

Por Figurótico*
Tênis limpo, bermuda intacta, banheiro limpo. Alguma coisa deve ter dado errado na minha ida ao Rock in Rio IV no último domingo. Acostumado aos perrengues das outras edições, nesta voltei muito diferente pra casa. Pela primeira vez a palavra “cidade” fez sentido na descrição de onde se situa o Rock in Rio. “Cidade Nova do Rock” deveria ser o nome. Nova por realmente cheirar à nova. O piso de concreto e a grama sintética são como o quarto de sua casa: pode chegar e dormir de tão zerado que estão – sem exagero.
Não tinha empurrões, não tinha confusão, e acreditem: senti falta disso... Não tinha gente maluca, alucinada. Os anos de Rock in Rio Lisboa e Madrid realmente interferiram neste in Rio, na forma e no conteúdo. Fui preparado para a maior confusão e esta não estava presente. É certo que o fato de eu ter ido ao dia do Metal influiu em tudo isso – pelos amigos que estiveram nos dias anteriores, o do metal foi o mais vazio de todos.
Os comentários dos internautas foram claramente escritos por quem nunca foi num Rock in Rio, só neste. Reclamavam de fila, de furtos, de confusão pra pegar ônibus. Num dia de semana (sexta) onde o trânsito do Rio é caótico em qualquer canto a partir das 15 horas, o que se dirá em dia de Rock in Rio? (E não estamos em janeiro, como nos outros...). Não há vazão. Se o “Mixto Quente” em 86, só com artistas nacionais e que rolava aos domingos, atravancava o trânsito da zona sul pra chegar a Paria do Pepino em São Conrado teve de ser levado para a Praia da Macumba, o que dizer de um Rock in Rio? No meu caso, no domingo, foi tudo ótimo demais. Tudo certo.
Por que escolhi do dia do Metal? Por eliminação. Este está sendo um Rock in Rio onde se faz a ordem inversa: em vez de selecionar os dias legais, você elimina os “sem chance de ir”. E foi assim, será assim. No primeiro dia bastou o nome Claudia Leiite para me expulsar de lá. Rihanna e Kate Perry eu nem sei quem são. E Elton John não vale meu dinheiro. No segundo Nx Zero e Capital Inicial me espantam de qualquer evento. Mais do que as bandas, o público que irá vê-las, é o que mais me assusta... Vi um pedaço do Capital pela TV. Medo! A banda erra as próprias músicas (o baterista mais que os outros). O Dinho é um exagerado ao extremo. Sempre invocando “o Renato, o Renato”. Também pudera...
As três primeiras (e melhores) músicas do Capital foram presente do Renato e do Aborto Elétrico (no qual baixista e baterista do Capital formavam o trio): “Música Urbana”; “Fátima” e “Veraneio Vascaína”. E tome “véio, Du caralho, moçadaaa”. Ainda por cima pede insistentemente para que “levantem suas mãos para o alto” como num show de axé. Não dá. Basta ver se o Red Hot fica pedindo esse tipo de coisa. Aplauso não se pede.
Da primeira semana restou-me do dia do Metal. Vi Motörhead e Metallica de frente. As demais fui para a RockStreet (melhor lugar do Festival) refrescar-me de chope. Devo minha ida a esse dia a um de nosso administradores do blog, Geraldo Costa, por me vender os ingressos. Geraldo faz parte daqueles que não envelhecem: vai a quase todos os dias do Rock in Rio. Não aceito a desculpa de que “estamos velhos” pro Rock in Rio.
Mais do que as atrações, eu gosto de estar no evento; de ver gente na mesma intenção, de ver mobilização em torno do rock; de ver os ônibus do Rio estampados com o destino “ROCK IN RIO”; da cidade temporariamente deixar de falar de outros ritmos; de ver crianças atingidas (como eu fui) pela mídia, pelo falatório em torno da marca. Sou uma vítima dela. E fiquei feliz ao andar em Barra Mansa no dia seguinte, derrubado, com a camisa EU FUI e ver a molecada dizer: "caraca, ele foi". Em 85 eu dizia isso...
Retorno amanhã para Jamiroquai e Stevie Wonder. E ainda busco um ingresso para o último dia: aceito camaradagem de algum amigo. System of a Down promete.
*Figurótico é e sempre será Rock in Rio!











