por Mozart Valle Neto*
Tudo começou em março de 1979. Estava assustado, colégio novo, professora nova, amigos novos. O ano foi passando e fui levando. Nesta época tinha poucos amigos. Lembro bem do Vicente (sumiu de Barra Mansa e nunca mais vi) também já era meu amigo o Boi. Voltavamos juntos todos os dias, passávamos em frente ao Socorro e roubávamos um punhado de feijão para jogar um no outro. Lembro como foi difícil para eu colocar a mão e puxar um punhado de feijão pela primeira vez. Minha mãe brigou comigo e nunca mais fiz. Uma vez o Boi jogou um caroço bem no olho do Vicente. Deu o maior bode. Teve mãe no meio, hoje isso me parece bem engraçado, na época não foi.
Neste ano apareceu em minha sala um menino que viria a ser um personagem importante na minha vida e também na de todos por aqui (leitores e blogueiros). Não me enturmei com o menino novo de cara. Só me recordo de uma história desta época: Final de ano e a Tia Maria iria entregar uma medalha (que tenho até hoje) para os três melhores alunos da sala. Não me recordo se era primeiro, segundo e terceiro ou simplesmente os três melhores. Lembro bem que fui o segundo a ser chamado, o último foi o Eduardo Pinna (filho do engenheiro que veio montar a TV Sul Fluminense – que também nunca mais tive notícias) e o primeiro a ser chamado foi nosso amigo.
O tempo passou e sua fama de bagunceiro foi crescendo. Nos enfrentamos algumas vezes em eleições de Representante de Turma e até formamos uma chapa num ano (eu como candidato dos quietinhos e ele como dos bagunceiros). Já faziamos política e não sabiamos. Teve um ano que ele foi convidado a se retirar do CVD, acho que este ano ganhei sozinho a eleição. Nossa amizade começou realmente lá pelo segundo grau. Eram tempos muito polítícos. Eu ostentava uma estrela vermelha no peito (agora o Jorge, Lobo Mau, Couto teve uma síncope). Pelas minhas ligações com a asa esquerda do Espiríto Santo consegui alguns elementos para organizamos um apoio a uma greve geral que iria acontecer em nome das Diretas Já.
Lembro de uma cena, estavamos na casa do Dragão (outro que sumiu) com uma turma preparando o texto de um panfleto que seria distribuído para os alunos para conseguir apoio para greve. Muitos estavam lá pela algazarra. Estavamos com um senhor bloqueio para escrever. O deathline da gráfica estava se aproximando. Ele pegou o papel e falou: Deixa que eu vou terminar. Uns quinze minutos depois ele chegou com um caderno e leu aquela letra bonita e desenhada (sua marcar registrada). Lembro que cheguei a sentir uma lágrima de emoção no canto do olho depois da leitura. Mas neste tempo chorar era a última coisa que poderia fazer.
O tempo foi passando e a admiração aumentando. Foram muitas noites ao lado de um violão, festas, saídas homéricas, penetradas em festas... Tempo bom!
Veio a faculdade! Fizemos um ano juntos na Sobeu. O famoso Ciclo Básico. No ano seguinte ele passou num concurso e foi para o Rio. Montou um ap no Flamengo (afinal não podia ser em outro lugar) que virou embaixada de Barra Mansa. Foram tantos shows, festas, ou finais de semana com praia, alguns com Maraca no fim do domingo.
A vida foi passando os objetivos se distanciando, mas a amizade nunca estremeceu. Todo ano organizamos um encontro. Lá parece que a gente tinha se encontrado no dia anterior. A gente revive tudo de legal que tem passado entre a gente. Não só nós, toda rapazida.Tanta gente que seria injusto correr o risco de esquecer alguém. Num dos últimos soltei uma frase que calou a turma que estava por perto: ’’ Aqui estão as pessoas que vão carregar nossos caixões.’’ Pura verdade. Amizade assim não se desperdiça. Agora então que temos este encontro virtual toda semana esta cada vez mais forte. Amigos velhos, amigos novos, velhos amigos, novos amigos. Todos aqui prontos a desejar um feliz aniversário!
Parabéns Bujão!
*Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) gostaria de perguntar ao amigo Carlos Vinícius se pode passar a chamá-lo de irmão, apenas chamá-lo, pois já o considero assim a muito tempo!











