segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Zappeando



• Por Geraldo Costa


GENOCÍDIO

É cada vez mais rotineiro o noticiário de que “um jovem bêbado em um carro importado, em altíssima velocidade, bateu / atropelou e matou um cidadão inocente”... E não fazem distinção: matam idosos, crianças, homens e mulheres. Só no ano passado foram mais de 40 mil mortos em acidentes de trânsito.
A lei no Brasil é frouxa, um incentivo ao “beba, corra, mate e pague a fiança”.
Graças a Deus, os meus estão são e salvos. Mas imagino a revolta de quem perde um familiar e vê o motorista dirigindo no dia seguinte...


VADE RETRO

As cenas dos últimos capítulos de Kadhafi são fortíssimas. É evidente que foi assassinado, sem chances de defesa. Da mesma maneira que matou milhares de líbios. Mas é claro que uma aberração não justifica outra.
Não posso ficar feliz com o assassinato de nenhum ser humano, nem mesmo Kadhafi, que de humano tinha pouco. Por outro lado, pela ficha corrida da figura, confesso que não perdi um minuto de sono.
Como bem disse nosso ateu mor convicto e praticante - Jorge Couto, que arda nos ‘quintos dos infernos’...


NONSENSE

O feriado de Finados - dia 02 de novembro, é bem peculiar, é verdade. Lembrar de mortos não é algo, como posso dizer, adequado para um feriado.
Muitos, principalmente os mais jovens, nem fazem ideia do que a data significa. É feriado, pronto e acabou. E só. Igual ao Carnaval, Semana Santa (outra data com sentido pouco conhecido), Dia da Independência ou da República. Dia pra não trabalhar ou estudar.
Da minha parte, há dez anos converso com o meu velho pai: agradecer e pedir desculpas ... Por tudo. Por nada.


DE MULHER PRA MULHER

Seria ridículo se eu não morasse em Barra Mansa. Como morador, me sinto (novamente) tratado como um idiota. A propaganda oficial querendo vender a vinda das Lojas Marisa como símbolo de desenvolvimento é lamentável. E o pior é que não é a primeira vez. Quem lembra da propaganda anunciando a espetacular loja de sorvetes do Mc Donald’s?
Constrangedor. Ainda mais com as perdas da Nestlé e da Lanlimp. Com os anúncios da Hyundai em Itatiaia e da Nissan em Resende. Com os anúncios das expansões milionárias da Peugeot em Porto Real, da CSN em Volta Redonda e da MAN (Volks) em Resende.
Daqui a pouco, vamos comemorar a “implantação” de um trailler ou de uma carrocinha de cachorro quente...


PADRÃO GLOBAL

A Rede Globo de Televisão anunciou sexta passada que comprou os direitos de transmissão da coqueluche esportiva do momento: o UFC.
Sei não... Pra mim, vão ‘sucatear’ a transmissão das lutas com aqueles resumos globais. Imaginem o Galvão Bueno transmitindo...


PARTIDÃO ALTO

E a faxina continua, ou quase... O PC do B falou grosso e só trocaram seis por meia dúzia, com direito a bravatas de fim de convênios com ONGs e um pouquinho mais.
E que ninguém fale do Agnelo. Neo companheiro barbudo, Governador do Distrito Federal, pós Roriz. Mais da mesma coisa...


2 FILHOS DE FRANCISCO

Quem me conhece sabe que adoro música, mas que detesto Funk Carioca e Sertanejo - universitário ou analfabeto. De raiz, até vai.
Quando organizei a Exapicor em Resende, tive a oportunidade de conversar com o Zezé di Camargo. Achei o cara gente boa. E confesso: adorei o filme.
Perto dessas duplas ‘universitárias mexicanas’ que aparecem às pencas mensalmente, são bem melhores ou menos piores, como desejarem.


R10 RATO

Ronaldinho Gaúcho protagonizou um dos leilões mais vergonhosos da história do futebol brasileiro. Fechou com o Flamengo por mais de um milhão de reais mensais, após trocar juras de amor com o Palmeiras e o Grêmio - time que o lançou. E a torcida do ‘framengo’ adorou, fingindo acreditar que foi uma opção pelo mais puro e ingênuo amor à camisa do jogador. Com direito à funk em sua apresentação.
A frase acima ‘R10 RATO’ foi pichada em vários muros de Porto Alegre, que recebeu o jogo “Framengo x Grêmio”, ontem, domingo. Pelo visto, a vingança veio em forma de goleada. E pior: aquele Ronaldinho é uma caricatura do de outrora.



LULA LÁ

Independente de qualquer relativização política, Lula é uma liderança importantíssima para o país.
Que seu tratamento seja rápido e vencedor.
A democracia brasileira e mundial agradecem.


MEU BRASIL BRASILEIRO

Como disse Tom Jobim: “O Brasil não é um país sério”. Pelo terceiro ano seguido, a lisura do ENEM está sendo questionada, devido ao novo vazamento de questões.
E o pior é que o Ministro Haddad é um pretenso candidato à Prefeitura de São Paulo. Deve ser uma tentativa de municipalizar o ‘know how’.


Geraldo Costa é pai de Gabriel e Guilherme Costa e filho de Edson Rodrigues Costa. Deseja uma boa semana a todos. Vivos e mortos.

domingo, 30 de outubro de 2011

Feitiço do Tempo


















Feitiço do Tempo

Por Valério Cortez


Não sei não, mas acho que eu já cruzei estes trilhos, na Duque de Caxias, algumas milhares de vezes.

Pra lá e pra cá. Pra lá e pra cá. Milhares de vezes.

Acho que já atravessei a Joaquim leite, de uma calçada a outra, mais vezes que o número de estrelas que há no céu.

Pra lá e pra cá. Pra lá e pra cá. Milhares de vezes.

E por esse Parque e suas preguiças, e por essa Ponte e seus arcos, quantas vezes já não passei?

Quantas vezes desci a Mario Ramos? Quantas vezes subi a Barão De Guapi?

Das duas uma; ou a cidade ta ficando pequena demais pro meu passo apressado ou ando me repetindo. Compulsivamente.

E esse é o problema, chega um tempo em que parece que a gente esta sempre se repetindo, sempre fazendo aquilo que já foi feito. Em tudo.

Não é por nada não, mas quantas vezes você acha que eu já entrei naquela padaria e pedi cinco pães bem branquinhos? E na banca da esquina, quantas vezes fui comprar o mesmo jornal?

