segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Doce e gelado


Enquanto nosso amigo (e colunista do blog) Figurótico se recupera de uma cirurgia na coluna, nós aproveitamos para republicar um excelente texto feito pelo mesmo, aqui no blog.

O Estação BM torce para que nosso querido guitarrista se recupere logo e retorne aos palcos e ao blog.

Abração, Figura!


Doce e gelado

Por Figurótico*

Encontrei Falácio no meio de uma rua muito comum e sem brilho de Barra Mansa, há muito não o via. Suas últimas notícias me eram passadas por um amigo em comum, Beto. Fiquei um pouco triste ao vê-lo, mesmo com a saudade que sentia daquele velho amigo, mas pelo seu estado emocional. O físico continuava em dia, mas os contornos da velha cara que esbanjava sorriso e alegria, estava realmente precisando de um pouco de esperança e sonhos que outrora lhe sobravam.

Falácio foi um garoto tímido do Verbo Divino, exibia algum talento para a arte em geral. Seus desenhos estavam acima de qualquer outro na escola, e naqueles anos em que não tínhamos a menor idéia de que o mundo poderia nos devorar – como alguns professores tentavam timidamente nos alertar –, todos achavam que ele se sairia como um belo artista para o resto da vida. Conversamos por um bom tempo, me esqueci de minha vida e o interroguei até onde pude tamanha era a minha curiosidade em saber o que estava se passando pela vida de Falácio.

Naquela ocasião, estava ele à procura de matar o estava lhe matando: a ressaca. E seu organismo andava tão metódico que esta o atormentava em todas as madrugadas de domingo para segunda. Mais precisamente às três e meia da manhã – e não o deixava dormir até as sete, oito horas – quando ele já combalido se jogava na cama e entregava os pontos, de que não era mais possível beber, e que na segunda-feira havia de tentar fazer algo de útil para sua vida. Nosso papo só engrenou quando achou o que procurava. Algo que fosse doce e gelado ao mesmo tempo. Acabou optando por açaí, embora houvesse me dito que nesses casos o sorvete era mais eficiente. Chegou a me dizer que por vezes deu de cara na porta da loja de açaí, enquanto o comércio todo já funcionava, a loja não. Com seu jeito peculiar fez um bilhete e colocou por debaixo da porta. “Palhaçada tem limite! Abram essa porra cedo! Quem tem ressaca tem sede... e pressa!”. O que surtiu efeito.

Mas eu queria saber mais, já estava até me sentindo de ressaca sem ter sorvido um trago no dia anterior. Mas e a vida, Falácio, e a vida? – perguntei. Soubera que ele tinha passado grande parte no estrangeiro após a virada do século, na Europa buscando pelos seus antecedentes familiares sem sucesso. E acabou ficando por lá. Pintava paredes e quando conseguia tempo e dinheiro via teatro e cinema. Mas começou falando do amor, do desconfiado amor. De que só se ama de verdade quando é para sempre. E que duvidava de todos os amores que pensou ter vivido já que todos acabaram. Exceto o último e grande amor. Pois vivia ele ainda. Contou que vivera uma história conturbada e muito bela ao mesmo tempo, e que no seu decorrer o fez enxergar que realmente havia encontrado o tal do amor. Para isso, tentou a todo o custo trazer a amada de volta, quando esta já havia entregado os pontos. Conseguiu, demorou, mas houve uma pequena recompensa. Aninha, já tinha dado todas as chances à Falácio, mas ele conseguiu provar que, na derradeira (implorada de joelhos) ele se reergueu e se curvou ao amor que sentia por ela. Contou-me os contornos, reviravoltas, brigas, pazes, beijos. Mas o que foi mais forte foi o capítulo final.

Falácio implorara à Aninha para que viajassem juntos por mais uma vez. (No ano anterior, foi uma viagem a Itaipava que os uniu depois de um período de dois meses afastados). E sugeriu que fosse no réveillon. Aninha reticente desconversou e viajou com a família. Bom, a última oportunidade real seria o carnaval. Falácio confiante e esperançoso a deu como garantida. Enganou-se... Aninha depois de muito se desculpar, disse que teria uma única oportunidade de viajar com as amigas, que pouco fizera isso na vida, e que seria como uma última. E pediu que Falácio não ficasse chateado, que voltaria e com ele ficaria novamente. Falácio se desapontou, deixou correr, mas acabou esperando para ver o que acontecia.

No segundo dia de viagem, ao que tudo parece, Aninha se arrependeu de ter ido e procurou insistentemente por Falácio. Discutiram ao telefone, brigaram e ao fim Aninha perguntou à Falácio se este teria coragem de buscá-la. Sem pestanejar Falácio disse “sim”. Abandonou seu carnaval e rumou 500 quilômetros à busca da amada. Lá chegando estacionou o carro e a esperou que fosse ao seu encontro no lugar combinado. Por telefone se guiaram. Falácio parado e Aninha correndo para encontrá-lo. Ao primeiro olhar distante dos dois, Aninha saiu em disparada descendo uma enorme ladeira enquanto Falácio permanecia ao fim da rua surpreso com aquela correria e só pôde abrir os braços e reparar a maquiagem borrada dos olhos de Aninha pelo choro que caiu sobre ela ao ver que Falácio fora realmente te buscar. Abraçaram-se loucamente e Aninha beijava e soluçava e gritava que nunca mais o abandonaria, que queria que ele a desculpasse, que não conseguia mais viver sem Falácio que, estático (imaginando estar numa cena de cinema), apenas a abraçava e aos beijos, confortava Aninha dizendo o mesmo, que ficasse tranqüila porque o amor deles era eterno, e que nada o faria abandonar Aninha na vida.

Neste momento eu estava soluçando comovido com a história de meu amigo, vendo uma das provas de que o amor existe. Mas Falácio estava triste, pois acreditou no que ouvira naquele carnaval, mas Aninha o abandonou há pouco tempo.
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Dica para combater momentos de Falácio em nossas vidas:

Trata-se de Jeff Buckley, filho de Tim Buckley, que morreu afogado em 97 enquanto nadava no Rio Wolf, afluente do Mississipi, cantarolando "Whole Lotta Love".

*Figurótico é músico, tem 35 anos e preserva a identidade dos amigos-personagens acima.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Dificuldades com a tecnologia ou O dia em que o Luiz Correia virou o Cucão.

Por Valério Cortez

Eu ainda não assisti ao filme A rede Social de David Fincher, que recebeu oito indicações para o Oscar e que narra as peripécias da criação do Facebook pelo ex-nerd harvardiano e atual multimilionário, Mark Zuckerberg.

Diferentemente do Zuckerberg, eu não tenho meu perfil no Facebook, mas em compensação, também não o tenho nos arquivos das delegacias de polícia, o que é muito bom.

Sou de um tempo em que perfil era só uma foto de lado.

Também não estou twittando, pois, assim como o Arthur Dapieve e diferentemente do Roberto Carlos, eu não pretendo ter um milhão de amigos. Acho que seria muito complicado na hora de sentar num bar pra tomar uma gelada e jogar conversa fora.

