domingo, 31 de outubro de 2010

Diário de um voto











4° feira pela manhã

Indecisos x Convictos

Não é engraçado?Quem vai decidir a eleição são os que ainda não se decidiram, os indecisos, não os convictos. Pelo menos é o que mostrou O Globo de domingo passado.

Quase todos os órfãos de Marina, eles ficaram com a brocha na mão depois que ela retirou a escada. Se acrescentarem a estes os votos nulos e as abstenções, vamos ter um considerável cordão de desencantados a que pertence, por exemplo, Caetano Veloso, que optou pela “anulação”. Eu só não tenho que me decidir porque estarei viajando e me dei conta, com atraso, de que não tomei as devidas providencias para votar em trânsito. Sei que indecisão é uma palavra depreciativa, mas muitas vezes se acerta mais ficando indeciso, sem tomar partido, do que adotando uma certeza burra. Diante de uma briga, o melhor lugar para ver se alguém tem razão é em cima do muro, não do lado de uma das torcidas.

A verdade é que esta campanha fez por merecer a rejeição. Como é que Dilma e Serra querem governar o país se não conseguem estabelecer entre eles regras de convivência civilizada? Como é que querem impor respeito a um país se não se respeitam? É como escreveu um leitor desse jornal desejando que, em vez de tantas promessas, eles “prometessem educar a si próprios e a seus correligionários, de modo a não se confrontarem de forma desleal e violenta”. Ou como outro que lamentou o “show de incivilidade” e acusou as duas campanhas de “niveladas por baixo”.

Tomara que nesta reta final as coisas melhorem. No começo do segundo turno, quando cada um esperava atrair o apoio de Marina, eles ainda discutiam temas sérios como meio ambiente, exploração do pré-sal, Belo Monte, Código Florestal. Mas, depois, voltaram à troca de desaforos. Projeto de país que é bom, nada. De tanto se acusarem de falar mentiras, Dilma e Serra vão acabar nos convencendo de que pelo menos nesse item os dois falam a verdade.

Zuenir Ventura

O Globo – 27/10/2010


Sábado pela manhã

Indeciso

Não assisti ao debate de ontem na Globo. De um modo geral os debates têm sido muito chatos, se resumem a um amontoado de perguntas sem respostas e agressões de todos os tipos.

Já aconteceram tantos debates neste segundo turno, que eu tenho a impressão de que se as eleições não fossem amanhã, acabaríamos fatalmente por assistir a um na Associação Comercial de Barra Mansa.

Passadas mais de 600 horas do início deste segundo turno, me encontro exatamente na mesma condição da primeira hora, ou seja, indeciso.

Dilma. Continuo sem saber quem é e o que pretende. Sei apenas que pertenceu a grupos de esquerda, que é uma burocrata eficiente e que é deve sua candidatura ao Lula.

Serra. Com esse foi pior ainda, pois eu pensei que o conhecia, mas, aquele careca que foi mortalmente ferido por um rolinho de Durex enquanto distribuía santinhos que diziam “Jesus é verdade”, eu realmente não conheço.

Durante toda a campanha lamentavelmente substituiu-se a propaganda dos princípios e dos projetos de país, pela propaganda enganosa das pessoas. Salve Luiz González e João Santana.

Ta difícil.


Domingo pela manhã

Convicto

Por não saber realmente qual dos dois é a melhor opção para o país e ainda, por não me sentir representado por nenhum deles, voto em branco.

Um bom domingo e um bom país a todos.


E no mais e como diz o esperto Figurótico, “Feriados: não gosto. Aprecio as vésperas.”


sábado, 30 de outubro de 2010

AQUELE ABRAÇO PRA QUEM FICA – VIDA LONGA AO ESTAÇÃO!



por Carlos Vinicius Rosenburg*


"Um grupo de amigos de Barra Mansa/RJ, reunidos neste blog para falar de assuntos que nos interessam e, esperamos, possam interessar a você também. Música, filmes, livros, gastronomia, artes em geral e o que mais você quiser. Embarque no Estação BM." (Texto de apresentação do blog - "Quem somos nós")


Caros blogueiros e leitores,

pedi licença ao Guanabara através de e-mail, solicitando o espaço de hoje, reservado a ele, e entregando o espaço de segunda, que desde o início do blog me pertence. Ele estranhou, mas acabou aceitando – viu que o fiz por uma razão importante.

E a razão importante é a seguinte: venho comunicar meu desligamento do Estação BM. São razões de natureza estritamente pessoal, nada tendo a ver com discussões aqui e ali nos comentários. Por essas, aliás, me desculpo humildemente, ciente de que meu nível de estresse nos últimos tempos acabou transbordando aqui, em pessoas que eu sequer conheço e contra quem nada tenho. Talvez, não nego, tais discussões tenham feito a luz amarela acender, fizeram pensar, acabaram chegando na vermelha, acesa hoje. Ou seja, me fizeram ver que algo de errado estava acontecendo comigo. Mas foram os problemas de ordem pessoal a causa dos desentendimentos e da saída do blog, e não o contrário.

Claro que é desanimador ver que tudo hoje no Brasil se resume a votar em A ou B, vestir a camisa deste ou daquele candidato, uma visão maniqueísta de mundo e, por conseguinte, simplista, tacanha, reducionista, perdida no tempo e no espaço, sem qualquer noção da complexidade da atual sociedade. Como toda visão maniqueísta, traz sua latente falta de horizontes, limitação, pobreza de ideias, debate reduzido a discurso panfletário e a meia dúzia de palavras de ordem, da mesma forma que fanáticos religiosos dividindo o mundo entre bem e mal, entre Deus e o diabo (no fundo, a origem do maniqueísmo). Chega uma hora em que isso realmente cansa, e eu não tenho vocação pra Dom Quixote.

Mas não estou aqui para lamentar, e sim para agradecer a todos os que tiveram a paciência de ler minhas (quase sempre) mal escritas linhas – não há aqui qualquer falsa modéstia – tenho o hábito da leitura e sei o que é um grande texto – definitivamente, não era o meu caso. Mas nunca tive tal pretensão. Por isso, sempre foi fácil escrever aqui – sempre é fácil quando se é despretensioso.

E textos, confesso, faltaram vários, quase todos prontos. Quer dizer, quase prontos. Ou melhor, quase textos. Um acabamento aqui, fotos acolá, links, registro de fontes, ajuste de tamanhos, essas coisas que acabam tomando um tempão. Faltou abordar a ditadura das minorias, o Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd, o Tropa de Elite 2, a eleição da Dilma, a questão da ficha limpa/suja, os restaurantes a quilo, o estado lastimável de nossa cidade, a cultura do medo, os subterrâneos do STF (dica do amigo Sérgio Soares, o Serginho – quem puder leia – reportagem da revista Piauí sobre o Supremo Tribunal Federal – tem na internet), enfim, vários assuntos que ficam para um outro momento, outro lugar, talvez outro blog.

O Estação, da mesma maneira que um filho, cresceu, já tem vida própria, pode caminhar com as próprias pernas. Se houve algum mérito no tempo em que fiquei aqui, foi o de lutar para que o blog tivesse uma coluna diária, nem que fosse uma simples frase ou um link de um vídeo. Parece que conseguimos. Por causa disso, saio tranqüilo.

A falta de tempo, somada a questões pessoais me levaram à decisão. Isso tudo tira o prazer. Durante muito tempo escrevi por prazer. A apresentação colocada na página do blog, no alto, à direita, no “quem somos nós” (inserida também no início deste texto), nos guiou durante muito tempo. Não se sabe quando, não se sabe onde, a coisa foi se perdendo, sumindo, quase que completamente mas, repito, as razões são exclusivamente minhas. Não tenho tempo e/ou paciência para ficar moderando e/ou respondendo comentários ou, ainda, administrando querelas entre os próprios colegas de blog. Não foi para isso que entrei aqui.

