quarta-feira, 31 de agosto de 2011

The Piauí Herald














Fernando Pessoa anuncia fusão de heterônimos

Lisboa – Em pronunciamento que pegou de surpresa o mercado editorial, o poeta e investidor Fernando Pessoa anunciou ontem a fusão dos seus heterônimos. Com o enxugamento, as marcas Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro passam a fazer parte da holding Fernando Pessoa S.A. “É uma reengenharia”, explicou o assessor e empresário Mario Sá Carneiro, acrescentando que “de uns tempos para cá ficou claro que era preciso fazer um streamlining na nossa operação se quiséssemos sobreviver num ambiente poético cada vez mais competitivo.” Pessoa confessou que a decisão foi tomada “de coração pesado”, mais o seu CFO não lhe deu alternativa. “Drummond sempre foi um só”. A operação dele é enxutinha. Como competir? , indagou. O poeta chegou a pensar em terceirizar os heterônimos através de um call-center em Goa, mas questões de gramática e semântica acabaram inviabilizando as negociações. “Eles não usam mesóclise”, explicou pessoa.

A notícia dividiu o mercado editorial. Luiz Schwarz, editor da Companhia das Letras, disse que a eliminação dos heterônimos ajudará a diminuir os custos de marqueting: O brasileiro médio sabe quem é Fernando Pessoa. “Mas as marcas Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro nunca chegaram a se firmar” Já a Central Única dos Poetas, sindicato ligado a CUT, declarou, em nota, que a medida é “mais um exemplo da brutalidade do mercado”, e confirmou para amanhã uma greve de 48 horas, na qual nenhum poeta fará rimas e Gilberto Gil dirá coisas compreensíveis.

Mario Sá Carneiro declarou que, uma vez consolidada a fusão, a holding Fernando Pessoa S.A. pretende adquirir as marcas T.S.Eliot, Albert Camus, Jean Paul Sartre e Friedrich Nietzsche. “E claro, no futuro, se tivermos bala, toda a obra poética de José Sarney.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Abrigo


* por Jefferson Sarmento

Ele

Quando a chuva começou, ele estava ali, do lado de fora, olhando para a janela fechada, por onde a luz difusa vazava por detrás das cortinas. Mas não importavam as lágrimas do céu, ainda que elas aumentassem no anúncio de um temporal fora de época; engrossando, embrutecendo, desesperando. De fina e fria, tornou-se ruidosa e anestésica. E ele se manteve ali, encostado no poste, encarando o vidro fosco como se pudesse ver através de paredes e janela. Como se pudesse vê-la, senti-la, cheirá-la, tocá-la. Mas isso era impossível. Sempre tinha sido. Desde o início. E ainda mais agora.

Mesmo assim...

Ele buscou abrigar-se nos próprios ombros, levantando a gola do casaco preto cujo couro deixava escorrer em rios e torrentes as gotas da chuva forte. Mas estava já encharcado. Era apenas um gesto automático. Como era automático abrir os olhos de manhã e ter durante todo o dia a presença dela em cada minuto, ato, ideia, forma, pensamento, caminho. Era como um fantasma que o acompanhava ao longo do dia. E quando fechava os olhos, sua presença vinha em sonhos também. E se em uma noite não viesse, acordava com aquele gosto ruim de que havia algo que faltava...

Claro que sabia o que faltava. Mas não havia o que pudesse ser feito. Havia apenas a chuva chorando ao seu redor e a luz difusa na janela fechada. Uma janela que não se abriria jamais. E então ele se perguntava: como é possível?

Como ela podia? Como conseguia? Em noites como aquela, em que estava só, terminado o dia e a rotina caída no silêncio... Quando não havia mais os problemas cotidianos que tomavam sua atenção, mantinham seus olhos em problemas físicos e concretos que prescindiam de seus olhos, boca, ouvidos, raciocínio, braços, pernas... E quando chegava em casa e o silêncio e a solidão imperavam como reis misteriosos e implacáveis que a encaravam com aquele ar cortante e acusador... Quando não havia mais com quem dividir qualquer palavra, qualquer assunto que a empurrasse para longe... para longe... para longe daquele pensamento sempre presente...

Como ela fazia? Onde buscava abrigo? Onde se escondia? Com o que se defendia? Porque... ele precisava saber. Se havia uma saída, cura, solução, remédio... ele precisava saber. Porque nada que tentava tinha um funcionamento duradouro. Por outra: não durava nada. Porque seu fantasma continuava lá, firme e presente.

Ela

Em noites como aquela (e como todas as outras), ela tentava manter o dia em andamento, como se o pudesse estender em afazeres intermináveis que tomassem sua atenção. Era um método eficaz até certo ponto, mas não afastava definitivamente aquele... sentimento que ele costumava chamar de seu fantasma de estimação. Mas com todo o esforço que fazia, parte dela apenas esperava pela hora fatal em que o dia finalmente despedaçava-se numa noite silenciosa em seu quarto escuro, cheio de vazio – um vazio completo e desesperador. E era assim sempre, mas às vezes... em certas vezes... parecia pior. Parecia insuportável.

Quando se deitava em noites feito aquela que escorria do céu numa tormenta ruidosa...

E quando o homem que carregava o par da aliança em seu anular não estava...

Essas eram as piores.

A casa fechava-se naquela solidão surda e o mundo parecia comprimi-la como se fosse aquela dor o centro do universo. Nesse instante, na cama grande e solitária, ela se encolhia e se rendia em oração para o Deus que ela desejava, pedia que a ouvisse. Mas o mundo lá fora estava encoberto por aquele cinza escuro e impenetrável, feito de chumbo intransponível. Se Deus respondia, ela não conseguia ouvir. Ou... talvez ninguém a ouvisse mesmo. Ninguém além da solidão.

Ninguém além da solidão.

