
domingo, 28 de novembro de 2010
ESTADO DE SÍTIO NO ESTAÇÃO BM

Só de sacanagem
Bom domingo a todos.
*Renata
Só de sacanagem
“Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: - Não roubarás! - Devolva o lápis do coleguinha!- Esse apontador não é seu, minha filha! Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão: - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba. E eu vou dizer: - Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal.
E eu direi: - Não admito! Minha esperança é imortal! E eu repito, ouviram? IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.”
sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Brasileiro é assim:
1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo e até dentadura.
5. - Fala no celular enquanto dirige.
6. - Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
7. - Para em filas duplas em frente às escolas.
8. - Viola a lei do silêncio.
9. - Dirige após consumir bebida alcoólica.
10. - Fura filas nos bancos utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
11. - Espalha mesas e churrasqueira nas calçadas.
12. - Pega atestados médicos sem estar doente só para faltar ao trabalho.
13. - Faz "gato" de luz, de água e de tv a cabo.
14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.
18. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
21. - Compra produtos pirata com a plena consciência de que são piratas.
22. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
23. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
24. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
25. - Frequenta os caça-níqueis e faz uma "fezinha" no jogo de bicho.
26. - Leva das empresas onde trabalha pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis, como se isso não fosse roubo.
27. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
28. - Falsifica tudo, tudo mesmo. Só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
29. - Quando volta do exterior nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
30. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve
Então, tá reclamando de que?"
Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)
Desculpe-me pela ausência nessas duas últimas semanas. Continuo sem computador. Revezando entre lan house e máquina alheia, como agora. E por não aguentar mais incomodar minha grande amiga Renata, estou aqui postando esse texto também alheio e de autoria desconhecida.
Hasta la vista
Por Valério Cortez
Nunca fui dado a atos de heroísmo, normalmente sou o primeiro a correr em situações de perigo. Também não levo o menor jeito pra mocinho de filme de aventura, a bem da verdade, acho que estou mais para Darth Vader do que para Luke Skywalker.
Toda esta xaropada aí de cima é só pra dizer que, como não sou nem herói nem mocinho, é chegada minha hora de sair do blog, e mais, que gostaria de sair pela porta da frente e com toda pompa e circunstancia que o momento requer.
Primeiramente é preciso admitir que desde a saída do Vinicius, criador e alma desta maravilhosa espelunca, temos vagado feito um cadáver insepulto.
Só o Vinicius, com seu agudo senso democrático e seus comentários quilométricos, se mostrou capaz de harmonizar nossas, muitas das vezes, abissais diferenças. Do Marxismo-Leninismo do Jorge Couto aos bolinhos de bacalhau do Mozart, dos delírios do Falácio, ao papo “mulherzinha” da Flavia e da Renata. Todas as tribos de nossa tribo se sentiam em casa.
Pena que acabou.
Aos poucos as tribos foram abandonando o trem, motivos e explicações cada um teve as suas, e assim, a gare da nossa estação foi ficando cada vez mais vazia, deserta. Ultimamente já se ouve nela, o eco de nossas próprias palavras.
Amigos, o fato é que o Estação morreu, e se a gente não se cuidar, não vai ter quórum nem pra missa de sétimo dia.
Valei- nos Santo Isidoro de Sevilha, sagrado protetor dos usuários da internet.
Morreu, apesar do esforço de dois ou três abnegados que, feito um incrível exercito de Brancaleone, naufragou em seus próprios delírios e na indiferença de seus pares.
A miséria de quem escreve é a que vem do silêncio e da indiferença.
Morreu, mas nenhum de nós é culpado. Morreu, mas todos nós somos culpados. Pouco importa isso agora, morreu e pronto.
Mas o que são pequenos desentendimentos frente a tantos entendimentos?
E antes que se ouçam os primeiros acordes da Valsa da Despedida, gostaria de agradecer aos novos e velhos amigos Luciano, Mozart, Figurótico, Alex Peres, Alex Frederick, Vinicius, Cezinha, Jorge Couto, Serginho, Renata, Flavia, Julinho Esteves, Luiz Correia, Vinicius Barbosa, JC, Geraldinho Costa, Heleno Guanabara, Eder, Marcelo Gorih, Chico Bento, Luiz Augusto T. e porque não ao gostava tanto de você. Pela paciência e pelas cervejas geladas.
Gostaria também de estar disponibilizando, feito uma atendente de telemarketing, aos queridos amigos, todos estes livros que ninguém lê, estes filmes que ninguém vê e estas músicas que ninguém ouve, que venho acumulando por todos estes anos. Sirvam-se.
Por fim, desejo a todos uma ótima semana, um feliz natal, um belo Ano Novo e um Carnaval da porra. No fundo no fundo, desejo a todos vocês, uma vida bem legal.
Nos vemos por aí.
Valério & Zeca
Nesta semana ninguém quis saber da Bolha, do Renato Brandão, do Jim Morrison e do João Cândido.
Eu gostaria de achar que tudo isso é reversível, mas infelizmente não é.
Eu não acredito em duendes, eles mentem muito.
Beijos e abraços.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
ALMIRANTE NEGRO

