sábado, 31 de julho de 2010



31 de julho - Dia Mundial do Orgasmo
*por Flavia Alvaro Porto

Hoje é o Dia Mundial do Orgasmo e por isso quero compartilhar com vocês algumas curiosidades (comentadas, claro) sobre essa sensação divina que nosso corpo nos proporciona.

1. O orgasmo feminino pode ser mais longo que o masculino – ponto para as mulheres! (Ahhh, isso não é novidade.)

2. A palavra orgasmo vem do grego "orgasmós", que significa "ferver de ardor". (Aprendi mais uma!)

3. Pesquisadores escoceses e belgas defendem que é possível determinar se uma mulher tem orgasmos vaginais pela maneira como ela anda. Segundo eles, a anatomia determina a capacidade de uma mulher gozar se estimulada pela vagina e, portanto, especialistas podem fazer a análise desses orgasmos apenas ao observá-la caminhando. Os autores do estudo apontam também que os músculos da pélvis mais tensionados podem indicar dificuldades sexuais, enquanto um andar confiante mostra satisfação. (Ops...não reparem...rs)
4. Já outra pesquisa feita na King´s College de Londres diz que as mulheres com inteligência emocional têm mais orgasmos. Ou seja, aquelas que lidam melhor com os sentimentos próprios e dos outros sentem mais prazer. Ótimo motivo para ser mais compreensiva, certo? (Ponto pra mim...rsrs)

5. Usar salto alto é, além de sofisticado e sexy, benéfico para a vida sexual feminina. Um levantamento feito na Universidade de Verona mostrou que andar com um sapato moderadamente alto condiciona os músculos – inclusive os da região pélvica, que ajudam a sentir prazer. (Vamos abusar do salto, mulherada!)

6. Na hora do orgasmo, as paredes da vagina soltam uma pequena descarga elétrica. “Cinco mulheres, neste momento, poderiam produzir energia suficiente para acender uma lâmpada de 1 volt”, estimam o jornalista Marcelo Duarte e o ginecologista Jairo Bouer autores do livro “Guia dos Curiosos – Sexo” . (Somos mesmo iluminadas! rsrs.)

7. Aquela taça de vinho ou champagne pode não te ajudar tanto assim na hora do sexo, apesar de diminuir a inibição. Quando a mulher ingere álcool pode demorar muito mais para chegar ao orgasmo, já que ele atinge o sistema nervoso central. O brinde não parece mais tão romântico.
(Ainda bem que não bebo.)

8. Os cariocas têm mais orgasmos nas relações sexuais do que os mineiros. Segundo a pesquisa Mosaico Brasil, realizada em nove capitais brasileiras, 93,8% dos homens e 77,2% das mulheres do Rio de Janeiro disseram que têm orgasmos frequentemente. Já em Minas Gerais o número cai para 91% dos homens e 71% delas. O estudo foi comandado pela psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo. (Como Barra Mansa é pertinho do Rio acho que tá valendo. rsrs)



*Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)
Como bióloga, estou fazendo a minha parte! hehe.
Pessoal, como meu caro amigo Cesinha não havia postado seu texto ainda e descobri ,por acaso, que hoje é uma data muito feliz, resolvi tomar o espaço dele.
Cesinha, caso você poste seu texto hoje ainda, peço-lhe desculpas antecipadamente!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Fernando Antônio Nogueira Pessoa
*por Flavia Alvaro Porto

Um dos mais geniais poetas da Língua Portuguesa, de todos os tempos, foi Fernando Pessoa.
Nascido em Lisboa em 13 de junho de 1888, Fernando Pessoa morou durante 10 anos na África por conta do segundo casamento de sua mãe, onde teve educação inglesa. Das suas quatro publicações, três foram escritas nessa linguagem
Fernando Pessoa tinha o caráter multifacetário. Foi empresário, editor, crítico literário, ativista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista. Tudo isso ao mesmo tempo em que produzia a sua obra literária e que ficou quase que em sua maioria inédita, até que passou a ser divulgada pela Revista Presença, que foi uma das mais importantes revistas literárias da época, tendo sido publicada entre os anos de 1927 e 1940.
Considero Fernando Pessoa um dos poetas mais intensos que já conheci. Tão intenso que foi preciso que ele criasse heterônimos, cada qual com uma personalidade própria (daí a diferença entre pseudônimo e heterônimo), para dar conta de sua capacidade criativa. Entre os mais conhecidos estão Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caieiro. Sabe-se, porém, que há mais heterônimos por aí.
Fernando Pessoa faleceu em Lisboa, no ano de 1935 aos 47 anos, de cirrose hepática.
Curiosamente, sua última frase escrita foi “I know not what tomorrow will bring” - Não sei o que o amanhã trará.
Dos muitos poemas que gosto, deixo dois aqui para vocês:


Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Alberto Caeiro

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa.

Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)
Tenho em mim todos os sonhos do mundo (Fernando Pessoa)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O CANDIDATO

Por Jorge Couto

Nunca tive grandes simpatias pelo Sr. José Serra. Embora reconheça nele uma pessoa inteligente e culta, ele sempre me pareceu centralizador e autoritário. Quando há poucos meses atrás o ex-ministro Ciro Gomes o classificou como “figura tenebrosa”, achei exagero e que a expressão não passava de figura de retórica própria de época eleitoral. Mas agora dou meu braço a torcer, o candidato é mesmo alguém que me faz recordar tempos negros.

Candidato da oposição demotucana à Presidência da República, o Sr. Serra parece não ter nada de novo a propor e apresentar a sociedade brasileira. Como já era de se supor, limita-se a um discurso vago, reacionário e ao denuncismo no melhor estilo lacerdista (como, aliás, eu já havia dito no texto “Os Corvos”, postado por mim neste blog). Em dupla com o conhecidíssimo Sr. Índio da Costa, candidato a vice-presidente na sua chapa, oriundo das hostes do chamado Partido Democratas (só pode ser gozação!) do Estado do Rio de Janeiro, afilhado político do impagável César Maia, tem se aplicado com afinco a fazer declarações de causar urticárias de inveja nos cadáveres de Gustavo Corção, Roberto Campos ( o “Bob Fields”) e outros representantes, vivos e mortos, da direita troglodita e entreguista do Brasil. Serra e o deputado da Costa – melhor chamá-lo assim em respeito à comunidade indígena – fizeram nas últimas semanas declarações preciosas, que certamente soaram como música aos ouvidos de Washington.A intrépida dupla disse que o Mercosul é desnecessário e prejudicial ao país; que o acordo proposto pelo Brasil e Turquia para resolver o impasse entre o EUA e seus aliados com o Irã, foi perda de tempo e que como Presidente do Brasil ele não receberia nenhum líder iraniano (certamente daria preferência a figuras do calibre de Bush júnior, Berlusconi, Benjamin Netanyahu); que o PT tem laços com o narcotráfico e com as FARCs; que Evo Morales e seu país são coniventes e tem interesses na produção de cocaína; que a Venezuela representa um perigo para a paz na América do Sul, entre outras baboseiras. Claro que tais declarações, amplificadas ao máximo pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista), tem endereço certo; vale dizer, a classe endinheirada, seus serviçais da classe média e o grande capital internacional.

Por outro lado, o que resta ao Sr. Serra e a seu coleguinha que não a histeria anti-esquerdista e anti-popular? O que dizer ao eleitorado brasileiro? Ser o anti-Lula? Seria um suicídio. Ser o continuador de Lula? Não é possível, pois o lugar já está ocupado por Dilma, ele é candidato da oposição e, além do mais, perderia seus patrocinadores.

O fato é que Serra e seu parceiro enveredaram pelo caminho do reacionarismo mais deslavado. Com suas diatribes, Serra se tornou o candidato do conservadorismo à Presidência do Brasil, e também a ser o substituto do Sr. Uribe (Presidente da Colômbia) como a principal voz da direita no continente Sul-Americano. Envia sinais claros para os EUA que, eleito Presidente do Brasil, nosso país jogará fora toda a sua política externa construída nos últimos anos, pautada pela independência e soberania, e voltará a ter como norte da política exterior a subserviência mais abjeta.