Provavelmente devo estar parecendo um velho dinossauro. Dos mais mansos, mas dinossauro.

A verdade é que tenho imensas dificuldades com toda esta tecnologia com a qual somos obrigados a conviver neste nosso já tão complicado dia a dia.

Tenho dificuldades com Notebooks e celulares, sem contar as TVs de plasma e os vídeos games. Mas juro que não estou pregando a volta dos tubos de imagem nem dos Ataris.

Para que vocês tenham uma idéia, nunca tirei uma foto sequer com o celular, não sei ouvir música nem ver vídeos neles, apenas faço e recebo ligações como num orelhão.

Com os rádios da Nextel a situação é bem pior, neles eu não consigo sequer falar. Quando é para apertar o botão e falar, me calo, quando é para soltar o botão é ouvir, eu falo. Problemas de tecnologia e coordenação motora.

Tremo diante da simples pronúncia destes Ipads, Ipods, Iphones e similares.

Mas eu tenho tentado me adaptar, esta semana, por exemplo, depois de um longo e entediante passeio pela internet, resolvi conhecer o Facebook. E gostei.

Andava eu, distraído pelo Facebook, vendo as fotos dos amigos do Estação, quando de repente, não mais que de repente, lá estava ele a me olhar fixamente, acho que até com um leve sorriso de ironia no canto da boca.

La estava a cara do Luiz Correia na foto do Cucão, ou a cara do Cucão na foto do Luiz correia. Já nem sei.

Uma imagem vale mais do que mil palavras, assim como uma foto vale mais que mil retratos falados.

Pois é gente, levei quase que dois anos para perceber que o gente boa do Luiz Correia era o gente boa do Cucão. Levei quase dois anos para perceber que o Luiz Correia de Ipanema era o Cucão da Pedro Vaz esquina com o Beco do Mercado. Levei quase que dois anos para perceber que o grande rubro negro Luiz Correia era o irmão do botafoguense Cícero. Foi mal. Foi muito mal.

Minhas mais sinceras desculpas Luiz Correia, ou Cucão. Eu só não sei com qual dos dois eu preferiria tomar uma gelada. Com os dois, pronto.

Um abraço a todos e um ótimo e calorento domingo.


Notícias de última hora

*Bruxas cozinham na calada da noite, o futuro do Estação.

*O prato do dia hoje, é bacalhoada.

*Nem o talento nem os truques de todos os marqueteiros do mundo seria capaz de fazer a torcida do Botafogo ocupar mais que uma Kombi.

*Valério Cortez já pode ser encontrado no Facebook e nas melhores casas do ramo.


sábado, 29 de janeiro de 2011

Faça parte do Estação


Caros amigos,


nosso blog sempre teve como característica a diversidade de opiniões. Mantivemos, desde o início, o formato de um colunista por dia.


Em 2011 resolvemos mudar um pouco. Estamos passando por algumas transformações que visam modificar a forma sem alterar o conteúdo. Continuaremos tendo na diversidade de opiniões nossa principal característica. Mas queremos mais.


Para tanto, aumentaremos para 14 o número de colaboradores fixos/redatores, e para isso contamos com você, amigo leitor. Queremos tê-lo ao nosso lado, sendo um de nossos colunistas fixos. Se você gosta de escrever, envie um texto para o e-mail do blog (estacaobm@gmail.com), com no máximo 2 (duas) folhas do Word, fonte 12, abordando o assunto que quiser. Se a sua praia for outra (vídeos, charges, fotos), envie o trabalho para o mesmo e-mail. Os nomes serão definidos nos próximos dias pela administração do blog.


As novidades são muitas. O Estação BM, se tudo ocorrer como estamos planejando, dará um salto de qualidade e visibilidade.


Administração do blog.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"A Love Divine"


Por Camila Cací *

Para a maior parte das pessoas que me conhecem, esse assunto não é nenhuma surpresa. Devem até ter estranhado não ter começado minha participação aqui com ele. Enfim, não dá pra fugir. Não nesse caso.

Como já disse anteriormente, sou viciada em rock. Procuro sempre ouvir coisas novas mas, sinceramente, sempre me prendo mais aos antigos, aos clássicos. Muitas vezes nem me apego muito às bandas, gosto muito dos músicos individualmente. Busco saber a história, conhecer a carreira e ver o que mais me agrada naquilo tudo.

Até hoje não conheci músico que tenha mais me chamado atenção que o Richie Kotzen. Cantor, compositor, guitarrista (e gatinho, com o perdão da observação).

Considerado um dos melhores guitarristas do mundo, com vinte anos de carreira, Kotzen, além da carreira solo, já trabalhou com algumas bandas em variados estilos. No pop/rock tocou com Poison e Mr. Big (isso muito me agrada, sou farofeira ao extremo, esqueci de mencionar), participou do Vertu em jazz/fusion e tocou com lendas do jazz como Stanley Clarke e Lenny White, por exemplo. Excursionou pelo Japão em 2006 abrindo os shows dos Rolling Stones o que, certamente, foi um marco em sua carreira.

Kotzen é um dos poucos artistas a serem homenageados pela Fender não com uma, mas com duas guitarras. Além de possuir seu próprio amplificador e pedal.

No Brasil ele não é tão popular, tendo um número “pequeno” de fãs. Mas, apesar disso, todo ano ele está aqui. Seus fãs são muito fiéis e realmente apaixonados pelo seu dom. É fato que estou entre as mais fiéis, diria até que sou viciada. Sou daquelas que vão a todos os shows e nem piscam enquanto ele não sai do palco.

Parece patético, pode até ser.

Adoro falar de sua carreira, suas músicas e sou capaz de fazê-lo por horas sem cansar. Não há um dia que não ouça.

É a voz que me acalma, me alegra. São os acordes que me animam. Os solos que me hipnotizam. É a música que mexe com meus sentimentos, com minha vida. É esse som que faz meu coração bater mais forte.

Assumidamente apaixonada por música, sou mais feliz depois que conheci alguém com quem me identificasse tanto. Na primeira vez que ouvi, tive certeza que ele compunha exatamente o que meus ouvidos pediram a vida toda.

É, ele é meu maior ídolo.

Espero que tenham oportunidade de conhecer e possam entender o porquê desse meu fascínio.

Difícil demais indicar alguma coisa dele, então vou sugerir que ouçam seu último trabalho, o disco “Peace Sign”, em especial a canção “Larger Than Life”. Tenho ouvido bastante ultimamente. Ouçam também “Go Faster”, “High”, “Don’t Ask”, “Rust”, “Paying Dues”, “You can’t save me”…

Ouçam tudo que puderem e tirem suas próprias conclusões.

Deixo aqui as imagens de um show dele em São Paulo que virou DVD. É uma das que mais me emociona:

http://www.youtube.com/watch?v=_I1FnNSbjN8

Pra quem vier a gostar ou para quem já gosta, dia 12/03 ele se apresentará no Rio. Certamente estarei no gargarejo. Já conto os dias...