Por Jorge Couto
Em 22 de novembro de 1910 estourava na baía da Guanabara um motim que ficou conhecido como a Revolta da Chibata. Os marinheiros rebelaram-se contra os castigos físicos que eram rotineiramente aplicados aos marujos.
“Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo.”
Sob a liderança do marinheiro de primeira classe João Cândido Felisberto, negro, filho de escravos, os marujos, quase todos negros ou mulatos comandados por um oficialato branco, tomaram o encouraçado Minas Gerais. O estopim da revolta foi a punição aplicada ao marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes por este ter levado cachaça para bordo do navio e, em seguida, ter ferido com uma navalha o cabo que o denunciou. Marcelino foi punido com duzentos e cinquenta chibatas na presença da tropa formada, ao som de tambores. Na noite de 22 de novembro, os marinheiros do Minas Gerais amotinaram-se. Quando o comandante Batista das Neves retornava de um jantar oferecido a bordo do navio francês Duguay-Trouin, foi cercado pelos amotinados e, depois de uma curta luta, mataram-no a tiros e a coronhadas. Na sequência, outros cinco oficiais foram mortos, conforme acordavam e saíam dos seus camarotes para verificar o que se passava.
Os encouraçados São Paulo (o segundo maior navio da Armada à época) e Deodoro, o cruzador Bahia, e mais quatro embarcações menores ancoradas na baía, aderiram ao motim no decorrer da noite.
Na manhã seguinte (23 de novembro), sob a liderança de João Cândido e com redação de outro marinheiro, Francisco Dias Martins, foi emitido um ultimato ao governo federal no qual ameaçavam abrir fogo sobre a então Capital Federal:
“O governo tem que acabar com os castigos corporais, melhorar nossa comida e dar anistia a todos os revoltosos. Senão, a gente bombardeia a cidade, dentro de 12 horas.”
E complementava:
“Não queremos a volta da chibata. Isso pedimos ao presidente da República e ao ministro da Marinha. Queremos a resposta já e já. Caso não a tenhamos, bombardearemos as cidades e os navios que não se revoltarem.”
A população da então Capital, num misto de medo e curiosidade, permaneceu em estado de alerta, parte dela refugiando-se longe da costa enquanto outros se dirigiram à orla para assistir ao bombardeamento ameaçado pelos marinheiros.
A Marinha esboçou um ataque aos revoltosos com dois navios menores, mas além de rechaçá-lo, os insurgentes bombardearam as instalações navais na ilha das Cobras. Outros disparos foram efetuados sobre o Palácio do Catete, sede do Poder Executivo.
No dia 25 de Novembro o Congresso Nacional votou a anistia para os revoltosos.
Em 26 de Novembro o governo do presidente marechal Hermes da Fonseca declarou aceitar as reivindicações dos amotinados, abolindo os castigos físicos e anistiando os revoltosos que se entregassem. Estes, então, depuseram armas e entregaram as embarcações. Entretanto, dois dias mais tarde, a 28, alguns marinheiros foram expulsos da Marinha, sob a acusação de “inconveniente à disciplina”.
Pouco tempo depois, a eclosão de um novo e até hoje inexplicável levante entre os fuzileiros navais, no quartel da ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, em 9 de Dezembro de 1910, foi prontamente reprimida pelas autoridades, sendo bombardeados durante todo o dia, mesmo após hastearem a bandeira branca. De seiscentos revoltosos, sobreviveram pouco mais de uma centena, detidos nos calabouços da antiga Fortaleza de São José da Ilha das Cobras. Este segundo levante serviu de justificativa para Hermes da Fonseca demandar do Senado aprovação do estado de sítio (lei marcial).
Apesar de não haver participado da organização deste segundo levante, João Cândido foi expulso da Marinha, sob a falsa acusação de ter favorecido os rebeldes. Foi preso em 13 de Dezembro no quartel do exército, e transferido no dia de natal (24 de dezembro de 1910) para uma masmorra na Ilha das Cobras. Cândido e mais 17 marinheiros e fuzileiros navais foram recolhidos à cela n° 5, escavada na rocha viva. Ali foi atirada cal virgem. Após vinte e quatro horas, apenas João Cândido e o soldado naval Pau de Lira sobreviveram as queimaduras e a morte por asfixia. Cento e cinco marinheiros foram desterrados para trabalhos forçados nos seringais da Amazônia, tendo sete destes sido fuzilados nesse trânsito. Em abril de 1911, Cândido foi transferido para o Hospital dos Alienados, como louco, mas recebeu alta e voltou para a Ilha das Cobras, de onde foi solto em 1912, absolvido das acusações juntamente com nove companheiros.
Banido, discriminado e perseguido pela Marinha, João Cândido sofreu grandes privações, vivendo precariamente, trabalhando como estivador e descarregando peixes na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro. Já idoso, se recolheu no município de São João de Meriti. Ali em sua casa passou mal e foi levado ao Hospital Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde viria a falecer de câncer, pobre e esquecido, em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos de idade.
Lentamente a figura e a memória de João Cândido vem sendo resgatada. Na década de 1970 João Bosco e Aldir Blanc compuseram o samba “O mestre-sala dos mares”, que foi censurado pela ditadura militar e, para ser lançada, teve sua letra alterada ( no sítio http://www.youtube.com/watch?v=f9c7sY5TNTQ&feature=player_embedded , pode-se ouvir como ela foi gravada e ler a letra original).
Em 24 de julho de 2008, 39 anos depois da morte de João Cândido Felisberto, publicou-se, no Diário Oficial da União, a Lei Nº 11.756 que concedeu anistia ao líder da Revolta da Chibata e a seus companheiros.
No dia 07 de Maio de 2010, a Transpetro, a pedido do Presidente da República, batizou com o nome de “João Cândido” o primeiro navio do PROMEF (Programa de Modernização e Expansão da Frota), primeiro petroleiro produzido em estaleiro nacional após um intervalo de mais de 13 anos. A cerimônia ocorreu no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Ipojuca-PE, e a trabalhadora negra Josenilda Maria da Silva foi escolhida como madrinha do navio, representando toda a força de trabalho do estaleiro EAS. A entidade UMNA, Unidade de Mobilização Nacional pela Anistia, reivindicou junto à Transpetro (Petrobras Transportes S.A.) que o nome do navio receba o justo complemento e, antes do lançamento ao mar, se torne: “Marinheiro João Cândido”.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Toscarias
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Quando eu era criança
*Por Renata Klotz
Quando eu era criança brincava na rua em frente a minha casa, na rua não passava carro e eu corria feito um foguete, sempre descalça e meio sujinha. Não gostava de brincar de boneca, e sim das brincadeiras divertidas, a dos meninos. Minha vó lutava pra me por um vestido e eu ficava sempre muito desconfortável neles.
Meu uniforme era short, camiseta e pé no chão. Rabo de cavalo, porque o cabelo comprido e sedoso atrapalhava demais as minhas correrias.
Eu tinha uma turminha de meninas, mas gostava mais dos meninos. E tinha uma paixão recolhida por um menino que era meu vizinho. Ele era mulato, olhos esbugalhados, feio que dói e chamava Mozar. Eu tinha uns oito, nove anos. E claro, o menino não me dava a mínima. Esse que eu gostava.
Eu também gostava de ficar de castigo. Porque na minha rua tudo era tão compartilhado que assim era o único jeito de eu brincar sozinha, com os meus brinquedos. Mas eu nunca ficava de castigo, porque fui uma criança extremamente obediente, apesar de bagunceira. Eu pedia pra minha vó me colocar de castigo de vez em quando, por esse motivo. E ela colocava. E o dia do castigo era um dos meus preferidos.
Tinha também uma lajem, encima da casa do Mozar, e do lado da janela da minha casa, ( a gente pulava)
Ah, tinha também mais duas coisas legais da minha mãe. Ela me ensinou a ler em casa, eu tinha quatro anos. E um tempo depois ela fazia penteado de Frida Kahlo no meu cabelo pra eu ir pra escola, o que me deixava muito aborrecida, mas eu ia assim mesmo, porque não queria desagradar ninguém.
Bom, tinha também o meu avô. Ele era perfeito comigo. Bom, calmo, carinhoso e me levava todo dia na natação no Municipal, de manhã cedo, menos quando chovia ou tava frio, porque ele ficava com pena, afinal eu era tão bonitinha e pequena. Mas quando íamos era o máximo. Ele me apresentava todos os amigos dele e sempre me comprava gibis da turma da Mônica na banca. Ou figurinhas. Acho que tive todos os álbuns de meninas da época, mas só consegui completar um, o da Barbie. Eu nadei muito tempo, e muito bem, mas não foi nessa época que aprendi a nadar. Era mais um passeio divertido com meu avô.
Eu gostava muito de ir na casa da minha bisavó, que era um casarão na Domingos Mariano,onde no quintal tinha goiabeira ,mangueira , laranjeira. E tinha galinhas também, o que eu não aprovava, não gosto de bicho de pena. Mas nunca me perguntaram o que eu achava e eu também não disse.
Eu brincava de esconder tesouros, e pegava as jóias da minha vó e enterrava no morro que tinha do lado da minha casa. Estranhamente jamais achava os tesouros. E levava broncas homéricas, mas achava a brincadeira legal do mesmo jeito. Tinha um baú com roupas antigas também que era o meu sonho. Eu abria e cortava mangas e pernas e fazia fantasias divertidas. Levava mais bronca. Adivinha? Não adiantava. Eu fazia de novo.
Um dia fiz a minha vó passar uma vergonha danada. Íamos pra São Paulo visitar minha tia e eu tinha acabado de fazer cinco anos. Ela disse pra mim: criança até cinco anos não paga, se o motorista te perguntar você fala que tem quatro, ta?-Ta vó.
Tudo ensaiado, fomos nós pra rodoviária. Entramos no ônibus e o motorista nem perguntou nada. Eu olhei pra ele e falei com a cara mais angelical do mundo: -Você sabia que eu já tenho cinco anos?
Minha vó quase morreu de vergonha , o motorista fez ela pagar a passagem e ela veio falar comigo, e eu disse :
Ela riu e deixou pra lá. Era verdade, ela tinha falado isso mesmo, muitas vezes e ficou feliz de ver que eu tinha aprendido.
Quando eu era criança não sorria mostrando os dentes e falava muito pouco e bem baixinho. Era extremamente tímida e não reclamava de nada. Nem do cabelo, nem das comidas que eu não gostava, nem da menina que me batia na escola, nem do fato da minha mãe ficar muito mais na rua que em casa comigo. Eu era muito boazinha.
Eu tenho hoje um afilhado lindo, de quatro meses, o Gabriel. Um dos trigêmeos da minha tia. Ele é o bom, alcunhado “o Príncipe”, não reclama de nada, é um doce de bebê. Já disse pra ele: - Filho, não seja tão bom. Os bonzinhos vêm sempre em último lugar. O menino é tão esperto que já entendeu. Tá chorando mais agora, afinal ele é o filho do meio e não quer sempre mamar por ultimo só por ser legal.
Só posso dizer: Dá-lhe Gabriel. Muito bem!
E um dia eu vou contar pra ele:
-Quando a dinda era criança ... Com saudades da minha infância, tenho certeza.
Quando eu era criança o tempo passava devagar...
*Renata teve uma infância simples e feliz.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
A música é uma aventura II
Rock Brasil anos 70
Por Valério Cortez
Eu gostei tanto de, na ultima 2° feira, ter postado aquela relação de discos, que resolvi repetir, não os discos, mas o assunto.
Como meus amigos já devem saber, eu tenho uma boa coleção de registros musicais em áudio e vídeo. CDs, DVDs, LPs, HDs, fita cassete, fita de rolo e minha já pífia memória.
Esta semana, eu gostaria de apresentar para os amigos que porventura não conheçam, o rock brasileiro dos anos 70. Um rock gravado ainda em LP’s, mais com uma sonoridade menos pop do que seu irmão dos anos 80.
Agora deixo com vocês com estes discos antigos e muito das vezes, raros.
Um abraço