Ele

Ele atravessou a rua. Parou diante do portão. A chuva não importava mais e o frio era só uma lembrança nesse instante. Ele ficou ali, olhando para dentro como se pudesse mesmo estar lá, como se só o fato de querer e pensar o colocasse dentro daquelas paredes. Havia alguns minutos, as luzes se haviam apagado e ele acreditava de fato que ela já até tivesse adormecido. Por alguma razão, ele sabia que ela era forte, que ela conseguia, que ela simplesmente abstraía. Ou que, naturalmente, já o tivesse esquecido. Para ela, nesse seu pesadelo acordado, ele era apenas uma pedra menor no passado recente; não importava mais... tanto. Ou nada.

Mas uma parte dele, uma boa parte, sabia que era mentira. Sabia que a mulher que praticamente se entregara a ele, contra todas as possibilidades, direitos, razões, sentidos... ela ainda estava ali, naquele lugar que, a despeito das proibições políticas, sociais e religiosas, era só deles. Um lugar em que o mundo ao redor não existia. Um lugar em que apenas os dois viviam. Um lugar onde todo aquele sentimento arrebatador não podia ser questionado, condenado ou sequer tocado por outras forças que não aquela paixão destruidora, implacável. Aquele amor absoluto e indestrutível.

Ela

Naquele instante, não restavam mais muros e grades que pudessem segurar o que sentia. Então ela fechava os olhos e se rendia. Mas não era uma rendição vergonhosa ou dolorosa ou criminosa. Era uma rendição que trazia alívio. Não restava resquício de orgulho ou culpa. Ela apenas deixava o ar se esvair dos pulmões e recebia o desejo como a forma mais natural e simples da existência. Ela enfim se entregava aos pensamentos que reprimia durante o dia. Aceitava o fato de que seu castelo protetor era uma prisão e que seu espírito merecia e seria livre. As paredes ruíam nesse momento e os campos daquele plano onde planetas podiam colidir sem destruir universos inteiros tornavam-se reais.

E nesse mundo ela podia imaginar e aceitar o fato de que tudo antes dele eram convenções. Você tem que ser uma boa menina, você tem que estudar e passar de ano, você tem que respeitar sua família, você tem que temer a Deus, você tem que encontrar um bom homem, você tem que dar educação para seus filhos, você tem que respeitar as leis, você tem que seguir o caminho certo, você tem que evitar pensamentos maus, você tem que ir à missa aos domingos...

E você não pode amar outro homem. Especialmente esse homem.

Ele

Um dia eles se encontraram e ela se desmanchou em sua frente como se fosse feita de gelo sob o sol escaldante. Diante dele, a apenas um passo de distância, ela sorriu aquele sorriso triste e declarou que ele podia fazer o que tivesse que ser feito. Que ela não ia se opor. Que ela apenas fecharia os olhos e aceitaria. Naquele instante, engolindo em seco, ele se sentiu um verme. Ela estava ali, estava ali, estava ali... E ele apenas tinha que...

Mas não o fez. Não por resoluta convicção, mas por todas aquelas dúvidas que o acompanhavam diuturnamente. Não o fez com a razão, mas com o medo. Medo de que os mundos explodissem se sequer a tocasse. Medo de ser o responsável pela dissolução dos valores que trazia. E que ela trazia. Medo de perder a fé de que podia suportar. Medo de que aquele fosse o primeiro passo para descambar para o precipício.

Ela lhe disse que não entendia como ele conseguia resistir...

Ele lhe disse que não sabia que o que ela sentia era tão... igual ao que ele sentia.

Ela lhe disse que não acreditava em outras vidas e portanto tinha que haver uma meio, nesta aqui, de os dois...

Ele lhe disse que só podia suportar o fardo se acreditasse que esse meio realmente existia.

Mas quando ela o abraçou e ele sentiu seu corpo inteiro tremer, ele mandou que ela fosse embora. Aquele era o último resquício das forças que acreditava ainda ter. Depois daquele limite, não haveria mais salvação.

Ela

A dor que sentia era causada por ele. Ele era... era como o frio que a cortava nas madrugadas mais quentes, mas era também o abrigo para aquele mal. Ele era a mentira que se insidiava em suas veias, mas era de fato a única verdade que restava em sua vida. O resto eram convenções. O resto não trazia sentimento, mas a solidez material da razão. E ela tinha que ser racional.

Rolou na cama e encarou o outro lado vazio. Por um instante sentiu culpa e remorso. Depois pena. Depois horror por sentir aquilo. Olhou para a mão esquerda e tocou a aliança. Pensou se era assim que ele se sentia quando se ajoelhava e se entregava. E teve raiva dele. Muita raiva. Teve ódio. E sentiu vontade de chorar. Mas já tinha chorado muito por aquilo e o orgulho e a razão diziam, gritavam, ordenavam que não aceitasse mais aquilo.

Ele era feito uma fome que sentia. Uma fome que só poderia ser aplacada por... ele. Ele era a dor e a cura. Ele era o fim de seu mundo e o início de um outro. Era a verdade absoluta que ela teimava em mentir, mesmo tendo contado tudo (contou mesmo tudo?). E então ela acariciou o travesseiro vazio e ignorou o clamor da razão. Sabia que não tinha contado tudo. Não tudo. Não o que sentia de fato.

Fechou os olhos, desejando que a cama estivesse preenchida hoje. Só hoje.

Chamou um nome, mas o rosto que veio acudi-la era diferente. Um rosto que não podia, devia, poderia, pertencia.

Ele

Ficou olhando por muito tempo para aquela porta. Em verdade, não se retorcia pela decisão de entrar ou ir embora. Sabia, desde o início, que não entraria. Sabia, desde o início, que iria embora, porque era o que ele fazia: o que tinha que ser feito. Apenas... queria estar ali, enquanto o mundo pausava e o céu rugia. Baixou a cabeça e soltou o ar envenenado dos pulmões. Teve vontade de chorar, mas as lágrimas da chuva lavariam as suas e tudo seria tão inútil quanto o próprio mundo cruel o era. Tanto quanto tinham sido suas escolhas antes de ela aparecer.

Virou-se, sem olhar para trás, e tomou a calçada, na direção de seu mundo real. Parou. Encarou o céu negro e trovejante. A tormenta não passava. Não passaria nunca.

Ela

Você é o meu abrigo... ela pensou. Fechou os olhos úmidos com força e abrigou-se naquele outro mundo, a salvo das culpas e da dor.

