar de: CARALHO! Usar: Interessante, hein?
No lugar de: FODA-SE. NÃO VAI DAR NEM A PAU.
Usar: Será difícil concretizar a tarefa.
No lugar de: PUTA MERDA, VIADO NENHUM ME FALA NADA!
Usar: Precisamos melhorar a comunicação interna.
No lugar de: E NA BUNDINHA, NÃO VAI NADA?
Usar: Talvez eu possa trabalhar até mais tarde.
No lugar de: O CARA É UM BOSTA.
Usar: Ele não está familiarizado com o problema.
No lugar de: VÁ A PUTA QUE O PARIU.
Usar: Desculpe. No lugar de: VÁ A PUTA QUE O PARIU, SEU VIADO.
Usar: Desculpe, senhor.
No lugar de: BANDO DE FILHOS DA PUTA!
Usar: Eles não ficaram satisfeitos com o resultado do trabalho.
No lugar de: FODA-SE! SE VIRA!
Usar: Acho que não posso ajudar.
No lugar de: PUTA TRABALHINHO DE CORNO.
Usar: Adoro desafios.
No lugar de: HA, DEU PRO CHEFE?
Usar: Finalmente reconheceram sua competência.
No lugar de: ENFIA ESTA MERDA NO CU!!! Usar:
Por favor, refaça o trabalho.
No lugar de: AH, SE EU PEGO O FILHO DA PUTA QUE FEZ ISSO.
Usar: Precisamos reforçar nosso programa de treinamento.
No lugar de: ESTA MERDA TÁ INDO PRO BURACO.
Usar: Os índices de produtividade da empresa estão apresentando uma queda sensível.
No lugar de: AGORA FODEU DE VEZ.
Usar: Esse projeto não vai gerar o retorno previsto.
No lugar de: EU SABIA QUE IA DAR MERDA.
Usar: Desculpe, eu poderia ter avisado.
No lugar de: O CACETE! VAI SAIR CAGADA DE NOVO.
Usar: Que pena. Teremos outra não conformidade.

* Flavia Alvaro Porto é a Flavinha (flport@ig.com.br)
Não sou nada fã de palavrões, mas de vez em quando meu sistema límbico funciona perfeitamente, afinal, ainda sou um bom e velho ser humano!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Adoro ter operário de esquerda no poder

Por Jorge Couto

Este texto, que não é meu e sim da jornalista e escritora Marilene Filinto, foi publicado na revista Caros Amigos alguns meses antes da última eleição presidencial. Embora decorridos tantos anos, ele continua atual. Como nos aproximamos de uma nova eleição resolvi postá-lo aqui. Os que ainda não o leram devem fazê-lo com atenção. Os que já tomaram conhecimento dele têm aqui uma boa chance de relembrar e pensar sobre o assunto.

Adoro ter operário de esquerda no poder


Adoro pelo simbólico que é, pela afronta que representou e representa, pelo que esfrega na cara da classe dominante, pelo desespero em que ela tem entrado diante da possibilidade de que o operário seja reeleito – desespero expresso de maneira reiterada, em letras de manchete, pela imprensa irresponsável, covarde e, ela sim, corrupta, mentirosa.

Adoro! Pelo simples fato de que a presença de um operário de esquerda no poder humilha as oligarquias e os oligopólios. Pela primeira vez, tudo o que é poder e prestígio – a presidência da República – escapou das mãos dos ricos da classe política dominante: a direita neoliberal e seu séqüito. Está nas mãos de um operário nascido nas brenhas de Caetés, distrito de Garanhuns, Pernambuco, que se bateu para os confins da metrópole de São Paulo ainda menino, na carroceria de um “pau-de-arara”. Está nas mãos de um trabalhador de nível médio, sem diploma universitário, e que teve seu primeiro registro assinalado na carteira de trabalho aos 14 anos de idade. E daí? E então? Isso não é importantíssimo?

A-do-ro. Porque não tem CPI, não tem manipulação de imprensa marrom nem tem ardil de bandoleiros da chamada “oposição” que consigam alterar esta realidade: um operário de esquerda no poder já é uma tremenda duma revolução num dos países de maior desigualdade social do mundo. Isso está acima de partidos, de personalidades políticas, de ideologias econômicas e políticas. Ainda que o operário não fosse reeleito, este momento de agora já seria de comemoração.

