
domingo, 31 de julho de 2011
Parabéns pro Estação!

sexta-feira, 29 de julho de 2011
Será que todo dia vai ser sempre assim?
quinta-feira, 28 de julho de 2011
OS NOVOS CRUZADOS
Apenas mais um louco a ser internado em um hospício e lá esquecido?
Um doido que, afora o massacre, não tem maior importância, assim como suas idéias e ideologia?
A preguiça mental assim tende a tratar este tipo de acontecimento e seus agentes, em especial quando se trata de alguém com a pele branca, origem européia,etc - fosse ele um asiático, africano, árabe ou latino-americano... Hitler que o diga! Durante muito tempo foi tido apenas como mais um vulgar agitador de cervejaria em Munique, até que sua capacidade de orador de esquina e os meliantes que o acompanhavam, passaram a servir aos objetivos da burguesia alemã, que àquela altura se via as voltas com partidos de esquerda cada vez mais influentes, movimento sindical em ascensão, crise econômica com grande número de desempregados. Com este quadro ameaçador, a burguesia alemã não teve qualquer escrúpulo em apoiar e financiar Hitler e seus comparsas. O resultado é por todos conhecido.
Antes que alguém mais apressado conclua que estou a dizer que Anders Behring Breivik é um novo Hitler, devo esclarecer que não é este o caso. O importante é destacar que há um fio condutor a ligar este louco de Oslo e a ascensão da direita européia e norte-americana. A ideologia deste norueguês é a mesma de um Tea Party, da Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen, de um Rupert Murdoch e seus congêneres tupiniquins, para ficar nos exemplos mais notórios. Contudo, à semelhança da burguesia alemã da década de trinta do século passado, estes senhores não irão sujar suas aristocráticas mãos com um trabalho sujo e sanguinolento. Para isto se servem, quando necessário, de ensandecidos com Anders.
Exagero? Mas o que dizer de uma classe dominante que mergulha o mundo numa profunda crise econômica, apenas para lucrar ainda mais? Como classificar o monumental desprezo para com a multidão de homens e mulheres espalhados por todo o planeta, que se viram desempregados e seus bens arrestados por credores? O que pensar de gente capaz de promover a invasão e saque de países, com mortes que se contam as centenas de milhares, apoiados em mentiras e com o objetivo de lucrar e manter sob seu controle fontes de petróleo?
O que se opor a esta gente no mundo de hoje? Certamente há um nascente movimento popular contestatório que se espalha pelos países árabes, Grécia, Espanha, etc. Mas são movimentos ainda embrionários, com propostas vagas, sem direção ou objetivos claros. Dos partidos de esquerda pouco se pode esperar no momento. A impotência da esquerda é constrangedora. Incapaz, até agora, de formular qualquer alternativa para a crise; isto quando não capitulam vergonhosamente, como no caso do Partido Socialista Grego ou o Francês. Este último, até poucos meses atrás, tinha como seu provável candidato à sucessão de Sarkozy nada menos que o Sr. Straus Kann, com vasto currículo de violência sexual contra mulheres e, na chefia do FMI, de estupro de países inteiros.
Há uma crescente “direitização” do mundo, em especial no hemisfério norte. Os ingredientes para a ascensão ao poder de partidos de ideologia fascista são a cada dia mais numerosos e, o que é mais grave, tolerados e mesmo estimulados pelos poderosos do mundo – vide, por exemplo, a Fox News de propriedade do inescrupuloso Murdoch, porta-voz da extrema direita norte-americana. A satanização do Islã; a transformação do emigrante em bode-expiatório; a apologia do livre mercado e do corte de direitos sociais duramente conquistados; a censura dos meios de comunicação através do monopólio da mídia; a homogeneização e pasteurização da cultura dos diferentes povos sob a ditadura do consumismo, são apenas a face mais explícita daquele processo.