Ele

Meu bem, eu sou o seu abrigo... ele sussurrou, voltando a caminhar. Ajeitou o clergyman sob a gola do casaco, resquício do hábito que já não vestia há muito tempo, porque a igreja já não o obrigava a isso. Pensou mais uma vez em arrancá-lo da cola e deixá-lo escorrer na enxurrada da ladeira – em verdade, mesmo a pequena entretela branca não era obrigatória, mas servia de última trincheira entre o real e o desejado. Portanto, não a tocou.

Ela

Algum dia, por alguma razão...

Ele

Algum dia, por alguma razão...



* Abrigo faz parte de um projeto antigo (que agora vai tomando forma) pra um livro de contos com... uma trilha sonora. A música em que se baseia, se alguém tiver curiosidade, está em http://palcomp3.com/jeffersonsarmento

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Somos quem queremos ser









por Carlos Vinicius Rosenburg*


Sempre leio a opinião dos leitores nos jornais. Diversão garantida. Discursos indignados, solicitação de providências, desabafos, enfim, pessoas portadoras das melhores intenções e que sonham com um mundo mais civilizado. Em tempos de internet a coisa melhorou, com os comentários das notícias em tempo real, nas páginas eletrônicas dos jornais. Há várias pérolas espalhadas por ali.

E uma coisa que chama a atenção de quem lê tais mensagens são expressões como “o brasileiro é assim”, “o Brasil é assado”, “os políticos são corruptos”, “o povo é acomodado” e por aí vai. Dou risada. “Todo mundo é culpado, menos eu”, dizem os discursos. O engano está aí. Na verdade, por mais que seja incômodo dizer, somos todos culpados. Se não for pela ação, pelo menos pela omissão.

Que começa nas pequenas coisas, quando vemos problemas em nossa rua e não cobramos providências. Passa pelo município, quando tomamos ciência de desvio de dinheiro público, apadrinhamentos políticos e coisas do tipo, e não denunciamos tais condutas. Pior, continuamos cumprimentando tais pessoas e sentando à mesa de bares e restaurantes com eles, como se nada tivesse acontecido.

A polícia militar e os políticos são um belo exemplo do que estou falando: todos dizem que políticos e policiais são corruptos. Mas a acusação é feita como se tais pessoas tivessem vindo de outro país, planeta ou galáxia. É preciso admitir: essas pessoas que criticamos saíram da sociedade em que vivemos!

Toda família tem alguém que quer emprego público (emprego, não trabalho), procura um político para encaixar um filho, dá tapinha nas costas de um PM que fica batendo papo em cafés – quando deveria estar patrulhando as ruas – e admira o carro novo do empresário sonegador e envolvido com negócios nebulosos – sem falar nos passeios de lancha e nas festas na ilha do empresário que era ninguém, mas que, de repente, virou milionário. Será que ele recolhe tributos? Será que subornou alguém? Quem se importa? O importante é a festa! A culpa é sempre dos políticos...

Todo mundo quer chegar primeiro, dar um jeitinho, usar influências, entrar em algum esquema, ocupar a vaga proibida "só um minutinho", cortar pelo acostamento. E a culpa é dos políticos? Ora, os políticos somos nós!

Ah, mas eu não faço nada disso!”, alguns dirão. Ok, deve mesmo existir quem não faça, mas é uma exceção que serve apenas para confirmar a regra de que somos uma sociedade conivente e que aceita (ativa ou passivamente) atos transgressores, corrupção, tráfico de influência, prevalência do homem sobre a lei e o inominável jeitinho.

Há alguns anos, o delegado Hélio Luz, então chefe de polícia civil do Estado do Rio, afirmou que a sociedade tinha a polícia que queria ter: aquela que faz acordos, descumpre a lei, não age, ou seja, faz com que as coisas continuem como estão – o que ele disse para a polícia vale para todos os setores da vida brasileira, do serviço público, que abrange os poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, à iniciativa privada.

Estava certo e delegado (e depois deputado estadual). Esses somos nós. Não adianta virar de lado, esconder o rosto, você também faz parte disso. Essa é a sociedade que escolhemos ser. E nada indica que queiramos outra coisa.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 38 anos, é servidor público concursado e reconhece (envergonhado) sua parcela de culpa pelas mazelas da sociedade em que vive.

domingo, 28 de agosto de 2011

Sobre todas as coisas e sobre coisa nenhuma


















Sobre todas as coisas e sobre coisa nenhuma

Por Valério Cortez


Eu não, mas o Zeca é um cético.

Aliás, acho que todos os Hunskys são céticos.

Já eu, acredito em tudo, governos, duendes, médicos e Pokémons. Acredito que manga com leite mata e que discos de vinil tocados ao contrário trazem mensagens satânicas.

Acredito que o mundo vai acabar em 2012, assim como creio nos efeitos estéticos e terapêuticos do Herba Life e do Cogumelo do Sol.

Acreditei até quando disseram que iriam trazer o mar aqui para Barra Mansa, cheguei a sonhar com as ondas e imaginar onde seriam as praias.

A principio achei que o Ano Bom poderia muito bem abrigar a nossa praia de Ipanema ou do Leblon, e a Barra da tijuca poderia perfeitamente ficar na Barbará ou na Colônia Santo Antonio.

Sou um crente, Yo creo en todo lo.

Eu acredito até que as Casas Bahia e a Ricardo Eletro vendem muito mais barato. Mas o fato é que eu gostava mesmo era da Casa Aurora, que já nem me lembro mais onde ficava, mas me lembro bem que vendia de tudo um pouco, e que vendia até linha de soltar pipa.

- O bambu das varetas a gente pegava no mato e o papel seda, para encapar e fazer a rabiola, comprava na papelaria Apolo -

Será que alguém nessa cidade ainda solta pipa?

E por falar em linha de pipa, tinha também a linha do trem.

A linha do trem e o trem

Não desses que hoje passam por aqui, com seus vagões de aço e que nem sequer param na Estação, mas daqueles, de bitola estreita e vagões de madeira, que partiam da estaçãozinha ao lado do Parque, levando os meninos daqui, para comer as meninas do sul de Minas.