As CPIs são novelas de quinta categoria (que a maioria da população, felizmente, não acompanha), inverossímeis, cheias de personagens rasos e contraditórios, bandoleiros (os “oposicionistas”) travestidos de retidão ética e moral – quando todo mundo está cansado de saber que são eles os piores, os mais corruptos, os mais sacanas.

A maioria da população, felizmente, não acompanha as CPIs nem acredita na imprensa. O próprio Ibope, braço armado da Rede Globo para a pesquisa, divulgou recentemente pesquisa em que 58% dos brasileiros dizem não acreditar ou desconfiar da televisão e 56% dizem não acreditar ou desconfiar dos jornais impressos. Isso é uma maravilha! Só isso já é motivo de comemoração. Mas é evidente que a novela de quinta categoria continuará no ar por muito tempo ainda, tentando derrubar o presidente operário, exibida em horário nobre pelas redes de TV imorais e regurgitada no dia seguinte pelos jornalões reacionários e pelo lixo das revistonas semanais. A mídia, como diz um manifesto da Universidade Nômade, sabendo que seu candidato (leia-se, homem do PSDB) deve perder nas urnas (ao menos até hoje) a eleição para a presidência da República, quer voltar a ganhar do jeito de sempre: no conchavo das oligarquias.

“A mídia”, diz o manifesto, “pretendendo representar e sobretudo ser a ‘opinião’ pública, apenas defende seus próprios interesses, ou seja, os interesses do monopólio privado que ela representa. A mídia não é a opinião pública, mas o resultado das concessões da ditadura! Trata-se de uma operação reacionária e totalitária, que usa uma falsa identidade entre opinião pública e mídia. A mídia não foi eleita por ninguém, a não ser pelo dinheiro da publicidade que recebe por um discurso que agrada ao poder econômico. Ela já deixou, há muito tempo, de expressar a opinião pública, desde que as concessões públicas lhes foram entregues pelo Estado, em períodos históricos que estão longe de ser éticos e democráticos: a ditadura! A efetividade do poder da mídia (sua ‘audiência’ e suas tiragens) tem apenas bases totalitárias!”

Ademais, as CPIs não provaram nada de fato. Uma comentarista da Rádio Nederland, em texto divulgado pela Argenpress, agência de notícia da Argentina, no início de abril, explicava:

“Não existe nenhuma prova de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteja envolvido no esquema de supostos subornos. A esta contundente conclusão chegou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso brasileiro depois de mais de dez meses de investigação”.O que há, continua a comentarista Nora Di Pacce, é perseguição da imprensa brasileira contra o atual governo, imprensa que, juntamente com a oposição, tenta impedir a reeleição de Lula. Di Pacce cita um dos jornalões diários de São Paulo como o carro-chefe da perseguição. Segundo ela, este jornal “começou a utilizar um título particularmente chamativo para as notícias obre o tema: ‘Cerco’. Nas notas, divulga-se todo tipo de denúncias contra o governo, sem importar se se referem à Lula ou a um empregado que trabalhe na casa de algum funcionário do governo. A idéia de um Lula ‘cercado’, ‘encurralado’, é a que mais se tenta destacar nos grandes meios de comunicação, em particular na imprensa escrita. Não é novidade a posição da imprensa com relação ao governo, nem sua clara preferência pelos candidatos e governos da direita neoliberal, representada pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), que governou o Brasil durante os períodos anteriores à chegada de Lula ao poder.”

Adoro operário de esquerda no poder porque é um raro momento para experimentar um alívio na opressão social antes exercida aqui pelo grupo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso (o mesmo que quer voltar ao poder a qualquer custo), uma momentânea interrupção no abuso, na exploração e na injustiça sistemáticas que esse grupo político pratica contra as camadas pobres da população.

Adoro! Só para observar que quem acompanha CPI são exatamente os órfãos do PT, mergulhados num egocentrismo patético ou num ressentimento constrangedor. Tudo gente diplomada em universidade, tudo gente pretensiosa, que se acha o supra-sumo do saber – e que precisava passar um mês que fosse (muitos deles) nos bastidores de uma redação de jornal para descobrir com quantas linhas de mentira e manipulação se tenta construir um candidato favorável ao poder econômico e se quer destruir um presidente operário. Só para adquirir (muitos deles) um pouco da aprendizagem técnica para a decodificação de mensagens. Só para descobrir (muitos deles) a que grau a imprensa consegue manipulá-los e deformá-los, especialmente a eles, os diplomados.

Marilene Felinto é escritora e jornalista.
marilenefelinto@carosamigos.com.br