No plano interno é de se supor que teremos de volta a política social e econômica dos tempos do príncipe dos sociólogos, o inesquecível FHC, que no espaço de oito anos quebrou o Brasil duas vezes.Teremos de volta a indiferença para com os problemas sociais e privatizações lesa pátria. Em poucas palavras: neoliberalismo sem quaisquer rédeas e alinhamento automático com as potencias imperialistas, para o deleite da elite, desespero da população mais carente e prazer ilusório e masoquista de parte da classe média.

Mas o que parece indicar o cenário sucessório é que a vitória da dupla demotucana se torna cada dia menos provável, e que os reacionários da direita tupiniquim terão que continuar a destilar o fel da sua impotência por mais alguns anos.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

ANIVERSÁRIO DO BLOG - 01 ANO



ANIVERSÁRIO DO BLOG - 01 ANO

*AMIGOS, COLABORADORES E ESCRITORES - VENHAM COMEMORAR CONOSCO*

DATA: 01/08/10 (DOMINGO), ÀS 12h.

LOCAL: Casa do Valério

OBS.: É IMPORTANTE CONFIRMAR PRESENÇA ATÉ AMANHÃ (29/7).

OBS.2: LEVAR O QUE FOR BEBER (NO CASO DA CERVEJA, UMA CAIXA DE LATINHAS, NO MÍNIMO).

OBS.3: A DESPESA COM A COMIDA SERÁ DIVIDIDA ENTRE OS PARTICIPANTES NO PRÓPRIO LOCAL - POR ISSO A IMPORTÂNCIA DA CONFIRMAÇÃO, PARA QUE OS INGREDIENTES SEJAM COMPRADOS DE MANEIRA CORRETA.

QUALQUER DÚVIDA, ENTRAR EM CONTATO COM:

César - 8807-6330
Valério - 8819-8638
Vinicius - 8817-6089
Mozart - 9201-1181

Administração do blog.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Fazenda do Alemão


por Mozart Valle Neto*

Há muito tempo escuto falar de um restaurante em Cinco Lagos – distrito de Mendes – que fica em uma propriedade rural e é gerido por uma família alemã. Há alguns domingos atrás resolvi conferir pessoalmente.

Partimos mais cedo, pois queríamos também assistir a uma roda de chorinho na praça de Mendes. Os músicos são excelentes. O grupo base é o Passagem de Nível e vários convidados participam. Muito animado, gostei de assistir! Lá tem garçons trazendo cerveja gelada e porções de torresmo. Quase nos atrasamos!
Partimos para o restaurante. A estrada não é ruim. Mas, sabe aquele caminho que você vai pensando será que vai valer à pena? Já vou adiantando, vale sim!

O cardápio é todo em alemão com a tradução em baixo. Estava-mos famintos e pedimos o maior prato da casa o hausmacher plate, vem com carré defumado, salsicha branca (bovina), salsicha tipo frankfurter (bovina e suína), bolo de carne, salaminho, lingüiça, batata sauté, chucrute (feito com vinagre de vinho). Isso tudo por apenas 35 pratas, detalhe tudo vem em duas unidades. Para acompanhar uma cerveja de trigo Alemã Schneider Weisse Original, essa aí meio puxadinha, R$12,50 cada, mas combina muito bem!
Descobrimos que apenas o marido é alemão e a esposa é sulafricana. A história deles é um barato, quem quiser de uma olhada no site deles: http://www.fazendadoalemao.com.br . Os pratos são preparados com ingredientes produzidos na própria fazenda. Inclusive são vendidos em uma lojinha lá mesmo.

Um passeio muito legal para um domingo comum. Isso tudo muito pertinho de casa.

Grande abraço e até semana que vem!
*Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com), tem 38 anos e anda vivendo um dia de cada vez!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Como nossos pais





por Carlos Vinicius Rosenburg*

Certa vez, em minha infância, eu estava com meus pais em um engarrafamento monstro, na Via Dutra, quando perguntei para meu pai o motivo de não passarmos para aquela faixa que estava vazia, sem ninguém. Meu pai, calmamente, disse que aquilo ali era o acostamento, e que era proibido trafegar pelo local – disse que aquele espaço era reservado para emergências (carros parados e/ou quebrados e tráfego de veículos de socorro). Eu, inocentemente, disse para meu pai que alguns carros estavam andando por ali, e não eram ambulâncias ou bombeiros. Meu pai então falou uma frase que me marcou:

- Não é porque os outros fazem errado que nós também faremos. Nós devemos sempre fazer o que é certo.

Aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. Isso serviu para minha formação, serve até hoje, e serve, principalmente, para a educação da minha família. Esse é o ponto.

Ter filhos. Educar. Mostrar o mundo a alguém, formar uma pessoa. Talvez não haja tarefa mais difícil na existência humana. Talvez não, certamente. A maior das responsabilidades, que hoje é constantemente delegada a terceiros por grande parte da população.

Educar, muito mais do que palavras, requer ações. Se meu pai, apesar de me ensinar o certo, tivesse aberto uma pequena exceção e passasse “rapidinho” pelo acostamento, nada teria valido à pena. Horas e horas de educação estariam perdidas em um único ato. Aí está a grande questão. Agir certo.

E tudo se torna muito mais difícil em um país como o nosso. País de formação torta, de moral relativizada, edificado por aventureiros, bandidos e degredados. País do jeitinho (eufemismo para ilegalidade), do levar vantagem em tudo, do “sabe com quem está falando?”, das influências, dos amigos, do patrimonialismo, da parada “rapidinha” em local proibido. Em um ambiente assim, educar alguém, se já é naturalmente uma tarefa difícil, torna-se uma empreitada hercúlea. Mostrar ao filho que ser honesto não é ser otário, que respeitar a fila não é ser bobo, mas ser correto. Que é preciso esperar o sinal abrir, o nome ser chamado, a vida preservada. Respeitar o outro, ouvir o próximo, aceitar o diferente, ser gentil. Tudo isso sem ter o sentimento de ficar para trás, de perda, de ser o bobo da corte, de ser constantemente enganado. Manter a sanidade em um país de loucos.

Educar, sentir medo, insegurança, não saber se está fazendo o certo. Saber dizer sim, saber dizer não. Mas sempre fazer, pois no final, tudo acaba se resumindo em um grande ato de amor. Pena que muitos pais não pratiquem essa difícil tarefa.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é pai de uma menina linda e sabe que, em sua tarefa de ser pai, erra muito. Mas está sempre tentando fazer (e ensinar) o que acha correto.

domingo, 25 de julho de 2010

Nossa ultima obsessão


Por Valério Cortez

O “Aurélio” define a palavra obsessão como, Idéia fixa, preocupação constante. Perfeito. Eu acho que é exatamente isso que esta acontecendo aqui em nosso blog. Estamos em meio a um surto de obsessão pela revista Caras. Eu explico, já há algum tempo, não conseguimos passar uma semana sequer, sem falar na revista. Em nossos textos e comentários ela tem sido presença constante. Só pode ser obsessão.

Para se tentar acabar de vez com um problema, o melhor remédio é falar sobre ele. Então vamos lá.

O caro objeto de nossa obsessão, a Caras, foi lançada no Brasil em 1993 pela Editora Abril, e seguiu exatamente o modelo adotado em sua versão argentina, ou seja, uma revista voltada para os emergentes, para a “nova sociedade”, em fim, para os ricos e famosos.

Logo fez enorme sucesso entre seu publico alvo, empresários, socialites, profissionais liberais bem sucedidos, atrizes gostosas e globais no atacado. Ou seja, celebridades em geral. Ou seja, babacas e deslumbrados em geral.

A idéia deu certo, pois, após o lançamento da revista, nossos ricos e famosos passaram a acreditar que, de nada valeria ter dinheiro se não fosse possível exibi-lo, de preferência em suas paginas.

Hoje, algumas crises econômicas depois, e passados 17 anos de seu lançamento, com tiragem bastante reduzida, algumas edições da revista ainda podem ser encontradas em locais como Búzios, Campos do Jordão, Maresias, Costa do Sauipe, Porto de Galinhas, Miami e Ponta Del Leste.