Será que os meninos daqui ainda comem as meninas do sul de Minas?

Creio que sim, Yo creo en todo lo.

Acredito também que existe uma relação direta entre a decadência de nossa cidade e o desaparecimento do picolé da Sorveteria Pingüim, do Filé Chateaubriand do kuka e das matinês do Cine Palácio.

Acredito piamente que tudo na vida possa ser um dia esquecido, menos a memória de uma cidade e o gosto da bala Juquinha e do Chicabon.

O nome disso é isso.

O nome disso é saudade.

Ad eternum.


Valeu. Um grande abraço e um bom domingo a todos.


Notinha:

Depois de mais de dois anos de existência, 766 textos publicados e 3000 amigos no Facebook, mesmo que alguns não queiram, o Estação já é parte importante na, lamentavelmente pequena, cena cultural Barramansense. Tamo na área.


Portanto:

Leia, opine, divulgue, comente.

Embarque no Estação BM.

sábado, 27 de agosto de 2011

Uma mulher de verdade


               Uma mulher de verdade
                                               *Por Renata Klotz


·                                 "Uma mulher de verdade sempre tem sua casa limpa e arrumada e o cesto de roupas vazio. Está sempre bem arrumada e perfumada, é fina, não fala palavrão e se comporta corretamente em todo momento, lugar ou circunstância. Sobra paciência para atender sua família e sempre tem um sorriso nos lábios e uma frase amável a todos."
Coloque isto em seu mural se você também suspeita de que você é, na verdade, um homem! ;)


Esse pequeno texto está circulando no facebook. Eu adoro ler coisas assim. Eu realmente me divirto horrores!E me divirto mais ainda quando alguém comenta:
-“Ah, eu sou uma mulher exatamente assim...” Ah ta!!!
Vou falar sobre isso, as expectativas absurdas sobre a mulher ideal.

A mulher ideal é organizada, boa dona de casa, excelente cozinheira. Mas também é educada, nunca perde a linha, jamais aumenta o tom de voz com ninguém. É linda, magra, bem cuidada e não tem celulite e muito menos rugas.O cabelo está sempre bonito e sedoso e ela cheira bem como uma flor.A mulher ideal não envelhece(nunca).Está sempre disposta pro sexo,mas também não cobra nada em relação a isso,o parceiro decide como e quando.
A mulher ideal é excelente pessoa, bom caráter, solícita e muito prestativa sempre.

A mulher ideal não tem TPM, não perde a paciência e não manda o cara catar coquinho e muito menos deixa de fazer o jantar.Não cobra nada nunca(de ninguém) , deixa o marido sair com os amigos quantas vezes ele quiser e não controla a hora da volta,nem briga se ele chegar bêbado.
A mulher ideal trabalha, mas tem tempo de sobra pro marido e pros filhos. E ganha bem, coloca seu dinheiro na casa,mas continua deixando o homem ser o chefe do lar.
A mulher ideal é perfeita em tudo. Pro homem. Ah, e a mulher ideal não existe.

Agora vamos passar à realidade:
 Se a mulher é muito organizada, excelente dona de casa, normalmente não ganha muito dinheiro. Se ganha dinheiro costuma ser um completo desastre nas prendas do lar.Uma coisa é certa,mesmo que dê conta dos dois(e muitas dão),nessa equação em algum dos quesitos ela não será cem por cento.
Mesmo que seja educada e fina, muitas vezes a mulher perde a compostura e xinga e fala alto sim.A não ser que seja uma falsa ou uma desequilibrada que um dia vai sair metralhando pessoas no cinema,pois a mulher de hoje lida com tantos problemas ou mais do que o homem ,em casa e no trabalho.Afinal,mesmo com a liberação feminina, a casa é sempre mais problema da mulher do que do homem.Isso é um fato em quase todas as famílias.

A maioria das mulheres tem TPM. Quem certamente não tem TPM nunca, é homem ou travesti. Hormônios femininos existem e enlouquecem levemente a mulher. Umas um pouco menos, mas a maioria bastante. Não é culpa nossa!
A mulher não consegue ficar linda, magra e bem cuidada com cem reais ou de graça. Custa caro ser bem cuidada. Dificilmente uma mulher linda acorda tão linda.
O homem costuma achar que  beleza não custa nada,ou pelo menos que não deve custar nada pra ele.

A mulher normal envelhece, tem rugas e fica cansada e com dor de cabeça algumas vezes. Em alguns dias só de pensar em fazer sexo ela vai pirar, de raiva. E em outros ela vai querer por querer e ficar brava se não rolar.
A mulher que diz que faz tudo com perfeição, que consegue dar conta de tudo e nunca se sentir mal, cansada, feia ou p da vida... ou está mentindo ou está caçando um jeito de pirar de vez.Nem um robô daria conta de ser tão perfeito.É uma pena que algumas mulheres ainda queiram tentar ser essa maravilha da natureza e manter a sanidade mental ao mesmo tempo.Tarefa hercúlea,quase impossível.


Adoro quando ouço ou leio uma mulher finalmente dizer o que tem que ser dito.
Isso faz dela um homem? Não acredito. Faz dela um ser pensante e normal.
Com qualidades e defeitos. Como sempre foram os homens e nunca ninguém questionou isso.Apenas pessoas.

Somos pessoas inteiras.Boas,más,agradáveis,desagradáveis,bonitas,feias,estranhas,
hábeis,inábeis.Lado A, lado B.



Relato real de uma mulher real:

Meu cesto de roupas só é esvaziado se a máquina estiver funcionando e eu estiver de muito bom humor ou se eu tiver uma lavadeira a postos.
Minha casa é limpa e arrumada a maior parte dos dias, porque eu sou alérgica e não gosto de bagunça.Mas no fim de semana eu durmo,mesmo se tiver uma vaca no meio da sala.
Gosto de me arrumar e de ficar cheirosa, claro. Mas às vezes gosto de sair de camiseta e calça jeans e durante a semana não uso maquiagem nem a pau. Sou fina e educada, mas se precisar sei ser grossa e rude.E falo palavrão pra qualquer um que merecer ouvir.
Me comporto bem no geral,mas não to nem aí pra adequações, a não ser num velório; num teatro ou cinema,ou  num evento extremamente formal.
Tento ser simpática, cordial e prestativa com todos, se isso não me impuser um sacrifício. Se impuser... Não faço a menor questão de ser admirada por ser um doce de criatura. Quero ser admirada por ser uma mulher de verdade.


