sábado, 30 de abril de 2011

“Nem só de nobreza vive a realeza.”

“Nem só de nobreza vive a realeza.”





*Flavia Alvaro Porto

Tudo muito bonito, pomposo, romântico.
O mundo inteiro acompanhando o enlace do ano. Bem perfeitinho, do jeitinho que todas as mulheres gostariam de ter em sua vida: um casamento digno de uma princesa!




Mas, até que ponto, tudo são flores, joias e títulos?
Até que os escândalos os separe. Ou não!




É de escândalo que o mundo sobrevive. E a família real também!




Tudo começou lá no século XVI com o Rei Henrique VIII, passando pelos famosos Rei Charles II, Rei George II e o Rei Eduardo VII, até o conhecido Príncipe Charles e outros membros da realeza atual.

O Rei George II e o Rei Henrique VIII, pelo que consta, só tiveram um ou dois casinhos expostos, cada.

Henrietta Howard foi amante do rei George II da antiga Britânia. Deixando a posição de amante do rei, ganhou terras do seu antigo amado nas margens do Rio Tâmisa

Mary Boleyn foi amante do rei Henrique VIII durante algum tempo. Depois foi substituída por sua irmã Ana, que acabou se casando com o rei. Mary casou-se duas vezes. E também teve um caso com Elizabeth Blount, que era mais conhecida por "Bessie” e teve um filho ilegítimo com o rei.

Entre tantas outras, duas amantes do Rei Charles II foram à público:

Eleanor Gwyn (1650 – 1687) foi o caso mais duradouro do rei Charles II. A atriz inglesa recebeu grande reconhecimento e foi mãe de dois filhos de Charles.

Louise Renee de Penancoet de Kerouaille, Duquesa de Portsmouth foi amante de Charles II da Inglaterra. Dentre seus descendentes estão Diana (a princesa rejeitada de nosso Charles atual), Camilla e Sarah, Duquesa de York.

Agora, o vencedor foi o Rei Eduardo VIII, que, notoriamente, tratava seu casamento com total indiferença, mantendo várias amantes: a atris Lillie Langtry e a socialite Jennie Jerome (mãe de Winston Churchill). Também Daisy Greville (Condessa de Warwick), a conhecida atriz Sarah Bernhardt, a dançarina La Belle Otero e a rica humanitária Agnes Keyses.
Eduardo ainda terminou uma longa amizade com Lord Charles Beresford, que começou a ter um caso com Daisy Greville, Condessa de Warwick, ao mesmo tempo que ele. A última amante foi a cortesã Alice Keppel (Eduardo mantinha relações com Alice e Agnes Keyser simultaneamente). Alexandra (a esposa, que sabia e permitia todos seus casos extraconjugais) permitiu que Alice ficasse ao lado da cama de Eduardo (que solicitou isso escrevendo num papel), no seu leito de morte. Eu deixava morrer à míngua!!!! rsrs


Detalhe: Camilla Parker-Bowles, duquesa da Cornualha (afff...), é uma das bisnetas de Alice Keppel.



Camilla é descendente de duas mulheres que, no passado, foram amantes de reis. Genética??

Com o passar do tempo, chegamos nos dias de hoje: em 1992, numa ligação gravada, Charles, no alto de seu romantismo, diz à Camilla que gostaria de reencarnar como o absorvente íntimo dela.

Não sei se é pra rir ou pra chorar!


Também em 92, Sarah Ferguson, ex mulher do Príncipe Andrew, (irmão do príncipe Charles), foi fotografada de topless logo após sua separação. Na foto, ela aparece com o consultor financeiro John Bryan (que chupava os dedos do pé da até então duquesa, na frente de suas duas filhas pequenas.)


Fetiche todo mundo tem, mas na frente das filhas, não dá!


No ano passado ela se envolveu novamente em escândalos, dessa vez envolvendo dinheiro.


Em 2002, a princesa Anne (irmã do príncipe Charles) se tornou o primeiro membro da realeza em cerca de 350 anos a receber uma condenação criminal: sua cadela bull terrier escapou da coleira e atacou dois garotos, que ficaram feridos. Ela se declarou culpada e teve de pagar multas.


Já o principe Harry, filho de Charles e irmão de William, apareceu em uma festa a fantasia vestido de nazista, provocando, claro, críticas do governo de Israel, tendo de se retratar publicamente.
Em 2002 foi publicado que o príncipe Harry teria confessado fumar maconha por dois meses – sendo que já se suspeitava de que ele tivesse tido problemas com álcool aos 17 anos e a rainha Elizabeth 2º, escandalizada, condenou publicamente a atitude do neto.
Por último, em 2004, Harry se envolveu em uma briga com um paparazzi na saída de uma casa noturna em Londres, na qual teria sido ferido com a câmera e o fotógrafo disse que foi empurrado.

É uma infinidade desses escândalos. Uns mais, outros menos sórdidos.
O que seria da realeza se não fosse a falta de nobreza?

*Flavia Alvaro Porto é a Flavinha. (flport@ig.com.br)

“Antipatizo com príncipes encantados. Sou um país esperando ser conquistado por um guerreiro. Um dia você cresce e percebe que príncipes encantados não existem. Mas que sapos você encontra todos os dias. Normal. Também somos gatas borralheiras.”

sexta-feira, 29 de abril de 2011

AS GRAVES CONSEQUÊNCIAS DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL



Hoje tomo a liberdade de compartilhar com os leitores do blog artigo de autoria do colega e amigo Mauro da Fonseca Ellovitch*, que retrata a preocupação de grande parte da população brasileira com retrocessos existentes na proposta de novo código florestal em trâmite na Câmara dos Deputados, em Brasília. Vamos a ele:


"O Direito Ambiental brasileiro firma-se em três pilares: a Constituição Federal, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n° 6938/81) e o Código Florestal (Lei n° 4771/65). Esta fundação sólida permitiu que nosso instrumental jurídico ambiental fosse considerado um dos mais avançados do mundo. A implosão de qualquer desses pilares pode acarretar a ruína de toda a estrutura.

Eis que é aprovado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, no dia 06 de julho de 2010, o Substitutivo de Projeto de Lei n°1876/99, o alardeado “Novo Código Florestal”. Em clara ofensa ao Princípio Internacional de Proibição do Retrocesso Ecológico, o projeto de relatoria do Deputado Aldo Rebelo acarreta a regressão de diversos instrumentos legais de proteção do Meio Ambiente. Fundamentado por sofismas e pelo temor xenofóbico do “estrangeiro”, o Brasil caminha para ser o primeiro país democrático a aprovar lei pela redução da proteção ambiental. Mais um triste título que não queremos ostentar.