Caso você não se encontre em nenhum destes locais, e sinta uma vontade irresistível de ler a Caras, poderá encontrá-la ainda, na ante-sala do consultório do seu médico, do seu dentista ou no salão de beleza mais próximo.



O império contra ataca.

Em Junho de 1999, através da editora Pererê, o cartunista Ziraldo, o pai do Menino Maluquinho, lança a Bundas, ou melhor, a revista Bundas.

Bundas foi lançada para ser a antítese da Caras e para isso contava com colaboradores do quilate de Jaguar, Millôr, Veríssimo e o próprio Ziraldo.

Com o slogan, “A revista que é a cara do Brasil”, bundas sofreu muito preconceito no meio publicitário, pois além do nome estranho, a publicação partia ferozmente para cima de um grande sucesso editorial da época, a revista Caras.

Os editores ridicularizavam a revista dos ricos e famosos, quando, por exemplo, criaram a seção “Castelo de Bundas”, onde publicavam a foto da casa de algum desconhecido, com uma piscininha de plástico no quintal.

Mas na verdade, a revista era muito mais que uma simples “oposição” a Caras, a idéia, como no saudoso Pasquim, era ridicularizar com tudo e com todos, esculhabando pra dizer coisas serias.

Aconteceu? Esta na Bundas.

Mas, lamentavelmente, não deu certo, alguns meses e números depois, a revista tombou vitima de problemas financeiros. Faltavam anunciantes.

Mas tudo bem, no futuro, enquanto a revista Caras devera ser lembrada, por representar os anos de ouro do neoliberalismo, a Bundas, com certeza, será lembrada por sua capacidade de tratar de assuntos sérios, com muito bom humor, e também por sua genial frase tema:

Quem mostra a bunda na Caras, não mostra a cara na Bundas.

Um bom domingo a todos

Eu fardo mais não talho.

sábado, 24 de julho de 2010

Curiosidades que não mudam a nossa vida em nada ou cultura inútil para maiores

*por Renata Klotz

Vamos ver a origem dos ditos populares,ou expressões idosas que todos adoramos usar,vez ou outra:

CALCANHAR DE AQUILES
De acordo com a mitologia grega, Tétis, mãe de Aquiles, a fim de tornar seu filho indestrutível, mergulhou-o num lago mágico,segurando-o pelo calcanhar.Na Guerra de Tróia, Aquiles foi atingido na única parte de seu corpo que não tinha proteção: o calcanhar. Portanto, o ponto fraco de uma pessoa é conhecido como calcanhar de Aquiles.

VOTO DE MINERVA
Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado pelo assassinato da mãe. No julgamento, houve empate entre os acusados. Coube à deusa Minerva o voto decisivo, que foi em favor do réu. Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.

CONTO DO VIGÁRIO
Duas igrejas de Ouro Preto receberam uma imagem de santa como presente. Para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários contariam com a ajuda de Deus, ou melhor, de um burro. O negócio era o seguinte: colocaram o burro entre as duas paróquias e o animalzinho teria que caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E foi isso que aconteceu, só que, mais tarde, descobriram que um dos vigários havia treinado o burro. Desse modo, conto do vigário passou a ser sinônimo de falcatrua e malandragem.

FICAR A VER NAVIOS
Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por esse motivo, o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum as pessoas visitarem o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei. Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.

NÃO ENTENDO PATAVINAS
Os portugueses encontravam uma enorme dificuldade de entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova, sendo assim, não entender patavina significa não entender nada.

DOURAR A PÍLULA
Antigamente as farmácias embrulhavam as pílulas em papel dourado, para melhorar os aspecto do remedinho amargo. A expressão dourar a pílula, significa melhorar a aparência de algo.

SEM EIRA NEM BEIRA
Os telhados de antigamente possuíam eira e beira, detalhes que conferiam status ao dono do imóvel. Possuir eira e beira era sinal de riqueza e de cultura. Não ter eira nem beira significa que a pessoa é pobre, está sem grana

O CANTO DO CISNE
Dizia-se que o cisne emitia um belíssimo canto pouco antes de morrer. A expressão canto do cisne representa as últimas realizações de alguém.

ESTÔMAGO DE AVESTRUZ
Define aquele que come de tudo. O estômago do avestruz é dotado de um suco gástrico capaz de dissolver até metais.

LÁGRIMAS DE CROCODILO
É uma expressão usada para se referir ao choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima.

CASA DA MÃE JOANA

Na época do Brasil Império, mais especificamente na época da minoridade do Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro cuja proprietária era justamente a Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país, a frase "casa da mãe Joana" ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.

CHEGAR DE MÃOS ABANANDO
Os imigrantes, no século passado, deveriam trazer as ferramentas para o trabalho na terra. Aqueles que chegassem sem elas, ou seja, de mãos abanando, davam um indicativo de que não vinham dispostos ao trabalho árduo da terra virgem. Portanto, chagar de mãos abanando é não carregar nada. Ele chegou de mãos abanando ao aniversário. Significa que não trouxe presente ao pobre aniversariante, que terá de se satisfazer apenas com a presença do amigo.

A voz do povo é a voz de Deus.As vezes.


*Renata adora ditados populares,embora saiba que muitos deles não tem a menor “significação judáica”.


sexta-feira, 23 de julho de 2010

A amizade é um amor que nunca morre.
Mário Quintana

* por Flavia Alvaro Porto

No último dia 20 de julho vocês devem ter recebido vários e-mails felicitando-os pelo Dia do Amigo.
Apesar de eu achar que o dia do amigo é todo dia, eu também enviei mensagem à todos aqueles que, de uma forma ou outra, estão quase que diariamente no meu caminho.
O Dia do Amigo surgiu na Argentina, difundiu-se aos poucos para o mundo todo e hoje em dia, em quase todos os países, a data é comemorada no dia 20 de julho.
Essa data foi escolhida pois o argentino Enrique Ernesto Febbraro inspirou-se no dia em que o homem chegou à Lua, pois, além dele considerar esse feito como uma vitória para a ciência, ele também pensou que poderia ser uma forma de fazer amigos em todo o universo e durante um ano divulgou o seguinte lema: "Meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro".
Sendo assim, o dia 20 de julho transformou-se no Dia do Amigo.
Em alguns países, como nos Estados Unidos, esse dia é comemorado em 1º de agosto.
Aqui no Brasil, mais exatamente no Estado do Rio de Janeiro, existe uma lei (é isso mesmo, uma lei) que instituiu esse dia oficialmente: é a Lei 5.287, que foi promulgada em 9 de julho de 2008, no Projeto de Lei Nº 1826/2008, que consolida as datas comemorativas no nosso Estado.
Curiosamente nesse projeto, mais exatamente no Art. 2, CCLXIV, há ainda uma lei de extrema importância para nossas vidas e que foi proposto por uma conhecida deputada de nossa região e que, de tão importante que é, (acreditem se quiser) foi aprovado. Parabéns!!!

Para os meus queridos amigos, uma mensagem muito bacana:

“Fazer um amigo é um dom!
Ter um amigo é uma graça!
Conservar um amigo é uma virtude!
Mas ter uma amiga como eu, fala sério, é uma honra!”

Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)
Tenho ótimos amigos e a felicidade de saber que eles são em maior número do que a quantidade de dedos que tenho em minhas duas mãos.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Clássicos da Literatura

Jorge Couto

A minha intenção ao postar este texto é de elevar o nível cultural deste blog, de seus participantes e dos eventuais leitores. Já que vida moderna não deixa tempo para a boa leitura vai aqui um resumo de alguns clássicos da literatura pra você aumentar sua cultura e ter o que botar na mesa na hora do chopp.

Gustave Flaubert:
Madame Bovary.
778 páginas.

Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre.

Fim.

Leon Tolstoi
Guerra e Paz.
Paris, Ed.Chartreuse. 1200 páginas.

Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro.

Fim.

Marcel Proust:
À La recherche du temps perdu.
Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas.

Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite.

No dia seguinte (pág. 486 vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág.1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto.

Fim.

Luís de Camões:
Os Lusíadas.
Editora Lusitânia

Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super gente fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas.