*Renata Klotz tem 34 anos e está muito, muito longe de ser perfeita. E agradece a Deus todos os dias por isso.

*Em tempo: assim como a mulher ideal, o homem ideal também não existe.

*Se tiverem tempo e interesse, assistam ao filme “Mulheres Perfeitas” com a linda Nicole Kidman, ex- senhora Tom Cruise. É esclarecedor...








sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Manual de Sobrevivência na Selva












por Dielena*


Completo isolamento da sociedade. Deve ser esta a sensação que a maioria das pessoas experimenta ao saber que uma peça do computador queimou e o fabricante levará alguns dias para repor essa peça.

Foi o que aconteceu comigo há alguns dias, e a peça ainda não chegou. Então eu me propus um teste de realmente ficar longe do computador fora do horário de expediente, sem recorrer a lan house ou casa da mamãe. Pode parecer fácil, levando-se em conta que eu passo mais de oito horas por dia na frente de um micro, mas há um detalhe essencial: no local em que trabalho só temos acesso a sites com a extensão “.gov.br”.

Nos dois ou três primeiros dias é fácil, aliás é libertador. Você chega em casa e o computador ta lá quietinho no canto dele sem ter como te perturbar. Você descobre que, afinal, terá tempo para fazer algumas coisas para as quais você dificilmente teria tempo se o computador estivesse funcionando.

Como fazer faxina no guarda roupa, revirando cabideiros e gavetas e achando roupas que não te servem mais, ou que te servem mas você detesta. E após separar duas bolsas gigantes de roupas para doação, você entenderá como a falta do computador pode fazer de você uma pessoa melhor.

E já que você está com tempo, também pode se aventurar na cozinha. Lembra aquela receita exótica que você adora e não prepara há muito tempo? Você vai para a cozinha, inicia o preparo e... no meio do caminho tinha uma pedra. Tem um ingrediente chave que você não lembra bem qual é. E as medidas? Quem fica decorando 1 e ¾ de xícara disso e 3 e 2/3 de xícara daquilo? Então você se lembra que todas as suas receitas estão no computador e começa a sentir falta dele.

De noitinha você começa a zapear na televisão e, pra variar, nada de interessante. Você começa a pensar quantos textos do blog você já perdeu, e quando finalmente puder ler, já serão assuntos passados. Você sozinha em casa sem nada pra fazer e um mundo inteiro ali dentro do computador. Neste momento você começa a acreditar em milagres, vai lá e tenta ligar o micro. Vai que funciona. Mas nada acontece.

Depois de mais de uma semana, sabe-se lá por qual motivo, você resolve ligar pra uma amiga de outra cidade. E descobre que não tem o telefone dela. Afinal, pra que telefone? Ela está no seu Orkut, no Facebook, no MSN... Você liga pra alguns amigos em comum e ninguém tem o telefone dela. Você tenta lembrar de quanto tempo faz desde a última vez que a viu pessoalmente e começa a duvidar da existência dessa amiga no mundo real. Seria ela uma alucinação coletiva, sua e de outras amigas? Como o quinto copo na mesa que sempre permanece intocado?

Outro ponto ruim é ter que escrever o texto à mão para depois digitar. Nem me lembrava mais qual foi a última vez que escrevi mais de duas frases à mão.

Se essa peça demorar demais para chegar, vou ter que comprar um caderno de caligrafia.


*Dielena escreve no Estação às sextas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ditadura da Saúde Moderna