Milhares, milhares de vezes.

Você tem idéia de quantas vezes eu já tirei e tornei a colocar a porra do carro na garage? Por dia? Por semana? Por mês? Por ano? Por essa vida inteira?

E tem sido sempre assim

TiraocarrodagarageengataaprimeiramarchapassapelapontepassapeloparquecruzaalinhadaDuquedeCaxiasatravessaaJoaquimLeitedesceaMarioRamossobeaBarãodeguapientranapadariaecompra5pãesbranquinhospassanabancaecompraojornalguardaocarronagarage. Ad Eternum.

Eu tô achando que o cara que ficou responsável pelo roteiro da minha vida, por algum motivo, só escreveu meia vida, e agora, estou sendo obrigado a inventar a outra metade.

Mas eu aprendi nos manuais de sobrevivência na selva, que o jeito mais fácil e seguro de se locomover em campo minado, é pisando sobre a marca de seus próprios passos. E é isso que eu tenho feito.

Na verdade, nada disso realmente me importa, eu só não gostaria de terminar a vida como um Fred Flintstone, velho e atormentado, gritando Yabba-Dabba-Doo pelas ruas da cidade.

Será que depois de tanto repetir minhas mentiras, elas já viraram verdades?


Um bom domingo a todos.

(Ta vendo? quantas vezes eu já não disse isso?)


Feitiço do tempo ou Groudhog Day é uma comédia romântica americana, filmada no início dos anos 90.

O filme é simplesmente delicioso e me emprestou, sem quer, o título para o texto de hoje.

Grato

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Família hei, Família há, Família....

A pessoa estava acostumada a ficar fora de casa umas 12 horas por dia, aí cortam as horas extras e de repente há um tempo livre que a pessoa ainda não sabe como ocupar. O erro mais fatal nesses casos é chegar em casa e ir pra frente da televisão. Pior do que isso é ir pra frente da televisão e ficar assistindo propaganda política.
Esta semana me deparei com uma propaganda política que achei bem preconceituosa.  Após um bate papo sobre o tema com uma amiga no Facebook fui procurar matérias na internet sobre a tal propaganda, mas ou eu não soube procurar, ou ninguém se manifestou sobre o tema ainda. O único que encontrei foi um post no blog consciência.blog.br que foi reproduzido em alguns outros sites "Homofobia velada: propaganda partidária do PSC só reconhece um tipo de família como verdadeiro".
Apoio com veemência a importância da família no desenvolvimento de qualquer pessoa, mas não concordo que família tem que ser apenas a equação pai+mãe=filhos. Essa idéia de que a família nuclear ainda é o modelo de felicidade e de salvação da sociedade não tem mais cabimento em nossa realidade. É no mínimo hipócrita.

Reproduzo abaixo o texto de Robson Fernando de Souza, por sintetizar meu ponto de vista sobre o tema:


"Homofobia velada: propaganda partidária do PSC só reconhece um tipo de família como verdadeiro

Os vídeos abaixo estão causando furor pela internet, em especial pela categoria diretamente afetada por eles – os LGBT. O vídeo abaixo, que é um trecho do programa partidário obrigatório do PSC (Partido Social Cristão) da última semana, coloca esse partido como inimigo dos direitos LGBT e do reconhecimento de formas alternativas de família que não a família nuclear heterossexual:

Outro vídeo, que por sua vez é uma inserção de 30 segundos no meio dos comerciais das emissoras, reitera esse discurso, recorrendo também à paranoia:


Bem que o PSC tentou se dizer bonzinho em outras causas políticas, mas, como todo partido conservador cristão, teve que apelar a uma forma velada de homofobia, ao colocar, entre os 9:01 e 9:17 da sua propaganda partidária da semana 9-15/10/2011 e na sua inserção partidária do vídeo acima, uma censura velada a formas de família que sejam diferentes da tradicional família nuclear heterossexual (homem+mulher+filhos).
É de se questionar: por que não constituem família:
mulher solteira ou viúva + filho(s) + amor?
homem solteiro ou viúvo + filho(s) + amor?
avó + neto(s) + amor?
avô + neto(s) + amor?
tio + sobrinho(s) + amor?
tia + sobrinho(s) + amor?
homem + homem + filho(s) + amor?
mulher + mulher + filho(s) + amor?
E por que querer que aceitem outras formas de família é encarado como “censura” e “imposição”?
O único “argumento” que eles têm é o puramente religioso – “Deus fez homem e mulher, blablablablabla” -, usando-o na presunção do falso direito de, com sua religião pessoal, intrometer-se na vida de quem não compartilha de suas crenças.
PSC, não adianta se portar como bonzinho em tantos outros assuntos se vocês não são partidários também da tolerância e da diversidade sexual e familiar.
É um motivo de vergonha que a categoria de políticos-pastores seja geralmente muito mais conhecida por seu ódio ao diferente que divirja dos dogmas cristãos e pelos escândalos de corrupção do que pelos esforços pela educação, saúde, segurança, ética na política, habitação, meio ambiente, mudanças sociopoliticoeconômicas etc."


Dielena, acredita na importância da família, mas é contra a lavagem cerebral com esse conceito reducionista de família que estão tentando fazer na tv.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A VOZ DO DONO

Por Jorge Couto

Como em qualquer outro ramo de atividade o jornalismo tem bons e maus profissionais. Exemplo do primeiro tipo é Alberto Dines. Com mais de 50 anos de carreira jornalística, Dines foi o fundador e diretor de diversas revistas no Brasil e em Portugal. Durante toda a ditadura militar (e civil) foi um resistente nas páginas do antigo Jornal do Brasil, que ele dirigia naquela época. É também um excelente escritor, autor de um apreciável número de livros, onde esbanja erudição e cultura. Um bom exemplo é o seu livro sobre Stefan Zweig (Morte no paraíso, a tragédia de Stefan Zweig). Criou o sítio “Observatório da Imprensa”, dedicado ao acompanhamento da mídia, que hoje conta com versões no radio e na TV.

Outro exemplo de bom jornalista é Mino Carta. Italiano de nascimento, chegou ao Brasil em 1946 com 13 anos de idade, adotando a cidadania brasileira posteriormente. Como Dines, é também escritor, além de pintor. Dirigiu inúmeras publicações importantes, tais como: Quatro Rodas, o Jornal da Tarde, Veja, IstoÉ. Atualmente, é editor de redação da revista Carta Capital.