*Camila Cací é tão fã que tem a palheta do Kotzen tatuada no braço direito, junto ao título da música “A Love Divine”.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

1º Caxambuteco, CaxambumaisJAZZ, Mangabrothers e o dia em que Bob Dylan abençoou as águas minerais


* Por Sérgio Soares

No fim de semana passado, aproveitando o tempo bom após vários dias de chuvas intensas, visitei a aprazível Caxambu, pequena cidade do sul das Minas Gerais, a fim de prestigiar a realização do 1º Caxambuteco, evento gastronômico/musical realizado no rinque de patinação do parque das águas entre os dias 20 a 23 e que reuniu vários botecos em uma espécie de concurso.

Gostei muito do que vi e provei, sendo de se registrar a diversidade de opções, de escondidinhos a berinjela recheada, vaca atolada a casquinha de siri, passando por iscas de peixes, churrasquinho, canjiquinha, queijos (obviamente) e mais uma boa variedade de petiscos. Até presunto pata negra havia disponível, embora eu sinceramente não acredite que alguém tenha pedido uma porção desta iguaria. A organização, a cargo da Associação Grupo Cidadão Caxambuense, também está de parabéns, quanto mais se levarmos em consideração que esta foi a primeira edição do evento.

Ao chegar, cada freqüentador recebia um folheto onde poderia lançar notas aos botecos participantes, nos quesitos melhores tira gostos, qualidade do atendimento, apresentação do boteco e temperatura da bebida. Independentemente do resultado da competição, que acabou por confirmar minhas expectativas e elegê-lo como o melhor boteco do festival, registrei minhas maiores notas ao Boteco do Ratinho pelos belos caldos (canjiquinha, caldo de feijão e vaca atolada), cerveja gelada, cachaça de qualidade e bom atendimento. Também digno de elogios foi o Boteco do Gaúcho, com uma porção de pernil assado de tirar o chapéu.

Minha expectativa era pela noite de sexta-feira, posto que a música ao vivo estaria a cargo da ótima banda Mangabrothers, formada em Teresópolis por Flávio Mangaba (guitarra e voz), Luciano Mendes (baixo), Helio Ratis (bateria) e, especialmente nesta apresentação em Caxambu, Alanito nos vocais principais e guitarra. Apesar de todas as intempéries vivenciadas na região serrana nas últimas semanas, a rapaziada não deixou a peteca cair, deu uma rápida pausa no serviço voluntário e honrou o compromisso assumido de animar a noite com muito rock ‘n roll. E de fato rock não faltou. Abriram os trabalhos a todo vapor com uma incendiária versão de “Start me Up”, dos Rolling Stones, ganhando a platéia instantaneamente. Daí pra frente foi só administrar e não deixar cair. Dito e feito. E tome Doors (Roadhouse Blues, Love me two times, Love her madly), Lenny Kravitz (Always on the run, Are you gonna go my way), Creedence Clearwater Revival (Born on the Bayou), mais Stones (Gimme Shelter, Miss You), AC/DC (Jailbreak), Black Crowes (Remedy), Jimi Hendrix (Purple Haze, Foxy Lady), Bob Dylan (All along the watchtower), Beatles (Come together), Kings of Leon (Mollys Chambers), Pink Floyd (Time), Ben Harper (Burn to shine) e provavelmente mais uma ou outra que meu cérebro fez o favor de esquecer, talvez entorpecido pela música em alto e bom som, aliada ao consumo “moderado” de cerveja gelada.


A cada música iniciada a reação da platéia era um misto de admiração e espanto, quase não acreditando no que ouvia, já que normalmente em eventos desta natureza a música não passa de um repertório baseado em MPB de barzinho, forró, sertanejo “universitário” e por aí afora. Uma turma de motociclistas postada bem à minha frente, que utilizou o Caxambuteco como ponto de encontro do moto clube, era o retrato da felicidade plena.

O ponto alto do show, que foi dividido em dois blocos, sem dúvida ocorreu em “Like a Rolling Stone”. É sabido que em determinados momentos, a depender da posição das estrelas, do sol, da altura do som e outras determinantes ainda desconhecidas, a música encaixa e se eleva, alcançado outro patamar. Neste momento a platéia, extasiada, entoou tão alto a provocante pergunta de Dylan, “How does it feeeeeeel?”, que provavelmente até na vizinha São Lourenço foi ouvida. Emocionante.


Próximo ao final do show os Mangabrothers emendarem uma sequência de reggaes viscerais de Bob Marley, mandando “Get up stand up” e “I shot the sheriff” com uma pegada impressionante, antes de encerrarem com uma consistente versão de “Redemption Song”, com direito a isqueiros acesos na platéia e tudo mais.

A registrar, ainda, que de hoje a sábado Caxambu será novamente invadida por um festival, desta vez ligado diretamente à música, o “CaxambumaisJAZZ”, com shows, workshops, oficinas e exposições em vários pontos da cidade. A programação completa está disponível em www.caxambumais.blogspot.com

Fica a esperança de que outras cidades também promovam eventos desta natureza, em especial a nossa querida e um tanto passiva Barra Mansa.

Ps: Helio, parabéns pelo excelente CD!

* Sérgio Soares sentiu a ausência dos amigos e colegas de blog Vinícius, Valério e César em Caxambu. Dedica esta coluna a Maurício Tempel, o DJ Ovni, figura ímpar que pagou “one more cup of coffee” para Bob Dylan, em pessoa.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sempre amor


Mais um texto que nos chegou por e-mail. Mais uma mulher - elas vão dominar o Estação BM...

Deixamos os leitores com um texto de Diana Castro, menina corajosa que aborda o tema mais universal da história da humanidade: o amor.

E você que também tem algo escrito, envie para o e-mail do blog - estacaobm@gmail.com - estamos selecionando colaboradores fixos, mas estaremos sempre abertos para novos textos de colaboradores eventuais. Sua participação é importante.

Estação BM - leia, comente, opine, escreva. Embarque no Estação.


Sempre amor

por Diana Castro*

Fico sempre pensando nas formas de amar, amor pode ser lindo, forte, misterioso, gostoso, perigoso e muito atraente, o amor sempre vai nos tirar o melhor e o pior, são sensações que fazem a gente se perder ou se encontrar de uma maneira nada conhecida... ficamos corajosos!

O significado do amor, vai muito além de só sentir borboletas no estômago, amor é equilíbrio, entrega, vontade contínua, parceria, atenção, euforia, tesão, intensidade. E com amor queremos sempre chegar na plenitude.

O amor é jardim florido, amor vive das impossibilidades, da vontade sem fim, amor fala muito.

Amar é sentir que a outra pessoa tem interesse real na sua vida. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.

A gente não ama outra pessoa pelas qualidades, é coisa de encontro de alma, de pele, por que ter pele é fundamental para dois corações, por isso ficamos loucos quando amamos.

Fórmula certa não existe, amor é indefinível!

Eu vou sempre querer abrir o meu coração pra entender das coisas que não tem explicação, para cada dia me tornar mais sensível e romântica.