Fim.

William Shakespeare
Romeu e Julieta

Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro. As duas turmas saem na porrada, uma briga fodida, muita gente se machuca. Então, um padre filho

da puta tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era

sonífero.

Fim.

William Shakespeare
Hamlet

Essa é foda.

Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que, entretanto, se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado.

Fim.

Sófocles:
“Édipo-Rei”

Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta. Parada muito doida.

Fim.

William Shakespeare
Othelo

Um rei otário, tremendo zé-roela, tem um amigo muito filho da puta que só pensa em fazê-lo de bobo. O malandro não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho.

Fim.

Pronto!
Você economizou a leitura de pelo menos 7.000 páginas e R$ 500,00 em livros, e agora
pode comprar tranqüilo a sua coleção de Caras!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Cortejo de Tradições




por Mozart Valle Neto*

No ano passado eu tive a oportunidade de conferir este EVENTO, em caixa alta sim, que em muito me surpreendeu. A diversidade cultural brasileira é fantástica. Só vendo para entender. E fique esperto porque este ano não acontece só em Vassouras. Até em Barra Mansa vai ter.


Neste ano o homenageado vai ser Manuel Congo. Um pequeno parêntese sobre ele: era um negro forte e habilidoso, de pouca fala e sorriso escasso. Como era comum entre os escravos nascidos na África, seu nome era composto por um prenome português associado ao nome de sua "nação" ou região de origem. Pertencia ao capitão-mor de ordenanças Manuel Francisco Xavier, dono de centenas de escravos e das fazendas Freguesia e Maravilha em Paty do Alferes. Era ferreiro, ofício que requer treinamento e habilidade, o que certamente lhe dava status superior entre os outros escravos e maior valor econômico perante os senhores.


Manuel liderou a revolta mais importante da nossa região. Outro fato inusitado ligado a ele é que sua história foi escrita por Carlos Lacerda, com apenas 17 anos na época que escreveu, sob pseudônimo de Marcus.


Tradicionalmente o cortejo está inserido no Festival Vale do Café. É uma ação de valorização às raízes culturais do Vale do Paraíba Fluminense, que apresenta a beleza e o encantamento dos grupos de cultura popular da região, considerada um dos berços da diversidade cultural brasileira. Teremos: Folia de Reis, o Jongo, a Capoeira, o Maculelê, a Caninha-Verde, o Calango e os Rezadores.


A apresentação de Volta Redonda já aconteceu. As outras serão:

24 de julho – 21:00h - Vassouras
Saída do Memorial Manuel Congo em direção à Praça Barão de Campo Belo

31 de julho – 10:00h - Piraí
Saída da Igreja de Santana em direção à Praça da Preguiça

01 de agosto – 10:00h - Barra Mansa
Saída da Igreja Matriz de São Sebastião em direção à Praça das Preguiças

Eu particularmente prefiro a de Vassouras, pois vai ser à noite. Muito melhor, e tem também as outras atrações do Festival. Vale uma visita ao site http://www.festivalvaledocafe.com/.


O festival acontece entre os dias entre os dias 23 de julho a 01 de agosto de 2010. Acontecem muitas apresentações de música clássica, bate papos, oficinas de degustação de café como vocês podem ver abaixo.

• Concertos nas fazendas = Com uma cuidadosa seleção de concertos, o público, além da oportunidade de visitar as 14 fazendas históricas da região que participam do Festival, poderá assistir a concertos com o que temos de melhor da música instrumental brasileira;


No ano passado rolou um concerto dentro de um curral que foi o mais falado de todos. Vou descobrir qual é para passar a dica.

• Shows em praças públicas = Apresentações gratuitas para o grande público de uma qualificada programação que percorrerá as praças públicas dos 14 municípios da região do Vale do Café;


• Cortejos de tradições populares locais = Em um grande desfile popular, o Cortejo de Tradições se destaca pela beleza e encantamento das manifestações de cultura popular do Vale do Paraíba, berço das culturas populares brasileiras;


• Café Cultural O Globo = Localizado no coração do centro histórico de Vassouras, direcionado às palestras que abordam temas ligados à cultura histórica da região, ao cultivo do café e à música instrumental brasileira, serve também como ponto de encontro para aqueles que gostam de apreciar um bom café em um ambiente agradável;


• Cursos de música = Destinadas a alunos bolsistas de todo o país, que têm a chance de aprimorar seus dotes artísticos com renomados professores dos mais variados instrumentos musicais, de harpa a canto, passando por saxofone, violoncello entre muitos outros. Em 2010 serão distribuídas 400 bolsas de estudo, sendo 100 bolsas integrais, para os cursos de música do Festival Vale do Café.


*Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) é fã do festival e de qualquer outra atividade que contribua com a nossa cultura regional.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Jornal do Brasil - eu li



por Carlos Vinicius Rosenburg*


Na época da minha infância (e também adolescência), lembro de algumas idas ao Rio, ora para ver o Flamengo no Maracanã, ora para ficarmos em algum daqueles apartamentos de temporada que meus pais alugavam, em Copacabana. E uma coisa sempre chamou a minha atenção, além das belezas naturais e da imensidão da cidade grande: o prédio do Jornal do Brasil, o JB, na Avenida Brasil, pertinho da Rodoviária Novo Rio.

A curiosidade foi despertada por meu pai, leitor assíduo do JB, que fazia as vezes de um guia turístico, informando o nome dos locais pelos quais passávamos – aliás, meu pai fazia isso em qualquer viagem, para onde quer que fôssemos.

Ao passarmos por aquele monstro de concreto eu tentava imaginar como seria o trabalho ali dentro, a montagem do jornal, o rosto daquelas pessoas sobre as quais meu pai tanto falava – João Saldanha, Oldemário Touguinhó, Villas Boas-Corrêa, Veríssimo, Zózimo, Sandro Moreira e tantos outros – uma verdadeira seleção brasileira do jornalismo.

Algum tempo depois, quando cursava, salvo engano, a 7ª série do Colégio Verbo Divino, em 1985, apareceu a chance de matar aquela curiosidade de criança: o colégio estava organizando uma excursão para o Jornal do Brasil, exatamente para a 7ª série. Sonhei com aquilo. Aproveitei cada segundo da visita, fiz milhares de perguntas a repórteres, fotógrafos, editores e sei lá quem mais. Naquele momento eu também já era um leitor do JB.

E jornal, qualquer um sabe, é hábito. Você gosta mais de determinada editoria, pega manias (eu sempre começo a ler pela página de esportes), procura certos colunistas, enfim, cria uma certa intimidade com aquele veículo. Aí, quando você pega outro jornal, sente aquela sensação estranha, um certo desconforto, a saudade do seu jornal tradicional. E eu sentia isso quando pegava o concorrente direto, O GLOBO (para quem não sabe, eram os dois jornais “sérios” do Rio de Janeiro – O DIA ainda era um jornal popularesco, que apostava mais na vertente sensacionalista, do sangue nas manchetes). Achava O GLOBO chato, com linha editorial chapa branca, colunistas descartáveis (Ibrahim Sued e Hildergard Angel), quadrinhos que não me agradavam. Gostava dos jornalistas do JB, do Zuenir Ventura, do Zózimo, do João Saldanha, do Xexéo, do Veríssimo, do Ancelmo Góis, do Fausto Wolff, do Fritz Utzeri, das revistas Programa e Domingo. Nada n’O GLOBO chegava perto daquilo.

Mas vieram os anos 90 e o JB entrou em crise. Sofreu assédio implacável d’O GLOBO, que levou seus melhores nomes (acho que todos), valendo-se do poderio econômico de seu conglomerado , midiático (principalmente, a TV – como o JB poderia concorrer com uma TV?). E cada vez mais o GLOBO foi tornando-se parecido com o JB, não só por levar os melhores nomes para o clã dos Marinho, mas também porque o JB começou a fazer jornalismo chapa branca descarado, numa tentativa desesperada de reverter sua precária situação. Aliado a tudo isso, houve também a reformulação gráfica e editorial do jornal O DIA, que acabou “roubando” leitores do JB, que não queriam migrar para o maior concorrente.