O risco de inundações e desabamentos, bem como as ameaças à segurança e ao bem estar da população, ficam evidentes quando o Projeto de Lei reduz as áreas de preservação ao longo dos cursos d’água dos atuais 30 metros para 15 metros de faixa marginal, demarcadas a partir do leito menor do curso d’água. Com isso, será permitida a ocupação de extensas áreas inundáveis. Um país castigado por recentes tragédias decorrentes de enchentes não deveria sequer cogitar essa possibilidade.

O Projeto de Lei 1876/99 retira a proteção dos topos de morro e de terras acima de metros de altitude. Reportamo-nos às perdas humanas causadas por desabamentos de morros no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, no início do presente ano, para provar que deveríamos buscar a aplicação concreta da legislação atual ao invés de abandoná-la.

Também trará graves conseqüências a dispensa à obrigação de manutenção de Reserva Legal em imóveis com até quatro Módulos Fiscais. Reserva legal é um percentual de vegetação nativa que deve ser mantido em cada posse ou propriedade. A suposta justificativa para esta hipótese de inexigibilidade de Reserva Legal seria a proteção à pequena agricultura familiar. Todavia, o supramencionado dispositivo legal não faz qualquer referência à condição sócio-econômica do beneficiário da dispensa. A Lei 4771/65 já traz providências diferenciadas para a agricultura familiar. O que precisamos é garantir sua aplicação prática, sem abandonar a proteção de maneira irrestrita. Na verdade, o Projeto do Deputado Aldo Rebelo está estimulando o fracionamento de propriedades de riquíssimos empreendedores, que passarão a se beneficiar de importantes recursos ambientais, deixando o prejuízo para ser arcado pela sociedade.

O “Novo Código Florestal” propõe o cômputo da área de preservação permanente no percentual de Reserva Legal de cada imóvel. Qualquer estudo cuidadoso sobre o tema levará à conclusão de que a Área de Preservação Permanente e a Reserva Legal exercem funções diferentes, porém complementares. Enquanto a Área de Preservação Permanente desempenha primordialmente as funções de preservação de áreas e ecossistemas frágeis, a Reserva Legal presta-se à conservação de vegetação e fauna nativa, representativas do bioma em que estão localizadas (Floresta, Cerrado, Campos, etc). A Área de Preservação Permanente e a Reserva Legal integram um mosaico de proteção de serviços ecológicos como abrigo de fauna, polinização, manutenção da biodiversidade, estoque de carbono e regulação do clima.

Além de implicar em grave retrocesso na proteção ambiental referente a situações futuras, o substitutivo do Código Florestal se presta a anistiar desmates ilegais e degradações ambientais causadas até 22 de julho de 2008. O projeto em foco defende não só a proibição de autuações e a suspensão de multas e sanções administrativas, como também a consolidação das ilicitudes cometidas até a referida data, sem necessidade de recuperação das áreas degradadas. Assim, a legislação pátria estará premiando todos aqueles que descumpriram legislação vigente e penalizando todos os empreendedores que arcaram com os ônus decorrentes do cumprimento da função socioambiental da propriedade. O resultado prático será o estímulo à concorrência desleal, o descrédito das instituições públicas, o impedimento da regeneração de ecossistemas impactados e a perpetuação da degradação e da perda de recursos ambientais.

Eventual aprovação do Projeto do Deputado Aldo Rebelo contribuirá para o aquecimento global. Segundo estudo elaborado pelo Greenpeace e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a aprovação do Novo Código Florestal poderá resultar na emissão de 25 a 31bilhões de toneladas de carbono só na Amazônia.

Contrariando o argumento da suposta falta de áreas agricultáveis, utilizado para apoiar o Novo Código Florestal, recente estudo coordenado pela Esalq-USP mostra que o país ainda dispõe de mais de 100 milhões de hectares de áreas plenamente aptas a implantação de atividades agrícolas. Nas vastas áreas disponíveis, a associação da evolução tecnológica com manejo agrícola sustentável, além do melhor aproveitamento das culturas já implantadas, nos dão a garantia de segurança produtiva, sem necessidade de redução da proteção ambiental.

O Projeto do Deputado Aldo Rebelo reforça a tradição de busca por medidas simplistas e milagrosas para resolver problemas complexos. É muito mais fácil abraçar as ilegalidades cometidas e deixar de proteger e recuperar o meio ambiente do que adotar medidas que efetivamente iriam agilizar e estimular o desenvolvimento sustentável; como o adequado aparelhamento dos órgãos ambientais, a criação de estímulos financeiros, fiscais e creditícios para a preservação e o aporte de recursos estatais para a adequação das pequenas propriedades de agricultura familiar. Alegar que o Código Florestal não está sendo cumprido integralmente não é justificativa para depredá-lo. Se adotássemos tal raciocínio, teríamos de parar de penalizar o homicídio e o tráfico de entorpecentes. As verdadeiras soluções devem ser discutidas dialeticamente, resultando em políticas públicas concretas ao invés do simples retrocesso da legislação."


* Mauro da Fonseca Ellovitch é promotor de Justiça em Minas Gerais e coordenador regional das Promotorias de Defesa do Meio Ambiente da Bacia do Alto São Francisco.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Celebridades
















Por Jorge Couto


O que é uma celebridade? Uma rápida consulta ao dicionário informa que celebridade é:

1. Qualidade ou condição de célebre, daquilo ou daquele que é conhecido, falado ou comentado por muitos.

2. Notoriedade, reputação, renome; condição daquele ou daquilo que se distingue por ter raras qualidades (ger. louváveis)

3. Pessoa célebre, famosa, ilustre.

As definições acima coincidem com aquilo que sempre imaginei. Todavia creio que eu estou errado, e o dicionário também. Basta uma olhada nas páginas de jornais e revistas, em programas de TV, em “sites” da internet, para se constatar o nosso erro. Nestes locais, pessoas sem quaisquer destes predicados são alçadas a qualidade de célebres, sem mais nem menos. Se um sujeito é ator de “Malhação” da TV Globo, é uma celebridade. A pessoa aplica o “golpe da barriga” em algum roqueiro ou jogador de futebol, imediatamente torna-se célebre. Até um semicérebro que vença o instrutivo “Big Brother” é imediatamente aclamado como celebridade.