Módulo 1000
Grupo carioca de rock hard-psicodélico-progressivo formado no inicio dos anos 70.
Gravou um único LP chamado Não Fale Com Paredes, em 1970, além de participar de algumas coletâneas.
No inicio da carreira a banda fazia covers de Black Sabbath e Led Zeppellin.

Som Imaginário
Banda de Rock Progressivo criada no Rio de Janeiro no inicio dos anos 70.
Seu som passeou pelas fronteiras da psicodélia e do progressivo com toques de jazz.

Geração Bendita
A Banda Carioca SPECTRUM, foi formada em 1971 na cidade de Nova Friburgo pelos atores e diretores do primeiro e único filme hippie já filmado no país, o Geração Bendita.
O som é altamente psicodélico com letras tratando da temática hippie.

A bolha
Banda formada em 1966 com o nome de The bubbles, tornou-se A bolha em 1970 e gravou seu primeiro disco em 1973. Sua marca registrada era o som bastante pesado para a época.
Satwa
Disco gravado em 1973 pode ser classificado como um folk nordestino/oriental. A gravação traz a dupla pernambucana Lula Côrtez e Lailson tomados por uma lisérgia pós Woodstock.

Ave sangria
Banda Pernambucana formada no início dos anos 70, conhecida no circuito alternativo como os Stones do Nordeste (devido ao seu som pesado), gravou seu primeiro e único disco, Ave Sangria, em 1975.

A Barca do Sol
Banda de rock progressivo forma no Rio de janeiro em 1973. Devido aos instrumentos usados pela banda, seu som era comparado ao do Jethro Tull.
O Peso
Grupo formado em 1975, no Rio de Janeiro, tinha na mescla do Blues e do Rock a principal característica de sua música.

Som Nosso de Cada Dia
Formada em 1970 a banda paulista de rock progressivo, Som Nosso de Cada Dia, com o lançamento do LP “SNEGS” em 1974, tornou-se uma verdadeira lenda no undigrudi da época. Este disco ao vivo foi gravado em 1976.

No sub reino dos metazoários
Disco gravado em 1973 por Marconi Notaro com a participação de Zé Ramalho e Robertinho de Recife. Pura psicodélia.
Gravado na legendaria gravadora Rosenblit, em Recife, onde também foram gravados os discos Satwa e Paêbiru.

Bixo da Seda
Banda de rock progressivo formada em Porto Alegre em 1967 com o nome de Liverpool Sounds. No inicio dos anos 70 adotou o nome de Bixo da Seda e em 1976 gravou seu primeiro e único disco.

São Paulo 1554/Hoje
O grupo Joelho de Porco, um dos precursores do movimento punk no Brasil, foi formado em São Paulo em 1972, e em 1976 gravou o elogiado disco São Paulo/Hoje.
VímanaBanda de rock progressivo da década de 70 no Rio de Janeiro. Em 1977 lançou o compacto Zebra, e gravou um LP que não foi lançado ate hoje.
Como curiosidade o fato de ter tido em uma de suas formações Lulu Santos, Lobão, Ritchie e Patrick Moraz, ex tecladista do Yes.