A partir de hoje, me despeço definitivamente do blog.

Aquele abraço pra quem fica e vida longa ao Estação!


*Carlos Vinicius Rosenburg tem 38 anos e foi quem batizou o Estação BM, sendo um dos seus fundadores. Durante 15 meses foi titular da coluna de segunda-feira.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"Adriana Falcão"

Gosto muito do modo como Adriana Falcão escreve e, para quem não a conhece, aqui está um pouco de sua história. Logo abaixo, um belo trecho retirado de seu livro "Mania de Explicação".

Nasceu no Rio de Janeiro. Seu primeiro livro, voltado para o público infantil, "Mania de Explicação", teve duas indicações para o Prêmio Jabuti/2001 e recebeu o Prêmio Ofélia Fontes — "O Melhor para a Criança"/2001, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Em 2002, publicou "Luna Clara & Apolo Onze", seu primeiro romance juvenil. Seu romance "A Máquina" foi levado aos palcos por seu marido, o excelente roteirista e dramaturgo João Falcão. Na televisão, Adriana colaborou em vários episódios de "A Comédia da Vida Privada", "Brasil Legal" e "A grande família", todos da Rede Globo. Adaptou, com Guel Arraes, "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, para a TV, posteriormente levado ao cinema.
Outros livros da escritora:“Pequeno dicionário de palavras ao vento” (2003); “A tampa do céu” (2005)-ilustrações de Ivan Zigg e, em conjunto com outros escritores,”Histórias dos tempos de escola: Memória e aprendizado” (2002); “Contos de estimação” (2003); “A comédia dos anjos” (2004); “PS Beijei” (2004); “Contos de escola” (2005); “O Zodíaco – Doze signos, doze histórias” (2005); “Tarja preta” (2005); "Sonho de uma noite de verão" (2007) e "Sete histórias para contar" (2008).


"Mania de explicação"


"Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa. Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."

Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)

...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A ESPERANÇA EQUILIBRISTA

Por Jorge Couto

Sou de uma geração que viveu sua infância e juventude com uma ditadura militar pairando sobre a sua cabeça. Tempos difíceis, sombrios, de medos e mentiras; tempo em que reinava a paz, a paz dos cemitérios.Depois com a saída dos militares renasceu a esperança de se poder pensar o Brasil, de fazer um Brasil diferente, mais igual e justo, mais solidário. Durou pouco esta esperança. Depois da ditadura militar, se abateu sobre o nosso país a onda neoliberal que corria o mundo. Com ela trocou-se o plano coletivo pelo individualismo extremo; renunciou-se aos sonhos em nome do sucesso pessoal a qualquer preço; solidariedade passou a ser coisa de românticos e/ou inocentes. Mataram a alma nacional, como bem disse Aloysio Biondi. Até que em 2002 o Brasil saiu do torpor.

Reproduzo abaixo um texto que guardei durante estes últimos oito anos.

Texto extraído do jornal O PASQUIM 21, 08/10/2002 - 34ª Edição - página 3


“Saí da minha terra mais provinciano do que o último dos D'Artagnans, ainda me ufanando do meu País, eu que tinha querido morrer por ele aos oito anos, conforme se pode ver no belo poema que começava assim: "Dou meu peito à própria morte / Quero a pátria defender..." composto pelo aluno de Dona Didi do Ramos, este que vos fala.
Aos dezesseis anos, ao deixar a província "para conquistar o mundo", eu não havia mudado muito. Desembarquei no Rio de Janeiro, com meus cadernos de desenho debaixo do braço, e descobri que havia desenhistas que não viviam de fazer histórias-em-quadrinhos mas de desenhar anúncios.
Desisti de mostrar meus heróis a editores que não existiam e fui trabalhar em agências de publicidade. Leitor das 'Seleções Readers Digest' e da revista 'Em Guarda', estava convencido de que as Américas unidas, unidas venceriam. E, então, como minha mãe, queria salvar o mundo. Para mim foi uma eternidade o tempo que passou até me ver trabalhando na redação da revista 'O Cruzeiro'. Havia abandonado a publicidade - e o sonho americano - para criar uma revista de história-em-quadrinhos verdadeiramente brasileira. E ali descobri o Brasil. Já estávamos nos anos sessenta e o coelhinho da 'Pererê' - a revistinha que eu fazia – era nacionalista e vermelho. O teatro popular estava nas ruas, o esquema militar garantiria as reformas, o Vianinha dizia: "Eles não tem saída"; íamos fazer as reformas de base; os camponeses teriam suas terras para arar e produzir, nós iríamos criar a "república sindicalista", que nossos patrões tanto temiam. Mais romântico ainda que o menino dos versos heróicos, comecei a acreditar que a vida só teria sentido se não esmorecesse em nós o sonho de fazer deste País um país justo e decente, com oportunidades iguais para todos, sem corrupção, sem desmandos, um país com o povo no poder.
Era 1964 e em abril, minha revista morreu, e - antes do sonho dos Beatles - o nosso sonho acabou. E ficamos perplexos. Quer dizer: eu fiquei perplexo.E veio o 'Pif-Paf', e veio o 'Cartum-JS', e veio o 'Manequinho' nas páginas do 'Correio da Manhã', o 'Centavo', nas páginas do próprio 'O Cruzeiro', a nova fase da revista 'Visão', o sonho renascia e cem mil pessoas marchavam nas ruas do Rio, caminhando e cantando e seguindo a canção da esperança.
Quando, então, a noite de chumbo desceu, os amigos começaram a desaparecer e só nos restava cantar, mais que nunca era preciso cantar.Então, cantando, desenhando e rindo - apenas quando a faca no peito doía - fizemos o 'Pasquim', enquanto os generais se sucediam no poder e cortavam nossas línguas. E olhávamos, atônitos, as fotos dos nossos heróis meninos, de olhares tristes e rostos cansados, com as mãos algemadas, partindo para longe, na troca dos raptos que pareciam a solução para que um dia o país fosse menos cruel com seu povo. E sonhávamos: eles vão voltar para nos conduzir ao paraíso. Certamente - pelo menos no que me concerne - vivíamos mais romance que política.
Muitos voltaram e se perderam e, a cada dia, a esperança sofria um novo revés. Mas nós insistíamos e sonhávamos com o fim da ditadura e eis que ela se esgotou. Os militares voltaram aos quartéis e fez-se a anistia - pela qual, também, lutamos - e juntos, de novo, voltamos às ruas e fizemos todo um país marchar - todo!!!! - dizendo aos donos do poder que queríamos escolher nossos governantes.
E mais uma vez o sonho se frustrou. Aquele que, para mim, tinha a chave da abertura e da reconstrução, morreu no começo da batalha e vieram mais frustrações e, como a vida é como uma onda no mar, como uma onda no mar, nova esperança surgiu e se frustrou e se frustrou e se frustrou. E o século chegou ao fim com a amarga sensação de que toda a luta tinha sido inútil.
Tínhamos vivido, então, quinhentos anos de história, da mesma história, da mesmíssima história em que nos contavam que o país fora entregue aos donatários das capitanias hereditárias e até hoje permanecia em suas mãos.
Deste longo tempo, cinqüenta anos - dez por cento dele!!!!! - foram meu tempo de esperança e de frustrações. Peço licença, portanto, para ser o mais derramado possível. Neste momento, ninguém pode me censurar por isto.
Helás, que faço setenta anos e não vou morrer sem estar próximo do
sonho realizado.