Parece que esta inflação de celebridades é um fenômeno mundial, mas fiquemos apenas com o Brasil, este sim, célebre por sua escassa memória e duvidosos critérios na escolha de quem merece ser celebrado e homenageado.

Alguém aqui sabe quem foi Josué de Castro? Sabe o que ele fez? Quando viveu?

O que pensou? O que ele disse ou escreveu? Se sabem, meus parabéns, pois eu, deste senhor, não tinha maiores informações. De tanto ouvir seu nome na boca de pessoas que tenho em consideração, resolvi que já passava da hora de a respeito dele saber alguma coisa:

“Josué Apolônio de Castro (Recife, 5 de setembro de 1908 - Paris, 24 de setembro de 1973), foi um influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor, ativista brasileiro que dedicou sua vida ao combate à fome. Destacou-se no cenário brasileiro e internacional, não só pelos seus trabalhos ecológicos sobre o problema da fome no mundo, mas também no plano político em vários organismos internacionais.

Partindo de sua experiência pessoal no Nordeste brasileiro, publicou uma extensa obra que inclui: Geografia da fome, Geopolítica da fome, Sete palmos de terra e um caixão, Homens e caranguejos. Exerceu a Presidência do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e foi também Embaixador brasileiro junto à ONU.

Recebeu da Academia de Ciências Políticas dos Estados Unidos o Prêmio Franklin D. Roosevelt, o Conselho Mundial da Paz lhe ofereceu o Prêmio Internacional da Paz e o governo francês o condecorou como Oficial da Legião de Honra.” (retirado do sítio da Wikipédia)

Este homem é considerado até os dias de hoje, um dos maiores intelectuais do século 20. Era amigo, e muito considerado, por gente do calibre de um Bertrand Russell, Jean-Paul Sartre, Jorge Amado, Darcy Ribeiro, entre outros tantos intelectuais.

Infelizmente, morreu em Paris, em 1973, como exilado político da ditadura militar brasileira, após inúmeras tentativas frustradas pelos generais, de retornar ao seu país. Em seu atestado de óbito consta como causa da morte um infarto do miocárdio, mas para muitos de seus amigos a verdadeira causa foi saudades do Brasil.

E o nosso país, nosso estado, nossa cidade, ignora esta pessoa! Em Barra Mansa, por exemplo, prefere-se homenagear o presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy, emprestando seu nome a uma importante rua do bairro Ano Bom, com a justificativa de que este foi um grande democrata. Que belo democrata! Iniciou seu governo patrocinando uma invasão a Cuba e, ao ser assassinado em 1963, só fazia aumentar a presença militar norte-americana no Vietnã; para não falar de seu empenho em derrubar o presidente Jango no Brasil (vide o documentário “O dia que durou 21 anos”, onde é apresentado farta documentação sobre este episódio).

Em tempo:

1)Desconheço o nome do barramansense, autor da importantíssima homenagem ao presidente norte-americano.

2) Vale a pena assistir aos documentários:

- “ Josué de Castro – Cidadão do Mundo”, de Silvio Tendler (http://cafesfilosoficos.wordpress.com/2010/09/21/josue-de-castro-cidadao-do-mundo/ ) .

- “ O dia que durou 21 anos”, de Flávio Tavares (http://docverdade.blogspot.com/2011/04/o-dia-que-durou-21-anos-2011.html )

quarta-feira, 27 de abril de 2011

E do verão que eu não vi


(Pedindo licença ao Tande pelo dia dele, pois estou com o texto para domingo mas só agora pude postá-lo).

Por Figurótico*

Durante os quatro meses de reclusão senti falta de muita coisa. Música, mulher, dinheiro, praia, mulher, bebida e mulher. Pra não explanar minha paixão pelo sexo oposto aqui neste exato momento (o que farei numa futura coluna) falarei sobre tema recorrente em minha vida, já cantado em verso e prosa por mim mesmo aqui: Região do Lagos.

Acostumado a todo ano bater o ponto – mais em Cabo Frio do que em Búzios – naquele pedaço do paraíso, pude sentir o cheiro das salinas, do vento na cara, da brisa rara, do céu de brigadeiro dentro de meu corpo enquanto se passava o réveillon e se anunciava janeiro. Deitado em minha cama tudo vinha por assimilação, como se pisasse na areia mais branca do mundo, na água gelada, atravessasse a arrebentação e por lá ficasse durante horas a sentir o mar bater, a onda levar, o jacaré nascer, nas águas flanar e na areia rasa parar de peito.

O corpo está habituado, e nesses períodos ruma para o horizonte de olhos fechados, seja de carro, de carro emprestado, no carro de fulano, etc. O fato é estar lá. Em tempos de adolescência até de ônibus valia: como quando a família lá já estava e o bonitão teve de ficar aqui para o alistamento militar em 7 de janeiro. Findado a burocrática e assustadora (até então) missão, parti na baldeação BM x Rio, Rio x Cabo Frio como se fosse receber um prêmio. E nunca houve trânsito a me impedir, a me desanimar. Às vezes faz até parte do pacote, e já me vi muito bêbado naquelas dez horas de viagem de carnaval... O lance é sair na madruga e a viagem é bem mais tranqüila. Tanto aprendi a amar o local com meu pai e minha mãe, como o tal horário das quatro da matina partindo de Barra Mansa.

Desde nascido não furo um ano sequer. Neste furei, por conta do destino. Já busquei além da memória emotiva motivos pelos quais prefiro lá a (por exemplo, e por proximidade à nossa cidade) Angra, Parati, Trindade e até Maromba. Sinceramente nunca me dei bem nas poucas vezes que pisei nessas últimas citadas, não criei vínculo algum. Não senti tesão algum. Parece que por aquela direção eu me afasto mais da Região dos Lagos, e isso não me traz boa sensação. Direção contrária mesmo. Como dizia Nelson Rodrigues, “quando passo do Méier começo a sentir uma nostalgia do Brasil...”. É o que sinto praquelas bandas.

A começar pela estrada cheia de curvas que as conduz e seu céu geralmente carregado por nuvens prestes a desabar sobre nossas cabeças. O que em 35 anos de vida não me lembro de uma viagem feita abaixo de chuva para a Região dos Lagos. O percurso é bem mais colorido e aprazível, um céu que se abre sem fim e te dá as boas-vindas às cidades que te possibilitam tantos caminhos a fim de satisfazer a maioria dos gostos dos fregueses.