Melancolicamente, depois de inúmeras penhoras no imponente prédio da Av. Brasil, 500, o JB deixou o local. Mudou, ainda, de formato, virando quase um tablóide. As vendagens só foram caindo, os anunciantes sumiram e o jornal chegou à inviabilidade.

Há poucos dias, como já foi noticiado amplamente, até aqui no blog, o JB parou de circular. Não há mais edição impressa. Como disse o amigo e blogueiro Valério, isso significa a morte. Eu diria que significa mais. O JB, infelizmente, já estava morto. Só faltava enterrar. Agora não falta mais nada.

Lamentavelmente, a morte do JB retrata um pedaço da decadência econômica do Estado do Rio de Janeiro. Mas mostra um pouco mais. Dá provas, muito claras, do poder das Organizações Globo. O Rio já teve nas bancas os jornais, entre outros, os diários Última Hora, Tribuna da Imprensa, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil e Jornal dos Sports, todos eles, cartas fora do baralho – o próximo da lista será O Dia. Claro que há outros fatores, inúmeras causas, que ajudam a compor o atual cenário. A internet, TV, novas mídias, interatividade, má gestão etc. Porém, não por acaso ou mera coincidência, temos em pleno funcionamento O Globo (concorrente do JB), Extra (concorrente d'O Dia), Valor Econômico (concorrente da Gazeta Mercantil) e Lance! (concorrente do Jornal do Sports), todos das Organizações Globo. Pelo visto, os fatores geradores de crise, listados acima, não são capazes de atingir o império criado por Irineu Marinho.


*Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é servidor público formado em direito e aprendeu a ler jornal com o JB, por influência de seu pai, José Carlos Soares Rosenburg, a quem dedica esta coluna.


P.S.: peço aos amigos blogueiros, coloboradores, leitores assíduos e eventuais (cadê o Zé Lelé?) que dêem sugestões para o local de comemoração do primeiro aniversário do blog. Sugestões nos comentários.

domingo, 18 de julho de 2010

Vamos Sufragar?

Por Valério Cortez

Atenção amigos, próxima parada, eleições 2010.
Vem aí a festa da democracia, sai o polvo Paul e entra o povo brasileiro, pelo cano é claro.

Não será nada muito diferente do que tem sido nas ultimas edições, uma produção milionária, para um filminho de 3° categoria, de roteiro manjado e atores canastrões.

Você se lembra da ultima eleição? Quando você votou naquele cara que ainda não era um canalha. Lembrou?

É isso aí, vai começar tudo de novo, pois é preciso mudar para ficar tudo igual.

Deverão ser eleitos 1.059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 81 senadores, o Presidente e o Vice-Presidente da República, escolhidos entre os representantes dos 29 partidos políticos existentes no país.

Disputarão nossos votos os petistas, os tucanos, os aposentados, os democratas, os socialistas, os republicanos, os trabalhistas, os comunistas, os progressistas, os verdes, os renovadores, os liberais e mais uma porrada de picaretas.

Mas esse negócio (ops) de partido, não tem muita importância não, por que depois de eleitos, nossos representantes promovem inúmeros troca-trocas e vão se misturando, misturando, até se transformarem em uma massa amorfa e não poderem mais serem localizados.

Já tem até gente propondo a colocação de chip em todos os candidatos eleitos neste próximo pleito, para que nos eleitores, possamos rastreá-los, por entre os gabinetes, plenários e trelelês da vida política deste país.

Não é preciso fazer muito esforço, para se saber que serão milhares de candidatos, e todos a distribuir santinhos e promessas.

Eu prometo um futuro melhor, mais saúde e educação para todos, casa, comida e roupa lavada, e se duvidar, até um lugarzinho no céu, ao lado do Pai é claro.

Mas nada disso importa muito, pois estaremos vivendo o bacanal da democracia, o rebolation da cidadania, o gozo do sufrágio universal. Parece até sacanagem. E é.

Mas não esquenta não, se você relaxar e se fingir de morto, isso passa logo, e você vai perceber que já estaremos pertinho do natal, que esta pertinho do carnaval, que esta pertinho do...

Portanto, prepare seu saco e seu título de eleitor, e vamos todos sufragar, mas cuidado, muito cuidado, pois o candidato sério de hoje, pode ser o político safado de amanhã.

Tenham todos um bom domingo e uma boa campanha eleitoral.



Notas amargas para uma geração

O jornal "o Globo", da ultima 3° feira (13/070), trouxe duas noticias ruins para minha geração.

01 - Jorge Mautner, escritor, compositor, músico, artista transgressor, ícone da contra cultura, um dos símbolos da arte de vanguarda brasileira, vai fazer 70 anos. Estamos todos envelhecendo rapidamente.

02 - "O Jornal do Brasil", o meu querido JB, esta fechando as portas. Fundado há 119 anos, o periódico carioca foi, em seus áureos tempos, o jornal mais influente do país, ditando os rumos da cultura e fazendo o registro acurado da política nacional, mantendo sua independência mesmo nos difíceis anos 60 e 70.
Na verdade, a noticia da conta da extinção apenas da versão impressa do jornal, permanecendo sua versão on line. Para mim isto significa acabar.

baixa o pano.


Aniversário do Estação

O querido Mozart sugeriu um “Queijos & vinhos” para o aniversário do Estação, o Zeca contrapropôs um Queijos & vinhos & cervejas & moela & whisky & lingüiça & vodca & costela & pinga & dobradinha & ...

Com a palavra o povo do blog.


AGORA FALANDO SÉRIO




sábado, 17 de julho de 2010

A festa acabou?





*por César Augusto Zadorosny

Treze de julho é conhecido com o Dia Internacional do Rock. Mas qual a razão desta data? Bem, foi no dia 13 de julho de 1985 que Bob Geldof, vocalista da banda Boomtown Rats, organizou aquele que foi sem dúvida o maior show de rock da Terra, o Live Aid, que reuniu artistas lendários da história do rock e pop mundial como Paul McCartney, The Who, Black Sabbath, U2, David Bowie, Santana, Madona, Eric Clapton, Led Zeppelin, Bob Dylan, Rolling Stones, Queen, entre outros. O objetivo do mega evento era arrecadar fundos para o combate à miséria na África e, pelo que se noticiou depois, foi possível conseguir cerca de 100 milhões de dólares em 16 horas de show. Taí o motivo da escolha da data.

Mas isso tudo já é passado e o rock já não empolga mais como antigamente para azar, inclusive, dos despossuídos do continente africano. Essa semana mesmo pude fazer essa triste constatação. Se não fossem algumas pequenas exceções em alguns sites de notícias, coisa de cantinho de páginda, a data teria passado em branco, fleumática, tal qual França e Itália na Copa do Mundo.

Não sei dizer a razão, mas a coisa está bem decadente. Não se soube de nenhum evento relacionado ao rock na cidade, no estado ou em algum canto do país, mesmo porque, ultimamente, quando acontece de alguma banda de rock relevante aparecer, logo tentam furar os olhos do público cobrando preços obscenos (R$ 200, R$ 300 e até R$ 400!) e botando a culpa na famigerada meia-entrada. Bons tempos aqueles do Rock ‘n Rio, não tinha meia-entrada e todo mundo ia do mesmo jeito.

Na noite de terça tentei ver se encontrava alguma coisa na TV paga, afinal de contas há canais ali que vivem só para a música. Para não dizer que nada encontrei, num dos canais disponíveis tava passando uma espécie de documentário sobre aquela figurinha andrógina e desvirilizada (só a redundância descreve) que juntou as canelas ano passado. Sinceramente, não consigo assistir a cinco minutos daquilo. Aqueles gritinhos, a dancinha moderninha e a mocinha fingindo tocar guitarra são de doer.

Sejamos sinceros, o mais perto que o menino Michael chegou do rock foi encomendar o solo Beat it ao Ed Van Halen que, genero$amente, não recusou o pedido. Realmente um dia estranho para se botar um documentário daqueles no ar. Nem colocando o AC/DC para abrir o show aquilo ia ficar parecido com rock.