E o sonho é este: ver chegar ao poder - como esperávamos que chegasse o povo - a MINHA gente...a mesma gente que cantava comigo o "Apesar de você";

...que assinava comigo todos os manifestos;
...os que, meninos assustados, foram presos em Ibiúna porque sonhavam com um Brasil sem donatários;
...os que sobreviveram ao napalm do Vale da Ribeira;
...os que rezaram com os dominicanos;
...os que choraram por Lamarca ou Stuart Angel;
...os que não desistiram nem mudaram de lado;
...os que sobreviveram às torturas;
...os que não morreram de susto;
...os que nunca deixaram de ir para a rua;
...os que nunca se calaram.

Ó nóis aqui, nós chegamos lá; Lula, nosso operário, chegou lá com os meninos guerrilheiros que encontrou pelo caminho e que não perderam a fé nem a esperança. Vivi o bastante para ver isto; eu queria ver isto!!!! Estou muito alegre porque estou vendo isto. E porque vou poder assistir - com qualquer conseqüência que seja, com êxito ou fracasso, não importa, estou falando de emoção - a esta experiência absolutamente nova em nossa história.
Meu sábio Silva Melo, bem que você falou: aí está - pena que você não pode assistir - a vitória do seu homem tropical!!!
A vitória de um verdadeiro homem do povo, meu representante, aquele que o Euclides disse que era, antes de tudo, um forte.
Vai lá, Lula, que o Deus do Frei Betto te proteja!!!”.

Ziraldo.


Mas como não existe linha de chegada ou assalto ao paraíso, novamente, e sempre, é necessário continuar sonhando. Daqui a poucos dias estaremos nós todos fazendo uma escolha. Engana-se quem pensa que pouca diferença há entre as duas opções. Trata-se de preservar o legado destes últimos oito anos traduzido em uma política de autonomia, respeitabilidade e independência externa; de manter e aprofundar uma política social onde o direito “de comer, morar, trabalhar, estudar e ter luz e saúde foram, em grande parte, realizadas. Esse inestimável legado não pode ser posto em risco. Apesar dos erros e desvios ocorridos durante este governo, que importa reconhecer, corrigir e punir, as transformações devem ser consolidadas e completadas” (Leonardo Boff). A alternativa é a do retorno à submissão e a vassalagem aos interesses das potências capitalistas centrais, com sua política imperial e guerreira. É o retorno ao neoliberalismo, a insensibilidade social, a debilitação do Estado como agente indutor do crescimento e de justiça social; é a volta da alienação das riquezas nacionais; do aprofundamento da intolerância promovida irresponsavelmente nesta campanha eleitoral, com apelos a intransigência religiosa e as mentiras e calúnia jogadas aos quatro ventos.É disto que trata a nossa escolha no dia trinta e um.

Sou otimista, não posso crer em uma nova derrota, num novo retrocesso. Prefiro acreditar que iremos adiante. “Estamos próximos de termos uma presidente mulher, que participou da resistência à ditadura e que foi torturada pelos agentes do regime de terror instaurado no país, com o apoio da mídia monopolista. Parece-lhes (para a mídia) insuportável moralmente e de fato o é. A figura desta mulher é para eles uma acusação permanente, pela dignidade que ela representa, pela sua trajetória, pelos valores que ela representa” (Emir Sader).

Espero sinceramente, que se concretizem as palavras da professora Marilena Chauí que, ao puxar da bolsa o panfleto da campanha do candidato oposicionista, no qual estava escrito “Jesus é a verdade e a fé”, sem titubear, emendou: “Este folheto é obsceno; obsceno religiosa e politicamente. Ele ataca o núcleo da democracia republicana, que é o Estado laico”. Em meio a aplausos, finalizou: “A minha geração viu um negro na presidência da África do Sul, um índio na presidência da Bolívia, um negro presidente dos Estados Unidos, um operário dirigindo o Brasil e verá uma mulher presidir o nosso país”.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sujeito homem, trabalhador


Por Figurótico*

Sujeito homem, trabalhador que sempre fui, deparei-me semanas atrás com um fato curioso. Como escrevo sobre o que vejo e o que sinto, é de conhecimento de quem lê este espaço há mais de um ano que formei-me somente no fim do ano passado, em jornalismo. Tenho uma vida de trabalho desde os 14 anos, dando aulas de violão no mítico Gordo, formador de mais da metade dos músicos aqui vistos e que heroicamente sobrevivem dessa difícil arte até hoje. Depois tocando em tudo quanto era/foi/é noite!

Pois bem, com meu canudo de jornalista era preciso agora tirar o registro para poder exercer tal profissão.

"Que documentos preciso?", perguntei a um amigo jornalista.

- Carteira de trabalho, ...

Antes que ele prosseguisse o interrompi e disse que iria tirar uma.

Chego ao local indicado.

- O próximo!

- Boa tarde, quero tirar uma carteira de trabalho.

- Sim, senhor. O que houve com a sua?

- Nada, eu nunca tive!

Silêncio, silêncio. Foi o que se viu naquele grande espaço. O ser incrédulo vendo um rapaz de 35 anos, cabelos quase brancos, se indignou. Certamente pensado, “como um cara desse nunca trabalhou, que vagabundo!?”.

- Sou músico, não tenho carteira, só a de músico profissional – disse, apenas para tranqüilizá-lo.

Tenho carteira de músico que não tem um carimbo se quer. Profissão marginal maior não existe.

Lá atrás, quando tinha 10 anos sonhava em ser goleiro do Flamengo. Se tivesse seguido, hoje estaria me aposentando, talvez, rico já. Mesmo sendo um reserva já estaria bom. Mas a vida me mostrou o rock’n rol e seu mundo, e nele me afoguei. Hoje tenho uma carteira de trabalho que nem sei se será usada. E continuo a empunhar um instrumento para meu sustento, minhas esbórnias, minhas contas, minhas noites, meus amores.

Por hoje é só, estou atolado fechando minhas datas de shows até dezembro, encaixando uma aqui, outra ali, pra que atenda a todos que querem nos contratar. Até o Natal estou atolado de tanto trampo. Mas minha carteira não diz nada disso. Por ela, sou um vagabundo.

Pra encerrar, um dos mil rabiscos que tenho aqui de músicas que ainda serão gravadas:

Trabalho

O trabalho anda me chamando

O trabalho anda me chamando

(O trabalho me chama!)

(O trabalho me chama!)

E eu não atendo

Estou pensando em voltar

Mas não no momento...

*Figurótico é músico. E pelo visto vai morrer assim...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Fome de viver


Fome de viver
*Por Renata Klotz


Você está vivo ou não estaria lendo esse texto.Você respira, inspira, come, pensa, age, dorme, acorda,fala ,anda,vê.Está vivo, sem dúvida, você é testemunha do mundo e o mundo testemunha a sua existência.Mas você tem fome de viver?

Fome de viver.

Vontade, felicidade, desejo.Busca, erro, agonia, confusão, verdade,
omissão, acaso, coincidência. Vida.

Tem gente que critica quem tem. Não entende o que seja. A tal fome. Que não passa. Meu tio disse uma vez da mulher dele: Ela é “crazy for life”. Tem fome de viver,digo eu.
Essa fome faz com que você quebre a cara um milhão de vezes, mas aprenda alguma coisinha no caminho. O importante é o caminho. A vida é o que acontece quando você está fazendo outros planos.
Milhares de escritores com tanta fome de viver ou mais do essa que vos fala, já citaram frases maravilhosas, não terei a pretensão de ser original.Mas a loucura, a paixão por estar vivo, ou viva,essa é única, individual e insubstituível.