Pra início de conversa, para irmos a uma dessas cidades não temos de passar pela segunda cidade que mais gosto, Rio de Janeiro. A melhor vista do Rio para mim, até hoje continua sendo quando se passa pela Ponte Rio-Niterói na volta, e de preferência à noite, com a cidade maravilhosa iluminada de ponta a ponta. Quando pequeno, voltava de Cabo Frio e babava, sonhando em um dia morar naquela terra ao lado direito da ponte.

Sou um cara ligado a detalhes, e numa época em que o rádio comandava nosso aspirante rock Brasil, as melhores rádios estavam ali, no Rio e em Niterói. E tenho na memória passagens de cinema entre som e imagem de levantar os pelos. Foi ali, quando passava por Niterói na volta de Cabo Frio, com o carro cheio de mãe, pai, irmão e bagagem que ouvi pela primeira vez “Gritos na Multidão” e “Pobre Paulista”, uma atrás da outra, naquelas versões ao vivo do segundo disco. Passava por Niterói numa tarde colorida, via a cidade, a ponte, e a música que era meu motor. Emudeci durante aquelas duas músicas da banda mais íntegra da história do Brock, o Ira! e via o mundo se abrir diante da imensidão do início da ponte e a vista do Rio. Não deixei que ninguém falasse nada enquanto absorvia aquela onda.

Noutra, numa mesma situação de volta de viagem, em Niterói (sempre em Niterói) ouvi o lançamento da música de trabalho do segundo disco do Ultraje, “Sexo!”. A música era “Eu Gosto de Mulher”. Reconheci os primeiros acordes, e ajoelhei para ficar mais perto do alto-falante do carro, pois o barulho do trânsito atrapalhava a recepção. Ouvi ali, como um maluco, no fundo querendo voltar para Cabo Frio, pois rock’n roll no carro me acelera, e eu acabo querendo sempre mais. E voltar para Barra Mansa era um desânimo só. A chegada ao lado da SOBEU me trazia de volta à realidade e o riso ficava frouxo, sem graça. Meus pés ainda traziam areia branca nos chinelos, nos bolsos das bermudas; minha pele ainda cheirava a protetor solar (até hoje quando o uso, me sinto em Cabo Frio). Já quando se vai à Angra o que se ouve no dial é a Rádio Sociedade ou a Costa Verde...

Não tenho a menor vergonha de dizer que nunca fui à Trindade, nunca fui à Ilha Grande, fui uma vez à Parati (a trabalho) e nada vi, não senti nada, fui muito pouco à Angra, onde só se fala em ilhas, lanchas, barcos e deques. Vez ou outra pintava um convite, mas minha bússola apontava pro outro lado. Essa logística de transporte apenas por lancha não me agrada. Sou urbano, gosto de praia, mas gosto de gente, gosto de me mover, de carro ou a pé, gosto de poder ir à Búzios (saindo de cabo Frio) sem que para isso tenha de ir numa lancha de alguém. Gosto de sair do lugar na hora que me dá na telha, sem ter de esperar uma condução marítima. Não tenho lancha, não tenho casa em ilha (e na verdade nunca gostaria de ter). Tenho parentes e amigos que, graças a Deus, dispõem de apartamentos em Cabo Frio, e isso me é suficiente.

*Figurótico é músico, formado em jornalismo e voltou a todos os setores da vida na pressão.

terça-feira, 26 de abril de 2011

GLAM STATION B-DAY PARTY



Pessoal,






Sexta-feira, dia 29, comemorarei meus vários outonos lá no Piano's Bar Embaixador.






Mais uma vez trago o show do Landau e a DJ Beta Balbi!






Espero todos lá para festejar comigo!!!






Beijos






segunda-feira, 25 de abril de 2011

Barra Mansa e as árvores












Barra Mansa e as árvores

por Carlos Vinicius Rosenburg*

Sempre que ando pela Zona Sul do Rio, uma coisa me chama a atenção: a quantidade de árvores nas ruas. Em determinados pontos há tantas árvores que a temperatura chega a ficar mais amena.

Automaticamente, o pensamento vem para Barra Mansa. Não sei se é implicância, mas tenho a impressão de que nossa cidade é muito pouco arborizada.

Tirando o Parque Centenário e as margens do Paraíba, em que outro local podemos dizer que há grande número de árvores? Provavelmente, nenhum. E isso é lamentável.

Contudo, mais lamentável ainda é verificar que, não bastasse a pequena quantidade de árvores nas ruas, as poucas que vemos vêm sendo podadas de maneira agressiva, com cortes que praticamente matam a árvore.

Tudo bem, sabemos que muitas árvores apodrecem, morrem, possuem raízes que estragam calçadas, galhos que interferem na fiação elétrica, folhas que sujam as ruas etc. Porém, parece que é um preço que devemos pagar para termos um município arborizado. Um ambiente com a presença do verde melhora o ar que respiramos, ameniza a temperatura e eleva a qualidade de vida.

Nas muitas obras prometidas para os próximos anos (retirada do Pátio de Manobras e reforma da Beira-Rio na saída da Ponte dos Arcos), esperamos que a municipalidade pense também em arborizar a cidade. Não faltam exemplos em várias capitais e, até mesmo, em cidades vizinhas.

Para que isso aconteça, não parece ser necessário fazer muita coisa ou gastar muito dinheiro. A população pode ser uma forte aliada. Uma boa campanha, contínua, com foco na educação escolar, apelando para que as pessoas plantem árvores em seus bairros, tornando-os mais verdes, poderia tornar a cidade mais arborizada em um intervalo razoável de tempo. O município poderia alavancar o projeto, com o fornecimento de mudas e orientação para a população, em especial para as crianças e adolescentes em idade escolar. O restante ficaria a cargo da própria população.

Em tempos de mudanças climáticas, necessidade de maior consciência ecológica e escassez de recursos, não parece ser muito difícil ter uma cidade um pouco mais verde.

Até a próxima.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 38 anos e é pai de uma menina linda. Enquanto escrevia este texto, percebeu que nunca plantou uma árvore. Fará isso em breve, junto com a filha.

domingo, 24 de abril de 2011

A Terra é Azul















A terra é azul


Valério, Valério... meu filho,

acorda menino.

Meu Deus do céu, minha nossa Senhora,

como pode...

Esse menino parece que vive no mundo da lua.


Era mais ou menos assim que minha mãe falava, quase rezando, toda vez que me encontrava calado, absorto, viajando entre sonhos e grilos juvenis.