O motivo da lembrança destes dois verdadeiros “dinossauros” da nossa imprensa – certamente existem jornalistas jovens e talentosos, mas creio que os dois citados são por todos conhecidos – é muito simples: ambos dignificam esta profissão tão aviltada no nosso país. Não se comportam como penas de aluguel. Não mistificam seu trabalho com a falácia da imparcialidade.

A atividade jornalística nunca é imparcial, nunca deixa de ter sua parcela de subjetividade. Quando alguém coloca uma vírgula numa folha de papel em branco, já está sendo parcial e subjetivo. Então qual seria a linha divisória entre o acontecimento real em pauta e a subjetividade do profissional de jornalismo? Espera-se que o bom e honesto jornalista seja fiel a verdade dos fatos, descrevendo-os como eles realmente ocorreram, investigando a veracidade dos fatos e das diferentes versões. Que o jornalista tenha sua própria opinião, suas preferências, é natural e pode até ser saudável. Mas isto deve ser deixado claro para quem o ouve, vê ou lê. Cito dois exemplos.

O poderoso New York Times nas últimas eleições nos EUA, declarou em editorial o seu apoio ao candidato Barak Obama. Em nosso país, Carta Capital sempre deixou explícito o seu apoio às candidaturas Lula e Dilma. Portanto, nada de fazer pose de imparcial. O eventual leitor sabe que aquela publicação simpatiza e apóia uma determinada candidatura e sua linha político-ideológica. No entanto, a tomada de partido não exime o jornalista ou órgão para que ele trabalha, de ser fiel à verdade factual.

O canal de TV por assinatura “Globo News” (que belo e sugestivo nome!) tem apresentado nos intervalos de sua programação, depoimentos de vários de seus profissionais de jornalismo, todos conhecidos pelo público. É voz geral e unânime a satisfação que aqueles profissionais dizem ter em trabalhar naquela emissora, apresentada como imparcial e livre de compromissos, salvo com a verdade, é claro. Para mim isto soa como deboche. Fico me perguntando se eles são idiotas ou se consideram os telespectadores como tal.

Nada é mais falso do que esta pretensa imparcialidade da mídia brasileira, em especial os grandes veículos de comunicação. O oligopólio da comunicação no Brasil é tão parcial quanto antigo. Defende hoje, como fez no passado, os seus próprios interesses e os de sua classe, sempre camuflados sob o manto da imparcialidade.

O professor Emir Sader publicou em seu blog um artigo intitulado “O vocabulerolero da velha mídia”, que como o título já sugere, indica como perceber o real significado de palavras e frases na velha mídia. Reproduzo algumas delas.

“Quando dizem liberdade de imprensa, querem liberdade de empresa, das suas empresas, de dizerem, pelo poder da propriedade que tem, de dizer o que pensam”.
A chave está em fazer passar o que pensam pelo interesse geral, pelas necessidades do país. Daí que nunca fazem o que deveriam fazer. Isto é, dizer, por exemplo: "A família Frias acha que...” Ou: “ A família Civita acha que...”e assim por diante.

A arte da manipulação reside em construções em que os sujeitos (eles) ficam ocultos. Usam fórmulas como:”É mister”,”Faz-se necessário”, “É fundamental”, “É indispensável”.

Eles, os donos das empresas, sempre tentam passar a idéia de que falam em nome do país, do Brasil, da comunidade, de todos, quando falam em nome deles.

Quando dizem “fazer a lição de casa”, querem dizer, fazer duro ajuste fiscal. Quando falam de “populismo”, querem dizer governo que prioriza interesses populares. Quando falam de “demagogia”, se referem a discursos que desmascaram os interesses das elites, que tratam de ocultar.

Quando falam de “liberdade de expressão”, estão falando no direito deles, famílias proprietárias das empresas monopolistas da mídia, dizerem o que bem entendem. Confundem liberdade de imprensa com liberdade de empresa – as deles.

Quando falam de “governo responsável”, é aquele que prioriza o combate à inflação, às custas das políticas sociais. Quando falam de “clientelismo”, se referem às políticas sociais dos governos.

Quando falam de “terrorismo”, se referem aos que combatem ou resistem a ações norte-americanas.”Sociedades livres” são as de “livre mercado”. Democráticos são os países que tem “imprensa livre”, isto é, imprensa privada.

“Democrático” é o país aliado dos EUA. Totalitário é o inimigo dos EUA.

Quando dizem “Basta” ou “Cansei”, querem dizer que eles não aguentam mais medidas populares e democráticas que afetam seus interesses e os seus valores”.

Eu acrescento um exemplo que, de tão freqüente, poucos reparam na malícia da coisa. Quando há uma notícia desfavorável de algum país considerado inimigo como, por exemplo, Cuba, ela é sempre apresentada da seguinte forma: - o governo comunista de Havana... No entanto nunca ocorre da notícia ser apresentada desta maneira quando isto não interessa, como seria o caso: - o governo capitalista de Londres ordenou o bombardeio de...

Existe um pequeno vídeo na Internet que foi feito em algum restaurante em São Paulo, onde na cabeceira da mesa está Mino Carta numa conversa descontraída. Então, ouve-se a voz de um dos convivas sugerindo que Mino Carta escreva a história da mídia nacional. O velho jornalista comenta que seria uma história muito triste, pois a mídia brasileira sempre foi a voz do patrão em defesa de seus próprios interesses.

Não há como discordar.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Batatinhas pirulitos e rock and roll