Corri para o computador, acessei um site de compras e tratei logo de encomendar um DVD duplo do Deep Purple ao vivo para revigorar e também evitar cair em depressão.
Falando em deprê, quem foi ao Sesc BM semana passada assistir à apresentação do Celso Blues Boy deve ter estranhado algo, principalmente se já foi a algum outro show dele antes. É certo que o sujeito envelheceu e já não está mais com a disposição de antigamente, coisa que eu sei, todo mundo também e isso eu acho até natural. Que o show no palco de fora é melhor que no teatro, isso também não se discute e o problema é da organização do Sesc. Agora, andar tocando por aí com aquela bandinha sem pegada e com volume de radinho de pilha no som, isso não dá para engolir! Até aquele trio que toca na calçada da Casa Sete faz mais estrago. Qualé Blues Boy, tá perdendo o tesão pela estrada amigo! De qualquer forma, considerando as inúmeras opções que se apresentavam no dia, achei o show bastante agradável, mas só isso.

Chega por hoje, estou indo encontrar com amigo Sergio com o firme propósito de “molhar a Palavra”, discutir mais sobre o rock e iniciar a combinação do outro aniversário que se avizinha. Que aniversário? O 1º aniversário do EBM, ora pois!

Abração e até a próxima.

*César Augusto Zadorosny tem 36 anos, com formação em Direito e Administração, e, assim como o rock, está ficando velho, rabugento e o que é pior, saudosista em matéria de música. Realmente é o fim amigos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010


Pra que mentir?

* por Flavia Alvaro Porto

Outro dia ouvi uma mentira tão cabeluda que fiquei pensando: por que as pessoas mentem tanto?
Pra que mentir se a descoberta da mentira leva à uma consequencia bem pior do que se tivesse falado a verdade? Será que as pessoas acham que nunca serão descobertas?
O problema é que, quem procura acha. Nos dois sentidos.
Quem mente sabe que pode ser descoberto e quem escuta a mentira, se tiver o minimo de sensibilidade no “ouvido”, percebe que isso está acontecendo e vai atrás pra saber.
O pior de tudo é que a pessoa tentar passar pra você o famoso “atestado de idiotice” achando que você nem vai desconfiar ou ainda muito menos nem tentar saber a verdade.
Brincadeira!
Não sei se estou errada mas o fato é que sou daquelas pessoas que preferem uma verdade que doa a uma mentira que alegre. Frase pronta mas que, pra mim, é essencial!
Tem gente que diz que ser verdadeiro demais é falta de educação. Nem tanto!
Há mil maneiras de dizer a verdade de uma forma que não machuque ninguém.
E uma delas é você ser verdadeiro sempre.
Não sou santa e já menti sim, mas com o amadurecimento percebi que isso não leva a nada e só traz maiores problemas.
Sei ainda que há casos e casos, pois a mentira em excesso é uma doença psicológica que se chama mitomania e que é extremamente importante que se faça um tratamento.
A pessoa com esse distúrbio conta histórias mirabolantes e ainda acredita nelas.
Porém, no geral, as pessoas mentem descaradamente, levando os outros à um sofrimento totalmente desnecessário.
Não importa o tamanho da mentira.
Não existe mentira grande ou pequena.
Acaba a confiança e a decepção se instala.
Como colar uma taça de cristal que se quebrou em pedaços mínimos? A confiança é assim.
Digo que é praticamente impossível reatar um laço de confiança com alguém que mentiu pra você uma vez. Por isso não existe tamanho para a mentira.
E é muito feio as pessoas serem tachadas de mentirosas.
O descrédito é triste!
E quando a mentira é descoberta as pessoas dão as mais diversas desculpas e o medo é o principal deles: medo de sofrer, medo de perder, medo de brigar, medo de ser quem se é, medo disso ou daquilo.
Então vá é tratar o seu medo, ora bolas!


* Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)

Detesto quando tentam me fazer de idiota e é por isso mesmo que eu não faço com os outros o que eu não quero que seja feito comigo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Você conhece a história da British Petroleum?*

Por Jorge Couto

* Artigo de Julie Wark, do SinPermiso.

O primeiro golpe de estado da British Petroleum, na ocasião chamada Anglo-Iranian Oil Company, foi executado com a ajuda da CIA em 1953. Cinqüenta e sete anos mais tarde, seus golpes de estado consistem em usurpar, comprar ou driblar as funções do Estado. Hoje o Mineral Management Service (Serviço de Administração de Minerais), do Departamento do Interior dos Estados Unidos parece estar sob seu mando. Apenas onze dias antes da catástrofe do Golfo do México, a BP conseguiu para esta operação a “exclusão categórica” do estudo de impacto ambiental da National Environment Policy (Política Nacional Ambiental).

Com sede em Londres e escritório central nos EUA localizado em Houston, a BP é a maior corporação do Reino Unido e uma das maiores do mundo. Os negócios da primeira empresa a explorar petróleo no Oriente Médio remontam a 1901 e a um “bon vivant” londrino, William Knox D’Arcy, que negociou direitos de exploração com Mozzafar al-Din Xá Qajar, da Pérsia (Irã). O negócio passou por vários nomes: Anglo-Persian Oil Company (1908), Anglo-Iranian Oil Company (1935), British Petroleum (1954), BP Amoco (1998) e, em 2000, BP. Em 1913, o governo britânico adquiriu a participação majoritária, mas com a campanha privatista de Margaret Thatcher, a totalidade de seus ativos foi vendida entre 1979 e 1987.

O delírio de riqueza do “bon vivant” de Londres transformou-se em pesadelo para milhões de pessoas em todo o mundo, começando pelo Irã. Nas cláusulas contratuais da primeira exploração, além das condições de trabalho dos operários iranianos roçando a escravidão, descartou-se desde o início a soberania do país. Em agosto de 1941, a Grã Bretanha e a União Soviética ocuparam o Irã e rapidamente forçaram o repressor Xá Reza a abdicar em nome de seu filho Mohammed Reza Pahlevi, inaugurando assim um novo regime de repressão, corrupção, brutalidade e luxo extremo. Em 1951, o Majlis (parlamento) votou unanimemente pela nacionalização e, pouco depois, tomou posse no cargo de primeiro ministro o respeitado estadista Mohammed Mossadegh. A reação dos ingleses foi draconiana e, hoje em dia, fartamente familiar: bloqueio militar, fim da exportação de bens vitais, congelamento de contas bancárias na Inglaterra, e articulações nas Nações Unidas para aprovar resoluções contra o Irã. Mossadegh buscava uma solução negociada, mas os ingleses já tinham optado pela força e, em 1952, alegando o perigo do comunismo no debilitado Estado, obtiveram o respaldo do presidente Eisenhower. Em 1953, com políticos, militares, criminosos, prostitutas e jornalistas bem comprados, e informada pela embaixada britânica e seus espiões, a CIA conseguiu executar seu primeiro golpe de Estado, por meio do qual reinstalou no poder o Xá Reza Pahlevi.

A tirania do Xá preparou o terreno para a revolução islâmica de 1979. Com o endurecimento do regime do Irã formou-se uma rede global anti-ocidental cada vê mais dependente das táticas do terror. O que os ingleses batizaram como Operation Boot (Operação Bota) e os estadunidenses “Operation Ajax” “ensinou aos tiranos e aos déspotas que os governos mais poderosos do mundo estavam dispostos a tolerar a opressão sem limites sempre e quando os regimes opressivos tratassem bem o Ocidente e suas empresas petroleiras. Isso ajudou a mudar o equilíbrio político contra a liberdade e a favor da ditadura”.

Há poucos lugares no mundo a salvo da espoliação da BP. Na Colômbia, a empresa é acusada de beneficiar-se do regime de terror dos paramilitares que protegiam os 730 quilômetros do oleoduto Ocensa, e foi obrigada a pagar uma indenização multimilionária a um grupo de camponeses. O oleoduto causou desmatamento, deslizamento de terras, contaminação do solo e diminuição do lençol freático. Colheitas foram perdidas, criações de peixes foram arruinadas e muito gado morreu. Em 1992, a BP firmou um contrato com a empresa inglesa Defence Systems Ltda (DSL) que estabeleceu a Defence Systems Colômbia (DSC) para suas operações colombianas. Três anos mais tarde, a BP firmou acordos com o Ministério da Defesa da Colômbia segundo os quais a BP pagaria ao governo US$ 2,2 milhões que seriam utilizados em sua maior parte para a Brigada XVI do exército proteger as instalações da BP.