Mundo da lua?

No inicio dos tempos, lá pelo 5° ou 6° dia da criação, quando Deus cometeu o desatino de inventar o homem, resolveu por bem, para que se estabelecesse certo equilíbrio sobre a terra, dividir seus futuros ocupantes em duas categorias distintas:

A dos que vivem no mundo da lua e a dos que tem os pés no chão.

E eu, pra variar, acabei caindo no lado mais complicado, o dos que vivem no mundo da lua.

Por isso mãe, mesmo depois de tanto tempo, aqui estou eu, de novo e sempre, feito um São Jorge sem cavalo e sem dragão, vivendo intensamente os desvarios do mundo da lua.

E isto quer dizer mãe, que eu continuo meio avoado, meio bobão, quer dizer que continuo fazendo e gostando de coisas estranhas, que continuo procurando poesia em tudo que me cerca e que continuo como sempre, chorando à toa feito um viadinho.

Isto quer dizer que continuo acreditando na existência de vida em outros planetas, que continuo acreditando na solidariedade humana e na inevitável e grandiosa vitória do bem sobre o mal.

Isto quer dizer tudo isso, mas quer dizer sobre tudo, que continuo como sempre, procurando entre tantos, os meus semelhantes.

E é assim que eu, em nome de todos os membros da confraria dos que vivem no mundo da lua, gostaria de no texto de hoje, prestar uma pequena homenagem ao aniversário de 50 anos da 1°viagem de um homem ao espaço sideral.

Em 12 de Abril de 1961, partindo do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo da nave Vostok I, o astronauta Yuri Gagárin, um russo de apenas 27 anos, deu uma volta completa em torno da terra, em exatos 1h 48 min. e assombrou o mundo.

Em sua 1° transmissão radiofônica para a terra, Yuri teria dito a seguinte frase: A terra é azul.

Se o feito científico assombrou o mundo, a nós, os que vivem no mundo da lua, o que assombrou foi a poesia.

A poesia contida na frase de Yuri Gagárin, nos afasta da frieza da ciência, nos sugere a existência de Deus e nos lança ao encontro do imponderável.

Gagárin além de ter ido ao espaço, com certeza também vivia no mundo da lua.

A história conta também, que o cosmonauta russo teria dito ainda, uma 2° frase, desta feita mais de acordo com seu credo Marxista, “Olhei para os lados, mas não vi Deus”.

O Yuri Gagárin que me desculpe, mas essa frase é a cara do Jorge Couto. Mas isso é outro papo, outra conversa.


Um bom domingo a todos e todas.


Enchendo lingüiça.

- Gostaria de saudar, em nome de todos nós do Estação BM, o nascimento no último dia 08, da Laura, filha do nosso amigo Jorge Couto.

Laura seja muito bem vinda e como seu pai, junte-se aos bons.

-Os dois ou três gays do blog, considerem por favor, como eu considero, o chorar à toa como uma qualidade.

Por Valério Cortez

sábado, 23 de abril de 2011

Feliz Páscoa !



Assuntos sérios não faltam.Basta abrir os jornais,dar uma olhada rápida na Internet,ouvir o rádio.Mas correndo o risco de ser taxada de "chique ,cheirosa e alienada" de novo,pensei eu: Por que não ter um "Páscoa Light",já que a vida real,de light nada tem?
Então,Boa Páscoa pra todos!


Alguns dos grandes mistérios da humanidade
                                                            *Por Renata Klotz

Por que todo mundo perde sombrinhas, mas ninguém nunca acha nenhuma?


Por que ninguém nunca foi a um enterro de anão?


Por que os flamenguistas são mais legais e divertidos?


Por que as  mulheres sempre respondem a “o que você tem” com  : “-NADA “?


Por que os homens fazem perguntas que na realidade não desejam saber as respostas?


Por que todo mundo que acha que tem todas as respostas em geral não tem nenhuma?


Por que todo filhote é lindo?


Por que a gente acaba se tornando mais parecido com os nossos  pais do que deseja admitir?


Por que o amor é tão complicado?


Por que a gente faz tantas promessas de ano novo que nunca cumpre?


Por que a gente teima em repetir os mesmos erros, se não somos burros?


Porque que q gente é assim...?

*Renata tem 34 anos e  adora porquês. Menos o porquê sim.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quem será o próximo?


                Voltar das férias e descobrir que cabeças terão de ser cortadas no seu departamento, para reduzir os gastos,  não é uma coisa muito agradável. Essa é uma praxe do mundo corporativo: aumentar o serviço e aumentar o lucro X diminuir gastos e diminuir o pessoal.
                E olha que onde trabalho “cabeça cortada” nem quer dizer demissão, quer dizer transferência pra outra cidade onde haja vaga.
                Mas é interessante a reação das pessoas num momento assim. De repente a pessoa que senta ao seu lado e sempre foi considerada amiga e colaboradora, passa a ter mil e um defeitos que não foram vistos antes. Panelinhas se formam apontando membros de outras panelinhas como os mais prováveis a saírem. Um clima de tensão e desconfiança se instala.
                Ninguém admite que possa ser o escolhido para deixar o departamento. Cada funcionário  tem certeza que é um membro indispensável da equipe, e sem ele, o setor poderia ter grandes prejuízos.
                Talvez seja o instinto de sobrevivência, ninguém quer sair dali no momento, e a forma que encontram de defender seu posto, é fazendo acusações veladas ao serviço do outro. Mas isso funciona apenas como um mecanismo de auto-afirmação interno. Como para se convencer de que merece ficar ali. Porque levantar de sua mesa, entrar na sala do chefão e listar os defeitos do colega, ninguém faz.
                Ou talvez seja o neofobismo. Mesmo sabendo que o mundo nunca mudou tanto em períodos tão curtos, continuamos preferindo buscar nossa zona de conforto. Ainda temos medo do novo. Ainda nos acomodamos em nossa mesa com o porta retrato da família ao lado do computador e trememos ao pensar que teremos que mudar o porta retrato de lugar. Como ainda temos tanto medo da mudança?
                Mas quem se antecipa, quem não se acomoda na inércia, sai na frente e sai bem.  Quem não fica esperando o dedo do chefe dizendo “Você sairá” e corre atrás de alguma oportunidade por conta própria, acaba conseguindo uma colocação melhor.
Tentamos consolar algum eventual indicado a deixar a departamento com frases feitas que na verdade não gostaríamos de ter que ouvir. E vamos pra casa com a pergunta que não cala “Quem será o próximo?”
*Dielena, não sabe se será a próxima, mas caso seja, só espera não ir pra uma cidade muito longe.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

COMUNICADO IMPORTANTE

Gostaríamos de dar boas vindas ao nosso já costumeiro colaborador, Alex Frederick, que hoje estreia na condição de cronista fixo, assumindo as quartas-feiras na agradável companhia do nosso amigo Tande.