Os donos do mundo já demonstraram até as náuseas, que não possuem escrúpulos em lançar mãos de quaisquer meios, mesmos os mais terríveis, para manter seus privilégios. Talvez, seja prudente lembrar que o uso de lunáticos como tropa de choque por aqueles que se consideram, por determinação divina, os senhores do mundo, já ocorreu na história recente e, se já ocorreu, pode ocorrer novamente.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
As crises, o capital, a bolsa e o pobre investidor
Depois que as corretoras de valores, através das novas tecnologias, desenvolveram o Home Broker e encurtaram a distância entre o investidor e o mercado de capitais, a bolsa de valores ficou a apenas um clique do pequeno investidor. O mercado de capitais, até então restrito aos grandes investidores, recebe agora os recursos de vários pequenos investidores, numa crescente onda de popularização do setor.
Acostumados aos pequenos rendimentos pagos pela caderneta de poupança, pelos CDBs e pelos fundos de investimentos oferecidos pelos bancos, os pequenos investidores têm agora uma opção de investimento mais rentável, porém mais perigosa, na bolsa de valores. Isso porque, no mercado de capitais o risco sempre foi e sempre será moeda forte.
Aplicar dinheiro no mercado de ações requer coragem, paciência e estômago.
Fala-se no meio, que o bicho mais covarde que se tem notícia no mundo, chama-se "um milhão de dólares", isto porque ao menor sinal de perigo, diz-se: - ele bate retirada em fuga para paragens mais seguras.
E de fuga em fuga, papéis de empresas sólidas e com resultados expresivos nos seus balanços, como as chamadas "Blue Ships" da Bovespa (Bolsa de valores de São Paulo), Vale, Petrobras e tantas outras, vem sofrendo duramente com a debandada destes capitais em função das crises e conflitos no cenário mundial.
Tem sido assim desde a crise do mercado imobiliário americano, que derrubou as bolsas do mundo inteiro, quebrou alguns bancos americanos e fez o presidente Barack Obama despejar milhões de dólares na economia americana para tentar, sem sucesso até agora, reerguê-la.
Depois vieram a Irlanda, os conflitos dos países do norte da África, a Grécia, agora Portugal e Espanha com ameaças de se alastrar para países com economias mais robustas, como Itália e Alemanha.
De crise em crise, o capital especulativo vai migrando pelos mercados do mundo, procurando sempre um porto seguro, fazendo com que os índices das bolsas pelo mundo acompanhem e despenquem ao ritmo desta migração.
Resta saber agora para onde irão estes capitais especulativos se até o dia dois de agosto, os democratas do presidente Barack Obama não conseguirem convencer os republicanos da necessidade de aumentar o teto da dívida americana em alguns trilhões de dólares para salvar a maior economia do planeta e evitar uma catástrofe sem precedentes na história.
Restará algum porto seguro?
terça-feira, 26 de julho de 2011
As minhas verdades

* por Jefferson Sarmento
Quando Miguel saiu de casa, ainda parado no portão, o irmão mais velho ainda não acreditava naquilo. Mas eram dois sujeitos bem diferentes e o caçula, que entendia bem mais de coisas impossíveis de serem explicadas, apenas sorriu e ajeitou a mochila nas costas antes de soltar aquela sentença que acompanharia os dois pelo resto da vida:
– Quando ele estiver na varanda, hoje à tarde, senta com ele na rede e explica... explica que eu seria sim o melhor doutor do mundo... se eu quisesse ser doutor. Mas esse não é o meu destino. É o de qualquer outra pessoa.
Dito assim, feito uma revelação eclesiástica, deixou Denis com os olhos arregalados e os cabelos da nuca eriçados. Eram um ano distantes um do outro, mas essa era uma explicação racional demais. Denis era mais parecido com o pai: pés do não, cabeça matemática e ares de preocupação. Miguel, por outro lado, era uma cópia exponencial dos sonhos de sua mãe. Poético, sonhador, guiado por uma imaginação às vezes irritante, brilhante, perigosa.
– Ele vai pirar – Denis meio que cochichou.
– Ele vai entender. Vai demorar um pouquinho, mas vai entender. Cuide dele. Eu mando notícias.