Amar é vida, viva a vida, meu bem!

*Diana Castro, 24 anos, está sempre buscando as coisas do coração.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A garota da Mário Ramos...

Caros amigos,

o Estação BM recebe mais um texto, de alguém que forneceu apenas o nome, sem qualquer outra referência, mas esperamos que possa aparecer mais por aqui.

Por termos achado interessante, resolvemos publicá-lo.

Curtam o texto de Rodrigo Viana.




A GAROTA DA MÁRIO RAMOS...

por Rodrigo Viana Cardoso*

Era pra ser apenas mais um almoço. Mais um dia quente, com trabalho monótono, o ar gelado no frio escritório. Eu fazia minha pequena caminhada após comer, descendo a Mário Ramos. Não sei quando, não sei onde, ela apareceu. Não era alta, não era baixa, tinha a altura ideal, um corpo normal, uma garota normal, simples, andar apressado. Comecei a segui-la. Ainda tinha mais meia hora e tentaria conhecê-la. Mas teria que vencer a timidez...

Desde criança sofro de timidez crônica. Sempre falei baixo, com medo das pessoas, nunca gostei de ser notado. Não sou um cara feio, mas minha timidez sempre foi uma barreira com as garotas.

Não seria naquele dia, pensei. Quando me toquei, já estava dando largas passadas na Joaquim Leite. Passei pela Casas Bahia, Rei dos Salgados, Emoção, Pio XII, tudo em um ritmo alucinante, sufocante, precisava vê-la mais uma vez, saber seu nome, saber onde anda, pra onde vai. Ela apertava o passo, eu seguia. Perto da Drogaria Pacheco eu consegui alcançá-la, mas minha voz não saiu, houve um rápido olhar e eu diminuí a passada.

Voltei ao ritmo. Passei pela Sabec e só enxergava aqueles cabelos negros presos em um rabo-de-cavalo. Ela atravessou a rua e acabou entrando no Supermercado Floresta. Fui atrás. Era a chance, comecei a pensar que ela entrara ali para me dar uma oportunidade, era certo que já havia notado. O que eu faria? Alguma pergunta sobre produtos, um comentário sobre o tempo, sei lá, nunca fui bom nisso. Comecei a fingir que fazia compras. Enquanto isso, ela pegou um chocolate e foi para o caixa. Fiquei sem ação, resolvi esperá-la na saída, na calçada da Domingos Mariano.

Passado algum tempo, ela surge e para no ponto de ônibus. Gelei. Logo apareceu um ônibus e ela fez sinal. Não lembro o destino, não conhecia o bairro, mas subi atrás dela. Estava perdendo a sanidade, tinha que voltar ao trabalho, mas o trabalho, ah!, o trabalho!, nunca gostei daquele escritório, daquelas pessoas, daquele salário, "foda-se o trabalho!" - pensei. Entrei no ônibus e sentei em um banco próximo ao dela. Enquanto a viagem seguia, eu pensava no que falar, o que dizer, quando agir. E cada vez mais nos afastávamos do Centro. De repente, já em um bairro perto de Volta Redonda, ela se levantou e apertou o sinal para descer. Fiz o mesmo, meu coração já chegara à boca, mal conseguia respirar. Quando desci, puxei-a pelo braço.

- Qual é o seu nome?, perguntei.

Ela respondeu e eu não consegui entender, só via os movimentos da boca, não ouvia nada, não havia som, ela falava novamente e eu ali, imóvel, parado, congelado sob o sol de 40°. Ela se cansou e saiu. Fiquei estático, sem ação, sem saber seu nome, sem saber o que fazer.

Voltei para o trabalho atrasado, discuti com o chefe, fui mandado embora, tomei um porre. Nunca consegui lembrar o nome do bairro em que estive. Nem sei se existe, se ela existe, se eu existo, se Barra Mansa existe...

*Rodrigo Viana Cardoso tem 30 anos e nunca mais viu a morena sem nome.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Os blogs


Caros amigos,

o Estação BM tem o prazer de publicar mais um texto de uma nova colaboradora: Lídia Helena Pereira. Pelo estilo e pelas palavras utilizadas no e-mail que enviou para o blog, parece ter vindo para ficar.

Aproveitem o texto.


por Lídia Helena Pereira*

A primeira coisa que me veio à mente lendo o post recrutando leitores para integrar o quadro fixo do blog foi: “Vou me sentir uma adolescente escrevendo uma redação para ser aprovada no vestibular.” Ou quem sabe escrevendo o campo “objetivos” ao preencher uma ficha de emprego.

Pelo menos vocês não pediram curriculum vitae.

Espero também que os candidatos não precisem passar por exames psicológicos, senão eu estarei sumariamente reprovada.

E já que o tema é livre vamos falar sobre blogs.

Há um bom tempo atrás li uma reportagem (não me lembro o título e não me lembro onde) sobre o tema blog, internet e privacidade. De como as pessoas se expõem nos blogs. E, também, de como tem maluco pra tudo no mundo.

Mas interessante mesmo foi a opinião de um tal professor de Harvard (que eu também não lembro o nome), entrevistado para a matéria, que disse que postar suas opiniões em um blog revela um tipo de confiança no outro.

Segundo ele essa é uma característica da nova geração. As pessoas entram na internet e falam da vida, do cachorro, do trabalho... na confiança de que quem vai ler não vai fazer mal uso dessas informações, na confiança de que será compreendido por alguém em algum lugar.

Achei isso interessante porque eu nunca tinha parado pra pensar sob esta ótica.

Quando comecei a escrever em blogs há anos atrás minha palavra de ordem era interação! Eu conheci algumas pessoas legais num site e fomos escrever um blog, e eu descobri que tinha um monte de gente bacana escrevendo blogs também e que era bom você trocar informações e experiências com gente que você nunca viu na vida e que pensa parecido com você, ou então que pensa completamente diferente. O importante era a troca.

Também lembro de, naquele meu primeiro contato com blogs, ter lido uma matéria que dizia que a maioria dos blogs era pura auto-promoção, as pessoas faziam questão de dizer que eram felizes, lindas e maravilhosas.

Sobre isso, minha opinião é de que a palavra seja “aceitação”. O ser humano está a todo tempo tentando ser aceito, e acha que isso só acontecerá se for perfeito, se fizer tudo certo, se seguir os padrões. Então a pessoa vai lá, escreve que é perfeita, que se enquadra nos moldes, que se encaixa no mundo... e pronto, todos vão gostar dela!

Depois os blogs começaram a ser invadidos por seres mais “reais”. As pessoas entravam em seus blogs e escreviam também sobre o lado não tão bom da vida, que foram reprovadas, que levaram um fora, que fracassaram em alguma coisa, etc. Alguns eram maçantes versões on-line de “meu querido diário...”. Mas algumas pessoas conseguiam transformar coisas banais e comuns, como levar um pé na bunda de um namorado, em um roteiro cinematográfico.

Sem falar que em alguns blogs encontramos textos, opiniões e notícias muito mais lúcidos e coerentes do que em muitos jornais que estão à venda nas bancas.