Alex seja muito bem-vindo.

A ADMINISTRAÇÃO DO BLOG












PINDORAMA

Por Alex Frederick

Com uma inflação interna que teima em mostrar sua face e um mercado mundial sob constante turbulência patrocinada em parte pela fragilidade dos países europeus, a Presidente Dilma Roussef completou seus primeiros 100 dias a frente do governo brasileiro.

O cenário encontrado por Dilma foi bem diferente daquele encontrado por Lula em seu governo. Naquela época,o momento favorável vivido pela economia mundial foi muito bem aproveitado pelo governo brasileiro, que por conta da bonança mundial,turbinou o PIB ,criou empregos,pagou suas dívidas e colocou o Brasil na linha de frente da economia mundial.

Sob este aspecto, a política externa adotada por Dilma, também difere da do ex- presidente Lula, que nos primeiros anos de seu governo, teve sua política externa baseada em países periféricos. Já a presidente Dilma Roussef , tem privilegiado em sua política externa os países que são potenciais parceiros para a economia brasileira .China e Estados Unidos ,com seus números exuberantes,são importantes parceiros neste momento de turbulência mundial.

O país precisa de mão firme e medidas precisas neste momento delicado da economia. A volta da inflação torna-se talvez o maior desafio para a presidente Dilma Roussef.

O aumento da taxa de juros foi à política adotada pelo governo para o combate a inflação. Dificultar o crédito para conter o consumo aquecido, costuma ser um tratamento eficaz em todas as economias do mundo. O grande risco desta medida é errar na dose ou seja aumentar excessivamente os juros e comprometer toda a economia do país.

Mesmo com estas aparentes dificuldades, a presidente Dilma Roussef vem mantendo a serenidade na condução do país. Pesquisas recentes já revelam grande aprovação pelo seu governo.Dilma em pouco tempo vem conseguindo descolar sua imagem da do ex presidente lula.

Para aqueles que apostavam que ela seria apenas uma marionete nas mãos do ex-presidente lula, até que ela esta decepcionando.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pílulas da política brasileira...

Principal acontecimento político do último mês, no Brasil:

"Gilberto Kassab cria PSD dizendo que partido nasce do povo."

Análise:

"Abriram um novo puteiro... só que com as mesmas putas de sempre!"*

Tande Vieira é sociólogo e acredita que o Brasil precisa mesmo é de uma revolução política. Mais uma reformazinha só não vai dar conta...

* Não consegui lembrar quem foi o autor dessa frase. Se alguém souber, por favor, comente aí embaixo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pânico e CQC



Caros amigos dessa gare barramansense, o tema do meu texto dessa semana já estava decidido desde a semana passada: os programas Pânico e CQC.

Como o Figurótico na semana passada, vou tomar a liberdade de dividir o meu texto. Em duas partes.

A primeira é a reprodução de um texto do jornalista Sidney Rezende. A segunda é a minha opinião.

Por que temer Danilo Gentili, Rafinha Bastos
e humoristas do 'Pânico'?

Sidney Rezende

O humor não é a ciência exata que caiba no que chamamos de politicamente correto. Não existe nada mais medonho do que piada consentida.

Mas não devemos esquecer que, como tudo na vida, a graça transita na equação causa e efeito. Até nesta sintonia é preciso respeitar o ser humano.
Ter espírito humanista é sinônimo de nobreza da espécie.

Concordo plenamente com Danilo Gentili que disse à revista "Cláudia": "O riso é o sintoma de que o mal está curado: se você consegue gargalhar ao lembrar de algo ruim é porque não dói mais".

Vejamos agora isto sob outra ótica. Qual a utilidade do riso, da crônica ácida do comportamento - ou mesmo do deboche -, se o efeito é igual a menos zero? Se nada de bom for construído com a "humilhação", qual a utilidade de praticá-la com pessoas indefesas?

Os meios de comunicação são Golias com condições de esmagar Davis. Basta impedir que o "pequeno" se expresse enquanto o "grande" martela suas "verdades". É contra esta perversidade que devemos lutar. Direitos e espaços iguais para os diferentes é a briga boa.

A TV e a Internet estão nos oferecendo uma leva extraordinária de talentos humorísticos. O sucesso do "CQC", "Pânico" e “vlogueiros” é só a demonstração mais escancarada que os meninos e meninas da nova geração estão renovando a forma de fazer rir. Mais inteligência, perspicácia e ousadia. Novos formatos estão em construção.

No grande leque de esquetes e stand-ups sempre tem coisa boa. Muito boa. Dá gosto ver esta profusão de ofertas de programação nos teatros e mídias digitais. Já fui a várias destas apresentações e rolei de rir.

No meio de tudo isso tem muito lixo, também. O salutar hábito de criticar os humoristas está dando lugar ao medo dos "ofendidos". Com isso, muitos comediantes estão "se achando". Se os arrogantes pensam que são Deus, alguns humoristas parecem ter certeza.

Não faz muito tempo a modelo Vanessa Barzan, a Mulher Arroto do "Pânico na TV", pretendia arrotar na atriz Laura Cardoso, de 82 anos, mas foi impedida por um jornalista.

Em 2005, a trupe comandada por Emílio Zurita contratou um guindaste para espiar dentro da casa da Carolina Dieckmann.

Numa outra passagem durante encalhe de uma baleia na praia, os locutores passaram a chamar o animal de Preta Gil.

Não posso deixar de passar que a cantora Preta Gil esbanja bom humor. Ela deveria ser aplaudida, pois quebra todos os paradigmas na luta pela inclusão social dos gordos, um dos segmentos mais discriminados da atualidade.

Esta semana, no Twitter, o roteirista Bruno Mazzeo reproduziu trecho de uma das letras do compositor Cazuza. Danilo Gentili, do "CQC", perguntou se o exame havia dado positivo, se referindo ao teste de HIV. Qual é graça disso?

Por que repetir que a apresentadora Hebe Camargo é uma "velha caquética", "múmia". Por que?