Batatinhas pirulitos e rock and roll



Por Alex Frederick



Em tempos de Steve Jobs (guru para quem precisa de guru), da ainda quase queda de ministro, patrocinado por denuncia da revista veja, e o novo velho horário de verão, o blog Estação BM vive seu segundo grande inferno astral ou a síndrome de final de ano.
Da primeira vez, no final do ano passado, depois que muitos de seus articulistas saíram do blog, cansados do fardo de um texto semanal, o Estação numa ação providencial entrou em férias coletivas. Prometendo voltar assim que pudesse.
Naquela ocasião, ficou-se uma sensação de morte prematura.
Refeito, renascido e revigorado com a presença de novos articulistas e prometendo vida longa aos seus fiéis leitores a reboque de uma profissionalização em sua administração, o Estação com perdão ao trocadilho, entrou nos trilhos e reiniciou sua nova temporada.
Recordes de postagens foram batidos. Uma grande presença de público feminina nunca vista antes foi notado. Não se sabe ainda se por interesse nos articulistas ou nos textos propriamente dito. Assuntos polêmicos foram tratados,outros nem tanto.O Jorginho continuou sendo o alvo preferido dos anônimos ,porém continuou afiado em seus argumentos e em sua defesa.O Valério, mistura de Paulo Coelho com Arthur Xexeo e o Vinícius continuaram a ser os queridinhos do blog.O Rock and roll continuou sendo o ritmo que dá a medida do gosto de grande parte de seus articulistas,e por aí vai...
Mas como a coisa parece ser cíclica, estamos novamente ao final de mais um ano, e ao que parece no limiar de nova crise.
Diferentemente da crise anterior, onde a cada saída de articulista, era precedida de texto de despedida e juras de eterno amor, esta ao contrário, não tem despedida. Alguns articulistas, acometidos talvez pela síndrome de TIM Maia,simplesmente não aparecem.São como funcionários públicos fantasmas,que só aparecem para receber os créditos.
É claro que o Estação é apenas uma página que habita o mundo virtual, e que talvez não seja para ser levado tão a sério assim.
Gosto de escrever sobre a realidade dos fatos. E a realidade virtual dos fatos do blog estação BM,parece ser esta.
Talvez seja hora para se pensar novamente em férias coletivas... ou não.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Trampo Duro - Parte 2

* por Jefferson Sarmento

Anteriormente em Trampo Duro... o marido com cara de panaca entra no bar de Erik e pede a ajuda dele para encontrar Pattie, sequestrada por homens do cruel bicheiro com ares de Don Corleone. Aí...

(Parte 2: Quando as lembranças ruins daquele dia chuvoso na estação me fizeram baixar a guarda e ouvir o clic do revolver bem no pé do meu ouvido direito)


É claro que meu coração falseou uma batida quando aquele traste me disse aquilo tudo. Mas, sabe, eu sou desses que jamais dá o braço a torcer. Não para ele. Pra ninguém, na verdade, mas muito menos para ele. No fim das contas, aquela Ameba Saltitante ficou com a garota. E eu ainda espero que ele se contente com isso, mesmo quando acorda à noite, olha para o lado e vê que ela tem um sorriso no rosto. Ele sabe, sempre soube, com quem ela está sonhando.
Seja como for, eu prefiro pensar assim.
Por isso, quando ele se levantou para ir embora e, da porta, lançou aquele olhar desesperado, traguei meu cigarro levemente e acenei com a ponta dos dedos para que ele fosse embora. O desgraçado deve ter imaginado que eu era uma pedra de gelo, que eu não faria nada com seu pedido.
Dois minutos depois, perguntei ao Sam se o traste já havia virado a esquina.
– Sim, Erik.
Assim, tomado por um senso de urgência só comparado ao pecador tentando escapar do Tisnado em casco e chifres, levantei-me e resolvi agir. Pattie estava há tempo demais nas mãos daqueles patifes. O desgraçado deixou passar uma semana inteira para me procurar.
...
Havia um lugar, uma pessoa apenas que poderia me falar de Emílio Vidigal e de Qwatzuam ao mesmo tempo. Posso dizer que saber disso era uma dessas sortes que o destino escreve com a ponta de uma navalha, riscando risos sarcásticos em troncos macios. O problema era que eu já havia... como posso dizer isso de uma maneira branda?... eu já havia estragado as coisas com essa pessoa e só me restava ir até o lugar e... esperar encontrar alguma coisa.
A casa ficava na Praia Nobre, nome bacana para um lugar de bacanas. Você passa por uma guarita com um guarda mal encarado para entrar naquela plantação de casarões à beira da enseada. Nada difícil se você conhece o gosto por gim barato que o pobre diabo alimentou por todos esses malditos anos levantando e abaixando aquela cancela pintada de zebra.
Dirigi até a rua de trás da casa e decidi caminhar até o muro dos fundos. Fazia uma noite fresca e as crianças ainda brincavam na rua. Torci para que não houvesse ninguém na casa e fiquei feliz feito um garoto com uma revista nova no colo quando percebi todas as luzes apagadas. Saltei o muro baixo e me perdi pelo jardim. Encontrei a porta da cozinha fechada. Nada difícil.
Dentro da casa, segui para o escritório. As coisas não tinham mudado muito, desde minha última visita. Só esperava não ter que sair dali às pressas outra vez. Aquele tiro quase acertou meu traseiro na curva da esquina...
A coisa boa com sujeitos organizados é que só precisamos de alguns instantes para achar o padrão. Você pode dar uma olhada na gaveta de cuecas do engomadinho e logo nota a sequencia de cores. Desse modo, não foi difícil encontrar o arquivo com a pasta de Emílio Vidigal e aquele outro sobre a obra embargada na praia esquecida de Qwatzuam. Eu estava saindo com meu butim sob o braço direito quando percebi a foto sobre a mesa central. Parei. Peguei o porta retrato. Fiquei admirando aquela mulher magnífica em seu meio sorriso morrendo no canto dos lábios carnudos, o rosto inclinado, sereno, doce como uma gata siamesa ronronando aos pés do dono, pedindo um carinho e um pires de leite.
Meus olhos caíram um pouco até o decote do vestido na foto de busto escondido pelo braço coberto. O anel de casada algemava seu dedo médio da mão que não aparecia na foto. Mas em seu pescoço eu podia ver o colar de brilhantes que o marido lhe dera na noite de núpcias. Lembrei-me imediatamente do motivo de ter saído às pressas daquela casa na última vez.
Deixei a foto sobre a mesa e me precipitei pela sala para dar o fora. Naquela outra noite, mil anos atrás, eu havia me atrasado. Eu estava bêbado. Eu estava molhado de chuva. E cheguei na hora errada. O problema com os bêbados é que eles não percebem as coisas de pronto e a língua, em geral, é mais frouxa que saia de biscate. No mundo em que vivemos (e creio que em nenhum outro) você não pode passar a tarde esperando a mulher de sua vida numa estação de trem, tomar um bolo e ir querer chorar as mágoas com uma garrafa de Bourbon no colo de sua amante casada com o promotor...
Principalmente se o promotor estiver em casa.
Sim, eu tinha passado aquela tarde na estação, esperando por Pattie. Íamos dar o fora daquela enseada maldita. Pegaríamos o trem das onze para o Rio de Janeiro e viveríamos de amor até secar na cama. Eu tinha um riso besta, do tipo que os homens têm quando se apaixonam (o sorriso é sempre besta), e dois tickets marcados com o carimbo daquela senhora simpática no guichê, que ouviu maravilhada sobre nossa linda estória de amor... Mas às nove da noite, quando o último trem partiu, eu meio que percebi que Pattie não viria. Assim, resolvi entregar meus centavos no primeiro botequim que surgisse. E, bêbado, decidi visitar a casa do promotor, mesmo depois de contar para Gilda que eu não a veria mais porque estava deixando a cidade com  outra.
Mulheres traídas costumam ser cruéis...
De volta ao presente... Eu já estava de saída, meio perdido naquelas lembranças miseráveis, quando escutei o click bem perto da minha cabeça. Era um click de revólver engatilhando. Conheço um a quilômetros de distância. Imagine bem dentro do meu ouvido direito. Porém, antes de me virar e encarar o promotor que teria todos os motivos e desculpas possíveis para me passar desta para... outra vida (possivelmente nada melhor), o pow explodiu na minha nuca.
Era o fim.