Hoje, segundo pesquisa UNESP, as definições são: narcisismo, amenidades e liberdade.

Os blogueiros continuam utilizando o blog como ferramenta para serem reconhecidos como bons em alguma coisa, embora eu conheça blogs nos quais a pessoa faça questão de deixar bem claro que é ruim em tudo.

Também continuam utilizando o blog pra falar amenidades, bobeiras, devaneios, por falar nisso, será que vai chover?

E, lógico, liberdade. Blogs são praticamente terra-de-ninguém. Cada um escreve o que quer. Posso escrever no relatório mensal da empresa sobre a ida do Ronaldinho Gaúcho para o Flamengo? Posso transcrever poemas de Fernando Pessoa na prova da faculdade? Posso mandar o chefe para lugares inóspitos quando ele me pedir pra fazer hora extra na sexta-feira?

Então, no blog pode. Desde que o chefe não saiba que você tem um blog.

*Lídia Helena Pereira não revela a idade. Nem em um blog.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ano Novo de novo ou Singin'in the Rain em Garatucaia *

Por Valério Cortez

Um ano é o intervalo de tempo em que a terra demora a dar uma volta completa em torno do Sol.

Ou ainda

Um ano têm a exata duração de 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos.

O que eu espero do ano de 2011?

Ora, que ele tenha 365 dias e igual número de noites. Às 5 horas, 49 minutos e 12 segundos restantes, por mim poderiam ser perfeitamente esquecidas.

No dia 31 de Dezembro último, confirmando as teorias de Copérnico e Galileu, nosso velho sucatão completou mais uma série de giros em torno de seu próprio eixo. Nasceu um ano, morreu um ano.

Ao se aproximar da meia noite, entre taças, Tender’s e arrependimentos...

Vimos os fogos que explodiam de Singapura a Barra do Piraí, tecendo no céu, desenhos lisérgicos, enquanto na areia, homens e mulheres vestidos de branco, usavam cuecas e calcinhas novas para trazer sorte, enquanto buscam freneticamente, o fio da meada de suas vidas.

Enquanto isso, de uma poltrona confortável, em algum lugar entre o céu e o inferno, Deus a tudo observava constrangido.

E eu, preocupado com a temperatura do freezer onde gelavam as cervejas, encucava mais uma vez na eterna dúvida entre aproveitar os últimos minutos do ano para compilar desejos e promessas ou me atirar despudoradamente ao mar em busca do colo protetor de Iemanjá.

Nem uma coisa nem outra, como das outras vezes, acabei ficando na minha cerveja gelada tentando chamar a atenção de DEUS para as minhas conjecturas.

Mesmo porque, o que eu acho é que essa nossa vidinha vai seguir serena e murrinha, exprimida entre a beira do rio e a linha do trem.

Como eu acho que será o ano de 2011?

Ora, um ano com 365 dias e igual número de noites, só que sem Réveillon no final, pois como todos nos sabemos, o mundo vai acabar em 2012.

Um grande abraço e um bom domingo a todos


Pequenas considerações

Papo sério

Se você esta realmente a fim de levar a sério este negócio de ano novo vida nova, é melhor ouvir o Fernando Pessoa.

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

Sacou?

Confissões

É preciso confessar que neste ano que passou, assim como o planeta Terra e a cambaleante Amy Winehouse, por algumas vezes andei girando entorno de meu próprio eixo e por razões inconfessáveis, acabei indo ao chão. Como a Amy.

Agradecimentos *

Obrigado Serginho, por mais um maravilhoso réveillon sob o céu e a chuva de Garatucaia.

Fonte de esperança

- Governo novo

- WikiLeaks

- Estação BM

-O Melhor no Maior do Mundo.

sábado, 22 de janeiro de 2011

NOVO RIO LANCHES


Caros amigos,

segue mais um textos de nossos leitores/colaboradores. Bem, o texto de hoje, na verdade, é de alguém que já é sócio aqui do boteco, o querido rubro-negro Luiz Correia, barramansense radicado no Rio.

Abra uma cerveja, peça o tira-gosto e saboreie o texto do Luiz.

NOVO RIO LANCHES


NOVO RIO LANCHES.jpg

Luiz Correia*


Isto lá é nome que se dá a boteco?

De lanches servem dobradinha, costelinhas, frango frito, peixe frito, carne assada, lombinho e moelas. Lembrei, tem pastel frito! De frutas o que tem é uma batida de maracujá e claro, muita cerveja.

Mas o que tem de bom neste boteco com nome de lanchonete?

Por ser perto e caminho quase que obrigatório para chegar em casa, comecei a fazer uma parada básica para uma gelada depois do trabalho. Com o tempo, e muitas geladas, fui percebendo que algumas pessoas sempre estavam no boteco.

Eu normalmente ficava do lado de fora, apoiado em um tampo de fórmica em cima de 03 engradados de cerveja, e foi aí que em um destes dias entrei em uma conversa com dois freqüentadores assíduos do boteco que colocaram suas garrafas no mesmo tampo de fórmica. Um engenheiro civil e o outro motorista particular (“de madame”).

Pois bem, daí para frente, fui conhecendo todos.

São porteiros de prédio, taxistas, mecânicos, médicos, advogados, professores, bombeiro hidráulico, PMs, aposentados, coçadores de saco, engenheiros, funcionário público, pedreiros, jardineiros, pintores, empresários e por aí vai, tem de tudo um pouco.

Todos conversam sem preconceitos e principalmente com respeito. É muito raro ter algum tipo de confusão, mesmo nos debates mais calorosos sobre política ou futebol.

É esta mistura de pessoas, classes econômicas e culturais diferentes que fazem deste boteco, pelo menos para mim, o lugar mais democrático e eclético que conheci. Fala-se de tudo um pouco e se convive bem com todas as diferenças e opiniões diversas.

Preferências por times de futebol é bastante divido entre os 04 grandes do Rio, sendo o time do América bem representado por um professor e o mengão pelo jardineiro dos gramados da Gávea, uma figura e com uma risada que se ouve do outro lado da rua.

Normalmente aos domingos sempre há uma degustação de pastas, queijos e torradas levadas por nosso amigo que é representante de vendas, a custo zero, somente a bebida por conta de cada um.

Há também as datas festivas, como aniversários e comemorações diversas que se torna em um motivo para se fazer um bacalhau, assar um pernil ou até mesmo um churrasco na praça em frente ao boteco, isto mesmo na praça. O último churrasco foi para comemorar 30 anos de carreira de um PM.

Aprendi e ainda aprendo muito com estas pessoas, principalmente em aceitar e lidar com nossas diferenças. Saber dos limites de cada um e até onde podemos ir sem ofender ou ser ofendido.

Viva a democracia e as diferenças, principalmente sem preconceitos e com muito respeito.

*Luiz Correia prefere tomar uma gelada em um boteco do que ir a um barzinho.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"Cowboy do Asfalto"


Caros amigos,

o Estação BM tem o prazer de apresentar mais uma colaboradora: a querida amiga, produtora de moda, agitadora cultural e um monte de outras coisas, Camila Cací. O resto é com ela.