E depois disso virou-se e saiu andando com a mochila de caminhada nas costas. Não olhou para trás nem um minuto. E Denis ficou olhando até que o irmão desaparecesse depois da linha do horizonte. Ainda naquele dia, o velho João Gusmão ouviria do delegado que um sujeito de dezenove anos que resolve ir conhecer o mundo não pode ser dado como desaparecido ou seqüestrado. E que o melhor a fazer era esperar que o garoto voltasse, porque a maioria deles volta depois do entardecer. Mas Miguel nunca voltou. Ou melhor, até voltou, mas muitos anos haviam se passado e a vida era tão diferente que parecia outra. E o seu João Gusmão da loja de peças levou alguns anos para entender como um sujeito que tinha passado em primeiro lugar na prova para a faculdade de medicina federal do estado podia simplesmente jogar tudo pro alto e... sair por aí com uma mochila nas costas para encontrar o destino.
– O que você quer ser então? – João havia perguntado, dias antes, quando o filho caçula disse que medicina não era para ele.
– Não sei. Acho que vou sair por aí e descobrir.
E foi o que fez.
Podia ter dado certo, podia ter dado errado. Podia estar procurando até hoje o tal destino, sem saber de fato o que lhe chamava para a vida. Mas Miguel acreditava verdadeiramente que a gente nasce com um... chamado – e, claro, cada um tem o seu, não se esqueça! E se ele não aparece na primeira hora, você tem que procurá-lo. Tem que seguir adiante e tentar e tentar e tentar. E numa esquina dessas, você acaba descobrindo onde está o sujeito. Teve uma época, já na estrada, que achou que sua musa inspiradora era a busca. Não teria um ofício convencional – dono da loja de peças, doutor que cuida de crianças, contabilista renomado como o irmão acabaria se tornando, gerente de banco... Por outra, achou a princípio que tinha um: seu ofício era conhecer o mundo.
E descobriu que não precisava de muita coisa para isso. Nos primeiros meses, ganhava algum trocado como frentista de beira de estrada, lavador de pratos em lanchonetes de paradas de ônibus lotados de turistas, ajudante de descarga avulso para caminhoneiros que precisavam daquele tipo de serviço. Não tinha um rumo certo. Juntava algum trocado, pedia demissão e seguia para o próximo posto. Do Rio de Janeiro, seguiu sua Magical Mistery Tour de carona em carona em caminhonetes velhas, caminhões de leite ou de material de construção, às vezes cruzando quilômetros a pé, sozinho com os pensamentos e com as rotas desertas ou tumultuadas do caminho; para não dizer que estava completamente a esmo no mundo, seguiu para o oeste e ganhou o velho estado das Gerais trilhando a Estrada Real por cidadezinhas menores que o bairro onde seu pai morava. E aquelas estradas... nem estavam no mapa.
Encontrava gente de toda a espécie. Adorava os causos dos velhos e foi de um desses que ouviu aquela versão sobre a verdade ser uma escultura de cera numa calçada, em pleno verão. Disseram que o velho dono do antiquário, ao lado da praça da matriz (e todas aquelas cidadezinhas tinham dezenas de igrejas, mas a matriz sempre era a maior e a praça sempre a mais cuidada), aquele com um relógio com números romanos em cima da porta, precisava de um ajudante. Quando chegou, o velho estava saindo da igreja. Parou perto do coreto e voltou-se. Fez o sinal da cruz e depois veio atender o jovem com aquela mochila enorme, parado na porta de sua loja.
– Acredita em Deus, Miguel? – o velho perguntou, uns dois dias depois; e já pareciam grandes velhos amigos como o garoto sempre foi do próprio pai.
– Estou tentando encontrá-lo.
O velho sorriu.
– Bom. Mas não se preocupe muito com isso.
– Como assim? Achei que me passaria um sermão por não ser exatamente um religioso...
– Miguel... você tem nome de anjo. Mas nomes não querem dizer nada. Nem religiões. Eu tenho a minha e posso apostar com você que ela é diferente da de todos os meus compadres de missa. Batemos no peito e declamamos o longo nome da Santa Igreja quando perguntam no senso, sabe. Vamos às celebrações dia após dia e ouvimos o padre toda manhã de domingo. Depois de um tempo, os sermões parecem até iguais. Mas a gente se acostuma. É meio que... que uma doutrinação. Mas eu aposto minha alma que a maneira como acredito... ela é apenas minha. Assim como a da dona Márcia da padaria ali na esquina. Ou do Zé Pedreiro. Ou da do prefeito, do professor Oscar (que adora dizer que é ateu, com o dedo em riste, mas ajuda na festa de São João como qualquer beata esforçada), da Odete (por quem já tive uma quedinha), da sua, da do próprio padre! Cada um acredita de um jeito.