(não, ainda não é o fim, continua)

* Jefferson Sarmento ainda não sabe aonde é que vai dar essa coisa, mas confia no instinto e torce para ela ter fim na semana que vem.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Onda




por Carlos Vinicius Rosenburg*

No último sábado, peguei um filme que estava na minha lista de pendências cinematográficas: o alemão “A Onda”, produção de 2008, com direção de Dennis Gansel.

A película narra a história de Rainer Wegner (muito bem interpretado pelo ator Jürgen Vogel), um professor do ensino médio, amante de punk rock, visto com desconfiança por seus pares mais conservadores, que fica incumbido de ensinar aos alunos o tema autocracia – seu desejo era lecionar sobre anarquia (óbvio para alguém com origem punk), mas esta matéria acaba nas mãos de um professor conservador.

Para despertar o interesse da turma, Rainer propõe que os alunos façam uma experiência, para entenderem na prática como surgem as ditaduras, o autoritarismo, o fascismo, a cegueira das multidões. Para tanto, os alunos devem criar um grupo fictício, com um líder (o próprio professor), um símbolo, um uniforme, um nome e uma saudação. Tarefa dada, tarefa cumprida. Batizada como “A Onda”, o grupo cresce e sai dos domínios daquela classe, ganha o colégio (inclusive as crianças) e as ruas (com pichações, panfletos e adesivos).

Porém, a coisa começa a ficar séria demais: os que não fazem parte do grupo passam a não ser aceitos, são perseguidos, insultados e excluídos - em especial, duas alunas da classe original que não aceitaram fazer parte da experiência. Resumindo: a questão ficou fora de controle, com exacerbação da violência (física e psicológica) em relação aos “de fora”. O filme segue e tem várias cenas boas, chegando ao ápice nas discussões acontecidas no auditório. Se você quer saber mais, pegue o DVD, pois eu não vou estragar a curiosidade daqueles que querem ver o filme.

Por fim, um detalhe perturbador: o roteiro é baseado em fatos reais.

O grande mérito da produção germânica é mostrar como as maiorias podem ser perigosas, principalmente quando têm suas ações justificadas por discursos vazios e cheios de retórica, que costumam silenciar minorias. E como boas intenções podem transformar-se em violência, brutalidade e insanidade. Porque aceitar o outro, o diferente, o pensamento discordante, é um dos exercícios mais difíceis da nossa existência.

A pretensão de ser portador da verdade única, do saber absoluto, longe de ser algo saudável, mostra apenas uma doentia vocação para a ditadura e o desprezo pelo outro. E esse outro, queiramos ou não, tem o direito de ser ouvido. Quando juntamos no mesmo caldeirão as multidões, um líder carismático, um discurso de unidade e um motivo, as regras e os outros tornam-se meros detalhes. Os resultados são bem conhecidos.

*Carlos Vinicius Rosenburg tem 39 anos, é analista judiciário do TJRJ e abomina pensamentos totalitários

sábado, 22 de outubro de 2011

Ligando os pontos


Ligando os pontos
                               Por Renata Klotz*


Eu acho engraçado como às vezes do nada, a gente ouve alguma coisa que faz tanto sentido que dá vontade de berrar. Não é sempre que acontece, verdade seja dita.No geral a maior parte das coisas que a gente escuta é  no mínimo irrelevante e no máximo uma sandice abjeta.Faz parte.

Eu fiquei muito feliz esses dias quando ouvi uma coisa na televisão(!?!) que pra mim fez todo sentido.Foi um discurso do Steve Jobs que foi apresentado em homenagem à morte do mesmo.Fiquei muito impressionada mesmo.O cara foi um gênio,um visionário,modificou a história do mercado multimídia (computadores,celulares,mp3,filmes em 3D junto com Disney) ,ganhou milhões de dólares, deu sua contribuição ao mundo,com toda certeza.

E esse mesmo cara ,discursou em uma faculdade  de prestígio (Stanford) para os formandos e falou não principalmente sobre os seus feitos como homem de negócios,mas sobre as suas descobertas como ser humano, como homem.

Em como ele estava lidando com a sua doença e em como ele via a sua trajetória de vida até aquele momento.Contou como ele fez  escolhas incomuns e em como isso o ajudou muitos anos lá na frente.Ele chegou a citar que o fato de  como ele não ter se formado e ter feito cursos estranhos e aparentemente desnecessários, tinha feito toda a diferença em sua vida, modificado o seu destino e sido a base para os primeiros programas de computador que criou.

E então ele disse uma frase realmente tocante:-

-“Você não consegue ligar os pontos olhando pra frente; você só consegue ligá-los olhando pra trás. Então você tem que confiar que os pontos se ligarão algum dia no futuro. Você tem que confiar em algo – seu instinto, destino, vida, carma, o que for. Esta abordagem nunca me desapontou, e fez toda diferença na minha vida.”

Confesso que fiquei emocionada com essas palavras. Quem de nós já não tentou ligar os pontos em vão? Quem pode dizer em sã consciência que entende perfeitamente os rumos que a sua vida toma ou tomou, em algum momento?

Acho que ouvir um homem como esse nos ajuda a refletir sobre a vida.Então,sem mais delongas,transcrevo pra vocês parte do discurso :


Você tem que encontrar o que você ama

“Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos.

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo
uma menina.

Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: "Apareceu um garoto. Vocês o querem?" Eles disseram: "É claro."

Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo.

Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.

Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.

Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.

Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.
Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog.

Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:
"Continue com fome, continue bobo."

Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.”



*Renata tem 34 anos e está começando a aprender a ligar os pontos.



**Eu gostaria de transcrever o discurso todo, mas infelizmente é muito grande para o blog. Vocês podem encontrá-lo na íntegra em http://pensador.uol.com.br/autor/steve_jobs/.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Para Prefeito HELENO GUANABARA


“Com a minha fé e as fezes de vocês, ganharemos as eleições”.

Caros leitores, a maior prova de que nem todo mundo nesta cidade é um fariseu bundão e escroto, foi o honroso convite que recebi para me lançar candidato a prefeito deste hospitaleiro fim de mundo.
O convite partiu de uma numerosa comitiva de nativos que tive o prazer de receber em minha suíte no Grande Hotel.
A comitiva, capitaneada pelo Sr. Pepe Legal, ilustríssimo Presidente da Associação de Moradores do Morro do Sabão, na Vila Nova, era composta de empresários, políticos, Pais de Santo, intelectuais, vendedores de CD/DVD, Pastores Evangélicos, piriguetes, pinguços e alguns músicos desempregados.
Na oportunidade, além do convite à candidatura, recebi também uma pauta de reivindicações e sugestões para o nosso futuro governo.
Aproveitando a oportunidade, pude reafirmar a todos os presentes, a seriedade de minhas propostas e a minha condição de homem incorruptível, que, diferentemente de muitos políticos que andam por aí, não tem por habito carregar dinheiros em meias e cuecas.
Disse a eles: Em minhas meias levo apenas meus calos e minhas frieiras e em minha cueca, a pemba e os culhões.
E como forma de demonstrar a minha retidão de caráter e de propósitos, comprometi- me a viver, durante todo o período de meu mandato, única e exclusivamente de meus proventos. Os “por fora” e os “por dentro” é claro.
Ao final do encontro, já tocado por um turbilhão de sentimentos e comichões, decidi com meus pares que, a melhor forma de demonstrar à população, nossa intenção de promover uma campanha limpa e de não utilizar os cargos de nosso futuro governo, como moeda de troca para angariar apoios, seria que, como primeiro ato de nossa campanha, anunciássemos os nomes daqueles que irão compor o nosso futuro secretariado. O que passo a fazer neste exato momento.

Secretaria de PlanejamentoAltino Pena
Secretaria de TransporteMazaroppi da Carroça
Secretaria de SaúdeJoel Raizeiro
Secretaria de EducaçãoMaria da Glória (ela mesma)
Secretaria da Agricultura HidropônicaPaulo Emilio Tardem
Secretaria dos Direitos da MulherTaí
Secretaria de Comunicação- Marquinho Imprensa
Secretaria de GovernoEpaminondas Guanabara
Secretaria de ObrasAdão Alves de Melo
Secretaria de Segurança- Gibi
Secretaria de CulturaMarco Poeta
Secretaria de Esporte e LazerEurípedes Guanabara
Secretaria de AdministraçãoGirão da Várzea das Oficinas
Secretaria do Desenvolvimento ComercialMônica da Empada
Secretaria da Infância e da JuventudeMatusalém Guanabara

Que fique claro, nosso governo não seguirá à direita nem à esquerda, mas sim, para frente e para o alto.
Companheiros, eu ainda não sei ao certo o que posso fazer por Barra Mansa, mas já sei muito bem o que Barra Mansa pode fazer por mim.

Até a vitória
Heleno Guanabara

O Heleno Guanabara Pensa, logo existe.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Metralhadora Giratória



• Por Geraldo Costa

Tá Pegando…

Há muitos anos, o campeonato brasileiro não esteve tão disputado e equilibrado. Se acabasse hoje, os 4 clubes do Rio estariam na Libertadores. Só não sei se os times cariocas estão tão bem assim ou se o nível dos outros times é que está baixo...


Varre, varre, vassourinha

Pelo visto a bola da vez é o Ministro dos Esportes - Orlando Silva. Pelo visto, mais uma vez Dilma não sabia de nada. É o famoso circo dos cegos e surdos. Mudos não são... E tapioca nos olhos dos outros é refresco...


O egoísmo em tempos de cólera digital...

As convocações para manifestações contra a corrupção na internet, embora importantes e com bastante mídia, têm até agora, se mostrado bastante ineficiente. O que tem de neguinho confirmando ida a eventos e movimentos e cagando e andando é uma barbaridade...


A Ferro e Fogo
Sei não... Com a chegada da Hyundai e da Nissan, a região Sul Fluminense vai acabar virando o novo ABC. Lá surgiu o sindicalista Lula. Nesses nossos tempos, com os sindicatos completamente cooptados, o surgimento de outro Luiz Inácio é bastante improvável.


A gente não se vê por ali...

Ridícula a atitude da Globo em praticamente ignorar o Pan de Guadalajara. O discurso de isenção é lindo, mas o que vale mesmo é a concorrência. E por outro lado, cá entre nós, a transmissão da Record não está legal... Viva Cielos, Pereiras e Hoyamas. Heróis improváveis.


Logo ali...
Fiquei impressionado com a estrutura do Piraí Fest. Grandes shows, palcos alternativos e muita gente bonita e feliz. Um evento digno do aniversário da cidade. Enquanto em Barra Mansa, comemoramos mais um ano, ao som dos espetaculares Naldo e o grupo Molejo, maciçamente divulgados em outdoors e busdoors. Não vivemos em uma cidade séria...


Assédio Econômico

O preço das impressoras caíram vertiginosamente, é verdade. Mas os preços de cartuchos são abusivos e penaliza os consumidores responsáveis que não querem usar falsificações ou sistemas de recarga. E não tem pra quem reclamar. Ou você é explorado ou parte pra ilegalidade.


Presente de Grego

O dominó financeiro está balançando a “pecinha” da Grécia. Já tem banco achando melhor “entubar” milhões (ou será bilhões) de dólares de prejuízo do que fragilizar ainda mais o sistema econômico mundial. O Brasil tem que ficar muito atento para não entrar no olho do furacão.


Coisa de Maluco
No final de semana que vem, milhares (ou seria milhões) de jovens estudantes, entre eles meu filho mais velho, farão a prova do ENEM, vestibular para as várias universidades desse país. Cada ano muda a regra, fora as acusações de vazamentos. Os estudantes começam o ano sem saber como vai ser a avaliação. Antes da prova, já são vencedores dentro desse universo de bagunça.