Landau e a colunista Camila Cací

por Camila Cací*


Este é meu primeiro post aqui. Primeiro de muitos, eu espero! Então vou me apresentar rapidamente.

Sou a Camila, mais conhecida como Cací (acento no 'i', por favor). Sou formada em Moda, pós-graduada em Produção de Moda/Stylist. Trabalho com produção de moda e, atualmente, tenho me dedicado mais a produção de eventos. Muitos deles juntamente com o grande amigo e roqueiro, Figurótico. Ênfase no ‘roqueiro’ pois, dificilmente, vocês me verão envolvida com outros estilos musicais. Digo, quase impossível! Acho que acabo de deixar clara minha grande paixão.

Após essa rápida apresentação vamos ao que interessa.

Hoje resolvi estrear falando sobre meu último evento, ou melhor, sobre a atração dele: a Glam Station Party é uma festa do “Cowboy do Asfalto” Landau, e minha. Aliás, essa foi só a primeira edição de muitas de sucesso! Rá!

Landau é cantor, compositor, instrumentista e produtor musical. É roqueiro da roça assumido, expoente do movimento AGROCORE e é um dos grandes ícones da música independente da atualidade. Isso tudo sem falar do estilo mega próprio e super original. Influenciado por Guns n´ Roses, Raul Seixas e Creedence Clearwater Revival, Landau fez um show maravilhoso. Recheado de músicas próprias como "Ela Pegou no Meu Landau", "Lata Velha", "Bones", a balada "Amor sem fim" entre sucessos de outros artistas como Pink Floyd e Raul Seixas.

Dono de um grande talento, ótima voz e imenso carisma, ele conseguiu fazer muito roqueiro cantar a versão rock do pagode "Mineirinho" feliz da vida! Todos saíram da festa querendo mais e mais! Landau contagiou a todos... sem dúvidas! Ele balançou as estruturas do Pianos Bar Embaixador com seu “Rock Rural”.

Neste momento ele está em turnê com o show "Minha vida não tem freio" e eu torço, muito e sinceramente, pra que não tenha mesmo.

Há 12 anos na estrada, esse é o tipo de artista que merece o que de melhor o mundo tem a oferecer. É o tipo de pessoa que faz a gente acreditar que o rock não morreu. E o melhor? É só o começo!

Espero que vocês tenham a oportunidade de conhecê-lo e tornarem-se fãs, assim como eu.

Para maiores informações: http://www.landauonline.com

Deixo aqui um dos vídeos que fizemos na festa, espero que curtam!

http://www.youtube.com/watch?v=YqrhSJi1a5g

Até a próxima, moçada!

*Camila Cací é pós-graduada em Produção de Moda/Stylist e apaixonada por rock’n’roll.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O que você tem a ver com a corrupção?


* Por Sérgio Soares

Há cerca de 06 meses, aderindo a campanha deflagrada pelo Ministério Público de Santa Catarina em 2007, vencedora do Prêmio Innovare e premiada pela Organização das Nações Unidas, venho visitando escolas públicas e particulares, proferindo palestras acerca do tema da corrupção, buscando chamar a atenção dos jovens e professores quanto ao verdadeiro alcance do fenômeno mundial da corrupção e a necessidade de adoção de medidas práticas de combate em nossas atividades diárias, deixando de lado o velho discurso vazio que não nos leva a lugar algum.

Muito se discute a respeito do fenômeno da corrupção e suas graves conseqüências. O vocábulo corrupção tem origem no latim, “corruptione”, que significa deterioração, decomposição, devassidão, depravação. Grosso modo, poderíamos dividir a corrupção em três espécies: suborno (uso da retribuição ilícita para realização ou omissão de ato de ofício), nepotismo (concessão de emprego ou favor por vínculo familiar ou por amizade, em detrimento do mérito) e peculato (desvio ou apropriação da coisa pública para o proveito ilegal de particulares).

Em sentido estrito, podemos afirmar que a corrupção compreende o desvio de poder e o enriquecimento ilícito. Já em sentido amplo, a corrupção consiste na troca clandestina entre a administração pública e o mercado econômico e social, formando uma nefasta troca de favores, com o uso do poder decisório do cargo público para o favorecimento de setores econômicos ou políticos privilegiados.

Ciente de que o projeto de combate inteligente à corrupção necessita de fortalecimento das bases de sua aplicação, busca o Ministério Público a confecção de um processo cultural de formação de consciência e de responsabilidade dos cidadãos, trabalhando a problemática da corrupção a partir de soluções práticas, visíveis, longe do discurso demagógico tão comum nos dias de hoje, a partir de três tipos de responsabilidades:

a) Responsabilidade para com os próprios atos (responsabilidade individual);
b) Responsabilidade para com os atos de terceiros (responsabilidade social ou coletiva);
c) Responsabilidade para com as gerações futuras a partir de um agir consciente.

Durante esta jornada de conscientização, já ouvi de tudo, inclusive que este projeto “não daria em nada”, que as palestras seriam inúteis, que a corrupção jamais será extinta e coisas do gênero. Ora, em momento algum afirmamos que o problema é de fácil resolução. A corrupção existe desde os mais remotos tempos, desde quando o homem passou a conviver em sociedade. Tampouco somos ingênuos de acreditar que este mal será simplesmente extirpado. O que buscamos é uma reviravolta, uma inversão de valores, o combate de frente ao mal, a fim de que este seja ao menos reduzido a níveis “toleráveis”, facilitando o controle, o combate e a punição de corruptos e corruptores. Em realidade, se dentre 80 alunos em uma singela palestra, um deles for tocado e despertado para o problema, se transformando dali por diante em agente transformador da realidade social, fico sinceramente satisfeito com o resultado. O que não se mostra pertinente, e a meu sentir configura covardia, é a atitude conivente e retraída ou a omissão frente tão grave celeuma, que segundo estudo divulgado pela FIESP em 2010 custa ao Brasil entre 41 e 61 bilhões de reais ao ano.

A verba desviada em atos de corrupção permitiria a ampliação dos estudantes matriculados na rede pública de ensino fundamental de 34,5 milhões para 51 milhões. Em saúde, dobraria a quantidade de leitos para internação nos hospitais públicos. Em habitação, atenderia mais de 2,9 milhões de famílias, levando saneamento básico a mais de 23,3 milhões de domicílios.

Ausente o enfrentamento, não teríamos números significativos de combate à corrupção eleitoral, por exemplo. Neste ponto, releva registrar que os números recentes do comitê nacional do combate à corrupção eleitoral revelaram que de 2000 até maio de 2010 houve a cassação do mandato de 623 políticos em decorrência de corrupção, sendo 04 governadores e vices, 06 senadores e suplentes, 08 deputados federais, 13 deputados distritais, 508 prefeitos e vices, 84 vereadores.

Que possamos, a partir de gestos simples do nosso cotidiano, escrever uma nova história, baseada na integridade, ética, moral e transparência.