Além das Lendas Brasileiras
Banda paulista de rock progressivo, Terreno Baldio, foi formada no início dos anos 70.
A banda que ficou conhecida como o Gentle Giant brasileiro, gravou seu primeiro disco em 1975 e em 1977 gravou este Além das Lendas Brasileiras.
domingo, 21 de novembro de 2010
Será que deu para entender?
Por Valério Cortez
Escrever é sempre um prazer e um risco.
Prazer resgatado dos tempos que o próprio tempo levou, quando o ato mágico e necessário de escrever, foi deveras substituído por coisas mais “sérias”, como cuidar dos filhos e pagar as contas que insistentemente chegavam à porta.
Escrever como quem conta uma história, como quem faz um filme, ou simplesmente como quem junta às palavras para que elas tenham direção e sentido.
Nas últimas semanas devo ter escrito uns quatro ou cinco textos, nos quais me despeço dos amigos e dou por encerrada minha participação aqui no blog. Como todos sabem, não postei nenhum deles.
Apesar do cansaço de quem tem batido os escanteios e corrido para o cabeceio na área e, além é claro, do enorme vazio deixado pelas ausências e por este ar de fim de festa, tenho me recusado a postar o meu último e derradeiro texto.
E se tenho ficado, é porque gosto do risco, do risco e do aplauso, mesmo quando este e dado mais pela consideração ao autor, do que pela qualidade intrínseca dos textos.
As semanas e as pessoas passam e eu vou ficando aqui, tapando buracos e tirando coelhos da cartola, para que nosso circo não encerre tão cedo sua nobre temporada.
Por não estar sempre sóbrio, perdi, no esquecimento, alguns bons momentos de minha vida. Talvez venha daí, essa ânsia desregrada de registrar em esforçados textos, a vida que acontece diante de meus olhos.
Se tudo que existe um dia acaba. Mesmo que nosso desejo não entenda, acaba. Então é mais fácil sentar e esperar.
Além do que, o que mais eu poderia fazer nestas modorrentas manhãs de domingo?
Um bom domingo a todos
Pequenas considerações:
- O Nelson Rodrigues disse que o sábado é uma ilusão. To começando a achar que o domingo também.
- E agora que o risco de degola passou, Nense, nense, nense...
Contra as armações do capo da CBF, Ricardo Teixeira e seu vassalo corintiano, Andrés Sanches. Pois para mim, curingão é só o joker de um baralho grandão.
sábado, 20 de novembro de 2010
VÊ MAIS UMA, POR FAVOR!

* por Heleno Guanabara
Amigos, temo que esta semana o mar não esteja para peixe e muito menos para Guanabara. A luta diária não tem sido justa de modo algum e o recente desfalque de Maria da Glória, acamada nos últimos dias, torna minha existência ainda mais infeliz e claudicante.
Mas nem por isso quero deixar este sábado aziago sem algumas linhas de reflexão em assunto que reputo da maior importância, principalmente num dia como hoje: cerveja. Como verão abaixo, trago à baila alguns questionamentos relevantes para aqueles que se intitulam apreciadores desse saboroso líquido dourado que, dentre inúmeros predicados, possui a nobre característica de tornar as outras pessoas mais belas e interessantes, e você, mais corajoso, depois de uma seqüência de doses possivelmente em escala industrial, dependendo, claro, de quem bebe, e também do quão bisonha é a mocreia que se está tentando "conquistar".
Cerveja pode matar?
- Sim. Sobretudo se o ser humano se deixar atingir por uma caixa de cerveja com garrafas cheias. Sabe-se que, anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por 1 caixa de cerveja que caiu de um caminhão, tendo morte instantânea. Além disso, casos de enfarto do miocárdio em idosos têm sido associados às propagandas de cervejas com modelos esculturais.
O uso contínuo da cerveja pode levar ao uso de drogas mais pesadas?
- Não, a cerveja é mais pesada - uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.
A cerveja causa dependência psicológica?
- Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.
Mulheres grávidas podem beber sem risco?
- Sim. Está provado que nas blitz a polícia nunca pede o teste do bafômetro para gestantes... E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta, sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.
Cerveja pode diminuir os reflexos dos motoristas?
- Não. Uma experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dada 1 caixa de cerveja para cada um, e, em seguida, colocaram um por um diante e um espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.
Existe alguma relação entre bebida e envelhecimento?
- Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.
A cerveja atrapalha no rendimento escolar?
- Não, pelo contrário - alguns donos de faculdade estão aumentando sua renda com a venda de cerveja nas cantinas.
O que faz com que a bebida chegue aos adolescentes?
- Inúmeras pesquisas vêm sendo feitas por laboratórios de renome. Todas indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.
A cerveja causa diminuição da memória?
- Que eu me lembre, não!
ABAIXO, ALGUNS SINTOMAS QUE PODEM INDICAR QUE VOCÊ PASSOU DA CONTA NA BIRITA:
Problema: Pés frios e molhados.
Causa: Copo sendo seguro em ângulo incorreto.
Solução: Rode o copo de modo que a extremidade aberta esteja voltada para cima.
Problema: Pés quentes e molhados.
Causa: Você se mijou.
Solução: Vá se secar no banheiro mais próximo.
Problema: Cerveja estranhamente pálida e sem gosto.
Causa: O copo está vazio.
Solução: Compre outra cerveja.
Problema: A parede a sua frente está cheia de lâmpadas.
Causa: Você caiu de costas no chão.
Solução: Reposicione seu corpo a 90° do solo.
Problema: Sua boca está cheia de guimbas de cigarro.
Causa: Você caiu de cara no chão. Você reposicionou seu corpo a mais de 90° do solo e meteu a fuça no chão.
Solução: Reposicione (ou re-reposicione) seu corpo a 90° do solo.
Problema: Cerveja está sem gosto e a frente de sua camisa está molhada.
Causa: Boca não está aberta. O copo não está sendo aplicado na parte correta do rosto.
Solução: Vá ao banheiro mais próximo e treine em frente a um espelho.
Problema: O chão está borrado.
Causa: Você está olhando através do fundo de um copo vazio.
Solução: Compre outra cerveja.
Problema: O chão está se movendo.
Causa: Você está sendo carregado ou arrastado.
Solução: Procure saber se estão te levando para outro bar.
Problema: A sala ficou estranhamente escura.
Causa: O bar fechou.
Solução: Pergunte ao garçom o endereço de casa.
Problema: O motorista de táxi é um elefante cor-de-rosa.
Causa: Você bebeu demais.
Solução: Peça ao elefante para tocar pro hospital mais próximo.
Problema: A fortíssima luz da danceteria está cegando seus olhos.
Causa: Você está na rua e já é dia.
Solução: Tente encontrar o caminho de volta para casa.
Problema: Reflexo de caretas na água do vaso sanitário.
Causa: Você está tentando vomitar.
Solução: Ponha o dedo na garganta.
Problema: Seu amigo não liga para o que você fala.
Causa: Você está falando com uma caixa de correios.
Solução: Procure seu amigo para que ele te leve para casa.
Problema: Seu amigo não pára de falar repetidamente as mesmas palavras.
Causa: Você está falando com o cachorro do vizinho
Solução: Peça pra ele dizer onde é sua casa.
Por fim, vale sempre a recomendação: se beber ... não dirija, não case, não compre carro, não empreste dinheiro, não peça aumento de salário e, mais importante, não visite a sogra.
Respeitosamente,
Heleno Guanabara está entre umas e outras, quase sempre.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Cem coisas