Hermano e Ecológico
As cenas dos próximos capítulos são os shows do Fito Paez em La Plata e o SWU. Quem se habilita?


Geraldo Costa é pai de Gabriel e Guilherme Costa. Pede desculpas pela postagem de seu texto, mas tinha perdido a bateria de seu laptop. Está frustrado por não ter conseguido dar os parabéns ao seu amigo Dario Aragão. O faz por aqui.

Trampo Duro


* por Jefferson Sarmento

(Parte 1: Quando aquele traste entrou no meu bar e esfregou minhas feridas como se quisesse limpar as manchas de batom que Pattie deixou na gola da minha melhor camisa)


Fiquei um tempo sem tocar o blues quando o velho Jack morreu. Isso foi em 2003, naquele beco, nos fundos encardidos da Boca do Inferno. Numa noite só eu perdi meu melhor amigo e... Bem, não posso dizer que tenha perdido a mulher da minha vida. Eu nunca a tive. Nem por isso deixei de amá-la.
Seja como for, como o próprio Jack dizia, não é a gente que escolhe o ofício...
E ele estava certo. Muito mais do que poderia imaginar. De forma que hoje divido meu tempo entre o bar, o blues e... e o meu trabalho de verdade.
Sou pago para... encontrar e recuperar coisas. Embora você possa pensar que essa é uma expressão bem abrangente, preciso que entenda, meu bem, que ela não consegue explicar de fato os detalhes do meu... serviço.
A maioria das pessoas pensa no trabalho como um peso que tem que carregar, um fardo que deve suportar entre um fim de semana e outro. Eu, por outro lado, gosto do que faço. E eu sou bom nisso. Tenho... como posso dizer?... um dom para a coisa!
Sim, eu gostaria de dizer que o bar me dá o dinheiro que preciso para o meu sustento. Mas isso seria mentir. Seja como for, quando as coisas ficam feias, é Robert Johnson quem vem me acalmar os nervos e me lembrar:
Eu não vou pro inferno sozinho.
...
Em geral, eu mantenho meu trabalho de verdade longe do bar. Não é uma questão de estilo, é uma escolha racional. Não gosto de misturar trabalho e diversão. Seja como for, também não sou o tipo de sujeito afeito a regras. Nem as minhas próprias. De forma que... não sei exatamente qual dessas regras quebrei ou não naquela noite, mas me lembro perfeitamente de ter deixado o cigarro na beira do balcão para preparar o velho Johnny como eu gosto; duas pedras de gelo e doze segundos com o gargalo seriamente intumescido na direção do inferno. Já estava terminando quando o Sam veio me avisar:
– Erik, aquele cara na porta tá procurando você.
Levei alguns segundos pra reconhecê-lo. O sujeito parecia saído de um filme de terror. E ele não era o mocinho da estória. Era o coitado que vivia morrendo de medo e morria no final, comido e vomitado pelo Frankenstein. O traste na entrada do bar podia até não estar morto, mas assim parecia – mastigado e escarrado pelo pimpolho da Mary Shelley. Mandei servir-lhe um drink, por minha conta. O indivíduo disse que não bebia. Dá pra acreditar? Mandei trazer uma água mineral.
– O Antero disse pra eu procurar você – ele disparou, entre ofegante e desesperado. Fiz sinal para que se sentasse. O coitado quase derrubou a cadeira e caiu de costas.
Hotel Ribalta, final dos anos 90. Década interessante. Naquele tempo eu ainda tinha sonhos. Naquele tempo eu achava que ia redimir o mundo com meu sorriso e minhas paixões. Eu achava que podia tocar blues a noite toda e ainda apreciar o nascer do sol no alto das pedras que ficam no final do cais, tendo minha garota do lado e uma taça com Martini na outra mão. Como eu era idiota!
Lembrei do Antero. Lembrei de outras coisas também.
– Achei que ele estivesse nos confins do Amazonas a essa altura, fugindo da própria sombra – estranhei...
– Ele vive na Baía do Diabo, numa traineira ancorada na vila dos pescadores.
– E por que ele mandou você me procurar?
– Ele disse que... só você pode me ajudar.
– E por que eu faria isso?
– Pattie foi raptada.
Fiquei em silêncio. Mudo. Fiquei olhando praquele verme; aquela ameba saltitante. Não consegui desviar os olhos dele. Minha vontade era agarrá-lo pelo colarinho e fazer com ele o que deveria ter feito há muito... Um ou dois so. Nada que o dentista não pudesse dar conta em quatro ou cinco consultas. Conheci muita gente na vida, é verdade. Mas havia apenas uma Pattie. E, não fosse por ela, eu não me culparia até hoje por ter deixado Jack Seis Dedos morrer sozinho naquele beco escuro que o pessoal de Cerro Calina batizou carinhosamente de Boca do Inferno. No fim das contas, a garota estava viva, mas preferiu ir pra casa com aquele... Como ela podia?!
– Não entendi ainda por que o Antero mandou você me procurar. Procure a polícia.
– A polícia não quer me ajudar porque... porque o Emílio Vidigal está envolvido.
Levantei a sobrancelha esquerda. Não foi voluntário. O que era um mau sinal.
– O que houve com Pattie? – consegui perguntar.
– Recebi apenas este bilhete – ele me entregou um pedaço de papel. Estava escrito:
Ruínas de Qwatzuan. Terça. Oito horas. Leve o testamento.
– O que isso quer dizer?
– Fui designado para o inventário de um alemão chamado Hans Lutwig, dono de algumas terras entre a Enseada dos Novenos e a Baía do Diabo...
– Qwatzuan.
– É. Mas está tudo abandonado desde a tempestade de 2003. Tentaram construir um hotel novo por lá, mas o empreendimento faliu. O alemão faliu junto. Morreu há um ano. Assim que o juiz me designou como inventariante do espólio, comecei a receber ligações.
– Que tipo de ligações?
– Ameaçando a mim e a minha família se eu não destruísse o testamento. Na semana passada, Pattie me ligou de casa e disse que um homem estava lá e queria falar comigo. O homem disse... disse... estamos levando sua mulher. E desligou. Voei para casa e, quando cheguei, encontrei o bilhete preso na geladeira. Graças a Deus as crianças estavam na escola.
– Hoje é quarta-feira. Você foi a Qwatzuan?
– Fui. E, mesmo sabendo que perderia minha licença e poderia até ser preso, levei o testamento. Eu só queria Pattie de volta. As crianças... as crianças estão desesperadas e...
– Me poupe do dramalhão. O que houve em Qwatzuan?
– Três homens apareceram e me derrubaram. Levaram o testamento e eu não tive notícias de Pattie.
– Como sabe que o Emílio está envolvido?
– Consegui ver a placa do carro em que os três homens fugiram. Levei para a polícia. E eles me mandaram simplesmente ir embora. Liguei para um amigo meu no Departamento de Trânsito e ele confirmou que o carro está no nome... do vereador Rioverde.
Soprei o ar desanimado. Darci de Rioverde era irmão da mulher do bicheiro Vidigal. E a família não fazia nada sem que Papa Emílio ficasse sabendo. Mexer com esse tipo de gente é o mesmo que apontar uma 45 para a própria têmpora, apertar o gatilho e esperar a bala ricochetear no seu crânio feito uma amora madura.
– Vou encontrar a Nell pra você.
– Não a chame assim. Sabe que eu não gosto.
– Pattie, eu quero dizer. Vou encontrar Pattie e levá-la de volta a você.
– Quanto isso vai custar?
Fiquei olhando aquele filho da puta.
– Pra você, nada.
Pra mim – pensei – o que quer que tenha sobrado do meu coração. Se é que sobrou alguma coisa.