Qual a justificativa racional para humoristas desdenharem mendigos, sem-teto, doentes mentais, esquizofrênicos?

Em 2009, Rafinha Bastos escreveu sobre a morte de atriz em decadência: "Não condenem o suicídio. Pense: se você fosse a Leila Lopes, o que você faria?". Inconformado com as críticas que recebeu de alguns tuiteiros, ele voltou a carga: "A todos os que se ofenderam com o que eu disse da Leila Lopes: a vida é ótima e suicida tem mais é que se f...".

Todos devem falar e escrever o que pensam, mas devem aprender a ouvir também. Caso contrário, o nome disso é autoritarismo.

Para não parecer que do alto da minha idade estou dando lição de moral em quem quer que seja, vou concordar novamente com Danilo Gentili: "Quando sair pra pular carnaval leve a camisinha e evite que algo terrível aconteça: a proliferação de idiotas."

NEM TUDO VALE O QUE CUSTA

· P por Geraldo Costa*

Há muito tenho ficado incomodado com as atitudes dos humoristas do Pânico e do CQC.

Reconheço que eles foram precursores, no que cada um se propôs a fazer. Mas cometem alguns exageros que me incomodam.

O Pânico já está meio passado. Tipo piada velha. De um lado uma cópia tupiniquim do programa americano “Jackass”. De outro, uma iconoclastia delirante, que não respeita artistas e minorias. E aí mora o perigo. Uma postura sem limites atrai reações sem limites. Não é de hoje, que os homossexuais estão armados (sem trocadilhos) contra alguns de seus humoristas. Sofreram bastante na última passeata gay de São Paulo.

São intolerantes à crítica e quem não quer participar de suas brincadeiras são perseguidos. Os artistas sofrem na mão deles. Tudo pela audiência. Até esculachar artistas iniciantes ou decadentes. E ai daqueles que não participarem do circo.

Já o CQC é mais pretensioso. Quer vender a idéia da mistura do humor com jornalismo. Mas cá entre nós, de jornalismo têm muito pouco. São completamente parciais. Humilham os entrevistados e reagem grosseiramente a qualquer negação. E fazem isso até com gente comum, simples, sem capacidade de reação intelectual. Têm uma postura arrogante e uma coleção de processos. São inteligentes, mas estão sem limites.

Muitos artistas e políticos já nem falam com eles, por que não respeitam ninguém. É só sacanagem. Quem reage é pior. Sai da reportagem e vira tema central da bancada.

Boa parte dos artistas, principalmente os de mais sucesso, defendem que os programas só existem por causa deles, ou melhor, da sacanagem em cima deles e que não querem legitimar a coisa toda. E acho que estão certos. Cada vez mais tenho a impressão de que a propaganda nesses programas só faz crescer, e a claudicante audiência se deve justamente por causa dessas “entrevistas” ou similares. Já são vários casos de reações, até mesmo com violência, de artistas e políticos. O último foi o Paulinho Vilhena, que cuspiu na cara do Rafael Cortez. Lamentável. Mas o cara é chato pra caralho...

Os repórteres do CQC são espertos, ágeis e inteligentes. Fazem sucesso no teatro com seus “stand-ups”, mas vamos e venhamos, na TV aberta, param por aí. Os outros programas filhotes tipo “Formigueiro” do Marco Luque e “A Liga” do Rafinha Bastos, onde os humoristas não vivem às custas da imagem de terceiros, são fracassos de audiência que, muito provavelmente, sairão da grade da emissora. Como tantos outros programas “geniais”.

Sobre os políticos, acho um caso à parte. Acho que aí sim, cumprem um papel do humor questionador, histórico até no Brasil. Como Chico Anísio e Jô Soares fizeram. Mas novamente se perdem, não respeitando ninguém. São autoridades constituídas pelo voto e tem que ser respeitadas. Questionadas sim, mas com um mínimo de responsabilidade. Se o cara é um ladrão como o Maluf, pau nele, mas não dá pra tratar um Chico Alencar por exemplo, com a mesma volúpia opressora. Nem um Deputado calouro. Como diria o Valério: menos, bem menos.

Os nossos nobres humoristas julgam a todos, ou melhor, pré julgam. Longe de mim defender incondicionalmente nossa classe política. Mas vamos devagar com o andor. Estamos, graças a Deus, vivendo em uma democracia.

O que me preocupa é que a geração CQC / Pânico, que está agora formando uma opinião sobre tudo, tenha a visão de que política e políticos é tudo uma merda só. Que tem mais é que ser esculachados. Isso é um perigo. A ninguém interessa esse desinteresse. Felizmente ou infelizmente, não existe futuro nem democracia sem a participação política. Só vai melhorar se nossos filhos aprenderem a participar, votando e expondo suas opiniões civilizadamente.

Pra terminar, “linkando” com o texto do Sidney Rezende, eu os acho autoritários. Vendem uma postura democrática, mas são autoritários. Se eu me divirto assistindo aos programas? Sim, em algumas partes. Não sou um cara mal humorado, ranzinza. Ah, e as paniquetes são um espetáculo à parte. Meu filho mais velho adora...

Resumo da ópera: estou convicto que uma piada nem sempre vale o que custa.

*Geraldo Costa é músico, jornalista e publicitário e pseudo blogueiro. Tentou colaborar com o blog. Mas não está mais disposto a se expor com anônimos, amigos ou inimigos.

sábado, 16 de abril de 2011

E lá se foi o Dia do Beijo...

E lá se foi o Dia do Beijo...

* Flavia Alvaro Porto


Coisa gostosa é o tal do beijo. Beijo doce, beijo derretedor, apaixonado, ardente, por obrigação, super desejado, aderente, provocante, sonoro, seco, molhado, melado, beijo de língua, selinho, no rosto, beijo roubado, de amor, de irmão, de amigo, de pai e de mãe...


Quanto mais beijo, melhor!


E no dia 13 de abril foi comemorado o Dia do Beijo.


Uffa! Esse dia também pode ser comemorado em 6 de julho. Acho que é a única data comemorativa que tem dois dias no ano!


Mas também, pode e deve!


Não se sabe quem instituiu o Dia do Beijo e nem ao certo quando o beijo surgiu.


Há quem diga que foi no ano 500 antes de Cristo, na Índia. Já Charles Darwin acreditava que o beijo era uma evolução das mordidas que os macacos davam no parceiro nos ritos pré sexuais.