Acredito que o tempo não gosta de gente blasé. Gente tanto faz. Carinha de muxoxo,cara de nojo pra vida. Ai...gente? gente fede. Amigo? amigo dá trabalho. Amor? o que é isso? Sexo? sua muito. Se dar? eu hein,aí fico sem. Filho? e o meu sossego,meu dinheiro,minha vida certinha ? Assim pensam alguns. É pra se pensar em porquê. Será medo?
Eu tenho um amigo de muitos anos que é assim. A um tempo atrás ele levou um fora da namorada que adorava e por quem tinha feito tudo. Veio até mim pra desabafar, se queixou, chorou, ficou muito puto. Normal.
Passado alguns meses, ele tava um pouco melhor, eu disse pra ele: -Um conselho:VIVE.Sai, bebe, viaja, conhece gente, come pessoas(fazer o quê,o termo era esse mesmo), se diverte, ri, chora, chora de tanto rir . Mas não passa pela vida em branco. Só se aprende a viver vivendo. Infelizmente ele não seguiu meu conselho. Ele é muito bonzinho. Dá vontade de gritar pra ele: Você só saberá se é bonzinho o dia que tiver a oportunidade de ser mau. Aí vai saber quem é, vai se conhecer.Mas só é possível fazer isso vivendo. Viva, você está vivo.Com fome, com gana. Não dá pra ser light na vida.

Tem um filme que eu adoro, já vi quinhentas vezes, Gattaca. Aquele do futuro onde só nascem os melhores embriões, os fodões, geneticamente gerados como vencedores, sem defeitos , problemas de saúde zero. Tinha o cara que era normal, tinha fraquezas, problema no coração, e por isso não podia ser astronauta, viajar pra lua. E esse era o seu sonho, era por isso que ele vivia.
Numa cena maravilhosa, ele se encontra com o irmão, muitíssimo melhor dotado geneticamente que ele, e eles competem nadando no mar. Desde criança o mais fraco sempre vencia, e o outro não entendia porque. Naquele dia não é diferente, e o fraco salva a vida do forte, que quase se afoga. Aí vem uma das melhores frases do filme:” Como você sempre consegue me vencer sendo muito mais fraco que eu?” Resposta: “ Eu jamais guardei forças pra voltar.” GANA. Vontade. Fome de viver. Tesão pela vida.

Vontade de viver até a última gota, até o talo. Crazy for life. Loucura?
Será mesmo...?
Se você tem isso, metade do jogo já está ganho. A outra metade, você busca ou vem até você.


“A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.”

*Alguns palavrões foram usados por serem extremamente indispensáveis ao texto.
**Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais não é mera coincidência.

*Renata tem 33 anos e uma fome de viver que não passa.É crazy for life.Com muito orgulho.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

QUANDO CHEGAR O GRANDE DIA... (coluna dedicada ao amigo Luiz Antônio Gilly Nardy, o “Gilly”)



por Carlos Vinicius Rosenburg*

Quando chegar o grande dia...

Tudo vai ser diferente, eu farei diferente, estarei magro, os cabelos cortados, a saúde boa, o check-up em dia.

Quando chegar o grande dia...

Vou visitar o amigo, responder o e-mail, me levantar da cadeira, ler o livro inteiro.

Quando chegar o grande dia...

Não espero mais nada, vou me antecipar, fazer aquela viagem, me declarar pra mulher.

Quando chegar o grande dia...

Vou brincar com minha filha, vou fazer tudo o que quero, vou pensar mais em mim, vou arrumar o jardim.

Quando chegar o grande dia...

Vou dizer eu te amo, aquele eu te amo, vou dizer pra vocês.

Quando chegar o grande dia...

Eu vou ser mais feliz, vou fazer caridade, farei a maior festa que o mundo já viu.

Quando chegar o grande dia, ah, o grande dia...

Ele nunca chegou, ele jamais chegará, não há mais grande dia, já se foi, acabou.

Não existe amanhã, o que temos é hoje.


*Carlos Vinicius Rosenburg tem 38 anos e dedica esta coluna ao amigo Luiz Antônio Gilly Nardy, o “Gilly”, que faleceu na noite de sábado, 23/10/10, aos 58 anos, após longa batalha contra um tumor no pâncreas. À família, em especial aos queridos Rosângela, Francine e Lucas, os sinceros sentimentos e esta singela homenagem, muito pequena e modesta para representar o amor que sente por eles.

domingo, 24 de outubro de 2010

Preâmbulo

Por Valério Cortez

Hoje ta difícil. Até para começar ta difícil. Creio que sejam las cervezas, mas tudo bem, pois afinal de contas, de um jeito ou de outro já começamos.

Postar texto dos outros sempre foi uma ótima saída para os momentos de aperto e de falta de imaginação. Hoje, porém, não se trata disso, estou postando um texto do Arthur Dapieve, apenas porque neste texto, o Arthur diz tudo aquilo que eu sempre quis dizer sobre nosso relacionamento aqui no blog e nunca consegui. Talvez seja meramente uma questão de talento. E depois dele, para dar para dar vazão a minha verbarrogia crônica, falo um pouquinho das eleições.


Da amizade – Há coisas que te ajudam a viver

O Zuenir Ventura tem dito por aí que considera a amizade um sentimento mais forte que o amor, porque ela não tem cláusula de exclusividade, nem costuma ter ciúme. Mestre Zu sabe tudo. Eu só acrescentaria que a amizade não pede exclusividade, mas inclui fidelidade.

Conseguir reunir-me com amigos em torno de interesses comuns - música, literatura, política, viagens e, claro, uma boa sacanagem - costuma ser um dos grandes momentos da minha semana. Quando não consigo, a vida ao lado da família que escolhi ter acaba prejudicada pelo meu mau humor. Note que “interesses comuns” não equivale a “opiniões comuns”, como acreditam certos círculos mentalmente preguiçosos. Seria chatice mortal ficarmos horas em torno de uma mesa concordando com tudo. Daí a importância do futebol, não só para as amizades como para o aprendizado democrático de cada dia.Pênalti indiscutível”, na prática, é apenas uma figura de linguagem. Por isso, valorizo ainda mais os amigos. Eles me expõem as outras formas de pensamento, até quando a gente acha que esta só jogando conversa fora, sem pensar em nada.

Fico vendo as pessoas se gabarem de ter não-sei-quantos amigos no Facebook. Acho uma vulgarização da palavra amigo e do próprio sentido da amizade. Nessa conta, entra gente que nem sequer se conhece. Eu não quero ter um milhão de amigos, não, Roberto. Nem Facebook. Não que seja homem de poucos amigos – e, isso vai sem eu dizer, amigas -, mas gosto de cultivá-los um a um, por suas características peculiares, não via estatísticas. Também não menosprezo amizades nascidas na internet. Entretanto, para se efetivarem amizades, elas têm tem de sair do virtual, para o prazer do convívio à mesa. Algo revelador, íntimo e divertido, tipo assim...”O encontro marcado” Clássico do Fernando Sabino, ou “Meus caros amigos”, filme do italiano Mario Monicelli.

Infelizmente, amigos não duram para sempre, é a óbvia constatação dos últimos meses. Ou porque eles fazem a desfeita de morrer antes da gente ou porque alguma circunstância os afasta em vida. Porém o bem estar que a amizade proporciona, este sim, é eterno. Até a hora em que nosso próprio coração, cansado de ver a mesa se esvaziando, faz ao garçom que não está mais lá o gesto de escrever algo no ar.

Arthur Dapieve, 37 anos é carioca e jornalista, crítico musical, escritor, e professor universitário. É considerado por muitos como o melhor texto do jornalismo cultural da atualidade. Mas como ninguém é perfeito, o gajo é botafoguense.


Bolinhas de papel e bravatas

E tudo vai ficando velho, da namoradinha gostosa da adolescência ao indefectível título de eleitor, tudo vai ficando velho sem nós dar tempo de espernear.

Sou o feliz proprietário de um título de eleitor já bastante rodado, e extremamente orgulhoso de suas opções.