* Por Renata Klotz
Há uns dois anos li no jornal uma matéria sobre um cidadão que resolveu fazer um teste interessante. Passar um ano com cem coisas apenas. Isso mesmo. O indivíduo se propôs a se impor um consumo controlado pra ver encontrava o seu verdadeiro eu , e ao mesmo tempo questionar o consumismo exagerado.
Vivemos num mundo extremamente consumista. Todas as mensagens da tv, das revistas, internet, são nesse sentido: CONSUMA. Até e inclusive através de mensagens subliminares, somos bombardeados o tempo todo com essa ideia, você é o que você consome.
De uns tempos pra cá existe até uma tática de venda dos lojistas que diz: Você merece isso, esse produto. Você trabalhou duro por isso, essa é sua recompensa.
E isso não é de hoje. Na minha memória ainda vêm antigas propagandas de cigarros, cujos temas eram aventuras, lindas paisagens, mulheres . E o slogan, um dos mais bem sucedidos criados até hoje: Hollywood , você é um sucesso. Vai saber quanta gente começou a fumar depois de ver isso...
Isso tudo é muito interessante. Porque quanto mais temos, mais queremos ter, e os produtos não são novidade por mais que uma semana. Eletrônicos, celulares, moda, móveis, carros, bebidas, perfumes, enfim, uma infinidade de coisas que almejamos ter porque parece normal,e é o que todo mundo deseja, o que todo mundo tem, ou gostaria de ter. Pelo menos todo mundo dito feliz.
Até peitos já podemos comprar. Juventude. Bem estar. Felicidade,cada vez mais palpável.Alguns compram até amigos, amantes.Tudo isso está no mercado por um preço razoável. Seu cartão de crédito é platinado, sua vida também será.
Eu me pergunto o seguinte: E depois, vem o quê ? Pra que serve ter tantas coisas?
A felicidade é ter ? Não acho que seja não. Parece que não conseguimos parar pra pensar na razão que nos leva a consumir exageradamente . E estamos cansados,também por essa obrigação de ter que ter tanto.
E não pensamos nisso, porque não queremos pensar, queremos consumir. E ser felizes. Consumindo seremos felizes.
Uma semana atrás, eu vi uma entrevista no Jô, em que um humorista novo disse uma coisa genial :
“Eu fui pobre, ganhava trinta reais por apresentação e pagava quatorze na van. Me sobravam dezesseis.
Agora tenho um pouco de dinheiro. Mas não gosto. Porque antes eu era triste e pensava. Agora o dinheiro me mima. Estou triste, vou lá e compro uma lasanha congelada, uma calça jeans e isso melhora o meu humor, a minha depressão acaba.”
Embora dito de uma forma engraçada (até pela lasanha), o cara tem razão. Nos iludimos e nos mimamos com coisas, com a facilidade do dinheiro, do conforto. Mas nada do que sentimos muda realmente. É só um instante de prazer, mas não é real. E às vezes, nos damos conta disso num relance, mas pra não pensar nisso, até porque não sabemos como mudar, vamos pro shopping. E o círculo vicioso do consumo está instalado.
Ninguém tira o mérito do conforto que o dinheiro pode nos dar, a questão não é essa. A questão é : isso é tudo?
Época de exageros, de tudo muito e tudo agora. E do grande vazio das idéias, dos sentimentos, dos sentidos, da própria existência.
Esse é o mundo em que vivemos e será, até que paremos pra pensar e comecemos a dar às coisas o valor que realmente têm.
*Renata também era mais feliz quando ia pro Porão no sábado com só cinco reais no bolso e a carteirinha do municipal.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
O maiô de Dona Marisa, ou: quem são os verdadeiros jecas do Brasil?