Eis o vídeo da campanha:



Maiores informações poderão ser obtidas no seguinte site: www.oquevocetemavercomacorrupcao.com

* Sérgio Soares é promotor de Justiça.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

BOAS NOVAS - faça parte do Estação!


Caros amigos,


nosso blog sempre teve como característica a diversidade de opiniões. Mantivemos, desde o início, o formato de um colunista por dia.


Em 2011 resolvemos mudar um pouco. Estamos passando por algumas transformações que visam modificar a forma sem alterar o conteúdo. Continuaremos tendo na diversidade de opiniões nossa principal característica. Mas queremos mais.


Para tanto, aumentaremos para 14 o número de colaboradores fixos/redatores, e para isso contamos com você, amigo leitor. Queremos tê-lo ao nosso lado, sendo um de nossos colunistas fixos. Se você gosta de escrever, envie um texto para o e-mail do blog (estacaobm@gmail.com), com no máximo 2 (duas) folhas do Word, fonte 12, abordando o assunto que quiser. Se a sua praia for outra (vídeos, charges, fotos), envie o trabalho para o mesmo e-mail. Os nomes serão definidos nos próximos dias pela administração do blog.


As novidades são muitas. O Estação BM, se tudo ocorrer como estamos planejando, dará um salto de qualidade e visibilidade.


Administração do blog.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Entrevista com Millôr



Caros amigos,

o blog ainda está em fase de definição de formato e colaboradores. Por isso, hoje, fiquem com uma entrevista que o inigualável Millôr concedeu à revista Época às vésperas de completar 80 anos. Apesar de ser de 2004, parece ter sido feita ontem. A metralhadora giratória e o humor de Millôr não perdoam ninguém.

Divirtam-se.




Quero posar nu

O humorista Millôr Fernandes fala de sexo, preconceito e política e, aos 80 anos, se diz otimista

Por LUÍS ANTÔNIO GIRON

fotos: Mirian Fichtner/ÉPOCA

O humorista, jornalista e artista plástico carioca Millôr Fernandes nega-se a completar 80 anos no próximo dia 16 de agosto. Como diz em um dos muitos currículos que escreveu, ele sempre se recusou a dançar conforme a música - ou conforme o tempo. Por insistência dos amigos e interessados em se consagrar com seus elogios, Millôr resolveu encerrar o assunto publicando, no início de julho, o livro Apresentações (Record, 256 páginas, R$ 34,90).

Na coletânea, há elogios a poetas, diretores de teatro, atores, cantores, ilustradores e humoristas, inclusive ele próprio. 'É o fim da minha carreira de apresentador', jura a ÉPOCA, em seu apartamento de cobertura em Ipanema, bairro que ajudou a consagrar, nos anos 60, como meca da inteligência tropical. Um dos mestres da verve brasileira, Millôr ataca amigos, inimigos, revela seus planos e critica todos os governos, mas acredita que o humor tem função no Universo. O sarcástico antipensador enxerga o mundo com otimismo.

ÉPOCA - Em seu novo livro, você está mais bonzinho do que nunca. Por quê?
Millôr Fernandes - Quero me livrar da obrigação de apresentar os amigos. Se eu levar esse tipo de coisa a sério, não faço outra coisa na vida. O pessoal acha que sou gênio, que é só começar que saem frases fantásticas. Ganho minha vida com isso. O novo livro interessa porque atravessa 500 anos de História e não há ali pessoas que eu não conheça bastante. Sou tão antigo que nunca conheci ninguém famoso.

ÉPOCA - É possível citar alguns anônimos célebres?
Millôr - Há muitas celebridades obscuras. Manso de Paiva, por exemplo, o único regicida do Brasil. Manso matou com a faca o Pinheiro Machado, candidato à Presidência da República. Ele tinha uns 30 anos quando o conheci: ficava ali, esperando ser atendido, descascando tangerina. A maioria dos famosos desaparece com ou sem razão. O meu amigo fraterno Sérgio Porto é exceção. Ele ficou famoso com o 'Samba do Crioulo Doido', com as crônicas depois republicadas. Ele tinha talento, era bonito, agradável e mulherengo. Mas há muita gente de talento que desapareceu.

ÉPOCA - Como você virou celebridade?
Millôr - De repente, todo o mundo que trabalhava no Cruzeiro ficou famoso. Depois da fama, continuei: fiz teatro, cinema, televisão e show no palco. Trabalhei até no show do Zimbo Trio com a Elizeth Cardoso no auge. Intitulava-se Do Fundo do Azul do Mundo. Eu entrava diante de mil pessoas no teatro Sacre Coeur, sem experiência, começava a falar. Eu imitava o Magalhães Pinto cantando.

ÉPOCA - A carreira na TV foi mais promissora?
MilIôr - Apresentei Treze Lições de um Ignorante, primeiro em Belo Horizonte, depois no Rio. Aí o grande liberal Juscelino Kubitschek mandou censurar o programa. Desagradei porque li a notícia do dia: 'A primeira-dama do país voltou de Paris depois de seis meses e foi condecorada com a Ordem do Mérito do Trabalho'. Fui conversar com o censor, o que nunca tinha feito antes, porque acho que a censura se exerce pela violência. De qualquer forma prometi ler a notícia sem entonação. Mas ele disse que não adiantava. JK nunca voltou atrás.

''Os governos me assustam pela falta de raciocínio. O que o Fernando Henrique Cardoso já escreveu de besteira é incrível. Os livros dele são os de um bobo. Ele é tão tolo quanto o José Sarney, só que mais barroco''

ÉPOCA - Você se projetou nos tempos de censura. Como você compara o humor da ditadura com o de hoje?
Millôr - Não tenho preocupação com mudanças. A vida é rica e o humor continua. Você me dá o governo mais democrático e eu percebo que estou vivendo dentro de uma ditadura. Nunca houve governo democrático em lugar nenhum. No Brasil, não existe mesmo. O que é diferente em uma democracia é você combinar que aquele que foi eleito vai ficar quatro anos no posto. No Brasil, o medíocre do José Sarney aumentou seu mandato para cinco anos. O nobre Fernando Henrique Cardoso aumentou para oito. Jango foi cortado pela ditadura. O Itamar disse que queria o Fusca, ele o teve no dia seguinte, coisa que nem o Hitler havia conseguido na Alemanha.

ÉPOCA - E Lula?
Millôr - Lula é um autocrata. Esse negócio da bebedeira dele foi ridículo. Ele disse que decidiu expulsar o jornalista para servir de exemplo. Para quê? Para que todo o mundo fique com medo de escrever coisas negativas sobre ele? Amanhã eu não vou poder nem dizer que ele tomou umas e outras. O lugar-tenente Aldo Rebelo está me processando porque eu fui contra o projeto dele de proibir termos estrangeiros na língua portuguesa. É a mesma coisa o papa proibir que as mulheres dêem. Sua Santidade exigiu isso a vida inteira e as mulheres continuaram dando. A língua se transforma. Senão, estaríamos falando latim ou guarani. Escrevi que o Rebelo cometia uma idioletice. Ora, idioleto é um termo técnico para língua individual. Mas ele achou que eu o estava chamando de idiota. Veja bem: eu estava, mas ninguém pode me condenar. Ele me processou e está cobrando R$ 50 mil. Isso é intimidação para os jornalistas. Lula não tem um plano de coibir a liberdade de expressão. O problema é que ele acha que está sendo liberal. Os governos me assustam pela falta de raciocínio. O que FHC já escreveu de besteira é incrível. Os livros dele são os de um bobo. É tão tolo quanto o Sarney, só que mais barroco.