Por Jorge Couto

Jonathan Metzl, que escreve para a Harvard Review of Psychiatry, revista de psiquiatria da renomada universidade norte-americana, faz parte de um grupo de acadêmicos e médicos norte-americanos conhecidos como “inimigos da saúde”. Ele e seus colegas publicaram recentemente o livro Against Health - How Health Became The New Morality (Contra a saúde: como a saúde virou a nova moralidade), lançado pela editora da New York University e ainda sem versão em português. O Dr. Meltz faz questão de frisar que o grupo não é contra o bem-estar das pessoas:-“Estamos protestando, sim, contra certo uso da idéia de saúde que embute suposições cegas e julgamentos de valor”. No livro, ao contrário daquilo que se pode supor inicialmente, o grupo não faz carga contra os cuidados que todos devemos ter com a nossa saúde. O alvo das críticas é a noção distorcida de saúde imposta às pessoas, impedindo-as por vezes de aproveitar os prazeres da vida.
Em recente entrevista, Dr. Meltz explica seu ponto de vista, e de seus colegas, sobre o que considera a ditadura da saúde. A seguir alguns trechos da entrevista:
- “Dizemos que a obesidade é prejudicial à sua saúde”, quando, na verdade, não queremos dizer que essa pessoa tenha alguma doença, mas que é preguiçosa ou desprovida de força de vontade. Nos Estados Unidos, é normal até mesmo associar gordura a um certo senso de sub-humanidade. É uma forma inaceitável de discriminação. Algo semelhante acontece quando vemos uma mãe alimentando um bebê com uma mamadeira e pensamos: “Leite materno é mais saudável para a criança.” Na verdade, estamos supondo que aquela mulher não é uma boa mãe. Nesses e em outros casos, apelar à saúde nos permite fazer um bocado de suposições morais. E a definição de nossa própria saúde também depende de como julgamos a dos outros. Certamente há riscos ligados à obesidade. Mas uma parte deles foi grandemente exagerada. Aquilo que chamamos de fat panic (pânico da gordura), que acontece aqui nos Estados Unidos, está muito mais baseado em argumentos estéticos do que em ciência. As teorias sobre a morte precoce dos obesos não estão se sustentando: eles vivem tanto quanto outras pessoas.”
- “ É indiscutível que fumar faz mal para a saúde, e nós concordamos que as pessoas não devem fazê-lo. Porém, criamos uma idéia de que fumantes são cidadãos de segunda classe. São forçados a se isolar, e as pessoas olham para eles e dizem:”Você é uma má pessoa porque fuma”. Esse argumento, que começou como uma questão de saúde, se desvirtuou para um julgamento moral. E é reforçado pela exclusão física dos fumantes. Muitas das leis antifumo são importantes, mas é preciso retomar as origens do argumento, quando ele era realmente de saúde.
Sobre o culto exagerado da chamada vida saudável, o médico dispara: - “Talvez as pessoas sintam a necessidade de controlar o próprio corpo porque elas têm medo. Existem tantas coisas imprevisíveis — podemos desenvolver um câncer ou sofrer um acidente de carro — que é muito mais fácil nos iludir do que assumir nossa vulnerabilidade. As pessoas acham que se comermos as coisas certas controlaremos tudo. Ao mesmo tempo, elas também estão mais bem informadas sobre saúde, logo, têm mais com o que se preocupar. Existe uma infinidade de informações facilmente acessíveis sobre o assunto e um excesso de comerciais farmacêuticos, ao menos nos Estados Unidos. Muitos desses comerciais passam a impressão de que todos estamos, de alguma maneira, doentes. As pessoas têm entrado em meu consultório já pedindo determinado remédio, alegando que têm doenças que elas nem sequer sabiam que existiam, mas viram na TV”. E acrescenta: - “Não pregamos que as pessoas não devam se cuidar, mas apenas que não devem se esquecer de investigar os valores que associam à sua noção de saúde. Também pedimos aos médicos e ao público em geral que estejam atentos ao papel das indústrias farmacêuticas e que, ao serem divulgados novos produtos, reflitam sobre qual é, na verdade, a doença e qual a necessidade real de um tratamento”.
Perguntado como ele definiria uma pessoa saudável e feliz, Dr. Meltz terminou a entrevista com as seguintes palavras: - “Existe uma linha geral de pensamento hoje que parece sugerir que saúde e felicidade caminham juntas. Talvez esse não seja o caso. Pessoas que fumam podem ser felizes, pessoas acima do peso podem ser felizes. Existem várias fontes de felicidade no mundo. Parte disso é definida pela sua condição médica, mas outra grande parte é determinada por sua família, pelas coisas que você gosta de fazer. Nós nos tornamos tão obcecados por saúde que esquecemos o sabor da boa comida e as delícias de diferentes coisas. Nós esquecemos o conceito de prazer.”

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Da série: batatinhas...











Por Alex Frederick


Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão;

Menininha quando dorme põe a mão no coração


(Silvio Romero )


terça-feira, 23 de agosto de 2011

The Piauí Herald













Descoberto homem que compreende Gilberto Gil

Um projeto do departamento de lingüística da Universidade federal de Viçosa descobriu a existência de uma pessoa que compreende perfeitamente o que diz Gilberto Gil. Muricy Viana Santos, 74 anos, lavrador de Monte do Carmo, Tocantins, teria a capacidade de decodificar sem dificuldade a obra musical e retórica do cantor e compositor baiano. Costa Santos ouviu vários trechos de canções e discursos de Gil e, imediatamente, sem hesitar, explicou o que acabara de ouvir. Suas respostas correspondem quase que perfeitamente a exegese produzida por um grupo interdisciplinar da UFV, integrado por filósofos, físicos, historiadores, um pai de santo e Carlinhos Brown. Os cientistas ficaram surpresos quando, já na primeira resposta, o lavrador explicou porque amanhecerá tomate e anoitecerá mamão. Costa Santos não possui televisão nem rádio em casa. Nunca ouvira falar de Gilberto Gil. Não obstante, achou muito clara a resposta do ex-ministro a um jornal de São Paulo que, em 2006, lhe pedira impressões sobre a estréia da seleção Brasileira na Copa da Alemanha:”Os jogadores do Brasil são experientes e jogam torneios que estão ligados a essa dimensão da fenomenologia”. Muricy Viana Santos, conhecido como seu Gerson, disse que concordava, e referiu o grupo às obras de Edmund Husserl, filósofo da fenomenologia, cujos livros principais citou em alemão, idioma que não fala. Os cientistas acreditam que o dom de Costa Viana seja absolutamente especializado. O lavrador não entende uma palavra de Djavan.


domingo, 21 de agosto de 2011

Multiplicidade


• Por Geraldo Costa

Amigos leitores da gare barramansense mais famosa da internet, tenho tido pouco tempo para acabar meus prometidos textos sobre o Rock In Rio (sem ameaças). Segue meu terceiro caleidoscópio de sentimentos.

Adulto Esperança
Todo ano (e há anos) fico melancólico com as campanhas de incentivo de doação para campanhas beneficentes. Me sinto um nada perto dessa imensidão de injustiças e desigualdades sociais.

Yes!
Completei o meu primeiro álbum de figurinhas digital. Meu pequenininho está vibrando e achando o pai o máximo. Agora falta completar o de papel. Com tanta criança precisando de ajuda, estou me sentindo angustiado.

Bichos Escrotos
Meu filho mais velho queria assistir ao UFC Rio. Compras de ingressos só pela internet. Tentei debalde por 3 vezes. Com ingressos caríssimos, das duas uma: ou o Brasil virou a Bélgica, ou perdemos a vergonha de vez. Os cambistas estão deitando e rolando...

Ligando pro Erasmo
Depois de muitos anos tocando em casa para os meus filhos e praticamente só fazendo jingles, tenho andado com saudade de tocar. Quero gravar um CD também. Vou agendar com o meu parceiro mor: Dario Aragão Neto.

Arco-Íris
É impressionante a quantidade de gente que torce contra o flamengo. Mas, o mais impressionante é que eles ainda não entenderam o por que...

Serviço de Humanidade Pública
Parece que falta pouco para acabar os 42 anos de ditadura na Líbia e para que o ditador Kadhafi seja preso no distante Oriente Médio. Dois filhos já estão enjaulados. Falta repatriar os milhões e milhões de dólares roubados do povo líbio.