(continua)

* Jefferson Sarmento sempre adorou os textos datados e cheios de clichê do Raymond Chandler. Entenda esta pequena novela como uma homenagem e um exercício de tricô. Se a trama não se resolver no capítulo da semana que vem, espere pela próxima.

domingo, 16 de outubro de 2011

Meus amigos...

Meus amigos...
Por Valério Cortez

Bom dia. Bom dia a todos.
Hoje, diferentemente de algumas outras vezes, não farei da falta de assunto, um assunto. Se não tenho nada a dizer, é melhor que não diga nada.
Mas é difícil conter tamanha verborragia entranhada.
Portanto, já que estamos aqui, com o teclado a postos, gostaria de aproveitar para dar os meus mais sinceros parabéns aos nossos bravos professores, pela passagem de seu dia, e ao David pelo gol de ontem lá no Estádio Presidente Vargas, no Ceará.
Gostaria de dizer também que, tirando as notícias vindas de Brasília e da Praça Tiradentes no Rio, a resenha da semana foi boa.
Indignados se espalhando pelo mundo, jogos Pan americanos, Brasileirão sensacional e para o bem e para o mal, a chegada do horário de verão
Comigo os deuses foram generosos, o que significa dizer que fico. Pelo menos por mais um tempo, eu fico.
Significa dizer também, que contínuo podendo ser encontrado aqui neste muquifo e em todo e qualquer bar da cidade, que sirva cerveja gelada.
Por fim, gostaria de deixar os amigos na certeza de que hoje, dia de Santa Margarida Maria de Alacoque, permanecerei aqui, o tempo todo online, em processo de concentração e transcendência, de mente, espírito e tecnologia, no intuito de secar o Corinthians, o Vasco, o Botafogo, o São Paulo e o Fluminense. Não necessariamente nesta ordem, é claro.
No mais, desejo ao Cezinha, melhoras, ao Vinicius, boa piscina com a Bia, ao Geraldinho, o Fito Páez que lhe cabe, ao Carlos Henrique, um domingo em família, ao Serginho, uma boa viagem, ao Jorge Couto, que o capitalismo lhe seja leve, ao Alex, que não chova em Ubatuba, a Flavinha, parabéns pelo dia, a Renata, algumas cervejas geladas, ao Eder que haja sol em Penedo, ao Guanabara, muitos votos, ao Figurótico, guitarras afinadas, ao Jefferson, algumas editoras e a Dielena e a todos os outros, um bom domingo.
Abraço a todos.
Mengão rumo ao hepta.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Auto propaganda???



Eu gostaria muito de entender essa nova onda de propagandas que tenho visto na TV.
                Acho que começou com uma propaganda de cerveja, taxando um cantor de brega, e ele lá cantando num churrasco... Até aí tudo bem. Ele é brega mesmo, o estilo de música dele já é pacificamente chamado de brega.
                Depois surgiu uma propaganda de seguro na qual um cantor aparecia e soltava a voz quando um ladrão tentava roubar um carro. A mensagem era “esse cara é tão chato que faz alguém desistir de roubar um carro”.
                Agora um ator (?????) aparece ao lado de um ator (de verdade) comparando as atuações de ambos, deixando bem claro que o primeiro é ruim pra caramba.
                Eu ainda tenho dificuldades para acreditar que alguém se presta a ir à televisão para dizer “Hei, eu sou ruim no que faço, mas estou na TV, ganhando dinheiro!”. 
                                Então, imagine-se indo a um escritório, contratar os serviços de um advogado e nas apresentações ele começa a elencar todas as causas que perdeu?! Quem sabe então um médico que faz questão de manter em seu consultório fotos de cirurgias mal sucedidas . Ou ainda, você entraria num táxi de um motorista que é fera em batidas e capotagens?
                Eu sou uma pessoa muito ingênua mesmo. Pois pensava que as pessoas se dedicavam ao trabalho para serem reconhecidas como boas naquilo que fazem. Que credibilidade tem um profissional que faz uma propaganda pejorativa de si mesmo?  
                Claro que eu sei que ninguém é perfeito, e esse pacote de imperfeição inclui a vida profissional. Atire a primeira pedra quem nunca cometeu um erro no serviço. Mas numa entrevista de emprego você preferiria falar dos seus erros ou dos seus acertos?
                Não estou questionando a qualidade do produto. Mas o fato de o participante achar “legal” expor sua imagem na TV sendo pejorativo consigo mesmo. Aliás, ótimos profissionais  são os publicitários que criaram estas propagandas, pois parece que os cantores voltaram a ser mais procurados para shows após a veiculação do comercial, e aposto que o ator (?????) não vai demorar a aparecer em alguma novela. Melhor ainda, ótimo profissional mesmo é o Dustin Hoffman e pronto!
               
P.S. Este texto era para sexta passada, portanto o fato de se mencionar “propagandas” nos posts desta semana é mera coincidência. Não foi tema de redação de lugar nenhum.