Meu título de eleitor, para que você tenha uma idéia, já tem mais de 30 anos de labuta. Dezenove eleições, um plebiscito e um referendo. Meu título e eu sentimos muito orgulho de termos votado no saudoso Leonel de Moura Brizola, no visionário Darci Ribeiro e na inacreditável Maria da Conceição Tavares. Foram muitos acertos e muitos erros também.

Esta introdução toda é só para dizer que ate a presente data, eu ainda não encontrei um fato sequer que me ajudasse na escolher entre os dois candidatos neste segundo turno.

A esperança que tínhamos de que um 2° turno forçasse o acontecimento do necessário debate sobre as grandes questões do país, foi pro saco. Lamentavelmente os candidatos, Dilma e Serra, parecem estar mais preocupados em gastar este precioso tempo, na inacreditável disputa pelo título de o maior conservador do pleito, isso quando não estão ocupados em tentar esconder as derrapadas de seus Paulos pretos e Erenices.

Pra dizer a verdade, eu não acredito que a Dilma seja contra o aborto, como não acredito que o serra vá privatizar a Petrobras, e quando eles dizem que vão construir 10.000 casas, 1000 escolas e não sei lá quantas creches, eu fico achando que isso parece discurso de candidato a prefeito do interior.

No fundo no fundo, eu to começando a achar que para saber quais são as idéias de nossos candidatos, nós vamos ter que aguardar um deles ser eleito e colocá-las em prática.

Um bom domingo a todos.

sábado, 23 de outubro de 2010

BAZÓFIAS



*por Heleno Guanabara

Com o acúmulo do prêmio para as eleições presidenciais de 2010, a corrida esquentou no segundo turno e, desde o fim o programa do humorista João Cleber na RedeTV, não se via tanta baixaria da televisão brasileira.

Acusações de parte a parte, todas - diga-se - plenamente fundadas, o tema que pareceu tomar conta do debate foi sem dúvida a questão religiosa em torno do tema da descriminalização do aborto. A ala conservadora da igreja católica paulista pegou pesado contra a candidata Dilma “Esconjuro” Rousseff e ameaçou: quem votar na candidata petista terá de se confessar depois do voto e a penitência vai ser severa.



A situação exigiu medidas drásticas e, mais do que depressa, a candidata da situação saltou de uma ponta a outra do discurso e, com a bíblia na mão, tratou de acalmar o eleitorado de Deus. Há quem diga que ela agiu mal, pois agora desagradou aquele grupo de eleitores que acreditam ser mais importante firmar posição, do que seguir tergiversando ao longo da corrida eleitoral, ao sabor das pesquisas de opinião.

Sinceramente, do alto de minha vasta experiência em eleições, acho que a candidata e sua equipe de marketeiros agiram de forma acertada. Eleição não é o momento de se buscar uma ideologia política, manter a coerência de opiniões, falar francamente e muito menos de soltar a franga ou sair por aí dando uma de doidão. É a hora de dizer exatamente o que o povinho quer ouvir e nem uma vírgula a mais ou a menos. É igual ao casamento. Você acorda de manhã e dispara: amor, se soubesse que estar casado com você seria tão bom, teria me feito o pedido aos dezoito anos. Ou então a clássica: o tempo não mudou você, nem um pouco. E quando já acha que está profissional, arrisca: por que você não chama sua mãe para almoçar domingo?

Ou isso, ou a verdade. Só que tem um problema, em matéria de política a verdade nunca é bonita. Em termos de política, a verdade está mais para uma baranga de fim de noite, com chiclete no sutiã e boca de cinzeiro. Ninguém acha bonito, só quem gosta é esse pessoal metido a intelectual, cheio de ideologia vetusta, classe “mérdia” burguesa formada por malandros de bolsos tungados de tanto pagar imposto, ou seja, basicamente uns reacionários de plantão, prontos para emitir uma opinião contrária à ordem estabelecida, em nome da manutenção de sua posição privilegiada na casta social, que atingiram sem derramar uma única gota de suor, mas, muito provavelmente que conseguiram por uma questão meramente sobrenatural, sorte mesmo. Fazem algum barulho, mas não passam de minoria que, em tempos de eleição, é sinônimo de derrota.

Já o candidato Serra vive uma situação constrangedora. Além de não conseguir avançar um décimo de ponto percentual nas pesquisas, apesar de toda força que vem fazendo para mostrar os dentes em campanha, ainda protagonizou o primeiro caso de bullying que se tem notícia em eleições. Isso mesmo, o candidato passava desavisadamente em meio a uma horda de petistas que, por sua vez, não resistiu à tentação de sacanear o careca e ... bem, as imagens não mentem, ou mentem?!




Desse lamentável episódio surgem novas questões para o debate político que certamente terão grande influência na decisão do segundo turno. A primeira talvez seja o fato de que tão importante quanto o debate sobre as vítimas do aborto ilegal, ou as do nosso trânsito assassino, é a questão da situação humilhante que a minoria descapilarizada encontra no seu dia a dia, sendo sacaneada até mesmo por sujeitos barbudos, vestidos de vermelho e semianalfabetos. Uma lástima que traumatiza, humilha e magoa profundamente aqueles infelizes que já não sabem mais o que é usar um creme rinse ou um Neutrox.



Outra questão que ganha força nesse acontecimento é o tema ambiental. Afinal de contas, a bolinha utiliza pelos petistas ensandecidos era de papel reciclado ou não? Se for reciclado tudo bem, fica notório o comprometimento do adversário com o meio ambiente. Mas, e se não for? Já pararam para pensar nas consequências disso? Como vai ficar o PV nessa história? Em cima do muro? Isso vai dar o que pensar ... penso eu.

Finalmente, tem-se a discussão acerca do evidente despreparo do candidato Serra. George Bush, por exemplo, jamais seria atingido tão facilmente pelo petardo petista, inclusive, porque já enfrentou situação muito pior. Isso é fato!

Pelo menos, em caso de derrota, José Serra parece que não terá preocupações com emprego, pois, segundo soube, a Chamex já irá chamá-lo para garoto-propaganda.

No aguardo dos próximos capítulos.



Respeitosamente,

Heleno Guanabara é candidato a reeleição de síndico e, segundo o Datafolha, ganha ainda no primeiro turno.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A brincadeira que não tem graça.
*por Flavia Alvaro Porto
Ontem li na internet que o Conselho Nacional de Justiça lançou uma cartilha para ajudar pais e educadores a prevenirem o problema do bullying tanto nas escolas quanto em suas comunidades. A cartilha traz, em forma de perguntas e respostas, várias orientações sobre como identificar o bullying, quais são suas consequências e como evitar. É muito interessante!

Nosso blog não deixa de ser uma comunidade, por isso resolvi abordar esse assunto que se faz tão necessário em nossas vidas. Ainda mais pelo que anda acontecendo: ofensas gratuitas e totalmente desnecessárias. Hoje em dia o assédio moral, a tortura psicológica e suas variantes já é considerado “bullying adulto.”

O cyberbullying também deve ser combatido, pois nestes casos são utilizados e-mails, telefones celulares, torpedos, fotos digitais, textos em blogs ou sites pessoais para a exposição de comportamentos hostis de um indivíduo ou um grupo contra alguém ou contra mais de uma pessoa.

Quem achar que está sofrendo bullying é só tomar as providências cabíveis, iniciando, pra quem não sabe, por salvar os comentários ofensivos, imprimir e registrar em cartório, pois assim eles servem de prova.