Há também quem diga que o beijo surgiu das lambidas que os homens das cavernas davam em seus companheiros em busca de sal.


Ou ainda uma variante de um gesto de carinho das mulheres das cavernas que mastigavam o alimento e o colocavam na boca de seus filhos pequenos. Enfim, só sei que o beijo movimenta 29 músculos, sendo que 17 músculos são da língua. Queima o excesso de calorias. Libera um hormônio chamado serotonina, que eleva o humor e produz uma sensação de bem-estar e felicidade.


Também é que nem andar de bicicleta: depois que aprende, nunca mais esquece! Nem quero!


Nessa minha beijação toda, descobri que há 30 anos atrás uma portaria do juiz de menores Manuel Moralles proibiu o beijo em público em Sorocaba. A portaria dizia: "estão proibidos os beijos cinematográficos, em que as mucosas labiais se unem em expansão insofismável de sensualidade";


(Ai...esses com “insofismável sensualidade” são justamente os melhores...)




Em contrapartida, cerca de cinco mil jovens reuniram-se na praça para protestar contra a ação repressora, desafiando a temível Lei de Segurança Nacional, que vigorava no período da ditadura militar. Esta ação destacou Sorocaba em noticiários de todo o país.


A iniciativa dos jovens ficou conhecida como “Noite do Beijo”. Infelizmente pra alguns, por puro preconceito e discriminação, até hoje o beijo em público ainda é proibido. Absurdo!


O beijo tem o dom de dizer o que as palavras não conseguem. Só sei que...“ela só pensa em beijar...beijar, beijar, beijar...”


*Flavinha (flport@ig.com.br)


Para mim, todo dia é dia santo!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

COPA DE 2014 - A QUEM INTERESSAM OS ATRASOS?



Por Sérgio Soares

Tenho acompanhado pela mídia as notícias envolvendo as obras de preparação da infraestrutura brasileira para a Copa do Mundo de 2014. Até a FIFA, que adora se intrometer em assuntos internos dos países, especialmente do denominado terceiro mundo, já se manifestou, cobrando maior agilidade nas obras de estádios. Faltando pouco mais de três anos para o evento, já percebo o início de um processo que fatalmente acabará ocorrendo e que muito me preocupa, enquanto cidadão. Por absoluta falta de competência administrativa, já é noticiado, por exemplo, que ao menos nove aeroportos não ficarão prontos no prazo previsto: http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/04/nove-aeroportos-nao-devem-ficar-prontos-para-copa-aponta-ipea.html.

Não tenho dúvidas de que no final das contas tentarão nos empurrar uma fabricada urgência, pulando etapas, ignorando a necessidade de elaboração de projetos, liberação de licenças ambientais e realização de processos licitatórios. E ai daqueles que ousarem adotar posicionamentos contrários à realização/finalização das obras a toque de caixa, aí incluídos invariavelmente os órgãos ambientais, os Tribunais de Contas, o Ministério Público e o Judiciário. Serão chamados de retrógrados e apontados como contrários à afirmação nacional, à realização de um evento de índole internacional que traria incremento na imagem do Brasil por todo o mundo.

Ainda há tempo hábil para a realização dos empreendimentos sem atropelos, seguindo a estrita legalidade. Torço, sinceramente, para que esteja faltando apenas competência e esses atrasos não sejam já o primeiro indicativo de esquemas de desvio de dinheiro engendrados e devidamente estruturados, que apenas aguardam o momento exato da implementação. Por tudo que vivenciamos diariamente nos meandros da administração pública brasileira, em todas as esferas, acreditar nesta última hipótese infelizmente está longe de ser paranóia.


* Sérgio Soares é Promotor de Justiça com atuação na área de defesa do patrimônio público.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PORQUE ELE TE AMA





Por Jorge Couto






Geraldinho em seu texto na semana passada falou do suicídio. Eu citei uma frase de Camus como provocação para uma discussão. Quero continuar o assunto. Claro que não ouso tentar voar tão alto quanto o escritor francês. Vou manter a conversa em um nível compatível com minhas possibilidades.
Para que alguém se mate há necessidade de um sofrimento enorme, físico e/ou emocional, capaz de anular o instinto mais primitivo que possuímos, que é o da autopreservação. O suicida atingiu o limite do suportável; a dor é tamanha que viver se tornou algo intolerável. Qual seria este limite? Certamente não há uma resposta precisa para isto. O limite será sempre individual, intransferível. O tolerável para um é demais para outro. Não há como mensurar tal coisa. Até onde sei todas as religiões condenam o suicídio. As três grandes religiões monoteístas, vale dizer: cristianismo, islamismo e judaísmo, são categóricas na repulsa ao ato suicida. As três consideram o suicídio um ato em desacordo com as leis do Pai, ou seja, de Deus. Não importa o quanto de sofrimento signifique continuar vivendo, a vida é um dom divino e ninguém tem o direito de tirar a própria vida. Só Ele pode determinar onde, quando e como o suplício terá fim. As justificativas e consequências para o sofrimento variam de acordo com a religião. Para as chamadas religiões cristãs o sofrimento significa uma expiação, purificação, evolução ou alguma outra denominação que em nada altera em substancia o resultado, que, em última análise, serve para aproximar o filho do Pai celestial. Fico imaginando que pai seria capaz de infligir tanta dor a um filho. Que estranha forma de amor é esta capaz de submeter um ser inerme as aflições de uma dor sem fim? Qual pai negaria ao filho o alívio de uma dor terrível? A resposta não é difícil. O Deus cristão, apologeticamente descrito na bíblia, é pródigo em infligir sofrimentos inenarráveis àqueles que Ele diz amar. Egocêntrico, tudo deve girar ao redor de sua augusta pessoa. Vaidoso, exige adoração e exaltação constantes. Ciumento, não admite qualquer concorrência (Ai de quem ousar crer em outro Deus!). Irascível, não tolera questionamentos. Temperamental, o crente deve estar sempre alerta as suas bruscas variações de humor; sua ira poderá desabar sobre a cabeça do incauto a qualquer instante e sem aviso prévio. Que me perdoem os crédulos cristãos, mas o seu Deus nada entende de gente. Desconhece as aflições humanas. É ignorante das necessidades do homem. É insensível as dores e angustias de seus pretensos filhos.
De minha parte considero que o suicídio é um ato de liberdade - extremo, é verdade - inalienável. Embora não tenha qualquer intenção de praticá-lo, me reservo o direito de dar um pequeno empurrão se a coisa ficar feia.