– Mas as pessoas adoram ensinar a sua própria fé como se fosse uma verdade ímpar.
Estavam dentro da loja e Miguel ajudava o velho Tobias a retirar as relíquias das estantes e a colocar em caixas de madeira para serem transportadas até o pequeno galpão nos fundos. Iam fazer uma limpeza e tanto na loja, com água e sabão. E acabar com aquela poeira toda que estava entupindo as narinas dos clientes.
– Miguel... ela não vai resistir à minha morte. A minha fé... ela morre comigo. E quando eu chegar do outro lado, tenho certeza de que tudo o que senti por Deus nesta vida terá perdido o sentido como qualquer pedaço de lembrança que eu possa ter vendido aqui, em minha loja, para malucos procurando suvenires em caminhadas sem fim nessa tal Estrada Real. Acho que a fé... a verdade... elas são apenas um resquício do que nossa alma é capaz. É uma lembrança empoeirada. Mas veja o que acontece quando tiramos a poeira...
Ele pegou uma peça quadrada de cima da estante perto do balcão e limpou a poeira. Não era uma camada espessa. Mas a pequena caixa revelou-se um relicário de um colorido quase psicodélico.
– O que é?
O velho abriu a caixa. Não havia nada dentro.
– Pode ser o que você quiser. Tome. É seu.
– Obrigado.
– Portanto, garoto, não importa se já encontrou ou ainda está procurando. Uma hora dessas, virando uma esquina ou atravessado uma rua, você vai acabar dando uma topada Nele.
– Nele?
– Nesse Deus que procura. Ou no seu destino. Ou numa verdade nova e só sua.
Miguel passou três semanas ali e ajudou na festa de São João. Divertiu-se muito com o velho professor Oscar e suas teorias sobre alienígenas terem trazido a vida para a Terra. Foi embora numa manhã de segunda, de carona com o caminhão do parque de diversões que fizera a festa para as crianças da pequena cidade. Mas nunca os esqueceu, como nunca esqueceu qualquer pessoa naquele longo caminho.
Abriu os braços e resolveu abraçar o destino que lhe aprouvesse. Mas esse... esse seria o seu destino e de nenhum outro, portanto não cabe explicá-lo aqui. E quando cumpriu seu papel e (como dizia seu pai) passou, muitos e muitos anos depois, tentando ensinar a liberdade para os netos e bisnetos (mesmo sabendo que a liberdade não se ensina, meu bem), passou acreditando de fato que tinha feito um bom trabalho; tinha caminhado todos os passos, um por um. E eram seus; sua trilha, seu caminho de verdades. E pediu ao Deus que encontrou depois de um tempo (mesmo tendo passado parte dele achando que o Tal talvez não existisse, mas sem deixar de rir quando lembrava-se das teorias do professor Oscar naquela cidadezinha perdida entre as serras das Gerais) que nenhum desavisado, ex-hippie investidor da bolsa ou gênio do marketing, tomasse emprestadas aquelas verdades e as distribuísse por aí. Eram suas e cada um tinha o direito e, acima de tudo, o dever de encontrar as suas. Não queria seu rosto estampado em camisetas de feira, como o velho Raul ou o pobre Guevara.
Duas semanas depois disso, da morte do idoso Miguel, o neto mais novo pegou a estrada, tendo na mente aquela frase que o avô havia lhe dito numa tarde de sol, quando era ainda um moleque correndo atrás da bola no quintal da chácara:
– Estendi a mão para o destino, meu bem. Peguei minha mochila e fui para a estrada. Ter coragem de seguir para o desconhecido (e na verdade, todo caminho, mesmo as ruas do seu bairro, são desconhecidos e novos a cada segundo) é o sinal de que o mundo de verdade é uma viagem sem volta.
– Papai disse que o senhor nunca brigou com o bisa. Disse que o bisa era um vô muito legal. Por que então fugiu de casa?