Jorge Couto
Reproduzo aqui o artigo de Rodrigo Nunes, doutor em filosofia pelo Goldsmiths College, Universidade de Londres, pesquisador associado do PPG em Filosofia da PUCRS e editor da revista Turbulence (www.turbulence.org.uk), publicado no sítio Agência Carta Maior em 28/10/2010. Quem se der ao trabalho de lê-lo terá uma idéia bastante fiel do que vem a ser a chamada elite brasileira e dos sabujos que a servem através de jornais, revistas, TVs, rádios e blogs.
Tendo recebido uma bolsa de estudos no exterior, passei quase todo o governo Lula distante do Brasil. Antes de meu retorno, no ano passado, minha única vinda ao Brasil desde 2003 fora por um mês, em janeiro de 2005. Num dos poucos momentos que tive na frente da televisão, acabei assistindo um programa (bastante conhecido) onde se discutiam os destaques do ano anterior. Muita coisa aconteceu em 2004, no Brasil e no exterior, mas uma das apresentadoras do programa optou por destacar “o maiôzinho da Dona Marisa”. Com tantos estilistas brasileiros de renome internacional, se perguntava, como pode a esposa do presidente usar uma coisinha tão jeca? Não foi nem a irrelevância da escolha, nem o comentário, mas o tom que mais me chamou a atenção: o desdém que não fazia o menor esforço em disfarçar-se, a condescendência de quem se sabe tão mais e melhor que o outro, que o afirma abertamente.
Veio-me imediatamente uma piada corrente durante as eleições de 1989, quando pela primeira vez Lula ameaçara chegar ao poder. Ele e Dona Marisa passam pela frente do Palácio Alvorada, e Lula diz a ela, “É aqui que vamos morar”; ao que Dona Marisa responde, “Ai, Lula, não! Essas janelas vão dar muito trabalho para limpar”. A piada explica tudo: no Brasil, uma camada da população tem sua superioridade sobre a outra tão garantida, que não vê necessidade de dissimular essa distância, mesmo em público. Ser ou não primeira-dama, aqui, é secundário; pode-se rir na TV da “jequice” de Dona Marisa do mesmo modo em que se faz troça do perfume que põe a empregada quando termina o trabalho, e pelo mesmo motivo – porque a patroa pode, e a subalterna, não.
Um mau momento de má televisão teve, para mim, a força de várias revelações. Em primeiro lugar, sobre o país em que eu então vivia, a Inglaterra. Um comentário desses, lá, receberia condenação pública. Alguém certamente acionaria o Ofcom, órgão que fiscaliza a imprensa, para exigir providências. Se fosse na BBC, rede pública de TV e rádio, talvez o autor fosse demitido. Não por atentar contra a esposa de uma autoridade, ou essa bizarra “liturgia do cargo” que a cada tanto se invoca no Brasil, mas por ser uma manifestação pública de preconceito. O quê tem a ensinar o livre exercício desse preconceito sobre o Brasil? O quê tem a ver com a grita (“Estalinismo! Chavismo! Retrocesso!”) cada vez que se fala em fiscalização da mídia, coisa corriqueira naqueles países (Reino Unido, Suécia, Portugal, EUA...) em que nossa elite não cansa de querer espelhar-se; e que, até hoje, pouquíssimas sejam as instituições brasileiras públicas que se comparem, em qualidade de serviço, a uma BBC?
Nos anos 70, Edmar Bacha popularizou o termo “Belíndia” como descrição do país: um pouco de Bélgica e muito de Índia, o Brasil era muito rico para poucos e muito pobre para muitos. A auto-imagem que mantém os habitantes de nossa “Bélgica” consiste em ver os dois lados da moeda sem sua conexão necessária. Para esses, o verdadeiro Brasil é o deles – branco, remediado, educado. A “Índia” sem lei do lado de fora dos muros não somente existe por si só, sem nenhuma relação causal com a riqueza do lado de dentro, como é aquilo que atrasa o país; não fosse a plebe, já seríamos Bélgica, ou seja, já não seríamos principalmente Índia. A pobreza dos pobres não resulta da má distribuição da riqueza que se gera, pelo contrário: os pobres são culpados de sua própria pobreza. Mais do que isso, o potencial sub-aproveitado do país nada tem a ver com o a maioria da população ser sistematicamente excluída na educação, nos direitos, na renda; pelo contrário, “é por conta desse povinho que o país não vai para a frente”.
Essa é a cara de uma elite pós-colonial: crê-se um ser estranho na geléia geral da colônia, padecendo num purgatório de nativos indolentes e enfermidades tropicais. Comporta-se todo o tempo como se ainda tivesse a caravela estacionada ali na costa, pronta para zarpar de volta à metrópole. Mas sofre mais ainda porque, não muito no fundo, sabe que não pode voltar, e que chegando lá será apenas mais um subdesenvolvido, um imigrante, um “moreninho”, um jeca. Parte de sua truculência vem de saber que jamais será aquilo que quer ver no espelho, e que aquilo que menos quer ser é o que realmente é; de precisar provar para si que é diferente de quem exclui e discrimina, já que nunca será igual a quem gostaria de ser.
No fim das contas, ela sabe que sua verdadeira cara não é nem a das socialites da Zona Sul, nem dos intelectuais de Higienópolis, mas a do grileiro da fronteira agrícola, do “coroné” do agreste. E que, no fim das contas, o que a mantém no topo não são os rapapés de seus salões, mas o bangue-bangue de seus jagunços. Da modernidade do primeiro mundo a que gostariam de aceder, só o que lhes interessa são os sinais externos de consumo e distinção social, não o histórico de direitos sociais, democratização das instituições, criação de equipamentos públicos e reconhecimento de minorias e setores desfavorecidos. Seu modelo sempre foi menos a Bélgica, a Escandinávia, a Alemanha ou o Reino Unido, e mais o excesso kitsch de uma Miami, a opulência caipira de uma Dallas.
A falta de uma instituição como a BBC (ou boas escolas públicas) tem tudo a ver com essa maneira de desejar o desenvolvimento apenas o suficiente para manter as bases dos privilégios existentes. É a mesma dinâmica que vê crescerem, paralelamente, o crime organizado e a indústria dos condomínios fechados e da segurança privada: as camadas superiores da sociedade brasileira trocam direitos – inclusive o direito de desfrutar da cidade e de seus bens sem medo – por consumo. Da porta para dentro, luxo; da porta para fora, faroeste. Cada vez que um debate sobre democratização ou fiscalização da mídia é silenciado por acusações de autoritarismo, o que temos é a jagunçada defendendo os latifúndios comunicativos que algumas poucas famílias grilaram há um bom tempo. É de fazer rir a fingida consternação de alguns grupos e interesses com os riscos que hoje sofreriam as “instituições republicanas”, quando a história das instituições brasileiras no geral demonstra que elas sempre interessaram tão-somente na medida em que permitiam liberdade de ação para uns e limites para outros. Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei. A fragilidade institucional sempre foi não apenas instrumento de reprodução da desigualdade, como ainda é o que permite a manifestação explícita do preconceito. Modernidade à Daslu: o luxo “de primeiro mundo” sustentado pela sonegação de impostos; a finesse que se assenta na barbárie de um estado de natureza.
Haverá sido a distância, e a experiência de conhecer o quê foi a modernidade pela via da criação de direitos, que fez nosso preconceito social saltar-me aos olhos; mas também tenho a impressão que as coisas tenham, nestes anos, se tornado ainda mais escancaradas. A polarização seria, sem dúvida, uma consequência do governo Lula. Nem tanto do próprio presidente, de tendência (talvez demasiado) conciliadora, mas da dificuldade de aceitação, por parte de quem faz e consome a grande mídia de massa brasileira, do que aconteceu no país nos últimos anos. O crescimento econômico experimentado nos últimos anos foi a perfeita demonstração da falácia que culpava os pobres por sua própria pobreza, e a do país: ele não teria sido possível se a pobreza não tivesse caído 43% (20 milhões de pessoas), se 31,9 milhões (mais de meia França) não tivessem ascendido às classes ABC, ativando um mercado interno potentíssimo que permaneceria em potencial enquanto essas pessoas estivessem excluídas do consumo mais básico. Graças ao ciclo virtuoso que se formou foi possível, por exemplo, aumentar o orçamento da educação em 125%, expandir 42 universidades federais, criar 15 novas, construir mais escolas técnicas (240) que em todo o século anterior (140).
Mais importante que qualquer número: políticas como o Bolsa Família e o ProUni abrem a perspectiva de um ciclo virtuoso de criação de direitos. Tais ciclos, como demonstra o retrocesso brutal que a Europa atravessa, não apenas podem ser interrompidos, como não se mantém sem a mobilização social que garanta sua expansão. Mas o fato de que hoje milhões de pessoas se percebam como detentoras de direitos a exigir do Estado, ao invés de clientes a trocar seus votos por favores de um “painho” na época da eleição, não apenas é um salto qualitativo para a democracia brasileira, como cria justamente as condições para novos saltos da organização popular. Construir direitos e instituições, no lugar do clientelismo e do casuísmo da república dos bacharéis: se essa tendência se consolida, terá sido a maior herança desses últimos oito anos. É pouco ainda, mas já é muito.