A Brigada introduziu na zona de Casanare a guerra suja ou, como diz o povo, a tática de deixar o peixe fora d’água. A DSC ensinava estratégias militares e de contrainsurgência à polícia encarregada de proteger o perímetro das instalações. A população aterrorizada a considerava com razão mais uma força militar na zona. Além disso, um empregado da DSC revelou a jornalistas ingleses que havia trabalhado para coordenar uma rede de espiões nos povoados da zona do oleoduto para controlar os líderes sindicais e comunitários. O departamento de Segurança da empresa Ocensa pagava delatores e compartilhava informações com o Ministério da Defesa e com a brigada local do exército. Em resumo, a BP criou uma zona de exceção na Colômbia.

Na Ásia Central, a BP é um membro destacado do consórcio Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC) que controla o oleoduto que passa pelo Azerbaijão, Geórgia e Turquia, o qual, fortemente financiado pelo Banco Mundial e por outras agências estatais, foi inaugurado em junho de 2005. Demandas judiciais contra o governo da Turquia relativas a abusos de direitos humanos foram apresentadas no Tribunal de Justiça da União Européia e no Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Não obstante, o governo turco concedeu a BTC poderes sobre o corredor do oleoduto que anulam as leis de direitos humanos, ambientais e sociais, e despojam os povos da região de seus direitos civis. BTC tem acesso ilimitado à água e está isento de responsabilidade no caso de um derramamento de petróleo. O oleoduto requer um corredor militarizado que põe em perigo o frágil acordo de trégua de hostilidades entre Turquia e grupos curdos. Mesmo antes de ser concluído, o oleoduto BTC já influía na geopolítica petroleira. Ele é de enorme importância estratégica na Transcaucasiana e, graças a BTC, os EUA e outros poderes ocidentais podem intervir muito mais nos assuntos da região.

Nem os Estados Unidos estão imunes. Os dados do inventário de emissões tóxicas da
Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental) identificam a BP como a empresa mais contaminadora do país. Em 1999, uma filial, a BP Exploration Alaska, teve que pagar US$ 22 milhões por danos provocados pelo vazamento de resíduos tóxicos em Endicott Island. Em agosto de 2006, foi obrigada a fechar as instalações da Bahia Prudhoe em conseqüência de um derramamento de petróleo e diesel. Na Califórnia, a BP é um dos patrocinadores mais generosos de uma iniciativa legislativa para eliminar a lei de Unfair Business Competition (Lei de Competição Desleal) usada por grupos ambientalistas para processar empresas petroleiras pela contaminação de água potável por éter-metil-tetra-butílico (MTBE). No Canadá, a BP extrai petróleo de areias de alcatrão, um processo que consume enormes quantidades de água e produz quatro vezes mais emissões de dióxido de carbono do que a perfuração convencional. O povo indígena Cree denuncia que a empresa está destruindo o velhíssimo bosque boreal, degradando o território com suas minas a céu aberto, contaminando tanto a água como a cadeia alimentar e pondo em perigo a fauna silvestre e sua forma de vida.

Os tentáculos da BP se estendem também no ensino superior. Em fevereiro de 2007, em meio a uma forte oposição de professores e alunos, a administração da Universidade da Califórnia, em Berkeley (UCB), anunciou um convênio entre a UCB e a BP, pelo qual a empresa financiaria com US$ 500 milhões durante dez anos o Instituto de Biociências da Energia, dedicado à investigação de biocombustíveis e biologia sintética. Com essa demonstração de poder em uma universidade pública, com esta vontade de privatizar o trabalho intelectual e de comercializar os resultados da investigação, a BP faz com que os trabalhadores dos países desenvolvidos mais influentes subvencionem a exploração de mais bens ecológicos do mundo em vias de desenvolvimento para servir às elites, aqueles que não se importam em tirar a comida da boca do povo para encher seus bolsos de ouro. Socializar os gastos para benefício privado não é nada novo no sistema capitalista. Não obstante, esse caso dá outra volta no parafuso com a combinação de ciência desacreditada, imperialismo ecológico e o sofisma do desenvolvimento sustentável. Com este golpe, a BP consegue o controle de cientistas universitários, de alunos e de laboratórios além de dotar seus projetos supostamente sustentáveis de um verniz acadêmico.

A BP tem um negócio de bilhões de dólares com o governo dos EUA na forma de contratos de defesa anuais e como fornecedor principal de combustível ao maior consumidor mundial de gás e petróleo: o Pentágono. Segundo o
Center for Responsive Politics, a BP ocupa o centésimo lugar entre os doadores mais importantes das campanhas políticas: mais de US$ 5 milhões desde 1990 repartidos entre republicanos e democratas, com os percentuais de 72% e 28%, respectivamente. O Centro aponta o presidente Obama como o destinatário que mais se beneficiou durante os últimos 20 anos das doações do comitê de “ação política” da BP ($77.051). A BP, seus comitês de “ação política” e seus empregados contribuíram com mais de US$ 3,5 milhões aos candidatos federais durante os últimos cinco anos, fora o dinheiro destinado ao lobby. Em 2009, liberou US$ 15,9 milhões em seus esforços por influir na política energética nacional. Desta maneira, com uma gestão bem azeitada, consegue-se a “exclusão categórica” da política ambiental.

Evidentemente, a BP não trabalha sozinha. Um rápido olhar sobre algumas de suas conexões corporativas e governamentais é educativo, para não dizer alucinante. O presidente do Goldman Sachs Internacional, Peter Sutherland – que, com oito outros gerentes do Goldman Sachs, recebeu mais de US$ 12 milhões em honorários em 2009 – e presidente da BP até que muito astutamente demitiu-se em dezembro de 2009, tem um currículo fascinante na
página da Comissão Trilateral : É também presidente do Goldman Sachs International (1995 – até agora). Nomeou-se presidente da London School of Economics em 2008. Atualmente é representante especial da ONU para a Migração e o Desenvolvimento. Anteriormente era diretor-geral fundador da Organização Mundial do Comércio (OMC) e diretor-geral do Acordo Geral Sobre Comércio e Tarifas (GATT) desde julho de 1993, além de desempenhar um papel decisivo nos acordos da Rodada Uruguai, do GATT. É membro do comitê diretor do grupo Bilderberg e também assessor financeiro do Vaticano.

Igualmente astuta foi sua empresa Goldman Sachs quando vendeu 44% de suas ações da BP no primeiro trimestre de 2010, embolsando cerca de US$ 266 milhões e economizando US$ 96 milhões a preços atuais. As cifras apontadas pelo Center for Responsive Politics demonstram que o comitê de “ação política” do Goldman Sachs e empregados individuais doaram US$ 994.795 durante 2007 e 2008 para a campanha de Obama. Outro homem da BP com agudo senso de oportunidade é o chefe executivo Tony Hayward – anteriormente membro da junta consultiva do Citibank – que vendeu ações da BP avaliadas em US$ 2.130.000, um terço de sua participação, somente algumas semanas antes do desastre do Golfo do México. Já os aproximadamente 18 milhões de acionistas ingleses não foram tão bem informados, especialmente muitos pensionistas, já que os fundos de aposentadoria britânicos dependem de lucros na Bolsa que pagam 1 libra de cada 7 que recebem anualmente. A queda livre do preço das ações de “rentabilidade segura” da BP até mais de 50% de seu valor em abril e o fato de que a empresa terá que pagar cerca de US$ 13,5 bilhões para um fundo de compensação significam que o pagamento de dividendos ficará suspenso até, no mínimo, 2011.