Miguel sorriu. Ia explicar que não tinha fugido de fato. Tinha apenas seguindo um rumo diferente do que esperavam que ele seguisse. Mas deu de ombros. O garotinho de cabelos escorridos e os olhos claros da mãe teria que descobrir isso sozinho, com o tempo; com o seu tempo.
– Porque pra ser feliz, meu amor... você precisa sonhar seu próprio sonho.
* Jefferson Sarmento tenta trilhar os próprios caminhos, mas acha que às vezes as Verdades são oferecidas por aí em cestas reluzentes, dessas que até te fazem sonhar, mas não se engana e segue adiante, acreditando nos próprios passos.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
De Tudo Um Pouco

* Por Geraldo Costa
Caros leitores do EBM. Resolvi mudar. Não estava a fim de falar de uma coisa só. Preferi apresentar um mosaico de opiniões.
1
No, no, no...
Que Amy Winehouse era talentosa não se discute, mas nunca achei nada TÃO especial. Agora venhamos, em tempos de Lady Gaga e Justin Beeber, termos uma cantora de sucesso que bebeu (sem maldades...) na fonte da Black Music, até que é salutar. Por fim, é macabro essa coincidência de mortes de ídolos aos 27 anos.
2
Um céu de estrelas
Comprei também o dia 29 do Rock in Rio, o do Stevie Wonder e do Jamiroquai. Dos 9 dias vou em 5, se meu preparo físico permitir. Quero assistir Metallica, Coldplay, Guns e Elton John, entre outros artistas dos outros palcos.
3
Pra fora
A seleção tá completamente sem comando. Ridículo esse papo de que contra o Paraguai fizemos o nosso melhor jogo. E pior: o técnico afirmar que estamos no caminho certo. Tá de brincadeira... Júlio César e Lúcio já passaram. Lucas Leiva e Ramirez não dá. Muricy já!
4
Vaca desconhecendo bezerro
Sei não. Acho que o mundo vai acabar, mas aos pouquinhos. Lá no hemisfério norte tem gente morrendo pelo excesso de calor. Há meses que assistimos enchentes pelos quatro cantos dos mundos. Fora terremotos e tsunamis. O que fizemos e estamos fazendo com o futuro de nossos filhos e netos?
5
Dez dedos
Confesso que estou me surpreendo com a nossa Presidente (Presidenta não dá). Está governando com mão firme. Pelo menos mais firme que as do Lula. Infelizmente, dá continuidade à síndrome de perseguição da imprensa.
6
Erro Desconhecido (Argh!)
Na outra encarnação quero nascer em Londres, se Deus permitir. Os serviços de telefonia estão cada vez piores. Eu, cliente Nextel, me sinto lesado e impotente para reclamar. Não adianta. Há dias só se fala via rádio. Pra telefone fixo e celular, esquece.
7
Mais do Mesmo
Nesse final de semana, assisti no Multishow uma apresentação de Sting em Londres, tocando com uma orquestra sinfônica. Maravilhoso. Vários sucessos do Police em arranjos de arrepiar. Sting continua em grande forma.
8
Homofobia
Li que a Globo fez uma pesquisa e o resultado foi que 75% de seus telespectadores foram contra o relacionamento de dois homossexuais no horário das 21h. Daí, baixaram a bola dos autores. Beijo gay ainda não.
9
Tupiniquim
É impressão minha ou o atendimento dos bancos está cada vez pior? Os funcionários fazem o possível, mas são poucos. E também não tem tempo nem cabeça pra atender ninguém. São tantas (e absurdas) metas pra bater que fica difícil atender. Se depender dos banqueiros, cliente bom é cliente longe da agência. De preferência na internet... E o lucro das instituições bancárias só faz crescer.
10
Noruega
Em momentos como esse a humanidade ainda fica perplexa. O que pode explicar a atitude covarde desse maluco? E o desgraçado nem meteu uma bala na própria cabeça... Simplesmente se entregou, sem resistir. E tai, como se fosse a encarnação de uma causa justa. Só espero que não apareça um imbecil pra escrever um livro ou filmar a vida desse covarde.