O que para alguns é difícil de engolir é que, quando o Brasil finalmente deu um passo para deixar de ser “Belíndia”, não foi por obra da “Bélgica”, mas da “Índia” (grifo meu). Para quem se projetava no sangue azul de Odete Roitman, custa aceitar que a cara do Brasil hoje é de Raquel Acioli, a ex-marmiteira que batalhou para subir na vida da novela Vale Tudo. Os episódios mais lamentáveis dessa eleição – os emails e mensagens apócrifos, o uso do telemarketing na propagação de boatos (criação de Karl Rove nos EUA, depois seguida por John Howard na Austrália), a mobilização de um discurso conservador e obscurantista que culminou com fazer do aborto uma questão eleitoral pela primeira vez na história do país – são, mais uma vez, os punhos de renda rasgando a fantasia e abraçando o mais desbragado faroeste. Partido e candidato que um dia representaram uma vertente modernizante das classes média e alta de São Paulo, de quadros intelectuais e tecnocratas bem-formados, dissolveram-se na geléia geral em que quatrocentão e “painho”, uspiano e grileiro, socialite e “coroné” existem, desde sempre, em continuidade e solidariedade uns com os outros. As promessas desesperadas de ampliação do Bolsa Família vindas de quem até pouco tempo o desdenhava como “Bolsa Vagabundo”, ou a cortina de fumaça que se constrói ao redor do debate do pré-sal, indicam que, atualmente, é impossível eleger-se no Brasil negando certos direitos recém-descobertos por vastas parcelas da população. A elite, mais do que nunca, precisa esconder seu verdadeiro programa.
Resta-lhe, então, partir para um jogo que começou nos EUA nos anos 80, e cuja eficiência na Europa cresceu muito na última década: tirar a política do debate político e substituí-la pelos cochichos igrejeiros, pelo apelo a um passado mistificado e a um moralismo espetacular – que instrumentaliza os medos causados por um tecido social cada vez mais esgarçado e propõe falsas soluções simples e regressivas, ao invés de confrontar-se verdadeiramente com a complexidade crescente dos problemas. É um “fim da política” que cobre a política que realmente lhe está por trás. Assim, por exemplo, o governo inglês anuncia, na mesma semana, o perdão de uma dívida de 6 bilhões de libras da empresa Vodafone e um programa de cortes de serviços sociais maior que qualquer coisa jamais proposta por Margaret Thatcher. Ou, depois do mercado financeiro ter usado a crise grega para dobrar a União Européia com a ameaça de um ataque ao euro, volta-se a culpar os imigrantes pela sobrecarga de serviços sociais de orçamentos cada vez mais reduzidos – culminando com o recente apelo de Angela Merkel por “uma Europa de valores cristãos”.
Talvez seja apenas no momento em que a Europa regride que a elite brasileira poderá, enfim, realizar seu sonho: juntar-se a seus “iguais” de ultramar na vanguarda de um retrocesso que mobiliza o medo e o reacionarismo mais rasteiro contra direitos e instituições historicamente conquistados. Afinal, a “lavagem de votos” da extrema-direita, pela qual o centro dá uma cara “respeitável” ao conservadorismo “selvagem”, tornou-se o maior negócio político de nossos tempos. (Quem sabe mesmo, agora, a extrema-direita comece a prescindir de intermediários: ver o PVV de Geert Wilders na Holanda.)
Rasgada a fantasia, fica tudo claro. Quem quer Estado apenas na medida em que este garante privilégios; quem tira os sapatos no aeroporto de Miami e entra na justiça para que o porteiro o chame de “doutor”; quem troca direitos por capacidade de consumo; quem sonega impostos e abomina as gambiarras e “gatos” das favelas; quem se queixa da falta de autoridade e do “jeitinho”, mas suborna o policial e espera que as legislações ambientais ou trabalhistas não se apliquem aos seus negócios; quem ainda se comporta como se estivesse com a caravela ancorada, sem nenhum interesse no país a não ser o lucro rápido para partir de novo, e então se queixa de um pais que não “vai para frente” – esses são os verdadeiros jecas do Brasil.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
O Churrasco
por Mozart Valle Neto*
É a diversão de nove entre dez brasileiros. Esse ajuntamento de pessoas ao redor do fogo. Para mim é um momento maravilhoso de confraternização. Principalmente, porque a refeição não está pronta. Os convidados chegam e geralmente o fogo está sendo aceso. Eu acho o fim social aquele pessoal que matreiramente chega um pouco atrasado para chegar na boa. Churrasco bom é aquele que todos participam.
Minha idéia é colocar aqui algumas dicas e sacadas destes anos queimando carne.
Antes: Limpar grelhas. Higiene é fundamental. Não caia no papo que o fogo mata tudo. Se estiver muito suja, acenda o fogo e coloque-a para esquentar e depois limpe, sai bem mais fácil. Se alguém reparou que não falei dos espetos. Não falei mesmo, pois não uso. O espeto rouba o suco da carne, ressecando-a. Bom, mas na churrascaria ele espetam. Sim, mas lá tem um motor que os faz girar e tem algumas que só furam a carne para servir.
Acendendo o fogo: Primeiro arrume o carvão. De um lado coloque uma camada mais grossa e do outro uma com metade da outra. Isso possibilita uma graduação no calor. Depois de experimentar todas as maneiras de acender o carvão (jornal enrolado em garrafa de cerveja, pão velho, oléo de soja, alcool, gasolina, alcool de carro e etc). Eu hoje uso o alcool sólido, com um truque. Ao invés de acende-lo no centro eu pico em quatro pedaços e distribuo pelo carvão. Acendo com cuidado os pedaços e coloco pedaços de carvão por cima e deixo por uns minutos até o fogo acender. Se tiver pressa basta colocar uma linguiça na grelha e fura-la com o garfo.
No fogo: As carnes devem ser colocadas quando o carvão começa a esbranquiçar. Dou tratamento diferente a cada corte.
A Picanha: rainha do churrasco, se for maturada grande possibilidade de maciez. Se não, preste atenção! Antes de aproveitar a promoção do mercado veja se é de macho ou femea. O macho é criado para carne, logo abatido mais jovem. As fêmeas na sua maioria são utilizadas como matrizes ou para leite o que lhes dão uma sobrevida maior, mas mais dureza. Outra dica é ver a cor da gordura. Quanto mais clara melhor. Fuja da amarela. Seu peso não deve passar de um quilo e duzentas gramas.
Para preparar: Retire da embalagem e confira se tem pelancas a serem retiradas. Vire do lado da gordura e com uma faca afiada faça um quadriculado na gordura, tipo um tabuleiro de xadrex, isso evita que a gordura endureça e enrijeça a carne. Os sulcos também ajudam pois distribuem a gordura derretida por toda a peça. Esfregue sal grosso pela superfície toda. Coloque para grelhar com a gordura virada para baixo por uns oito a dez minutos. Só vire se a gordura já estiver dourada. Estando vire do outro lado e deixe dourar. A carne só vai ficar boa se a grelha estiver chiando. Com o outro lado já assado retire a peça do fogo e fatie em pedaços para serem grelhado. Aí vai conforme a necessidade. Com muita gente. Fatie metade da picanha em bifes finos (1,5 cm – pode tirar mais fina, mas pode ressecar muito fácil). Com pouca gente. Tire da parte mais grossa um bife de 2,5 cm e um de 1,5 cm coloque sal em cima e volte para a grelha. Se tiver gente que gosta de bem passado - heresia – retire os dois juntos e pique o fino para a pessoa - mala – e divida o grosso entre os malpassadistas. O melhor pedaço é o biquinho. Não o deixe para o final, quando ninguém estiver por perto corte-o e pique, não precisa de mais fogo. Na minha opinião este pedaço deveria ser reservado ao churrasqueiro. Após tirar os bifes o que sobra deve ir para a parte com menos carvão da grelha sempre do lado da carne. A parte da gordura não volta mais para o fogo.
Nas próximas semanas falarei de outros pratos. Maninha, Fraldinha, Miolo da Alcatra, dois bifinhos pequeninos da Alcatra que são maravilhosos, Lombinho de Porco, Toucinho de Barriga, Chouriço, Linguiça, Tulipa de Frango, Peixe, Abobrinha, Cebola, Alho e Beringela. Não vou falar de costela, pois não sei fazer, se alguém se habilitar...
*Mozart Valle Neto (mozart.valle@hotmail.com) é churrasqueiro de final de semana e resolveu falar de churrasco na semana em que a carne mais aumentou, porque na verdade quem ganha dinheiro com isso é o varejo, pois o produtor tem recebido uma média de sete reais por quilo de carne vendida e os mercados tem vendido por uma média de vinte reais.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
A música é uma aventura
Por Valério Cortez
Em 20 de Setembro, o Vinicius propôs em seu texto que cada um de nós lista-se os 15 discos ais importantes de sua vida, não sei porque não o fiz, pretendo agora corrigir esta vacilada.
Fiz minha lista apenas com álbuns em português, pois como todos sabem, tenho sérios problemas com a língua de Shakespeare, e creio que tentar uma segunda lista, seria uma temeridade.
Minha seleção obedeceu unicamente à emoção, são discos que, de alguma forma, foram decisivos na formação de minha sensibilidade e gosto musical.
São discos que contém gravações que me provocaram arrepios na primeira audição, e pra mim, em música, arrepio e atestado de qualidade.
Um abraço a todos