Para quem se interessar pela cartilha, o link é: http://www.cnj.jus.br/images/Justica_nas_escolas/cartilha_web.pdf

Quem de nós nunca foi sacaneado ou já sacaneou alguém na escola, na rua, em algum outro local onde houvesse um grupo de crianças brincando? Apelidos então, nem se fale: “rolha de poço”, “quatroolhos”, “sorriso metálico”, “cabeção” e por aí vai...Todo mundo já testemunhou uma dessas “brincadeirinhas” ou foi vítima delas. Mas esse comportamento, que era considerado normal por quase todos, hoje em dia está longe de ser inocente.

Lembro bem quando eu estava na primeira série na escolinha da tia Ruth Chiesse e tinha um garoto maior na sala que se chamava Anderson. Ele era meio ruivinho, alto e chato pra caramba. Esse garoto sentava comigo e me beliscava o tempo todo dizendo que se eu contasse pra alguém ele iria me bater. Claro que contei pra professora, a tia Haymèe. Eu só queria trocar de lugar. Ela me deixava de castigo no banheiro todas as vezes que eu contava em casa e que minha mãe ia na escola reclamar desse talzinho. Eu ficava de castigo quase que diariamente pois eu sempre reclamava dele. Do banheiro eu nunca contei pra mim mãe, afinal, naquela época (afff!!!) era normal que a professora deixasse os alunos de castigo e meu medo era maior. Hoje percebo que sofri bullying tanto do garoto quanto da professora. Nunca esqueço esse fato.

O bullying é tão comum entre crianças e adolescentes que recebeu até um nome próprio, que em inglês quer dizer algo como usar o poder ou força para intimidar, excluir, implicar, humilhar, não dar atenção, fazer pouco caso e/ou perseguir os outros. Quem sofre com o bullying é aquele aluno perseguido, humilhado, intimidado. Digo aluno pois acontece em maior número dentro das escolas, onde há uma convivência diária entre eles. E o agressor não age assim somente na escola. No geral, se em casa ou na rua tudo ele resolve de forma agressiva, tanto verbal quanto física, certamente ele vai se expressar assim na escola também, por isso é de suma importância que os pais deixem de se eximir da responsabilidade de educadores e tomem consciência de que seu filho pode sim “estar praticando” (perdão, mas não consegui me livrar desse gerúndio) o bullying nos diversos locais que ele frequenta e que ele necessita ser corrigido ou até mesmo levado para um tratamento psicológico. Fora que o exemplo tem que vir de casa. As crianças agressivas somente estão repetindo o que veem em casa. Isso é fato! A boa conduta, o equilíbrio, os valores, são de extrema importância para a criação dos nossos filhos, lhes servindo como exemplo.

Infelizmente não sou mãe ainda mas como professora posso dizer "nossos filhos" pois passo por situações bem comuns à essas na escola. Em minhas turmas é proibido que os alunos se tratem por apelidos pejorativos. Além do que muitas crianças apresentam um comportamento em casa e outro na escola, por isso devem ser acompanhadas de perto. E tudo o que acontece em casa é contado pra nós e ficamos sabendo, sem querer, da rotina e comportamento das famílias dos nosso alunos. Nesse momento tem algum professor sabendo muito mais da sua vida sem que você sequer imagine. Portanto, todo cuidado é pouco!

E eu também não sabia, mas após ver a cartilha e começar a pesquisar mais a fundo sobre o assunto para escrever esse texto, descobri que existem vários tipos de bullying:

  • Físico (bater, chutar, beliscar, ferir, empurrar, agredir)

  • Verbal (apelidar, debochar , insultar)

  • Moral (difamar, caluniar, discriminar, tiranizar)

  • Sexual (abusar, assediar, insinuar, violar sexualmente)

  • Psicológico (intimidar, ameaçar, perseguir, ignorar, aterrorizar, excluir, humilhar)

  • Material (roubar, destruir pertences materiais e pessoais)

  • Virtual (insultar, discriminar, difamar, humilhar, ofender por meio da Internet e telemóveis)

Segundo a cartilha, há características no comportamento das crianças que podem mostrar se ela é vítima de bullying: na escola elas ficam isoladas ou sempre perto de adultos, são retraídas nas aulas, ficam tristes, deprimidas e aflitas. Em casos mais graves, podem apresentar hematomas, arranhões, cortes, roupas danificadas ou rasgadas. Já em casa a criança se queixa de dor de cabeça, enjôo, dor de estômago, tontura, vômito, perde o apetite e tem insônia. Outros indicadores são mudanças de humor repentinas e tentativa de faltar às aulas.

O caso é muito mais sério que imaginamos, por isso o diálogo franco e aberto com os filhos é extremamente importante. Passar-lhes confiança para que eles também se abram conosco é de suma necessidade, pois a violência hoje em dia está em nível alarmante.

Números mais recentes (2009) mostram que:

40,5% admitiram estar diretamente envolvidos nos casos de bullying

60,2% afirmaram que o bullying ocorre com mais frequência dentro das salas de aula

80% manifestaram sentimentos contrários aos atos de bullying, como medo, pena, tristeza

41,6% daqueles que admitiram ser alvos de bullying disseram não ter solicitado ajuda aos colegas, professores ou família

23,7% dos que pediram ajuda foram atendidos

69,3% admitiram não saber as razões que levam à ocorrência de bullying

51,8% dos alunos autores de bullying afirmaram que não receberam nenhum tipo de orientação ou advertência quanto à incorreção de seus atos.

FONTE: o Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes, ABRAPIA.

O bullying também leva ao suicídio pois a pessoa em questão pode não suportar a pressão do que vem acontecendo e, por pedir ajuda e não receber, acaba tomando uma atitude extrema, atentando contra sua própria vida.

O bullying não acontece exclusivamente com crianças, portanto fique atento aos sinais que as pessoas demonstram e nunca se vire contra um pedido de socorro.

*Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)

Praticar o bullying nada mais é que um ato de covardia.

Ah, como sou do SOL, eu AMO o horário de verão!!!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

LEMBRANÇAS E ESPERANÇAS

Por Jorge Couto

O dia 11 de setembro de 2001 ficou tristemente marcado pelo ataque terrorista as torres gêmeas em Nova York. Todos assistimos as cenas terríveis do atentado que matou milhares de inocentes, num ato de violência impossível de se justificar. Há, porém, um outro 11 de setembro de triste lembrança, o dia 11 de setembro de 1973, que causou de modo direto e indireto um número ainda maior de mortes e de sofrimentos. Trata-se do dia do golpe militar no Chile, que depôs o presidente Salvador Allende. Foi um dia triste para todos os que sonham com um mundo mais livre e mais justo. A experiência socialista chilena foi motivo de esperança para muitos e de desespero e fúria para alguns. Pela primeira vez na história um político socialista, verdadeiramente socialista, chegava ao governo pela via do voto direto e democrático. Com a eleição de Allende parecia que se superava um dilema que foi muito bem formulado pelo próprio Salvador Allende: muitos desejam o socialismo, mas poucos estão dispostos a pagar o preço terrível de uma guerra civil.Difamado, caluniado, atacado, sabotado pela elite chilena, apoiada pelo governo norte-americano e pela mídia chilena, o governo socialista do presidente Allende lutou por quase três anos para tornar o Chile um lugar melhor e mais digno para seu povo.Durante meses pode-se acompanhar o final do drama chileno, que teve seu epílogo naquele 11 de setembro sob as botas do vampiro Pinochet (Que a terra lhe seja pesada!).