* Geraldo Costa é pai de Gabriel e Guilherme Costa. Tem refletido muito, dormido mal e andado sem paciência e intolerante. Como disse Cazuza: “São coisas da idade...”
domingo, 24 de julho de 2011
Bobby McFerrin
No ano seguinte, começa a realizar apresentações como solista desacompanhado até que em 1984 grava o álbum "The Voice", considerado pelos críticos sua obra-prima. Em 1988, McFerrin ganha o grande público com "Don't Worry, Be Happy", canção que hoje ele curiosamente rejeita (veja em sua entrevista mal-humorada ao O Globo, na última quinta-feira).
sábado, 23 de julho de 2011
Eu quero levar uma vida moderninha
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Historinha bitolada

Por Figurótico*
Carrego diariamente duas vidas: acordada e dormindo, ambas permeadas por sonhos – vez por outra pesadelos, como o de hoje. Sonhei que tinha de atravessar um obstáculo que atravesso desde os quatro anos de idade: a linha do trem. Porém não posso mais pular o trem como fazia, como sempre fiz. Depois de seis parafusos na coluna, não me arrisco com esse tipo de aventura. E, claro, meus sonhos são atualizados no ritmo de minha vida real, pois nele eu sabia que tinha os parafusos.
Mesmo com pressa pergunto ao funcionário – não sei se da FCA ou MRS (bitola larga ou bitola estreita), na minha época de menino era R.F.F.S.A. (famosa REDE) – por onde eu perderia menos tempo atravessando, se pelo lado da prefeitura ou pelo lado do Parque Centenário, pois eram três trens se mesclando uns aos outros, e a visão não alcançava onde acabavam. Ele me diz que a melhor opção, devido às obras de remoção do pátio, é melhor eu atravessar pelo viaduto da prefeitura. Sigo pelo viaduto, na passarela ao lado, subindo pela Várzea da Oficina e tentando chegar à cidade. (Se você mora num local e diz que tem de ir à cidade, você mora no interior, certo?).
Vou iniciando a travessia e na curva me deparo com as “obras de remoção do pátio de manobras” (a frase mais irritante da história de Barra Mansa). De repente na passarela não há chão, concreto; há madeiras simbolizando degraus que se separam por centímetros. Há de se abrir muito a perna para que se chegue ao próximo degrau. As dificuldades só aumentam, pois agora este local está completamente lotado e não há controle por guardas de trânsito, como se o sinal tivesse sido aberto. Outro fato comum à Barra Mansa, não? Quem nunca tentou chegar em casa e, espantado, avista uma rua interditada para alguma festinha junina, ou coisa parecida sem que lá trás não haja nada indicando que esta estaria interditada e nem mesmo um guardinha municipal orientando o tráfego. Geralmente é algum político fazendo uma “graça” à comunidade local. Colocam-se umas cadeiras na rua e pronto. “Ah-há, uh-hú, a avenida é nossa!”.
No sonho, a obra que faziam era pra chegar um pouco para o lado a passarela anexa ao viaduto, para ceder espaço às imensas avenidas que nos mostram as maquetes eletrônicas da publicidade local. Algo muito parecido com obras do Pan, da Copa e das Olimpíadas. Reforma do Maracanã para o Pan, pouco depois reforma para as exigências da FIFA. A diferença entre Pan, Copa e Olimpíadas para nossa Barra Mansa, é que aqui não há um dead line, um prazo final, do tipo: PÁTIO DE MANOBRAS 2020. Não temos esse numeral. Ouço desde a infância isso, continuo ouvindo e nada mudou.
As placas publicitárias dizem que as obras começaram pra lá não sei de onde, e que estão de vento em polpa. Com toda a sinceridade: já ouvi tanto isso que já nem quero que o pátio vá mais embora. Deixem-no ali. Deixem aquele sinal ao lado da Preguiça funcionar 15 segundos no verde e dali abre-se o caos. Pedestres, carros, disputando o tempo mínimo de travessia no mesmo espaço. A multidão atrasada que esperou o trem passar a vida inteira.