Tropicália ou Panis et Circencis – Disco coletivo com caráter de manifesto estético e comportamental, foi gravado em 1968 por artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Mutantes, os poetas Capinam e Torquato Neto e o maestro Rogério Duprat. Misturava no mesmo caldeirão, a vanguarda, a cultura pop, o rock e a poesia Concreta.
Músicas – Panis et Circencis, Miserere Nobis, Baby ...etc.

Os Mutantes – Disco gravado em 1968 pela banda Os Mutantes, com arranjos do maestro Rogério Duprat. Com o surgimento dos Mutantes, o rock brasileiro passou a ter cara própria, com sua mistura alucinada de temática brasileira, tropicalismo, rock psicodélico, rock progressivo e irreverência, tornou-se a maior banda da história do rock brasileiro.
Esse disco foi eleito um dos 50 discos mais inovadores da história, segundo a revista inglesa MOJO. Ficou na frente de nomes como The Beatles, Pink Floyd e Frank Zappa.

FA-TAL- Gal a todo vapor – Álbum duplo de Gal Costa, gravado em 1971 com a direção geral de Waly Salomão. Disco símbolo da geração do desbunde, que juntava entre outras coisas, a cultura underground e o existencialismo de Jean- Paul Sartre. Considerado pela revista Rolling Stones como o vigésimo melhor disco brasileiro de todos os tempos.
Músicas – Dê um role, Pérola Negra, Mal secreto ...etc.

Construção – Disco de Chico Buarque de Holanda gravado em 1971. É o quinto disco da carreira do artista, e devido as críticas a ditadura militar teve parte de suas musicas censuradas.
Músicas – Construção, Deus lhe pague, Samba de Orly ...etc.

Transa – Disco de Caetano Veloso gravado na Inglaterra em 1972 com a direção musical de Jards Macalé e Tutti Moreno. Foi considerado pela revista Rolling Stones, o oitavo melhor disco brasileiro de todos os tempos.
Músicas – Nine of tem, Triste Bahia, It’s a long way ...etc.

Clube da Esquina – Disco gravado em 1972 por um grupo de jovens artistas mineiros tendo a frente Milton Nascimento e Lô Borges. A sonoridade do disco pode ser definida como o encontro das montanhas de Minas Gerais com os Beatles de Liverpool. O disco é uma sucessão impressionante de clássicos da música brasileira.
Músicas – Tudo que você podia ser, O trem azul, Paisagem da janela ...etc.

Acabou Chorare – Disco gravado pelo grupo Novos Baianos em 1972 que, influenciado pela contracultura e pela iniciante tropicália, promoveu o encontro da bossa nova, frevo, choro, baião, afoxé e rock n”roll em um disco antológico.
O disco Acabou Chorare foi eleito pela revista Rolling Stones, como o maior disco da música brasileira.
Músicas – Tinindo trincando, Preta pretinha, Mistério do planeta ...etc.

Manera fru fru manera – Disco gravado por Fagner em 1973, dando inicio a invasão da música nordestina pelo restante do país.
O disco vendeu a época apenas 5000 exemplares, para depois se tornar uma preciosidade na mão de colecionadores.
Músicas – Mucuripe, Canteiros, Eu nasci para chorar ...etc.

Secos & Molhados – Disco gravado em 1973, pelo grupo Secos & Molhados, onde a extravagante mistura de glam rock, rock progressivo, folk, mpb e poesia, gerou um disco excepcional.
Músicas – Flores astrais, O patrão nosso de cada dia, Rosa de Hiroshima ...etc.

Casa Encantada – Disco gravado pela banda O terço em 1976. Terceiro disco da banda carioca/mineira reflete a forte influencia do rock progressivo inglês e a aproximação da banda com o rock rural de Sá e Guarabira.
Junto com Criaturas da noite, lançado um ano antes, é considerado um dos melhores discos de rock já gravados no país.
Músicas – Casa encantada, Sentinela do abismo, Solaris ...etc.
Terreno Baldio – Disco gravado pela banda Terreno Baldio em 1976. O grupo paulista de rock progressivo gravou somente mais um disco, Além das lendas brasileiras, e desapareceu.
Musicas – Quando as coisas ganham vida, despertar, Água que corre ...etc.

Página do relâmpago elétrico – Disco gravado por Beto Guedes em 1977 traz uma muito bem feita mistura de MPB, Beatles e rock progressivo.
As músicas deste disco acabaram se tornando verdadeiros hinos para rapaziada cabeluda do Paz e Amor.
Músicas – lumiar, Nascente, Página do relâmpago elétrico ...etc.
Espelho Cristalino – Disco gravado por Alceu Valença em 1977, com arranjos do guitarrista Paulo Rafael. O disco promove a mistura de sons regionais como o baião, coco, embolada, forró, com sons mais universais como o rock e o folk.
Sem dúvida nenhuma, um clássico.
Músicas – Espelho cristalino, Agalopado, A dança das borboletas ...etc.

Clara Crocodilo – Disco gravado em 1980 de forma independente por Arrigo Barnabé, é considerado pela crítica especializada, como um dos mais importantes discos experimentais já feitos no país. De caráter vanguardista, mistura música atonal, dodecafonismo e histórias em quadrinhos.
Músicas – Clara Crocodilo, diversões eletrônicas, orgasmo total ...etc.
Beleléu, Lelél, Eu – Isca de policia – Disco gravado em 1980 pelo cantor, compositor, instrumentista e arranjador Itamar Assumpção, importante artista da cena independente e alternativa de São Paulo nos anos 70 e 80.
Itamar foi influenciado por artistas de variados gêneros, como Adoniram Barbosa, Cartola, Jimi Hendrix e Miles Davis, alem de poetas como Alice Ruiz e Paulo Leminski.
Músicas – Nego dito, Fico louco, Beijo na boca ...etc.