ÉPOCA - Como você vê a condição do negro hoje?
Millôr - É um processo irreversível. A gente adquiriu uma consciência e o negro se valoriza. No Brasil, onde tudo é mais lento, o pessoal do pagode ficou mais bem alimentado e hoje as meninas querem dar para o crioulinho que elas acham bacana. Eu, como sou o rei de perceber as coisas e mudar, já fiz alterações nas frases clássicas: 'Atrás de todo grande homem tem sempre um negão'. A outra: 'À noite, todos os pardos são gatos'. É a verdade atual. É preciso abrir a escola e a sociedade para os negros. Negritude é chique.

ÉPOCA - Você e sua turma eram libertários sexuais ou aquele discurso servia para seduzir as garotas?
Millôr - Minha turma era ligada ao elemento feminino. Nós éramos libertos mesmo. Não tem tu, vai tu mesmo. Éramos livres com todos os entraves. Mulher era para o prazer mesmo. Meus amigos Sérgio Porto e Antônio Maria morreram de amor. Hoje isso está cada vez mais difícil. Homem e mulher têm medo de se entregar por temor de processo.

ÉPOCA - Há diferença entre a liberação sexual de seu tempo e a atual?
Millôr - Comigo não tem diferença, porque não saio para conquistar menininhas nas boates. Minha vida é reclusa e você tem relações que algumas vezes se tornam mais íntimas. O fato é que a relação atual entre homens e mulheres é tão complexa que ninguém pode dizer mais nada. Há liberação, mas também setores conservadores de gente jovem. Não é assim nem assado. Houve uma liberação absoluta. Se a gente diz para uma menina de 15 anos que a virgindade era uma coisa sagrada para a mulher, ela não vai acreditar. Hoje a menina pode dormir com quem quiser.

''Atualmente há muita mulher comediante, mas poucas escrevendo algo que valha a pena. Quero que você me mostre um Ivan Lessa ou mesmo um Sérgio Porto gay''

ÉPOCA - Você ainda acha que o humor gay é impossível?
Millôr - Atualmente há muita mulher comediante, mas poucas escrevendo algo que valha a pena. Quero que você me mostre um Ivan Lessa ou mesmo um Sérgio Porto gay. O programa Saia Justa não é humor, é uma excrescência, esculhambação. As apresentadoras interrompem o programa dizendo que estão com regras. Casseta e Planeta envolve superprodução para sustentar trocadilhos agressivos.

ÉPOCA - O humor está mais escatológico?
Millôr - Tem de tudo. As coisas explodiram de tal maneira que não é mais possível chegar a uma conclusão.

ÉPOCA - Ao longo destes 70 anos, seus textos não foram ficando menos prolixos e mais concisos?
Millôr - Não sei. A língua serve para você ser claro ou obscuro quando quiser. A profissão me fez eclético. Aprendi inglês quando traduzi histórias em quadrinhos. Eu fazia dez seções na revista, mas nunca deixei de ir à praia namorar as moças. Tenho preconceito com o cara que é fanático por trabalho e com o sujeito que é monógamo. A vida desse jeito fica muito limitada.

ÉPOCA - Por que você resiste a ser entrevistado?
Millôr - Não gosto de dar entrevista, porque é natural que o entrevistador faça uma interpretação. Uma das formas de interpretar é extrair da entrevista o que você disse de mais agressivo e botar em destaque. Aí você parece um cão danado. Chegou um tempo em que eu perguntava quanto pagavam pela entrevista, porque sou um profissional. Por que vou dar a minha cara à televisão de graça? Quero ganhar é a minha gaita. Tudo o que fiz na vida foi a pedido, exceto duas coisas: a exposição que fiz no Museu de Arte Moderna, em 1957, e depois uma peça excepcional, Flávia, Cabeça, Tronco e Membros.

ÉPOCA - Por que você implica com Machado de Assis?
Millôr - Machado de Assis é um bobo, mas todo o mundo o coloca no céu. É difícil a pessoa recuar naquilo que absorve na juventude. Minha cabeça funciona o tempo todo. A questão da Capitu em Dom Casmurro, por exemplo. Fica todo o mundo preocupado se a Capitu deu ou não para o Escobar. Ora, é evidente que sim. O livro diz que o filho da Capitu tem a cara do Escobar. Demonstro com evidências que Capitu traiu. Bentinho descreve de tal maneira Escobar que ele parece mesmo apaixonado pelo amigo. Peguei trechos sintomáticos do Bentinho no livro. Escobar se afasta no ônibus e Bentinho fica triste porque ele não lhe dá adeus. Eles ficavam de mãos dadas no colégio de padres e os padres achavam aquilo estranho. Não era normal. Dom Casmurro é um livro fraco.


ÉPOCA - Qual é o seu ideal de vida?
Millôr - O meu é ficar pensando, sem fazer nada. Sempre vi essas beldades das revistas falando aquele clichê: 'Não quero ser reconhecida apenas pela beleza física'. Eu também não quero ser reconhecido apenas pelo meu talento. Eu quero posar nu!

ÉPOCA - Há alguma vantagem em chegar aos 80 anos?
Millôr - O problema é que querem comemorar a data. Tinha o meu plano de não passar dos 80. Nunca tive problema com 20, 40, 50 anos. Agora estão me jogando contra a parede. Estou fazendo força para não ser mais engraçadinho. Porque sou muito engraçadinho. Com 80, você não pode mais fazer graça.

ÉPOCA - Você é otimista?
Millôr - Vivo no melhor dos tempos. Mesmo a violência é resultado da melhoria da vida humana. A automação está provocando a demissão de todo o mundo. As pessoas são obrigadas a sair às ruas. Nesse momento, em 20 ou 50 anos, ou você socializa os benefícios básicos, ou o mundo vai explodir. Quando a gente liga a TV, percebe que o mundo está explodindo. Mesmo hoje, com essa possibilidade de ver tudo, Bush e Blair contaram mentiras para provocar a guerra e torturaram presos. Há 20 mil anos, Nabucodonosor torturava prisioneiros e ninguém sabia. Nosso tempo é admirável. Não adianta querer recuar. No século XIX, você não tinha nada. As pessoas eram sujas e nojentas. Pode-se dizer que elas não sentiam isso. Mas hoje a vida é muito melhor. Sou um otimista: com 6 bilhões de pessoas no planeta, devem existir por aí pelo menos 10 mil gênios.