Nesta ocasião vivia-se no Brasil uma feroz ditadura militar (que em muito colaborou para a derrubada do governo democrático chileno) e eu era um jovem de 17 anos entusiasmado com a possibilidade do socialismo na nossa América do Sul.Lembro-me bem daquele dia triste e angustiante. Naquela época os meios de comunicação não eram tão rápidos como hoje; e as notícias eram censuradas pela ditadura brasileira. As notícias eram imprecisas e confusas. Mais de doze horas após o início do golpe ainda não se tinha certeza do seu desfecho. O “Jornal Internacional” na noite daquele dia - que era apresentado pela TV Globo por volta das 23 horas (o “Jornal Nacional” já existia e, como hoje, era apresentado mais cedo), dava notícia de uma possível reviravolta nos acontecimentos com uma suposta resistência (infelizmente não confirmada) do General Carlos Prats a partir da cidade de Valparaíso - o digno e democrático general Pratts nada pode fazer e acabou por ser assassinado pelo serviço secreto chileno em Buenos Aires em setembro de 1974, onde estava exilado. Meu pai sentado ao meu lado, ao ouvir a notícia do possível contra-golpe levantou-se e, no seu modo característico, berrou que se aquilo fosse verdade ele se mudaria para o Chile para poder conviver com aquele povo heróico. Não pude deixar de rir da bravata paterna.

Foi-se aquela esperança, mas ficou a lembrança e o seu valor simbólico; outras viriam, e com desfechos mais felizes.

Uma lembrança especial para mim foi a queda de Saigon, capital do antigo Vietnã do Sul, em 29 de abril de 1975. Era o fim de um dos mais desiguais conflitos da história da humanidade, com a vitória do lado supostamente mais fraco. As imagens de civis ligados ao governo e militares histéricos tentando sair da cidade de qualquer maneira; os invencíveis “Marines” derrotados e humilhados na sua arrogância imperial; as imagens de jovens norte-americanos protestando contra aquela guerra genocida (entoando o canto: 'Hey, Hey, LBJ! How many kids did you kill today?' (Ei, Ei, LBJ! - as iniciais de Lyndon Baynes Johnson - quantos crianças você matou hoje?) são inesquecíveis.

Outra grande lembrança é a da vitória da Revolução Sandinista na Nicarágua em 19 de julho de 1979, que marcou o fim de uma ditadura cruel a serviço de empresas multinacionais que tinham transformado aquele país em uma republiqueta produtora de bananas. Esta foi outra vitória e esperança frustradas com a derrota posterior da revolução democrática pelas forças contra-revolucionárias financiadas pelos EUA e apoiadas pelo Vaticano do Papa João Paulo II.

No Brasil também não são poucas as lembranças de vitórias muito aguardadas: a chegada dos exilados políticos ao som da antológica música “O Bêbado e a Equilibrista” (na voz de Elis Regina), transformada no hino da anistia; a campanha pelas eleições diretas para presidente, que foi derrotada pelos militares, mas que sinalizou o fim próximo da ditadura, estão entre gratas lembranças. Uma muito especial foi a eleição de Brizola para governador do estado do Rio de Janeiro em 1982. Eu, que nunca fui brizolista, tive o prazer de votar no engenheiro Leonel como uma resposta aos ditadores militares brasileiros que satanizaram o velho Brizola.

Existem outras lembranças tão ou ainda mais importantes para o Brasil e a democracia.

Voltarei ao assunto.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Ê, povinho bunda"

Por Figurótico*

De saco cheio que ando em ver a cara de Lula e Dilma na TV, dizendo que “nunca na história desse país” se cresceu tanto; que agora o Brasil aparece ao mundo com outra cara; com mais respeito, mais dinheiro; certo estou é que estamos diante de um momento histórico. Nunca na história desse país se ouviu tanta música ruim, estou a pirar de vez. Peço arrego! Mesmo não participando nem de longe das aglomerações musicais de hoje em dia, essas nos chegam de todo canto. Pela TV, pela internet, e até por seus contatos em redes de relacionamento.

Dos poucos programas que (ainda) assisto na TV aberta, como Profissão Repórter, Globo Esporte, Programa do Jô, sou diariamente nocauteado pelo primeiro comercial a seguir, com mais uma dupla sertaneja com seu novíssimo DVD Ao Vivo, que nem se quer eu ouvira um dia, já tem CD ao Vivo. Uma enxurrada de músicas idênticas, corinhos idem, mãozinhas pro alto, choro. Uma fórmula de música pra lá de gasta, um crime ao ouvido. Os mesmos quatro acordes ao dispor das frases e clichês mais gastos do planeta. Aos músicos, proponho tocarem (A, E, F#m, D). Pronto! Com esses quatro acordes vocês se tornam os mais novos estouros do sertanejo no país.

Com o fim da produção de boas músicas no BRock no final dos 80, a onda sertaneja apareceu e de uma hora para outra o país mudou, musicalmente. O que acabou acontecendo com o funk, o axé (este acabou até com o carvanal de sambas e marchinhas, ao menos o Rio mantém essas tradições, ainda). Quem imaginaria que depois de Nirvana nunca mais se ouviria um rock em rádios, como nos 80 foram? Rádio sempre foi um bom veiculador de rock. Não à toa, o rock na cidade do Rio, ao que me parece, morreu com a Rádio Cidade – a rádio rock! Paul McCartney tocará no Brasil em Novembro, em Porto Alegre e São Paulo...

Nas rádios daqui nem se falam... Parece que é proibido. Sim, pois NX Zero, Fresno, Restart, e até Capital Inicial (de hoje em dia) não são rock. Tivemos o SWU em Itu, e alguém alguma vez teve a proeza de tocar Rage Against The Machine numa rádio? Venerada como é a banda isso é um absurdo. Pensam, “é muito pesado, não é comercial”. Está pra nascer uma palavra mais odiada por mim do que “comercial”, no que se refere à música.

Mesmo nos afastando enxergamos em tudo quanto é casa de show, “Quintaneja, Sextaneja, Quartaneja”. Céus!!! Depois de micaretas, bailes-funk, “forrozim”, sertanejo-universitário, temo pelas crianças, pelos adolescentes, pelos jovens... Pais, cuidado! Que crianças crescerão com a Ivete como ídolo, Luan Santana? Por que o Brasil chegou a isso? O Brazilian Day é a vergonha nacional, nossa imagem de bossa-nova, da rica MPB transformou-se num chiqueiro. Sabemos também que músicos como Toninho Horta, Marcos Valle, tem seu sucesso reconhecido no exterior, sobretudo no Japão. Mas essas avalanches tropicais de sucessos que teimam em representar o Brasil lá fora podem nos queimar o filme de vez.

Não há para onde descer! Digo isso com propriedade. Vivo de rock’n roll numa terra de abadas, pulseirinhas VIP, chapéu de sertanejo e público sedento por um novo sucesso que junte as palavras “coração, balada, beijo, me liga, farrear”. São nomes que tempos atrás ouvidos, nos ligariam a NOMES de relevância na música, como João Bosco e Armandinho. Hoje não se trata do irmão do Tunai nem do baiano do (verdadeiro) trio-elétrico. Mesmo que o nome do cidadão seja João Bosco, trata-se de um tremendo cara de pau de usá-lo musicalmente.

Pra encerrar esse momento, uma letrinha do Roger, do Ultraje, de 2002. E, a propósito: a frase do título foi tirada de uma camisa do Roger, onde se lia "Ê, povinho bunda" no local em que era pra estar escrito "Ordem e Progresso".

Esta Canção

Esta canção está uma merda
Desculpe, eu tenho que viver
Se é de cocô que o povo gosta
Taí, cocô eu sei fazer

Faço cocô bem direitinho
No vaso ou no peniquinho
Mas posso fazer meu cocô
Direto no ventilador

É um sintoma perigoso
Se não tratar vira doença
O que era coisa do intestino
Parece que foi pra cabeça

A coisa ta meio esquisita
Tá todo mundo achando bom
A coisa já não é bonita
E a coisa agora tá marrom

Vai cocô
Segue o seu caminho
Navegue nas ondas do ar
E nunca estará sozinho
Ah!