E na passarela onírica eu tentei, tentei chegar embaixo a salvo. Obviamente eu não consegui, o sonho acabou repentinamente, abrupto. Sentia o cheiro das pessoas de tantas que eram, tentando pular de madeira em madeira sem ordem, todas amedrontadas, fazendo um esforço imenso apenas para chegar à “cidade”. Lascas caíam ao chão; cimento mole escorria pelos cantos; moças gritavam: “só Barra Mansa ‘mermo’!”, “oh, cidadezinha!”. Outras riam: “ehhh, fulano, não vai dar tempo hein?! Vai perder o serviço!”. Até que por fim o sonho acabou e eu acordei mal, com raiva do mundo e, principalmente, dessa cidade.
*Figurótico pensa que: se o trem é "bão", por que o Xô"?
terça-feira, 19 de julho de 2011
Eu não tenho certeza de nada

* por Jefferson Sarmento
A convicção é uma arte que não domino. Assim, escrito no presente imperialista do indicativo ditador, toma até ares de convicção, mas há uma sutil diferença entre saber e ter certeza. O saber é uma cerveja velha, impregnada no balcão de madeira, exalando aquele cheiro característico dos botecos aconchegantes de que se tem lembrança quando você pensa em chamar um desavisado pra tomar umas e outras; o saber enseja a possibilidade de que as coisas mudem – ou não. Ter certeza é o outro lado da dúvida – as duas faces andam na mesma moeda, são irmãs e... se você não prestar atenção, pode se confundir: e é aí que eu quero chegar.
Fico muito assustado com pessoas que têm certeza. Elas não ponderam, não assumem que o universo evolui, que o rio passa, que o vento sopra. Mais assustado ainda fico quando um desses me cobra a certeza, a convicção, a pedra filosofal. No âmago, eles sabem que duvidam, por isso precisam de mais gente que lhes tome partido, que lhes engrosse o coro.
Quando era pequeno, adorava construir estradas. Passava horas (os carrinhos de lado, jogados na borda da caixa de areia) arquitetando pontes, desenhando curvas, imaginando a cidade pronta. Mas a brincadeira em si (pegar os carrinhos e passear com eles nas estradas) acabava em dois minutos, se tanto.
Eu hoje gosto do caminho, do ir, viajar tendo um objetivo, mas construindo o caminho. Indo. Pra ser mais objetivo: gosto de ir e chegar, mas não gosto de ficar. O que não significa que não me apegue, que não me comprometa: eu me comprometo com a dúvida, com a construção, com o que me desafia. A certeza... ela não me desafia. A certeza é absoluta, não há mais nada nela. Por outra: a certeza é vazia, não me oferece nada.
Já a dúvida: ela é cheia de possibilidades, de caminhos, de atalhos, de estradas... e cidades diferentes, pontes maravilhosas, pessoas fantásticas. Por isso a convicção é essa melodia que não me toca os ouvidos; eu não a tenho. Prefiro não conhecer ninguém e tomar um novo caminho a cada dia. Prefiro duvidar.
Prefiro a pergunta... porque morro de medo de quem já tem todas as respostas.
* Jefferson Sarmento pede desculpas pela falta da semana passada e jura que tentou postar pelo iPhone (isso: fiquei sem internet), mas se postar no blogger pelo micro já é um Deus nos acuda, imagine fazer isso pelo celular!
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Pulp Fiction* - 15 anos**

Li essa semana no Globo Online que o diretor Quentin Tarantino vem ao Brasil para o lançamento de seu novo filme, Bastardos Inglórios, que ocorrerá no Festival do Rio, de 24 de setembro a 8 de outubro (http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/09/11/com-filmes-de-almodovar-tarantino-ang-lee-festival-do-rio-inicia-venda-de-ingressos-767575829.asp).
Bom, não há como ver o nome de Tarantino e não pensar em Pulp Fiction. E aí me dou conta de que a película está fazendo 15 anos. Isso mesmo, já se vão 15 anos desde que um diretor (quase) desconhecido “ressuscitou” John Travolta, que vivia em um ostracismo praticamente perpétuo (há que se pagar um preço por interpretar Tony Manero...).
E, passado esse tempo, já dá para afirmar que o filme é um clássico? Para responder, é preciso fazer uma retrospectiva, ou melhor, a minha retrospectiva (como conheci o filme).