Só aqui
Resende já pega o sinal da Globo em sistema digital. Volta Redonda também. Por que Barra Mansa, que fica no meio das duas, ainda não?

O último a cair apaga a luz
E continua o cai-cai: a ciranda ridícula dos ministros corruptos da Dilma. O próximo parece ser o do Turismo. Entraram na roda o Ministro das Cidades e os Correios. Pra Dilma parece faxina. Pro Lula parece carapuça.

Vergonha
O assassinato da Juíza Patrícia Aciolly não pode ficar impune. Cada tiro disparado contra a justiça é uma afronta a toda sociedade. Não podemos virar uma Colômbia...

Nextel
Os serviços da Nextel estão horríveis há meses e nem adianta reclamar. Não muda nada. Os direitos do consumidor no Brasil são uma vergonha. Somos impotentes perantes essas empresas gigantes.

Guanabaramente
Vamos lançar uma versão da “Fazenda” de empresas que atendem mal seus clientes, aqui no EBM? Sugiro inicialmente a Nextel e o Santander. ARGH!

Geraldo Costa é pai de Gabriel e Guilherme Costa. Tem dormido mal e pensado muito sobre a vida. As noites insones o têm deixado cada vez mais medroso e cético.

sábado, 20 de agosto de 2011

Acredite se quiser!



*por Flavia Alvaro Porto


Depois dos absurdos escritos por jornalistas, percebi que absurdo mesmo são algumas notícias publicadas por aí!
São as famosas “notícias bizarras”, que acontecem nas piores e nas melhores famílias também.
E o que tem de notícia assim, não está no gibi!

Fica até difícil selecionar pois é cada coisa tão estranha que a gente nem acha que é verdade, como a menina que pode morrer se pentear o cabelo por produzir muita eletricidade estática. Seu cérebro não aguenta, ela pode sofrer um colapso e morrer. Hã???
Tá aqui: http://extra.globo.com/noticias/bizarro/menina-pode-morrer-se-pentear-cabelo-2478684.html

Ainda tem um austríaco que foi demitido por ser adepto da urinoterapia. Ele se lava com urina.
Que coisa!!! Tá aqui: http://extra.globo.com/noticias/bizarro/austriaco-demitido-por-se-lavar-com-urina-2435033.html

Pior ainda é um chinês, tadinho, que estava andando triste e amargurado numa praça quando viu um banco cheio de buraquinhos e teve uma ideia bem infeliz para acabar com a solidão: ter momentos de prazer com o banco! Não era no banco. Era com o banco!
Aqui, ó: http://extra.globo.com/noticias/bizarro/chines-solitario-fica-com-bilau-preso-em-buraco-de-banco-de-pracinha-422937.html

E pra quem gosta, aqui neste link ainda tem um ranking das 10 notícias mais bizarras , algo do tipo do homem que tem o maior pelo na orelha ou do outro que pendura o maior número de cobra cascavel na boca (é isso mesmo!) ou ainda um outro que esguicha leite pelos olhos.
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI258235-17770,00-RECORDES+MUNDIAIS+BIZARROS.html

Às vezes acho que só pode ser o fim do mundo mesmo!

Agora,no Brasil, confesso que não encontrei notícias tão bizarras como as escritas acima. Acho que os bizarros daqui são menos bizarros que os de lá...
Veja só: em Sabará - MG, o menino foi atacado por um pitbull e em seguida, mordeu o cachorro para se defender. Ele só levou uns pontos no braço e perdeu o dente canino... ahhhhh, normal isso!
http://www.band.com.br/jornaldaband/conteudo.asp?ID=95346


Uma dica: o site brasileiro http://www.e-farsas.com/ no ar há 9 anos, desvenda e-mails falsos que circulam na internet. Fotos duvidosas, desaparecimentos, construções incríveis, medicina, notícias bizarras também, tudo o que está na internet se torna falso ou verdadeiro neste site sério e bacanérrimo!

“Existem mas bizarrices entre o ceu e a Terra do que sonha nossa vã filosofia”,

modificando Shakespeare!


Flavia Alvaro Porto é a Flavinha.

Sou São Tomé purinha: só acredito vendo!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Eu não estou morto!

por Heleno Guanabara*


Ao contrário do que diz uma parcela reacionária e careta da sociedade barramansense, eu não estou morto. Fui enxotado dessa pacata cidade, mas já encontrei pouso seguro ao atravessar a Baía de Guanabara e me alojar em São Gonçalo, terra ainda mais tranquila e ordeira.

Caretas e reacionários, eu voltarei, para tristeza de vocês!

Respeitosamente, Guanabara.

*Heleno Guanabara é o cocô do cavalo do bandido (do cinema mexicano...).

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Empório Vincent


Por Figurótico*

A primeira vez que ouvi a palavra Empório foi nos anos 90, após um show do Steve Vai, no Metropolitan, na Barra da Tijuca. Era a primeira vez que eu saía na noite carioca com meu próprio carro. Como o show acabava cedo queria rodar a cidade, e saí perguntando a meus amigos onde se poderia ir àquela altura da noite (um dia de semana), e ouvi de Egon Savino: “pô, tem o Empório, em Ipanema...”. Fato é que rodei tanto que não fui ao Empório.

Em 2002 fui morar na capital maravilha e não demorou duas semanas para que eu conhecesse o tal bar rock’n roll da Maria Quitéria. Encantei-me de cara. Um bar onde não se pagava para entrar; onde tinha um chopp gelado; onde toda noite (toda noite!) havia um DJ tocando exclusivamente rock internacional, e para cada DJ um estilo diferente (classic, indie, etc.); e o atrativo-mor: o Vicente. Garçom lenda-viva do Rio de Janeiro por ser a cara do rock’n roll, do Empório, e que recepcionava a rapaziada servindo chope e curtindo o som do bar ao mesmo tempo.