Link da canção:

http://www.youtube.com/watch?v=iOULW2m7KJo&feature=player_embedded#!

*Figurótico só está assustado, nada mais.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pesadelos de uma noite de horário de verão.

por Mozart Valle Neto*

Todo ano a mesma coisa. Começa a vigorar o horário de verão e entro em descompasso total. Meu corpo muda. Fico cansado. A tal hora a mais acaba sendo passada no trânsito. Para isso dar certo de verdade seria preciso adiantar umas três horas no relógio.

O período de adaptação é muito ruim. A noite da mudança, geralmente um sábado, até que vai pois quase sempre estou na rua e não vejo o tempo passar. Nesta inclusive esta no Piraí Fest, mas isso merece um post especial.

Aí vem aquele domingo esquisito. Acordo cedo mas já é tarde. Fico sem sono é já é muito tarde. Passo a noite toda acordando e cochilando achando que vou perder a hora. Olho para janela e está escuro. Viro e penso tem tempo. Aí lembro, seis horas no horário de verão ainda está escuro. Corro para o celular, isso dá outro post – ninguém mais usa relógio de pulso, é vejo a hora. Três da matina, quatro, cinco. Resolvo ficar acordado. Cochilo e perco a hora. Fatal. Todo ano é assim.

Depois vem a interminável segunda feira. Essa então foi de lascar pois trabalhei em Vassouras na parte da tarde e em Piraí até as dez. E ainda chego em casa e lembro que esta semana o texto é meu. Corro para o laptop para pensar. O cansaço só me dá a escolha de falar do bendito horário de verão. E logo ir para a cama que é quente.

Um abraço a todos. Até dia o dia de finados.

Ps1. Para quem não tinha visto ainda estou dividindo a coluna com a Renata. Uma semana ela outra eu.

Para não perder o jeito segue uma receita.

Massa de queijo para acompanhar caldos

INGREDIENTES

Massa:

150g de queijo parmesão ralado

150g de farinha de rosca peneirada

Alecrim e tomilho picadinhos a gosto

Noz moscada ralada, sal e pimenta-do-reino a gosto

4 ovos

MODO DE PREPARO

Numa tigela coloque queijo parmesão, farinha de rosca, alecrim, tomilho, noz moscada, sal e pimenta-do-reino e misture bem. Adicione os ovos mexendo com um garfo. Com as mãos, misture bem até obter uma massa homogênea e compacta. Transfira esta massa para um espremedor de batatas e reserve. Dica: se a massa ficar mole adicione mais queijo parmesão ralado.

Sobre o caldo fervente esprema aos poucos a massa de queijo (reservada acima no espremedor de batatas) e vá passando uma faca no espremedor para cortar a massa no tamanho desejado. Cozinhe por 1 minuto. Corrija o sal se necessário. Retire do fogo e sirva em seguida com cheiro verde picado.

Reprodução Site Mais Você / Foto: Daniela Meira

Ps2. Não fiz ainda, mas parece ser muito bom. Vou fazer nesta noite se continuar friozinho, vou fazer com um caldinho de espinafre orgânico. Só tenho comprado verduras e legumes na São Fernando em Vassouras.

*Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) tem quase 39 anos é continua achando que é melhor cozinheiro que escritor.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

As minorias e o debate político





por Carlos Vinicius Rosenburg*


Estava com a noite de domingo reservada para escrever um artigo a respeito de um tema que, cada vez mais, toma o tempo das minhas leituras: as minorias no Brasil. Porém, após um inocente almoço em um restaurante self-service, fui vítima de uma violenta infecção intestinal (ou qualquer coisa parecida), com vômitos, diarréia e febre até a madrugada. Como hoje estou de plantão no fórum, passei rápido apenas para dar uma satisfação aos meus (cada vez mais) raros leitores. Não está fácil me manter de pé.

Bem, por isso, o citado artigo fica para a semana que vem. Mas já adianto algumas coisas. Se o segundo turno das eleições trouxe algo de bom, foi a oportunidade para analisarmos as prioridades de nossa agenda política. O tema do aborto, apesar de ter descambado para o lamentável terreno da religião (vivemos em um Estado laico/leigo! - é possível discutir a questão pelo lado científico - há bons argumentos em ambos os lados), mostrou que a população brasileira tem pensamento completamente diferente daquele colocado na agenda nacional pelas fundações Ford, Rockefeller e outras. Racialistas, ambientalistas, indigenistas, abortistas, GLBT's e outros têm suas reivindicações. Têm, também, todo o direito de se organizar para que tais bandeiras sejam debatidas. Porém, não se enganem, a sociedade brasileira tem inúmeros problemas de maior urgência, e vou citar apenas dois, já sabendo que alguns aqui torcerão o nariz por conta de minha insistência no tema: os homicídios e as mortes no trânsito. Já tratei do assunto aqui (http://estacaobm.blogspot.com/2009/09/dia-da-patria-que-pais-e-esse-um-pais.html). A questão apresenta números que, em qualquer país sério, fariam a sociedade parar, causariam comoção nacional. Entretanto, não existem ONG's, financiadas pelas supramencionadas fundações, defendendo as vítimas de homicídios e vítimas do trânsito. Há uma organização aqui e outra acolá, sem nenhum poder de pressão, tocadas pelos próprios familiares, que já são obrigados a conviver com a dor.

Bem, mas o que isso tem a ver com o aborto? É que, com a entrada do tema no debate do 2º turno das eleições, o jornal O GLOBO trouxe matéria de capa onde afirmava que, "Aborto mata uma gestante a cada dois dias". Não é uma mensagem alegre, obviamente. É um problema e deve ser enfrentado, isso não se discute. Mas tal manchete não resiste a uma conta simples. Para tal conta, não vou colocar, sequer, os abortos espontâneos, que acontecem com frequência. A macabra conta aponta que, por causa do aborto, morrem aproximadamente 180 mulheres por ano no Brasil. São números parecidos com aqueles colocados por outro grupo de pressão, os homossexuais (cerca de 180 homossexuais são mortos por ano no Brasil). Tais dados, da maneira como são colocados, soltos em uma primeira página de jornal, impressionam. Dão a sensação de que acontecem na casa ao lado. Mas há um fato que não pode ser esquecido: somos um país de aproximadamente duzentos milhões de habitantes.

Assim, basta comparar com os dados do IBGE sobre homicídios: em 2000, eram cerca de 48.000 homicídios por ano. Ou então, as vítimas de acidente de automóveis. Segundo o mesmo IBGE, atingiam, também em 2000, o patamar de 35.000 por ano. Usando a conta feita pelo jornal O GLOBO temos, a cada dois dias, cerca de 260 homicídios. No caso dos acidentes de trânsito, 190 mortos a cada dois dias. A diferença é gritante!

Repito: em qualquer país sério, comprometido realmente com a vida e os direitos humanos - não nos esqueçamos, a vida é o primeiro direito humano reconhecido -, os temas dos homicídios e mortes no trânsito seriam os primeiros da agenda dos candidatos. São números de guerra, números que gritam. Contudo, infelizmente, não gritam mais alto que os grupos de ongueiros racialistas, feministas, abortistas, GLBT's etc., que recebem religiosas (sem trocadilho) verbas das fundações Ford e Rockefeller e, vitaminados por tais comissões, comparecem a todas as audiências públicas, manifestações, lotam caixas de e-mails de parlamentares, administradores públicos e grande imprensa. Dão a impressão de serem uma grande maioria. Mas a verdadeira maioria continua vítima de homicídios silenciosos, pelos mais fúteis motivos, ou segue sendo abalroada por motoristas irresponsáveis.

Na próxima semana, se tudo der certo, trago o artigo completo, com dados e fontes.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 38 anos e gostaria que Dilma e Serra debatessem com seriedade os problemas apontados.