Em 1994 eu morava no Rio, onde trabalhava e estudava. Com 21 para 22 anos, devorava tudo o que fosse relacionado à cultura, desde grandes shows na Apoteose a pequenas mostras de filmes de François Truffaut na sala de vídeos da Cândido Mendes em Ipanema (ainda tem isso lá?), passando por leituras de poesia no Centro e exposições no Museu Nacional de Belas Artes e, claro, o Maraca (cultura popular também é cultura, ainda mais se tratando de Flamengo). E aí, freqüentando esses lugares, você acabava sabendo das coisas antes delas acontecerem (não existia internet...). E, de repente, começou um burburinho sobre um filme que havia arrebentado em Cannes e que estrearia trazendo algo novo ao cinema, sem falar da volta de, desculpem o trocadilho, mas é inevitável, Travolta.
A expectativa criada nos cadernos culturais dos jornais fez do filme um cult movie antes mesmo da exibição. O filme já nascia com ares de cult movie. Todos fomos para o cinema com aquela sensação de jogo ganho, apenas para ter certeza de que veríamos uma grande obra, que já vinha carimbada com a Palma de Ouro em Cannes.
E foi/é realmente uma grande obra? Olha, para os padrões tradicionais do cinema, da academia, talvez não. Mas Tarantino conseguiu impor um estilo, uma marca, e gostem ou não, criou uma escola, que já havia sido iniciada em Amor à Queima-Roupa, que não foi filmado por ele - o roteiro foi vendido por Quentin para o diretor de Top Gun(!) - e continuada em Cães de Aluguel, que foi filmado com o dinheiro conseguido na venda do roteiro. Cães de Aluguel já trazia a estilo tarantineano, com seus diálogos improváveis e bem humorados, tiros de sobra, violência gratuita e trilha sonora muito bem escolhida. Mas ainda não seria o ápice do diretor.
O auge viria, exatamente, com Pulp Fiction. Ali está, em toda sua plenitude, o estilo que consagraria Tarantino. Os já citados diálogos inacreditáveis (a cena de Travolta e Samuel L. Jackson discutindo sobre os sanduíches é impagável) e a paixão de Tarantino por isso (valorizar mais os diálogos do que a história em si), atores decadentes e/ou cults (Samuel L. Jackson, Harvey Keitel, Christopher Walken, Uma Thurman, Rosanna Arquette etc.), uma trilha sonora simplesmente divina, cujo maior destaque seria a regravação de uma canção de Neil Diamond - Girl, You’ll Be a Woman Soon - http://www.youtube.com/watch?v=iiAUmsl6OHU - pela obscura banda Urge Overkill (que depois se apresentaria no Hollywood Rock em janeiro de 1996), violência gratuita (a cena dos miolos sujando o carro é impagável), tiroteios intermináveis, vinganças e a não-linearidade narrativa (passado e presente se alternam no vídeo). Somando-se a tudo isso, como cereja do bolo, tínhamos uma espécie de retorno (consegui fugir do trocadilho) de John Travolta a um bom filme. Travolta é o tipo de ator de que todos gostam, todos querem ver, mas que estava queimado em Hollywood, após seguidos fracassos. Tarantino consegue resgatar esse ícone.

Apesar de alguns bons momentos, Tarantino não conseguiu fazer outro filme no nível de Pulp Fiction. Muitos o acusam de se repetir, outros dizem que falta bagagem acadêmica e cultural (ele realmente não veio da academia – é um apaixonado por cinema que já teve locadora de vídeos) e que ele apenas recicla cultura pop descartável. Aguardemos o novo filme e vejamos quem está com a razão.
Enquanto isso, fiquemos com a antológica cena em que Uma Thurman e John Travolta dançam, chapados - para acessar, clique no seguinte link - http://www.youtube.com/watch?v=mVzj2lb98WE&feature=fvsr

Até a próxima segunda#.
*Pulp Fiction – são aquelas revistinhas baratas, pequenas, de bolso, impressas em papel de baixa qualidade (nem sei se existem mais – meu avô lia muito).
** essa coluna é dedicada ao grande brother Alex, que escreve no blog toda 5ª feira, e que talvez tenha assistido Pulp Fiction mais vezes que o próprio Tarantino.#
***Carlos Vinicius Rosenburg tem 37 anos, é casado e acha Quentin Tarantino a cara do Samuel Rosa, do Skank.#