Demandada juntamente com a BP na maioria das 150 ações judiciais provocadas pelo desastre do Golfo do México, está a Halliburton Energy Services, a empresa contratada para a parte técnica da operação, encarregada da injeção de cimento no subsolo. Esta equipe foi forjada há anos durante o planejamento da invasão do Iraque. A BP foi encarregada, então, pelo Ministério do petróleo inglês de realizar estudos técnicos e de fornecer assessoria, análise e formação para o campo petrolífero de Rumaila. Nas palavras de
Ethical Consumer:

“antes da invasão, a BP treinava as tropas inglesas para manter e dirigir os campos petrolíferos que tinham sido apoderados no sul do Iraque. A gigante estadunidense Halliburton, que fornece serviços às empresas para a exploração, o desenvolvimento e a produção de petróleo e gás, foi encarregada de restaurar e reconstruir a infraestrutura petroleira e, nesta condição, acompanhava as tropas aos campos petrolíferos”.

Há alguns dias, um consórcio dirigido pela BP conseguiu o contrato para desenvolver o maior campo petrolífero do Iraque, Rumaila.

Não é possível contar toda a história de canalhices da BP em poucas páginas, nem as conseqüências de seus negócios na geopolítica, na balança da guerra e da paz, na economia, no meio ambiente e no mundo em geral, envolvendo desde a política do Oriente Médio até pessoas sem posses, às vezes assassinadas em comunidades remotas. Essas notas oferecem apenas um vislumbre da enormidade de crimes cometidos por essa empresa. A BP não representa nenhuma exceção entre as empresas petroleiras nem entre as grandes corporações. Sua história, além do vazamento de petróleo no Golfo do México, constitui um exemplo a mais de seu enorme poder e impunidade. E não há nada reconfortante na notícia da semana anterior que nos informa que o novo governo de coalizão britânico considera conveniente nomear o antigo chefe executivo da BP (1995-2007), também antigo diretor não executivo de Goldman Sachs e “O Rei Sol”, Lord Browne, como o novo superdiretor de Whitehall, encarregado de difundir, no coração do governo, o espírito de valores comerciais. Enquanto isso, a linguagem dos impunes delata bastante a continuada presença da bota. Em junho, um porta-voz da Casa Branca afirmou que a tarefa do presidente Obama é apertar a bota no pescoço da BP, enquanto que o jornal inglês The Telegraph diz que a bota de Obama aperta o pescoço dos pensionistas ingleses. Na verdade, os impunes diretores e funcionários fabulosamente bem remunerados da BP estão calçando as mesmíssimas botas e pisoteiam gente indefesa.

Tradução: Katarina Peixoto


Agora imaginem por um instante se um desastre como este do Golfo do México tivesse ocorrido no litoral do Brasil, em um poço da Petrobrás. Que delícia para a mídia nacional! O que não estariam dizendo neste momento! Posso imaginar as manchetes, editoriais e notícias baseadas em “fontes bem informadas” sobre fortes indícios do envolvimento de militantes do PT com o desastre ecológico. O orgasmo em rede nacional dos jornalistas amestrados pedindo a cabeça dos incompetentes stalinistas do PT. As acusações de que a estatal brasileira se tornou cabide de emprego de petistas e de aliados do governo. Os caciques do PSDB e do Democratas pediriam uma CPI para apurar a responsabilidade do Presidente no desastre, desastre que certamente ele sabia que iria acontecer. Os articulistas de Veja, Globo, Folha de São Paulo e assemelhados, afirmariam a incompetência de brasileiros na exploração de petróleo e, mais importante - aliás, o que realmente interessa - exigiriam a urgente privatização da Petrobrás, é claro.

Mas, lástima!, não aconteceu em um poço da Petrobrás, nem no Brasil foi. Pior, aconteceu com uma enorme multinacional, um dos exemplos das maravilhas do livre mercado e do mundo do estado mínimo.

Sendo assim, a mídia nacional continuará, muito a contragosto, a noticiar o desastre. Mas de forma discreta, com notícias rápidas e no meio do noticiário. Nada de escândalos, afinal não se pode denegrir a imagem de homens como o Sr. Peter Sutherland – o homem é assessor financeiro da Santa Madre Igreja Católica e do Santo Padre, entre outras coisas –. Realmente uma pena. O cenário perfeito com personagens errados.

Mas, quem sabe, até 3 de outubro...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Nas mãos de Deus



Por Figurótico*

Se a Copa do Mundo estava caminhando para um fiasco total de nível técnico, de empolgação, como relatei antes da mesma começar aqui neste espaço, na última semana ela perdeu toda a graça, o futebol perdeu a graça – para mim – com a prisão do goleiro. Estarrecido que fiquei com o fato, não quero mais nada, só que meu time, O Mais Querido do Brasil tenha paz e que não seja rebaixado. De resto, não quero esse campeonato brasileiro, só o do ano que vem. Hoje ficou claro o que eu vinha dizendo aos amigos que compactuam da mesma paixão que eu: a conquista do último campeonato brasileiro nos saiu muito caro.

Se administrar o Flamengo sempre foi tarefa difícil, administrá-lo como o novo campeão de um título que não vinha há 17 anos, tornou-se tarefa impossível, como bem disse amigo rubro-negro meu. Os jogadores descobriram que puderam ser campeões fazendo festa, e este ano fizeram ainda mais, e acabaram nas páginas de polícia. A esbórnia foi geral, todos foram atrás dela e a casa caiu. Se a baderna causada fora de campo já nos incomodava, imaginem esse último fato?

O jogador que nos deu títulos, o The Wall nos pênaltis, que ergueu a taça de campeão, que me fez chorar se perdeu, e manchou a instituição. O futebol ficou de lado para nós torcedores e talvez para os jogadores até. Óbvio que quando saíram as primeiras notícias torci muito para que ele fosse inocente, pois não podia acreditar no que estava vendo e lendo. Até que a justiça decida o que ele tem a ver com isso, não lerei mais nada sobre. Estou sem pique de acompanhar as notícias agora. Como acompanhamos o time o ano inteiro, os jogadores são como amigos para os torcedores, e somos afetados pelo que se passa não só dentro do campo.

Desde o início do ano estamos vendo que fulano vem para o Flamengo, que falta pouco e tal, e o mesmo fulano acabando em outro time. Uma pequena lista pode ser feita: Rafael Sóbis, Diego Souza, Kléber, Felipão, Felipe, Éder Luís, etc. Como bem disse nosso blogueiro Vinícius, “o Flamengo deve ter feito pacto com o... para ser Hexa”. Realmente, o ano corrente assusta e agora estamos diante de um caso absurdo de loucura, insanidade absoluta.

Tido como a única coisa que valeu elogios no mandato da atual presidente do clube, agora se tornou mais do que essencial e vital nesse momento de reconstrução, a contratação do maior ídolo do clube (e meu, claro, mais do que qualquer músico), Zico. Essas quatro letras juntas representam para mim e para outros milhões de seres humanos a perfeição, o talento e o caráter lado a lado. Não haveria pessoa mais indicada para colocar ordem na casa, impor o respeito e que cesse já qualquer ato de indisciplina e falta de comprometimento com as cores vermelha e preta. Chega de casa da mãe Joana. Com ele, só com ele, poderemos ter dias melhores. Como também é só nele que confiamos 100%.

Zico, traga nosso Flamengo de volta, faça com que nos esqueçamos dessa avalanche mental o mais rápido. Conduza esse futebol como você o conduziu com a bola nos pés e um país chamado Flamengo a lhe empurrar a cada golaço ou lançamento. Acabe com os deslumbradinhos da nova geração e mostre que para defender essas cores é preciso trabalho e seriedade. Limpe a sujeira que deve haver no solo da Gávea. Você conhece o caminho mais do que ninguém, pois desafiava a lei da gravidade nas cobranças de falta com curvas que beiravam o impossível, como se fosse a bola à época uma jabulani. Seus gols de falta eram lindos de se ver porque os goleiros ficavam imóveis (só moviam o pescoço) certamente imaginando que “essa bola vai pra fora”, e a redonda deslizava suave o barbante, o filó, até parar onde a rede dorme. Muito obrigado por você ter voltado. Com você na Gávea, até nosso hino fica mais bonito de se ouvir. “Vencer, vencer, vencer. Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!”.

*Figurótico é fã do Galinho.