Fui apresentado a ele, eu disse que era de Barra Mansa. E todas as outras vezes em que lá voltava levando alguém para também conhecer o local, apresentava este ao Vicente, que de bate pronto nos dizia: “e a barrrrra lá, está mansa???” – com o sotaque gaúcho e a voz forte e rouca de um blueseiro. Quando apresentava uma moça o tratamento era diferente, óbvio: “Olá, moça! Seja bem-vin-DA, coisa lin-DA, querrrr um chope?!”.

Em noites cheias não era possível falar com Vicente, mesmo com garçonetes sempre simpáticas e chamativas, muita gente queria ser atendido mesmo era pelo velho Vicente. Descia os degraus até a parte debaixo como um furacão, carregando uns dez chopes na bandeja e pedindo, “dá licença, dá licença, dá licenÇA!”. Para quem chegasse àquele momento mais parecia agressão do que educação. Já quando a noite estava tranqüila ele me recebia com uma salvação que posso descrevê-la assim: “E aí, Rayyyy?!”, para logo em seguida empunhar uma guitarra canhota fantasma e tocar por cima da música do DJ um The Doors ou The Cult, que ele sabia que eu curtia.

Em certa feita, em 2004, num fim de semana (que era de feriado no Rio) saí do show do Doors num sábado, extasiado, rodei a noite e fechei na Guanabara às sete da matina. Dia seguinte tive que passar no Empório e contar ao Vicente todo o show, pois ele queria ir e não poderia. Narrei música a música e ele se lamentando. Às quatro da manhã o DJ parou e desligou o som. A casa estava lotada naquele domingo véspera de feriado e já não cabia mais ninguém.

Mesmo um dia depois do show eu ainda estava transbordando de excitação de ter visto parte do The Doors ao vivo em pleno século XXI. Comuniquei ao Vicente: “já que parou a música, posso puxar no gogó aqui uma sessão de Doors com a rapaziada?”. Fui imediatamente atendido, “manda brasa, Rayyy!”. Pedi silêncio a quem estava perto da mesa do DJ, subi no primeiro degrau que levava ao salão de cima e iniciei: “Keep your eyes on the road, your hands upon the wheel!” no gogó e nas palmas, fui sendo acompanhado por quem estava lá – e uma grande galera que também esteve no Doors. Dali só fomos parar às 5 da matina, quando o Empório queria fechar. Continuamos mais um pouco na calçada, para enfim mudarmos de local. A noite acabou num quiosque a uns quarenta passos à frente, com direito à companhia do Vicente.

É nessa hora que se via o Vicente solto, engolindo chope atrás de chope, falando de Júlio Barroso, Lobão, Marcelo Nova (pessoas em comum de que eu e ele gostávamos), sempre rodeado de gatas, garçonetes. Meu vício de Empório era tamanho há tanto tempo que até em carnaval eu passava por lá se no Rio estivesse. E a história era a mesma: depois de fechado o Empório, bebíamos debaixo do sol quente fosse no quiosque; na Guanabara, e o Vicente nunca sozinho, sempre rodeado.

Em 2007 quando toquei no Empório com minha banda, Vicente fez questão de subir e ver a passagem de som. Ficou quieto e disse: “parabéns, man! Guitarrrrra fala bonito!”.

No início do ano passei por uma cirurgia e fiquei quatro meses recluso em Barra Mansa. As pessoas me perguntavam se eu estava sentindo falta de tocar, de sair. Eu dizia, “sinto falta de mulher e da noite no Rio, estou com saudades do Empório, do Cervantes!”. Antes de mais nada, queria mesmo era visitar meu tio/padrinho que estava com doente e eu não pude vê-lo justamente quando seu estado piorou. Assim que o médico me liberou fui para o Rio e passei uns dias na em sua companhia.

Voltei pra Barra Mansa arrasado, aos prantos, com a imagem daqueles dias no hospital, e só quando aqui cheguei fiquei sabendo que o Vicente estava também com câncer. Programei mais uma visita a meu tio umas semanas à frente quando teria folga. Programei ir numa segunda, porém antes de partir chega a notícia do falecimento de meu tio. Passado uma semana, fui visitar meus parentes no Rio e num intervalo encontrei Vicente trabalhando no Empório. Seu rosto sinalizava que não estava 100%, o bar estava vazio, eu e meu amigo assim pudemos sentar e ouvir sua história, falava tudo com muita calma com sua voz característica, martelava: “o meu qui-mi-o-te-ra-peu-ta não está contente comigo”. Falou de tudo, falamos de outras coisas, falou de sua viagem à Europa e de como se divertira. Foi uma bela noite e um excelente papo.

Mais duas semanas se passaram e voltei ao Rio para mais uma visita aos parentes, depois uma passada no Empório e encontro o mesmo Vicente, trabalhando (isso tem três semanas). Entramos, ele sentado, demos um belo abraço e como eu estava com amigos, estes resolveram ir ao bar da frente para ver umas pessoas. Fui e disse ao Vicente que voltaria mais tarde. Não deu 20 minutos e Vicente foi embora, não esperou a noite encher (o Empório enche mais tarde) e o vi andando calmamente pela calçada em direção à Visconde de Pirajá. Caminhou normalmente. Dia seguinte eu teria de voltar à Barra Mansa e sabia que talvez não tivesse outra chance de vê-lo. Ele faleceu na semana passada e o bar agora se chama Empório Vincent.

Despedi-me dele naquele belo papo anterior. Um camarada ícone de minha estada no Rio (2002 a 2009); um lugar eterno na minha paixão pelo Rio de Janeiro; um rosto carinhoso de um cara mais velho que me identifiquei de imediato. Toda a coisa que o Rio perdera um pouco em termos de rock mantinha-se naquele ser de preto e olhar fulminante sobre qualquer um. Enquanto a noite comia em vários cantos do Rio, eu era feliz era no Empório.

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Comunidade em homenagem a Vicente no facebook:

https://www.facebook.com/orfaos.do.vicente

Vídeo em homenagem na última quinta-feira quando os frequentadores fecharam a rua:

http://vimeo.com/27692674

*Figurótico gastou mais da metade de sua energia no Rio, no Empório. E estranhamente nunca conheceu o dono, gerente ou coisa que o valha do bar. Só Vicente e umas garçonetes.